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Pernambuco amanheceu de luto nesta terça (26). Faleceu, na noite da última segunda, por volta das 22h, Tarcísio Pereira, fundador da célebre livraria Livro 7, localizada na rua Sete de Setembro, no centro do Recife, e frequentada por diversos nomes de peso da literatura pernambucana, entre os anos 1970 e 2000. Informações divulgadas por parentes dão conta de que o livreiro não resistiu às complicações causadas pela covid-19.

Tarcísio contraiu o novo coronavírus em novembro de 2020, desde quando esteve internado no Hospital Português, na área central do Recife. O livreiro chegou a vencer a covid-19, mas enfrentou procedimentos de diálise e transfusão, além de ter sofrido um AVC e enfrentado uma trombose. Ele teria alta nesta semana, mas não resistiu a uma hemorragia interna.

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O governador Paulo Câmara divulgou nota de pesar pela morte do livreiro. “Pernambuco perdeu hoje o editor Tarcísio Pereira, um potiguar que marcou época e influenciou gerações com a sua icônica Livraria Livro 7, na Boa Vista, Centro do Recife. A Livro 7 abriu as portas em 1970 num espaço de 20 metros quadrados e, graças ao amor de Tarcísio pela literatura, se transformou num complexo cultural registrado pelo Guiness Book como a maior livraria do Brasil. Quero expressar aqui meu pesar aos familiares e amigos de Tarcísio, nesse momento de dor”, declarou.

Tarcísio cursou jornalismo e história na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), mas não concluiu nenhum dos cursos. Atualmente, ele trabalhava como presidente do Conselho Editoral e superintendente de Marketing da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).

O livreiro deixa esposa, quatro filhos e cinco netos. Seu velório ocorre nesta tarde, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife, onde seu corpo será, posteriormente, cremado.

Considerado uma das figuras mais importantes para a literatura no estado de Pernambuco, o jornalista, historiador e editor Tarcísio Pereira foi mais uma vítima da Covid-19. Na última segunda (25), ele não resistiu às complicações da doença e veio a óbito. A morte do livreiro foi confirmada por uma de suas filhas, a empresária Juliana Lins. 

Tarcísio Pereira tinha 73 anos e estava internado em um hospital particular do Recife há dois meses. Ele receberia alta ainda nesta semana, mas acabou sofrendo uma hemorragia na noite de segunda (25) e não resistiu. O enterro será realizado nesta terça (26), no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. 

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O livreiro era considerado um dos maiores entusiastas da literatura em Pernambuco. Ele foi o fundador da Livro 7, na década de 1970, livraria que acabou se tornando um ponto de encontro para estudantes, artistas, intelectuais e amantes dos livros em geral. O espaço, que funcionava na Rua 7 de Setembro, ficou marcado na memória afetiva dos recifenses. 

Após encerramento das atividades da Livro 7, em 1998, Tarcísio permaneceu dedicando-se ao ramo dos livros. Ele integrava a diretoria da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e  mantinha sua própria editora, a Tarcísio Pereira Editor, no bairro da Madalena. Várias autoridades manifestaram seu pesar pela partida do livreiro. Confira. 

“Pernambuco perdeu hoje o editor Tarcísio Pereira, um potiguar que marcou época e influenciou gerações com a sua icônica Livraria Livro 7, na Boa Vista, Centro do Recife. A Livro 7 abriu as portas em 1970 num espaço de 20 metros quadrados e, graças ao amor de Tarcísio pela literatura, se transformou num complexo cultural registrado pelo Guiness Book como a maior livraria do Brasil. Quero expressar aqui meu pesar aos familiares e amigos de Tarcísio, nesse momento de dor”.

Paulo Câmara

Governador de Pernambuco

“É com muita tristeza que recebi a notícia do falecimento de Tarcísio Pereira, jornalista e historiador que marcou a sua caminhada no Recife compartilhando o amor que tinha pela leitura. Fundou a Livro 7 em 1970, na Boa Vista, um espaço que virou um dos principais pontos de embarque da nossa cidade para os muitos mundos que a literatura proporciona. Minha solidariedade à sua família, a amigos e a todos aqueles que fizeram de sua livraria um espaço querido e  cheio de histórias”..

João Campos, Prefeito do Recife

“Que falta vamos sentir do vigor e do carisma de Tarcísio, do seu talento para agregar, fazer amizades e distribuir afetos. Felizmente, tive a oportunidade de homenageá-lo em vida, com um voto de aplauso na Câmara do Recife, em 2014, quando ainda era vereadora. Vá em paz, querido”. 

Isabella de Roldão, vice-prefeita do Recife

"Tarcísio era um verdadeiro amante dos livros. Seu trabalho incansável à frente da livraria foi responsável por revelar grandes talentos e por movimentar durante anos a cena cultural pernambucana. Sua partida deixa uma lacuna que dificilmente será preenchida".

Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe

"Mesmo fechada há tanto tempo, a Livro 7 reside/resiste na memória coletiva e afetiva da cidade. São lembranças saudosas que marcaram para sempre toda uma geração de escritores e leitores que frequentavam aquele templo do livro, fundado por Tarcísio".

Gilberto Freyre Neto, Secretário de Cultura de Pernambuco

 

Faltou pouco para a Academia Pernambucana de Letras (APL) figurar na história como a primeira do Brasil. Segundo a antropóloga e acadêmica Fátima Quintas, detentora da cadeira nº 31, foi o autor de A emparedada da Rua Nova, o recifense Carneiro Vilela, que atrasou a fundação de 1890 para 1901. Ainda assim, ela está entre as três primeiras academias do País e na próxima terça-feira (26) celebra 120 anos de existência. A marca será comemorada com live promovida em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), às 16h, no canal da Instituição no YouTube.

“A Academia ficou conhecida como a casa de Carneiro Vilela. Mas, ao bem da verdade, é a casa de todos aqueles que amam a poesia e a prosa. Os literatos são responsáveis por registrar cada qual o espírito criativo de sua época, por isso essa data deve ser lembrada”,  destaca o escritor e presidente da Fundaj, Antônio Campos, que na APL ocupa a cadeira nº 25. Na celebração, Antônio Campos dividirá as honras da abertura com o escritor Lucilo Varejão Neto, presidente da APL e detentor da cadeira nº 2.

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Na sequência, Fátima depõe sobre o aniversário da instituição. Autora de Academia Pernambucana de Letras — história e patrimônio (2013), a antropóloga integrou a APL em 2002. Uma década depois foi eleita presidente da Academia, cargo que ocupou de 2012 a 2016. “Apesar de não ser historiadora, sou filha de um historiador: Amaro Quintas. Então, sempre tenho vontade de conhecer as instituições a que pertenço. É uma mania minha. Quando entrei na Academia, resolvi estudar um pouco sobre sua história. Pesquisei e concluí com a publicação do livreto”, recorda.

Na obra, a acadêmica resgata toda a história da dita ‘Casa de Carneiro Vilela’, desde a construção do prédio até a formação e consolidação da entidade. Ela recorda, por exemplo, que, no início, a Academia Pernambucana de Letras estava vinculada ao Instituto Histórico de Pernambuco. “Funcionou na Rua do Hospício, até a mudança para a sede atual na Rui Barbosa. Na época, haviam apenas 20 acadêmicos, seguindo os padrões da Academia Francesa de Letras. Foi só em 1960 que o escritor Mauro Mota propôs ampliar o conjunto para formato atual, com 40.”

Ariano Suassuna, Joaquim Cardozo, Gilberto Freyre, João Cabral de Melo Neto, Mário Melo, Mário Sette, Padre Carapuceiro e Manoel Arão são alguns dos nomes que deram grandes contribuições para a literatura do Estado. Afinal, que seria da Literatura Pernambucana sem títulos como o Auto da Compadecida, Cão Sem Plumas, Casa-Grande e Senzala e O Claustro? “Para mim tem um significado imenso compor esta celebração, afinal sou uma escritora. É uma data marcante que deve ser lembrada”, conclui Fátima Quintas.

Serviço

120 anos da Academia Pernambucana de Letras

Data: 26 de janeiro

Horário: 16h

Transmissão no canal da Fundaj, no YouTube

 

*Via Assessoria de Imprensa

A quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus alterou a vida de milhares de pessoas ao redor do mundo, impondo-lhes novos desafios para lidar com a própria rotina. O momento tocou a jornalista e escritora pernambucana Lara Ximenes e deu origem ao seu primeiro livro, Tática Operacional para sobreviver ao cotidiano, publicado pela Editora Chuvisco.

No livro, Lara traz listas que retratam o cotidiano, os pensamentos e a memória da autora durante esse período. Aqui, a ferramenta, muito utilizada no dia a dia de maneira ordinária, ganha traços poéticos e brinca com os limites entre os gêneros literários. Além disso, a publicação funciona como um registro histórico do momento de crise sanitária que assolou todo o planeta. 

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Lara Ximenes é jornalista, escritora, pós-graduada em Escrita Criativa pela Universidade Católica de Pernambuco e PUC-RS. Para ilustrar seu livro de estreia, ela convidou Manuela Sobral, que também é responsável pela Chuvisco, editora que lança a obra, ao lado de Gabriela L’Amour. A pré-venda do livro já está disponível no site da editora. 

 

O livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, publicado, pela primeira vez em 1902, é considerado um marco também para o jornalismo brasileiro (e não apenas para a literatura). Um dos méritos, além da inovação dos caminhos narrativos para história de não-ficção, foi se contrapor a notícias falsas que eram publicadas em jornais da Região Sudeste sobre a Guerra de Canudos. Havia uma ideia que corria pelos veículos e pela opinião pública que a revolta dos sertanejos, na verdade, era uma tentativa de restabelecer a monarquia na década seguinte da proclamação da República.

A professora Walnice Galvão, docente emérita da USP, investigou os discursos dos jornais da época no livro No Calor da Hora. Estas versões, inclusive, trouxeram uma ideia equivocada para o próprio Euclides da Cunha. “Eu percebi, com clareza, como a mídia jornal influenciou o país. Convenceram a opinião pública brasileira que Canudos era uma conspiração restauradora da monarquia, e todo mundo acreditou. Essas notícias falsas estavam nos editoriais, reportagens e até nas caricaturas”, diz, lembrando que os jornais, em tempos sem rádio ou TV, faziam o serviço principal de comunicação.

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O professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia, também chama a atenção sobre o avanço das fake news (notícias falsas) à época, mas reitera que Euclides da Cunha não conseguiria avançar nas pesquisas que lhe renderam o término de Os Sertões sem apoio dos jornais impressos. “Ele tinha também uma ligação muito forte com os jornais e lhe serviu de fontes de informação importantes. Percebi que há diferenças de datas e números em documentos. Uma nova pesquisa que pode ser feita é comparar os documentos para precisar dados sobre eventos históricos”.

Para o professor de direito Arnaldo Godoy, que também é pesquisador em literatura, os escritos de Euclides, bem como a própria trajetória trágica pessoal do escritor, são capazes de provocar estudos sobre notícias falsas. “Considero muito importante tentar compreender o papel da comunicação na construção ou na desconstrução de um criminoso”, afirmou.

Mistura de jornalismo e literatura

Para o professor de jornalismo Edvaldo Pereira Lima, um dos principais pesquisadores de jornalismo literário do país, a obra Os Sertões é marco inquestionável do gênero no país. Ele contextualiza que, em outras coberturas de conflitos bélicos de guerra civil nos Estados Unidos e na África (por parte de correspondentes europeus), existiam iniciativas pioneiras de se amadurecer essa escola narrativa que excedesse a ideia de uma notícia crua. “Isso tem relação com a dificuldade de transmitir a intensidade de um campo de batalha de uma forma fria ou preso apenas à informação”. 

No Brasil, o primeiro caso é na obra de Euclides. “Muito mais do que informar, Euclides procura trazer uma leitura completa de compreensão de realidade, trazendo as múltiplas causas e a atenção principal na figura humana. Os Sertões faz com que o leitor compreenda de forma integral aquele acontecimento, em suas diferentes dimensões”, afirma Pereira Lima.

O pesquisador explica que, no jornalismo literário,  as pessoas são tratadas em profundidade e que, na obra euclidiana, há uma leitura quase psicológica. “Jornalismo literário é literatura também. Entendo como literatura tanto a ficção como a não-ficção. Um estilo pautado pela literatura do real. O que caracteriza a literatura é a qualidade e a excelência do nível narrativo. E isso é marcante com Euclides por causa de sua sensibilidade ao trazer aspectos sutis da realidade”. 

Esses aspectos servem para denunciar, investigar e ser caminho inspirador para a transformação social e humana. “Ler a obra é uma experiência de sensibilização para 'ressignificar' a realidade. Uma grande experiência de transformação de consciência para os cidadãos brasileiros”, afirma.

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Muitas pessoas sentem vontade de iniciar uma jornada pela escrita e contar histórias que alcancem outras vidas. Para isso, é necessário ter criatividade, determinação e capacidade para lidar com os desafios. 

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A Semana da Criação Literária, evento on-line e gratuito que irá ocorrer entre os dias 25 e 31 de janeiro, foi idealizada com o propósito de auxiliar pessoas que pensam em descobrir e melhorar habilidades, bem como seguir profissionalmente a carreira de escritor ou escritora.

Tiago Novaes, escritor, tradutor e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), ministrará aulas que pretendem mostrar, entre outras coisas, obstáculos que impedem o desenvolvimento da escrita. Falta de confiança, dificuldade para encontrar inspirações, medo e até mesmo falta de tempo são os fantasmas que assombram os jovens escritores. 

Tiago Novaes desenvolveu o gosto pela escrita na infância, com a leitura. “Minha tia contava histórias à beira da cama antes de dormirmos, meu irmão e eu. Eram histórias fantásticas, com terras distantes, dragões, florestas encantadas. Aí vieram os livros. E um livro puxa outro. Na adolescência, Clarice, Graciliano, Guimarães, Saramago. A poesia. Eu era um aluno bastante medíocre na escola, e a exceção sempre foram as redações, onde sinto que eu destilava estas leituras”, revelou.

O escritor destacou que, inicialmente, há um prazer simples e inocente diante do papel, uma inspiração, um entusiasmo. Depois vem um um desejo de alçar voo maior, de contar uma história melhor, desenvolver os personagens. “Aos poucos a gente passa a querer transmitir a ambiguidade da vida nos próprios escritos. E é um desafio que vai sendo trabalhado continuamente, identifica-se com a experiência de vida, com as perguntas que fazemos e que nunca alcançam resposta”, explicou.

A Semana da Criação Literária surgiu com a intenção de ajudar as pessoas a se apropriarem da própria língua e da própria voz, informou Tiago. Segundo ele, desde as oficinas presenciais que ministrou a partir da publicação do seu primeiro romance, surgiu um senso de “missão literária”. “Acredito que ainda somos jovens, como país e cultura em termos de narrativas escritas. Quantas histórias por escrever! Romances psicológicos, históricos, ficções científicas. Ainda precisamos mapear na ficção a nossa cultura, que se diversificou e tem revelado a sua complexidade”, disse.

Para incentivar aqueles que querem escrever mas que são impedidos pelas inseguranças, Tiago afirma que o primeiro passo é retirar o lugar do "Grande Escritor" de um pedestal inalcançável e mostrar que a escrita é um ofício como qualquer outro, com suas complexidades. Para Tiago, o grande segredo da criação literária é que não existe segredo e sim que existe trabalho, insistência, paixão revigorada, comunidade.

“A escrita criativa entra neste movimento. É uma disciplina tão jovem quanto a psicanálise e foi fundada por um reitor na Universidade de Iowa, um sujeito chamado Carl Seashore. Nos EUA existem centenas de programas de graduação e pós em escrita. No Brasil este movimento ainda é emergente. Parte do meu trabalho é de difusão deste conhecimento”, assinalou o escritor.

Tiago Novaes entende que a questão da criatividade está em aceitar que é sempre necessário buscar objetos em um lugar diferente, enxergá-los de uma nova perspectiva. “Os livros fazem isso. As viagens. A análise ou autoanálise. O debate intelectual e literário. O sujeito criativo é um sujeito curioso, desassossegado. Precisamos abandonar as questões narcísicas, como 'Isso é para mim?', 'Eu sou bom o suficiente?', e passar a fazer perguntas de dentro da prática, que são bem menos autocentradas”, acrescentou.

O escritor comenta que vive de atividades ligadas à escrita e conhece muitas pessoas que fazem o mesmo. Durante a Semana da Criação Literária, Tiago vai mostrar como o autor pode enveredar por esse caminho. Também terá a discussão sobre a estruturação de uma obra a partir do romance "Torto Arado", de um dos antigos participantes de suas oficinas on-line, Itamar Vieira Jr. “Por fim, vamos oferecer orientações práticas para aprimorar a escrita e algumas reflexões que o escritor deve realizar de saída para que possa superar as questões extrínsecas à obra: o medo da falta de talento, a dificuldade em lidar com o tempo da escrita, dentre outras”, complementou.

Experiências válidas

O escritor e jornalista Tiago Júlio Martins contou que conhece e recomenda a participação nas aulas de Tiago Novaes, pois ele possui experiências válidas para quem deseja seguir a carreira de escritor. “Acho um trabalho muito incrível porque ele ensina técnicas muito legais para quem está começando, até para pessoas mais experientes têm teorias muito eficazes na construção de enredos. Já assisti alguns vídeos dele e eu recomendo participar do evento, porque tudo que vem a somar e agregar para a nossa escrita, nossa bagagem cultural, nossa bagagem técnica eu acho superválido”, disse.

Ele também relata que o seu hábito pela leitura surgiu na infância. “Comecei a ler com as revistinhas da Turma da Mônica, principalmente. Depois minha tia me dava livros infantis, então eu lia Ziraldo, li outras coisas também.”

Tiago explicou que a escrita é algo natural desde os seus 17 anos e que aperfeiçoou com a profissão de repórter. "Exercitei bastante a minha aptidão como escritor, jornalista, redator e sempre foi uma forma de me encontrar comigo mesmo”, afirmou.

Como escritor, publicou dois livros, “Cabeça Bipolar” e “Outubro”, cada um com as suas particularidades de construção. “O 'Cabeça Bipolar' escrevi praticamente em fluxo de consciência. Foi um processo muito orgânico, não me preocupei tanto com o enredo, forma. Já no 'Outubro' eu precisei me preocupar mais com a estrutura, com o desenvolvimento do enredo em si”, explicou.

Tiago Júlio contou que os autores que mais lhe inspiram são Manuel de Barros, Ferreira Gullar, José Saramago, Clarice Lispector, Cecília Meirelles, Hilda Hilst, Caio Fernando Abreu e Paulo Leminski. “São escritores que têm uma obra muito rica. Se um dia eu conseguir chegar no dedinho do pé de algum deles, em sentido de qualidade literária, eu já vou ficar muito feliz”, completou.

O escritor também relatou que já sofreu com bloqueio criativo. “A forma que eu encontrei para lidar com isso foi buscando outras fontes de arte para me inspirar, na música, no cinema, nas artes visuais, na dança, e procurei me inspirar a partir do trabalho de outros artistas, acho que é uma boa ferramenta que pode ajudar bastante”, contou.

Para as pessoas que desejam se tornar escritoras, Tiago Júlio conta que o mais importante é escrever sem a preocupação de estar produzindo um texto grandioso e que há formas de autopublicação gratuita na internet, facilitando a intensificação da prática da escrita. “A nossa escrita é a troca que a gente tem com o leitor”, finalizou.

Vivências literárias

A jovem escritora Giovanna Maués, estudante de Odontologia e amante de livros, apesar de não ter um livro publicado ainda, compartilhou um pouco sobre sua vivência ao escrever histórias. Ela diz que seu gênero preferido é o romance e todas as variações dele (romance de época, romance de fantasia, romance contemporâneo, etc.) e que se inspira muito em autoras como Sarah J Maas, Angie Thomas e Julia Quinn.

“Eu gosto muito de literatura, mas percebi que um dos meus gêneros preferidos tem pouca representatividade. Comecei a escrever como uma tentativa de reverter esse cenário. Queria que mais pessoas se sentissem representadas em um gênero que eu gosto tanto”, destacou.

Giovanna também falou de alguns entraves no momento de transcrever o que ela deseja para história no texto. “Uma das maiores dificuldades é achar as palavras certas para encaixar no texto, que transmitam o que eu tô pensando.”

A jovem escritora comentou também sobre o que a ajuda mudar essa situação. “O que me ajuda muito é ler livros do mesmo gênero que eu estou escrevendo.”

Emanuelle Estumano, de 20 anos, escreve desde quando era criança. Poemas ou textinhos, mas nada sério, até os seus 12 anos, quando começou a ter crises de ansiedade e encontrou na escrita uma forma de refúgio.

“Quando eu tinha 12 anos comecei a ter crises de ansiedade e isso me impulsionou a escrever músicas. Fiz muitas durante a adolescência, pois eram como desabafos do que eu sentia ou mensagens positivas que eu queria ouvir quando me sentia assim. Depois fui adentrando no mundo das narrativas e comecei a criar histórias ficcionais que eu escrevia para não esquecer. Com o tempo foi virando hobby e hoje acho que já é mais do que isso”, afirmou.

Segundo Emanuelle, a escrita é resultado de vivências relacionadas a sua fé ou no âmbito social. Cada música de sua autoria, esclareceu, tem um pouco de experiências espirituais, emocionais e sociais vividas por ela. 

“Escrevo sobre o que vejo, o que ouço, o que leio. Então, algo que eu vi na parada de ônibus pode render uma boa ideia. Gosto bastante de traços da vida real misturados com a ficção. Quando se lê, é difícil saber o que é verdade e o que não é”, comentou Emanuelle.

Emanuelle falou sobre os desafios de publicar seus escritos. “Acho que o maior desafio é o que vem depois que o trabalho está pronto. Criar não é difícil em si; entretanto, tornar uma obra pública, reconhecida e vendável é. Acredito que grande parte dos escritores crie algo pensando em quem lerá aquilo, e não idealizando que a obra fique apenas engavetada. Há todo um processo, passando pelo registro de direitos autorais, publicação on-line ou a partir de alguma editora e a circulação para os leitores, isso sem uma garantia de que o trabalho será aprovado e agradará parte do público.”

“A internet tem ajudado bastante com várias plataformas disponíveis para escritores amadores divulgarem suas obras; contudo, nem sempre é fácil ganhar visibilidade e “fazer seu nome”. Eu me encontro um pouco estagnada nesse processo, pensando em como publicar minhas criações de maneira segura, ampla e benéfica, tanto para mim quanto para quem vai ler.”, comentou sobre as facilidades que temos hoje em dia com o uso da internet.

Incrições para a Semana de Criação Literária aqui.

Canal Escrita Criativa no Youtube.

Por Isabella Cordeiro, Sabrina Avelar, Yasmin Seraphico e Rita Araújo.

 

 

Uma arte da série "As Aventuras de Tintim" (1929), do cartunista Georges Remi (1907-1983), conhecido pelo nome artístico Hergé, foi leiloada em Paris, na França, pelo valor US$ 3,8 milhões (cerca de R$ 20 milhões), e estabeleceu um novo recorde mundial no segmento de quadrinhos.

O desenho havia sido planejado para ser capa do livro "O Lótus Azul" (1935), e mostra Tintim e o cachorro Milu dentro de um vaso, no momento em que encaram a pintura de um dragão. A arte é similar à versão final, mas as cores de fundo e do dragão foram invertidas, e é possível perceber algumas diferenças na expressão facial do personagem.

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Capa do livro "O Lótus Azul" | Foto: Divulgação / Companhia das Letras

Apesar da conquista no leilão, o recorde superado também pertencia a Hergé. Trata-se de uma página dupla da HQ "Tintim e o Cetro de Ottokar" (1939) que, em 2015, foi arrematada por quase 1,6 milhão de euros (cerca de R$ 6,6 milhões, na época).

A casa de leilão que realizou a venda da imagem de "O Lótus Azul" não divulgou informações sobre o comprador, mas informou em nota que o desenho foi obtido por um colecionador particular.

A história de Hergé narra as aventuras do repórter Tintim, que viaja pelo mundo em busca de aventuras. O personagem surgiu pela primeira vez em 1929, na sessão infantil do jornal Le Vingtième Siècle. Com o passar do tempo, a tirinha expandiu para HQs e séries de desenho animado. Em 2012, Tintim foi adaptado para as telas do cinema no live-action "As Aventuras de Tintin", dirigido por Steven Spielberg.

Toda segunda sexta-feira do mês é dia de Saraus em Pasárgada, que no primeiro encontro de 2021 traz o tema Poesia Pernambucana. O evento mensal de valorização da poesia, que desde março é realizado pela internet por causa da pandemia do coronavírus, nesta edição quer celebrar poetas e poesias originadas em Pernambuco. A participação é aberta a todos, no Instagram, com exibição a partir das 18h, no @culturape.

O formato será o mesmo usado desde que o encontro, antes presencial, passou a ser virtual. A participação de poetas, amantes da poesia, admiradores de Manuel Bandeira, da poesia pernambucana e curiosos, mantendo a tradição de microfone aberto a todos, se dará por vídeos. Os interessados devem publicar seus conteúdos no Instagram e marcar os perfis @culturape e @manuelbandeira.pasargada. Serão compartilhadas gravações contendo poemas do próprio homenageado ou que tenham relação com ele.

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“Decidimos começar o ano com uma homenagem à poesia pernambucana do passado, presente e futuro. Vamos fazer um sarau à luz da produção poética de Pernambuco e todas as suas regiões. Aqui é um nascedouro de poesia e vamos fazer deste encontro, com a força da lua nova, uma epifania de estilos e expressões poéticas. Queremos envolver pessoas do nosso estado participando com poemas autorais, e poemas de sua preferência, onde Manuel Bandeira, como bom pernambucano, também fará parte do enredo”, adiantou Marília Mendes, gestora do Espaço Pasárgada, espaço cultural gerenciado pela Secult-PE/Fundarpe, onde viveu Manuel Bandeira e que sediou os Saraus quando aconteceu presencialmente.

*Via assessoria de imprensa.

 

Um desenho de Hergé destinado à capa do álbum "Blue Lotus" (O Lótus Azul) de Tintin será leiloado pela primeira vez em Paris nesta quinta-feira (12), uma peça "excepcional" estimada em mais de dois milhões de dólares.

Esta aquarela e 'guache', desenhada a tinta chinesa e datada de 1936, pode superar a venda de 2014, quando a mesma casa, a Artcurial, leiloou a página dupla que o cartunista belga usou como capa de seus álbuns durante 20 anos.

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O leilão foi então liquidado por 2,5 milhões de euros, um recorde para uma história em quadrinhos.

No desenho de "The Blue Lotus", Tintin e seu cachorro Snowy estão dentro de um vaso apenas com a cabeça pra fora e expressão angustiada enquanto um dragão vermelho os ameaça com a boca aberta. Um pendente com letras chinesas decora o fundo preto com motivos amarelos.

Porém, essa criação acabou não sendo capa do quinto álbum das aventuras do famoso repórter, já que sua reprodução era muito cara e a editora, Casterman, optou por um desenho semelhante, mas simplificado.

É a primeira vez que o desenho de 34cm x 34cm é apresentado no mercado de arte e o seu preço estimado ronda os 2,2 e os 2,8 milhões de euros.

Segundo a Artcurial, Hergé teria cedido a obra ao filho do editor Louis Casterman, Jean-Paul, quando ele tinha sete anos. A criança teria dobrado a folha em seis e guardado-a em uma gaveta, de onde teria sido recuperada décadas depois.

Alguns especialistas questionam a veracidade dessa história. Para Philippe Goddin, um dos maiores conhecedores da obra de Hergé, os herdeiros "acreditaram na lenda contada pelo pai", Jean-Paul, que morreu em 2009. Mas a versão parece "muito suspeita".

Embora as marcas de dobras possam ser vistas, Hergé provavelmente enviou a folha dessa forma em um envelope para o adjunto da editora, segundo Goddin.

O desenho estaria no armazém da Casterman desde 1936, mas não era um presente.

Até 15 de janeiro de 2021, estão abertas as inscrições para o 6º Prêmio Cepe Nacional de Literatura e para o 3º Prêmio Cepe Nacional de Literatura Infantil e Infantojuvenil. As inscrições estão sendo realizadas exclusivamente por meio digital através do endereço www.cepe.com.br/premio-cepe.

Até agora 608 inscrições já foram realizadas em todo o Brasil e no exterior. A maior quantidade de inscritos é do Estado de São Paulo (22%), seguido pelo Rio de Janeiro (15%), Minas Gerais (9%) e Pernambuco (8%). Entre os segmentos literários, a categoria Poesia recebeu maior número de inscritos (172), seguida por Romance (130) e Infantil (122). Até agora 114 escritores inscreveram obras na categoria Juvenil e 70 obras foram enquadradas na categoria Conto.

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O 6º Prêmio Cepe Nacional de Literatura contemplará as categorias Poesia, Conto e Romance com R$20 mil para os vencedores de cada uma. Já o 3º Prêmio Cepe Nacional de Literatura Infantil e Infantojuvenil agracia o vencedor de cada categoria com R$10 mil. O resultado será divulgado até 15 de junho de 2021.

Para participar os concorrentes devem ser brasileiros natos, residentes no Brasil ou no exterior, bem como brasileiros naturalizados residentes no país, independente de sexo, etnia, idade, formação cultural, religiosa ou política, desde que atendam às normas do edital, que podem ser acessadas no site http://bit.ly/premiocepe2020.

Cada prêmio terá sua comissão julgadora, formada por profissionais da área de literatura, como escritores, poetas, professores e pesquisadores. Critérios como originalidade, qualidade técnica, valorização da cultura brasileira, domínio da linguagem e estímulo à leitura serão levados em conta.

Além do prêmio em dinheiro, os autores terão suas obras editadas e lançadas pela Cepe. 

*Via Assessoria de Imprensa

Um estudo feito pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) aponta que o Mercado Livre é responsável por 64% da pirataria presente na internet. Por conta disso, as entidades de direitos autorais têm pressionado a plataforma de vendas online.

De acordo com o levantamento, desde 2018 foram identificados e removidos quase 227 mil links com ofertas de conteúdo piratas. Em muitas situações, vendedores do Mercado Livre comercializavam livros no formato PDF sem possuírem os direitos das obras.

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Em setembro de 2020, a ABDR iniciou uma denúncia de violação aos direitos autorais junto à Secretaria Nacional do Consumidor, que integra o Ministério da Justiça. O Mercado Livre afirmou em nota que não é favorável à pirataria e que trabalha junto a entidades públicas e privadas para excluir anúncios que vão contra as políticas dos titulares das obras. A plataforma de vendas online também destacou que disponibilizou à associação a ferramenta Brand Protection Program, que possibilita aos donos das obras removerem anúncios piratas.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, a diretora da ABDR, Daniela Manole, criticou a resposta do Mercado Livre e alegou que a prática da plataforma é entrar em ação depois dos anúncios serem expostos e que não toma providências para evitar que tais ofertas aconteçam.

Segundo um levantamento feito pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Itaú Cultural, apenas pouco mais da metade dos brasileiros têm o hábito da leitura: 52%. A pesquisa apontou, inclusive, uma diminuição desse percentual entre 2015 e 2019, período em que o Brasil perdeu 4,6 milhões de leitores. O estudo foi realizado em 208 municípios de 26 estados entre outubro de 2019 e janeiro de 2020.

Os números podem até não impressionar dado o senso comum de que brasileiros não gostam de ler, somado a um outro que estigmatiza os livros como artigos de luxo caros, sendo assim, inacessível para grande parte da população. No entanto, uma breve volta pelo centro do Recife, pode servir de  alento aos que preferem desacreditar em tais  teorias. 

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Ladeando determinado ponto da Avenida Dantas Barreto, dois pontos tradicionais agregam livreiros de rua. Um deles, batizado de Praça do Sebo, conta até com a escultura de um célebre escritor; Mauro Mota, jornalista, poeta, ensaísta e membro da Academia Brasileira de Letras, falecido em 1984. Seguindo pela Avenida Guararapes, no coração do centro da capital pernambucana, é preciso desviar dos livros de diversos vendedores que montam seus sebos nas calçadas mesmo. 

São pessoas como Crisgibe, que há dois anos vende gibis e livros de diversos gêneros em uma dessas calçadas, ocupando a cidade de maneira tal que já tornou-se parte do visual dela. A história de Cris e de outros profissionais, tem sido documentada pelo pernambucano Elizeu Espíndola, ele próprio um livreiro de rua, proprietário do Seborreia. 

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Crisgibe é uma das sebistas que ocupam o centro do Recife. 

Elizeu transformou sua paixão por livros e sebos em trabalho há cerca de dois anos. Educador Social de profissão, acostumado às mais diversas vivências encontradas pelas ruas da metrópole, ele conta que foi preciso uma certa dose de “coragem” para colocar o seu sebo na rua. “O livreiro de rua é uma espécie de ambulante, de comércio informal, eu precisei vencer essa etapa do medo”, contou o sebista em entrevista ao LeiaJá. 

Até o dia em que ele colocou “uma canga da companheira” na bolsa, mais alguns livros, e desembarcou na Estação Recife de metrô, no Bairro de São José, área central da cidade A partir dali, a experiência acumulada em suas próprias andanças e relações construídas com os livreiros do centro, aliadas à vontade de promover uma “ocupação literária” daqueles espaços, deram vida ao Seborreia. “A cidade sempre foi palco de experiências encantadoras, então ocupar aquele local era fundamental”, afirma.

O Seborreia começou no Pátio de São Pedro, passou pela Casa da Cultura - antiga casa de detenção transformada em equipamento cultural -, e passou um tempo na Avenida Guararapes, em frente ao prédio dos Correios. Elizeu conta que seu estímulo sempre foi o de oportunizar a livre circulação de informação e promover uma “libertação” através dos livros, usando-os como munição contra a violência urbana e a precarização da educação no país. A ideia era “armar” as pessoas com esse “novo arsenal” e assim “contribuir com a formação de jovens”. 

Elizeu, idealizador do Seborreia e  condutor do "trem bala", como ele chama o sebo. Foto: Reprodução/Instagram

O acervo do Seborreia passa por uma fina curadoria que atende a um eixo central: cultura e ciências humanas. Garimpando em outros sebos e fazendo parcerias com livreiros, escritores e outros clientes, Elizeu disponibiliza obras de história, política, filosofia, diferentes linguagens artísticas e poesia, entre outros temas correlatos. O diferencial não é obra do acaso, o propósito do sebista é expandir os conhecimentos existentes em tais livros para além dos espaços acadêmicos. “É uma realidade que a princípio nos é dada, não sei se é pra nos colocar no lugar da comodidade, a gente sai da escola pública, sobretudo quem vem da periferia e é ligado a uma classe mais trabalhadora, e a leitura vira algo de luxo. A escolaridade deve cumprir a função básica para lhe deixar apto ao trabalho e às vezes a gente frustra uma experiência potencialmente rica.  Isso mais atrapalha do que ajuda nesse processo de dar às pessoas esse acesso ao conhecimento. Onde você vai ser provocado fora da universidade a ter contato com isso?”

Para além dessas questões educacionais, o livreiro exalta a possibilidade das trocas de experiências, vivências e histórias somente possíveis no convívio com o cotidiano da própria cidade e seus frequentadores. Os transeuntes acabam virando compradores, amigos, parceiros e multiplicadores de “experiências concretas”, como ele próprio chama. Tudo isso sem contar na carga afetiva contida apenas nos livros usados, instrumentos de resistência não só ao hábito da leitura - ao qual teimamos em acreditar não fazer parte do nosso povo -, como à magia e riqueza contida nos sebos de rua.

Resistência

O Seborreia passou cerca de dois anos ocupando uma ds calçadas da Avenida Guararapes, no centro do Recife. Foto: Reprodução/Instagram

Resistir é a palavra de ordem para sebistas, sobretudo aos que trabalham nas ruas da cidade. A pandemia do novo coronavírus trouxe um desafio ainda maior à sobrevivência de todos eles. O próprio Seborreia passou a investir mais no trabalho via redes sociais para continuar na ativa. A presença no meio virtual trouxe mais leitores e estabeleceu novas conexões, mas é na rua mesmo que o sebo existe de forma plena.

Sendo assim, Elizeu levou seu acervo para um novo ponto no centro do Recife. O Seborreia está funcionando em um espaço compartilhado com o Bazar da Cidadania, promovido pela Ação Cidadania, na Rua Imperatriz, no Pátio da Matriz da Boa Vista, bairro da Boa Vista. Um lugar que, para ele, faz todo “sentido” pelo “arsenal cultural e pela ideia do consumo consciente”. O sebo funciona às segundas, quartas e sextas, das 14h às 17h.  

O portal Anime News Network divulgou na última segunda-feira (21), que o mangá "Os Cavaleiros do Zodíaco: Lost Canvas" (2006-2011) receberá um novo capítulo em 19 de janeiro de 2021, pela revista Champion RED. O anúncio foi feito junto ao cartaz de divulgação. Veja:

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Foto: Divulgação / Champion RED

Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a história do novo capítulo.

"Lost Canvas" é um spin off da série "Os Cavaleiros do Zodíaco" (1985-1990), escrito pela mangaká Shiori Teshirogi, e conta a história da primeira guerra santa, 243 anos antes dos eventos que ocorrem na obra principal de Masami Kurumada.

A história gira em torno do jovem Tenma, que se torna o cavaleiro de Pégasus, e de seus amigos Sasha e Alone, reencarnações dos deuses Atena e Hades, respectivamente. Personagens da série clássica, como os cavaleiros de ouro Dohko de Libra e Shion Áries, ambos com 18 anos, também participam da trama.

Em 2009, o mangá foi adaptado para anime e teve duas temporadas. A série pode ser acompanhada nos streaming Netflix e Crunchyroll.

Nascido no município de Cametá, Pará, no dia 23 de abril, Salomão Larêdo é escritor e um dos nomes mais influentes da cultura amazônica contemporânea. Dono de várias facetas - é advogado, jornalista, mestre em Teoria Literária, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), poeta, contista e romancista -, é na literatura que deixa marcas.

Tem mais de 40 obras publicadas, que narram sobre a cultura, as histórias e o imaginário paraense. Em entrevista ao LeiaJá, às vésperas de lançar o novo livro, intitulado “Pedral, Canal do Inferno”, Larêdo fala da vida, da carreira e da inspiração para esse romance ficcional.

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Com o lançamento previsto para começo de 2021, “Pedral, Canal do Inferno” é um romance que se passa no Pedral do Lourenço, formação rochosa no meio do rio Tocantins, sudeste do Pará, que impede a navegação durante a estiagem e inviabiliza a hidrovia do Araguaia-Tocantins. “A ideia para este romance eu tive lendo o livro de ‘Belém a S. João do Araguaia’, escrito pelo engenheiro cametaense Ignácio Moura", disse. A narrativa, segundo Larêdo, se desenvolve em torno do Pedral do Lourenço, revela o escritor.

Salomão Larêdo relata que, por ter nascido na vila do Carmo cametaense, à beira do rio Tocantins, a cultura e o imaginário amazônico influenciam totalmente sua literatura. “Ela é a personagem principal das personagens do meu labor literário. Eu procuro me valer das mitologias pessoais, da mitologia grega e das mitologias amazônicas para fazer esse entendimento ser cada vez melhor na literatura que eu faço”, explica.

Paixão de longa data, o escritor acredita que o amor pela literatura surgiu desde pequeno, com as histórias contadas pelos familiares sobre o lendário e as encantarias da Amazônia, e se recorda do pai. “[Meu pai] me ensinava, lia muito para mim, contava histórias, comprava livros – tanto quanto eram possíveis, porque as condições eram difíceis. Eu acho que fui me apaixonando”, diz.

O escritor conta que cedo teve contato com a literatura de Machado de Assis e passou a ser influenciado por ela. Depois começou a ler obras de Dalcídio Jurandir, Ildefonso Guimarães e outros autores locais. Em nível nacional, Larêdo diz que teve influência de Jorge Amado. Internacionalmente, de James Joyce. 

“Costumo ler Joyce como aprendiz, como quem está procurando o entendimento, o aprender, o exercitar, ver de que modo eu posso melhorar cada dia mais o meu texto e esse texto ser uma coisa gostosa, prazerosa. As influências são muitas, de todas as áreas, em diversos campos”, revela. “Eu sou apaixonado pela literatura universal e que se desenvolve em toda parte”, acrescenta.

Salomão Larêdo diz que a literatura regional brasileira, apesar de ser densa, de ter valores importantes e boa elaboração, ainda não é valorizada. “Por não conhecermos, nós não valorizamos. Então outras pessoas lá fora estudam mais, pesquisam mais, sabem do que nós estamos fazendo aqui e valorizam mais”, explica o escritor. Ele cobra incentivo e estímulo.

Novos leitores

O escritor também acredita que a formação do leitor deve ser trabalho de todo cidadão, não somente do escritor e do artista. “Todas as pessoas devem se preocupar em formar leitor crítico. Se quisermos ter uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais feliz, mais equânime, mais afetuosa, nós devemos investir em educação e cultura, o que passa pelo livro e pela leitura, pela formação do leitor”, afirma. 

Para Salomão Larêdo, democratização da leitura é colocar o livro à disposição do público. “Livrarias nós temos quase que nenhuma em Belém, com dificuldade elas se mantêm. Bibliotecas temos pouquíssimas. Espaços de leitura nas escolas, quase nenhum. Como formar leitores, como democratizar a leitura sem espaço de leitura, sem aquisição de obra do autor local, nacional e internacional?” questiona. “Nós precisamos ter um programa, um processo, políticas públicas de leitura, de aquisição de livros, de formação de leitor para que a democratização do livro (processo) se dê”, complementa Larêdo. 

O escritor ressalta a importância da leitura e da pesquisa para aqueles que pensam em se tornar escritores. “Como ser escritor? O primeiro escritor é leitor. Acho que tem que ler muito, estudar, pesquisar e exercitar muito o texto. Qualquer gênero que você opte por escrever, tem que estudar bastante, mas ler é o principal.”

Salomão enfatizou também a validação de participar de concursos literários, não só pelo reconhecimento e para vencer, mas também pela experiência que se ganha. “Depois é entrar em concursos literários, locais, regionais e nacionais. Há muito concurso importante, concursos sérios, que se deve mandar os trabalhos e não se chatear se o trabalho não foi premiado”, afirmou o escritor.

Carreira literária

Salomão revelou que não imaginava que iria escrever tantos livros, ainda mais com as dificuldades da época. "Há 10, 15, 20, 30 anos a gente não tinha as facilidades que se tem hoje no sentido de a pesquisa mais rápida, pesquisar no Google, de serviços de edição gráfica um trabalho mais aprimorado.”

O jornalista lembra que, especialmente em Belém, a dificuldade estava na ausência de recursos e incentivos à cultura. “Pra quem não tinha condições, e aqui não havia incentivos nesse sentido, as coisas foram pouco a pouco também aparecendo e me meti em concursos literários, realmente eu batalhei bastante para descobrir, fazer pesquisa, estudar, saber como se davam as coisas e queria fazer uma carreira. Depois disso, tomei consciência que era este o dom que eu tinha, de escrever e que deveria desenvolver.”

O autor fala sobre sua literatura ser uma arma a qual usa como para defender a região Amazônica, a cultura, o povo e a sua voz. “A minha literatura é a arma que eu uso pra defender a região, pra falar do meu povo, pra falar da nossa cultura, para defender que nós estamos presentes, pra ir em frente rompendo as dificuldades, pra ver se a nossa voz é ouvida, porque nós precisamos falar da Amazônia, dizer o que somos, como estamos, retratar o sofrimento do povo, as coisas que precisam ser melhoradas, defender a região, o meio ambiente e a natureza humana”, afirmou o escritor.

Leia mais sobre o escritor aqui.

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Por Carolina Albuquerque, Isabella Cordeiro e Rita Araújo.

 

A literatura brasileira - e também a mundial - celebra neste 2020 o talento de Clarice Lispector. A história de uma das maiores escritoras do século XX começa em 10 de dezembro de 1920, em Tchechelnyk, na Ucrânia. E continua no Brasil, onde Clarice conheceu a língua de sua grande expressão, na qual deixou o seu legado em palavras. O mês de dezembro também testemunhou a derradeira viagem de Clarice, no dia 9, em 1977, no Rio de Janeiro.

O Brasil de 1922 testemunhava os horrores da 1ª Guerra Mundial. Nesse cenário apocalíptico, a luz faria nascer “A hora da estrela”. Esse é o título da última publicação da ucraniana Haia Pinkashovna, que ao desembarcar em terras brasileiras, em 1922, torna-se Clarice Lispector.

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A família, de origem judia, instala-se, a princípio, na capital alagoana, até o instante em que o pai de Clarice leva a esposa e filhas para o Recife (PE). Nesta cidade, Clarice despede-se da mãe, Marieta, que morre em 1929, vitimada pelas sequelas dos atos sofridos na terra de origem.

Pedro Lispector decide, então, migrar para o Rio de Janeiro, na esperança de encontrar melhores chances de trabalho e viver mais tranquilamente em companhia de suas três filhas. Começava-se a escrever mais um capítulo na vida da futura jornalista e consagrada escritora.

Aos 23 anos, Clarice casa-se com o diplomata Maury Gurgel Valente, e dessa união nascem Pedro e Paulo, pelos quais a escritora sempre declarou profundo amor materno. Os filhos são também o motivo de Clarice adentrar no universo da literatura infantil e lançar “O mistério do coelho pensante”.

Clarice causara impacto logo ao lançar seu primeiro romance, "Perto do coração selvagem”, e seria um dos nomes a revolucionar o panorama literário dos anos quarenta. Incompreendida por uns, silenciando outros, seguiria a encantar o Brasil e o mundo.

Sua formação leitora recebeu as vozes de Tolstói, Kafka, Hesse, Flaubert, Machado de Assis, Shakespeare, entre outros expoentes da literatura universal. A romancista, além da língua materna, o iídiche, dominava as línguas francesa, italiana, inglesa e a língua portuguesa, em que escreveu diversos títulos: “A paixão segundo G.H.”, “Enigma”, “Ideal burguês”, “A quinta história”, contos, poesias, cartas e crônicas.

Clarice Lispector viajou o mundo ao acompanhar o esposo diplomata nas diversas missões exigidas pelo Itamaraty. Teve suas publicações traduzidas em diversos idiomas e editadas em mais de 30 países.

Em 1940, o Pará recebia Clarice, que durante seis meses permaneceu em Belém, onde conquistou a amizade do professor Francisco Paulo Mendes, com quem manteve diálogo constante e foi o articulador dos encontros literários nos quais a jovem romancista pôde conversar com o público local.

Também é paraense um dos mais renomados estudiosos de sua obra, o filósofo Benedito Nunes, que publicou “O drama da linguagem – uma leitura de Clarice”.

Clarice Lispector permanece eternizada em cada leitor, torna-se assunto de amplas discussões tanto entre especialistas quanto entre leigos. Recebe homenagens e os títulos de sua autoria convertem-se em filmes, musicais e inspiram outras obras.

O Brazil LAB, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, criou a Biblioteca Sonora Clarice 100 Ears. No Brasil, o cineasta F. de Carvalho produziu o filme “A paixão segundo G.H".

A escritora também é tema dos publicados “Clarice, uma vida que se conta”, de Nádia Battella Gotlib, e “Clarice, uma biografia”, de Benjamin Moser.

Os artistas Moreno Veloso, Beatriz Azevedo, Jaques Morelenbaum e Marcelo Costa criaram o show "Agora Clarice", com a participação da cantora  Maria Betânia.

No último 10 de dezembro, exato dia de seu nascimento, foi transmitida pelo Instagram a live do projeto "Clarice Belém", para celebrar o centenário de Lispector.

Entrevistada pelo Portal LeiaJá, a professora Salier Castro, do Centro de Formação de Professores da Educação Básica do Estado do Pará (CEFOR), disse que ler Clarice é importante não somente para conhecer a obra da escritora, como também sua postura como jornalista, esposa e mãe: "(Clarice) nos convida a olhar para dentro de nós. Penso que estamos necessitados disso. Seus cem anos são um presente para o leitor.”

Estudante de Pedagogia, Adriano do Vale Pereira revela sua admiração pela escritora: “Minha professora de literatura e redação pediu uma pesquisa sobre  Clarice. Eu estava no Ensino Médio. Fiquei encantado em saber que ela morou em Belém e gostei muito de ler seus textos. Clarice permanece em minha memória”.

Clique no ícone abaixo e ouça a leitura de textos de Clarice Lispector na voz de Rosângela Machado.

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Mais informações: 

Instituto Moreira Salles (IMS)

Por Rebeca Costa, Rosângela Machado e Quezia Dias. 

 

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Belém foi a quarta capital brasileira que mais leu em 2019, com 61% da população sendo considerada leitora, segundo ranking divulgado pela 5ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-livro. João Pessoa, capital da Paraíba, está em primeiro, com 64% da população, seguida por Curitiba, com 63%, e Manaus, com 62%. A pesquisa foi realizada entre outubro de 2019 e janeiro de 2020, com 8.076 entrevistas em 208 municípios.

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O brasileiro lê, em média, cinco livros por ano, sendo aproximadamente 2,4 livros lidos apenas em parte e 2,5, inteiros. A Bíblia é apontada como o tipo de livro mais lido pelos entrevistados e também como a leitura mais marcante.

Ainda segundo a pesquisa, a maior parte começou a se interessar por obras literárias por causa de indicações da escola, professores, amigos, ou porque viu filmes baseados em livros. Os autores preferidos citados no estudo são Machado de Assis, Monteiro Lobato, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade e Paulo Coelho, e 60% dos leitores de literatura afirmam ler mais de um livro do mesmo autor.

O gênero preferido do brasileiro que lê literatura é o conto, seguido pela poesia, as crônicas e os romances. A maioria do grupo prefere comprar livros em livrarias físicas (48%), pela internet (24%) ou em sebos (15%).

Para a estudante de jornalismo Érica Castro, 24 anos, a paixão pela literatura surgiu quando seus pais estavam enfrentando uma crise no casamento, em processo de separação, na época ela tinha 12 anos. "Eu encontrei um refúgio nos livros, desde então não parei, deixou de ser gosto e virou minha paixão’’, disse a estudante. Ela também conta que a literatura pôde ajudá-la a escrever bem, a ter um pensamento mais crítico e mais conhecimento sobre o mundo.

Érica tem guardados aproximadamente 200 livros. Ela diz que lê livros de todos os gêneros, mas gosta mais de romances e de terror. Por causa da pandemia do novo coronavírus, ela passou a ler mais. "Eu me via isolada em casa, sem ter contato com outras pessoas, vendo muitos noticiários que não me faziam bem, então comecei a reler meus antigos livros e livros novos. Durante a pandemia, comecei a comprar mais livros, porque como as lojas físicas estavam fechadas, as lojas virtuais estavam com muitas promoções, então aproveitei e renovei a minha estante’’, conta a estudante de jornalismo.

Internet e biblioteca

A internet e as redes sociais são razões para a queda no percentual de leitores. A internet e o whatsapp ganharam espaço entre as atividades preferidas no tempo livre entre todos os entrevistados, leitores e não leitores. Em 2015, 47% disseram usar a internet no tempo livre. Esse percentual aumentou para 66% em 2019. Já o uso do whatsapp passou de 43% para 62%. 

Ainda conforme a pesquisa, 5% dos leitores disseram que não leram mais porque acham os livros caros. Um dos fatores que influenciam a leitura é o incentivo de outras pessoas. Um de cada três entrevistados disse que alguém o estimulou a gostar de ler.  Uma boa parte desses eleitores é estimulada por projetos que atuam na comunidade, sejam em escolas, bibliotecas públicas ou associações de moradores, que incentivam o hábito de ler e o direito à educação.

Promover a leitura para crianças e adolescentes, estimular a democratização do livro e o aumento do número de leitores, por meio da oferta de rodas de diálogo, círculos de leitura, oficinas de teatro, dança, música e popular paraense, é objetivo do Espaço Cultural Nossa Biblioteca (ECNB), localizado no bairro do Guamá, em Belém. "Nós queremos transformar a leitura num ato de pertencimento à vida cultural da nossa cidade. Queremos que os moradores sejam conhecidos como cidadãos leitores’’, disse Raimundo Rodrigues, coordenador do Espaço Cultural Nossa Biblioteca.

O projeto atua desde 1977 com a iniciativa de irmãs da Sociedade das Missionárias Médicas que realizavam ações com crianças em situação de rua, por meio de atividades de apoio, pedagógico e lúdico, no bairro do Guamá. Atualmente o ECNB atende aproximadamente 300 jovens e crianças.

Para Raimundo Rodrigues, a educação não é possível sem a leitura. "Uma pessoa que não lê hoje ela está fora da sociedade. Faz com que você tenha a possibilidade de se desenvolver integralmente, de conseguir acessar os outros níveis de saberes, os tempos da humanidade, o seu passado, o seu futuro e entender o seu presente’’, explica o coordenador.

Devido à pandemia do novo coronavírus, a Nossa Biblioteca segue fechada ao público. Com o isolamento social, o espaço realizou transmissões ao vivo nas redes sociais, tendo contação de histórias, entrevistas, discussões de livros. No período pandêmico, o espaço cultural continuou exercendo seu papel social, arrecadando cestas básicas para doação no Guamá e região. "Conseguimos arrecadar aproximadamente de 1.400 a 1.500 cestas básicas, grande parte foi entregue com livros para fazer companhia às pessoas no isolamento. Estamos tentando trabalhar para construir uma campanha chamada Natal Sem Fome, porque mais do que dar comida, queremos também trabalhar a esperança das pessoas’’, disse Raimundo.

Por Amanda Lima.

 

“Há um livro em cada um de nós, dizem”, escreveu ela, no seu último romance, Um Sopro de Vida. Contista, cronista, jornalista e considerada um dos maiores nomes da literatura brasileira - com sua escrita introspectiva e reflexiva, variando entre a poesia e a prosa - Clarice Lispector completaria 100 anos no próximo dia 10. Para marcar seu centenário, o Instituto Moreira Salles (IMS) lança um site bilíngue - em português e inglês -, que entra no ar exatamente no dia 10 de dezembro.

O site apresentará fotos, manuscritos, áudios, vídeos, cartas, aulas e textos críticos, muitos deles parte do acervo de Clarice e que o IMS tem sob sua guarda desde 2004. Um dos destaques é a aula em vídeo de Yudith Rosenbaum, professora da Universidade de São Paulo (USP), na qual ela analisa em detalhes o conto Felicidade Clandestina, publicado pela escritora no volume homônimo de 1971.

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Há também um vídeo de Paulo Gurgel Valente, filho da escritora, comentando a relação com a mãe; e um áudio de uma entrevista que a autora concedeu ao Museu da Imagem e do Som (MIS) em 1976, na qual ela comenta sua formação como advogada. O portal também vai disponibilizar uma cronologia ilustrada da autora e uma seção trazendo todos os livros escritos por Clarice.

“O site é dividido em dois grandes modos de navegação: um ambiente de livre fruição, que apresenta a vida e obra de Clarice em forma narrativa, e outro voltado para estudo e pesquisa”, disse Eucanaã Ferraz, consultor de literatura do IMS.

Entre os itens do acervo, digitalizados e transcritos, que serão apresentados no site, estão cadernos da escritora, pouco conhecidos ou inéditos, que acabam de chegar à coleção do IMS, e dezenas de cartas enviadas por Clarice ao longo de sua vida para suas irmãs ou para personalidades como os escritores Erico Verissimo e Mário de Andrade e o ex-presidente Getúlio Vargas. Está disponível também uma série de manuscritos, de obras como A hora da estrela e Um Sopro de Vida.

Nascida Chava Pinkhasovna Lispector, na Ucrânia, em 1920, Clarice Lispector estreou com o romance Perto do Coração Selvagem (1943), em que mostrou ao mundo sua escrita peculiar e inovadora, permeada pelo fluxo de consciência. Além de romancista, a autora dos aclamados A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977), mais tarde adaptado para o cinema, destacou-se também como contista, com a publicação de títulos como Laços de Família (1960) e A Legião Estrangeira (1964). Clarice Lispector também escreveu várias obras para o público infanto-juvenil. Morreu no dia 9 de dezembro de 1977, véspera de seu aniversário de 57 anos, vítima de um câncer.

Exposição em 2021

Ainda para homenagear o centenário da escritora, o Instituto Moreira Salles prevê a abertura de uma exposição em julho de 2021, chamada de Constelação Clarice. A mostra estava prevista para este ano, mas, devido à pandemia do novo coronavírus, foi adiada. A exposição será composta por pinturas, esculturas, desenhos e vídeos de artistas mulheres que produziram contemporaneamente a Clarice. Além disso, haverá um núcleo com livros, fotografias e outros documentos da escritora.

A Mauricio de Sousa Produções (MSP) apresentou neste sábado (5) as novidades que envolvem os produtos "Turma da Monica" para 2021, no painel da Thunder Arena, na CCXP Worlds.

Em comemoração ao encerramento da primeira temporada de "Turma da Mônica Geração 12" (2019), a editora Panini lançará em 11 de dezembro um box com seis edições das aventuras da turma do bairro do Limoeiro em formato mangá.

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Outra novidade divulgada pela equipe é um crossover com o personagem Garfield, do cartunista Jim Davis, que será rival do gato de estimação da Magali, Mingau.

Também foram anunciadas as Graphics de 2021. São elas "Chico Bento", do quadrinista e ilustrador Walmir Orlandeli, "Piteco", de Eduardo Ferigato, "Franjinha, por Vitor Cafaggi, e "Magali", de Lu Cafaggi.

O personagem Cebolinha, que completa 60 anos em 2020, também ganhará uma história inédita. "Cerebolinha" se passará dentro da mente do garoto. Em parceria com a editora Panini, também será lançada uma coletânea de histórias do personagem, no modelo capa dura, e com o título "Rei da Rua".

Ao final do painel, a MSP mostrou o trailer do novo filme "Turma da Mônica: Lições", que mostra a turminha em busca de escapar da escola, mas algo dá errada, e Mônica (Giulia Benite) acaba ficando para trás. O novo longa-metragem é dirigido por Daniel Rezende e tem estreia programada para junho.

O maior evento literário da América Latina e um dos maiores do mundo, a tradicional Bienal do Livro de São Paulo, será totalmente online este ano. Prevista inicialmente para o final de outubro, o evento presencial acabou sendo adiado para 2022 por causa da pandemia do novo coronavírus. Mas, para não deixar de ocorrer neste ano de 2020, os organizadores do evento decidiram fazer uma edição especial, totalmente virtual.

Com isso, a 1ª Bienal Virtual do Livro de São Paulo será aberta nesta segunda-feira (7) e funcionará até o dia 13 de dezembro por meio do portal www.bienalvirtualsp.org.br, que vai dar acesso gratuito a toda a programação do evento, compra de livros e novidades do mercado editorial.

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O evento é realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e, nesta edição, tem como tema Conectando Pessoas e Livros. Participam da bienal virtual mais de 100 expositores e 330 autores. A expectativa dos organizadores é receber 1 milhão de pessoas no portal, mais do que o evento presencial costumava atrair. Na edição passada, o evento presencial contou com um público de 663 mil pessoas.

Segundo Vitor Tavares, presidente da CBL, o evento virtual será mais democrático e diverso. “O que está nos deixando muito feliz é que será uma Bienal inclusiva. Qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, poderá acessá-la”, disse ele, em entrevista à Agência Brasil.

“É uma experiência nova. Estamos muito ansiosos e esperançosos de que dará tudo certo e que vamos cumprir o papel de um bom editor que é colocar o que há de melhor, em termos de literatura, à disposição do nosso público leitor. Todo mundo poderá ter acesso e acreditamos que vamos acabar tendo muito mais pessoas participando das mesas dos debates, passeando pelas estantes virtuais e adquirindo os seus livros [do que acontecia presencialmente]”, disse Tavares.

As palestras poderão ser assistidas até o dia 13 de janeiro. Neste ano, as discussões terão como temas centrais o racismo e o empoderamento feminino. Os participantes poderão solicitar certificados de participação. Nomes como Verônica Oliveira, Mauricio de Sousa, Raphael Montes, Nara Bueno, Claudia Raia, Isabela Freitas, Leandro Karnal, Monja Cohen e Mário Sergio Cortella compõem os mais de 70 bate-papos previstos na programação do espaço chamado Arena Virtual. 

Já no Salão de Ideias haverá discussões de amplo interesse com escritores, pensadores e profissionais do mercado. Entre os autores estrangeiros, estão confirmados Sarah MacLean, Scarlett Peckham, Nic Stone e Gavin Roy. E para os profissionais do mundo editorial, haverá espaço garantido nas discussões que farão parte do Papo de Mercado.

“Serão 220 horas de programação rica em termo de autores, debates, e mesas falando de assuntos do nosso cotidiano e da nossa realidade. Não deixaremos também de ter os grandes lançamentos. Grandes editoras estarão participando virtualmente”, disse Tavares. “A própria ganhadora do prêmio Jabuti deste ano [com o livro de poemas Solo para Vialejo], Cida Pedrosa, já tem mesa confirmada”, acrescentou.

A Bienal também fará uma homenagem especial ao centenário da escritora Clarice Lispector. Quatro mesas vão abordar a obra e vida de Clarice e a percepção de sua literatura hoje em dia. O centenário da obra de Agatha Christie será também celebrado no evento.

O público infanto-juvenil não ficará de fora desta Bienal Virtual. O Espaço Mauricio de Sousa contará com palestras sobre livros e temas específicos para o público.

Durante o evento, acontecerá também a 2ª edição da Jornada Profissional, com rodadas de negócios entre players nacionais e internacionais. Esses encontros vão promover discussões sobre os panoramas atuais do setor e as perspectivas para o mercado editorial mundial.

Loja virtual

Além das palestras, o público terá acesso às lojas virtuais de cada editora participante. Acessando o portal, os visitantes vão poder conferir os lançamentos de seus autores favoritos e possíveis promoções, com entrega e preços sob responsabilidade das próprias editoras. Segundo os organizadores, a loja virtual terá a presença de 84 expositores entre editoras, livrarias e distribuidores e 22 autores independentes que também estarão com estandes virtuais.

O presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Marco Lucchesi, foi reeleito por unanimidade para o cargo e será, depois do imortal Austregésilo de Athayde, o acadêmico que conquistou mais eleições consecutivas para a presidência da instituição. Lucchesi vai iniciar seu quarto mandato em 2021.

Antes de assumir, pela primeira vez, em 2018, a academia considerou importante estender a presidência de dois para quatro anos. "Eu sou o primeiro presidente dessa nova fase que a academia decidiu. Só que, a cada ano, é como se houvesse uma espécie de consulta para verificar se é possível continuar com aquela presidência ou não", disse Marco Lucchesi à Agência Brasil.

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Participam também da chapa eleita o secretário-geral, Merval Pereira; o primeiro-secretário, Antônio Torres; o segundo-secretário, Edmar Bacha; e o tesoureiro, José Murilo de Carvalho. A cerimônia de posse está marcada para a próxima sexta-feira (11), às 17h, de forma digital, devido às medidas de isolamento social impostas pela pandemia do novo coronavírus.

Resistência

O presidente da ABL avaliou que a prorrogação do mandato de dois anos para quatro anos permite rever todo o processo em curso e inaugurar novas formas de atuação. Lucchesi acredita que uma das prioridades para o próximo ano é contribuir para que as associações culturais resistam bravamente à incerteza econômica que se coloca atualmente, não só no Brasil, mas em várias partes do mundo, com a pandemia.

Lucchesi pretende dar continuidade à refundação administrativa da academia. "Talvez tenha sido a tarefa mais difícil e importante, sem a qual as vicissitudes hoje teriam sido muito maiores e muito mais intensas". O trabalho deverá ser aperfeiçoado no ano que vem.

A ABL anunciou, recentemente, o relançamento do Prêmio Machado de Assis, graças a patrocínio da distribuidora de energia Light. Marco Lucchesi pretende, em sua última gestão na presidência da ABL, aprofundar o setor de lexicologia e lexicografia e preparar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp). 

Terá continuidade também a captação de palavras novas que ficam flutuando no espectro do noticiário, para inserção no site da instituição. Outro trabalho que será ampliado, e que a pandemia tornou urgente, é a digitalização dos arquivos e bibliotecas da casa.

Esperança

Marco Lucchesi destacou que as atividades presenciais da ABL serão retornadas "só e quando for possível". Ele disse que quer voltar a promover encontros presenciais e visitas a aldeias indígenas, periferias e terras quilombolas, porque acredita que não basta incluir um livro na cesta básica. "Tudo isso nós fizemos com bastante intensidade. Mas não é o fato de distribuir livros e de auxiliar no processo dessa malha de cultura; mas é presentificar-se; é retomar a ida aos cárceres e prisões, às unidades sócio-educativas, porque eu tenho uma grande esperança, que é materializável e muito bela".

Lucchesi narrou que em visita, antes da pandemia, ao Centro Dom Bosco, antigo Instituto Padre Severino, situado na Ilha do Governador, zona norte do Rio, onde ficam os menores em conflito com a lei, ele viu uma grande cidade feita de Lego por adolescentes infratores.

"Essa cidade tem acessibilidade, vigilância, cuidado com o meio ambiente. Tudo foi feito por adolescentes de distintas facções. No entanto, apesar das diferenças das facções, que não são pequenas, eles conseguiram, juntos, construir essa cidade para o futuro, essa cidade para a qual eles jamais tiveram acesso porque foram sempre, praticamente, colocados à revelia da modernidade, do que a modernidade tem de melhor".

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