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Uma doença misteriosa que causa paralisia, necrose de membros e coceira intensa deixou 29 detentos da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista, internados no Hospital Geral de Roraima, o maior do Estado. Destes, 15 tratam a enfermidade causada por uma suposta bactéria; os outros foram diagnosticados com outras doenças contagiosas - que teriam sido intensificadas pela falta de limpeza e pela superlotação da unidade prisional.

A bactéria desconhecida tem deformado partes do corpo dos detentos, "comido" a pele e deixado membros em estado de decomposição. Os presos afetados também apresentam paralisia nas pernas.

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Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de Roraima (OAB/RR), Hélio Abozago, alguns detentos já não conseguem mais andar ou dobrar a perna por causa do inchaço e das feridas causadas pela doença.

Um dos profissionais que atua no hospital e pediu para não ser identificado, com receio de represália, disse que a doença dos presos não é desconhecida do setor. "O nome correto é fasceíte necrosante. É uma bactéria comedora de carne humana, altamente contagiosa e de difícil cura", afirmou. "Pior de tudo: vai contaminar as pessoas que estão no hospital, pois estes presos estão no corredor, junto com todos os outros doentes. Não existe isolamento, muito menos escolta policial, e o odor é insuportável. Um perigo para todos", disse.

A Secretaria de Estado da Saúde de Roraima (Sesau/RR) informou, em nota, que as análises laboratoriais feitas pela Coordenação Geral de Vigilância em Saúde descartaram a hipótese de bactéria não identificada.

"Os casos relatados pela direção clínica do HGR (Hospital Geral de Roraima) se tratam puramente de piodermite, do tipo impetigo, que é uma infecção de pele oportunista, que ocorre quando já existe uma lesão de pele tipo escabiose", afirmou a pasta. "Os presos teriam passado por atendimento de infectologista e dermatologista, e estão recebendo tratamento com antibióticos e reposição de vitaminas. Exames diários e tratamento continuado estão sendo feitos."

À reportagem, a estudante Suellen Araújo contou a história do irmão Diego, de 20 anos, que foi preso acusado de tráfico de drogas. Após quatro meses no presídio, localizado na zona rural de Boa Vista, os sintomas da doença começaram a aparecer.

"Ele está há sete dias em tratamento, mas ainda não sabemos o que tem. O corpo está todo cheio de feridas e não consegue ficar em pé. Algumas partes do corpo estão escuras, necrosadas e, assim como ele, outros detentos estão aqui no corredor do hospital na mesma situação", denunciou. "Queremos apenas que ele seja tratado decentemente. Lá, não tem condição. Estava usando o mesmo uniforme desde o dia em que foi preso quatro meses atrás, sem nunca ter sido lavado."

Interdição

A família tenta, com o auxílio da Defensoria Pública, que Diego obtenha direito à prisão domiciliar por causa da doença. O Ministério Público de Roraima pediu a interdição parcial do presídio, que está com apenas uma ala em funcionamento e tem capacidade para 480 detentos, apesar de abrigar 2.074 presos.

A reforma da unidade prisional está paralisada desde o ano passado. Celas com dimensões de seis metros quadrados abrigam, em média, 17 presos, que se amontoam no espaço. O local não tem ventilação nem limpeza, segundo relatório da Defensoria Pública de Roraima e da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RR, ao qual a reportagem teve acesso.

Na manhã desta terça-feira, 21, representantes do MP, da Defensoria Pública e das Secretarias Estaduais de Justiça e de Saúde estiveram reunidas na Vara de Execuções Penais, do Tribunal de Justiça de Roraima, para tratar sobre o surto no sistema prisional.

Ficou acordado com o Judiciário a realização de um mutirão de saúde no presídio, que atenderá aos casos específicos, com consultas pela manhã e à tarde. No entanto, serão as famílias dos presos que vão ter de levar kit de higiene pessoal, além de uniformes nos padrões especificados pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc): camisa de algodão, calça e bermuda em tactel, todos na cor vermelha, além de medicamentos para os presos infectados. A relação do material foi disponibilizado aos familiares dos internos.

O governo informou que ainda aguarda o fim da licitação para adquirir os materiais e que essa é melhor forma de atender aos presos de maneira urgente. No encontro, também ficou definido que deverá ser providenciada uma ala específica no hospital para atendimento dos detentos, para que a bactéria não infecte outros pacientes e que também será melhorado os quadros de escolta e fiscalização.

Ficou estabelecido, ainda, que nesta semana será realizado um trabalho de dedetização em toda a penitenciária e de limpeza das celas. Os presos em estado mais grave serão encaminhados à perícia médica.

O defensor público Frederico Leão está confiante com os acordos firmados com Estado para restabelecer a assistência à saúde dentro da unidade. "A situação, se não contida, pode se agravar para um problema de saúde pública", alertou.

A juíza Joana Sarmento destacou que a vistoria realizada serviu para deixar claro que o problema precisa ser controlado o quanto antes para que não haja propagação das infecções de pele. "Enquanto não forem realizadas melhorias nas instalações e a superlotação não for amenizada, só será possível realizar o controle para que o problema não se agrave", pontuou a magistrada.

Superlotação

Os relatórios feitos pela Defensoria Pública e pela Comissão de Direitos Humanos da OAB apontam que as celas exalam forte mau cheiro e estão com capacidade extrapolada, além de sistema de ventilação precário. Os defensores e advogados ressaltam também a falta de material de limpeza e o fato de que a maioria dos presos apresenta outras doenças, como hipertensão, tuberculose, hepatite - alguns estão infectados pelo vírus HIV.

O Sindicato dos Agentes Penitenciários também produziu um relatório em que aponta que a existência "dentro do presídio um grande surto de tuberculose; surto de sarna" e de vários apenados com furúnculo, "além de uma quantidade grande de idosos que morrerão sufocados pela superlotação".

O número de ciclistas mortos no trânsito da cidade de São Paulo subiu 63,6% em 2019, segundo dados do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito de São Paulo (Infosiga). Para especialistas, a alta pode estar ligada a comportamento de risco de usuários de bicicleta e também ao aumento de serviços de entrega por bike.

O Infosiga, plataforma virtual do governo do Estado de São Paulo, aponta que 36 ciclistas morreram na capital paulista no ano passado. Em 2018, foram 22. O aumento expressivo contrasta com o quadro geral da cidade, que registrou ligeiro recuo de 1,5% nas mortes no trânsito. Ao todo, foram 874 óbitos - ou uma ocorrência a cada dez horas -, ante 888 vítimas no ano anterior.

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Especialistas de trânsito afirmam que o aumento do uso de bicicletas e o comportamento de parte dos ciclistas podem ajudar a explicar a alta. "Uma hipótese é que eles estejam se colocando mais em risco, talvez em função de aplicativos", diz o engenheiro de tráfego e consultor Horácio Augusto Figueira. "Para ter certeza, é preciso ter acesso a dados mais qualificados."

Para Figueira, a cidade deveria oferecer mais ações educativas voltadas para o grupo, além de fiscalização. "Não há carta de habilitação para bicicleta, então muitos não têm noção de risco e não respeitam as regras de trânsito", afirma. "Tem de espalhar uma série de placas educativas, uma em cada esquina."

Diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, José Aurélio Ramalho também diz ser necessário investir em educação de trânsito. "Há muita ciclovia e ciclofaixa na cidade, ou seja, foi oferecida infraestrutura", diz. "Mas em nenhum momento alguém chegou e falou: 'Tem de respeitar a lei de trânsito'."

"O cidadão não sabe as regras. Muitas vezes, tem medo de andar na rua e vai pedalar em cima da calçada ou na contramão. Isso é mais perigoso para ele e para os demais", acrescenta ele. Na visão de Ramalho, falta desenvolver "percepção de risco" no trânsito de São Paulo - e não só para bicicletas. "Enquanto ele não perceber que corre perigo, não vai mudar."

Modais

Entre as categorias de vítimas, houve queda de 13,8% no índice de óbitos de motociclistas. Foram registradas 311 ocorrências em 2019, ante 361 no ano anterior.

Já os dados relacionados a pedestres, o principal grupo de vítimas, e pessoas em automóveis praticamente ficaram estáveis. No primeiro, houve 1,8% de registros a mais em São Paulo (de 374 para 381). No outro, o comportamento se inverteu: 1,8% a menos (de 108 para 106).

Por sua vez, os óbitos em caminhão subiram de 2 para 15. "Não há nada a comemorar nos índices da cidade", diz Ramalho. "São Paulo precisa de uma política pública clara, não de governo ou de partido, que indique qual vai ser a redução em determinado período e o que vai ser feito para isso."

Mudanças

Questionada sobre os números do trânsito, a Prefeitura destacou o lançamento, em dezembro, do novo Plano Cicloviário da cidade, que prevê a criação de 173 quilômetros de ciclovia e 310 quilômetros de reformas e melhorias na malha já existente.

A gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) disse que os dados do Infosiga contribuem para a análise dos registros de acidentes na capital. Os dados levam a medidas para redução de ocorrências graves e mortes no trânsito, completou a administração municipal.

"A mudança de comportamento e o respeito às leis de trânsito salvam vidas e reduzem acidentes. Por isso, no fim de novembro, a Prefeitura lançou o Movimento pela Vida Segura no Trânsito - Hoje Não! Trata-se de uma extensa campanha sobre segurança viária", informou, em nota.

A Rappi disse que a segurança dos entregadores parceiros é "primordial" para a empresa. "A Rappi orienta que seus parceiros observem as regras de trânsito e usem materiais de proteção pessoal, além de enviar constantemente dicas de segurança a eles", disse, em nota. A empresa afirmou ter desenvolvido o botão de emergência que pode ser acionado em caso de acidentes, por exemplo.

O iFood afirmou que é preciso evitar conclusões precipitadas sobre a relação de acidentes com a atividade de entregadores. Disse ainda desenvolver ações sobre a importância dos equipamentos de segurança e o respeito às leis de trânsito. O Uber Eats não comentou.

Desrespeito

A calçada do McDonald's da Avenida Ipiranga, no centro de São Paulo, fica frequentemente cheia de bicicletas de entregadores que aguardam pedidos vindos da região ao longo do dia. É uma base informal para eles, que reclamam da falta de apoio.

Nas ruas, nenhum respeito vem dos motoristas ou motociclistas, que não mantêm uma distância mínima de segurança e colocam a vida de todos em risco, segundo relatam. Nas calçadas, onde passam a andar como alternativa, tampouco são bem recebidos pelos pedestres. E, em acidentes, afirmam não receber apoio das empresas de aplicativo.

O grupo de Ítalo Thiago Costa, de 26 anos, esperava na tarde desta terça-feira, 21, o início do horário de pico, quando os pedidos chegam com mais frequência. A insegurança ao andar pelas ruas, diz, é comum. Ao subir a Rua Augusta recentemente, ele se envolveu em uma briga com um taxista que parou abruptamente na sua frente e abriu a porta. "E ele falou que eu estava errado em andar na rua. Não tem ciclovia lá. O que vou fazer?"

Os motoristas dividem com os aplicativos o foco das reclamações de Costa. Para ele, as empresas também poderiam fornecer aos entregadores equipamentos de segurança como capacete e luzes de alerta para as bicicletas. "Eles só nos fornecem a bag (mochila usada nas entregas) e um carregador portátil para o celular. Ou seja, nos querem na rua trabalhando o dia todo, mas não estão dispostos a nos oferecer o mínimo de apoio", conta ele.

'Contas a pagar'

O entregador Rafael Tavares Silva, de 27 anos, sentiu na pele na semana passada a falta de apoio e a insegurança no trânsito. Fazendo uma entrega na Rua Japurá, na Bela Vista (região central), sofreu um acidente que deixou ferimentos em seu rosto e no ombro, além de um dente quebrado. Ele diz não se lembrar exatamente das circunstâncias da queda que o levou ao hospital por causa da pancada na cabeça. Apesar do trauma, Silva quer voltar o quanto antes a trabalhar. "Tenho contas para pagar", resume.

A bicicleta que usava para trabalhar era emprestada depois que a dele foi roubada durante uma entrega. Foi o primo, Willian Rodrigues, de 24 anos, quem pegou para ajeitá-la. Rodrigues, que também é entregador de aplicativo, cobra mais educação no trânsito. "Às vezes, nem na ciclovia há respeito", diz Rodrigues. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Uma mulher grávida de sete meses foi assassinada a facadas e, momentos antes de morrer, escreveu o nome do suspeito com o próprio sangue, aponta a Polícia Militar de Anápolis, município do Goiás. O suspeito foi preso manchado de sangue, horas após o homicídio, na noite dessa segunda-feira (20).

As últimas forças da gestante Luciene Maria de Sousa, de 38 anos, foram usadas para escrever o nome do suspeito na mesa de uma lanchonete e ajudar as autoridades na prisão. A PM não confirmou algum tipo de relação entre os dois, contudo, afirma que ambos eram usuários de drogas.

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"No momento em que chegou à lanchonete, ela escreveu o nome desse possível autor com o próprio sangue em uma mesa. Com os dados desse possível autor, [a polícia] localizou uma residência onde ele possivelmente estaria. Em um primeiro momento não tinha ninguém, foi feita uma campana nas proximidades e, em determinado momento, ele se aproximou. Foi feita a abordagem, ele estava sujo de sangue ainda", descreveu o capitão Osvaldo Abrahan ao G1.

O homem seguiu para a delegacia do município, onde ficou à disposição da Justiça. O caso será investigado.

"Vale #Assassinos". A mensagem pichada em preto anuncia a entrada de Brumadinho, pequena cidade de Minas Gerais que, com sua região, está parada desde a trágica ruptura da barragem do grupo de mineração Vale há um ano.

Um grande cartaz foi amarrado entre duas árvores com os retratos de várias pessoas mortas no dia em que a barragem de rejeitos perto da cidade colapsou, em 25 de janeiro de 2019.

Pertencia à Vale, que foi considerada responsável pelo desastre. Um total de 270 mortos, e toda uma região transformada para sempre, apesar das indenizações de quase dois bilhões de reais que a mineradora começou a pagar.

"Brumadinho é pequena, todo mundo perdeu alguém. Fui a 30 ou 40 enterros", conta Natalia de Oliveira, que perdeu a irmã e muitos amigos.

"As pessoas se encontram no supermercado ou na rua e dizem para si mesmas: 'Meu Deus, há tantas pessoas que morreram, tantas crianças que perderam um pai ou uma mãe'".

Além do sofrimento do luto, Brumadinho e, especialmente, sua periferia rural, enfrentam o estigma ambiental do desastre, com a poluição da mineração: casas abandonadas, populações realojadas, pescadores e agricultores proibidos de praticar suas atividades.

Antes que 12 milhões de metros cúbicos de lama cobrisse a zona, o Parque da Cachoeira era um bairro bucólico, com um rio abaixo. Agora, as casas abandonadas têm vista para uma paisagem devastada.

Sob a lama, nada menos que 20 corpos foram encontrados no fundo do jardim da casa de Pedro Rocha. Este segurança de 54 anos veio ao Parque da Cachoeira para dar uma olhada em sua casa, completamente vazia desde que foi realojado com sua família no centro de Brumadinho.

Alguns de seus amigos estão mortos. "Graças a Deus não perdemos nenhum membro da nossa família, mas perdemos todo o resto", conta, enquanto caminha pela casa para verificar sua condição.

"Eles (Vale) nos mudaram para a cidade e pagam nosso aluguel. Mas gostávamos de morar aqui, o rio no fundo do jardim era uma boa fonte de água para a agricultura".

- Região paralisada -

A água do rio Paraopeba, contaminada pelo fluxo de resíduos tóxicos, permitia irrigar as plantações de todos os moradores. Acima de tudo, muitos dependiam do rio para sobreviver, como pescadores e agricultores.

Com a poluição, a fonte de renda secou e toda a região da barragem parece ter parado.

Em seu trator, Adelson Silva de Oliveira atravessa seu terreno, esmagando em seu caminho as ervas daninhas de dois metros de altura que invadiram seus campos junto ao rio. Ele não planta nada há um ano.

"Semeávamos alface, repolho e milho aqui. Mas agora não há nada que possamos fazer com a água do rio e, de qualquer maneira, quem compraria produtos que cresceram com essa água? Ninguém!", diz.

Adelson, como cada um dos 106.000 habitantes que vivem em um raio de um quilômetro ao redor do rio, recebe "ajuda de emergência" da Vale todos os meses: 1.000 reais até o momento, 500 reais a partir do próximo mês.

- "Ninguém mais vem" -

O prejuízo financeiro é significativo para alguns que ganhavam mais trabalhando. Mas o pior foi ter que interromper a atividade, explicam dois pescadores ociosos na margem do Paraopeba.

Seus barcos ficam atracados na margem a maior parte do tempo, uma vez que a pesca ainda é proibida.

"Eu pescava todos os dias, era o nosso ganha-pão", conta Wenis Alves Rodrigues, de 29 anos. "Ainda há muito peixe, mas com essa água poluída, eles nos dizem para não pescar ou comer o peixe daqui".

Ele ainda usa o barco alguns minutos por dia para coletar amostras dessa água marrom, que ele entrega a um laboratório de análises que trabalha para a Vale.

"Antes, todos os pescadores se juntavam aqui para fazer churrasco depois da pesca, agora ninguém vem", disse ele, apontando para a margem deserta.

Aqui, o solo está enegrecido, prova da presença de resíduos de mineração espalhados pela ruptura da barragem e agora misturados com a terra.

Quanto ao grupo Vale, que perdeu um quarto de sua capitalização de mercado após o desastre, já liquidou todas as suas perdas um ano depois.

Mas nesta terça (21), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou por homicídio doloso o ex-presidente da empresa, Fabio Scvartsman, e outros 15 funcionários e ex-funcionários da mineradora e da alemã TÜV SÜD, que emitia seus certificados de segurança.

Há quase um ano, Natália de Oliveira acende todos os dias uma vela antes de rezar para que o corpo da sua irmã, Lecilda, finalmente seja encontrado em meio à lama após o rompimento da barragem em Brumadinho, em Minas Gerais.

Para o que já se tornou um ritual, ela coloca um terço próximo a uma foto da irmã - que aparece na imagem sorridente, durante um período de férias - em uma mesa situada na sala de estar.

A enxurrada de resíduos, desprendidos da barragem da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, sepultou a região. Como resultado, o desastre deixou 270 vítimas. Desse total, são 259 mortos e 11 desaparecidos - entre eles Lecilda de Oliveira. Até hoje, uma equipe de 73 bombeiros segue em busca dos que nunca foram encontrados.

"No meio dessa tragédia toda, nos foi tirada completamente a dignidade de um enterro. Ainda não a localizaram, mas a gente não aceita falar que são desaparecidos. A minha irmã estava la na Vale, ela e os amigos dela. Estavam no horário sagrado do almoço, dentro do refeitório, sexta-feira, às 12h28", conta Natalia sobre a sua irmã, funcionária do departamento de Recursos Humanos da mineradora.

Desde a tragédia, com frequência Natália volta às mensagens de áudio que sua irmã lhe enviava pelas manhãs pelo WhatsApp. "Sinto que de alguma forma ela me dá bom dia. Essas mensagens são o único motivo para me fazer levantar da cama", conta em lágrimas.

As duas irmãs tinham apenas um ano de diferença, com 48 e 49 anos, e sempre moraram juntas em Brumadinho. Ao passar em frente ao colégio onde as duas estudaram, Natália se emociona novamente.

"Toda a cidade foi muito atingida, perdemos muitos amigos de infância. Isso nos deixa acabados".

- Luto e comprimidos -

Assim como Natália, Malvina Firmino Nunes ainda não pôde viver o luto do seu filho, desaparecido há doze meses. No dia da tragédia, ela soube por uma outra filha que Peterson, de 35 anos, tinha sido levado pela lama.

A vida de Malvina desabou. Desde então, nunca mais conseguiu dizer o nome do filho sem chorar. Também não consegue dormir ou se alimentar sem tomar comprimidos.

Essa mãe recebeu uma indenização, assim como outros quatro mil familiares das vítimas. Com os R$ 700 mil que recebeu, comprou uma casa pequena. Os indenizados, no entanto, consideram que a compensação financeira da mineradora não é suficiente.

"Eu só espero justiça. Espero a prisão (deles), mas acho que não vão ser presos. Quem está preso é quem morreu. Os colarinhos brancos ficam soltos", afirma.

Natália e Malvina pretendem levar a Vale ao tribunal. "Acreditamos que para honrar nossos mortos temos que fazer a nossa parte. Não podemos aceitar que a mineradora cause mortes. A Vale deve aprender uma lição", diz Natália.

Nesta terça (21), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou por homicídio doloso o ex-presidente da Vale, Fabio Scvartsman, e outros 15 funcionários e ex-funcionários da empresa e da alemã TÜV SÜD, que emitia os certificados de segurança.

- "Unidos pela tragédia" -

Algumas pessoas levam a tragédia em seus corpos. No dia do desastre, a adolescente Talita Oliveira, de 16 anos, viu a morte muito de perto.

Ficou presa na lama, mas depois foi resgatada pelos bombeiros. Ela foi retirada com a ajuda de um helicóptero, em uma cena que foi exibida ao vivo na TV.

Até hoje, suas pernas estão cheias de cicatrizes e só consegue andar com muletas.

"Estive no hospital por seis meses. Tomei muita morfina, suportei dores muito intensas", relata a adolescente.

Apesar da enorme quantidade de remédios que toma todos os dias e as sessões dolorosas de terapia, Talita "se recupera bem". É uma sobrevivente esperançosa.

"Muitas vezes tenho pesadelos, aquela imagem sempre vem na minha cabeça: eles tentando me tirar, eu achava que não ia conseguir sair dali, que iria morrer. Tem dias que consigo ser alegre, fico cantando. Quero um futuro sem ter que tomar tantos remédios, poder voltar a andar normal, isso seria uma vida perfeita".

No momento, Brumadinho se prepara para receber visitantes de todo o estado de Minas Gerais, para prestar homenagem às vítimas após o primeiro ano da tragédia. Não será a primeira vez que isso acontece: no dia 25 de cada mês, os familiares dos mortos e desaparecidos no desastre se reúnem na entrada da cidade.

Natália de Oliveira é frequentadora assídua das homenagens. "Estamos unidos pela tragédia e dor. Em Brumadinho, nos tornamos uma família uns para os outros", ressaltou.

Policiais federais cumprem nesta quarta-feira (22) seis mandados de busca e apreensão em operação contra fraudes na compra de medicamentos pelo município de Nova Friburgo, na região serrana fluminense. Os mandados estão sendo cumpridos no próprio município, além das cidades do Rio de Janeiro, São Gonçalo e Niterói.

Segundo investigações do Ministério Público Federal, foram desviados mais de R$ 600 mil dos cofres públicos durante as operações de compra de medicamentos pelo município.

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A Operação Carona de Duque visa a desarticular o grupo criminoso responsável pelas compras fraudulentas e conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).

Resultados divulgados nesta terça-feira (21) pela cervejaria Backer apontam que, ao contrário de parecer do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), não foi encontrado dietilenoglicol na água usada na produção de cervejas da marca. A análise, contratada pela empresa, foi feita pelo departamento de química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

As amostras de água analisadas pela UFMG são as mesmas usadas pelo Mapa. Os testes foram realizados com a permissão do ministério. 

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A perícia contratada pela Backer também aponta que a presença de dietilenoglicol nas cervejas foi “eventual”. As amostras analisadas mostram um declínio na contaminação dos lotes, em vez de um quadro de contaminação constante, o que sugeriria uma falha no processo de produção da cerveja.

Segundo o parecer da universidade, o lote L2 1348 da cerveja Belorizontina, produzido em 11 de novembro, é o que apresenta a maior quantidade da substância tóxica, 0,83 gramas (g) por 100 mililitros (ml). Nos lotes subsequentes o índice de contaminação é menor. O lote de 24 de dezembro tem 0,41g por 100ml e o lote de 3 de janeiro, 0,21ml. Os resultados foram apresentados hoje em entrevista coletiva.

“São dados que apontam um pico de contaminação em novembro, mas que não persistiu ao longo das semanas. No caso de um problema no processo, o mais provável é que a concentração inicial fosse mais constante, e não decrescente”, afirmou o professor do departamento da UFMG, mestre em ciências dos alimentos e doutor em química, Bruno Botelho, contratado pela Backer para realizar uma análise independente da já realizada pela Polícia Civil e pelo Mapa.

Toxicidade

Botelho também trouxe dados sobre o poder de toxicidade do dietilenoglicol. Segundo ele, a literatura médica sobre o assunto traz um consenso de que a intoxicação pela substância ocorre quando a ingestão dela se dá em uma proporção de 1,1g para cada quilo corpóreo.

Os dados trazidos pelo professor trazem questionamentos sobre o poder de toxicidade das cervejas contaminadas. “Pela proporção, um adulto de 70 kg teria que consumir por volta de 80g dessa substância. Se eu falei que uma garrafa de 600 ml tem 4,8g, a pessoa precisaria beber 16 delas, cujo volume final seria em torno de 9,6 litros de cerveja”.

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais confirmou nesta segunda-feira (20) que foram notificados 21 casos suspeitos de intoxicação por dietilenoglicol. Segundo a secrearia, quatro casos tiveram a intoxicação confirmada e 17 estão sob investigação. Até agora, quatro pessoas morreram. Três dessas mortes estão entre os 17 casos sob investigação.

A ingestão de dietilenoglicol pode provocar a síndrome nefroneural, que pode provocar insuficiência renal aguda e alterações neurológicas, como paralisia facial, embaçamento ou perda da visão, entre outros sintomas.

A defesa do ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse em nota que denunciar o executivo por homicídio doloso no caso Brumadinho é "açodado e injusto". Segundo os advogados, as investigações não estão finalizadas pela polícia federal, que só deve ter laudos definitivos sobre as causas do acidente em junho.

O ex-CEO foi denunciado à Justiça ao lado de outras 15 pessoas, entre funcionários da Vale e da auditoria alemã TÜV SÜD, por homicídio duplamente qualificado. As duas companhias foram denunciadas por crimes ambientais.

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Para a defesa de Schvartsman, a existência de uma denuncia anônima de um funcionário da empresa que, em meio a 51 parágrafos de criticas a colegas e à gestão de TI, menciona em uma linha a expressão "barragens no limite", sem qualquer dado ou especificidade, não pode fundamentar uma acusação grave de homicídio, ainda mais quando presentes laudos subscritos por técnicos de renome que atestavam a segurança das estruturas.

"Se houve negligência de alguém, os responsáveis devem responder por seus atos. Mas é injusta e lamentável a tentativa de punir quem, desde a 1ª hora, cumpriu com seu dever e esteve ao lado das autoridades para investigar o ocorrido e reparar os danos", diz a nota. O executivo é defendido pelo escritório Bottini & Tamasauskas Advogados.

Schvartsman assumiu a presidência da Vale em maio de 2017, com o lema "Mariana nunca mais", em referência à ruptura da barragem da Samarco, em que a Vale era sócia da BHP. A defesa afirma que ele tomou diversas medidas para reforçar a segurança em barragens e ampliar consideravelmente os recursos destinados à área, além de ter atuado com base em laudos técnicos de empresas internacionais.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado analisa projeto de lei que prevê possibilidade expressa de doação direta, dedutível do Imposto de Renda (IR), em favor de projetos desenvolvidos por entidades de atendimento a criança e adolescentes. A sugestão, que consta do Projeto de Lei do Senado (PLS) 546/2018, é de autoria do ex-senador Edison Lobão. A matéria encontra-se pronta para pauta no colegiado.

O texto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei 8.069, de 1990) que, atualmente, apenas permite a dedução das doações realizada aos fundos dos direitos da criança e do adolescente nacional, distrital, estaduais ou municipais, sem ampliar essa possibilidade a recursos destinados diretamente a projetos específicos em favor dessa parcela da população. O PLS, então, modifica a sistemática de doação, passando a permitir a doação direta para os projetos aprovados por conselhos dos direitos da criança e do adolescente.

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Lobão observou, na justificativa do projeto, que não há impedimentos à medida relativos à responsabilidade fiscal, uma vez que as doações, na prática, já são feitas e não geram gastos tributários adicionais. Para ele, a aprovação da matéria proporcionará ao contribuinte maior poder de fiscalização e controle sobre o dinheiro doado, por permitir que o doador indique o projeto e a entidade beneficiária.

O autor afirmou que “o objetivo do presente projeto é suprir a lacuna legal existente, deixando expressa a possibilidade de doação direta na legislação tributária, o que vai fortalecer e viabilizar a obtenção de recursos para projetos desenvolvidos por entidades de atendimento a crianças e adolescentes”. Para ele, o projeto vai “fomentar práticas que ampliem investimentos em área assegurada como prioridade absoluta pela Constituição e pelo ECA”.

Apoio do relator

Com parecer favorável, o relator do PLS 546/2018, senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), observa que a forma como a dedução poderá ser realizada aumenta os valores destinados às instituições que cuidam de crianças e adolescentes, pois o contribuinte, no instante em que realiza a doação, já terá conhecimento do montante do imposto efetivamente devido.

“É como se o cidadão retirasse o dinheiro que seria destinado à Receita Federal e o destinasse diretamente aos projetos. Uma medida democrática, visto que o indivíduo escolhe diretamente onde deseja que seu tributo seja aplicado”.

Além disso, segundo o relator, o benefício social gerado pelo projeto será mais relevante do que a eventual diminuição de recursos da União, pois o texto prevê a manutenção dos limites atualmente em vigor, de 6%, para o abatimento do imposto devido.

“Não há qualquer mudança no limite global para dedução já previsto em lei. Apenas muda-se a sistemática de doação”, explicou o relator.

*Da Agência Senado

 

A Vale afirma que vai analisar o "inteiro teor" da denúncia do Ministério Público de Minas Gerais a respeito da tragédia de Brumadinho (MG) antes de se pronunciar formalmente a respeito. A mineradora afirma ainda que vai continuar contribuindo "totalmente" com as autoridades.

"A Vale reitera sua profunda solidariedade com os familiares das vítimas e demais afetados pela tragédia e sua confiança no completo esclarecimento das causas da ruptura", afirma a empresa em comunicado publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na tarde desta terça-feira, 21.

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16 pessoas foram indiciadas pelo MPMG no âmbito do rompimento da barragem, entre elas o ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, que é acusado de homicídio duplamente qualificado. Dos indiciados, 11 são executivos da Vale, e outros 5 da TÜV SÜD, empresa de auditoria independente.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) determinou que um homem deve contratar um plano de saúde para que a sua ex-mulher possa fazer o tratamento de câncer de mama. O desembargador Odemilson Roberto Castro anotou em seu voto que o ex-marido deverá contratar o serviço sob pena de multa diária. 

"Embora o recorrido sustente que não tem condições de arcar com o valor, ao argumento de que está desempregado, (…) o recorrido expôs que é motorista, o que demonstra que possui ocupação capaz de lhe conferir renda", declarou Castro.

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O homem teve um prazo de cinco dias para reativar o plano de saúde empresarial ao qual tinha direito e pelo qual a sua ex-mulher iniciou o tratamento contra o câncer. A decisão foi unânime da 3ª Câmara Cível do TJ-MS. A mulher, que deve passar por uma mastectomia e reconstrução da mama, disse que não tinha tempo a perder.

Segundo o Estado de Minas, a mulher afirma que foi pressionada pelo ex-marido para realizar o tratamento com urgência porque ele iria pedir demissão. Na Justiça, o homem confirmou que teve que pedir demissão e, por isso, não teria como pagar o plano de saúde. 

A mulher rebate e aponta que a empresa administradora do plano de saúde conseguiu o deferimento do pedido de reativação do plano, com opção para o plano de demitidos, aposentados e inativos. A mulher diz que não poderia passar por um novo período de carência. 

Um bebê de apenas 1 ano e 9 meses, identificado como Lucas Gabriel de Oliveira, morreu nesta última segunda-feira (20), depois de se engasgar com um pirulito em Montes Claros, Norte de Minas Gerais. A criança chegou a ser socorrida, recebeu os primeiros socorros, mas não resistiu. 

Gabriel havia ganhado o doce de um dos irmãos. Fernanda Ribeiro, tia da vítima, disse ao Correio Braziliense que a mãe do garoto foi quem viu o filho engasgado com o pirulito no quarto. "Ele começou a engasgar e foi atrás da mãe. Ela puxou o palito e a bolinha continuou na boquinha dele", detalha Fernanda. 

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A Santa Casa confirmou através de nota que o pequeno Lucas deu entrada no hospital em estado gravíssimo, respirando com a ajuda de aparelhos e precisou ser submetido a uma broncoscopia para a retirada do doce. Depois do procedimento, a criança apresentou sinais de choque e acabou sofrendo uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. 

A segunda parcela do auxílio emergencial concedido a quase 70 mil pescadores profissionais artesanais de áreas afetadas pela mancha de óleo no litoral brasileiro começa a ser paga nesta terça-feira (21), segundo informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

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O pagamento segue o calendário de saques dos benefícios sociais, de acordo com o final do Número de Identificação Social (NIS) do beneficiário. Hoje podem sacar o benefício os pescadores cujo NIS tem finais 1 e 2. O pagamento vai até o dia 31 de janeiro.

Os pescadores podem sacar o benefício com o cartão assistencial na Caixa, em casas lotéricas, terminais de autoatendimento e correspondentes Caixa Aqui. Os que não têm o cartão precisam ir a uma agência do banco levando documento de identificação com foto e o NIS.

O auxílio emergencial beneficia pescadores que atuam em municípios dos nove estados do Nordeste, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo atingidos pelo vazamento de óleo.

O profissional precisa estar inscrito no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), em situação ativa nas categorias peixes, crustáceos, moluscos e outros, e deve ter atuação em área estuarina ou marinha.

A primeira parcela, de R$ 998, foi paga em dezembro. O dinheiro poderá ser sacado no prazo de até 90 dias, contados da data da disponibilização do crédito ao beneficiário. Esse benefício não interfere no recebimento do seguro-defeso recebido pelos profissionais na época em que é proibida a pesca para garantir a reprodução dos peixes.

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Depois de ter se envolvido em uma confusão com um policial militar em um condomínio de Taguatinga, no Distrito Federal, o motoboy (que não teve o nome divulgado), de 21 anos, foi preso nesta última segunda-feira (20), acusado de usar uma moto com a placa clonada. Por conta disso, o jovem está sendo investigado pelos crimes de receptação, adulteração de placa e uso de documento falso.

O Departamento de Trânsito (Detran) da região auxiliou nas investigações depois que a polícia foi informada do crime. O órgão encontrou diversos indícios de adulteração dos sinais de identificação da moto, bem como mudanças nos caracteres de preenchimento do CRLV, especificamente nas letras "GO". 

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Segundo publicação do Correio Braziliense, a dona do veículo registrou um boletim de ocorrência em Aparecida de Goiânia, Goiás. Ela apontava uma possível clonagem do veículo em razão de estar recebendo multas do Distrito Federal - local que aponta nunca ter ido. 

O motoboy havia se envolvido numa discussão com um policial no último domingo (19). Um vídeo que viralizou na internet mostra o oficial agredindo o jovem e ostentando uma arma. Segundo informações, o PM havia se incomodado porque o motoboy estacionou o veículo em frente ao condomínio onde mora.

O Ministério Público de Minas Gerais denunciou nesta terça-feira, 21, o ex-presidente da Vale Fabio Schvartsman por homicídio duplamente qualificado, pelo rompimento da barragem de rejeitos de Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019. Além dele, outras 15 pessoas foram denunciadas, além das companhias Vale e TÜV SÜD. A tragédia deixou 270 mortos, sendo 11 ainda desaparecidos.

Para o MPMG, ficou demonstrado, no caso, "promíscua relação entre as duas empresas no sentido de esconder do poder público, sociedade e acionistas a inaceitável situação de segurança de várias barragens de mineração mantidas pela Vale". Dos indiciados hoje, 11 são executivos da Vale e os outros 5 da TÜV SÜD.

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Os promotores encaminharam a denúncia à Justiça pela manhã. Ainda na tarde de hoje o Ministério Público de Minas dará mais detalhes sobre as denúncias.

Em nota, a TÜV SÜD afirmou que "reitera seu compromisso em ver os fatos sobre o rompimento da barragem esclarecidos" e que continua "oferecendo cooperação às autoridades e instituições no Brasil e na Alemanha no contexto das investigações em andamento."

Um helicóptero foi recuperado pela Polícia Civil de São Paulo na última segunda-feira (20). A aeronave estava em um galpão na BR-040, rodovia que liga o Rio de Janeiro (RJ) a Brasília (DF), na altura do município mineiro de Congonhas (MG), a 82 km de Belo Horizonte. O veículo aéreo pertencia a uma empresa localizada na região leste da capital paulista que teve este e outros bens roubados em maio de 2019.

De acordo com a apuração do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, o crime foi chefiado por uma quadrilha ligada ao tráfico de drogas. Ainda segundo a corporação, os traficantes usariam o helicóptero para o transporte de entorpecentes.

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O registro da recuperação e a apreensão da aeronave foram feitos na cidade mineira. A polícia segue com as investigações para identificar outros envolvidos no crime.

Um homem foi preso em flagrante por fazer apologia ao nazismo ao pendurar uma camiseta com o símbolo nazista na porta de sua casa. O caso aconteceu no último domingo (19), em São José, na Grande Florianópolis, Santa Catarina. Cumprindo mandado de busca e apreensão, a Polícia Civil encontrou materiais com a suástica do movimento liderado por Adolf Hitler.

A polícia confirma que, ao ser questionado sobre a camiseta, o homem disse que tinha "liberdade de expressão e usava e pendurava o que bem entendesse". O  caso foi encaminhado ao Judiciário e o nome do acusado não foi divulgado oficialmente. 

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O site NSC lembra que, pela lei 7.716, o ato de fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo é crime. A pena é de dois a cinco anos de prisão e multa.

O morador de Sorocaba (SP) que morreu no último dia 11 no Hospital das Clínicas, na capital paulista, com o primeiro caso recente de febre hemorrágica brasileira, passou por cinco cidades do interior de São Paulo, no período em que teria se infectado. Além de Sorocaba, onde mora, o homem de 52 anos esteve em Itapeva e Itaporanga, no sudoeste paulista, e em Eldorado e Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira. A mulher da vítima e uma irmã do homem estão sob monitoramento.

"Orientamos as duas para que fiquem isoladas, em quarentena, pelo menos até o dia o dia 3 de fevereiro, quando vence o período máximo de possível transmissão. Também pedimos que evitem compartilhar copos, talheres, roupas e objetos de uso pessoal com outras pessoas", afirmou a médica infectologista Priscilla Helena dos Santos, coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Sorocaba.

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De acordo com o secretário de Saúde de Sorocaba, Ademir Watanabe, é pouco provável que o homem tenha adquirido o vírus na cidade onde morava. Segundo ele, os locais mais prováveis de contaminação são áreas rurais de Itapeva e Itaporanga, onde o paciente esteve. "Existe o relato de que em uma dessas localidades há um paiol com a presença de roedores, ratos do campo, que são os transmissores da doença. Na casa em que ele morava com a companheira, em Sorocaba, não existe a presença de ratos silvestres, que são o reservatório natural do arenavírus."

Mesmo assim, segundo ele, todas as pessoas que tiveram contato com o paciente estão sendo monitoradas. A Vigilância Epidemiológica Estadual já orientou as medidas de bloqueio nas cidades visitadas pelo paciente.

Conforme o secretário, os deslocamentos do paciente foram reconstituídos para a adoção das medidas de bloqueio. No período de 1 a 5 de dezembro, ele permaneceu em Sorocaba, em sua casa na Vila Carvalho, viajando em seguida para Eldorado, no Vale do Ribeira, onde tem parentes. No dia 15, retornou para Sorocaba e, no dia 21, viajou para Itapeva, no sudoeste paulista. No dia seguinte, o homem se deslocou para Itaporanga, cidade da mesma região, permanecendo até o dia 26, quando retornou para Sorocaba.

No dia 29, um dia antes de apresentar os sintomas, ele viajou novamente para Eldorado, onde procurou uma unidade de saúde já com os sintomas iniciais da doença. O quadro inicial, de dor no abdômen, náuseas e dores musculares, evoluiu para febre alta, queda de pressão, confusão mental e hemorragia. O paciente foi transferido para o Hospital Regional de Pariquera-Açu e, em seguida, para o Hospital das Clínicas de São Paulo.

De acordo com o secretário, a pasta municipal foi notificada no dia 7 de janeiro pelo Hospital das Clínicas da capital e iniciou as investigações epidemiológicas. "Havia suspeita inicial de febre amarela, por ele ter viajado para o Vale do Ribeira, mas os sintomas eram diferentes e ele havia sido vacinado contra essa doença. Como havia ratos urbanos na região em que mora, nós passamos a investigar também a leptospirose. O fato é que, em nenhum momento, esse paciente foi atendido em Sorocaba, o que reduz o risco de contaminação aqui", disse.

Sintomas

Segundo Priscilla Helena dos Santos, a população do entorno da residência do paciente foi alertada para ficar atenta aos sintomas da doença. Os sintomas iniciais são: febre, dor de cabeça, dor abdominal forte, sonolência, prostração, queda de pressão, tontura e confusão mental. Em seguida, é constatado o comprometimento hepático (icterícia) e sinais de hemorragia. A rede municipal foi colocada em alerta para avaliar a possibilidade de contaminação pelo arenavírus em caso de sintomas parecidos.

A médica alerta para a necessidade de procurar uma unidade de saúde tão logo os primeiros sintomas se manifestem. "Eles são parecidos, inicialmente, com os sintomas da dengue, da febre amarela e de outras doenças graves, como a leptospirose. Todas são doenças importantes, então não há que ter hesitação: deve-se procurar atendimento médico imediato", disse.

Embora a doença ainda seja pouco pesquisada, sabe-se que o arenavírus é transmitido pelas fezes e excreções do rato silvestre, que vive em matas, mas infesta paiois, lavouras de grãos e depósitos de cereais. A doença difere da leptospirose, pois esta é transmitida pelas fezes e urina de rato doméstico - ratazana, rato de telhado e camundongo - e é causada por uma bactéria.

No Brasil, há histórico de quatro casos humanos de febre hemorrágica brasileira causada pelo mesmo vírus, o último deles detectado em 1999, em um paciente de 32 anos, residente em Espírito Santo do Pinhal, no interior paulista. O homem, morador da zona rural e operador de máquinas de café, ficou internado sete dias e acabou morrendo.

A Polícia Federal, no Aeroporto Internacional de São Paulo, prendeu na tarde desta segunda-feira (20), um casal de brasileiros, identificados pela Receita Federal, tentando embarcar para o exterior transportando cocaína.

Servidores da Receita Federal, que fiscalizavam as malas despachadas para voo com destino a Portugal, por meio do raio-x, identificaram substância orgânica, com o formato de cápsulas, no interior da mala de dois passageiros.

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As malas suspeitas foram separadas e seus proprietários localizados e conduzidos à PF para realização de perícia em seus pertences. Nas bagagens, foram encontradas 171 cápsulas contendo quase 2 Kg de cocaína.

Após serem ouvidos, confessaram ter engolido outras 29 cápsulas. Devido ao risco de morte, o casal foi encaminhado para um hospital público para que possam expelir as cápsulas que ingeriram.

Extinto o risco de morte, o casal será conduzido aos presídios estaduais, onde ficarão à disposição da Justiça, respondendo pelo crime de tráfico internacional de drogas.

Da Agência PF

O líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola, passou por exames no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) na manhã desta terça-feira (21). Marcola chegou à unidade da rede pública da capital do País de helicóptero e sob forte esquema de segurança.

Cumprindo pena que ultrapassa 300 anos de prisão, o líder da facção está no Presídio Federal de Brasília, localizado em São Sebastião, no Distrito Federal. O deslocamento realizado nesta manhã foi coordenado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e contou com a participação de agentes federais de Execução Penal, apoio do Comando de Operações Táticas (COT) da PF, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP).

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Em nota, a Penitenciária Federal de Brasília informou que Marcola foi levado para fazer exames de rotina. "Horário, período de férias escolares e deslocamento aéreo foram escolhidos para causar o menor constrangimento possível para a população. Não houve congestionamentos e alterações significativas na rotina da região. Por sigilo médico, não informamos o procedimento realizado."

Paraguai

No domingo (19) o governo paraguaio informou que 75 detentos fugiram na da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero. Destes, a maioria pertencia à facção criminosa PCC. Ao menos 40 dos foragidos são brasileiros, incluindo David Timoteo Ferreira, um dos principais chefes da facção no país vizinho.

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