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A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira que ainda é possível controlar a epidemia de coronavírus, embora o número de casos "tenha mais que dobrado nas últimas seis semanas".

"Existem muitos exemplos em todo o mundo que mostraram que, embora a epidemia seja muito intensa, ainda pode ser controlada", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, à mídia, citando os casos da Espanha em Itália e Coreia do Sul.

"Somente ações agressivas combinadas com a unidade nacional e a solidariedade global podem reverter o caminho da pandemia", alertou.

O chefe da OMS mais uma vez enfatizou a importância de aplicar testes de detecção, rastrear casos e isolar pacientes "para quebrar as redes de transmissão".

A nova pandemia de coronavírus causou mais de 555.000 mortes em todo o mundo desde que o escritório da OMS na China informou o início da doença no final de dezembro, de acordo com um relatório da AFP baseado em fontes oficiais.

Mais de 12 milhões de casos foram diagnosticados oficialmente, e pelo menos 6,5 milhões pessoas são atualmente considerados curadas.

Entretanto, à medida que o desconfinamento avança em muitos países, aumentam os temores de uma nova onda epidêmica.

Quando os casos reaparecem, é preciso "agir rapidamente", insiste Maria Van Kerkhove, funcionária da OMS responsável pela situação da COVID-19.

Michael Ryan, outro funcionário da OMS, pediu às autoridades que "eliminem rapidamente bolsões de infecção" para evitar o confinamento de países inteiros.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) divulgou, nesta sexta-feira (10), os novos números de infectados pelo novo coronavírus no estado. Ao todo, 1.333 novos casos da Covid-19 foram identificados, sendo 1.171 (88%) são casos leves, ou seja, pacientes que não demandam internamento hospitalar e que estavam na fase final da doença ou já curados. 

Os outros 162 (12%) se enquadram como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Apesar do número decrescente de casos graves, a quantidade de infectados tem apresentado um aumento na região. Na última segunda-feira (6), o número de infectados pela Covid-19 era de 513 pessoas, no primeiro boletim. 

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Agora, Pernambuco totaliza 70.100 casos já confirmados, sendo 20.850 (30%) ‬ graves e 49.250 (70%) leves. Também foram confirmados 73 óbitos, ocorridos desde o dia 11 de maio. Do total de mortes no informe de hoje, 49 (67%) ocorreram de 11 de maio a 5 de julho. As outras 24 (33%) ocorreram nos últimos três dias. 

O Brasil já era considerado um país ansioso mesmo antes do coronavírus, com 18 milhões de brasileiros convivendo com o transtorno, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Por causa da pandemia, os relatos de pessoas com ansiedade só têm aumentado.

Segundo pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), por meio de um questionário on-line durante os dias 20 de março e 20 de abril, que contou com a resposta de 1.460 pessoas de 23 Estados, os casos de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80%. Além disso, a pesquisa revelou que as mulheres são mais propensas do que os homens a sofrer com ansiedade e estresse durante esse período.

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No início da pesquisa (entre 20 e 25 de março), o percentual de pessoas que relataram sintomas de estresse agudo era de 6,9%. O número subiu para 9,7% (entre 15 e 20 de abril). Os casos de crise aguda de ansiedade apresentaram um salto de 8,7% para 14,9%.

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O psicólogo Raimundo Neto, pós-graduado em Neuropsicologia e especialista em Avaliação Psicológica, explica que, por sua natureza, o ser humano está acostumado a sobreviver em grupo. No entanto, com a obrigação do isolamento social, tudo precisou ser modificado, inclusive a rede de apoio social, os familiares e amigos. Reencontros e um simples abraços precisaram ser substituídos por contato virtual.

As transformações de atividades cotidianas repentinamente provocaram uma série de impactos e repercussões emocionais que podem ser interpretadas negativamente e aos quais as pessoas não estavam acostumadas.

De acordo com o psicólogo, os primeiros sinais de uma ansiedade, com episódio depressivo ou estresse acima do normal, são notados em atividades cotidianas como arrumar a casa, ir ao banco e não conseguir produzir no trabalho.  “A capacidade de memorização, de atenção e uma mudança abrupta de humor são alertas para buscar uma avaliação profissional”, observa Raimundo Neto.

“Para driblar os pensamentos negativos é importante primeiramente uma autoanálise sobre aquilo que anda ‘alimentando’ a mente. Consumir o dia inteiro noticiários televisivos, acompanhando o número de óbitos e infectados, pode trazer um impacto negativo para a saúde mental. Uma vez que constantemente se está falando sobre o assunto, ele começa a fazer parte maior do cotidiano. É importante buscar outras fontes de informações, não implicando se alienar do que está acontecendo, mas não permitir que tudo seja assimilado de maneira passiva”, explica o especialista.

As práticas diárias de exercício físico, meditação, tarefas vistas como espirituais, música, leitura, assistir filmes e seriados podem ser consideradas estratégias para a diminuição da ansiedade e a promoção de saúde mental.

A universitária Thainá Ramos confessa que no início da pandemia teve muitas crises de ansiedade. Antes de começar o isolamento social, a jovem já tinha parado de tomar remédios que ajudavam a controlar a angústia, mas teve que voltar porque passava noites em claro com falta de ar. “Pensava no que poderia acontecer daqui a um ou dois meses. Tentava imaginar como iria ficar o mundo, os meus familiares e amigos. Cheguei até imaginar que poderia está com os sintomas”, relata.

Thainá buscou ajuda com uma psicóloga on-line para aprender a lidar melhor com a situação atual.  Deixou de assistir os noticiários, caçar informações na internet e de entrar tanto nas redes sociais, porque sempre tinha algo relacionado à pandemia.

Com auxílio de uma profissional da saúde, a universitária montou uma rotina de exercício físico, começou assistir filmes e seriados, colocou o planejamento de abrir a doceria que desejava e se dedicar mais a si. “Hoje, me sinto bem melhor e não tomo mais remédio. Quando percebo que estou prestes a ter uma crise, procuro ocupar a minha mente e não entrar naquele jogo da ansiedade. Procuro fazer e ver coisas que vão me deixar alegre, danço, ouço música e converso com meu namorado e minha família, eles me ajudam bastante a lidar com tudo isso”, conta Thainá Ramos.

A rotina de trabalho da assistente social Tayane Ramos se modificou durante o período de pandemia. Ela começou a trabalhar um dia sim e o outro não. Com a ajuda de terapia on-line, que mantém há mais de um ano, e de remédios, tem conseguido ficar estável, mas no início da quarentena, afirma, as crises se intensificaram e ela enfrentou noites de insônia e falta de apetite.

Hoje, Tayane tenta perceber quais são os gatilhos que podem despertar as crises de ansiedade. “Tento me acalmar e repetir que vai passar igual das inúmeras vezes. A partir do momento que vou me acalmando e respirando fundo, vai ficando tudo melhor. Eu acho importante sentir e lidar com as crises”, afirma a assistente social.

Além de assistir a seriados, conversar com as amigas e a família, a internet tem sido muito útil para a jovem. Ela conta que compartilhava nas redes sociais o que sentia e percebia que muitas pessoas passavam por isso também, e de alguma forma buscava ajudar e ser ajudada. “Nós precisamos fazer isso, enfrentar a situação e conversar com pessoas que têm ansiedade, ler textos que confortem, mas é fundamental a ajuda de um profissional, saber se deve tomar remédio ou não. É necessário levar a saúde mental como prioridade e buscar ajuda. Apesar da dor que sentimos e dos sintomas, somos fortes e capazes de conseguir vencer”, conclui Tayane Ramos.

Por Amanda Martins

Mulheres grávidas e infectadas com a COVID-19 podem transmitir o vírus para seus bebês, de acordo com as "provas sólidas" apresentadas nesta quinta-feira (9) por um grupo de pesquisadores.

Desde o início da pandemia, foram detectados apenas casos isolados de bebês infectados com coronavírus.

Os pesquisadores analisaram casos de 31 mulheres internadas devido ao SARS-CoV-2 e detectaram a presença do vírus em uma placenta, no cordão umbilical de várias mulheres, na vagina de uma mulher e no leite materno.

Identificaram também os anticorpos específicos da COVID-19 nos cordões umbilicais de várias mulheres, assim como em amostras de leite.

Claudio Fenizia, da Universidade de Milão e autor principal do estudo, declarou que os resultados "sugerem em grande medida" que a transmissão no útero é possível, embora seja "muito cedo para avaliar o risco e as possíveis consequências".

Nenhum dos bebês nascidos durante o período de estudo deu positivo à COVID-19, afirmou o pesquisador.

Todas as mulheres participantes estavam no terceiro trimestre de gravidez, segundo Fenizia, que pediu à comunidade científica que considere este assunto como "urgente" e aprofunde sua pesquisa.

As complicações da Covid-19 que afetam o cérebro, potencialmente fatais, como um acidente vascular cerebral, delírios, alucinações ou lesões nervosas, podem ser mais comuns do que se pensava inicialmente, alertou nesta quarta-feira uma equipe de médicos britânicos.

Sabe-se que infecções graves por Covid-19 apresentam riscos aumentados de complicações neurológicas, mas pesquisas da University College London (UCL) sugerem que problemas sérios podem ocorrer mesmo naqueles com formas leves da doença.

A equipe analisou os sintomas neurológicos de 43 pacientes hospitalizados por Covid-19 confirmada ou suspeita. Entre eles, dez casos de disfunção cerebral temporária, 12 casos de inflamação cerebral, oito derrames e oito casos de lesões nervosas.

A maioria dos pacientes com inflamação foi diagnosticada com encefalomielite aguda disseminada (ADEM, também conhecida como encefalite pós-infecciosa), uma condição rara comumente vista em crianças após infecções virais.

"Identificamos um número acima do esperado de pessoas com distúrbios neurológicos (...), que nem sempre estavam correlacionados com a gravidade dos sintomas respiratórios", segundo Michael Zandi, do Queen Square Institute of Neurology da UCL.

O estudo, publicado na revista especializada Brain, mostra que nenhum dos pacientes diagnosticados com problemas neurológicos tinha o vírus da Covid-19 no líquido cefalorraquidiano, sugerindo que o vírus não atacou diretamente o cérebro.

"Como a doença existe há apenas alguns meses, ainda não sabemos que danos a longo prazo a Covid-19 pode causar", observa Ross Paterson, do Queen Square Institute of Neurology.

"Os médicos devem estar cientes dos possíveis efeitos neurológicos, pois o diagnóstico precoce pode melhorar os resultados sobre a saúde do paciente", apontou.

Com mais de 11 milhões de infecções confirmadas em todo o mundo, sabe-se que, além dos danos nos pulmões, a Covid-19 pode levar a uma variedade de complicações de saúde.

Mesmo que este novo trabalho sugira que as complicações cerebrais possam ser mais comuns do que se pensava anteriormente, os especialistas enfatizam que não significa que sejam muito difundidas.

"A grande atenção dada a esta pandemia torna muito improvável que ocorra uma grande pandemia paralela de dano cerebral incomum ligada à Covid-19", acredita Anthony David, diretor do Instituto de Saúde Mental da UCL.

O Brasil têm, de acordo com dados do Ministério da Saúde, quase 1 milhão de recuperados da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Para alguns, o fato de já ter tido a doença é motivo para relaxar e não seguir à risca as recomendações para evitar o contágio. Para outros, a rotina de cuidados não mudou e inclusive ficou maior.

Segundo especialistas, não há evidências científicas de que quem contraiu a Covid-19 não vá se contaminar de novo. Além disso, por ser uma doença nova, os efeitos do vírus a médio e longo prazo não são totalmente conhecidos. Quem teve a infecção pode ainda apresentar eventuais complicações. 

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“Eu estou bem mais medroso, mais receoso. Se eu lavava minha mão antes, agora lavo duas vezes mais. Higienizo as coisas que trago da rua. O cuidado aumentou depois que passei pela doença e sei como é”, conta o farmacêutico Marcus Túlio Batista, 27 anos. Ele começou a sentir os sintomas no dia 14 de junho. Teve dor de garganta, perda de olfato e paladar, indisposição e dores no corpo. 

“Quando você pega, vê que a doença vai além do físico. Eu acho que talvez o emocional seja até muito mais abalado”, diz e complementa: “Eu moro sozinho em Brasília. Minha família é de outro estado. Isso me causou bastante impacto porque além do isolamento, você tem medo de como vai evoluir, não sabe como o seu corpo vai lidar com isso. Eu fiquei bastante ansioso”, conta.

Na casa da artista plástica e produtora cultural Leticia Tandeta, 59 anos, no Rio de Janeiro, quase todos foram infectados em meados de maio. Ela, o marido, o filho e o irmão. “Ficamos praticamente todos doentes ao mesmo tempo. A sorte foi que todos tivemos sintomas brandos, ninguém teve falta de ar ou uma febre absurdamente alta”, diz. A única que não adoeceu foi a mãe de Leticia, que tem 93 anos. A família tomou o cuidado de isolá-la e de separar tudo que era usado por ela. 

“Hoje é estranho porque não sabemos se estamos imunizados ou não”, diz Leticia. “Os médicos dizem que provavelmente temos algum tipo de imunização, talvez de um mês, dois meses, três”. Por causa das incertezas, ela diz que a família continua tomando cuidados como sair de casa o mínimo possível, apenas quando necessário, usando sempre máscara. Já ter contraído a doença, no entanto, traz um certo tipo de relaxamento: “Não é que a gente relaxe nos cuidados, mas há um certo relaxamento interno sim”. 

De acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, mesmo quem já teve a doença deve continuar tomando cuidado. “Não temos certeza, por enquanto, de que quem teve Covid-19 uma vez não terá novamente. É importante que quem já teve a doença continue se prevenindo. Continue com as medidas preventivas, usando máscaras, higienizando as mãos e evitando aglomeração”.

As pessoas que já foram infectadas, de acordo com Weissmann, assim como as demais, podem ajudar a propagar o vírus caso não tomem os devidos cuidados. “Mesmo a pessoa que não estiver infectada, se ela puser a mão em um lugar contaminado, ela pode carregar o vírus. Por isso é importante estar sempre higienizando as mãos, lavando com água e sabão ou com álcool 70%”, orienta. 

Síndrome da Fadiga Crônica

Em março, a psicóloga Joanna Franco, 37 anos, teve dores no corpo, tosse seca, dor de cabeça, febre alta, dificuldade de respirar, perda de olfato e paladar, diarreia e vômito. Na época que recebeu o diagnóstico clínico de Covid-19, o Brasil começava a adotar medidas de isolamento social. Morando sozinha em Niterói, ela cumpriu todas as regras de quarentena e de isolamento social. Os sintomas passaram. Para garantir que não transmitiria o vírus para ninguém, ela ainda permaneceu em isolamento por cerca de 40 dias. Foi então que percebeu que não estava totalmente recuperada, estava muito cansada. “Vinha um cansaço, parecendo que eu tinha subido ladeiras, uma sensação de que isso nunca ia acabar, que não ia sair de mim. Fiquei bem prostrada”. 

Quase três meses depois, ela diz que se sente melhor, que está conseguindo retomar uma rotina de exercícios físicos, que antes eram impossíveis. Depois de passar pelo que passou, ela redobrou todos os cuidados que já vinha tendo. “Depois de ter passado, não quero vivenciar isso de novo e não quero que outras pessoas vivenciem”, diz. 

O cansaço que Joanna sentiu após se recuperar da doença pode ter sido a chamada Síndrome da Fadiga Crônica, que tem sido relatada por pessoas que foram contaminadas pela Covid-19, segundo o neurologista, pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), Gabriel de Freitas. O principal sintoma é o cansaço, mas pode haver alteração na pressão, na frequência cardíaca e insônia. “O que predomina é a  fadiga, o cansaço. A pessoa não consegue trabalhar, não consegue voltar à atividade”, afirma. 

A síndrome não é exclusiva do novo coronavírus, mas ocorre também por causa de outros vírus. Ela pode durar até cerca de um ano, é mais frequente em mulheres entre 40 e 50 anos e que tiveram covid-19 pelo menos de forma moderada. Mas, de acordo com Freitas, ainda há muitas dúvidas pelo fato de ser uma doença recente. Para o tratamento, geralmente é recomendada psicoterapia, atividades físicas, antivirais e antidepressivos. 

“Essa síndrome traz uma angústia muito grande para as pessoas porque fadiga não é um sintoma mensurável. Não se consegue mensurar por exame. Muitas vezes é mal compreendido”. 

Gabriel diz que a pandemia pode ser mais complexa do que se pensa e defende que todos os cuidados possíveis sejam adotados. “Parece que não é estar recuperado e ponto final. Talvez essas pessoas tenham mais sintomas. A Síndrome da Fadiga Crônica pode ser apenas um deles. Acho que a gente não tem essa informação. É possível que existam complicações a médio e a longo prazo. O que alguns autores colocam é que as medidas de isolamento social são importantes não só para evitar a morte. A gente tem que levar em consideração e colocar nessa equação as complicações a médio e longo prazos”. 

Medo e ansiedade

Além de lidar com os sintomas da covid-19 e com as consequências da doença, muitas pessoas estão lidando com sintomas de ansiedade, de acordo com a psicóloga da equipe de coordenação de saúde do trabalhador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marta Montenegro. “A covid-19 é uma doença muito nova, recente, um vírus cujas informações foram se construindo nesse processo de pandemia. Os próprios profissionais de saúde estavam tentando entender as formas de cuidado e isso deixa as pessoas muito inseguras. O ser humano se sente mais seguro se tiver previsibilidade do que vai acontecer. Essa incerteza sobre formas de contaminação, se pode ou não se contaminar de novo, deixa as pessoas vulneráveis”, explica. 

De acordo com a psicóloga, buscar informações confiáveis ajuda a lidar melhor com a pandemia. “Buscar informação válida, de fontes confiáveis. Isso alivia sintomas emocionais. Às vezes, as pessoas estão em casa recebendo informações que nem sempre são as melhores e  acabam ficando muito confusas. Depois de três meses, acham que só estão protegidas dessa forma. Isso acaba gerando um medo de sair de casa. No outro extremo, há pessoas saindo como se não tivessem o vírus, em um processo de negação por dificuldade de lidar com a situação. São dois extremos. Existe o vírus. É necessário manter medidas de biossegurança, mas isso não pode paralisar as pessoas”, acrescenta. 

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizaram um estudo em escala global com pessoas infectadas pelo HIV e conseguiram eliminar o vírus do organismo de um paciente brasileiro de 35 anos que teve o diagnóstico em 2012. A estratégia foi intensificar o tratamento, e a pesquisa será apresentada nesta terça-feira, 7, na 23ª Conferência Internacional de Aids, o maior congresso sobre o tema do mundo. Apesar do resultado promissor, ainda não é possível falar em cura da aids.

De acordo com a universidade, os resultados representam mais um avanço nas pesquisas que, um dia, podem levar à descoberta da cura da aids. No mundo, três casos já são considerados como cura erradicativa, em que o HIV foi completamente removido: um paciente de Berlim, outro de Londres e um em Düsseldorf, também na Alemanha. Todos eles passaram por transplante de medula óssea, então este caso brasileiro seria o primeiro a conseguir um bom resultado apenas com tratamento medicamentoso.

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Coordenada pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, diretor do Laboratório de Retrovirologia do Departamento de Medicina da instituição, a pesquisa da Unifesp contou inicialmente com 30 voluntários que apresentavam carga viral do HIV indetectável no organismo e faziam tratamento padrão com coquetéis antirretrovirais. Eles foram divididos em seis grupos e cada um recebeu uma combinação de medicamentos, além do tratamento padrão.

O grupo que apresentou melhor resultado recebeu dois antirretrovirais a mais que os outros: uma droga mais forte chamada dolutegravir e o maraviroc, que "força" o vírus a aparecer, fazendo com que ele saia do estado de latência, uma espécie de esconderijo no organismo. Com isso, ele pode ser destruído pelo medicamentos. Ainda segundo a Unifesp, outras duas substâncias prescritas potencializaram os efeitos das substâncias, a nicotinamida e a auranofina. Diaz constatou que os testes em células, em animais e em humanos confirmam a maior eficiência da nicotinamida contra a latência do que outros dois medicamentos usados para esse fim e testados conjuntamente.

O paciente brasileiro começou a se tratar com medicamentos antirretrovirais dois meses após o diagnóstico de HIV, em 2012. Quatro anos depois, ele participou da pesquisa da Unifesp e realizou o tratamento por 48 semanas. Depois de 14 meses, o vírus continua sem ser detectado o organismo dele. "Esse caso é extremamente interessante, e eu realmente espero que possa impulsionar mais pesquisas sobre a cura do HIV", disse Andrea Savarino, médica do Instituto de Saúde da Itália que co-liderou o estudo.

O infectologista José Valdez Ramalho Madruga, coordenador do Comitê de Aids da SBI, destaca que a grande vantagem desse estudo é que o resultado foi obtido apenas com medicamento oral. Os outros casos conhecidos na ciência tiveram o transplante de medula como princípio. "É uma pesquisa muito interessante e um dado extremamente promissor. A chance de reproduzir isso em larga escala e muito maior", diz o pesquisador do Centro de Referência e Tratamento DST/Aids.

Ele pondera, no entanto, que esse foi um estudo à prova de conceito, ou seja, com um número pequeno de participantes para ver se a metodologia funciona. "Cabe estudo maior. A perspectiva agora é reproduzir esse estudo com maior número de pacientes."

Andrea Savarino também alertou que os outros quatro pacientes do grupo que recebeu a mesma combinação medicamentosa não tiveram o vírus eliminado do organismo. "Pode ser que o resultado não seja passível de reprodução. Este é um primeiro estudo, que precisará ser ampliado." Na conferência em que o estudo foi apresentado, médicos discutiram os resultados e pediram cautela, segundo relata o jornal The New York Times.

Steve Deeks, pesquisador de HIV na Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF) disse que é muito cedo para dizer se o homem está realmente livre do vírus até que outros laboratórios independentes confirmem os resultados. Ainda assim, afirmou, não está claro se o status do paciente é resultado da combinação de tratamento que ele recebeu. "Essas são descobertas empolgantes, mas são muito preliminares", disse Monica Gandhi, especialista em HIV da UCSF.

Segundo ela, a nicotinamida tem sido usada em outros estudos sem esses resultados e nenhuma droga "funcionou até agora em termos de remissão a longo prazo". O fato de ser apenas um caso levanta dúvidas, apesar de ser promissor. Os pesquisadores do estudo devem testar o sangue do paciente para identificar se ele continuou ou não com os medicamentos antirretrovirais, o que poderia ter comprometido os resultados.

A pesquisa em torno de um tratamento eficaz contra o HIV também incluiu o desenvolvimento de uma espécie de vacina com as chamadas células dendríticas (células imunes), que conseguiu "ensinar" o organismo a encontrar as células infectadas e destrui-las.

Os desafios para a cura da aids

A infectologista Tania Vergara, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que, atualmente, dois tipos de cura são consideradas para a aids: uma erradicativa ou esterilização, em que o HIV é completamente removido, e outra funcional ou chamada remissão do HIV, cujo objetivo é atingir um controle da infecção que se sustente mesmo na ausência de terapia antirretroviral (TARV). Esse tratamento atua para impedir a replicação do vírus nas células ativas.

Porém, o maior desafio para a cura é atingir o reservatório de células inativas onde o vírus fica adormecido, ou latente, nas quais os medicamentos atuais não são capazes de agir. Porém, sabe-se que a latência viral é um processo reversível e o HIV volta a se multiplicar na ausência da terapia antirretroviral eficaz.

"No período de uso da TARV, esse pool latente de células diminui lentamente, mas pode levar em torno de 70 anos para ser extinto, embora haja evidências de que ocorra uma redução em quatro anos seguido por um platô, o que pode estar relacionado à capacidade das células infectadas de se proliferarem", diz Tania.

Segundo ela, outro entrave é que o reservatório latente pode se formar em compartimentos do corpo humano onde o sistema imunológico e a terapia não o reconhecem devido a barreiras físicas e celulares. "Para pensar em cura, o caminho parece ser de abordagens múltiplas. Quanto mais precoce o início da TARV e o controle da replicação viral, menor poderá ser o reservatório latente do HIV, melhor a imunidade inata e melhor a resposta imunológica", afirma a especialista da SBI. Para ela, o protocolo apresentado no evento pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz "parece representar um grande avanço no sentido da cura".

A Conferência Internacional de Aids é organizada pela Sociedade Internacional de Aids (International Aids Society, ou IAS, em inglês) a cada dois anos e tem apoio do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). O evento, que debate descobertas científicas sobre o HIV no mundo todo, ocorreria neste ano em San Francisco, nos Estados Unidos, mas será realizado de maneira virtual por causa da pandemia.

A pandemia do coronavírus também está afetando a distribuição de medicamentos para pacientes do HIV ao redor do mundo. Nesta segunda-feira, 6, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que 73 países alertaram que correm o risco de ficar sem antirretrovirais. Vinte e quatro países relataram que estão com baixo estoque e sofrem com interrupções no fornecimento desses medicamentos que salvam vidas.

Até o fim de 2018, o mundo tinha 37,9 milhões de pessoas vivendo com HIV, segundo a Unaids. De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2019, do Ministério da Saúde do Brasil, a taxa de detecção de aids vem caindo no País nos últimos anos. Em 2012, a taxa foi de 21,7 casos por 100 mil habitantes, passando para 20,6 em 2014 e 18,9 em 2016. Em 2018, a taxa chegou a 17,8. O documento informa, ainda, que de 1980 a junho de 2019, foram identificados 966.058 casos de aids no Brasil, sendo que a média anual é de 39 mil novos casos nos últimos cinco anos.

Casos descritos na ciência

Tania Vergara diz que existem três casos considerados como cura erradicativa. O pioneiro foi o do americano Timothy Ray Brown, hoje com 54 anos, que, além de HIV, também tinha leucemia. Para superar a doença, após sessões de quimioterapia sem grandes efeitos, a equipe médica realizou um transplante de medula. O HIV precisa de uma proteína presente no sangue para se reproduzir e algumas pessoas não a produzem, em razão de uma rara mutação genética que as deixam imunes ao vírus.

A estratégia - inédita e certeira - foi encontrar um doador que se encaixasse nesses parâmetros para destruir o sistema imunológico original e criar um novo mecanismo de defesa para eliminar o vírus. Após vencer o HIV, em 2007, Brown ficou conhecido como "paciente de Berlim", já que vivia na cidade alemã. Para combater a leucemia, o americano precisou de um novo transplante de medula, do mesmo doador.

Cerca de 12 anos depois, a estratégia da doação de medula voltou a dar certo, dessa vez em um paciente de Londres. Os cientistas descreveram o caso como "remissão em longo prazo".

O terceiro caso seria de uma pessoa conhecida por "paciente de Düsseldorf", cidade na Alemanha, que ainda está em acompanhamento após fazer tratamento para leucemia mieloide aguda. Ele também recebeu transplante de medula óssea, em fevereiro 2013, de um doador que não tinha o receptor ao qual o HIV se liga para penetrar nas células. A pessoa teve a terapia antirretroviral suspensa em novembro 2018 e continua com a carga viral do HIV indetectável.

Se as pessoas saudáveis já têm motivos de sobra para temer o coronavírus, os portadores de doenças crônicas como o diabetes precisam ser ainda mais cautelosos, pois fazem parte do grupo de risco.

Ao contrair o vírus, diabéticos tendem a desenvolver um quadro mais grave do que as pessoas não diabéticas. “Quanto pior controlado estiver o diabetes mais grave tende a ser o quadro da infecção pelo Covid-19. Com maior mortalidade, inclusive”, afirma a endocrinologista Katia Seidenberger.

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Por isso, durante a pandemia é fundamental para os diabéticos evitar açúcares, excesso de carboidrato, álcool e gorduras, tomar todas as medicações que auxiliam no controle da doença e monitorar a glicemia. “Os exames de sangue periódicos para diabetes devem ser mantidos com o médico, mesmo que se faça consulta online”, orienta a médica.

A endocrinologista explica que, como o período de isolamento social dificulta a prática de exercícios, o ideal é focar na boa dieta e no uso ininterrupto das medicações necessárias para controlar a doença.

Cuidados de higiene e isolamento social também são aliados dos diabéticos durante a pandemia. É o caso da dona de casa Fani Manzo, de 71 anos. Moradora de São Caetano do Sul, na região do ABC paulista, Fani é diabética e por receio de se contaminar ela não sai de casa desde o mês de março. “Eu tenho pavor, tanto por mim quanto pelos meus entes queridos”, desabafa.

A família de Fani adotou uma série de medidas para protegê-la de uma possível contaminação. Objetos como chaves são constantemente esterilizados e o seu filho sempre usa máscara quando vai visitá-la, tomando ainda o cuidado de manter o distanciamento. “Quando minha filha chega em casa, ela coloca toda a roupa que usou para lavar, vai tomar banho e eu não chego perto”, conta a dona de casa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta terça-feira (7) que monitora os casos de peste bubônica na China e enfatizou que a situação não representa uma grande ameça e está "bem administrada".

"No momento, não consideramos que haja um risco alto, mas estamos monitorando de perto" a situação, junto às autoridades chinesas e mongóis, afirmou uma porta-voz da OMS, Margaret Harris, em coletiva de imprensa em Genebra.

Vários casos da peste bubônica foram relatados nos últimos dias na China. Autoridades da cidade de Bayannur, localizada na Mongólia Interior, norte da China, anunciaram uma série de medidas após detectarem um caso da doença neste fim de semana.

O paciente, um pastor, se encontra em situação estável em um hospital de Bayannur, informou em nota a Comissão de Saúde da cidade no domingo.

A comissão proibiu a caça e o consumo de animais que podem transmitir a peste até o final do ano, principalmente as marmotas, e pediu aos habitantes que informem sobre qualquer roedor morto ou doente que encontrarem.

Outro caso suspeito, de um menino de 15 anos, foi relatado nesta segunda-feira na vizinha Mongólia, segundo a agência Xinhua.

Dois outros casos foram confirmados na semana passada na província mongol de Khovd, envolvendo dois irmãos que haviam comido carne de marmota.

Cerca de 150 pessoas que tiveram contato com os dois homens foram colocadas em quarentena.

Em uma nota enviada à imprensa, a OMS afirmou ter sido informada pela China "em 6 de julho sobre um caso de peste bubônica registrado na Mongólia Interior".

A OMS destaca que a peste é "rara" e que geralmente se encontra em certas regiões do mundo onde ainda é endêmica.

"A peste bubônica esteve e está conosco há séculos", disse aos jornalistas Margaret Harris.

Durante a última década, a China informou esporadicamente de alguns casos, acrescentou a OMS.

A peste bubônica é transmitida de animais a humanos por picaduras de pulgas infectadas ou pelo contato direto com cadáveres de pequenos animais infectados. Não se transmite facilmente entre humanos.

O exame laboratorial para detecção do novo coronavírus foi incluído pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no rol de procedimentos obrigatórios de cobertura pelos planos de saúde em março, logo no início da pandemia. Na semana passada, a agência incluiu também o teste sorológico, que identifica os anticorpos do vírus.

Segundo a Resolução Normativa da ANS, o teste deve ser feito quando houver indicação médica e a cobertura vale para clientes de planos de saúde com segmentação ambulatorial, hospitalar ou referência. A orientação da agência reguladora é que o paciente consulte a operadora do plano antes de procurar uma unidade de saúde, para ser orientado sobre onde realizar o exame ou tratamento da doença.

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O exame diagnóstico previsto pela ANS é o do tipo pesquisa por RT – PCR, com diretriz de utilização, e deve ser feito em pacientes considerados quadro suspeito ou provável da doença, de acordo com a indicação médica.

Lembrando que os procedimentos para o tratamento de Covid-19 também são obrigatórios, como consultas, internações, terapias e exames complementares, de acordo com a cobertura do plano do beneficiário. Internação, por exemplo, não é obrigatória na segmentação ambulatorial.

Anticorpos

Já o teste sorológico para o novo coronavírus, do tipo pesquisa de anticorpos IgA, IgG ou IgM, que detectam a presença de anticorpos produzidos pelo organismo após exposição ao vírus, deve ser feito nos casos em que o paciente apresenta ou tenha manifestado um dos dois quadros clínicos relacionados à Covid-19.

O primeiro é a síndrome gripal, com quadro respiratório agudo, sensação febril ou febre, acompanhada de tosse, dor de garganta, coriza ou dificuldade respiratória. O segundo é a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que gera desconforto respiratório ou dificuldade para respirar, pressão persistente no tórax ou saturação de oxigênio menor do que 95% em ar ambiente, podendo ter também coloração azulada dos lábios ou rosto.

Segundo a ANS, o exame é feito com amostras de sangue, soro ou plasma. “Como a produção de anticorpos no organismo só ocorre depois de um período mínimo após a exposição ao vírus, esse tipo de teste é indicado a partir do oitavo dia de início dos sintomas”, alerta a agência.

Este exame foi incluído de forma extraordinária no Rol de Procedimentos da ANS para cumprir uma decisão judicial.

A ANS orientada que as operadoras disponibilizem em seus portais na internet as informações sobre o atendimento e a realização do exame, além de oferecer canais de atendimento específicos para esclarecer seus usuários sobre a doença.

Desde o início da pandemia, a ANS recebeu 6.347 demandas ou reclamações relacionadas à covid-19. Desse total, 44,16% foram referentes a tratamento ou exame, 37,21% sobre outros tipos de assistência afetadas pela pandemia e 18,62% sobre temas não assistenciais. A agência orienta os clientes a procurarem primeiro a operadora para resolver qualquer dificuldade.

Operadoras

Segundo a diretora executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), Vera Valente, o setor tem atendido imediatamente as resoluções normativas editadas pela ANS. Porém, as empresas discordam da exigência dos exames de anticorpos.

“As operadoras de planos e seguro de saúde associadas à FenaSaúde consideram que a cobertura dos testes sorológicos IgA, IgG e IgM não é a melhor alternativa para os pacientes com suspeita de covid, tampouco para o sistema de saúde suplementar. Tais testes não têm a mesma precisão do exame RT-PCR, considerado padrão-ouro e já coberto pelas operadoras desde março”.

Vera destaca que o monitoramento da qualidade dos dispositivos diagnósticos publicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária indica que dos 85 testes rápidos já liberados pelo órgão regulador, 44,7% não possuem desempenho de acordo com o alegado pelo fornecedor. “Além disso, conforme mostrou a revista científica BMJ, em aproximadamente 34% dos casos os testes rápidos dão falso negativo”, afirma a diretora.

A companhia de biotecnologia americana Regeneron anunciou em comunicado nesta segunda-feira, 6, o início de ensaios clínicos de fase 3 do REGN-COV2, um coquetel antiviral que eventualmente poderá ser usado para o tratamento e a prevenção da covid-19. Em comunicado, a empresa diz que essa etapa avaliará a capacidade dos medicamentos de evitar infecções entre pessoas sem a doença que tiveram exposição próxima a um paciente confirmado e é conduzida em conjunto com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (NIAID, na sigla em inglês).

Além disso, esse coquetel é testado para tratar pessoas hospitalizadas e não hospitalizadas com a doença, diz a empresa.

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O comunicado informa que o "progresso clínico" nos testes se segue a uma "revisão positiva" do Comitê de Monitoramento Independente dos Dados dos resultados de segurança da fase 1 do coquetel.

O ensaio clínico de fase 3 de prevenção é realizado em aproximadamente 100 lugares e deve envolver 2 mil pacientes nos EUA.

Os ensaios relativos a pacientes hospitalizados e não hospitalizados ocorrerão nos EUA, no Brasil, no México e no Chile, diz a empresa, com resultados preliminares esperados ainda para este verão no Hemisfério Norte.

Para identificar as infecções causadas pelo novo coronavírus, dois tipos de teste são mais usados: os que identificam se o corpo já teve contato e produziu defesas contra o vírus e o que determina se a pessoa está infectada naquele momento pelo microrganismo.

Testes rápidos ou sorológicos

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Os primeiros são os chamados testes rápidos, capazes de dar uma resposta quase imediata se a pessoa já teve a doença. A partir da coleta de sangue, que permitirá verificar a presença de anticorpos no soro ou no plasma do paciente, esses exames podem apresentar o resultado em até 30 minutos.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é preciso, no entanto, que o corpo tenha tido tempo de produzir as defesas contra o vírus para que o exame dê um resultado positivo. O tempo estimado é de pelo menos oito dias após o início dos sintomas para que seja possível indicar se a pessoa teve contato com o vírus.

O resultado é dado por meio de uma substância reagente, que muda de cor ao entrar em contato com as imunoglobulinas (anticorpos produzidos pelo corpo contra infecções). Os testes rápidos para Covid- 19 são os que identificam as imunoglobulinas G e M (IgG/IgM). Caso a pessoa já tenha tido contato com o vírus, ela pode ter imunidade temporária ou resistência à doença.

Como são baseadas na resposta imunológica do paciente, que pode variar de pessoa para pessoa, a Anvisa alerta que esses testes não confirmam de forma definitiva se a pessoa tem ou não a doença. A principal função desses exames é avaliar a disseminação do vírus em determinadas populações, de forma a embasar ações de saúde pública.

Teste molecular

Os testes RT- PCR, por outro lado, identificam a presença de material genético do vírus no corpo do paciente. A sigla em inglês significa: Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa. De acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), são esses testes que determinam de forma mais confiável se a pessoa tem ou não Covid-19.

Para fazer o exame, são coletadas amostras de secreções do nariz ou da garganta do paciente. Em geral, esses testes são feitos, sob prescrição médica, quando a pessoa apresenta sintomas da doença. Ele não mostra se a pessoa já teve a doença, como os sorológicos, mas se há vírus vivos no corpo da pessoa naquele momento. Esse teste deve ser feito pouco tempo depois de a pessoa apresentar os sintomas. Caso seja feito muito tempo depois, em um estágio final da infecção, pode não haver mais traços suficientes do vírus para um diagnóstico preciso.

Os resultados não são imediatos. Os laudos podem demorar alguns dias para serem finalizados. O laboratório vai buscar fragmentos do material genético do vírus (RNA) nas amostras colhidas do paciente. Caso esse material seja encontrado, as moléculas serão analisadas para determinar se pertencem ou não ao vírus causador da Covid-19.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta sexta-feira, 3, a realização de testes da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac. O pedido de liberação, feito pelo Instituto Butantan, foi anunciado pelo governador de São Paulo, João Doria, no dia 11 de junho. Em nota, a Anvisa diz que os testes devem ser desenvolvidos em diferentes locais do Brasil.

A vacina CoronaVac, produzida a partir de cepas inativadas do novo coronavírus, está na terceira fase de testes, quando a vacina já pode ser administrada a um número maior de pessoas. O estudo clínico envolverá 9 mil voluntários distribuídos nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, além do Distrito Federal. Parte delas receberá a vacina e outro grupo deve receber um placebo, sem efeito. O objetivo é verificar se há o estímulo à produção de anticorpos para proteção contra o vírus.

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A Anvisa afirma que os estudos da primeira e segunda fases, realizados em humanos saudáveis e em animais, mostraram segurança e capacidade de provocar resposta imune "favoráveis".

Na segunda-feira, 29, o Instituto Butantan disse que, após o aval da Anvisa, o programa de testagem ainda terá de passar por um conselho ético que vai validar a metodologia da testagem em humanos. Segundo a assessoria do instituto, a validação poderá ser feita pelo Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), ligada ao Ministério da Saúde, ou pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa (CAPPesq), que é vinculada à Secretaria Estadual da Saúde.

O custo da testagem é estimado em R$ 85 milhões e prevê a transferência de tecnologia para que a vacina chinesa possa ser produzida no Brasil. Esta é a segunda vacina a receber autorização para testes no País. Em junho, a Anvisa liberou a realização de ensaios clínicos de uma vacina produzida na Universidade de Oxford, na Inglaterra.

puerpério é o período de 40 dias que a mulher deve ter de resguardo após o parto. Este momento de recuperação é marcado por uma série de sentimentos e emoções e é a fase para que a nova mãe possa se adaptar às demandas da vida materna. Mas, em meio à quarentena por conta da pandemia de coronavírus, os desafios desse momento tornam-se ainda mais persistentes.

"As alterações hormonais comuns dessa fase podem intensificar ainda mais todos os sentimentos vividos no pós-parto, como a tristeza materna, conhecida como babyblues, que geralmente não é bem compreendida, visto que a sociedade implica que a mãe deve se sentir feliz com a vinda do bebê", comenta a psicóloga e sexóloga Valquíria de Oliveira.

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A professora Maíra Frazão Guimarães, 39 anos, enfrentou este momento no início da pandemia, com o nascimento da filha Laura, em março deste ano. "No primeiro mês foi super difícil. Achei que os números de mortes fossem cair, mas é uma loucura a cabeça no puerpério. É cada sentimento confuso. E esse foi mais ainda, porque tive o bebê por cesárea, sendo que já tinha tido um por parto normal. De primeira, fiquei muito deprimida", conta.

Na recuperação, Maíra não recebeu visitas. Os primeiros dias pós-parto, em casa, foram marcados pela alternância de sentimentos. "A mudança de humor é constante. A tristeza e alegria são antagônicas e irmãs siamesas. Vivem alimentando uma a outra diariamente. Estava feliz pela saúde do bebê, pela alegria der vê-la crescer. Porém, o fim da barriga, o exaustivo cuidado com a criança e a morte de minhas vontades individuais martelavam minha cabeça, porque tudo fica em segundo plano", lembra Maíra.

A psicóloga Valquíria afirma que o apoio e a compreensão do companheiro ou de familiares pode ajudar na organização mental dessa mistura de sensações, que são normais e passageiras, permitindo que essa fase seja enfrentada com facilidade. "Com as limitações do momento, as amigas são pessoas cruciais. Invista em ligações de vídeo, se disponibilizando a ouvir suas queixas e oferecendo sugestões para ajudá-la com suas dúvidas", orienta. "O puerpério é um período de grandes transformações, mas como qualquer outro momento, é passageiro, por isso é imprescindível que o casal não se cobre tanto", finaliza.

 

A quarentena causada pelo coronavírus fez com que parte da população limitasse as relações presenciais e ampliou o tempo dentro de casa. Assim, aqueles que se sentiram solitários puderam encontrar nos animais de estimação uma boa companhia durante o isolamento. "Ter um pet ajuda na produção de ocitocina, conhecida como o hormônio do amor, além da produção de endorfina e serotonina. Cães e gatos, por serem mamíferos, despertam nos seus tutores uma espécie de amor incondicional", explica psicóloga Barbara Brambila.

Essa também foi a conclusão da autônoma Patrícia Ferreira, 34 anos, que decidiu adotar uma cachorrinha, batizada de Aurora, para fazer companhia à Isabella, sua filha de cinco anos. "Ela sempre me pedia um cachorro. Agora, com o momento que estamos enfrentando, decidimos que seria a melhor hora de presenteá-la", comenta.

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O que aconteceu com a estudante de pedagogia Thainá Santos, 24 anos, foi parecido. Ela enfrenta a pandemia sozinha e a adoção de Romeu, um pug de três anos, ajudou a amenizar os momentos mais solitários. "Meus pais em casa decidiram passar a quarentena na casa da praia e me senti muito sozinha. Então, achei que a adoção de um cachorro seria o mais viável. Não me arrependo", comenta. "O tutor de um animal se sente útil em poder cuidar e zelar por alguém. Sendo uma troca positiva de amor", complementa a psicóloga Barbara.

De acordo com a ONG Ampara, instituição sem fins lucrativos, em entrevista ao Cães e Gatos, o aumento na procura por adoção deu um salto considerável após o início da quarentena. Porém, os responsáveis pela instituição afirmam que nem sempre os requisitos são preenchidos, pois muitos buscam filhotes de pequeno porte, que são os o que menos se encontram em abrigos e ONGs de resgate.

 

O Sistema Hapvida divulgou nesta sexta-feira (3), que alcançou a marca de 10 mil pacientes recuperados da Covid-19 em suas unidades do país. O número foi alcançado na última quarta-feira (1º).

"Estamos muito felizes com o número de clientes que venceram todas as aflições e desafios desse vírus, até então desconhecido por todos nós. Hoje, realmente, é um dia que precisamos comemorar. Comemorar esse resultado que só foi possível graças a uma equipe incansável e protocolos médicos assertivos", explica o presidente, Jorge Pinheiro.

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No total, o Brasil registra 852.816 pessoas que conseguiram vencer o novo coronavírus. Número é bem maior do que a soma de pessoas que, infelizmente, não conseguiram resistir, um total de 61.884.

A Cannabis medicinal será estudada como forma de aliviar sintomas de sobrecarga psicológica em médicos e enfermeiros da linha de frente do combate a pandemia do Novo Coronavírus. A ideia é demonstrar como a planta é eficaz no tratamento de problemas gerados pelo momento que vivemos.

O estudo foi aprovado esta semana pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEPSH) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O título da pesquisa é “Impacto do óleo integral de Cannabis na saúde mental de profissionais da linha de frente no combate a COVID-19”.

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“A cannabis já tem efeito consagrado como ansiolítico. Neste momento de pandemia, estes profissionais estão expostos a uma alta carga de estresse que acaba refletindo fisicamente e mentalmente. No estudo, iremos avaliar como a cannabis atua no controle da ansiedade, depressão e estresse destes profissionais”, explicou o diretor da Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace Esperança), Cassiano Teixeira.

Irão participar 300 profissionais da saúde, entre médicos e enfermeiros. O óleo a ser utilizado no estudo é fabricado pela Abrace e será disponibilizado a todos de forma cega, ou seja, sem que eles saibam se estão utilizando cannabis ou não.

“Eles irão receber um medicamento feito com o extrato integral da planta com 100mg/mL de CBD ou placebo. Estes profissionais serão acompanhados durante seis meses de tratamento, e receberão um questionário para auto-avaliação e consultados por médicos da equipe por telemedicina”, detalhou o diretor da Abrace.

A previsão de resultados é para o mês de março de 2021. Este será o primeiro estudo da espécie no Brasil.

Da assessoria da Abrace Esperança

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A vitamina D tem a função de regular o metabolismo ósseo no corpo humano. É uma poderosa arma para o bom funcionamento de sistemas como o cardiovascular e nervoso. Apesar de essencial, o excesso representa um risco à saúde. 

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Nesta quarta-feira (1º), o Hemocentro de Pernambuco (Hemope) deu início a um estudo com plasma convalescente para tratar de pacientes considerados graves, que estejam internados nos hospitais do Estado. A pesquisa clínica está fazendo agendamento de voluntários que encontram-se recuperados da Covid-19. O Hospital das Clínicas, Hospital Universitário Oswaldo Cruz e o Procape foram incluídos na fase inicial da análise.

"É importante destacar que a pesquisa é experimental, supõe-se que funcione, mas precisamos de análises sobre a efetividade do tratamento, que será destinado a pacientes graves, hospitalizados e com pior prognóstico", explicou Demócrito Miranda, médico infectologista, pesquisador e professor da Universidade de Pernambuco (UPE).

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De acordo com o Hemope, os interessados em colaborar com o estudo terão que fazer o agendamento para atendimento presencial através do telefone (81) 3182-4630, sempre de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. No site da fundação, mais informações estão disponíveis sobre o assunto.

"É importante respeitar os critérios para doação. Pode ocorrer do paciente doar o plasma mas não ter o anticorpo, por exemplo. Após a coleta, o Hemope irá realizar as análises que são imprescindíveis para classificar e avaliar o material como plasma convalescente ou não", pontua Demócrito. 

O aumento da procura por tratamentos estéticos contribuiu para o desenvolvimento de aparelhos dentários transparentes, com isso, ele vem ganhando um papel de destaque no campo da Ortodontia. Além de virtualmente invisíveis, esses alinhadores são removíveis, o que facilita a mastigação por parte do paciente, bem como a higienização de seus dentes. Sabe-se que o sucesso do tratamento ortodôntico depende, em grande parte, da manutenção e uso correto e contínuo dos aparelhos indicados, que necessitam adaptação perfeita durante toda a terapia, a fim de se atingir o resultado almejado no plano de tratamento.

Em virtude disso, docentes e alunos do programa de pós-graduação em Ortodontia da Universidade UNG participaram do desenvolvimento do Power Aligner®, dispositivo de uso intraoral com o objetivo de aumentar a adaptação do alinhador aos dentes do paciente, potencializando o seu uso mediante o melhor encaixe e, potencialmente, facilitando o movimento desejado dos dentes.

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Segundo a coordenadora de pós-graduação de Ortodontia da UNG, Ana Carla Raphaelli Nahás Scocate, o produto é um grande sucesso entre os profissionais da Odontologia. "Presume-se que o melhor encaixe aos dentes, proporcionado pelo uso do produto, poderia resultar em maior efetividade do aparelho dental, resultando na potencialização do efeito desejado do movimento dos dentes", explica.

O produto foi desenvolvido e patenteado pelos docentes Marcos Coral Scocate, Ana Carla Raphaelli Nahás-Scocate e Juliana Azevedo Marques Gaschler e sua produção e comercialização para o mercado está por conta da empresa de produtos odontológicos CORALDENT®.

 

*da Assessoria de Comunicação

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