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O ouro encerrou o pregão desta terça-feira em alta. O clima de cautela predominou nos mercados internacionais, dada a falta de novidades na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, e o anúncio de que o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, deixará o cargo. A crise argentina também seguia no radar dos investidores.

O ouro para dezembro fechou em alta de 0,27%, a US$ 1.515,70 a onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex).

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A busca por segurança marcou o pregão desta terça-feira, com o mercado especulando sobre os desdobramentos do conflito entre EUA e China. Na falta de novidades, o grande destaque do dia foi a fala de Giuseppe Conte no Senado italiano, que anunciou que entregará sua renúncia ao presidente do país, Sergio Mattarella.

A crise política se estende na Itália com o rompimento entre os principais partidos que compõem o governo - o Movimento Cinco Estrelas e A Liga.

O clima de cautela ainda tem outro personagem, a Argentina, com a posse do novo primeiro-ministro da Fazenda, Hernán Lacunza. Ele assume em meio a uma crise política e econômica, acentuada após Alberto Fernández, candidato oposicionista à presidência, vencer as eleições primárias.

Tal cenário levou os investidores a buscar segurança no ouro, considerado um ativo seguro, o que fortalece suas cotações.

Além disso, relatório do ING enviado a clientes diz que bancos centrais ao redor do mundo continuaram a comprar ouro durante o mês de julho, quando os preços atingiram as cotações máximas em anos.

O consumo total de gás natural cresceu 1,77% em junho ante maio, informou nesta terça-feira, 20, a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). Na comparação com igual mês do ano passado, houve uma queda de 23,41%. No acumulado do primeiro semestre, o consumo caiu 5,4%, totalizando para 57,9 milhões de metros cúbicos/dia.

O consumo na indústria em junho caiu 3,22% em relação a maio e 1,43% na comparação com junho de 2018. No primeiro semestre, foi 2,5% superior a igual período do ano anterior.

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O segmento residencial registrou alta de 25,2% na comparação com maio e estabilidade ante o mesmo mês de 2018. No semestre o setor registrou retração de 2,2%, em função das temperaturas, em média, mais elevadas.

A geração termelétrica teve alta de 12,5% em junho ante maio. Na comparação com junho de 2018, houve recuo de 50,1%. No balanço do semestre, a queda foi de 19,9%.

No GNV o consumo recuou 1,6% ante o mês imediatamente anterior. Na comparação com junho de 2018, avançou 1,1%. No confronto com o primeiro semestre, a alta foi de 5,2%.

Em junho, o número de clientes que consomem gás natural chegou a 3,565 milhões de clientes - número de medidores nas indústrias, comércios e residências e outros pontos de consumo.

Em nota, o presidente executivo da Abegás, Augusto Salomon, destaca que com os sinais econômicos corretos, o consumo de gás natural pode crescer em todo o País. O executivo lembra que o Termo de Compromisso de Cessação (TCC) firmado entre o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Petrobras poderá reduzir a concentração de mercado existente e abrir chances para uma concorrência maior na oferta.

"Entretanto, o TCC ainda é insuficiente. É preciso que fique mais claro como será o acesso de novos agentes à infraestrutura essencial (rotas de escoamento, unidades de processamento e terminais de GNL), além de criar regras que deem segurança operacional ao mercado, garantindo o abastecimento", diz.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça que os bancos terão de seguir o exemplo da Caixa Econômica Federal e reduzir os juros das suas linhas de crédito. Durante cerimônia de lançamento de linhas de crédito imobiliário com atualização pelo IPCA, no Palácio do Planalto, Bolsonaro lembrou que a Caixa reduziu, há poucas semanas, em até 40% os juros do cheque especial. "Com certeza, outros bancos vão ter de ir no mesmo caminho", disse. "Não vai ser uma imposição. Ou eles vão atrás, ou o número de clientes da Caixa vai aumentar e muito", acrescentou.

No último dia 31 de julho, a Caixa anunciou cortes nas taxas de juros de suas principais linhas de crédito, tanto para empresas como para pessoas físicas. Ainda anunciou na ocasião um novo pacote de serviços, chamado "Caixa Sim", com corte de até 40% nos juros. Com relação específica ao cheque especial, a redução para pessoas físicas na taxa cobrada pela Caixa foi de 26% e, para pessoas jurídicas, de 33%.

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Os empregados da Petrobras participam de um processo de consulta promovido pelos sindicatos para avaliar as propostas de acordo coletivo da direção da companhia. Previamente, o diretor da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Adaedson Costa, afirma que "o acordo coletivo não atende aos anseios da categoria".

Os sindicatos têm ouvido a posição dos funcionários também sobre a possibilidade de recorrer a uma greve, como meio de demonstrar à direção da petroleira que não estão de acordo com as propostas de reajuste salarial e benefícios trabalhistas.

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Segundo os sindicatos, a empresa apresentou um porcentual de reajuste inferior ao da inflação, correspondente a 70% do INPC acumulado desde setembro do ano passado. Também quer acabar, gradualmente, com o adicional de permanência no Estado do Amazonas. E também quer aumentar a contribuição dos funcionários no plano de saúde.

O diretor executivo e de Relações com Investidores do Bradesco, Leandro Miranda, disse que o banco não teria nenhum problema de oferecer crédito imobiliário com taxas baseadas no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) como referência. O problema é se o mutuário gostaria de assumir o risco inflacionário por um período tão longo.

Nesta tarde, o presidente da Caixa Econômica Federal,Pedro Guimarães, anunciou que a Caixa vai oferecer taxas de juros atreladas ao IPCA, inflação oficial do País, para contratos de 360 meses. A Caixa e o Bradesco brigam pela liderança dos financiamentos imobiliários, segundo o executivo.

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Ele questiona se 12 anos atende o cliente, já que o valor da prestação ficaria elevada, e, no caso da oferta de 20, 30 anos, como é mais comum para o crédito imobiliário, o mutuário gostaria de se comprometer com a inflação por um período tão longo. Mesmo no prazo de 12 anos, segundo Miranda, que ainda não havia tomado conhecimento diretamente do anúncio da Caixa, haveria um risco inflacionário que o brasileiro talvez não queira tomar.

"Para nós, bancos, faríamos sem problemas, mas não sei se o cliente gostaria de 12 anos. Para nós acho viável porque tem proteções de inflação através de derivativos. Se quiser transformar a taxa em fixa você tem possibilidade de securitizar essa carteira de 12 anos junto a fundos de pensão e companhias de seguro. Mas atende o consumidor?", questiona Miranda.

"Vamos primeiro entender o regulamento (anunciado nesta terça). Nós temos capacidade de prover todo e qualquer produto bancário no Brasil, se tiver demanda a gente pode fazer a inflação por 12, 20, 30 anos", afirmou o executivo. "Não temos necessidade de limitar a 12 anos porque temos capital robusto", concluiu.

O dólar caiu frente a outras moedas principais, como o iene, nesta terça-feira, em quadro de certa cautela nos mercados internacionais. A moeda americana ainda acompanhou o movimento dos juros dos Treasuries, com expectativa de mais sinais de relaxamento monetário à frente de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nesta semana. Além disso, o peso argentino chegou a recuar mais cedo, mas se fortaleceu ao longo do pregão, em meio a leilões do Banco Central da República Argentina (BCRA).

No fim da tarde em Nova York, o dólar recuava a 106,24 ienes, o euro avançava a US$ 1,1104 e a libra tinha ganho a US$ 1,2174. O índice DXY, que mede o dólar ante outras moedas fortes, recuou 0,16%, a 98,190 pontos.

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O quadro de cautela nos mercados favoreceu o iene e o franco suíço em relação ao dólar. A divisa americana ficou também pressionada ante outras principais por causa da expectativa em relação ao Fed. O BC americano publica ata de sua última reunião nesta quarta-feira e ainda haverá, mais para o fim desta semana, o simpósio anual de Jackson Hole, com pronunciamentos de dirigentes da instituição, entre eles o presidente do Fed, Jerome Powell, que fala na sexta-feira.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a insistir para que o Fed corte os juros em 1 ponto porcentual num período breve. Trump comentou também que não está pronto para fazer um acordo com a China, além de dizer que não vê risco de uma recessão econômica americana, no quadro atual.

Na Europa, o euro avançou após o premiê italiano, Giuseppe Conte, entregar o cargo. Agora, o presidente Sergio Mattarella deve abrir consultas sobre a sucessão. Segundo analistas, poderia ser possível evitar uma eleição antecipada, embora isso não seja garantido.

O dólar ainda recuava a 54,7478 pesos argentinos. A divisa sul-americana recuou mais cedo, em meio à posse nesta manhã do novo ministro da Fazenda, Hernán Lacunza, que garantiu que o BCRA usará "todas as ferramentas" para manter o câmbio na faixa da semana passada. Ao longo do dia, o BCRA interveio com leilões de câmbio e também de Letras de Liquidez (Leliq), o que ajudou a apoiar o peso.

As principais bolsas de Nova York fecharam no vermelho, revertendo parcialmente as altas registradas nas duas últimas sessões. Em meio à falta de perspectiva clara para o cenário comercial, investidores operam com maior cautela enquanto aguardam pelo simpósio de Jackson Hole, que ocorre entre quinta-feira e sábado.

O índice Dow Jones registrou sua primeira queda após quatro sessões, caindo 0,66% para 25.962,44 pontos. Por sua vez, o S&P 500 recuou 0,79% para 2.900,51 pontos e o Nasdaq teve baixa de 0,68%, para 7.948,56 pontos. Dow Jones e Nasdaq voltaram a se firmar abaixo das barreiras psicológicas de 26 mil e 8 mil pontos, respectivamente, enquanto o S&P 500 opera abaixo dos 3 mil pontos desde o final de julho.

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Todos os subíndices do S&P 500 fecharam no negativo. O maior baque foi sentido pelos serviços financeiros, com baixas do Citi (-1,38%), JPMorgan (-1,27%) e Bank of America (-2,02%) em meio à queda dos rendimentos dos Treasuries. O clima de cautela também pesou sobre os bens de primeira necessidade, pressionando Walmart (-1,55%), Procter & Gamble (-1,11%) e Coca-Cola (-1,48%).

O noticiário econômico desta terça-feira não contou com grandes eventos ou indicadores econômicos. Na tarde de hoje, o presidente americano, Donald Trump, voltou a dizer que "não está pronto" para fazer um acordo com a China. A falta de sinais claros ou datas marcadas para novas negociações intensifica as incertezas globais e o clima de cautela no pregão.

"A sessão de hoje patinou enquanto os mercados parecem estar em suspenso enquanto aguardam a fala de Jerome Powell em Jackson Hole", sugerem analistas do NatWest. Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), deve discursar na sexta-feira no simpósio anual de política econômica realizado em Jackson Hole, Wyoming.

Apesar das expectativas, o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, acredita que Powell tem "pouco a dizer" no simpósio. Em entrevista ao Broadcast, Silveira afirmou que a fala de Powell em julho, quando chamou o corte da taxa de juros de "ajuste de meio de ciclo", já sinalizou o que era necessário aos mercados.

As atenções se voltaram também para eventos na Europa, onde a crise política na Itália ganhou outro episódio com a notícia da renúncia do primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte. O analista sênior do Eurasia Federico Santi prevê que os cenários mais prováveis são uma nova coalizão governamental ou eleições antecipadas, e argumenta que "qualquer acordo para evitar novas eleições seria positivo para o mercado no curto prazo".

Depois de ter enfrentado períodos de volatilidade pela manhã desta terça-feira, o Índice Bovespa passou a oscilar em torno da estabilidade no período da tarde e assim ficou até os últimos minutos do pregão desta terça-feira. Acabou por encerrar a sessão aos 99.222,25 pontos, em baixa de 0,25%. Os negócios somaram R$ 15,4 bilhões.

Sem notícias domésticas que pudessem tracionar as ações, o mercado internacional, com suas diversas incertezas, manteve-se como principal referência para os negócios por aqui. Com as bolsas europeias e americanas em queda, não houve fôlego para o Ibovespa sustentar um avanço além dos 99 mil pontos. Na máxima do dia, o índice marcou 99.664,75 pontos, com alta de 0,20%. Na mínima, foi até os 98.002,03 pontos, com queda de 1,47%.

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"O mercado brasileiro está à espera de novidades no Brasil ou no exterior e, nesse compasso de espera, por enquanto os 100 mil pontos deixaram de ser suporte e são resistência", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora. Segundo ele, a falta de um "driver" de maior relevância tem restringido os negócios na B3 a operações de curtíssimo prazo, à exceção de alguns momentos em que o noticiário corporativo leva algumas ações ou setores a se destacar.

Na expectativa pela ata da reunião de política monetária do Federal Reserve, nesta quarta, e do início do simpósio de Jackson Hole, na quinta-feira, as notícias que pesam ainda estão relacionadas à guerra comercial entre Estados Unidos e China e aos indicadores econômicos na Europa. Por lá, o destaque foi o anúncio do primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, do fim da coalizão governista entre a Liga e o Movimento 5 Estrelas e de sua renúncia ao cargo.

Enquanto isso, os investidores estrangeiros continuam a retirar recursos do Brasil. Na última sexta-feira, 16, foram retirados R$ 871,5 milhões da B3, no 17º pregão consecutivo de saídas. Com isso, o saldo dos investimentos externos na Bolsa brasileira já é negativo em R$ 9,595 bilhões em agosto. Em 2019, o saldo acumulado de capital estrangeiro na Bolsa está negativo em R$ 20,029 bilhões.

Com o resultado desta terça, o Ibovespa passa a registrar queda de 2,54% em agosto, mas ganho de 12,90% no ano. Na análise por índices setoriais, a maior queda ficou com o índice de energia elétrica (IEEX), que recuou 0,99%. Já os índices de materiais básicos (IMAT) e de consumo (ICON) recuaram 0,09% e 0,10%, respectivamente. O índice financeiro (IFIN), que congrega algumas das ações de maior peso no Ibovespa, perdeu 0,28%.

Mais de duas centenas de empreendimentos de mobilidade urbana previstos para o País estão paralisadas, sem perspectiva de terem suas obras retomadas no curto prazo.

Um levantamento feito pela Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos (NTU) revela que, atualmente, 248 empreendimentos ligados a ônibus - BRTs, corredores e faixas exclusivas - estão paralisados em todo o País. Juntos, esses empreendimentos somam 2.743 quilômetros de extensão de transporte que deveriam estar em operação em 75 cidades do País, mas estão travados.

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A paralisia é resultado de uma conjunção de fatores, que passam pelo esgotamento de recursos, corrupção, falta de priorização na agenda de municípios e do governo federal, projetos mal elaborados e imbróglios judiciais. "Está tudo paralisado nessa área. Infelizmente, essa é a realidade. Os dados estão aí para mostrar que a mobilidade urbana não está dentro das prioridades do governo", avalia Otávio Cunha, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e presidente executivo da NTU.

O estudo mostra que, em 2009, os anúncios do governo federal davam conta de que as obras de mobilidade urbana receberiam aporte total de R$ 151,7 bilhões. O setor foi explorado como um dos maiores beneficiados pela realização da Copa do Mundo e da Olimpíada. Dez anos depois, o resultado é frustrante. Pelos cálculos da NTU, somente R$ 14,2 bilhões, o equivalente a 9,4% do previsto, foram efetivamente injetados em projetos que saíram do papel e que estão em operação.

Fatia do Orçamento - O balanço aponta que, atualmente, existem 706 empreendimentos de mobilidade urbana em alguma fase de obras no País, uma elevação de apenas 3% em relação ao ano passado, que contabilizava 691 projetos nessa área. Somente R$ 348 milhões foram destinados pela Lei Orçamentária Anual de 2019 para a implantação de empreendimentos de transporte público coletivo, ou seja, 0,01% do Orçamento total do governo federal.

A baixa qualidade do serviço oferecido à população ajuda a explicar a queda de demanda. O brasileiro, quando pode, tende a usar menos o ônibus.

No período de 1994 até 2017, segundo a NTU, o transporte público por ônibus teve redução de 50,3% da demanda de passageiros no País. Em contrapartida, os dados do Denatran deste ano apontam que a frota de automóveis aumentou 175% desde o ano 2000, passando de 20 milhões para 55 milhões de unidades nos dias atuais. No mesmo período, a frota de motocicletas passou de 6 milhões para aproximadamente 27 milhões, representando um acréscimo superior a 570%.

Na tarde desta segunda-feira, 19, a reportagem procurou o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), responsável pelos empreendimentos de mobilidade urbana, para comentar o assunto. Não houve um posicionamento até o fechamento desta edição.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Ex-todo-poderoso da indústria automotiva, à frente da aliança de Renault e Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, 65 anos, viu sua história de sucesso ruir ao ser acusado de fraude pela montadora japonesa. Após ser preso em novembro, foi solto sob fiança, mas não pode deixar o Japão. Sua mulher, Carole Ghosn, diz estar impedida de ver o marido desde abril. Sem uma solução para o caso no horizonte, a estratégia de Carole agora é apelar para a ajuda do presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista ao Estado por telefone, do Líbano, Carole cobrou do governo uma posição mais enérgica em relação a um cidadão brasileiro que, em sua visão, não recebe tratamento justo. "É hora de o presidente brasileiro se envolver e perguntar ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, por que esse homem está na prisão", disse. "Passaram-se nove meses e não há data para um julgamento. Não tivemos sequer acesso às evidências da acusação."

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A família de Ghosn, que inicialmente optou pelo silêncio, decidiu falar após o executivo passar o Natal e o ano-novo sozinho em uma cela numa prisão de Tóquio. Membros da família se revezam para fazer companhia ao executivo enquanto ele responde ao processo. Carole, porém, foi proibida pelas autoridades do país de ver o marido. "A última vez que vi Carlos foi no dia 4 de abril."

Segundo ela, as autoridades do Japão decidiram impedi-la de ver o marido porque, ao fazer declarações à mídia, ela poderia influenciar potenciais testemunhas do caso. "Eles dizem que eu posso destruir evidências. Mas que evidências tenho para destruir? Eles me deixam entrar no país, mas se eu vir meu marido, ele volta para a cadeia", disse. A Justiça japonesa já negou cinco pedidos de Carole para visitar o marido - o último deles há duas semanas.

Como não existe data para o julgamento de Ghosn, a estratégia que resta a Carole é tentar chamar a atenção para o caso. Ela afirmou que já recebeu sinalizações importantes, como da Human Rights Watch, organização que deve divulgar em setembro um estudo sobre o sistema judiciário japonês que citará o caso do ex-executivo da Nissan. Ela disse que recebeu ajuda do Ministério das Relações Exteriores do Líbano, mas acredita que uma posição clara do Brasil faria muito mais diferença.

A irmã de Ghosn, Claudine, que vive no Rio de Janeiro, enviou, por meio de um interlocutor, uma carta a Bolsonaro em junho, quando ele foi ao Japão para a reunião do G-20. Agora, por meio de outro emissário, voltou a solicitar uma intervenção direta do presidente. Do primeiro contato, recebeu uma ligação do embaixador do Brasil no Japão. Procurado, o Itamaraty afirmou que "o consulado do Brasil em Tóquio acompanha o caso e presta a assistência consular cabível".

Apesar de ser uma luta com poucas chances de vitória - no Japão, 99% dos processos terminam em condenação, geralmente porque o acusado costuma confessar o crime -, Carole disse que, para Carlos, assumir alguma culpa está fora de questão. "Ele está triste e deprimido, mas, ao mesmo tempo, ele está pronto para o combate. E quer limpar seu nome."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Sem recursos em razão dos cortes de orçamento que vêm sendo feitos desde o início do ano, a Receita Federal terá de desligar todos os seus sistemas informatizados a partir do dia 25 deste mês.

Segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, já circula um aviso interno entre as áreas do órgão informando que, se não forem liberadas mais verbas do orçamento, os sistemas responsáveis por emissão de CPF e processamento de restituições de Imposto de Renda serão desligados, entre outros.

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Arrecadação de tributos, emissões de certidões negativas, controle aduaneiro e operações de comércio exterior também serão afetados, assim como o envio de cartas de cobrança aos devedores do fisco e a disponibilização de recursos aos Fundos de participação de Estados e municípios.

Segundo o Estadão/Broadcast apurou, a Receita precisa de pelo menos R$ 300 milhões para manter os sistemas funcionando até o fim do ano. O órgão teve contingenciado 30% de seu orçamento de 2019, de cerca de R$ 3 bilhões.

Neste ano, o governo contingenciou mais de R$ 31 bilhões do Orçamento por causa da frustração de arrecadação, resultado da economia mais fraca. Como noticiou o Estado, a Junta Orçamentária pediu um plano de contingência para os ministérios porque a maioria começará a apresentar problemas a partir de setembro ou outubro em decorrência da falta de recursos. Procurada, a Receita não quis se pronunciar.

Banco Central. O Banco Central, que também já vem tendo sua rotina afetada por cortes de custos, sofrerá em 2020 mais um bloqueio de R$ 20 milhões em suas despesas discricionárias (que podem ou não ser executadas). O recado foi dado em reuniões internas e comunicado aos funcionários.

A Lei Orçamentária Anual (LOA) previa para o BC em 2019 um orçamento de R$ 289,7 milhões em despesas discricionárias, valor que foi reduzido para R$ 209,6 milhões, e o BC vinha pedindo a recomposição de parte dos recursos.

No dia 8 deste mês, os servidores da autarquia foram surpreendidos por um e-mail em nome da diretora de Administração, Carolina Barros, anunciando que "novos cortes precisarão ser feitos nas despesas do banco para adequá-las aos limites orçamentários informados pelo ME (Ministério da Economia)".

O resultado foi a demissão de 200 terceirizados em Brasília e nas regionais do BC e a paralisação de 34 projetos corporativos. O esforço levou a um corte de cerca de 10% das despesas do BC, em torno de R$ 28 milhões.

Consultado pela reportagem, o banco esclareceu que os ajustes buscam o cumprimento da legislação orçamentária, mas preservam os serviços prestados à sociedade.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

As principais bolsas de Nova York encerraram no positivo, com ganhos sólidos em setores como energia e tecnologia após o governo dos Estados Unidos renovar por 90 dias a permissão de exportações para a chinesa Huawei. A possibilidade de uma conversa entre EUA e China nos próximos dias também aqueceu os pregões, bem como a sinalização de estímulos dos governos chinês e alemão.

O índice Dow Jones subiu 0,96% para 26.135,79 pontos e o Nasdaq avançou 1,35% para 8.002,81 pontos, ambos ultrapassando as importantes marcas psicológicas de 26 mil e 8 mil pontos. Já o S&P 500 ganhou 1,21%, aos 2.923,65 pontos, com todos os subíndices fechando a segunda-feira no azul.

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Os ganhos foram liderados pelo setor energético, onde ações como Chevron (+1,30%), ExxonMobil (+4,80%) e ConocoPhillips (+4,80%) subiram junto com os preços do petróleo. Outros setores cíclicos, como tecnologia, serviços de comunicação e consumo discricionário registraram altas, como Whirlpool (+2,69%), Apple (+1,86%), Microsoft (+1,67%), Netflix (+2,17%), Amazon (+1,31%) e Alphabet (controladora da Google, +1,80%).

"Um otimismo cauteloso prevaleceu nos mercados financeiros, guiado por notícias positivas no lado comercial e expectativas de estímulo monetário e fiscal, superando as preocupações com uma desaceleração global", avalia o analista Vitor Sun Zou, do BBVA.

Nesta manhã, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, confirmou à Fox Business a extensão da licença de venda à Huawei, afirmando que "ninguém gosta de perder um bom cliente". O anúncio veio na esteira da declaração dada pelo diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, de que negociadores americanos e chineses podem conversar por teleconferência dentro dos próximos dez dias.

Do outro lado do Atlântico, o ministro de Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, sugeriu ontem que Berlim poderá elevar os gastos públicos em 50 bilhões de euros para conter uma possível recessão do país. Mais ao Leste, o Banco Popular da China (PBoC, na sigla em inglês) divulgou no fim de semana um plano de reforma da taxa de juros, visando à redução do custo de financiamento para empresas impactadas pela desaceleração econômica no cenário da guerra comercial.

O noticiário econômico de hoje contou ainda com o forte recuo dos American Depositary Receipts (ADRs) de companhias Argentinas em Nova York, após a renúncia do ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne. O evento pressionou papéis como da petrolífera YPF (-7,39%) e dos bancos Supervielle (-15,78%) e Macro (-15,26%).

O real foi a moeda emergente que mais perdeu valor nesta segunda-feira ante o dólar. A divisa americana se fortaleceu de forma generalizada na economia mundial, com o presidente Donald Trump e membros de seu governo indo a público no final de semana minimizar os riscos de recessão na maior economia do mundo e ressaltando que as negociações comerciais com os chineses prosseguem. A Argentina também pressionou os mercados, em meio à queda do ministro da Economia e à sinalização de reestruturação de dívida. O dólar à vista fechou em alta de 1,58%, a R$ 4,0662, o maior valor desde 20 de maio, quando bateu em R$ 4,10. No mês, a valorização do dólar já soma 6,45%.

Também contribuiu para o fortalecimento do dólar declarações do presidente da regional de Boston do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Eric Rosengren, membro votante das reuniões de política monetária este ano. Ele minimizou o risco de piora da atividade econômica americana, afirmando que o "quadro é positivo" e que não vê motivo para mais corte de juros neste momento.

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Na Argentina, com o mercado fechado por causa de um feriado local, mas com forte queda dos American Depositary Receipts (ADRs) de companhias do país em Nova York, operadores ressaltam que investidores seguiram vendendo Brasil para fazer face ao aumento do risco no país vizinho. Por ser o mercado mais líquido da região, o Brasil acaba sendo afetado pela zeragem de posições, ressalta o sócio e gestor da Paineiras Investimentos, David Cohen. Outras moedas, como o rand da África do Sul, também foram penalizadas por esse movimento.

Cohen avalia que a volatilidade no mercado de câmbio vai seguir alta e as moedas de emergentes vão continuar pressionadas, por conta da maior demanda por dólar na economia mundial, com investidores em busca de proteção. Com isso, mesmo com as notícias positivas locais, o ambiente externo acaba predominando, ressalta o gestor.

"O real caiu acompanhando a cesta de moedas emergentes, embora em ritmo mais acelerado aqui", afirma o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem. O temor de recessão mundial segue pressionando as moedas de emergentes, com os investidores fugindo de ativos de risco. A dúvida, ressalta ele, é se o início da venda de dólares das reservas pelo Banco Central, na quarta-feira (21), vai ajudar a reverter este quadro. Além das reservas, o BC vai ofertar swaps reversos (compra de dólares no mercado futuro) e swaps tradicionais (venda de dólares no mercado futuro).

No exterior, o índice DXY, que mede a variação da moeda americana ante divisas fortes, como o euro e a libra, atingiu um dos maiores níveis de agosto, a 98,390 pontos. Um dos termômetros do enfraquecimento das moedas dos emergentes é o fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) WisdomTree Emerging Currency Fund, negociado em Nova York. A carteira teve queda de 0,71% nesta segunda-feira, recuando para os menores níveis desde maio.

Com sinais de migração de recursos para ativos mais conservadores, o Índice Bovespa não conseguiu acompanhar o bom desempenho das bolsas de Nova York e fechou em baixa de 0,34% nesta segunda-feira, aos 99.468,67 pontos. Pela manhã, o índice havia chegado a subir 1,14%. A alta de 1,58% do dólar foi um dos principais sintomas da fuga de recursos externos no pregão. Apesar da melhora na percepção de risco para a economia global, o investidor manteve a cautela nos mercados emergentes e o real foi a moeda que mais se desvalorizou ante o dólar.

"Há muitas coisas que afetam os mercados emergentes acontecendo ao mesmo tempo. A Argentina é um desses fatores, pois o país está lotado de problemas, mas não tem liquidez, o que acaba por afetar o Brasil", disse Alvaro Bandeira, economista da Modalmais.

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Mesmo com os mercados argentinos fechados, os ADRs (American Depositary Receipts) da Argentina registraram fortes perdas na Nasdaq. No final de semana, o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, pediu demissão do cargo. Já o candidato kichnerista Alberto Fernández, que lidera as intenções de voto no país, disse que o acordo firmado pelo atual governo para pagamento de dívidas junto ao FMI é impossível de ser cumprido. Ao final da tarde, o ADR da Telecom Argentina caía mais de 7%.

Para o analista Victor Beyruti, da Guide Investimentos, os sinais de que a economia dos Estados Unidos segue robusta e que as relações com a China podem melhorar vêm reforçando o papel de "porto seguro" do dólar perante ativos de maior risco. Não à toa que o noticiário positivo da manhã levou o dólar a se fortalecer ante moedas fortes e emergentes.

"Esse dólar bastante forte lá fora indica que há aversão ao risco, uma vez que o investidor vê robustez na economia americana e grande incerteza nas demais", afirma. Além disso, ressalta o analista, o cenário doméstico brasileiro não tem um "driver" que faça o investidor olhar para o Brasil com "mais carinho".

Toda a agitação dos últimos dias com o noticiário envolvendo guerra comercial entre Estados Unidos e China e indicadores econômicos fracos na Europa vem castigando principalmente as ações do setor de materiais básicos. Nesta segunda a alta dos preços do petróleo favoreceu a recuperação das ações da Petrobras, que subiram 0,50% (PN) e 1,36% (ON). No acumulado de agosto, no entanto, elas contabilizam perdas superiores a 6%.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não está pronto para fazer uma acordo com a China, mas que seu governo tem conversas "muito, muito substanciais" com o país asiático. "Os chineses querem fazer um acordo, vamos ver o que acontece", declarou o republicano a repórteres.

"A China precisa mais de um acordo do que os Estados Unidos", afirmou, acusando chineses de serem "muito orgulhosos enquanto sua economia está com problemas".

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Contudo, o líder da Casa Branca disse que a Huawei, gigante chinesa da área tecnológica, é uma empresa com a qual os americanos não devem fazer negócios, "por questões de segurança nacional".

Trump ressaltou que o presidente da China, Xi Jinping, tem capacidade para resolver o que chamou de "problema de Hong Kong" - referindo-se aos protestos na região, que se arrastam há meses -, mas ponderou que será "mais difícil" fazer um acordo comercial com o país asiático em caso de ação violenta sobre os manifestantes.

Economia dos EUA

O presidente americano não entende que os EUA terá uma recessão. "Nossa economia está indo melhor do que qualquer outra do planeta", afirmou.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,27% na segunda quadrissemana de agosto, acelerando em relação ao ganho de 0,12% observado na primeira quadrissemana deste mês, segundo dados publicados hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Na segunda leitura de agosto, quatro dos sete componentes do IPC-Fipe subiram com mais força ou reduziram deflação. Foi o caso de Habitação (de 0,62% na primeira quadrissemana para 0,88% na segunda quadrissemana), Alimentação (de -0,24% para -0,05%), Transportes (de 0,01% para 0,13%) e Despesas Pessoais (de -0,50% para -0,37%).

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Por outro lado, dois itens avançaram em ritmo mais contido, caso de Saúde (de 0,48% para 0,41%) e Educação (de 0,45% para 0,33%), enquanto a categoria Vestuário passou de inflação de 0,17% para estabilidade nos preços.

Veja abaixo como ficaram os componentes do IPC-Fipe na segunda quadrissemana de agosto:

- Habitação: 0,88%

- Alimentação: -0,05%

- Transportes: 0,13%

- Despesas Pessoais: -0,37%

- Saúde: 0,41%

- Vestuário: 0,00%

- Educação: 0,33%

- Índice Geral: 0,27%

Quem trabalhou com carteira assinada entre 1971 e 4 de outubro de 1988 começa a receber nesta segunda-feira (19) as cotas do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). A Caixa Econômica Federal, que administra o PIS, e o Banco do Brasil (BB), que administra o Pasep, começam a depositar o dinheiro nas contas dos correntistas das duas instituições.

Os demais cotistas poderão fazer os resgates conforme calendário divulgado pela Caixa e o Banco do Brasil. Segundo a Medida Provisória (MP) 889/2019, os recursos do fundo ficarão disponíveis para todos os cotistas, sem limite de idade. Diferentemente dos saques anteriores, agora não há prazo final para a retirada do dinheiro.

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A MP facilita o saque por herdeiros, que passarão a ter acesso simplificado aos recursos. Eles terão apenas de apresentar declaração de consenso entre as partes e a declaração de que não existem outros herdeiros conhecidos.

PIS

Segundo a Caixa, 10,4 milhões de trabalhadores terão direito ao saque das cotas do PIS. O pagamento deve injetar até R$ 18,3 bilhões na economia brasileira. Hoje, o crédito automático será feito apenas para quem tem conta corrente ou poupança no banco. Em 26 de agosto, será a vez de os cotistas a partir de 60 anos poderem sacar. O pagamento aos trabalhadores com até 59 anos começará em 2 de setembro.

O saque de até R$ 3 mil poderá ser feito nas lotéricas, correspondentes Caixa Aqui e nos terminais de autoatendimento, utilizando o cartão Cidadão, com senha. Outra opção é nas agências da Caixa. Acima de R$ 3 mil, somente nas agências da Caixa.

O PIS atende aos trabalhadores da iniciativa privada. Para saber se tem direito às cotas do fundo, o correntista deve consultar o endereço www.caixa.gov.br/cotaspis.

Pasep

No caso do Pasep, administrado pelo Banco do Brasil, estão disponíveis para saque R$ 4,5 bilhões pertencentes a 1,522 milhão de cotistas. Cerca de 30 mil participantes receberão automaticamente o dinheiro hoje. O Pasep atende a servidores públicos, militares e trabalhadores de empresas estatais.

Os cotistas clientes de outras instituições financeiras, com saldo de até R$ 5 mil, poderão transferir o saldo da cota por meio de Transferência Eletrônica de Documento (TED), sem nenhum custo, a partir de 20 de agosto. Os demais cotistas, assim como herdeiros e portadores de procuração legal, poderão realizar os saques diretamente nas agências do BB, a partir de 22 de agosto.

A opção de transferência oferecida pelo BB pode ser feita tanto pela internet, no endereço eletrônico www.bb.com.br/pasep, quanto pelos terminais de autoatendimento. O cotista ainda pode obter informações por meio da Central de Atendimento BB, pelos telefones 4004-0001 (capitais e regiões metropolitanas) ou 0800-729-0001 (demais localidades).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em seu Twitter na tarde deste domingo (18) que os americanos estão "indo muito bem com a China, e conversando", em referência às negociações comerciais com o país asiático.

A declaração vem no mesmo dia em que o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou ao programa Fox News Sunday que negociadores das duas maiores economias do mundo irão conversar na próxima semana, ou em dez dias, por teleconferência, para continuarem a negociar um acordo para a guerra comercial.

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Mais da metade das deduções de gastos com saúde do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) é concedida a contribuintes que ganham acima de dez salários mínimos ao mês. Levantamento feito pelo Estadão/Broadcast a partir de dados da Receita Federal mostra que os 19,7% mais ricos entre os declarantes abateram R$ 44,4 bilhões em despesas com saúde na declaração de 2018, que considera os rendimentos obtidos no ano anterior. O valor é 56% do total da isenção. Na educação, esse também é o grupo mais contemplado pelo benefício.

A lei hoje não estabelece nenhum teto para deduções de despesas médicas da base de cálculo do Imposto de Renda. Como geralmente é a população de maior renda que tem mais acesso a serviços médicos particulares, ela é a maior contemplada, ao conseguir abater a totalidade dos gastos. Na prática, no entanto, o benefício tributário acaba sendo usado irregularmente até mesmo para procedimentos estéticos, como aplicação de botox.

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O secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, admitiu neste mês que o governo estuda fixar um teto para as deduções médicas, mas não adiantou valores. "Hoje existe um benefício excessivo a famílias de alta renda, que usam medicina particular e não usam o SUS. O grosso da população usa o SUS e não tem nenhuma dedução. Vamos estabelecer um teto que seja justo e não dê excesso de privilégios e benefícios àqueles que não precisam", disse.

O limite para a dedução existe no caso dos gastos com educação - é possível abater até R$ 3.561,50 por dependente. Mesmo assim, a política também beneficia mais a alta renda. Segundo os dados da Receita, quem ganhou acima de R$ 9.370 mensais (equivalente a dez salários mínimos em 2017) descontou R$ 8,6 bilhões em despesas com educação, ou 40% do total.

O economista José Roberto Afonso, professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), afirma que uma mudança no IRPF deveria vir acompanhada de uma revisão integrada na tributação sobre a folha de salários e também sobre o lucro das empresas. Isso porque os mais ricos do País que estão no setor privado já deixaram de ser pessoas físicas perante o Fisco, recolhendo tributos como pessoa jurídica, em condições mais favoráveis.

Segundo os dados do IRPF 2018, o 1,1% mais rico entre os declarantes recebeu R$ 414,7 bilhões isentos de qualquer tributação - quase metade da renda livre, que somou R$ 908,1 bilhões. Boa parcela vem do recebimento de lucros e dividendos, mas não exclusivamente. Benefícios pagos a servidores públicos, como auxílio-moradia, também ficam livres do imposto.

Afonso lembra que parcela crescente dos brasileiros de alta renda e até mesmo de média e baixa renda recebem hoje como autônomos, microempresários ou microempreendedores. Nesses casos, os dividendos são isentos de IRPF, mas os contribuintes também perdem o direito às deduções legais. "O raciocínio simplista do governo e da maioria dos debatedores é que precisamos incluir essa renda de lucros e dividendos na tabela progressiva, mas esquecem que isso permitirá a esses contribuintes passar a fazer deduções iguais às dos contribuintes já incluídos", explica.

O economista avalia ainda que tributar lucros e dividendos, embora seja uma opção, pode estimular a prática de declarar despesas sociais na conta da pessoa jurídica, dificultando a fiscalização. Também haveria incentivo às empresas a reter os lucros.

Isenções

Além de limitar as deduções médicas, o presidente Jair Bolsonaro também tem pressionado a Receita Federal para ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda, hoje limitada a rendimentos de até R$ 1.903,98. O desejo do presidente é aumentar o limite para R$ 5 mil mensais para honrar uma promessa de campanha. Com isso, mais pessoas ficariam livres do tributo sobre seus salários.

O maior entrave a essa ampliação da faixa de isenção do IR é a consequente perda de R$ 40 bilhões em arrecadação, dinheiro do qual o governo não pode abrir mão em um momento de restrição fiscal.

Além disso, há na equipe econômica uma ala que prefere não misturar o debate da mudança no Imposto de Renda com a reforma tributária que tramita no Congresso Nacional e unifica os tributos que incidem sobre o consumo, como PIS/Cofins e IPI. A avaliação desse grupo é a de que não é o momento de mexer no IR, até porque há ainda o risco de o Congresso tomar para si a dianteira também desse debate, a exemplo do que ocorreu com a reforma tributária. Já existem hoje diversos projetos de lei que buscam alterar o IR e elevar as faixas de isenção.

Numa tentativa de aceno ao desejo do presidente, mas sem comprometer tanto as contas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem sinalizado com a correção da atual tabela do Imposto de Renda pela inflação. Seria o primeiro ajuste desde 2015.

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Sindifisco) calcula que há hoje uma defasagem média acumulada de 95,46% na tabela do IRPF, devido a anos de reajuste zero ou abaixo da inflação.

Juiz, procurador e promotor têm um terço da renda isenta

Com salários turbinados pelos chamados "penduricalhos", juízes, procuradores e promotores tiveram quase um terço de sua renda isenta de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) em 2017, mostra levantamento do Estadão/Broadcast com dados da Receita Federal. Cada integrante dessas carreiras recebeu cerca de R$ 635,7 mil no ano, dos quais R$ 191,4 mil ficaram livres de qualquer tributação.

A isenção chegou a 31% no Judiciário. No caso de membros do Ministério Público, o porcentual foi de 29,24%. Essas carreiras tinham seus vencimentos engordados por benefícios como auxílio-moradia, que inclusive ficam fora do alcance do teto do funcionalismo.

Os juízes e procuradores foram beneficiados, desde 2014, por uma liminar dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux que, na prática, liberou o pagamento de auxílio-moradia no valor de R$ 4,7 mil mensais para todos os integrantes da carreira.

No ano passado, as categorias negociaram restringir o benefício em troca de um aumento de 16,38% nos salários - o que resultou em um teto remuneratório maior, de R$ 39,2 mil mensais.

Em dezembro do ano passado, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou resolução que restringiu o pagamento do auxílio-moradia para aqueles que forem atuar fora da comarca de origem, que não tenham casa própria no novo local, nem residência oficial à disposição. À época, o CNJ estimou que apenas 1% da magistratura teria direito ao benefício sob as novas regras.

Um projeto de lei para limitar os "penduricalhos" nos salários de servidores está parado na Câmara. O relator, deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR), apresentou parecer, mas ele não foi votado. "A aprovação dessa matéria é essencial para que possamos barrar a criação desenfreada dos chamados penduricalhos", afirma.

No Executivo, apenas a carreira de diplomata tem parcela maior da renda isenta em relação a juízes e procuradores: 51,8%. Quando eles são transferidos para o exterior, recebem 75% dos seus salários livres de imposto, além de outras ajudas de custo também isentas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.180 da Mega-Sena, realizado nesse sábado (17) em São Paulo. O prêmio acumulou e a Caixa Econômica Federal deve pagar R$  31milhões na próxima quarta-feira (21), data do próximo sorteio.

As dezenas sorteadas foram: 10 - 12 - 16 - 21 - 28 - 38. No mesmo concurso, a Quina saiu para 95 apostadores, que vão levar para casa R$ 28.276,52. Os ganhadores que acertaram a quadra vão receber R$ 558,67.

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A Mega-Sena paga milhões para quem acertar os 6 números sorteados. Ainda é possível ganhar prêmios ao acertar 4 ou 5 números dentre os 60 disponíveis no volante de apostas. O jogo de seis números custa R$ 3,50.

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