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Concursos de beleza existem desde sempre e, embora para alguns essas competições possam parecer retrógradas e simplórias, sua resistência e continuidade provam que há muito mais por trás de uma miss que apenas um corpo e rosto bonitos. Os concursos vêm se modernizando e se adequando às mudanças comportamentais da sociedade e, sobretudo, à emancipação da mulher. Hoje, o conceito que envolve a campeã de um deles é um tanto mais profundo do que se pode imaginar. 

A jovem Alexia Berg, pernambucana de São José do Belmonte - cidade do sertão do estado, a pouco mais de 400 km da capital -, é uma prova disso. Com apenas 20 anos, modelo e estudante de direito, a belmontense é a representante de Pernambuco no Miss Supranational 2020, considerado um dos cinco concursos de beleza mais importantes da atualidade. Ela está entre outras 28 candidatas que disputam uma vaga para representar a mulher brasileira no Miss Supranational, que acontecerá na Polônia, em 2021, com transmissão televisiva em 140 países. 

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Alexia entende sua missão como sendo a de uma porta voz do seu lugar e sua cultura. Ao ouvi-la falar sobre assunto - durante entrevista feita pelo telefone -,  é notório que, para ela, cumprir tal desígnio será fácil, uma vez que o amor pelo seu berço salta-lhe da voz. “Eu sou completamente apaixonada pela cultura da minha cidade, desde meus 14 anos eu participo da cavalgada (tradicional evento belmontense, Cavalgada à Pedra do Reino) e esse ano fui escolhida pra ser a rainha. A minha hashtag, no Miss Pernambuco, era #serTãoAlexia continuo com ela porque pra mim é um orgulho muito grande sendo sertaneja representar minha cultura no concurso nacional”.

Alexia começou a trabalhar como modelo em alguns desfiles de lojas de sua cidade, aos 13 anos. Ela conta que por lá, não era forte a tradição dos concursos de beleza mas, pouco depois do início de sua carreira, o surgimento do Miss Teen São José do Belmonte, em 2017, começou a mudar o cenário. Ela levou a coroa logo em sua estreia, porém, precisou esperar a maioridade chegar para disputar os concursos maiores, como o Miss Pernambuco, o que só aconteceu este ano. 

No concurso estadual, a belmontense ficou em quarta colocação. Mas seu desempenho durante a competição chamou a atenção dos organizadores do Supranational e ela foi convidada para representar o Estado na etapa nacional. A preparação para a façanha não é simples. “A miss hoje em dia funciona mais como uma inspiração; não só de beleza, mas de comportamento, ideias... A miss não pode só ser bonita; tem que cuidar da estética, sim, mas também da mente e usar a voz que tem para fazer com que os outros tenham pensamentos positivos”.

Nesse último quesito, a miss sertaneja já é veterana. Desde que recebeu a primeira faixa, no concurso teen, Alexia começou a trabalhar em projetos sociais em sua cidade, como o Reescrevendo o Futuro, que distribui material escolar para crianças carentes; e o Natal Feliz, que arrecada alimentos para famílias belmontenses; ambos criados por ela. Ela sintetiza o significado das ações: “Sempre foi uma parte muito importante para mim”. 

Supranational Brasil

A 12ª edição do Miss Supranational Brasil está acontecendo desde a última quarta (25), na capital federal, Brasília. Este ano, o concurso integra a programação do Festival Brasília 60, que celebra seis décadas de fundação da capital do país. Em virtude da pandemia do novo coronavírus, a disputa ganhou mais etapas, cercadas de cuidados que atendem aos protocolos de segurança estipulados pelos órgãos sanitários.

As candidatas já passaram por desfiles pré-gravados, entrevistas e muitos ensaios para a grande final, que acontece neste sábado (28). A vencedora receberá a faixa e a coroa da catarinense Fernanda Souza, a décima-primeira Miss Supranational Brasil. Além disso, a eleita ganhará aulas de oratória, de inglês, preparação para o concurso internacional, bem como todas as despesas pagas para viajar para a Polônia, e uma quantia de R$ 5.000. A decisão será transmitida neste sábado (28), ao vivo, pela TV Concurso Nacional de Beleza (YouTube), no canal do Festival Brasília 60 e na página do Miss Supranational no Facebook, a partir das 19h. 

*Fotos: Reprodução/Instagram

Divulgação

Pela primeira vez, a Vogue Brasil traz uma modelo plus size na capa. A escolhida para essa edição histórica, nas bancas este mês, foi a paulistana Rida Carreira, 27 anos.

Conhecida pela reflexão sobre o corpo livre, a modelo, que tornou-se um símbolo para uma maior representatividade plus size na indústria da moda, comemorou no Instagram. "Acostumem-se a ver mulheres gordas nas revistas". Em entrevista à Vogue Brasil, ela disse: "Ouvir isso hoje pode parecer brincadeira para você, mas sempre fui determinada a ponto de querer ser referência, ser a primeira, mas não a única. A minha maior responsabilidade é abrir espaço", disparou. 

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Além de Rita, as cantoras Duda Beat e Preta Gil também foram escolhidas para estamparem outras duas capas da edição de novembro da Vogue Brasil, que tem o corpo livre como tema central.

 

O selo ACRE celebra o Dia da Consciência Negra, nesta sexta (20), com o lançamento de sua nova coleção, Árido Surf, cap.2, a Festa. Para lançar a linha, será realizado um desfile digital, nas redes sociais da marca, à 14h. As imagens foram captadas em bairros periféricos do Recife, como Alto José do Pinho e Beberibe, que serviram como passarela para os modelos. 

O desfile conta, ainda, com participações especiais. O músico Cannibal, das bandas Devotos e Café Preto; a mestra cirandeira e Doutora Honoris Causa, Lia de Itamaracá; e o cantor Afroito também passam pela passarela. Os demais modelos são pessoas comuns que se inscreveram através de uma chamada aberta e sem seleção, pelas redes sociais, para participar do evento.

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Assinada pelo artista visual e estilista Cássio Bomfim, a coleção retoma as inspirações do primeiro capítulo da série Árido Surf, lançado em 2019. Entre elas estão os conceitos de Aquilombamento e Quilombo, abordados por pensadores negros como Abdias Nascimento e Beatriz Nascimento. 

Os interessados nas peças desfiladas poderão encontrá-las à venda no Restaurante Altar Cozinha Ancestral, da chef pernambucana Carmem Virgínia. O estabelecimento fica localizado no bairro de Santo Amaro e as peças estarão disponíveis até o próximo domingo (22). 

Serviço

Desfile Árido Suf, cap. 2, a Festa

Transmissão online pelas redes da ACRE: FACEBOOK e INSTAGRAM

Vendas no Restaurante Altar Cozinha Ancestral, até domingo (22)

Rua Frei Cassimiro, 449, das 12h às 18h.

As baianas Gloria Maria e Shirley Pitta sonhavam com as passarelas desde crianças, mas em um Brasil que luta para se reconhecer, essas jovens negras hesitaram em perseguir o sonho que este ano se realizou em uma São Paulo Fashion Week mais inclusiva.

"Me enxergar como uma pessoa bonita, uma pessoa existente, foi complicado, porque o que eu via na televisão era sempre coisas que eu nunca fui", conta Shirley, que aos 21 anos já ilustrou páginas da Vogue, Elle e Marie Claire.

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Shirley se define nas redes como "negra-favelada-nordestina". Sua história de Cinderela moderna ganhou as manchetes: Antes de ser descoberta em 2018, ela ajudava a mãe a vender espetos de carne na entrada do zoológico de Salvador (nordeste), sua cidade natal.

“Todos os dias, sábados, domingos e feriados. Chegava de manhã e terminava à noite”, relembrou à AFP nos intervalos da agenda do São Paulo Fashion Week.

Shirley se destaca em espaços públicos tanto por sua presença quanto por sua forte consciência racial. Cabelos curtos, maçãs do rosto salientes e olhos incisivos, ela explica que a confiança que transmite nem sempre existiu e que sua insegurança se devia à cor da pele e aos cabelos crespos.

"Quando eu era pequena colocava uma toalha na cabeça e ficava assim, parecendo uma sei-lá-o-que, sabe? Eu acho isso uma problemática gigantesca, porque as nossas crianças não vão ter cabelo liso quando crescer - e não é um problema, é algo tão belo, entende?", reflete.

55% dos quase 212 milhões de brasileiros se identificam como negros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No entanto, o debate sobre a marginalização racial que sofrem ainda enfrenta resistências.

Este ano o São Paulo Fashion Week, que aconteceu de 4 a 8 de novembro em formato virtual em razão da pandemia de coronavírus, impôs pela primeira vez como regra que as marcas adotassem uma cota de 50% de modelos não brancos, para garantir a inclusão de negros e indígenas no elenco.

A mudança abriu as portas para Shirley e Gloria Maria Fonseca Siqueira, de 17 anos.

- "Ser diferente é único" -

Alta, magra, cabelos soltos, a adolescente diz que nunca sofreu racismo, mas apesar de receber comentários sobre seu potencial, demorou para entrar para o mundo da moda.

“Eu não entro nunca”, pensava ela aos 15 anos, enquanto via as fotos de seu portfólio na agência Ford Models, uma das mais prestigiadas do setor. “Eu não tinha confiança, não sei, não me achava bonita”, diz ela na sede da agência em São Paulo.

“Agora sei que posso explorar o mundo”, relata a jovem, que sonha em trabalhar com o conceituado fotógrafo Mario Testino.

A mais nova de sete filhos de uma família de classe média baixa, Gloria Maria admira Naomi Campbell e Adut Akech.

Para ela, o Brasil, que exportou a supermodelo Gisele Bundchen, é um país caracterizado pelas diferenças, algo que pode ser positivo, embora "às vezes as pessoas se sintam menos por serem diferentes e tentem se encaixar em um padrão. Não sabem que ser diferente é legal, é único", diz ela.

Shirley vê o momento atual como uma porta aberta: "Estamos entrando. Não vou ficar pensando no que foi ou no que não foi. Vamos em frente."

A quarta edição da Brasil Eco Fashion Week começa nesta quarta-feira (18). Com o tema "Conectar para regenerar: Moda e Planeta", o evento será virtual por conta da pandemia e terá nomes internacionais em seu line-up. A atração vai até 28 de novembro.

Com a sustentabilidade como gancho, os desfiles programados para os dias 26, 27 e 28 devem começar às 18h e apresentarão seis marcas por vez. As grifres que devem desfilar são Nuz Demi CoutureNalimo, Ronaldo Silvestre, Ta Studio, Natural Cotton Color, Eneas Neto, Rico Bracco, Justa Trama, We’e’ena Tikuna Arte Indígena, Movin, Comas, Manuí Brasil, Libertees, Leandro castro, Vihe, Catarina Mina e Jouer Couture.

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O evento também contará com palestras e workshops para debater temas atuais, como cadeias de produção responsáveis, cooperação entre indústrias da moda e alimentação, produção tradicional indígena, programas e certificações para o setor têxtil, entre outros. 

Entre os destaques da programação está a participação de Kate Fletcher, do Centre for Sustainable Fashion da University of the Arts London. A britânica é a pesquisadora mais citada no campo da moda e sustentabilidade, e comandará o workshop "Explorando o plano Earth Logic", em que apresenta seu mais recente material desenvolvido em parceria com a sueca Mathilda Tham, da Linnaeus University.

Acompanhe mais informações sobre o evento em brasilecofashion.com.br.

 

Diante das mudanças que apontam para um mercado da moda cada vez mais sustentável, as grifes estão de olho em matérias-primas menos poluentes e tinturas naturais, que ajudam a criar um vestuário atento às necessidades ecológicas. "Um ponto decisivo das peças de roupa é, sem dúvida, a cor escolhida para o produto final. Pode ser um jeans Levi's azul, uma camiseta branca ou um vestido tubinho vermelho; cada um passa por um longo processo de tingimento que, atualmente, dispõe de muitas alternativas de finalização", explica a personal stylist Erika Ometto.

Esses processos de tingimento podem ser feitos a partir do uso de frutos, flores e outros tipos de alimentos. Grandes empresas ou marcas que integram o conceito de slow fashion tem buscado pela coloração feita com matéria-prima naturalNo mundo, por ano, a indústria têxtil usa entre seis a nove trilhões de litros de água apenas para tingir tecidos, segundo pesquisa da Vogue Brasil, realizada em 2018. "Em um momento em que os continentes estão enfrentando questões de escassez de água, novas formas de projetar um futuro mais consciente, ecológico e sustentável deixa de ser tendência e vira necessidade", afirma Ometto.

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Materiais usados e recortes também entram no vestuário e dão espaço para o reuso de matérias-primas, como a madeira, rede e palha em confecções. "Falar de moda sustentável é garantir que todo o seu processo seja humanizado, responsável e consciente. Garantir o acesso de seus funcionários às necessidades básicas e assegurar que seus métodos sejam os menos nocivos possíveis é apenas o início de um longo caminho a ser traçado", comenta a personal stylist.

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Grifes como Balmain, Stella McCartney e a brasileira Sou de Algodão são quase pioneiras em introduzir e intensificar suas relações com uma moda com propósito. Por meio de cores que fogem de estilo baseado em tons extremamente artificiais, como o rosa millenial, cores sóbrias como o areia, verde, lilás e amarelo, que facilmente podem ser extraídos de produtos naturais, surgem e dominam as mais recentes semanas de moda.

Entre as grifes renomadas que praticam esse olhar sustentável está a francesa Jacquemus. O dono e estilista da marca, Simon Jacquemus, 28 anos, nasceu em Mallemort, um vilarejo com pouco mais de seis mil habitantes no sudeste da França, que serve de inspiração para as coleções da maison. "Minha marca não tem a ver com sair à noite ou clubbing. Tem mais a ver com frutas, legumes e rolar na grama", definiu Jacquemus, em entrevista a revista Dazed.

A grife francesa segue a estética cottagecore, que tem apego pelo simples, pelo rural e pelo artesanato, e que foi impulsionada pelo êxodo urbano provocado pela pandemia do coronavírus. "Jacquemus é o nome mais interessante que temos hoje na moda mundial. Ele [Simon] é o que melhor define os rumos da indústria, com caminhos que se preocupam com o futuro de um ecossistema que sofre suas mazelas por indústrias poluentes, como a moda", comenta a estilista e especialista em tendências e desenvolvimento de coleção Fer Faustino.

 

De deusas egípcias ao álbum visual "Black Is King", de Beyoncé, a estampa de oncinha carrega além de tudo, um simbolismo cultural e religioso que deriva de crenças e sacrifícios a deuses africanos. Além do significado místico, a estampa carrega os significados de poder e luxo, o que fica evidente em produções como ‘’Um príncipe em Nova York’’, com Eddie Murphy.

O uso da estampa de onça e outras padronagens animais, conhecidas em seu conjunto pelo termo "animal print", evoluiu praticamente junto com a humanidade, sendo que os primeiros agrupamentos humanos já usavam peles de animais como proteção térmica.

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Mais tarde, usar pele animal passou a ser um símbolo de status e poder, por isso esse tipo de vestuário passou a ser reservado para reis, nobres e figuras religiosas. As estampas de animais, assim como suas peles, começaram a ter seu status fashion no século 18, por remeterem ao universo exótico da África e seus animais selvagens, de forma estereotipada.

Nas diferentes mitologias, o "animal print" também se faz presente com seu simbolismo. A deusa egípcia da sabedoria, Seshat, por exemplo, é normalmente representada vestindo uma pele de leopardo, assim como o deus grego Dionísio. Na mitologia chinesa, por sua vez, a deusa Xi Wangmu, conhecida como a Rainha Mãe do Ocidente, é retratada com uma cauda de leopardo.

Pulando para a contemporaneidade, ‘’a estampa se estabeleceu como algo de perua, porém acho que é o item mais vibe rockstar já confeccionado’’, comenta a personal stylist Érika Ometto. Um dos exemplos disso é o vestido criado em 1936 pela casa francesa Busvine, feito com estampa de leopardo. Na mesma época, a estilista francesa Jeanne Paquin usou peles de leopardo em suas coleções.

Já na década de 1940, Christian Dior (1905-1957) foi o primeiro a usar a estampa de onça, e não a pele, em um vestido chamado ‘’África’’, que fez parte de sua coleção primavera-verão. Por causa dele o animal print também passou a ser aplicado em acessórios, bolsas e sapatos. Entretanto, foi a grandiosa estilista Elsa Schiaparelli (1890-1973) que criou um dos hits da época, o chapéu de leopardo.

"Agregando para si o posto de hit em Hollywood, foi na década de 1950 e 1960 que a estampa invadiu o cinema e conquistou seu ápice no mercado de luxo. Já na exótica década de 1980, marcada por excessos e exageros, a estampa já era DNA de uma geração; nos anos 1990 a estampa foi associada a roupas vulgares e de baixa qualidade (também graças às produções de contracultura do cinema da época), o que logo caiu por terra graças à genialidade de Gianni Versace, que resgatou suas raízes. Já nos anos 00 somente os animais exóticos tinham vez. Entretanto, graças a grifes como as italianas Fendi e Emilio Pucci, outros animais se misturam às estampas de onça, como as de zebra e cobra. Graças a sua popularização e – quase – democratização, facilmente a estampa é encontrada em lojas de departamentos ou em coleções ultra exclusivas de Chanel e Roberto Cavalli", analisa Érika Ometto. 

Como de costume, é esperado que o final de ano, assim como o início do próximo, seja marcado por uma maior procura por sol e praia. Para este verão, entretanto, a pandemia do coronavírus requer maior cautela ao se expor ao público.

Para quem pretende aproveitar praias e piscinas com muita consciência, o LeiaJá separou os biquínis que serão hit da estação mais quente do ano.

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Hot pants

"Este nunca sai de moda", afirma a personal stylist Erika Ometto. O corte resgata o visual das décadas de 1960 e 1980. O modelo conquiste em uma calcinha maior, estilo cintura alta que acompanha o sutiã de mesma estrutura.

Poá

Ainda seguindo os clássicos, a estampa de bolinhas também é outra grande tendência do passado que veio para ficar. O print charmoso e minimalista é aposta certa para quem procura um look praiano básico, mas ao mesmo tempo super fashionista. 

Tie Dye

Vinda da década de 1970, junto com a ascensão hippie, a estampa mais livre de todas se estabelece ao lado do crescimento da tendência Cottagecore. "Apesar de muitos a considerarem saturada, não há dúvidas de que ela transitará entre outras peças e acessórios’’, comenta a especialista.

Animal print

O animal print é outra tendência que muito presente nos looks de beachwear para o verão que se aproxima. A padronagem selvagem é perfeita para quem procura um biquíni atual, cheio de personalidade, fashionista e elegante na medida.

Maiôs

Sendo o mais democrático e elegante de todos, "o maiô se firma como o mais atual de todos através de modelos ultracoloridos que remetem aos oitentistas, mas com uma pegada mais divertida e nada óbvia. Dica de styling: vale apostar neles também para arrematar o outfit de street style’’, ensina Ometo.

A sexualidade feminina era tratada com menos tabu, as roupas eram extravagantes e a juventude rebelde. Rita Lee definiu: "não dá para ficar imune ao teu amor, que tem cheiro de coisa maluca". Foi assim que a cultura da década de 1980 se estabeleceu e é referência nos dias atuais.

Foram os anos dos paetês, das maquiagens coloridas, jaquetas de couro e calças de cintura alta, inspiradas em "Grease - Nos Tempos da Brilhantina" (1987). "A década segue sendo o ponto de partida de muitos designers e coleções, como é o caso do belga Anthony Vaccarello, na francesa Yves Saint Laurent, e do francês Jean-Paul Gaultier", comenta a estilista Fer Faustino.

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A grife francesa Jacquemus reúne elementos icônicos dos anos 1980 em suas confecções. Nas peças, encontra-se o ombro marcado e estruturado em enormes ombreiras, que eram usadas para dar um ar de seriedade às mulheres que conquistavam altos postos de trabalho. "Desde então, as ombreiras se tornaram parte essencial do armário feminino dentro e fora do ambiente formal", define a personal stylist Erika Ometto.

É nos anos 1980 que a cantora Madonna, com crucifixos no pescoço, mix de brincos e pulseiras, além de acessórios no cabelo, criou um look que marcou época e era o vestuário certo para as noites na boate Studio 54, de Nova York (EUA), que funcionou até 1986. O local serviu de palco para personalidades como David Bowie (1947-2016), Mick Jagger, Pelé e até Paris Hilton, que era menor de idade na época. A década também foi marcada pelo culto ao corpo, exaltado na icônica "Physical", canção de Olivia Newton-John, e que tornou populares as academias aeróbicas.

Com mood futurista e um dos poucos a resistir às necessidades do Minimalismo, o ar da década de 1980 foi marcado por uma estética artsy, exposta em maquiagens carregadas e criatividas, e que representavam o estilo de vida alimentado pelos maiores nomes da época, como as cantoras Grace Jones e Cindy Lauper.

Os anos 1980 sempre serão lembrados pela criatividade, exuberância e ousadia da cultura pop, com figuras marcantes e que servem de referência, como Leigh Bowery (1961-1994) e Boy George.

 

A Melissa criou uma nova coleção inspirada nos astros. Cósmica conta com quatro modelos da sandália clássica da marca, além de chaveiros colecionáveis e uma inédita linha de 12 camisetas - uma para cada signo do zodíaco. Os clientes também poderão fazer seu mapa astral gratuitamente. 

A coleção traz o tradicional modelo Melissa em quatro cores diferentes, uma para cada elemento astrológico. O verde representa a taree; vermelho, o fogo; rosa simboliza a água; e amarelo, o ar. Também é possível customizar o calçado com chaveiros colecionáveis e charms que ajudam a personalizar o modelo. Além disso, a coleção traz uma inédita linha de camisetas, com 12 modelos representando os signos. 

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Os interessados na coleção também poderão ganhar um mapa astral gratuito. A marca fechou uma parceria com o portal Astrolink, que disponibiliza uma ferramenta para traçar o mapa personalizado dos clientes.  Já as vendas das melissas estão sendo feitas pelo site da marca. 


 

Desencadeada pela proliferação do coronavírus, desde o primeiro semestre de 2020 uma nova estética vem ganhando força e se estabelecendo: a intitulada cottagecore.

Popularizada por plataformas como o Instagram e o TikTok, essa nova ‘’vibe’’ apresenta a romantização e o apego ao campo, ao natural e a valorização do artesanal.

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Enquanto a aglomeração dos ambientes urbanos se mostra perigosa devido ao risco de contágio, o olhar para a vida rural e para as raízes se faz presente em inúmeras grifes, como a francesa Jacquemus, que foge do estereótipo da mulher parisiense e foca no campo, ou nas artes plásticas através do movimento rococó.

Idolatrando o conceito de uma vida mais simples e perto da natureza, o cottagecore se estabelece como um movimento cultural que não exclui as normas de uma vida urbana, porém seus maiores mandamentos estão ligados aos aprendizados da floresta. É caprichoso e nostálgico, porém conta com elementos peculiares e ecológicos que refletem a atual necessidade de beleza, sustentabilidade e segurança.

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"Febre" na internet

Nas redes sociais, já é febre. O Tumblr relata um aumento de 153% nas postagens desde março. No TikTok, a tendência cottagecore já acumulou mais de 252 milhões de visualizações.

Com temas-chave como vida na fazenda, artesanato, cerâmica, arranjos de flores e valorização da terra, esse movimento segue a atual palavra de ordem na moda: sustentabilidade.

Apesar de parecer meramente uma tendência de moda, o cottagecore vai além. Ele é a representação atual daqueles que, fugindo das grandes metrópoles, procuram maior qualidade de vida, redução de gastos financeiros e o apreço por saberes que mais podem ser atribuídos à ancestralidade do que a diplomas acadêmicos.

Em resumo, a estética cottagecore é a saudação à vida roots, mood que segue as ideologias hippies. Muitos aproveitaram a flexibilidade que o home office oferece para "fugir" para o interior, em busca de uma simplicidade que as grandes cidades não oferecem. Mais do que uma estética, o cottagecore é um estilo de vida. 

Pela primeira vez ocorrendo de forma totalmente digital, a edição que comemora 25 anos da existência da quinta maior semana de moda do mundo (via The Fashion Spot) apresentou algumas novidades; entre elas, a pontualidade: a São Paulo Fashion Week (SPFW) teve início às 14h de quarta-feira e segue até o dia 8 de novembro.

Com desfiles e intervenções artísticas que terão contrastantes pontos de São Paulo como cenário, a São Paulo Fashion Week, desta vez, funcionará como uma imersão artística nacional, onde a moda é apenas um dos pontos discutidos.

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"Devido à pandemia do novo coronavírus tivemos de repensar nossos planos e programações para este ano", disse Paulo Borges, diretor criativo e fundador do SPFW.

Explorando novas formas de apresentações, a abertura do evento ficou por conta da estilista Fernanda Yamamoto, que estava ausente há algumas edições. Seguindo, foi possível prestigiar a arte de Isabela Capeto. Com seu DNA lúdico e metafórico, a designer apresentou sua coleção em forma de vídeo, filmada na sala de seu apartamento (onde toda coleção foi desenvolvida) e esclarece como as suas roupas possuem ligação com a dança.

‘’Um novo florescer, que brota, que agora sai de casa, abraça o 'novo mundo' e caminha e dança no sentido da luz", escreveu Capeto ao apresentar sua coleção ‘'Brotar’’. O vídeo tem direção de Luisa Arraes e Caio Blat, direção de fotografia e edição de Antônio Arraes e styling de Felipe Veloso.

Enquanto veteranas mostram seu valor, estreantes como ALG e Victor Hugo Mattos provam que também têm muito a dizer. A primeira é uma linha mais acessível da À La Garçonne, marca de Alexandre Herchcovitch e seu marido, Fábio Souza.

Na contramão do que se viu anteriormente, a apresentação foi em formato tradicional de desfile, quase como que em tempos pré-pandêmicos, apesar da ausência de plateia e a necessidade de atender os protocolos sanitários envolvidos.

Os looks também se conectam com desejos e ideias antecedentes à quarentena e reforçados durante os meses de isolamento – principalmente o streetwear com suas referências esportivas e peças quase básicas, sempre confortáveis.

Já a Victor Hugo Mattos optou por um vídeo-performance com narração de Letrux. As cenas de mar, praia e sol representam a difusão dos sentimentos e pensamentos que vivenciou durante os quatro meses que passou no litoral baiano, próximo à família.

Carregado dessa estética, o último desfile do dia reforçou o trabalho manual da casa com crochê, rico em bordados de búzios, pedrarias, conchas e franjas; onde boa parte da coleção foi feita em upcycling, que consiste no aproveitamento e adaptações de antigas peças, objetos ou tecidos.

Sendo a cultura jovem urbana  uma característica intrínseca ao DNA da Calvin Klein, junto ao momento de eleições presidenciais nos Estados Unidos que dialoga diretamente com essa geração, a nova campanha da grife estadunidense exalta a essência da juventude americana.

Intitulada ‘’one future #ckone’’, a campanha passou por uma apurada curadoria que reuniu 11 vozes jovens e empoderadas enquanto contemplam suas esperanças para os próximos anos.

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O elenco natural e autêntico vem de variados cantos do país e consequentemente apresenta realidades contrastantes. Há um fazendeiro de 21 anos de Wyoming, um violinista de 22 anos do Texas e um sobrevivente de um tiroteio em uma escola de 18 anos da Flórida, entre outros.

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Cada um é filmado contra o plano de fundo de sua cidade natal, por um dos sete fotógrafos (Adraint Bereal, Brian Adams, Elliot Ross, Miranda Barnes, Rose Marie Cromwell, Shan Wallace e Texas Isaiah) que integram o projeto.

Como dito em comunicado, com a nova campanha, a grife espera inspirar “compreensão e igualdade”. Sendo resultado final uma cápsula do tempo que abriga de forma artística uma juventude americana em um ponto sísmico de suas vidas e da história da nação.

A renomada grife de roupas e acessórios Gucci resolveu inovar nas tendências para o público feminino. A marca colocou à venda um modelo de meia-calça rasgada que, aparentemente, agradou bastante o público. Todo o estoque do acessório foi vendido rapidamente pelo valor de US$ 190, cerca de R$ 1.098.

O produto foi anunciado no site de e-commerce da marca e vendeu por completo rapidamente. Na manhã desta sexta (30), já não era possível encontrá-lo no endereço eletrônico da grife. Nas imagens compartilhadas por contas nas redes sociais, era possível ver que o modelo havia sido disponibilizado em diversas cores, como preto e branco.

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Mas, apesar de ter esgotado, as meias rasgadas da Gucci também causaram estranhamento e revolta. Muitos internautas ficaram indignados com o alto valor da peça e com a audácia da marca. “A Gucci fez uma meia fina rasgada por 140 euros. eu odeio o capitalismo"; “A gucci vendendo meia calça rasgada por 190 dólares e eu joguei a minha fora”; “Não precisava a Gucci cobrar tão caro numa meia rasgada. Era só dar pra minha irmã usar”; “Quando estiver se sentindo trouxa, lembre-se que tem gente que paga 140 EUROS numa meia rasgada da Gucci”. 

Diante da pandemia e de olho na sustentabilidade, a prática do upcycling, que consiste em personalizar ou costumizar uma peça que já tem sua forma definida, ganha espaço na indústria da moda.

A técnica criativa, que dá vida nova a materiais, roupas e objetos que seriam descartados, foi pauta nos desfiles e palestras das semanas de moda de Milão, Paris e Londres. A tendência esteve na apresentação de marcas como Prada, Yves Saint Laurent, Louis Vuitton e MiuMiu. "Essa é a forma genuína de se fazer moda sustentável", diz a especialista em tendências e desenvolvimento de coleção Fer Faustino.

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As iniciativas que surgem de diferentes direções, como a da inglesa Burberry, que apresentou um desfile neutro, feito em carbono, e a da Stella McCartney, que lançou um manifesto com palavras-chave que servem de auxílio para os conceitos de sua grife e da indústria em geral, são exemplos claros de que as marcas relevantes estão atentas a uma forma de economia sustentável.

A responsabilidade da temporada ficou por conta da MiuMiu, que é comandada por Miuccia Prada. O desfile apresentou uma coleção intelectual e inteira de upcycling. O grupo Prada vem se empenhando em uma indústria que seja menos agressiva ao planeta, como fez com o investimento em nylon regenerado.

MiuMiu apresentou na semana passada uma linha de peças vintage das décadas de 1930 e 1970, que foram garimpadas ao redor do mundo e ganharam tratamentos da grife, com bordados, brocados e aplicações de cristais, resultando em 80 vestidos, feitos a mão. "O que a Miuccia faz, tanto na Prada quanto na MiuMiu, é dialogar com as necessidades do mundo, se atentando ao quanto suas clientes evoluem em termos políticos, sociais e intelectuais, sendo hoje, uma das principais grifes que atendem, de fato, uma moda politizada. O uso do upcycling para tal feito é genial", pontua Fer.

A técnica, que incentiva a economia de recursos, pode ser feita de forma coletiva, contando com a participação de toda equipe de uma maison e não apenas pelo designer. A upcycling é uma forma potente de narrativa, dando protagonismo para os processos criativos.

A Sephora vai dar uma forcinha para aqueles que desejam um look diferente para curtir o Halloween. Pelo segundo ano, a marca promove o Sephora Dark Side of Beauty, uma série de oficinas de make temática gratuitas. Este ano, por conta da pandemia do novo coronavírus, o evento acontece de forma totalmente online. 

Nas aulas, profissionais da marca vão dar dicas e toques para a produção da make temática. Alguns conteúdos terão temas específicos, como cuidados com a pele e maquiagem para os olhos. Serão cinco oficinas que estarão disponíveis no site do evento e no Instagram da Sephora até o dia 29 de outubro. 

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Além disso, os interessados poderão conferir outros conteúdos alusivos à festa das bruxas, como receitas de quitutes e dicas de decoração. Os interessados podem se inscrever no evento, de forma totalmente gratuito, no site oficial.

Na última segunda (20), o sambista Neguinho da Beija-Flor enterrou um neto de apenas 20 anos. Gabriel Ribeiro Marcondes foi baleado durante uma batida policial em um bairro funk, em uma comunidade do Rio de Janeiro, e faleceu. A tragédia abalou toda a família e Neguinho revelou que cogita sair do Brasil pela segurança dos seus. 

Durante o sepultamento do neto, Neguinho falou sobre a violência urbana. Em entrevista ao Extra, ele classificou as operações policiais nos morros do Rio como “desastrosas” e manifestou o desejo de sair do país. “No Brasil, basta nascer pobre para ser suspeito. Por isso, estou metendo o pé do país”.

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Gabriel trabalhava montando toldos em evento. Segundo Neguinho, o rapaz estava a serviço quando ocorreu a ação policial que lhe ceifou a vida. O sambista também revelou que um de seus filhos trabalha no mesmo ramo e que vai abandonar o segmento. “Além do Gabriel, tenho um filho que também trabalha nisso. A partir de agora não vai mais exercer esta atividade. É perigoso”. 

A loja de departamento Renner instala sua primeira máquina de vendas em uma plataforma do Metrô de SP. O aparelho está localizado na Estação São Bento, na Linha 1–Azul, e disponibiliza produtos como camisetas femininas e masculinas, máscaras de tecido, frascos de álcool em gel e acessórios, como lenços para o pescoço.

A máquina funciona no sistema de autoatendimento. Para efetuar a compra, basta selecionar o produto desejado, sua cor e tamanho, pelo painel digital. O pagamento pode ser realizado com cartão de crédito ou débito. "O objetivo é que os clientes tenham fácil acesso a produtos que atendem necessidades básicas do dia a dia de quem tem uma rotina na rua", comenta o diretor de Produto das Lojas Renner, Henry Costa, em entrevista ao Fashion Network.

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Para o fim do ano, a rede pretende instalar mais máquinas em outras estações de metrô, assim como em áreas de conveniência, como aeroportos, universidades e academias, e nos shoppings onde não há uma loja física da Renner.

 

Pós semanas de moda finalizadas nos quatro cantos mais influentes da indústria (Nova York, Milão, Londres e Paris), chega o momento de separar as maiores tendências que dominarão a próxima temporada, no caso do Brasil, as de verão 2021. Hoje, o LeiaJá separa tudo aquilo que deve ser retirado – ou introduzido, no armário.

1 - Máscaras

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Começando pelo item necessário. Mesmo que algumas grifes ainda permaneçam relutantes sobre o item, a máscara apareceu em mais desfiles nesta temporada. Sendo um acessório de proteção diária, nas coleções ela surge carregando uma certa licença poética, visto suas diferentes interpretações. ‘’Bordadas, transparentes, com pedrarias, mensagens, tecidos cintilantes e combinando com os looks desfilados, agregando aquilo que a moda tem como base: a individualidade’’, comenta a estilista Fernanda Faustino.

2 – Bolsas oversized

Mesmo não sendo uma tendência pioneira, as oversized bags voltaram com tudo. ‘’Faz total sentido neste momento. É a primeira vez que as peças aparecem da forma mais utilitária possível, sem frescuras. Nelas, você pode levar seu notebook, máscaras, álcool gel, ou qualquer eletrônico que possa ser necessário para uma reunião imprevista’’, aponta a especialista.

3 - Maxiacessórios 

Visto a necessidade de transmissões e reuniões por Zoom, grifes como Gucci, Dior e Saint Laurent vêm investindo em maxiacessórios para serem mais interessantes que o look em si, pois são eles que ganharão destaque através das câmeras. ‘’Brincos e colares longos que se estendem até os ombros, de variados materiais, grandes e brilhantes, visto que são esses que ficam evidentes nas webcams. O objetivo é focar atenção nessas peças’’, comenta Faustino.

4 – Cores vibrantes

Há algum tempo, o neon vem se estabelecendo e conquistando seu espaço. Seja através do neoprene popularizado pelos surfistas ou em bolsas Birkin da Hermès. Combinado a peças de tons neutros, sapatos e bolsas coloridas foram a aposta dos designers para acentuar o look sem causar exageros, resgatando um ar mais natural.

5 – Sapatos de bico fino

‘’Tem quem acredite que eles vieram para marcar o fim de uma era’’, comenta a especialista. Na última temporada de desfiles internacionais o item dominou as passarelas através de um mood retrô-chique. De salto alto ou baixo, coloridos, transparentes, com tachas e spikes, o bico fino é o sapato da vez. 

Em maio de 2020, a morte do americano George Floyd ganhou repercussão mundial. O ex-segurança de 40 anos, negro, foi asfixiado por um policial branco durante uma abordagem e não resistiu, vindo a óbito. As imagens da violência rodaram o planeta e engrossaram um movimento iniciado em 2013: o #BlackLivesMatter, em livre tradução, Vidas Negras importam.

A comoção em torno da morte de Floyd, no entanto, só aumentou ao passo que outros homens, mulheres, crianças e jovens foram violentados ou até mesmo tiveram suas vidas ceifadas, de lá para cá, em todo o mundo. No Brasil, só no ano corrente, poderíamos citar os exemplos do pequeno Miguel Otávio - morto após cair de um prédio de luxo no Recife (PE) enquanto sua mãe trabalhava como doméstica durante o isolamento social -;  do jovem Rogério Ferreira - baleado por policiais militares enquanto andava de moto, pela Zona Sul de São Paulo, no seu aniversário de 19 anos -; e do adolescente João Pedro, assassinado com um tiro nas costas durante operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ). 

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Segundo o Atlas da Violência 2020, a taxa de homicídios de negros no Brasil aumentou em 11,5% entre 2008 e 2018. De acordo com a pesquisa, só em 2018 os negros representaram 75,7% das vítimas de todos os homicídios no país. Os números alarmantes - e crescentes - fazem aumentar também manifestações como o Vidas Negras Importam, porém, à parte de toda a violência, a população preta também busca em outras ferramentas  formas de se colocar na sociedade, empoderando-se e tomando posse de sua identidade. Os cabelos têm grande relevância nesse processo. 

A trancista Paula Badu e a filha, Yasmin. Foto: Arthur Souza/LeiaJáImagens

Há um bom tempo, é possível ver mais pretos e pretas assumindo seus cabelos naturais e fazendo deles um meio de identificação e posicionamento político-social. Esse movimento vem lá de trás, desde a década de 1960, quando o ativista dos direitos dos afro-americanos, Malcom X, falou em sua autobiografia sobre quando usou produtos químicos para alisar o cabelo: “Foi meu primeiro grande passo para a autodegradação: quando suportei toda essa dor (ao jogar cloro no couro cabeludo), literalmente queimei minha pele para que meu cabelo se parecesse ao de um homem branco”, escreveu.  

No entanto, o apelo dos cabelos lisos e sem volume, tidos como o padrão de beleza da sociedade, é cada vez mais questionado e refutado pela população negra. A trancista Paula Badu é um exemplo disso. Ela conta que, durante a adolescência, sentiu a necessidade de se entender melhor enquanto pessoa e os caminhos dessa jornada vieram, também, através do seu visual: “Eu não me sentia à vontade, eu vinha de uma família cristã e precisava ter aquele padrão de beleza estipulado pela sociedade. Com meus 15 anos eu precisei fazer essa mudança, comecei a frequentar, afoxés, terreiros de candomblé e comecei a ver que a minha beleza estava na minha ancestralidade. Então, eu precisei fazer essas mudanças pra eu poder me aceitar. Eu me achava horrível, quando eu fiz esse resgate eu consegui me encontrar”.

Foi aí que a então menina decidiu parar de alisar os cabelos e colocar as tranças, em uma época que “não tinha transição, não tinha creme, não tinha nada”. A necessidade de cuidar das próprias tranças levou Paula a aprender a fazê-las e a maneira apropriada de cuidar delas. O autocuidado acabou virando profissão e, há cerca de cinco anos, ela comanda um salão, localizado no bairro do Varadouro, em Olinda (PE), onde faz diversos tipos de tranças e outros penteados afro. 

Foto: Arthur Souza/LeiaJáImagens

A trancista conta que, no início de sua carreira, a maior demanda era de pessoas que queriam um visual diferente para ir à festas ou brincar o Carnaval. Porém, com o passar do tempo, a procura começou a ser daqueles que de fato tiveram como opção assumir o cabelo afro para si. “Isso é muito bom, mostra que a trança não é moda, é história. Nossos antepassados viviam de trança. Lembro de conhecer pessoas negras na comunidade que minha avó morava que usavam, mas pra gente aquilo era feio, era sinônimo de pobreza. Agora que a gente conhece a real história das tranças, as pessoas estão caindo nessa real: a trança não é um penteado de Carnaval, é uma forma de existir, é um ato político”. 

O impacto do cabelo natural, ou trançado, na auto estima da mulher e do homem negros é visível aos olhos. Paula conta que vários clientes chegam a chorar ao se verem transformados e a emoção acaba fazendo parte do cotidiano em seu trabalho, que para ela é “uma missão ancestral”. “É a história do patinho feio: ele tá ali e não entende porque ele é feio, mas depois, ele percebe que está no lugar errado. É isso que acontece com a gente, porque a gente nao se identifica com o cabelo liso, falta alguma coisa e é justamente a aceitação do nosso natural. Infelizmente, isso é pregado com uma coisa de desleixo, dizem que nosso natural é feio e nós crescemos acreditando nisso. Então quando a gente se encontra, através de um penteado, de uma roupa, uma maquiagem, você se encontra e diz: ‘eu sou um cisne’”. 

Compromisso

Popularizados pelo cantor de Reggae mais importante do mundo, Bob Marley, os dreadlocks são um penteado afro de grande poder visual e representativo. Registros dão conta de que esses cabelos são usados tanto na África quanto na Índia desde a antiguidade Bíblica e pré-Bíblica. Os dreads também são usados por monges da Igreja Ortodoxa Etíope de Tewahedo; por nazireus do judaísmo; os Sadhu do hinduísmo; e os dervixes do islamismo; além, é claro, dos adeptos ao Rastafarianismo, expressão religiosa nascida na África, na década de 1930.

O simbolismo básico dos dreadlocks é que todo o tempo e energia gastos na aparência física e na vaidade podem ser usados ​​de maneira mais importante na espiritualidade e em outras atividades mais importantes. Para os rastafari, não cortar os dreads é um tributo a Deus, pois o crescimento natural dos cabelos é um preceito bíblico. O dreadmaker André Negron é simpatizante dessa cultura e leva para sua vida diversos dos preceitos do rastafarianismo, cultivar seu cabelo ‘rasta’ é apenas um deles. 

André também aprendeu a fazer dreads para cuidar do próprio cabelo e acabou virando profissional da área, há pouco mais de uma década. Ele garante que sempre se aceitou enquanto homem preto, por “orientação  familiar” e diz que os dreads só agregaram mais valor à sua identidade. “A minha raça é negra, eu sempre cultuei os meus antepassados. O reggae faz parte disso, é uma música negra e eu sempre admirei o reggae e o rastafarianismo. O fato de eu usar o cabelo rastafari, é uma forma de protesto também e de aceitação. Eu uso de uma forma muito empoderada. Até hoje, a gente sofre muito preconceito em relação a isso. Mas hoje, eu tenho como questionar qualquer pessoa que vier falar”.

O dreadmaker, André Negron. Foto: Arthur Souza/LeiaJáImagens

Em seu espaço, localizado no bairro do Varadouro, em Olinda (PE), ele constrói e faz a manutenção dos cabelos de homens e mulheres que buscam sua identidade. Para ele, “dread é compromisso” e o seu trabalho vai muito além de cuidar do visual dos clientes. O dreadmaker faz questão de oferecer, além do serviço, uma boa conversa e um lugar confortável e amistoso para que todos possam se sentir bem. “O meu trabalho é multi, Pessoas chegam aqui com o cabelo muito desorganizado e isso é muito raro a pessoa por si própria perceber. Eu gosto de fazer, isso me dá paz. Quando o ‘trampo’ é finalizado... Sem palavras”.

Apropriação cultural

O crescimento e popularização da estética afro não poderia passar ilesa pela indústria da moda. Hoje em dia, é possível ver pessoas de diversas raças e etnias fazendo uso de penteados, roupas e outros elementos característicos da cultura negra. Esse movimento botou em pauta a questão da apropriação cultural, tema que é sempre levantado quando não negros adotam cabelos como os dreadlocks ou acessórios como os turbantes.

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Mas, para os profissionais ouvidos pelos LeiaJá, essa questão não precisa ser um tabu. O dreadmaker André Negron acredita que a popularização do cabelo afro pode colaborar com o fim da discrminação. “Hoje em dia, não é só o negro que usa o cabelo rastafarim então, o fato de pesosas brancas, pardas, de várias cores serem do rastafari, diminuiu o preconceito. Muitas pessoas brancas de fato aderem ao movimento porque acham que é a cara delas. Eu vejo que qualquer um hoje em dia pode tá usando a depender da sua orientação”. 

Paula Badu segue mesma linha de raciocínio e aponta a globalização do mundo como incentivo para que diversas culturas possam coexistir. “Para mim, apropriar-se é você não dar o crédito a alguém pelo trabalho, pela história daquele trabalho.  Não tenho problema que nenhuma pessoa venha fazer as tranças, o que sempre tento fazer é explicar a história delas. Você desmistificar, explicar e fazer com que seu público trabalhe nele isso, quebra pra mim a apropriação. Hoje em dia, nós usamos coisas de outras culturas o tempo todo. Não acredito que você excluir uma pessoa que majoritariamente é de outra cultura do seu trabalho vai fazer com que isso acabe, pelo contrário você acaba distanciando mais e causando mais preconceito”. 

Serviço

Badu Afrohair - Paula Badu

Terça a sábado - 09h às 18h

Rua Palmira Magalhães, 67 - Varadouro - Olinda (PE)

(81) 98624-0410

 

Dread é Compromisso - André Negron

Terça à sexta - a partir das 15h

Sábado - a partir das 10h

Rua Dr. Francisco L. Casseli, 375 - Varadouro - Olinda (PE)

(81) 99509-3354

*Modelos: Yasmin Rodrigues e Arnaldo Deodato

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