Notícias

| Ciência e Saúde

Os coletores menstruais, baratos e reutilizáveis, são tão seguros e eficazes quanto os absorventes higiênicos, compressas e absorventes internos - aponta o primeiro grande estudo científico sobre o assunto, publicado nesta quarta-feira (17).

Cerca de 70% das mulheres que usaram coletores menstruais dizem que preferem continuar a usá-los, de acordo com uma pesquisa publicada pela revista médica "The Lancet Public Health".

Este estudo reúne 43 trabalhos anteriores que incluíram 3.300 mulheres e é o primeiro a avaliar os coletores menstruais, dispositivo pouco conhecido em comparação aos absorventes higiênicos e internos.

"Um total de 1,9 bilhão de mulheres no mundo estão em idade de menstruar e passam, em média, 65 dias por ano menstruadas. No entanto, há poucos estudos de qualidade que comparam os meios de proteção", ressaltou uma das autoras do estudo, Penelope Phillips-Howard, professora da Liverpool School of Tropical Medicine.

Muitas mulheres no mundo não têm acesso a esses meios de proteção, o que pode ser prejudicial para elas na escola, no trabalho, ou em seu cotidiano, afirmam os pesquisadores.

Feito de silicone, ou de látex, os coletores são inseridos na vagina para coletar o sangue menstrual. Eles devem ser esvaziados a cada quatro, ou 12 horas.

O estudo concluiu que eles são tão eficazes quanto absorventes higiênicos e internos e que não representam qualquer risco adicional de infecção.

Cinco casos de síndrome do choque tóxico menstrual foram observados, mas como o número total de usuárias de coletores é desconhecido, os pesquisadores não puderam determinar se o risco era maior do que o dos absorventes internos.

Esta síndrome é causada por uma bactéria, o Staphylococcus aureus, e causa febre, pressão arterial baixa e outros distúrbios potencialmente graves (digestivos, musculares, renais).

Para evitar isso, as autoridades de saúde recomendam não deixar a mesma proteção, absorvente interno, ou coletor, por muito tempo dentro do corpo.

O estudo também analisou o custo dos coletores menstruais. Em alguns países, custam menos de um dólar e são 5% a 7% mais caros do que uma caixa com 12 absorventes higiênicos, ou internos. No longo prazo, porém, são muito econômicos, porque podem ser reutilizados e duram até dez anos.

Nos países mais ricos, alguns modelos podem custar até US$ 40. "Estes resultados mostram que os coletores podem ser uma opção segura e acessível para as mulheres", disse Julie Hennegan, especialista britânica em Saúde Pública, em um comentário publicado pela "The Lancet Public Health".

A obesidade infantil é uma preocupação tanto dos órgãos de saúde, como também dos pais. Encontros e pesquisas têm sido realizados com o intuito de diminuir os números alarmantes da doença mundo afora. O Ministério da Saúde, por exemplo, iniciou o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), para mapear a situação de saúde e nutrição de crianças em todo o país.

Segundo a professora do curso de Nutrição da UNINASSAU Belém, Aline Ozana, a obesidade tem causa multifatorial, “na infância está associada principalmente a uma alimentação inadequada, com consumo excessivo de alimentos muito calóricos e pouco nutritivos, como os fast foods e junk foods, aliado ao sedentarismo”, explica a professora.  Ozana destaca que alguns fatores durante a gestação podem contribuir como obesidade materna e diabetes gestacional. “Além disso, a falta de amamentação durante a fase de lactação é fator determinante. O aleitamento materno tem efeito protetor e dose-dependente na redução do risco de obesidade na vida adulta”, afirma. 

##RECOMENDA##

Prevenção

Entre os benefícios que a amamentação pode trazer à criança, está o combate à obesidade infantil. “É indicado amamentação exclusiva até os seis meses, a partir daí, a alimentação complementar deve priorizar frutas, vegetais e proteínas de origem animal, pois fatores nutricionais e metabólicos, em fases iniciais do desenvolvimento humano, têm efeito em longo prazo na vida adulta”, diz a nutricionista, acrescentando a importância do acompanhamento periódico da criança com o nutricionista.

O bom exemplo em casa e na escola também é fundamental na prevenção da obesidade em crianças. “Pais que querem que seu filho tenha uma alimentação adequada, devem servir de exemplo tendo também uma alimentação saudável. Avaliar os lanches que estão disponíveis para compra e consumo na escola também é fundamental, visto que a família e a escola são os principais veículos educadores desta faixa etária”, afirma Aline Ozana.

Da assessoria

Qual a quantidade de café que pode ser tomada por dia por quem tem predisposição a ter pressão alta e que não vai ser prejudicial? Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) com 533 pessoas da cidade de São Paulo apontou que mais de três xícaras, das de 50 ml, podem aumentar em até quatro vezes a possibilidade de o problema se manifestar. Tomar até três xícaras, no entanto, traz benefícios e ajuda a evitar doenças cardiovasculares.

Pós-doutoranda no Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP), a nutricionista Andreia Machado Miranda, principal autora do estudo, disse que os hábitos do indivíduo e a predisposição genética, isoladamente, já são fatores de risco conhecidos para a pressão arterial, mas ela e a equipe de pesquisadores se debruçaram nos impactos do consumo excessivo de café por pessoas saudáveis, mas com predisposição genética a ter hipertensão.

##RECOMENDA##

Para isso, utilizaram como base o Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA-Capital 2008), que foi realizado com 3 mil pessoas. "É um estudo muito completo com dados de estilo de vida, coleta de sangue e de DNA, informações bioquímicas e aferição da pressão arterial. Definimos como pressão arterial normal valores abaixo de 140 por 90 milímetros de mercúrio (mmHg). Acima disso, era considerado pressão alta", explica a pesquisadora.

O grupo desenvolveu escores genéticos de risco e analisou o consumo de café dos participantes (menos de uma xícara, entre uma e três xícaras, e mais de três xícaras), além da pressão arterial deles.

"O consumo médio foi de duas xícaras e meia de café por dia. Nenhum dos participantes relatou o consumo de café descafeinado e quatro indivíduos falaram que consomem café expresso. O café é complexo. Ele é constituído por mais de 2 mil compostos químicos, entre eles, a cafeína, que aumenta os níveis da pressão arterial."

A pesquisa mostrou que o grupo que tinha a pontuação mais elevada no escore genético e que bebia mais de três xícaras de café, a possibilidade de ter pressão alta era quatro vezes maior do que de quem não tinha a predisposição.

"Como a maior parte da população não sabe se tem a predisposição, porque são dados de exames que não são habitualmente feitos, a pesquisa pode ajudar toda a população a saber qual o consumo adequado que deve ser feito de café", diz Andreia, que já realizou estudos sobre os efeitos do consumo da bebida.

Efeito protetor

"Em todos os nossos estudos, constatamos o efeito protetor para a parte cardiovascular. O café é rico em polifenóis, compostos bioativos que têm ação no organismo e só existem nos alimentos de origem vegetal. O organismo não produz. Diversos estudos têm mostrado uma contribuição na redução de doenças crônicas, como a cardiovascular. Por causa do poder antioxidante, melhora a vasodilatação e permite que a pressão arterial não aumente."

Outro estudo realizado por Andreia apontou que o consumo de uma a três xícaras por dia traz benefícios para a saúde cardiovascular, como a regulação de um aminoácido chamado homocisteína, que está relacionado com episódios de enfarte e acidente vascular cerebral (AVC).

A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi publicada na revista Clinical Nutrition.

O próximo passo do estudo é verificar o impacto do consumo de café em pacientes que já têm doenças cardiovasculares. "Agora, vamos identificar os efeitos nos pacientes que já sofreram um episódio de enfarte agudo do miocárdio ou angina instável e qual vai ser o impacto na sobrevida desses pacientes", disse.

A previsão é de analisar, no período de quatro anos, dados de 1.085 pacientes atendidos no Hospital Universitário da USP.

Pessoas que sofrem com problemas no coração ou pressão alta precisam de cuidados especiais na hora de praticar atividades físicas. A cautela deve ser ainda maior durante o inverno. Nesta época do ano, a mortalidade por doenças cardiovasculares podem ter um aumento de até 30%, é o que mostra os dados de uma pesquisa realizada pela American Heart Association.

Em dias frios, os vasos sanguíneos ficam mais contraídos, o que compromete a circulação, e o sangue oxigenado tem mais dificuldade de chegar ao coração. Com os vasos mais estreitos, aumenta a pressão arterial, sobrecarregando ainda mais o coração. Por isso é fundamental que os praticantes de exercícios físicos que possuem algum fator de risco tenham cuidados redobrados. "Quando já existem fatores como a obesidade, diabetes ou a pessoa é fumante, é aconselhado que sejam realizados exames para observar se existe algum problema no coração", ressalta o cardiologista e médico do esporte do Hospital do Coração (HCor), Nabil Ghorayeb.

##RECOMENDA##

O cardiologista lembra que os exames cardíacos devem ser feitos em qualquer época do ano, pois a avaliação ajuda a prevenir doenças cardiovasculares. Quem se exercita no inverno, precisa saber que no rosto, nas mãos e nos pés estão os mais sensíveis sensores de temperatura. "No inverno, o ideal é fazer exercício físico entre 20°C e 25°C e mesmo assim com cuidado. Pelas possíveis dificuldades respiratórias das baixas temperaturas e vento frio, recomendamos o aquecimento muscular, intensificando os exercícios progressivamente. O ideal é utilizar vestimentas adequadas nas mãos, pés e rosto, para se proteger da perda rápida de calor que ocorre durante a atividade física, além da ingestão de líquidos", explica Ghorayeb.

Neste período ocorre um aumento significativo de algumas doenças conhecidas, como as infecciosas, que são causadas por vírus e bactérias, pois há uma diminuição da imunidade do organismo em consequência do frio. Isso requer maior atenção entre as crianças, idosos, portadores de doenças crônicas, doenças do aparelho circulatório, como pressão alta, e doenças coronárias, como angina, infarto, cirurgias cardíacas ou angioplastias. "O corpo humano tem sua temperatura normal de 35,5°c. Se baixar disso, o metabolismo fisiológico deixa de produzir energia para manter a temperatura interna, levando a sérias consequências, como a coordenação motora, além do risco de parada cardíaca, que se não for atendida em minutos, pode ser fatal", conclui Ghorayeb.

O número de mortes relacionadas com a aids no ano passado caiu a 770 mil, um terço a menos que em 2010, anunciou nesta terça-feira (16) a ONU, que fez uma advertência sobre a estagnação dos esforços mundiais para erradicar a doença com a redução do financiamento.

LeiaJá também

--> 'Não é o HIV que mata, mas o preconceito ao redor'

Mais de três em cada cinco soropositivos no mundo - 23,3 milhões de 37,9 milhões - recebem tratamentos antirretrovirais, uma proporção recorde, afirma Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids) em seu relatório anual.

Os tratamentos, que permitem não transmitir o vírus da aids quando tomados corretamente, alcançam 10 vezes mais pacientes do que em meados da década passada.

O número de mortes do ano passado foi um pouco inferior ao registrado em 2017 (800 mil) e um terço menor que o balanço de 2010 (1,2 milhão). E está muito abaixo da hecatombe de 2004, quando o vírus da aids matou 1,7 milhão de pessoas.

O número de novas infecções permanece estável na comparação com os anos anteriores (1,7 milhão).

As cifras globais escondem, no entanto, grandes diferenças regionais, destaca a Unaids, que adverte que a luta contra a doença não avança a um ritmo suficiente.

Em geral, a queda do número de mortes e o maior acesso aos tratamentos são explicados pelos avanços registrados no sul e leste da África, o continente mais afetado pela doença. Em outras partes do mundo, alguns indicadores são preocupantes.

No leste da Europa e na Ásia central o número de novas infecções disparou 29% desde 2010. O número de falecimentos em consequência da aids também aumentou 5% nestas regiões e 9% no Oriente Médio e norte da África, nos últimos oito anos.

Redução do financiamento 

A Unaids adverte em seu relatório que o financiamento para eliminar a doença está em queda. "Pela primeira vez desde 2000 os recursos disponíveis para a luta global contra a aids caíram", alertou Gunilla Carlsson, diretora interina da Unaids após a saída de Michel Sidibé.

No ano passado, 19 bilhões de dólares foram destinados a programas de luta contra a aids, um bilhão a menos que em 2017 e sete bilhões a menos que o valor considerado necessário para para 2020 (US$ 26,2 bilhões).

"Esta redução é um fracasso coletivo", destaca a Unaids. O programa da ONU afirma que o cenário envolve "todas as fontes de financiamento": contribuições internacionais dos Estados, investimentos dos países ou doações privadas com fins filantrópicos.

Por este motivo, 2019 é considerado um ano crucial. Organizada a cada três anos, a conferência de financiamento do Fundo Mundial acontecerá em 10 de outubro na cidade francesa de Lyon.

O objetivo é arrecadar 14 bilhões de dólares para o período 2020-22 para conseguir financiar o fundo. Os principais contribuintes são Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha e Japão.

Os obstáculos afetam o trabalho para alcançar o objetivo estabelecido pela ONU para 2020: que 90% das pessoas portadoras do vírus conheçam seu diagnóstico, que 90% destas pessoas recebam tratamento e que, entre elas, 90% tenham uma carga viral indetectável.

Em 2018, estas proporções foram, respectivamente, de 79%, 78% e 86%, com muitas diferenças regionais.

O Dia do Homem é comemorado nesta segunda-feira (15), no Brasil. O objetivo é conscientizar a população masculina sobre os cuidados com a saúde e sobre doenças como o câncer de mama que, apesar de ser rara entre a população masculina, pode acontecer e depende de um diagnóstico precoce para melhorar as chances de tratamento e cura. 

Os homens representam apenas 1% do total de casos de câncer de mama no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). “Pelo fato de ser uma doença rara entre eles, a recomendação de diagnóstico precoce acaba sendo menor, mas os homens precisam saber que ao notar um caroço, tumor, ou algo diferente na mama precisa ser avaliado e investigado. A maioria das vezes, quando há alguma alteração não é câncer, mas para ter certeza é necessário examinar para um diagnóstico preciso”, orienta a oncologista do Instituto do Câncer de São Paulo, Laura Testa.

##RECOMENDA##

Para a definição do diagnóstico, além de exame clínico, exames de imagem como mamografia, ultrassonografia ou ressonância podem ser solicitados pelo médico. Porém, a confirmação só é feita por meio da biópsia, que consiste na retirada de um fragmento do nódulo suspeito.

Segundo a especialista, os homens que têm casos de câncer na família têm uma chance maior de ter a doença. “Os homens que têm casos genéticos precisam fazer avaliações com um profissional e sempre que notarem algo anormal devem procurar um especialista”, ressalta.

O tratamento varia de acordo com o estágio da doença, onde pode envolver quimioterapia, radioterapia, medicamentos e até a cirurgia. “O câncer de mama tem vários subtipos e cada um deles é tratado de uma maneira, mas o tratamento é o mesmo para homens e mulheres”, explica a médica.

 

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a cada dois minutos, um homem faz um procedimento estético. Preocupados cada vez mais com a aparência, eles procuram especialmente intervenções faciais. O Dia do Homem é comemorado no Brasil em 15 de julho. O objetivo é conscientizar a população masculina sobre os cuidados que deve tomar com a saúde.

Entre 2009 e 2019, a quantidade de cirurgias plásticas realizadas em homens quadruplicou. "Isso é reflexo do aumento da expectativa de vida e do desejo de amadurecer sem sofrer com os efeitos do tempo", diz o médico Juliano Souto Ferreira.

##RECOMENDA##

O cirurgião plástico ressalta que cada procedimento possui uma indicação específica. Dos 12 tratamentos estéticos mais realizados por homens no Brasil, mais da metade é feita na região facial.

Cirurgias plásticas mais realizadas por homens no Brasil:

- Lifiting facial (Ritidoplastia): É a cirurgia que promove o reposicionamento das estruturas da face, eliminando a flacidez e a pele excessiva. É recomendado para homens que apresentam sinais de envelhecimento como rugas de expressão e excesso de pele deixando o paciente com aspecto cansado.

- Blefaroplastia (cirurgia das pálpebras): Elimina o excesso de pele e gordura nas pálpebras superiores e inferiores, proporcionado um olhar mais descansado e rejuvenescido.

- Preenchimento facial: Consiste na aplicação de ácido hialurônico em regiões com sulcos, aperfeiçoando o contorno do rosto e dando um formato mais harmônico.

- Aplicação de toxina botulínica: Muito procurada para amenizar as rugas e linhas de expressão.

- Lipoaspiração: Através de uma cânula, o cirurgião plástico consegue tratar de maneira eficiente o excesso de gordura nas regiões do abdômen, dorso, culotes, parte interna das coxas, braços e papada, conferindo um contorno corporal mais harmonioso.

- Rinoplastia: Essa cirurgia visa tratar uma das regiões anatômicas mais importantes da face, o nariz. Responsável por ser um dos elementos que equilibram a beleza facial, é comum que pacientes insatisfeitos com a formato nariz se sintam constrangidos e incomodados. De uma anatomia peculiar e complexa, esse procedimento começa antes mesmo do ato cirúrgico, onde o cirurgião plástico deverá entender as expectativas do paciente.

- Transplante Capilar: Além do transplante de unidade folicular, há também a técnica de extração de unidade folicular, um método onde os folículos capilares são retirados livremente de uma área doadora, sendo capaz de ser feito tanto pelo cirurgião quanto por um robô. Após a remoção, os enxertos são cuidadosamente preparados para a implantação e colocados para atingir o melhor ângulo, direção e padrão no local do enxerto.

- Mentoplastia: É um procedimento cirúrgico para remodelar o queixo utilizando implantes ou o osso. Muitas vezes, o cirurgião plástico pode recomendar a cirurgia do queixo juntamente com a cirurgia do nariz, de modo a atingir proporções faciais equilibradas - isto porque o tamanho do queixo pode aumentar ou diminuir o tamanho percebido do nariz. Esta cirurgia ajuda a dar equilíbrio harmonioso de suas características faciais para que se sinta melhor com a sua aparência.

- Otoplastia: A otoplastia é a cirurgia para correção das deformidades da orelha. Uma das mais comuns é a orelha em abano que causa grande transtorno psicossocial principalmente nas crianças em idade escolar. Essa cirurgia pode ser realizada com anestesia geral ou local, procedimento que costuma durar entre uma ou duas horas.

- Prótese de peitoral: As próteses são feitas de silicone, mas não como uma prótese de mama. Elas são de silicone sólido, com afinco que varia para imitar o tecido muscular. Os implantes mamários têm uma cápsula e são preenchidos. Por isso, são distintos visual e sensorialmente dos utilizados em homens.

- Prótese de panturrilha: A aplicação das próteses na panturrilha é relativamente simples. O procedimento dura cerca de uma hora e o paciente mantém-se no hospital por 24 horas. O procedimento cirúrgico se baseia na inserção de uma prótese de silicone em gel na panturrilha. Ele é feito através de um corte na região posterior do joelho, situada na dobra posterior do joelho. É feito uma "bolsa" ou descolado um espaço acima do músculo, então, é inserido o implante e é realizada a sutura da incisão.

- Ginecomastia: A ginecomastia é o nome científico dado ao crescimento anormal das mamas nos homens. Essa alteração ocorre devido ao uso de certas medicações, drogas, anabolizantes, genética e a algumas síndromes sexuais. Com a cirurgia para correção de ginecomastia é retirado o excesso de tecido glandular e/ou tecido gorduroso.

Os esforços para aumentar a cobertura de vacina contra doenças letais estão estagnados - anunciou a ONU nesta segunda-feira (15), muito preocupada, em particular frente à epidemia de sarampo.

Em seu relatório anual sobre os índices globais de vacinação, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que, em 2018, quase 20 milhões de crianças não receberam vacinas para evitar doenças que podem levar à morte.

"Isso significa que mais de uma criança a cada dez não recebe a totalidade das vacinas, de que necessita", explicou a diretora do Departamento de Imunização e Vacinas da OMS, Kate O'Brien, na apresentação do relatório anual sobre vacinação.

Pela primeira vez, as estatísticas anuais da ONU levam em conta a vacina contra os papilomavírus humanos (HPV), usado antes do início da vida sexual para proteger contra o câncer de colo de útero.

No último ano, 90 países - desenvolvidos, em sua maioria - integraram o HPV a seus programas nacionais. Segundo a ONU, esta vacina está disponível para uma menina em cada três no mundo.

Apesar dos sinais de progresso em relação ao HPV, os dados referentes ao conjunto de vacinas mostram que há uma "perigosa estagnação das taxas de vacinação no mundo, devido a conflitos, às desigualdades e a uma complacência", acrescenta a ONU.

A taxa de cobertura mundial para a vacinação de base contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) e sarampo se encontra estagnada desde 2010, em 86%.

Esse índice permanece "elevado", mas "insuficiente", de acordo com a ONU, preocupada, sobretudo, com a extensão da epidemia de sarampo. No ano passado, 350.000 casos de sarampo foram registrados no mundo, ou seja, mais do que o dobro do que em 2017.

Os primeiros números referentes a 2019 são desanimadores. Os casos de sarampo no mundo quadruplicaram no primeiro trimestre de 2019, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo a OMS.

"As razões dessas epidemias são muito diversas, mas a primeira causa é que crianças vivem em comunidades onde a vacina antissarampo é insuficiente, e que crianças, individualmente, não são imunizadas", declarou O'Brien, advertindo contra a "proliferação de falsas informações" sobre esta vacina.

Nos países ocidentais, os movimentos "antivacina" se apoiam em um artigo de 1998, que relaciona vacina contra sarampo e incidência de autismo. A OMS já rebateu essas críticas diversas vezes, e se descobriu que o autor da publicação, o britânico Andrew Wakefield, falseou seus resultados.

Termina nesta terça-feira, 16, o prazo para que as empresas de telefonia criem a lista nacional de bloqueio de telemarketing. O consumidor que não quiser mais receber ligações de ofertas de empresas como Claro/Net, TIM, Vivo, Nextel, Oi e Sky deve se cadastrar no portal naomeperturbe.com.br.

A lista, porém, não bloqueia ligações das empresas de telecomunicação com fins de pesquisa ou de empresas de outros setores que queiram vender seus produtos. Portanto, o consumidor está protegido apenas das chamadas indesejadas com o propósito de vender serviços de telefonia, TV por assinatura ou internet.

##RECOMENDA##

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou, em junho passado, o prazo de 30 dias para que as empresas de telecomunicações implementassem o mecanismo, pois são justamente essas companhias as responsáveis por um terço das ligações de telemarketing indesejadas, segundo estudos de mercado que fundamentaram a decisão da agência.

Até maio deste ano, a Anatel registrou quase 14 mil reclamações de consumidores, uma média mensal de 2,8 mil queixas. Sendo que a média do ano de 2018 foi de 2,2 mil reclamações por mês.

O Procon já tem uma lista de bloqueio de ligações de telemarketing. Qual é a diferença?

A diferença está na abrangência. Enquanto o cadastro da Anatel é mais abrangente em termos geográficos, já que se trata de uma lista nacional (e o Procon atua na esfera estadual), o cadastro do Procon é mais abrangente na gama de empresas, pois bloqueia ligações de telemarketing de todas as companhias, e não somente as de telecomunicações.

Não seria melhor criar uma lista de bloqueio nacional que atinja todas as empresas?

O presidente da Anatel disse, em nota divulgada em junho, que a agência estudará soluções técnicas que possam ajudar a combater o problema das ligações indesejadas vindas de outros setores. Mas, apesar de 90% dos brasileiros terem recebido ligações indesejadas de telemarketing, somente 36,8% tentaram bloquear o número e só 11,2% procuraram serviços de proteção do consumidor, de acordo com uma pesquisa realizada pela Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu nesta segunda-feira (15) que os alimentos industrializados para bebês contêm, com frequência, excesso de açúcar e rótulos que geram confusão.

"Em quase metade dos produtos examinados mais de 30% das calorias eram de açúcares totais e um terço dos produtos continham açúcar adicionado ou outros agentes adoçantes", destacou o departamento europeu da OMS.

O estudo examinou quase 8.000 produtos de mais de 500 lojas de Viena (Áustria), Sofia (Bulgária), Haifa (Israel) e Budapeste (Hungria) de novembro de 2017 a janeiro de 2018.

Um consumo elevado de açúcar pode aumentar o risco de sobrepeso e de cáries, assim como uma exposição precoce aos produtos açucarados pode criar uma preferência nociva por estes alimentos para o resto da vida, alerta a OMS.

"Uma boa nutrição durante o período neonatal e a infância é essencial para assegurar ótimos crescimento e desenvolvimento da criança, e uma saúde melhor mais tarde em sua vida", recorda a diretora regional da OMS para a Europa, Zsuzsanna Jakab, citada em um comunicado.

Em 2018, a instituição fez um alerta contra o avanço da obesidade e do sobrepeso entre os europeus, que ameaça inverter a tendência do aumento da expectativa de vida.

Consumir bebidas açucaradas, incluindo sucos de frutas, provoca uma tendência a abandonar os alimentos mais ricos em nutrientes.

Um terço dos produtos examinados continham açúcar, suco de frutas concentrados ou outros adoçantes em sua composição, ingredientes que não deveriam ser adicionados aos alimentos para crianças.

Entre 18% e 57% dos produtos continham mais de 30% de calorias procedentes de açúcares, lamenta a OMS.

O departamento europeu da organização, que vai do Atlântico até o Pacífico, inclui 53 países tão heterogêneos como Rússia e Andorra, Alemanha e Tadjiquistão.

- Até 60% de rótulos enganosos -

O estudo mostra ainda que entre 28% e 60% dos alimentos considerados inapropriados pela OMS tinham rótulos como aptos para bebês de menos de seis meses.

"A OMS recomenda que os lactantes se alimentem exclusivamente com leite materno durante os seis primeiros meses de vida e, portanto, nenhum alimento deve ser comercializado como adequado para crianças com menos de seis meses", destaca o informe.

Para estimular os países membros a adotar novas diretrizes, a OMS atualizou suas recomendações.

A organização deseja acabar com a promoção de substitutos do leite materno e recomenda que a alimentação de crianças entre seis meses e dois anos tenham como base os alimentos ricos em nutrientes, preparados em casa.

Todos os açúcares adicionados e adoçantes também devem ser eliminados dos alimentos para bebês.

Os rótulos das bebidas açucaradas, em particular os sucos de frutas e o leite concentrado, e de produtos de confeitaria deveriam indicar que estes alimentos não são adequados para crianças com menos de três anos.

O consumo de bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos de frutas artificialmente adoçados, está vinculado a um risco maior de desenvolvimento de certos tipos de câncer, advertiram cientistas em um estudo que será publicado nesta quinta-feira (11).

A ingestão deste tipo de bebida explodiu no mundo todo nas últimas décadas e estes produtos altamente calóricos já tinham sido associados a um risco elevado de obesidade, que por si só já é reconhecida como um dos principais fatores de risco de desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.

Uma equipe de pesquisadores na França quis avaliar as associações entre o consumo de bebidas açucaradas e os riscos de câncer em geral, assim como alguns tipos específicos de tumores malignos, como de mama, próstata e intestino. Eles pesquisaram mais de cem mil adultos, com idade média de 42 anos, sendo 79% mulheres.

Os participantes, que foram acompanhados por um período máximo de nove anos, preencheram pelo menos dois questionários sobre sua dieta em 24 horas, validados online, calculando seu consumo diário de açúcar e bebidas adoçadas artificialmente, assim como 100% de sucos de frutas.

Os cientistas mediram a ingestão diária de bebidas açucaradas em relação a bebidas diet e compararam os dados aos casos de câncer nos registros médicos dos participantes do estudo durante o período de acompanhamento.

Eles descobriram que uma ingestão de apenas 100 ml por dia de bebidas açucaradas estava associada a um aumento de 18% no risco de câncer e um aumento de 22% no risco de câncer de mama.

Tanto bebidas adoçadas quanto sucos de fruta tiveram associação de risco similar.

Durante o acompanhamento, os pesquisadores descobriram 2.193 casos de câncer diagnosticados, com idade média de diagnóstico aos 59 anos.

Os autores do estudo, publicado na revista médica BMJ, reforçaram que seu trabalho se baseou em observação e, portanto, não poderiam estabelecer a causa dos prognósticos de câncer.

Mas o tamanho da amostra foi grande e eles a ajustaram para um número de outros fatores de influência.

Segundo os autores, com base em suas descobertas, taxar as bebidas açucaradas poderia ter um impacto significativo nos índices de câncer.

"Este estudo amplo e bem desenhado se soma à evidência existente de que o consumo de bebidas açucaradas podem estar associadas com um aumento do risco de alguns cânceres", afirmou Graham Wheeler, estatístico sênior do Cancer Research UK, a respeito do estudo.

Época de frio, início do inverno e os cuidados contra a dengue diminuem. Isso ocorre porque o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, circula menos durante períodos mais frios, mas se os criadouros não forem eliminados, os ovos depositados podem permanecer  intactos por meses e, quando a estação quente recomeçar, eles vão eclodir, dando origem a um novo ciclo do mosquito.

É o que explica a coordenadora da Vigilância Ambiental da Secretaria da Saúde do Paraná, Ivana Belmonte.

##RECOMENDA##

Para ela, a prevenção é a forma mais eficaz de se combater o mosquito e essa é uma tarefa que depende muito da contribuição da população.

“Mais de 60% dos criadouros estão nos quintais e dentro das residências, em recipientes que acumulam água parada”, diz.  

Pesquisa

Segundo o primeiro Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (Liraa) de 2019, divulgado em abril pelo Ministério da Saúde, 994 municípios apresentaram alto índice de infestação para as doenças provocadas pelo mosquito, com risco de surto para dengue, zika e chikungunya.

O aumento da incidência de casos de dengue em todo o país foi de 339,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Esses resultados indicam que é preciso fortalecer ainda mais as ações de combate ao mosquito transmissor, com a participação da população e de todos os gestores locais e federais”, afirmou à época o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber.

No entanto, ele salientou que, mesmo com aumento no número de casos da doença, a taxa de incidência estava dentro do esperado para o período.

Como prevenir

A melhor forma de prevenção da dengue é evitar a proliferação do mosquito, eliminando água armazenada em pontos que podem se tornar possíveis criadouros.

Vasos de plantas, pneus, garrafas plásticas e até recipientes pequenos, como tampas de garrafas, podem conter larvas do mosquito.

Para quem vai viajar nas férias de julho, a orientação é substituir a água dos pratos dos vasos de planta por areia, deixar a caixa d´água tampada e cobrir todos os grandes reservatórios de água, como as piscinas.

Sintomas

Os principais sintomas da dengue são febre alta (acima de 38,5ºC), dores musculares intensas, dor nos olhos, mal estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo.

A infecção pode ser sem sintomas, leve ou grave. Se for grave, a doença pode provocar perda de peso, náuseas e vômitos.

O paciente com dengue precisa fazer repouso, ingerir bastante líquido (água) e não tomar medicamentos sem indicação médica.

Cientistas de vários países estão realizando experimentos para confirmar a possível existência de um "mundo paralelo", o que desmentiria a teoria da física convencional.

Leah Broussard, físico do Laboratório Nacional de Oak Ridge, no estado de Tennessee, tenta confirmar a existência da chamada "matéria-espelho" e efetivamente "abrir um portal para um universo paralelo", informa ao canal NBC News.

##RECOMENDA##

De acordo com a mídia, o experimento envolve o envio de um feixe de partículas subatômicas através de um poderoso ímã diretamente para uma parede impenetrável.

"Se o experimento for bem-sucedido, algumas das partículas se transformarão nas suas 'versões de espelho' e atravessarão a parede, fornecendo aos cientistas as primeiras evidências da existência de um 'mundo paralelo'", disse a cientista.

Comentando esse desenvolvimento, Broussard descreveu o experimento como "bastante simples" e explicou que os cientistas reuniram peças que encontraram "espalhadas por aí", usando equipamentos e recursos que estavam disponíveis em Oak Ridge.

"Tudo se resume a saber se seremos capazes de fazer brilhar nêutrons através de uma parede", disse ela, notando que não devemos ver nenhum nêutron se a teoria da física convencional estiver correta; mas se pelo menos alguns nêutrons aparecerem, isso significaria que "a física convencional está errada e o mundo paralelo é real".

Segundo o artigo publicado no site de NBC News, no nosso mundo não encontraremos 'as versões de espelho' de nós próprios, mas a teoria atual admite que possamos encontrar átomos paralelos, pedras paralelas e até planetas e estrelas paralelas.

"Todos juntos eles podem formar um mundo de sombra, tão real como o nosso, mas quase completamente separado de nós".

A NBC também sublinha que Klaus Kirch, do Instituto Paul Scherrer, em Zurique, também está realizando um "experimente complementar", procurando capturar nêutrons lentos, atingi-los com um campo magnético e depois contar se todas as partículas ainda estão lá.

"Se alguns nêutrons oscilarem e se transformarem em nêutrons-espelho, eles desapareceriam de nosso aparelho", explicou Kirch.

Da Sputnik Brasil

O mês de julho normalmente é época de férias escolares, e é muito comum viajar para aproveitar o tempo com as crianças. As viagens em família costumam ser divertidas e deixam muitas lembranças saudáveis da infância. Porém, para essas lembranças não se transformarem em um pesadelo, alguns cuidados especiais devem ser tomados.

Segundo a Dra. Patrícia Filgueiras dos Reis, pediatra do Docway, esses cuidados devem começar com a escolha do destino, que deve ser feita com antecedência e, se possível, com a participação dos pequenos. Quanto à saúde, a médica alerta sobre alguns cuidados. “É bom fazer uma consulta antes das viagens (1-2 meses), verificando inclusive as vacinas do cartão da criança e atualizando as que possam estar atrasadas, indicando-se aquelas que possam ser necessárias, de acordo com o destino escolhido para a viagem”, comenta.

##RECOMENDA##

Outra medida recomendada é um “kit de medicamentos para viagem” com antitérmico, antialérgico, antiemético, repelente, protetor solar, antissépticos tópicos e curativos adesivados. Se a criança portar algum problema de saúde, assegurar que seu tratamento completo também embarcará na sua bagagem. “Dependendo da gravidade do problema, também é recomendável levar um relatório do médico que a acompanha para orientação a outro serviço médico, caso ela venha necessitar – as receitas das medicações em uso também devem ser portadas”, explica.

*Da Assessoria de Imprensa P+G Comunicação Integrada

 

Cinquenta anos após o primeiro passo do Homem na Lua, o satélite natural volta a atrair o interesse da comunidade espacial, com os Estados Unidos e a China ambicionando enviar humanos para lá em 2024, enquanto se multiplicam projetos públicos e privados de exploração robótica.

"A Lua é o único destino planetário que podemos ver com nossos olhos, sem que seja apenas um ponto brilhante", ressalta David Parker, diretor de exploração da Agência Espacial Europeia (ESA). Ele gosta de se referir ao satélite como um "oitavo continente da Terra", apesar de ninguém ter pisado em seu solo desde 1972.

O novo interesse pela Lua é explicado "em parte pelos avanços tecnológicos, que permitem considerar missões muito mais baratas do que no passado, incentivando vários atores a trabalhar em projetos", explica Jean-Yves Le Gall, chefe da agência espacial francesa CNES.

Ele cita "países com a ambição de enviar missões tripuladas, principalmente a China e os Estados Unidos, que dizem 'se os chineses forem lá, devemos ir também'".

Os americanos, especialmente os republicanos, querem "continuar sendo os primeiros", diz Xavier Pasco, diretor da Fundação para Pesquisa Estratégica em Paris.

Em outubro de 2003, o envio pela China do primeiro taikonauta ao espaço fez com que o governo americano ficasse ciente do surgimento de um novo concorrente neste setor. O presidente George W. Bush respondeu em janeiro de 2004 com a promessa de um retorno à Lua até 2020.

Dados os custos e atrasos significativos do programa, chamado Constellation, seu sucessor Barack Obama encerrou o projeto em 2010, preferindo concentrar os esforços da Nasa na preparação da jornada do Homem até Marte na década de 2030.

- "Passo a passo"-

Após a eleição de Donald Trump em novembro de 2016, os círculos espaciais americanos estão pressionando por um retorno do voo tripulado para a Lua.

"Para Donald Trump, o espaço é basicamente uma demonstração do poder americano. Ele sabe que pode usá-lo para estimular seu eleitorado", estima Xavier Pasco.

Em 2017, o presidente assinou uma diretriz pedindo à Nasa que preparasse o retorno dos humanos à Lua. Num primeiro momento a data de 2028 foi fixada. Mas em março passado, a Casa Branca acelerou o cronograma, exigindo que os astronautas americanos aterrissem na Lua em 2024.

Enquanto isso, a China avança metodicamente em seu programa espacial. Em janeiro, conseguiu pousar uma missão robótica, Chang'e-4, na face oculta da Lua.

"Em si, não foi grande coisa. Mas foi simbólico, porque nenhum país tinha feito antes e chamou a atenção de todo o mundo", admite John Logsdon, professor emérito no Instituto de Política Espacial da Universidade George Washington.

A China avança passo a passo, suavemente. Diz que planeja enviar um homem à Lua "em uma década".

No entanto, não assistimos a uma "corrida" entre os Estados Unidos e a China no campo do voo tripulado, como foi o caso entre Washington e Moscou na década de 1960, durante a Guerra Fria, consideram os especialistas entrevistados pela AFP.

Pequim está "ainda muito longe de um programa do tipo Apollo", observa Isabelle Sourbès-Verger, diretora de pesquisa do CNRS francês.

A administração americana "provavelmente supera a concorrência chinesa" por razões de política interna, analisa Xavier Pasco.

- Calendário difícil de ser cumprido -

Na ausência de meios financeiros, a Rússia não aparece em destaque na cena lunar, mesmo que desenvolva um programa de exploração robótica.

Ocupando o papel de parceiro, a Europa coopera neste programa lunar russo e também está fornecendo aos Estados Unidos o módulo de serviço da Orion, a espaçonave que será responsável pelo transporte de seus astronautas.

Até agora, apenas a Rússia, os Estados Unidos e a China conseguiram pousar dispositivos na Lua, a mais de 384 mil quilômetros de distância da Terra.

A Índia espera tornar-se a quarta: deve enviar uma missão em meados de julho, visando pousar um robô no começo de setembro.

Mas a Lua não é um destino fácil. Uma missão privada israelense não conseguiu pousar em abril.

E quando se trata de enviar pessoas, custa muito caro. Neste sentido, o Congresso americano está relutante em financiar um aumento do orçamento da Nasa indispensável para acelerar o calendário.

O objetivo de 2024 será ainda mais difícil de cumprir, já que o desenvolvimento do mega-foguete SLS está atrasado. Os empreiteiros espaciais, incluindo Elon Musk (SpaceX) e Jeff Bezos (Blue Origin), estão sendo chamados pela Nasa para ajudar a reduzir os custos das missões, mas as licitações ainda não foram finalizadas.

E o próprio presidente Trump parece brincar com os nervos da agência espacial, tendo recentemente tuitado que Marte seria finalmente mais interessante do que a Lua.

Mas as celebrações do 50º aniversário da Apollo 11 "serão uma oportunidade para reunir o apoio dos cidadãos americanos" a esta nova missão, acredita John Logsdon.

Pesquisadores americanos conseguiram remover o vírus HIV - responsável pela Aids - do genoma de animais vivos. O estudo divulgado pela revista cientifica Nature, nessa terça-feira (2), traz esperança e indica uma possibilidade de cura para a doença.

 

##RECOMENDA##

Cientistas da Escola de Medicina da Universidade Temple, na Pensilvânia, em parceria com o Centro Médico da Universidade do Nebraska, optaram em utilizar 29 roedores nos testes laboratoriais. Após técnicas utilizando medicamentos e edição das células infectadas, o vírus foi eliminado em 30% das cobaias.

Com a progressão, os responsáveis pelo estudo vão realizar testes em primatas. Caso tenham resultados satisfatórios, o processo poderá ser realizado em humanos. A pesquisa pode ser acessada através do portal da Nature.

O eclipse total do sol será visível nesta terça-feira (2) em grande parte do Cone Sul, com observação privilegiada no norte do Chile.

Se antes a escuridão do céu despertava medo, os eclipses são atualmente motivo de celebração e um momento de estudo para cientistas, que puderam confirmar, por exemplo, a teoria geral da relatividade de Einstein.

O fenômeno começará às 13h01 locais (14h01 no horário de Brasília) no meio do Oceano Pacífico.

A sombra da totalidade, de cerca de 150 quilômetros de largura e onde se concentra a maior expectativa, tocará a costa chilena às 16h38 local (17h38 de Brasília), cobrindo desde o balneário de Guanaquero, na região de Coquimbo, até Caleta Chañaral, no Atacama.

Depois de atravessar o Chile - do mar para a cordilheira sobre a parte sul do deserto do Atacama, o mais árido do mundo - continuará em direção ao sudeste em uma viagem à Argentina, de acordo com um relatório da Fundação Chilena de Astronomia.

Devido à sua proximidade com o eixo central da sombra, ou "zona zero", na pequena cidade de La Higuera, nas regiões de fronteira de Coquimbo e Atacama, o eclipse total alcançará sua duração máxima duração de dois minutos e 36 segundos.

- Prever um eclipse -

Este é um processo que ocorre quando o Sol, a Terra e a Lua estão no mesmo plano.

"Normalmente, a Terra gira em torno do Sol, formando um plano imaginário, chamado de eclíptica, mas a Lua com a Terra forma outro plano, e esse plano está inclinado em cinco graus. Portanto, nem sempre estes três corpos estão no mesmo plano. Quando estão no mesmo plano, temos os eclipses, seja da Lua, ou do Sol", explicou à AFP o diretor do Departamento de Física da Universidade Nacional de Ciências da Educação (Unce), o astrônomo Luis Barrera.

Os mais comuns são os eclipses anulares, que significa que a Lua está um pouco mais longe da Terra e não chega a cobrir completamente o disco do Sol, permanecendo como um anel.

O que vai acontecer nesta terça-feira é um eclipse total, ou seja, o disco da Lua estará um pouco maior do que o disco do Sol, cobrindo sua totalidade.

Enquanto em culturas antigas, muitas vezes os eclipses eram motivo de angústia e medo para as pessoas, hoje, a partir da dinâmica dos movimentos dos corpos no sistema solar, é possível saber sua ocorrência com uma precisão muito alta.

"Podemos prever eclipses em 10 mil anos", diz Barrera.

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) inicia, nesta terça-feira (2), uma caravana em cidades do interior do Estado. O objetivo da investida é identificar a ‘Atenção Básica’ de saúde nos municípios, uma vez que a entidade apura os gastos per capita em saúde nas localidades pernambucanas.

De acordo com o Cremepe, serão alvos dos caravaneiros os municípios que apresentam os piores investimentos per capita no cidadão, considerando o período que vai de 2013 a 2017, bem como os que têm as maiores variações negativas associadas ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A caravana, segundo o Conselho, também estará nas ruas na próxima quarta (3) e quinta-feira (4) para dar continuidade às apurações.

##RECOMENDA##

A entidade revelou as cidades que receberão a caravana: “O município de Bezerros investiu R$ 112,15 por habitante, com a variação de – 7,2% e na 5ª Geres; o município de Garanhuns investiu R$ 131,79 por munícipe. O grupo também irá também à cidade de São Bento do Una, que gastou R$ 123,87 por habitante, com a variação de – 42,6%. E o curso de atualização será em Sífilis, dia 2 em Caruaru (na Sociedade de Medicina) e dia 03 em Garanhuns (CDL)”.

O Cremepe alerta para a variação – em todo o País - no gasto médio per capita com saúde. O valor médio no Brasil é de R$ 1.271,65, mas, entre os 26 Estados, a quantia varia de R$ 703,67, no Pará, a R$ 1.771,13, em Roraima. “Esses montantes resultam da soma de recursos de impostos e transferências constitucionais da União a cada uma das unidades federativas e do que é dispensado também pelos Estados e Municípios, com recursos próprios para pagamento de despesas em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS). Essas despesas são voltadas para a promoção, proteção e recuperação da saúde que atendam, simultaneamente, a princípios da Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990)”, destacou o Cremepe por meio da sua assessoria de comunicação.

Segundo o ranking de gastos, em 2017, ano do mais recente levantamento, em Pernambuco o gasto foi de R$ 908,68. “Sendo 343,66 por parte do federal, 320,37 do gasto estadual e 244,66 por parte do município (capital). No Estado, as cidades que mais investiram foram: Ipojuca (1399,25), Ingazeira (685,05), Itacuruba (756,87) e Itapissuma (514,95). Já os municípios que menos investiram foram: Água Preta (116,24), Bezerros (112,15) e Paulista (115,82)”, acrescentou o Cremepe.

Após uma campanha para arrecadar fundos financeiros, a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace Esperança) se tornou a primeira a possuir uma "cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC)". O equipamento permitirá maior precisão na produção, análises e pesquisas de produtos feitos com THC e CBD.

O HPLC é um analisador de canabinoides e foi vendido pela Analítica por um preço bem abaixo de mercado, aproveitando uma promoção da empresa. A máquina custou R$ 125 mil, um investimento que torna a produção da Abrace completamente profissional.

##RECOMENDA##

“Esse equipamento é importante porque vamos poder constatar de forma precisa a quantidade de canabinoides existentes na planta. Os pacientes poderão ter mais segurança na hora de fazer o pedido de seu medicamento, pois saberá com certeza a concentração dos canabinoides presentes nos produtos”, explicou a integradora científica do departamento de convênios e pesquisas da Associação, Endy Lacet.

Além de funcionar na produção, o HPLC vai ajudar de forma direta nas pesquisas realizadas pela Abrace em busca de novas funções da cannabis em outras patologias ainda não atendidas.

“Como podemos fazer uma pesquisa sobre a eficácia de determinada dosagem sobre uma patologia se não sabemos exatamente a concentração de canabinoide que existe nela? agora não teremos mais esse problema, com esse equipamento poderemos melhorar a produção, a orientação aos pacientes e até mesmo, outras associações”, falou Endy Lacet.

A máquina já foi entregue à sede da Abrace, em João Pessoa, e deverá ser instalada no início do mês de julho pela equipe técnica da empresa. Logo em seguida, já poderá começar a ser usada.

O pagamento será feito em dez parcelas de R$ 8.750, mais uma entrada no valor de R$ 37.500. A empresa que comercializa a máquina entregou o HPLC por um valor muito abaixo do mercado, com cerca de 50% de desconto.

A aquisição aconteceu graças também a doações realizadas através do site oficial da Associação e com depósitos diretos na conta bancária. Contudo, a Abrace continua precisando de ajuda para quitar todo o pagamento.

“Vamos conseguir cumprir com o pagamento que é a parte mais critica, temos 90 dias para da a entrada, mas o que esta entrando é muito pouco, temos que focar para poder arrecadar ao menos para ajudar na entrada”, afirmou a  assistente financeira da Abrace, Heidi Martins.

A Associação vem convivendo com problemas exteriores que estão influenciando no giro monetário, por isso a necessidade de mais apoio à causa. “A questão da apreensão das sementes, que atrapalhou na plantação, fez com que parássemos os novos cadastros, com isso, a arrecadação caiu, estamos respirando no limite”, detalhou Heidi Martins.

As doações podem ser feitas através do site ou diretamente na conta corrente 33630-0, agência 3204-2, no Banco do Brasil. É possível doar qualquer valor.

Ter o HPLC é um sonho da Abrace que está sendo realizado. Os últimos três anos em que a Associação vem trabalhando produzindo o óleo e a pomada de cannabis foram marcados por críticas, segundo contou o diretor executivo, Cassiano Teixeira, e que chegou ao fim esta semana.

“A alegria é de realizar um sonho. A gente vem sendo cobrado desde 2016, que o óleo da gente não tem o que a gente diz que tem, que está no rótulo e isso vem sendo motivo de difamações. Foi uma luta para conseguir, ninguém vai poder falar mal, a gente tem agora como provar o que tem dentro do óleo. É o tipo de alegria que traz uma calma”, declarou Cassiano Teixeira.

A Abrace Esperança é autorizada pela Justiça, através de uma liminar, a cultivar, colher, produzir e entregar a maconha para fins medicinais desde 2015. Com isso, é possível auxiliar o tratamento em diversas condições, como autistas por exemplo, com resultados comprovados clinicamente e através de exames laboratoriais.

Por Wênia Bandeira, da assessoria da Abrace

"Ser uma pessoa ansiosa é ser agitada”, diz jovem vítima de transtorno de ansiedade. Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

##RECOMENDA##

Quem dera que as noites de sono fossem dignas de aliviar angústias assombrosas. Nem no anoitecer, quando corpo e mente padecem por descanso, há calma. Pesadelos parecem tão reais que impulsionam o corpo de volta à realidade e um turbilhão de pensamentos retorna à cabeça de quem vive temendo o futuro. O coração bate de maneira desesperada em um sinal de que um mar de preocupações afoga a mente paulatinamente, ao mesmo tempo em que a respiração ofegante revela que não existem mais sinais de calmaria.

É quase impossível controlar a mente. O futuro, por sua vez, torna-se um “monstro cruel”, envolto por preocupações sistemáticas, muitas vezes sem nenhuma explicação ou justificativa. Todos os dias, persistem medos excessivos do que há por vir, além de um nó na garganta peculiar. Choro, tremores. Dúvidas, mal-estar. Mais dúvidas, mais medo. Corpo e mente vomitam a ansiedade de Isa*.

Isa remexe o olhar. Suas mãos são extremamente inquietas. Os primeiros diálogos com a reportagem quase não têm pontos finais. Ela é intensa nas palavras, expressa como ninguém, por meio da face, cada sentimento descrito em suas frases. Seu corpo fala claramente, balançando de um lado para o outro como se ela estivesse sempre nervosa, talvez angustiada. Respira profundamente antes de organizar suas ideias que remetem à infância, perpassam pela juventude e desembocam em um presente não tão presente assim, já que sua cabeça não esquece o futuro. Como é possível ter tantas preocupações com situações que nem chegaram se concretizar? O que explica ela imaginar os piores cenários possíveis?

[@#video#@]

Tais questionamentos são respondidos por Isa, uma jovem de 23 anos. Ela revela ser vítima de transtorno de ansiedade. O que ocasionou? Para ela, existem vários fatores, da infância à vida adulta. Frustrações, conflitos familiares, uma vida profissional marcada por incertezas e relacionamentos amorosos que findaram em lágrimas. Há uma série de situações, segundo ela, que pode explicar seus atritos psicológicos. Um passado que deixa cicatrizes e ainda é capaz de assombrar o futuro.

“Ser uma pessoa ansiosa é ser agitada, é não conseguir parar jamais a cabeça. Ser ansiosa é não conseguir parar onde estou. Não consigo parar no presente! Minha mente é um turbilhão de pensamentos irrefreáveis”, descreve a jovem.

Isa nasceu em uma cidade pacata marcada pelo conservadorismo. Município onde os moradores conhecem uns aos outros. De classe média, a garota teve a oportunidade de estudar em uma escola tradicional, onde construiu sua base de conteúdos estudantis, mas não moral. Ela não compactuava com alguns ideais impostos pelos educadores.

Nesse período, ainda criança, ela acredita que desenvolveu uma estranha atitude oriunda dos primeiros processos ansiosos que enfrenta até então. “Sempre roí muito as unhas, normalmente as pessoas quando estão ansiosas elas roem. Não consigo perceber o que me fazia isso. Depois que eu já tinha roído todas as minhas unhas, eu pedia para roer as dos adultos. Queria continuar repetindo aquele comportamento. Não consigo lembrar o que desencadeava isso”, conta.

Em dado momento, a face de Isa expressa revolta, ao contar detalhes da relação que tinha com o pai. Segundo ela, um homem autoritário, violento, defensor de suas próprias convicções, independente do que pensavam as pessoas ao seu redor. “Meu pai era violento, batia em mim, como uma coisa que ele entendia que era uma ferramenta de educação. Para ele era uma forma de correção. Era autoritário, extremamente rígido. Um homem muito bruto. Apesar de eu gostar dele, quando era mais nova, nunca respeitei meu pai, apenas tive medo. Toda obediência, tudo que sempre fiz para me manter na linha, foi por medo de porrada”, relata.

A jovem aponta a relação conflituosa com o pai como um dos fatores que ocasionaram ansiedade em sua vida. Além disso, revela inquietude na região onde nasceu, afirmando que as pessoas do local a vigiavam por ela pertencer a uma família tradicional. “Comecei a me sentir deslocada e desencontrada no lugar onde vivia. Estava em uma cidade do interior, um local conservador, machista, pequeno, onde as pessoas têm uma mentalidade diferente, todos se conhecem e todos falam a respeito de todo mundo. Todo mundo lá sabia quem eram meus familiares e eu, então qualquer coisa que eu fizesse poderia virar uma fofoca. Não demorei, quase nada, a querer ter liberdade, a ser mais crítica e pensar diferente do povo. Sempre tive o sonho, o plano e a ideia de sair de lá para um lugar mais desenvolvido, com mais horizonte. Me sentia vigiada, tolhida e com medo dos julgamentos”, descreve Isa.

Infeliz na região onde nasceu, Isa conseguiu, por meio da ajuda de familiares, passar alguns dias em uma cidade metropolitana. Foi onde começou a conhecer outras pessoas, desencadeando seu momento de liberdade tão esperado. Alegria à parte, foi nesse período, já na adolescência, que a garota entrou em um ciclo rebelde, quando seus maiores conflitos aconteciam com sua mãe. Elas não eram harmoniosas, muito menos compartilhavam das mesmas ideias. Discussões marcaram essa relação. “Me tornei uma adolescente muito rebelde”, conta.

Um dos conflitos entre mãe e filha aconteceu no momento em que Isa se preparava para prestar vestibular. A jovem optou por uma formação extremamente contestada pelos pais. De acordo com ela, sua mãe nunca aceitou a escolha e, diante da decisão de Isa, proferiu críticas.

Antes da chegada à universidade, no entanto, o momento de preparação para o vestibular também foi marcado por brigas entre mãe e filha, além dos primeiros sinais físicos de que a jovem sofria transtorno de ansiedade. Aos 17 anos, ela mudou-se de vez para a cidade grande, onde ingressou em cursos preparatórios para o processo seletivo. Isa lembra que sentia sérias dificuldades em algumas matérias, uma vez que não tinha familiaridade com essas áreas, porém, sua mãe, não aceitava o desempenho ruim. Dessa forma, as críticas e insatisfação da mãe foram atreladas à pressão pela aprovação no ensino.

“Não passei no vestibular na primeira seleção; me frustrei quando eu vi a nota.  Muitas coisas ruins vinham da minha mãe, ele me acusava que minhas dificuldades em certas matérias vinham da vagabundagem. Me sentia desestimulada, descartada, um zero à esquerda. Sinto que minha mãe nunca acreditou e não acredita em mim”, desabafa.

Apesar da reprovação e principalmente das críticas de sua mãe, Isa insistiu no sonho de passar em um curso bastante criticado pelos pais. Consequentemente, sua postura desencadeou uma pressão ainda maior durante os estudos, devido a uma rotina intensa que envolvia aulas e percursos consideráveis entre o curso e sua residência.

Certo dia, no curso onde estudava, enquanto aguardava em uma fila para ter um texto corrigido, Isa passou mal. “O primeiro sintoma da ansiedade que lembro claramente aconteceu quando eu estava em uma fila para correção de redação com uma amiga, quando, de repente, comecei a me sentir com tontura, falta de ar e tremor; meu coração disparou também. Comecei a tremer e a ficar nervosa. Estava ali vivendo a minha rotina e de repente tudo pipocou! Estava respirando, mas meu coração disparava. Meu corpo começou a reagir com tontura e perda gradual de visão. Tentava respirar fundo até passar. Fui parar em um pneumologista e cardiologista, porém acabei encaminhada para um psiquiatra e psicólogo, porque nada foi constatado. Tratava-se, então, de um problema psicológico”, conta a jovem.

Isa novamente prestou vestibular e foi aprovada. No entanto, a felicidade pela aprovação logo daria lugar a um dos momentos mais difíceis da sua vida. Na época, ela namorava um rapaz que, momentos depois do fim da prova, anunciou o fim do relacionamento.

 “Logo depois da prova do vestibular, ele terminou o namoro. Foi então que tive a minha primeira crise depressiva. Não conseguia minimamente sobreviver, era um zumbi chorão que não dormia, não comia, não fazia nada além de chorar. Sonhava com a criatura, só pensava nela. Não queria ver ninguém, meu coração acelerava. Quando batia a ansiedade, eu ficava nervosa, os pensamentos normalmente eram sobre ele. Eu tinha lembranças do passado e medo do futuro. Era uma sensação de que as coisas não poderiam melhorar”, relata Isa.

“As pessoas precisam entender que ansiedade e depressão caminham bem juntas. E quando você tem as duas é um verdadeiro inferno. Uma vez ouvi uma frase que descreve bem: ansiedade é quando você se importa com tudo e depressão é quando você se importa com nada”, acrescenta a jovem.

Em crise depressiva e ao mesmo tempo sofrendo ansiedade, Isa passou a fazer terapia psicológica e, posteriormente, recebeu atendimento psiquiátrico. Apesar das dificuldades, teve forças para entrar na universidade, fato que, em certa medida, aliviou parte da tristeza que enfrentava na época.

No período, Isa começou a namorar novamente. Apegou-se bastante ao novo relacionamento, mas, novamente, viu uma os vínculos findarem. Ela revela que os familiares do rapaz não gostavam dela por suas posições políticas e ideológicas, e mesmo cobrando uma imposição energética do companheiro, ele se mantinha submisso às opiniões alheias.

“A família dele nunca gostou de mim. Não era a moça bela, recatada do lar, que eles queriam. Me criticavam e ele não me defendia, por isso ficava ansiosa, nervosa, ficava chateada, brigava para ele ser mais energético. Teve um primeiro término que essa questão familiar”, revela Isa.

“Foi quando bateu, além de uma ansiedade gigantesca, a depressão mais pesada de todos. Na ansiedade, em meio a tudo que eu sentia, começaram sintomas que vieram para o corpo. Passei a mexer o meu corpo. Em outro impulso, simplesmente começava, na hora da agonia, a esfregar as unhas na pele. Se tornava ferida. Isso aconteceu quatro vezes, a ponto de rasgar a pele. Já cheguei a me morder. As mordidas deixaram marcas e dor”, conta, demonstrando tristeza.

De acordo com a jovem, o relacionamento foi restaurado. Porém, as obrigações da universidade também motivaram, segundo ela, a manutenção da ansiedade. “A faculdade, depois de um tempo, começou a ser um fator estressante. Demorar a estagiar, todo mundo começando e eu não, sensação de que as coisas não dariam certo. Só comigo que não acontece. Me questionava sobre a minha capacidade. Isso era desesperador”, relata Isa.

Em um ritmo intenso de estudos e afetada pelos efeitos da ansiedade, Isa atrelou à terapia um tratamento psiquiátrico. Por inúmeras vezes, foi vítima de crises ansiosas, as quais descrevem com detalhes: “Quando eu sentia que ia entrar em crise, o coração acelerava e a respiração começava a falhar. Então eu corria para o banheiro, não queria que ninguém percebesse. Apesar do meu processo terapeuta, a ansiedade parecia que não era contida. Não conseguia responder aos meus trabalhos, não conseguia dar conta”.

Ela revela, ainda, que seus problemas psicológicos foram intensificados após mais um término do namoro, desta vez de maneira definitiva. Isa diz que foi um dos momentos mais difíceis da sua vida. Nesse período, sentiu que sua autoestima foi fortemente abalada. “A minha autoestima sempre foi terrível com tudo. Impactou bastante nas minhas relações amorosas. Me sino indigna de ser amada, porque me esforcei muito para que desse certo. Para mim, fui uma ótima namorada para todo mundo que passou pela minha vida. Nunca me achei bonita”, desabafa. “Tenho a sensação de que há algo de errado comido, porque não dou certo com ninguém. Me sinto como se tivesse dedo podre. Mesmo quando eu tenho alguém que parece ser legal, por mais que eu tente acaba não dando certo”, completa Isa.

Isa é resistência. Sofre, cai, mas levanta-se diante da ansiedade. É uma caminhada rumo à recuperação, mesmo a passos difíceis. Ela encara as suas frustrações e medo. Com a ajuda de amigos e especialistas, luta pela saúde.

Isa confessa, no entanto, que é difícil batalhar contra os efeitos da ansiedade – na mente e no corpo -. “Uma pessoa que tem ansiedade ela nunca se prende apenas no presente. Quando estou muito ansiosa, às vezes me pego andando a esmo sem razão alguma. Mesmo sem ter nada para fazer, fico tão inquieta que saio do quarto para a sala, da sala para cozinha, da cozinha de volta para o quarto. Parece que estou procurando o que fazer, mas eu simplesmente não tenho. Minha mente é um turbilhão de pensamentos irrefreáveis. Tenho dificuldade para dormir, o sono é agitado. Às vezes tenho pesadelos e acordo no meio da noite”, descreve.

“O que descreve melhor o turbilhão da minha mente e do meu corpo: ser ansiosa é não conseguir parar onde estou. Não consigo parar no presente. Quem é ansioso se importa o tempo todo e com tudo. Não consegue parar de ter cobranças, está sempre pensando no que pode acontecer. Você pensa no passado. Você pensa no que deixou de fazer. Você não consegue parar de imaginar mil cenários e hipóteses. Não para de pensar como deveria fazer as coisas da sua vida ou como as pessoas estão interpretando as coisas que acontecem com você. Sua cabeça te joga para frente e para trás”, diz, em um ritmo acelerado.

Antes do ponto do final do relato, uma singela pergunta para Isa: O que você espera do futuro? Ela responde: “Essa pergunta me causa ansiedade”.

*Nome fictício

Reportagem integra o especial “Ansiedade”. Produzido pelo LeiaJá, o trabalho jornalístico detalha como a doença afeta pessoas de todo o mundo, bem como mostra as formas de tratamento. Confira as demais matérias:

2 - Os brasileiros são os mais ansiosos do mundo

3 - Dependência tecnológica: ansiedade pode ser gatilho

4 - Depressão e ansiedade podem andar juntas

5 - Muito além do divã: tratamento clínico pode ser integrado

Páginas

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando