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Beatriz Haddad Maia fez história no tênis brasileiro na noite deste sábado, já domingo no horário de Melbourne. A tenista avançou às quartas de final da chave de duplas do Aberto da Austrália, ao lado da casaque Anna Danilina, e obteve o melhor resultado de uma brasileira no Grand Slam australiano em toda a era aberta do tênis, iniciada em 1968.

Foi ainda o melhor resultado de uma tenista do Brasil no Aberto da Austrália desde a grande Maria Esther Bueno, lenda do tênis nacional. Ela foi vice-campeã em solo australiano na chave de simples e semifinalista em duplas em 1965, e campeã nas duplas em 1960.

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Para registrar seu nome mais uma vez na história do tênis brasileiro, Bia eliminou a espanhola Aliona Bolsova e a norueguesa Ulrikke Eikeri com uma grande virada, por 2 sets a 1, com parciais de 3/6, 6/4 e 7/6 (10/5), em uma batalha de 2h34min.

O resultado marca ainda a melhor campanha de Bia num torneio de Grand Slam, contando tanto simples quanto duplas. Ao alcançar as oitavas, ela já havia igualado as melhores campanhas de brasileiras num torneio deste nível na era aberta. Cláudia Monteiro havia alcançado esta fase em 1982 e Luisa Stefani fez o mesmo em 2020 e no ano passado.

Bia e a tenista do Casaquistão estão em grande forma neste começo de temporada. Elas somam agora sete vitórias consecutivas, incluindo os jogos que levaram a dupla ao título do WTA 500 de Sydney, torneio preparatório para o Grand Slam australiano, na semana passada.

Em Melbourne, o primeiro set deu o tom da partida, com muita oscilação por parte das duas duplas. Bolsova e Eikeri foram ligeiramente superiores, com duas quebras de saque, contra apenas uma da parceria de Bia. E levaram a parcial, abrindo vantagem no confronto.

No segundo set, a espanhola e a norueguesa quebraram o saque da dupla da brasileira logo no primeiro game. Bia e Danilina reagiram rapidamente e viraram para 3/1, dando sequência a um festival de quebras nos games seguintes. Mais concentradas, a brasileira e a casaque foram mais consistentes, empataram o duelo e forçaram a disputa do terceiro set.

Na terceira e decisiva parcial, o duelo começou equilibrado, até que Bolsova e Eikeri faturaram a primeira quebra do set, no terceiro game, abrindo 2/1. Bia e Danilina caíram de produção e as rivais dispararam no placar. Abriram 4/1. Mas a parceria da brasileira não desanimou e impôs forte virada: 5/4.

O duelo retomou o equilíbrio e as adversárias forçaram o tie-break. Mas a brasileira e a casaque mantiveram o nível elevado, cometeram menos erros não forçados e construíram rapidamente boa vantagem para selar a suada vitória, rumo às quartas de final.

Em busca da vaga na semifinal, Bia e Danilina vão enfrentar agora a dupla formada pela sueca Rebecca Peterson e pela russa Anastasia Potapova.

O início de temporada de Rafael Nadal segue com 100% de aproveitamento. Campeão do ATP 250 de Melbourne há duas semanas, o tenista espanhol passou pela primeira semana do Aberto da Austrália, o primeiro Grand Slam do ano, e já soma seis vitórias seguidas em 2022. Nesta sexta-feira, ele derrotou o russo Karen Khachanov, número 30 do mundo, por 3 sets a 1 - com parciais de 6/3, 6/2, 3/6 e 6/1, após 2 horas e 51 minutos. De quebra, manteve seu perfeito retrospecto contra o rival, tendo vencido todos os oito jogos entre eles.

Vencedor do Aberto da Austrália em 2009 e vice em outras quatro oportunidades, a última delas há três temporadas, Nadal está com 35 anos e ocupa o quinto lugar no ranking da ATP. O dono de 20 títulos de Grand Slam já passou pelo americano Marcos Giron e pelo alemão Yannick Hanfmann nas primeiras rodadas.

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Já Khachanov, de 25 anos, prata nas Olimpíadas de Tóquio, segue sem nunca ter alcançado as oitavas de final em Melbourne. Este foi o quarto ano seguido que ele parou na terceira rodada. E, antes disso, perdeu na segunda fase outras duas vezes. Ex-Top 10, o russo tem melhores resultados em Roland Garros e Wimbledon, torneios de Grand Slam em que já chegou às quartas de final.

Em quadra, Nadal liderou a estatística de winners por 39 a 36 e cometeu 30 erros não-forçados contra 42 do rival russo. O espanhol conseguiu cinco quebras em 15 break points e só perdeu um game de serviço na partida.

Outro favorito ao título, o alemão Alexander Zverev também teve uma semana perfeita no Aberto da Austrália. Depois de ter vencido um duelo alemão contra Daniel Altmaier na estreia e superado o australiano John Millman na segunda rodada, o atual número 3 do mundo venceu nesta sexta-feira o moldávio Radu Albot, 124.º do ranking, com o placar de 6/3, 6/4 e 6/4.

Com o resultado, Zverev chega sem perder sets às oitavas de final do primeiro Grand Slam do ano. A situação é bem diferente das que o alemão costumava encarar em temporadas anteriores, quando muitas vezes acabava disputando jogos longos nas primeiras fases de torneios deste porte. Aos 24 anos, faz a sua sétima participação em Melbourne, com destaque para uma semifinal em 2020.

O próximo jogo de Zverev promete ser bem mais exigente. O alemão enfrenta o canadense Denis Shapovalov, que derrotou o americano Reilly Opelka por 3 sets a 1 - parciais de 7/6 (7/4), 4/6, 6/3 e 6/4. A rivalidade entre os dois é de seis confrontos, mas será a primeira vez que eles se enfrentam em um Grand Slam. O alemão lidera o histórico por 4 a 2.

OUTROS JOGOS - Único sérvio na disputa após a polêmica saída de Novak Djokovic, atual número 1 do mundo, Miomir Kecmanovic segue firme em Melbourne. Nesta sexta-feira surpreendeu o italiano Lorenzo Sonego, cabeça de chave 25, por 3 sets a 1 - parciais de 6/4, 6/7 (8/10), 6/2 e 7/5 - e agora terá pela frente o francês Gael Monfils, 17.º pré-classificado, que bateu o chileno Cristian Garin, cabeça 16, por 7/6 (7/4), 6/1 e 6/3.

Sétimo pré-classificado, o italiano Matteo Berrettini derrotou o espanhol Carlos Alcaraz, cabeça 31, por 3 sets a 2 - com parciais de 6/2, 7/6 (7/3), 4/6, 2/6 e 7/6 (7/5) - e vai encarar nas oitavas de final o espanhol Pablo Carreño Busta, 19.º favorito, que venceu o americano Sebastian Korda por 6/4, 7/5, 6/7 (6/8) e 6/3.

Novak Djokovic voltou ao noticiário nesta quarta-feira. Desta vez sem qualquer relação com tênis ou vacinas, mas ainda no tema da pandemia. O tenista sérvio foi apontado como cofundador e sócio majoritário da QuantBioRes, empresa dinamarquesa de biotecnologia que pretende criar um remédio para tratar a covid-19.

A empresa foi criada em junho de 2020, ainda na parte inicial da pandemia. Mas a informação sobre a participação do número 1 do mundo só veio à tona nesta quarta em entrevistas do diretor da companhia, Ivan Loncarevic, às agências internacionais.

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Ele revelou que o tenista e sua esposa, Jelena Djokovic, detêm juntos 80% da QuantBioRes. Loncarevic não revelou o valor investido pela família na empresa. De acordo com a revista Forbes, o tenista ganhou US$ 34,5 milhões (cerca de R$ 190 milhões) ao longo da temporada passada, entre premiações e patrocínios.

A empresa criada na Dinamarca tem cerca de 12 pesquisadores, que atuam também em outros países, como Reino Unido, Eslovênia e Austrália. De acordo com Loncarevic, o objetivo da companhia é desenvolver medicamentos contra vírus e bactérias resistentes. E a covid-19 se tornou o principal alvo da equipe, que não trabalhará com vacinas.

Os primeiros remédios específicos contra a covid-19 no mundo estão perto de serem lançados, nos próximos meses. O mais conhecido é o Paxlovid, da Pfizer. Mas os custos serão bem mais elevados do que as vacinas. O tratamento com este medicamento pode chegar a US$ 530. No caso dos imunizantes, as doses custam cerca de US$ 10.

Djokovic protagonizou uma das maiores polêmicas da história do tênis nos últimos dias ao ser deportado da Austrália e ser retirado da chave do primeiro Grand Slam do ano porque não tomou a vacina contra a covid-19. A polêmica durou 11 dias, entre sua chegada e a saída do país, no domingo, após dois cancelamentos do seu visto e dois julgamentos na Justiça local.

O sérvio tentou entrar na Austrália sem apresentar o comprovante de vacinação, após obter uma "permissão médica especial" junto ao governo estadual e a Tennis Australia, a federação australiana de tênis. A questão mobilizou o governo federal e até gerou uma crise diplomática entre a Austrália e a Sérvia. Agora Djokovic corre o risco de não poder entrar no país da Oceania pelos próximos três anos.

Dois dias após ser deportado, Novak Djokovic continua sentindo os impactos de sua polêmica passagem pela Austrália. A Lacoste, marca francesa de roupas que patrocina o tenista, disse que irá entrar em contato com o sérvio o mais rápido possível para "revisar os acontecimentos" que acompanharam o número 1 do mundo na última semana. Ele está fora do Aberto da Austrália após novela judicial por causa de problemas no visto referentes à falta de comprovação de vacinação contra a covid-19.

"Assim que possível, entraremos em contato com Djokovic para revisar os eventos que acompanharam sua presença na Austrália. Desejamos a todos um excelente torneio e agradecemos aos organizadores por todos os esforços para garantir que o torneio seja realizado em boas condições para jogadores, funcionários e espectadores", disse a empresa em um comunicado oficial.

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A Lacoste é a primeira patrocinadora de Djokovic a romper o silêncio e colocar em xeque o apoio ao tenista. Segundo a imprensa dos Estados Unidos, o contrato entre as partes gira em torno de U$ 9 milhões (R$ 49,7 milhões na cotação atual). O acordo foi firmado em 2017, quando o sérvio abandonou a japonesa Uniclo.

Segundo a revista Forbes, Djokovic faturou em 2021 cerca de US$ 30 milhões (R$ 165,7 milhões) com patrocínios. Entre as outras marcas que apoiam o tenista estão a montadora francesa Peugeot e a empresa de material esportivo Asics.

O comunicado da empresa francesa acontece na esteira de mais uma dor de cabeça para o tenista sérvio. A França aprovou no domingo o passaporte vacinal. Assim, atletas que pretendem competir em solo francês devem apresentar o comprovante de imunização, algo que Djokovic não tem porque se recusa a tomar a vacina contra covid-19.

É provável, portanto, que o número 1 do mundo não esteja na chave de Roland Garros, o segundo Grand Slam da temporada. Desta forma, a empresa francesa não terá seu maior garoto-propaganda no maior torneio francês do ano, que também é o maior palco de divulgação da marca, em Paris.

O número 1 do mundo desembarcou na Austrália há pouco mais de uma semana e apresentou um atestado médico que o isentaria de tomar a vacina contra a covid-19. O argumento era de que ele já havia sido contaminado pelo vírus em dezembro e se recuperado, mas o governo australiano não reconheceu o documento.

O sérvio foi detido em um hotel de imigração e assim começou uma saga judicial, encerrada no último domingo, quando o tribunal decidiu por unanimidade pela deportação do atleta. A decisão é definitiva e não há mais possibilidade de recurso. Mesmo se houvesse, não haveria mais chances de Djokovic disputar o Aberto da Austrália, por falta de tempo.

PERDA DE PATROCÍNIO E IMPACTO ESPORTIVO - Djokovic não é o primeiro esportista a ter problemas com patrocinadores pela postura negacionista na pandemia. O astro da NFL (Liga de Futebol Americano) Aaron Rodgers, quarterback do Green Bay Packers, teve seu contrato com a organização de saúde Prevea Health cancelado após nove anos depois de declarar que não havia se vacinado.

No programa Pat McAfee Show, Rodgers alegou ser alérgico a um dos componentes do imunizantes da Pfizer e da Moderna, além de relacionar erroneamente as vacinas contra a covid-19 com a possibilidade de infertilidade. No entanto, o quarterback não sentiu o impacto esportivo de seu posicionamento, atuando normalmente na NFL.

Outra notória figura antivacina do esporte americano, o armador Kyrie Irving, do Brooklyn Nets, viveu situação diferente com a Nike, com quem possui contrato no valor de US$ 11 milhões (R$ 60,9 milhões). A marca, principal patrocinadora do jogador, preferiu se calar sobre os relutantes posicionamentos negacionistas do atleta. Em contrapartida, a marca exige a vacina de todos os seus funcionários em escritórios nos Estados Unidos.

Por outro lado, Irving viveu situação parecida com a de Djokovic na questão esportiva, perdendo o início da temporada regular da NBA após ser afastado pelos Nets por não ter se vacinado.

Kelly Slater, lenda do surfe americano, é outro que não pôde competir por não concordar com a vacinação contra a covid-19. Em dezembro, o surfista 11 vezes campeão mundial ficou fora da etapa de Haleiwa, a última da Challenger Series, no Havaí, onde a imunização é exigida.

Diferentemente de Djokovic, a quem já demonstrou apoio, Slater possui apenas um acordo com a Breitling, marca suíça de relógios de luxo que não se posicionou sobre as opiniões do surfista. O americano carrega consigo também o nome da Outerknown, marca própria de roupas sustentáveis lançada em 2015.

De volta a uma chave principal de Grand Slam pela primeira vez desde 2019, quando caiu na segunda rodada em Wimbledon, Beatriz Haddad Maia buscou nesta terça-feira (18) uma vitória de virada em sua partida de estreia no Aberto da Austrália, em Melbourne. A número 1 do Brasil e 83.ª do mundo superou a americana vinda do qualifying Katie Volynets, de apenas 20 anos e 176.ª do ranking da ATP, por 2 sets a 1 - com parciais de 3/6, 6/2 e 6/3, após 2 horas e 10 minutos.

Bia Haddad venceu um jogo em chave principal de Grand Slam pela quinta vez na carreira. Na Austrália, ela tem três participações e sempre passou da primeira rodada. A vitória na estreia em Melbourne também rende importantes 70 pontos no ranking da WTA. Neste início de temporada, ela disputou dois torneios preparatórios e conquistou no último sábado o título de duplas no WTA 500 de Sydney.

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Com o resultado, a brasileira de 25 anos devolve a derrota sofrida para Volynets no qualifying de Wimbledon do ano passado e se prepara para enfrentar uma adversária muito mais forte e experiente. Ela desafiará agora a romena Simona Halep, ex-número 1 do mundo e atual 15.ª colocada, que estreou vencendo a polonesa Magdalena Frech por 6/4 e 6/3 e vem de um título no WTA 250 de Melbourne 1, há pouco mais de uma semana. O único duelo anterior entre elas foi disputado na grama, em 2017, com vitória da tenista da Romênia em sets diretos.

Em quadra, Bia Haddad liderou a contagem de winners por 36 a 21 e cometeu 50 erros não-forçados contra 40 de Volynets. Mas depois de ter cometido 19 erros no primeiro set e 18 no segundo, errou apenas 13 bolas no terceiro, contra 21 da rival. A brasileira conseguiu sete quebras em nove chances criadas, enquanto que a americana teve 14 break-points e só quebrou cinco vezes. Bia fez o único ace da partida e cada tenista cometeu três duplas faltas.

MASCULINO - Entre os homens, não deu para o brasileiro Thiago Monteiro, que caiu logo em sua estreia. O algoz foi o francês Benoit Paire, que teve muito trabalho para derrotar o número 1 do Brasil e 79 do mundo, precisando batalhar por 3 horas e 38 minutos para triunfar em apertados cinco sets - com parciais de 6/4, 3/6, 7/5, 2/6 e 7/5.

O próximo adversário no caminho de Paire será o búlgaro Grigor Dimitrov, que teve um pouco menos de dificuldade, mas ainda assim cedeu um set na estreia, batendo o quali checo Jiri Lehecka com parciais de 6/4, 4/6, 6/3 e 7/5.

Apesar dos 30 aces anotados, Paire terminou a partida com 13 duplas faltas, enquanto que Monteiro teve 13 aces e só três duplas faltas. Nas bolas vencedoras, novamente larga vantagem do francês, que somou 62 contra 30. O troco veio nos erros não forçados, com o brasileiro cometendo 23 a menos (49 a 72).

O tenista brasileiro avaliou a sua participação na gira australiana deste início de temporada como positiva. Ele vinha de dois torneios seguidos em Adelaide, chegado às oitavas de final no primeiro e às quartas no segundo, e segue motivado para melhorar seus resultados em Grand Slam.

Monteiro ainda segue em Melbourne no aguardo por uma vaga na chave de duplas. Ele precisa de duas desistências para entrar na competição ao lado do alemão Daniel Altmaier. Caso contrário, deve retornar ao Brasil nesta sexta-feira e começar a preparação para a gira de torneios no saibro na América do Sul, incluindo o Rio Open, em fevereiro.

O número um do mundo no tênis, o sérvio Novak Djokovic, expulso da Austrália após uma batalha judicial sobre sua situação em relação à vacina contra a Covid-19, é esperado nesta segunda-feira (17) na Europa após escala em Dubai, após o início do Aberto da Austrália que sonhava em vencer pela décima vez.

O tenista sérvio de 34 anos desceu do avião com duas malas e máscara, após aterrissar às 05h32 (21h32 de domingo no horário de Brasília) no Aeroporto Internacional de Dubai.

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O destino final do atleta não foi revelado, mas a polícia mantinha os jornalistas afastados do aeroporto de Belgrado, segundo um fotógrafo da AFP.

O tenista seria a figura central na abertura do Aberto da Austrália nesta segunda, mas não pôde participar do torneio depois que um tribunal rejeitou seu pedido para permanecer no país.

O torneio australiano começou, enfim, sem sua estrela principal, que venceu nove vezes. A expulsão de Djokovic se deu após uma disputa legal com as autoridades australianas que polarizou a opinião mundial e prejudicou a imagem de ambas as partes.

O tenista se declarou "extremamente decepcionado" depois que um tribunal federal confirmou por unanimidade a decisão do governo de cancelar seu visto.

"Há quase uma semana, quando ele ganhou o caso em primeira instância, conseguiu recuperar seu visto e estava treinando. Eu disse que a justiça havia falado", comentou hoje Rafael Nadal em Melbourne, depois de passar para a segunda rodada.

"Ontem a justiça disse outra coisa. Nunca serei contra o que a justiça diz", acrescentou.

"Acho que a situação foi um desastre (...) Ele não é o único que provavelmente fez coisas erradas nesse caso. Claro, há mais responsáveis em toda essa situação terrível que estamos enfrentando há duas semanas", completou o espanhol.

Após a decisão, o atleta embarcou, no domingo, em um voo no aeroporto de Melbourne com destino a Dubai na companhia de assistentes e autoridades.

Duas vezes nos últimos 11 dias, o governo australiano revogou o visto de Djokovic e o deteve em um centro de imigrantes, dizendo que sua presença poderia alimentar um sentimento antivacina em meio a uma onda de infecções pela variante ômicron da covid.

O tenista sérvio contestou ambas as decisões na Justiça, onde venceu a primeira, mas perdeu a fase decisiva no domingo.

O tenista sérvio pode ficar três anos sem poder entrar na Austrália, o que dificultaria a conquista do seu 21º Grand Slam. Atualmente ele tem 20 títulos como Roger Federer e Rafael Nadal.

O primeiro-ministro australiano, o conservador Scott Morrison, considerou que o que aconteceu "envia uma mensagem muito clara".

No entanto, sugeriu em uma entrevista que Djokovic poderia retornar nos próximos três anos "nas circunstâncias certas".

Sem outras opções para apelar, Djokovic reconheceu que o jogo havia acabado e que não disputaria o torneio de Melbourne.

"Independentemente de como se chegou a esse ponto, Novak é um dos grandes campeões do nosso esporte e sua ausência no Aberto da Austrália é uma perda para o jogo", disse a ATP, que regula o tênis mundial.

Da mesma forma, o presidente sérvio, Aleksandar Vucic, foi severo em suas críticas às autoridades australianas.

"Eles acreditam que com isso, com esses 10 dias de maus-tratos, humilharam Djokovic, mas se humilharam. Djokovic pode retornar ao seu país de cabeça erguida", disse Vucic à mídia estatal.

O tenista poderá ter que responder sobre aspectos de sua conduta em audiências judiciais. Constatou-se que o tenista de 34 anos contraiu Covid-19 em meados de dezembro e, segundo sua própria versão, não se isolou depois de saber que testou positivo. Ele até deu uma entrevista à imprensa cara a cara depois que o contágio foi confirmado.

O tenista se recusou a apresentar provas no caso para evitar a noção de que ele é antivacina.

"Ele se tornou um ícone dos grupos antivacinas", disse o advogado do governo australiano, Stephen Lloyd. "Com ou sem razão, ele é visto como alguém que apoia as opiniões antivacinas e sua presença aqui (na Austrália) contribui para isso."

Novak Djokovic deixou a Austrália, neste domingo (16), depois que a Justiça rejeitou seu recurso contra sua deportação ordenada pelo governo, que considerou que o número um do mundo no tênis representava um "risco para a saúde" por não ter-se vacinado contra a Covid-19.

Tomada por unanimidade pelos três juízes do tribunal, a decisão pôs fim às esperanças do sérvio, de 34 anos, de conquistar seu 21º título de Grand Slam, no Aberto da Austrália, que começa nesta segunda-feira (17).

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"Estou muito decepcionado", disse Djokovic em um comunicado.

"Respeito a decisão do tribunal e vou cooperar com as autoridades competentes em relação à minha saída do país", afirmou, pouco antes de deixar Melbourne, às 22h51 locais (8h51 em Brasília), segundo uma jornalista da AFP a bordo do avião.

"Agora vou tirar um tempo para descansar e me recuperar", disse o jogador, cuja carreira pode se ver seriamente afetada, após a decisão.

Djokovic foi autorizado a deixar o centro de detenção para imigrantes, onde estava detido desde sábado, e assistiu online, dos escritórios de seus advogados em Melbourne, à audiência de quatro horas de duração.

Em suas argumentações finais ao tribunal no sábado, o ministro da Imigração, Alex Hawke, argumentou que a presença de Djokovic no país era, "provavelmente, um risco para a saúde".

Segundo o ministro, fomentava o "sentimento antivacina", podendo dissuadir os australianos de receberem doses de reforço, no momento em que a variante ômicron se espalha rapidamente pelo país.

- "Distúrbios civis" -

A presença do campeão na Austrália poderia até "provocar um aumento dos distúrbios civis", acrescentou o ministro.

Embora tenha considerado como "insignificante" o risco de o próprio Djokovic infectar os australianos, o ministro disse que seu "menosprezo" pelas normas sanitárias contra a covid-19 era um mau exemplo.

Hoje, no tribunal, os advogados de "Djoko" classificaram a detenção e a possível deportação de seu cliente como "ilógicas", "irracionais" e "nada razoáveis".

Eles não conseguiram, porém, convencer os três juízes do Tribunal Federal, que rejeitaram o recurso por unanimidade, sem possibilidade de apelação.

Novak Djokovic foi preso em sua chegada à Austrália, em 5 de janeiro, e posto, inicialmente, em detenção administrativa.

O jogador, que disse ter contraído covid-19 em dezembro, esperava uma isenção para entrar no país sem estar vacinado. A alegação foi considerada insuficiente pelas autoridades.

Em 10 de janeiro, o governo australiano sofreu um revés humilhante, quando um juiz bloqueou a deportação de Djokovic, restabeleceu seu visto e ordenou sua libertação imediata.

Na sexta-feira, o ministro da Imigração contra-atacou e cancelou seu visto pela segunda vez, em virtude de seus poderes discricionários, alegando "razões de saúde e de ordem pública".

Em um comunicado publicado na última quarta-feira (12), o tenista admitiu ter preenchido incorretamente sua declaração de entrada na Austrália.

O 86 vezes campeão da ATP, que foi visto na Sérvia e na Espanha duas semanas antes de seu desembarque na Austrália, responsabilizou sua equipe, afirmando que houve um "erro humano".

- "Incompetência" -

Há quase dois anos, os australianos enfrentam algumas das restrições mais duras do mundo contra a covid-19. Além disso, com a perspectiva de eleições em maio, o contexto político ficou ainda mais carregado.

Nos últimos dias, aumentou a pressão sobre o primeiro-ministro conservador Scott Morrison, a quem a oposição trabalhista acusou de "incompetência".

Hoje, domingo, o governo australiano comemorou sua vitória legal.

"A sólida política de proteção de fronteiras da Austrália nos manteve a salvo durante a pandemia", declarou o ministro da Imigração, Alex Hawke, em um comunicado.

"Os australianos fizeram grandes sacrifícios para chegar a este ponto, e o governo de Morrison está firmemente comprometido com proteger essa posição", completou.

A reação do presidente sérvio, Aleksandar Vucic, foi bem diferente.

"Acham que, com dez dias de maus-tratos, humilharam Djokovic. Eles humilharam a si mesmos. Djokovic pode voltar para seu país de cabeça erguida e olhar para todo mundo olho no olho", rebateu.

Para a ATP, que administra o circuito profissional de tênis masculino, a decisão da Justiça "encerra uma série de eventos profundamente infelizes".

O lugar no quadro final do Grand Slam da Austrália será ocupado pelo italiano Salvatore Caruso, 150º no ranking mundial.

O Tribunal do Circuito Federal de Melbourne decidiu por unanimidade na madrugada deste domingo (16) (tarde na Austrália), pela deportação de Novak Djokovic em decorrência de o tenista não ter sido vacinado contra a Covid-19, e deu fim à novela que se arrastava desde os primeiros dias do ano. Dessa forma, o número 1 do mundo não poderá jogar o Aberto da Austrália, primeiro Grand Slam da temporada, e terá de deixar o país da Oceania. A decisão pelo indeferimento do pedido de reintegração do visto do atleta foi lida pelo presidente do tribunal, James Allsop.

O colegiado esteve completo, isto é, contou com os votos de outros dois juízes federais, David O'Callaghan e Anthony Besanko. A audiência foi realizada virtualmente e transmitida ao vivo no canal da corte australiana no YouTube. O julgamento teve início às 9h30 de domingo, pelo horário local, (19h30 de sábado pelo horário de Brasília) sendo concluído após mais de 9 horas. A decisão do tribunal é definitiva. Portanto, não cabem mais recursos e o líder do ranking da ATP terá de deixar a Austrália.

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A organização do Aberto de tênis do país, que chegou a confirmar Djokovic como cabeça de chave número 1 do evento, publicou uma nota oficial algumas horas após a decisão judicial para confirmar que o sérvio está fora do torneio. O texto diz que a Federação de Tênis da Austrália "respeita a decisão da corte federal" e informa que o cabeça de chave número 1 será um "lucky loser", termo usado para designar o jogador de melhor ranking derrotado nas fases classificatórias.

A partir de agora, o tenista enfrenta uma proibição de três anos para retornar ao país, exceto em certas ocasiões, que podem incluir "circunstâncias convincentes que afetam os interesses da Austrália". Allsop explicou ainda que o veredito não refletiu "no mérito ou sabedoria da decisão" e que o raciocínio completo que motivou a decisão será divulgado nos próximos dias.

A Justiça australiana analisou em sessão emergencial o recurso perpetrado pela defesa de Djokovic à decisão do ministro de Imigração, Alex Hawke, que cancelou o visto do tenista alegando que ele era uma ameaça à ordem pública no país, por estimular um sentimento antivacina.

Antes da audiência, Djokovic permaneceu detido no hotel Park Hotel, onde estava hospedado, após ter o seu visto cancelado por Hawke, pela segunda vez desde que o jogador havia desembarcado em Melbourne, há 10 dias.

Djokovic deixou o centro de detenção a caminho do escritório de advocacia do tenista, onde era vigiado por agentes da Imigração, 35 minutos antes da audiência. Um comboio de veículos o escoltou até o local. Na semana passada, o sérvio de 34 anos ficou detido por cinco dias no centro de detenção de imigrantes até que seus advogados conseguiram por meio da Justiça reverter uma primeira expulsão da Austrália e liberá-lo para treinar.

O caso foi parar nas mãos de um tribunal federal porque Antony Kelly, juiz do estado australiano de Victoria encarregado de examinar o recurso de Djokovic contra o cancelamento de seu visto, se declarou incompetente. Essa mudança retardaria o procedimento, estimara sua defesa.

O ministro da Imigração da Austrália, Alex Hawke, afirmou que a presença de Djokovic no país da Oceania pode "encorajar o sentimento antivacina" e causar "agitação social", razões pelas quais solicitou a sua expulsão. Stephen Lloyd, que representou o Ministério da Imigração, argumentou que "nunca houve material apresentado ou qualquer alegação de que Djokovic tinha motivo médico para não ser vacinado".

Entretanto, a defesa do tenista, que não se vacinou contra a covid-19 e se opõe à imunização obrigatória, diz que os argumentos da Imigração são irracionais e prejudicam "um homem de grande reputação" que tem uma boa razão médica para não ser vacinado. Os advogados alegam que o tenista não poderia se vacinar por ter contraído o vírus em dezembro.

Em sua argumentação, o advogado de Djokovic, Nick Wood, disse que o que pode estimular o movimento antivacinação e protestos, na verdade, seria a decisão de deportar o tenista sérvio. Também classificou como "algo perverso" da parte do governo australiano alegar que a presença do atleta traz risco à saúde pública.

O caso pode ter repercussões de longo prazo para o número um do mundo, que corre o risco de ser banido da Austrália por três anos. Além disso, é um duro revés esportivo, uma vez que ele perdeu a oportunidade de brigar pelo décimo título em Melbourne e pela 21ª conquista em Grand Slam. Se a taça viesse, ele se tornaria o maior recordista da história - hoje, divide o posto com Rafael Nadal e Roger Federer.

O interesse esportivo do primeiro Grand Slam do ano foi ofuscado pela controvérsia envolvendo Djokovic que se tornou uma saga judicial assim que o atleta se consolidou como uma das referências mundiais antivacina. Ele só conseguiu desembarcar na Austrália na última semana porque portava uma isenção médica especial com a qual não era necessária a comprovação da imunização contra a covid-19, requisito obrigatório para entrar no país. Depois, porém, foi barrado no aeroporto após as autoridades não considerarem o documento válido e ficou retido em um hotel de imigração.

CRÍTICAS - Grande parte dos tenistas se posicionou de forma contrária ao comportamento antivacina de Djokovic, que recebeu uma enxurrada de críticas, algumas um tanto quanto contundentes. Rafael Nadal, por exemplo, afirmou que "não há jogador na história que seja mais importante do que um evento". "Cada um escolhe seu caminho. Respeito Novak como pessoa, claro, e como atleta, sem dúvida, mesmo não concordando com muitas coisas que ele fez nas últimas semanas", completou o espanhol.

Já o grego Stefanos Tsitsipas afirmou que Djokovic faz parte de "uma pequena minoria que escolhe seguir o próprio caminho" e isso faz a maioria dos tenistas "parecer tolos". Segundo a ATP, apenas 3 entre os 100 melhores tenistas do ranking não estariam vacinados até o momento. O caso sobre a entrada do tenista no país coincide com um pico no número de contágios na Austrália ligados à variante Ômicron do coronavírus.

A Austrália, que implementou uma das políticas mais duras no combate à pandemia, incluindo o fechamento das fronteiras internacionais durante mais de 18 meses, só permite a entrada de estrangeiros com o ciclo vacinal completo ou com uma isenção médica para casos muito específicos.

Djokovic, 34 anos, atual campeão do Aberto da Austrália, foi incluído no sorteio das chaves para o torneio como principal cabeça de chave e deveria enfrentar na estreia o compatriota Miomir Kecmanovic, mas, em vez disso, tem de retornar ao seu país. A sua vaga fica com o russo Andrey Rublev.

O Tribunal Federal da Austrália iniciou na manhã de domingo (sábado, 15, no horário de Brasília) uma audiência urgente para analisar se aceita ou não o recurso do tenista sérvio Novak Djokovic contra sua expulsão do país por não ter sido vacinado contra a Covid-19.

O presidente do tribunal, James Allsop, abriu a sessão em que deve ser decidida esta saga e a participação do atleta, número um do tênis masculino, no Aberto da Austrália a partir de segunda-feira (17).

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Recluso desde sábado em um centro de detenção, onde já passou cinco dias após chegar à Austrália em 5 de janeiro, Djokovic foi levado do antigo hotel para o escritório de seus advogados em Melbourne, de onde participa da audiência.

Composto por três juízes, o tribunal realiza a audiência convocada com urgência em sessão por videoconferência. O formato da corte e o curto período de tempo antes do início do torneio tornam a decisão muito difícil de apelar.

A equipe jurídica de Djokovic, que corre o risco de não poder retornar à Austrália por três anos se ele perder o caso, iniciou um processo argumentando que sua detenção era "ilógica", "irracional" e "insensata".

Os advogados do sérvio já salvaram em 10 de janeiro um primeiro set point, quando um juiz de menor escalão reverteu o cancelamento do visto de Djokovic e o liberou depois de dias trancado no centro de imigrantes.

Mas na sexta-feira, o governo do conservador Scott Morrison, pressionado pelas eleições de maio, ordenou novamente sua deportação, alegando, entre outras coisas, que sua oposição pública às vacinas pode dificultar a gestão da pandemia e levar a “distúrbios sociais”.

Djokovic viajou para a Austrália com uma isenção médica da exigência de vacinação concedida pelos organizadores do torneio com base em uma infecção pelo coronavírus que ele teve em dezembro, mas as autoridades de fronteira não aceitaram essa exceção.

A polêmica tem ofuscado o torneio que Djokovic pretende vencer pela décima vez. Em jogo está também o recorde de 21 Grand Slams, com o sérvio, Rafa Nadal e Roger Federer atualmente empatados em 20.

O tenista sérvio Novak Djokovic, que tentou disputar o Aberto da Austrália sem ter tomado vacina, foi detido neste sábado (15) depois da Justiça australiana ter revogado seu visto. O jogador pode ser deportado, mas ainda não existe uma indefinição sobre o assunto. 

Esse é só mais um capítulo da novela do tenista. Desde que chegou à Austrália, Novak, que rejeita tomar as vacinas que comprovadamente diminuem o risco de mortes e de casos graves de Covid-19, tem travado uma guerra com o governo local. 

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Primeiro ele foi detido assim que pousou para iniciar sua preparação para o Aberto de Tênis da Austrália. Seguidamente, obteve por meio de liminar uma autorização para entrar no país e, agora, o terceiro e quarto ato foram a revogação deste visto feito pelo Alex Hawke, Ministro da Imigração, e a detenção dele neste sábado no hotel em que está hospedado. Uma possível deportação dele vai ser discutida neste domingo (16).

As autoridades australianas confirmaram nesta sexta-feira que Novak Djokovic será detido após ter o visto cancelado pela segunda vez desde que chegou ao país e que o caso retornará à Justiça. A expectativa é de que o tenista retorne na manhã deste sábado ao centro de retenção onde estava hospedado antes de sua liberação. Desta forma, o número 1 do mundo pode ficar fora da disputa do Aberto da Austrália, que começa na segunda-feira.

O Tribunal do Circuito Federal de Melbourne realizou nesta sexta-feira uma audiência de emergência depois que o ministro da Imigração, Alex Hawke, cancelou o visto do tenista. A justiça australiana ordenou que a deportação do sérvio fosse adiada até que a decisão seja revista nos tribunais.

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Hawke usou poderes discricionários para cancelar novamente o visto de Djokovic. Na última segunda-feira, a Justiça do país anulou a revogação anterior e liberou o tenista da detenção.

"Hoje (sexta) eu exerci meu poder sob a seção 133C(3) da Lei de Migração para cancelar o visto detido por Novak Djokovic por motivos de saúde e boa ordem, com base no interesse público", disse Hawke em um comunicado oficial.

Antony Kelly, juiz do estado australiano de Victoria encarregado de examinar o recurso de Djokovic contra o cancelamento de seu visto, declarou-se incompetente nesta sexta-feira e encaminhou o caso à justiça federal australiana. O magistrado tomou essa decisão apesar das objeções dos advogados do atleta, que temem que a resolução do caso atrase, faltando três dias para o início do Aberto da Austrália.

Cético em relação a vacinas, Djokovic desembarcou na Austrália na última semana com uma isenção médica especial com a qual não era necessária a comprovação da imunização contra a covid-19, requisito obrigatório para entrar no país. Ele foi barrado no aeroporto após as autoridades não considerarem o documento válido e foi retido em um hotel de imigração.

Alegando que as autoridades agiram de maneira desproporcional em sua entrevista, um processo que durou cerca de sete horas no meio da noite, fazendo com que o tenista ficasse por horas no aeroporto, um tribunal australiano permitiu sua liberação. Desde então, o sérvio vem treinando visando participar do Aberto da Austrália.

Após o tenista Novak Djokovic ter tido seu visto de entrada cancelado pela segunda vez pelo governo da Austrália, um juiz do país decidiu nesta sexta-feira (14) suspender a expulsão do sérvio.

Pouco tempo depois do ministro da Imigração da Austrália, Alex Hawke, ter anunciado o cancelamento, Djokovic teria pedido à justiça local que bloqueasse sua expulsão do país. O tenista quer disputar o primeiro Grand Slam da temporada de 2022 e até foi incluído no sorteio oficial da competição.

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Anthony Kelly, juiz que aceitou um recurso de Djokovic para bloquear sua expulsão da Austrália, agendou uma audiência de emergência após a decisão do governo da nação.

De acordo com o ministro da Imigração da Austrália, a decisão foi tomada por "motivos de saúde e ordem". Ele ainda revelou que "considerou cuidadosamente" as informações recebidas pelo Departamento de Assuntos Internos, pelas autoridades de fronteira do país e pelo tenista sérvio.

Scott Morrison, primeiro-ministro da Austrália, divulgou um comunicado dizendo que a medida do governo foi de "interesse público". Além disso, o político pediu para que os "sacrifícios" da população durante a pandemia de Covid-19 "sejam protegidos".

O cancelamento do visto pode barrar a entrada de Djokovic no país pelos próximos três anos e o impedir de disputar o Aberto da Austrália. No entanto, o caso pode tomar um rumo diferente com a medida confirmada pela justiça.

Djokovic, que nunca escondeu sua postura "antivax", teve seu visto cancelado pela primeira vez por não apresentar justificativa médica válida para não comprovar a vacinação contra a Covid-19.

O tenista chegou em Melbourne no última dia 5, em busca do seu 10º título no Aberto da Austrália e de seu 21º troféu de Grand Slam, o que o isolaria como maior vencedor da história, à frente de Roger Federer e Rafael Nadal.

Da Ansa

O tenista Novak Djokovic foi incluído no sorteio oficial das chaves de simples do Aberto da Austrália nesta quinta-feira (13), embora permaneça a incerteza sobre se o governo australiano cancelará o visto do cabeça de chave número 1 do torneio pela segunda vez. O sérvio vai enfrentar o compatriota Miomir Kecmanovic na primeira rodada.

O ministro de Imigração, Cidadania, Serviços a Imigrantes e Relações Multiculturais, Alex Hawke, está ponderando exercer o seu poder discricionário para revogar o visto de Djokovic por causa da preocupação com a isenção médica do astro dos requisitos de vacinação contra a Covid-19 da Austrália.

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O atual campeão do Grand Slam, de 34 anos, que fez mais um treino na Rod Laver Arena nesta quinta-feira, deve entrar em quadra para o jogo de estreia na segunda ou terça. A Tennis Australia, organizadora do primeiro Major da temporada, adiou o sorteio oficial por mais de uma hora, sem dizer o motivo.

A polêmica assumiu uma importância que vai além do tênis: intensificou um debate global sobre os direitos dos não vacinados e se tornou uma questão política complicada para o primeiro-ministro Scott Morrison em sua campanha pela reeleição. A Austrália deve realizar uma eleição em maio e, embora o seu governo tenha conquistado apoio em casa por sua postura dura em relação à segurança das fronteiras antes e durante a pandemia, não escapou das críticas sobre o manuseio incorreto do visto de Djokovic. Ele se recusou nesta quinta a comentar sobre o visto do tenista.

Djokovic, um cético em relação a vacinas, alimentou a raiva generalizada na Austrália na semana passada, quando anunciou que estava indo a Melbourne para o Aberto da Austrália com uma isenção médica dos requisitos para os visitantes serem vacinados contra a Covid-19. Em sua chegada, oficiais da Força de Fronteira Australiana decidiram que sua isenção era inválida e ele foi mantido ao lado de requerentes de asilo em um hotel de detenção de imigração por vários dias.

Um tribunal, na última segunda-feira, permitiu que ele ficasse alegando que as autoridades agiram de maneira desproporcional em sua entrevista em um processo de sete horas no meio da noite. O governo agora deve decidir se deixa Djokovic permanecer na Austrália e lutar pelo recorde de 21 títulos de Grand Slam - está empatado com o suíço Roger Federer e com o espanhol Rafael Nadal.

OUTROS JOGOS - Djokovic também conheceu seus dois maiores obstáculos rumo a mais uma final no primeiro Grand Slam da temporada, onde buscará o 10.º título. Eles atendem pelo nome de Nadal e Alexander Zverev, que caíram no mesmo lado da chave do sérvio e podem enfrentá-lo em uma eventual semi. O alemão e o espanhol, contudo, se cruzam antes e podem se encarar nas quartas de final.

O caminho do líder do ranking para a semifinal não deve ser dos mais complicados, encarando provavelmente o americano Tommy Paul na segunda rodada e o italiano Lorenzo Sonego na terceira. Nas oitavas, os principais desafios são o francês Gael Monfils e o chileno Cristian Garin. Já nas quartas, o maior perigo deve ser o italiano Matteo Berrettini.

Assim como Djokovic, Zverev também abre campanha em duelo alemão contra Daniel Altmaier. Na segunda rodada, o espanhol Feliciano Lopez ou o local John Millman cruzam com o cabeça de chave 3, que só deve ter trabalho a partir das oitavas contra o canadense Denis Shapovalov, ou o americano Reilly Opelka, que terá uma estreia duríssima contra o sul-africano Kevin Anderson.

Nadal pode ter um pouco mais de trabalho, não na estreia contra o americano Marcos Giron, mas já a partir da terceira rodada, quando deve cruzar com o russo Karen Khachanov. Nas oitavas de final, outro tenista da Rússia pode pintar pelo caminho, o 18.º favorito Aslan Karatsev, que fez boa campanha no torneio no ano passado. Um perigo ainda maior nesta fase é o polonês Hubert Hurkacz.

Entre os quatro principais favoritos ao título, o russo Daniil Medvedev é o que pode ter o começo mais complicado. Não muito pela estreia contra o suíço Henri Laaksonen, mas pela grande possibilidade de enfrentar já na segunda rodada o australiano Nick Kyrgios, que costuma jogar muito bem em casa.

Kyrgios abre campanha contra um quali e tem tudo para desafiar Medvedev na fase seguinte. Embora seja o atual número 2 do mundo, o russo ainda não sabe o que é vencer o australiano, que ocupa no momento o modesto 114.º lugar no ranking, mas que venceu os dois embates anteriores entre eles, ambos em 2019 - um no saibro de Roma e outro no piso duro de Washington.

Passando por este possível bom teste na segunda rodada, o vice-líder do ranking tem tudo para deslanchar e não ter grandes dificuldades antes das quartas, quando caras como o canadense Felix Auger-Aliassime, o croata Marin Cilic, campeão do US Open em 2015, e o compatriota Andrey Rublev podem cruzar com Medvedev.

Ainda sem saber se terá Novak Djokovic em quadra, a organização do Aberto da Austrália já sabe que terá que cortar 50% do seu público para a edição deste ano. A nova onda de Covid-19 no país fez as autoridades estaduais reduzirem a capacidade de público do primeiro Grand Slam do ano, que começa na segunda-feira.

De acordo com a organização do torneio, nenhum ingresso já comprado será cancelado ou devolvido. Mas o torneio vai interromper as vendas quando alcançar os 50% previstos de público para este ano. Não haverá outras mudanças no acesso da torcida ao Melbourne Park, local da competição.

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No entanto, o governo estadual cobrou medidas mais cautelosas dos torcedores dentro do complexo do torneio. O uso de máscara será cobrado para todos, a não ser em momentos de alimentação. E haverá ainda controle de densidade de pessoas dentro de espaços fechados, sendo permitidas apenas uma pessoa por metro quadrado.

"Estas atualizações na organização do Aberto da Austrália vão permitir a todos os fãs, tenistas e funcionários que aguardem por um evento incrível do ponto de vista da segurança quanto à covid-19", disse Jaala Pulford, ministra do esporte do Estado de Victoria, onde está localizada a cidade de Melbourne.

As medidas restritivas se devem ao aumento de casos de covid-19 na Austrália nas últimas semanas. O número de novos infectados e mortos vem batendo o recorde nos últimos dias. Nesta quinta, já pelo horário local, Victoria já registrou 37.169 novos casos e 25 mortes.

Enquanto se adapta às novas restrições, a organização do Aberto da Austrália aguarda pela definição do Ministério da Imigração sobre o futuro de Djokovic. O número 1 do mundo terá sua participação no torneio definida nesta quinta e corre o risco de ser deportado. Neste caso, seus advogados devem recorrer, o que ampliaria a "novela" sobre sua participação no primeiro Grand Slam da temporada.

A primeira-ministra da Sérvia, Ana Brnabic, afirmou nesta quarta-feira que Novak Djokovic, atual número 1 do mundo, será investigado pelo governo sérvio por violar as regras de isolamento após testar positivo para a covid-19 em dezembro do ano passado. O tenista testou positivo em 16 de dezembro e no dia seguinte apareceu sem máscara no lançamento de um selo com sua imagem em um evento em Belgrado.

"Ninguém pode violar as regras de isolamento, pois coloca em risco a saúde de outras pessoas. Isso constitui uma 'violação grave'", disse Brnabic, em uma entrevista ao canal de TV britânico BBC. "As leis se aplicam igualmente a todos", completou a política.

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Djokovic, envolvido em uma polêmica por assumir posições antivacinação contra a covid-19 e à espera de uma autorização definitiva para participar do Aberto da Austrália, em Melbourne, a partir da próxima segunda-feira, já admitiu ter dado uma entrevista presencial, ignorando o período obrigatório de 14 dias de quarentena, em dezembro, em Belgrado, por se tratar de um compromisso assumido há muito tempo.

"Se uma pessoa está positiva, tem de se isolar. Não sei quando (Djokovic) recebeu os resultados (do teste PCR) e quando os viu. Trata-se de uma questão a qual só Novak pode responder", disse Brnabic, frisando estar contra a decisão do tenista de não se vacinar.

"Existem alguns padrões que precisam ser cumpridos. Neste caso, me parece que, se ele estava ciente disso, é uma clara violação das regras. E quais são as sanções, é isso que as instituições relevantes terão que investigar", completou a primeira-ministra sérvia.

Djokovic, após uma primeira decisão judicial favorável para sua liberação do centro de confinamento em Melbourne, já está treinando, mas pode enfrentar nova decisão de cancelamento do visto e eventual deportação por parte de Alex Hawke, ministro australiano para a Imigração, Cidadania, Serviços de Fronteiras e Assuntos Multiculturais.

Em sua declaração mais longa desde que desembarcou na Austrália, o sérvio Novak Djokovic afirmou nesta quarta-feira (12), pelo horário local, que esteve em evento com crianças quando ainda não sabia do seu teste positivo para Covid-19, em dezembro, e disse que um membro de sua equipe cometeu "erro humano" ao preencher formulário de imigração para entrada no país-sede do primeiro Grand Slam da temporada.

"Quero abordar a desinformação contínua sobre minhas atividades e participação em eventos em dezembro, antes do resultado positivo do meu teste PCR para covid", declarou o tenista, no início do seu comunicado. "Esta desinformação precisa ser corrigida, particularmente no interesse de aliviar a preocupação mais ampla da comunidade sobre minha presença na Austrália e abordar assuntos que são muito dolorosos e preocupantes para minha família."

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Djokovic confirmou que fez o exame motivado pelos casos de Covid-19 detectados após um jogo de basquete na Sérvia, no qual acompanhou das arquibancadas. Sem sintomas, ele disse ter efeito um teste de antígeno um dia depois, em 16 de dezembro, e o resultado foi negativo. No mesmo dia, fez um PCR. Mas o resultado teria saído somente depois de ele ter comparecido a um evento com crianças, em que aparece nas fotos sem máscara. Djokovic disse ter feito outro teste de antígeno, com resultado negativo mais uma vez, antes do evento.

No mesmo comunicado, ele admitiu que já sabia do teste positivo quando compareceu a uma entrevista, seguida de sessões de fotos, do jornal francês L'Equipe, em Belgrado, no dia 18 do mesmo mês. "Eu tinha cancelado todos os outros eventos, com exceção desta entrevista", disse o sérvio, que se mostrou arrependido pelo risco que causou aos jornalistas e fotógrafos do periódico francês.

"Quando voltei para casa, para ficar em isolamento, refleti sobre a situação. Percebi que cometi um erro de julgamento e deveria ter adiado este compromisso", escreveu o sérvio, nas redes sociais. "Mas mantive o distanciamento social (durante a entrevista) e só não usei a máscara quando estava sendo fotografado."

Djokovic também comentou sobre a polêmica envolvendo o formulário da imigração. No documento, ele marcou item afirmando que não havia viajado nas últimas duas semanas antes de desembarcar em Melbourne. O formulário traz na mesma página um alerta sobre possíveis erros no preenchimento, o que poderia configurar crime e acarretar até prisão.

Nos últimos dias, surgiram fotos mostrando que o sérvio esteve na Espanha e na Sérvia, seu país, antes de embarcar para a Austrália. A falha no formulário pode se tornar argumento do governo australiano para uma eventual deportação do sérvio. O tenista ainda corre o risco de ser excluído do país antes do início do Aberto da Austrália, marcado para começar na segunda-feira, dia 17.

"Quanto à minha declaração de viagem, isso foi resolvido pela minha equipe, em meu nome, como eu expliquei às autoridades da imigração em minha chegada. E o meu agente pede desculpas sinceras pelo erro administrativo ao escolher a opção incorreta no formulário sobre minhas viagens anteriores antes da chegada na Austrália. Foi um erro humano e certamente não foi deliberado", declarou Djokovic. "Minha equipe forneceu mais informações ao governo australiano para esclarecer esse assunto."

Pouco antes do comunicado, as autoridades australianas confirmaram que os advogados do sérvio apresentaram mais informações sobre sua documentação ao Ministério da Imigração, órgão do governo que tem o poder de deportar o tenista a qualquer momento.

Por fim, o número 1 do mundo disse que não pretende mais se manifestar sobre o assunto "em respeito ao governo da Austrália, às suas autoridades e ao processo que está correndo". Ele também afirmou que é uma "honra e privilégio" disputar o Aberto da Austrália, fazendo elogios aos demais jogadores e torcedores.

O tenista Novak Djokovic começou a se preparar nesta terça-feira (11) para sua campanha pelo possível 21º título de Grand Slam no Aberto da Austrália, que começa na semana que vem, treinando em Melbourne Park, mas o atleta ainda enfrenta a ameaça de deportação do país.

Uma semana após sua chegada à Austrália, Djokovic finalmente foi à quadra de tênis, após um juiz, na segunda-feira (10), frustrar a decisão do governo federal de cancelar seu visto.

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Porém, o número um do mundo ainda pode ser novamente detido pelo governo federal e deportado. O gabinete do ministro da Imigração, Alex Hawke, afirmou que ele ainda avalia utilizar seu poder discricionário para cancelar o visto de Djokovic.

“Alinhado com o devido processo legal, o ministro Hawke irá considerar cuidadosamente o assunto”, disse um porta-voz, que se recusou a comentar o assunto de forma mais abrangente por conta de motivos legais.

A Austrália tem uma política de barrar a entrada de não cidadãos ou não residentes no país a não ser que eles estejam completamente vacinados contra a Covid-19. O país permite dispensas médicas, mas o governo argumenta que Djokovic, que não foi vacinado, não ofereceu justificativas adequadas para conseguir a dispensa da vacinação.

O tribunal decidiu que Djokovic foi tratado de maneira injusta pelas autoridades alfandegárias em sua chegada e ordenou que o cancelamento de seu visto fosse revertido. A decisão, no entanto, não abordou se a dispensa (fundamentada no fato de que Djokovic contraiu covid-19 no mês passado) é válida ou não.

A disputa de Djokovic atraiu os holofotes internacionais, criando um atrito entre os governos de Canberra e Belgrado e abastecendo um acalorado debate sobre as políticas de obrigatoriedade da vacinação contra covid-19.

A opinião pública na Austrália, que enfrenta uma onda de infecções pela variante Ômicron do coronavírus e onde mais de 90% da população adulta já recebeu as duas doses do imunizante, tem sido amplamente contra o jogador. A cidade de Melbourne passou pelo período acumulado mais longo de lockdown no mundo, e o estado de Victoria tem o maior número de mortes pela covid-19 no país.

O gabinete do primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, afirmou que ele conversou com a primeira-ministra sérvia Ana Brnabic na segunda-feira e explicou a política de fronteira não-discriminatória da Austrália. Reportagens veiculadas na imprensa sérvia disseram que Brnabic enfatizou a importância de Djokovic conseguir se preparar para o torneio.

Djokovic, que expressou sua gratidão ao juiz e sua determinação em competir no primeiro Grand Slam do ano em uma publicação no Twitter na segunda-feira, não abordou a situação publicamente nesta terça-feira.

Novak Djokovic não quer nem pensar em abrir mão do primeiro Grand Slam do ano. Horas após ser liberado por um juiz e ter sua entrada na Austrália permitida, o tenista sérvio já foi para a quadra treinar e revelar que pretende buscar seu 10° título no Aberto da Austrália.

A competição está agendada para começar no dia 17 de janeiro, em Melbourne, mas a presença do número 1 do mundo ainda é incerta pela possibilidade de o governo australiano deportá-lo. Ele, porém, já se imagina na competição.

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"Estou satisfeito e grato que o juiz anulou o cancelamento do meu visto. Apesar de tudo o que aconteceu, quero ficar e tentar competir o Australian Open", postou o tenista sérvio, que ficou retido em um quarto desde quinta-feira no país.

"Eu continuo focado nisso. Eu voei aqui para jogar em um dos eventos mais importantes que temos diante de fãs incríveis", completou o maior vencedor da competição. A meta do sérvio é se tornar o maior ganhador de Grand Slams do planeta. Atualmente ele está empatado com Rafael Nadal e Roger Federer, todos com 20 conquistas.

Djokovic entrou na Austrália sem estar vacinado contra covid-19 e com um passaporte com isenção médica - acabou isolado no aeroporto. À Justiça, alegou ter testado positivo para a doença em 16 de dezembro, o que impossibilitou sua imunização. Nesta segunda-feira, após longa audiência, o juiz Anthony Kelly ordenou que ele fosse liberado.

O sérvio correu logo para a quadra para mostrar ao mundo que pretende, muito, jogar no Aberto da Austrália. Mas ele tem um adversário a mais. O ministro de Imigração, Cidadania, Serviços a Imigrantes e Relações Multiculturais, Alex Hawke, estuda usar seus poderes para cancelar o visto e deportar o sérvio, atitude que o impediria de adentrar no país por três anos.

A apelação de Novak Djokovic à Justiça australiana após ter sido barrado na sua chegada em Melbourne deu certo. Em audiência realizada nesta segunda-feira (10), o sérvio ganhou, através de decisão do juiz federal Anthony Kelly, o direito de entrar no país e disputar o Aberto da Austrália. Ele considerou a decisão de barrar o tenista "irracional".

O juiz ordenou que Djokovic fosse libertado em 30 minutos e que seu passaporte e outros documentos pessoais fossem devolvidos a ele, reacendendo a oferta do número um do mundo para ganhar o 21º título de Grand Slam recorde no próximo Aberto da Austrália.

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O advogado do governo australiano, Christopher Tran, no entanto afirmou que, mesmo com a decisão, o ministro de Imigração, Cidadania, Serviços a Imigrantes e Relações Multiculturais, Alex Hawke, pode usar seus poderes especiais para cancelar o visto e deportar Djokovic. Caso isso aconteça, o sérvio pode ficar sem poder entrar no país por três anos.

JUSTIÇA - O governo australiano ainda tentou protelar o julgamento, pedindo à Justiça o adiamento da audiência para quarta-feira, mas o juiz Anthony Kelly negou. A tentativa ocorreu no sábado, após os advogados do tenista apresentarem documentos - um teste PCR realizado no Instituto de Saúde Pública da Sérvia - que provariam que ele testou positivo para covid-19 no dia 16 de dezembro, situação que, segundo a defesa, daria permissão para entrar na Austrália sem estar vacinado.

O problema é que, se o adiamento fosse concedido, Djokovic perderia o prazo para confirmar sua presença no Aberto da Austrália - começa dia 17 e vai até o dia 30. Kelly considerou que tal situação poderia causar dano irreversível ao tenista sérvio.

Djokovic estava retido na Austrália desde a manhã de quinta-feira. Ele chegou ao país na noite da véspera, mas acabou barrado no aeroporto ao apresentar um atestado de isenção de vacina, que não foi reconhecido como válido pelas autoridades.

De acordo com documentos apresentados ao Tribunal Federal, Djokovic foi questionado por 20 minutos sobre as provas para sua isenção da vacina. Depois de 4 horas, os agentes consideraram que ele não tinha provas suficientes. O tenista pediu para descansar antes de acionar seus advogados. Mas às 7h42 de quinta-feira foi acordado e comunicado do cancelamento do visto.

Depois de ficar cerca de oito horas no aeroporto e ter seu visto cancelado, ele foi colocado em um hotel especial da imigração australiana, reservado a refugiados, onde esperou a audiência. Os defensores do tenista e a primeira-ministra da Sérvia, Ana Brnabic, chegaram a pedir à Justiça australiana que ele pudesse ficar no imóvel que alugou para o período do Aberto da Austrália.

A solicitação foi negada. Brnabic ao menos assegurou que Djokovic recebesse alimentação sem glúten e alguns aparelhos para que pudesse se exercitar no hotel.

CATIVEIRO - A negativa a Djokovic em deixar o Hotel Park, porém, fez aumentar a irritação do pai do atleta. "Eles crucificaram Jesus e agora estão tentando crucificar Novak da mesma forma, forçando ele a ficar de joelhos. Eles levaram todas as suas coisas e sua carteira. Ele é um prisioneiro", bradou Srdjan Djokovic, conhecido por suas declarações polêmicas.

O governo sérvio também protestou e o caso acabou ganhando forte conotação política. O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, disse na quinta-feira que Djokovic estava sendo vítima de "uma perseguição política, da qual participam todos, incluindo o primeiro-ministro da Austrália (Scott Morrison), fingindo que as regras são válidas para todos."

Ao mesmo tempo, em manifestações em Belgrado e na porta do hotel em Melbourne onde o tenista está retido, seus fãs criticavam o autoritarismo australiano pediam para que o cancelamento do visto fosse anulado e que a permissão especial para que ele entrasse no país para disputar o Aberto da Austrália - concedida pelo do governo estadual de Victoria atendendo à organização do torneio - fosse revalidada.

Mas o governo do país manteve sua posição. "O visto do Sr. Djokovic foi cancelado. Não há casos especiais, regras são regras, principalmente quando se trata das nossas fronteiras. Ninguém está acima destas regras. Nossa rígida política de fronteira foi essencial para a Austrália apresentar um dos menores índices de morte por covid-19 no mundo", rebateu Morrison, criticado pelos australianos pela maneira como o governo estava conduzindo o caso.

Ainda assim, a pressão dos fãs australianos do tenista prosseguiu. Ontem, nova manifestação ocorreu na porta do hotel. Novak Djokovic agradeceu o apoio.

Familiares de Novak Djokovic participaram de um protesto neste domingo (9) contra a retenção do tenista, em Melbourne, na Austrália. A manifestação aconteceu em Belgrado, capital da Sérvia, país-natal do número 1 do mundo. O atleta aguarda a audiência judicial, nesta segunda-feira (10), que definirá se ele vai poder participar do Aberto da Austrália após ser barrado no aeroporto por não comprovar a vacinação contra a Covid-19.

"Hoje é um grande dia. Hoje, o mundo inteiro ouvirá a verdade", disse Dijana Djokovic, mãe do sérvio, à multidão no centro de Belgrado. "Esperamos que Novak se mostre um homem livre. Enviamos muito amor a Novak. Acreditamos nele, mas também no judiciário independente em Melbourne", disse.

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A mãe de Djokovic afirmou, ainda, que as condições nas quais o tenista se encontra não são "humanas". Ele está em um hotel especial, reservado para refugiados, e permanecerá no local até a resolução do caso na Corte australiana. "Ele nem toma café da manhã", disse Dijana. "Ele tem uma parede para olhar e não consegue nem ver um parque em frente ou sair da sala."

"Isso está acontecendo porque somos apenas uma pequena parte do mundo, mas somos pessoas orgulhosas", disse Srdjan Djokovic, pai do atleta. "Eles não podem nos quebrar. Novak é a personificação da liberdade, tudo o que um homem contém em si mesmo. Que vergonha!"

Djokovic chegou ao país na última quarta-feira, mas acabou barrado ao apresentar um atestado de isenção de vacina, que não foi reconhecido como válido pelas autoridades. Ele chegou a receber um atestado do governo estadual de Victoria e da organização do Aberto da Austrália, após fornecer informações de exames feitos com painéis médicos independentes. Assim, conseguiu a aprovação do visto, mais tarde revogada pelas autoridades federais.

O Governo australiano aceita receber pessoas não vacinadas quando comprovada a isenção médica. As exceções incluem pessoas que não tomaram o imunizante para não piorar um quadro clínico grave causado por outra doença ou aquelas que apresentaram reação grave na primeira dose. Já o argumento da contaminação recente tem gerado debate e será avaliado pela Justiça.

Caso não consiga reverter o cancelamento do visto, pode ficar proibido de entrar no país por até três anos.

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