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A variante Ômicron do novo coronavírus deu lugar a uma nova fase da pandemia de covid-19 na Europa e poderá acelerar o seu fim, disse o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa. Segundo ele, a variante ainda poderá infectar 60% dos europeus antes de março.

"É plausível que a região esteja se aproximando do fim da pandemia", disse Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, à AFP, embora ele tenha pedido cautela dada a versatilidade do vírus.

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"Assim que a onda Ômicron diminuir, haverá uma imunidade global por algumas semanas e meses, seja por causa da vacina ou porque as pessoas terão sido imunizadas pela infecção, e também uma queda por causa da sazonalidade", disse ele. A OMS espera "um período de calma antes do possível retorno da covid-19 no final do ano, mas não necessariamente o retorno da pandemia".

Na África do Sul, onde a variante Ômicron foi detectada pela primeira vez, novos casos vêm diminuindo nas últimas quatro semanas.

Em uma linha semelhante, o conselheiro da Casa Branca para pandemias nos Estados Unidos, Anthony Fauci, disse neste domingo, 23, que poderia haver uma reviravolta na situação dos Estados Unidos. Fauci afirmou que a atual onda de Ômicron estava atingindo o pico nacional nos Estados Unidos e que os casos de coronavírus poderiam cair para níveis gerenciáveis ??nos próximos meses.

"O que esperamos é que, à medida que chegarmos nas próximas semanas ou meses, veremos em todo o país o nível de infecção aumentar abaixo do que chamo de área de controle", disse Fauci durante uma entrevista à rede americana ABC.

Isso não significa erradicar o vírus, segundo ele, já que as infecções continuarão. "Elas estão lá, mas não perturbarão a sociedade. Esse é o melhor cenário."

Sem era endêmica

Entretanto, a Europa não está em uma "era endêmica", o que permitiria que o vírus fosse equiparado à gripe sazonal, ressaltou o chefe da OMS. "Endêmico significa que podemos prever o que vai acontecer. Este vírus tem sido uma surpresa mais de uma vez. Portanto, temos que ser cautelosos", insistiu Kluge.

Não apenas a variante Delta ainda está circulando, mas novas variantes poderiam surgir. "Seremos muito mais resistentes, mesmo a novas variantes", disse Thierry Breton, Comissário Europeu para o Mercado Interno, à emissora francesa LCI, no domingo.

"Estaremos prontos para adaptar vacinas se necessário, em particular aquelas que utilizam RNA mensageiro, para adaptá-las para lidar com uma variante virulenta", disse ele.

Na região europeia da OMS, que inclui 53 países, alguns dos quais na Ásia Central, a organização estima que 60% das pessoas poderiam ser infectadas pela Ômicron até 1 de março.

Nos 27 estados membros da União Europeia, assim como na Islândia, Liechtenstein e Noruega, esta variante é agora dominante, de acordo com a agência de saúde europeia. A Ômicron apareceu no final de novembro e é mais contagiosa que a Delta, mas menos virulenta, especialmente entre os vacinados,

Com um aumento exponencial das infecções, o diretor do escritório europeu da OMS insistiu na necessidade de mudar as políticas públicas para "minimizar as perturbações e proteger as pessoas vulneráveis". O objetivo agora, de acordo com Kluge, é estabilizar a situação sanitária.

"Estabilizar significa que o sistema de saúde não está mais sobrecarregado pela covid-19 e pode continuar a fornecer serviços de saúde essenciais, que infelizmente foram gravemente perturbados, tais como câncer, doenças cardiovasculares e imunização", enfatizou ele. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

Pelo quarto dia consecutivo, os combates entre extremistas islâmicos e as forças curdas apoiadas pela coalizão internacional continuam, neste domingo (23), na Síria, com o número de mortos ultrapassando 120.

Desencadeados na noite de quinta-feira por um grande ataque do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) contra a prisão de Ghwayran (nordeste), onde estão presos muitos extremistas, os combates levaram à fuga de milhares de civis.

O ataque foi lançado por cerca de 100 combatentes do EI para libertar seus companheiros da prisão localizada em Hassaké, região que faz parte do território controlado pelos curdos na Síria, país em guerra desde 2011.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), "77 jihadistas e 39 combatentes curdos morreram" em quatro dias, assim como "sete civis".

Este ataque é o maior reivindicado pelo EI desde sua derrota na Síria em 2019 contra as Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas por forças curdas e apoiadas pela coalizão internacional antijihadista liderada pelos Estados Unidos.

"Combates ferozes começaram antes do amanhecer deste domingo. As forças curdas estão tentando recuperar o controle da prisão e neutralizar os jihadistas nas áreas circundantes" do centro de detenção que abriga cerca de 3.500 terroristas, informou o OSDH.

As FDS são apoiadas pela força aérea da coalizão internacional.

- "Milagre" -

Os combates podiam ser ouvido nos arredores, segundo um correspondente da AFP.

Membros das FDS foram mobilizados dentro e ao redor da prisão, caçando os extremistas e chamando por alto-falantes para que os civis deixassem a área.

Os terroristas "entram nas casas e matam as pessoas", disse à AFP um civil que fugia a pé. "É um milagre termos saído vivos", afirmou, carregando uma criança em um cobertor de lã.

Segundo as autoridades curdas, milhares de pessoas deixaram suas casas perto da prisão.

As FDS encontraram cintos explosivos, armas e munições.

Já os atacantes disseram que roubaram armas e libertaram "centenas" de jihadistas. Mais de 100 dos fugitivos foram recapturados pelas forças curdas, mas dezenas ainda estão foragidos, segundo o OSDH.

Em um vídeo divulgado no sábado, o EI mostra cerca de 20 homens, alguns deles em uniforme militar, dizendo que são curdos capturados durante o ataque.

Comentando o vídeo, as FDS disseram que os prisioneiros eram funcionários que trabalhavam na cozinha da prisão.

De acordo com Nicholas Heras, do Newlines Institute em Washington, "as fugas das prisões representam a melhor oportunidade para o EI recuperar forças e a prisão de Ghwayran é um bom alvo porque está superlotada".

Milhares de jihadistas estão detidos em centros de detenção nos vastos territórios do norte e nordeste da Síria sob o controle das autoridades curdas. Muitas prisões eram originalmente escolas e, portanto, são inadequadas para manter os presos por um longo período.

Segundo as autoridades curdas, cerca de 12.000 jihadistas de mais de 50 nacionalidades - europeias e outras - estão detidos em suas prisões. Há anos que pedem, em vão, a sua repatriação.

Apesar de sua derrota, o EI ainda consegue realizar ataques mortais usando células adormecidas.

Desencadeada em março de 2011 pela repressão às manifestações pró-democracia, a guerra na Síria tornou-se mais complexa ao longo dos anos com o envolvimento de potências regionais e internacionais e a ascensão de jihadistas.

O conflito matou cerca de 500.000 pessoas de acordo com o OSDH, devastou a infraestrutura do país e deslocou milhões de pessoas.

Os portugueses começaram a votar antecipadamente neste domingo (23) para as eleições legislativas de 30 de janeiro, uma votação que o primeiro-ministro socialista Antonio Costa é o favorito, embora a sua vantagem sobre a oposição de centro-direita tenha diminuído.

Pandemia obriga, cerca de 315.000 eleitores, incluindo o chefe do Governo cessante, inscreveram-se para votar a partir das 08h00 GMT (5h00 de Brasília), uma semana antes da data oficial destas eleições antecipadas.

O primeiro-ministro Antonio Costa, deve votar na parte da manhã no Porto (norte).

Estas eleições foram convocadas pelo presidente conservador Marcelo Rebelo de Sousa na sequência da rejeição do orçamento do Executivo, que é minoritário, pelos seus antigos aliados da esquerda radical.

O Partido Socialista é atualmente creditado com cerca de 38% das intenções de voto, em comparação com pouco mais de 30% para o principal partido de oposição de centro-direita, o Partido Social Democrata (PSD) do ex-prefeito do Porto Rui Rio, de acordo com um agregador de sondagens publicado pela Rádio Renascença.

Mas, de acordo com várias pesquisas, a tendência dos últimos dias indica uma queda da diferença entre as duas forças.

O partido de extrema-direita Chega, que entrou no Parlamento com apenas um deputado em 2019, pode se tornar a terceira força política do país, com quase 7% dos votos.

- Equilíbrio de forças -

Liderado por André Ventura, o Chega está lado a lado com as formações de esquerda radical que levaram Antonio Costa ao poder em 2015: o Bloco de Esquerda e a coalizão comunista-verde.

Criticando a decisão "irresponsável" de seus ex-parceiros, dos quais espera não depender mais para governar, Costa pede aos eleitores que lhe deem a maioria absoluta que lhe escapou em 2019.

Se não atingir esse objetivo, já disse que tentará governar sozinho, negociando apoio parlamentar caso a caso ou contando com um pequeno partido.

"É provável que se mantenha o atual equilíbrio de forças", considera o cientista político José Santana Pereira, da Universidade de Lisboa, acrescentando que será "complicado" para Costa formar "um governo estável" sem os partidos da esquerda radical.

No entanto, "Antonio Costa é um político nato e, aos olhos do eleitorado, está mais bem preparado que Rui Rio", muito contestado em seu próprio campo, observa a analista Marina Costa Lobo.

Durante seu primeiro mandato, o país experimentou quatro anos de crescimento econômico que lhe permitiu reverter a política de austeridade implementada após a crise da dívida de 2011, ao mesmo tempo em que registrou o primeiro superávit orçamentário de sua história recente.

Os últimos dois anos foram marcados pela crise sanitária da qual Portugal espera sair em breve graças a uma das taxas de cobertura vacinal mais elevadas do mundo.

Os portugueses são chamados às urnas pela terceira vez desde o início da pandemia de covid-19, depois da reeleição há um ano do presidente conservador Marcelo Rebelo de Sousa e das eleições municipais de setembro, que os socialistas venceram apesar da perda da prefeitura de Lisboa.

Tal como os seus vizinhos europeus, Portugal é afetado pela variante ômicron com recordes de casos - que chegaram a quase 60.000 novos casos diários na sexta-feira e no sábado.

Cerca de 600 mil pessoas estão atualmente em quarentena, dois terços delas potenciais eleitores, de um total de 9,3 milhões de eleitores recenseados em território português.

Esses eleitores poderão quebrar o isolamento no próximo domingo para ir votar.

O ex-primeiro-ministro e magnata das comunicações Silvio Berlusconi anunciou neste sábado(22) a retirada de sua candidatura à presidência da Itália, dois dias antes do início da votação no Parlamento.

'Il Cavaliere', de 85 anos, faz campanha há semanas para substituir o presidente Sergio Mattarella, embora poucos analistas acreditem que ele tenha apoio suficiente para vencer.

Em um comunicado durante uma reunião virtual com líderes da direita italiana, Berlusconi insistiu que tinha votos suficientes, mas por "responsabilidade nacional", pediu aos que propuseram seu nome que o retirassem.

"Hoje, a Itália precisa de unidade", disse ele, aludindo à atual pandemia de covid-19. "Continuarei a servir meu país de outras maneiras", acrescentou.

O principal candidato à presidência continua sendo o primeiro-ministro Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu que liderou o governo de unidade nacional da Itália no ano passado.

Berlusconi, cujo partido Força Itália é membro do governo, repetiu seu desejo de que Draghi permaneça no cargo até as próximas eleições legislativas em 2023.

"Considero necessário que o governo Draghi complete seu trabalho até o final da legislatura", escreveu ele em comunicado divulgado por seu porta-voz.

Desta forma, será possível garantir a implementação das reformas exigidas pela União Europeia, lançadas há um ano para obter fundos europeus pós-covid e evitar uma crise governamental.

Berlusconi disse que trabalharia com Matteo Salvini, do partido anti-imigração La Liga, e Giorgia Meloni, dos Irmãos da Itália, de extrema-direita, para chegar a um acordo sobre um nome capaz de obter "amplo consenso".

O parlamento italiano começa a votar na segunda-feira para eleger um novo presidente da República. Nos três primeiros turnos de votação, uma maioria de dois terços é necessária, mas a partir do quarto turno, uma maioria simples é suficiente.

O cargo de presidente na Itália é em grande parte cerimonial, mas desempenha um papel crucial de arbitragem durante crises políticas e exerce influência significativa.

O mandato é de sete anos.

O magnata da tecnologia, Bill Gates, emitiu um alerta de que pandemias muito piores do que a da Covid-19 poderão surgir, ao pedir aos governos que contribuam com bilhões de dólares para se prepararem para o próximo surto global. O fundador da Microsoft é a favor de um fundo internacional, por acreditar que é uma boa “apólice”, já que preveniria grandes e pequenas nações de um colapso sanitário. 

O filantropo disse que, embora as variantes Ômicron e Delta do coronavírus sejam alguns dos vírus mais transmissivos já vistos, o mundo poderia ter que enfrentar um patógeno que causa uma taxa muito maior de fatalidades ou doenças graves. As declarações foram feitas ao jornal Financial Times, no último dia 18. 

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A Fundação Bill & Melinda Gates e o Wellcome Trust do Reino Unido estão doando US$ 300 milhões (mais de R$ 1,5 bilhão, na cotação atual) para a Coalition for Epidemic Preparedness Innovations, que ajudou a formar o programa Covax para fornecer vacinas a países de baixa e média renda. O CEPI está tentando arrecadar US$ 3,5 bilhões, pois visa reduzir o tempo necessário para desenvolver uma nova vacina para apenas 100 dias. 

Gates disse que as prioridades do mundo são “estranhas” e que coube a filantropos e governos ricos lidar com a desigualdade nas vacinas. “Quando falamos em gastar bilhões para economizar... trilhões de danos econômicos e dezenas de bilhões de vidas, é uma boa apólice de seguro”, disse Gates. 

Ele acrescentou que grande parte da inovação para se preparar para uma futura pandemia também pode ser útil para enfrentar os problemas de saúde globais existentes, como criar uma vacina para o HIV e melhores vacinas para tuberculose e malária. 

Gates disse que os dois grandes financiadores do desenvolvimento de vacinas durante a pandemia de Covid-19, a CEPI e o governo dos EUA, foram “corajosos” para colocar dinheiro em risco para criar amplos portfólios de vacinas em potencial. Porém, admitiu que é preciso fazer mais para aumentar os suprimentos para vacinar o mundo. 

“Foi o dinheiro em risco que fez com que os testes ocorressem. Portanto, houve um enorme benefício global. Estamos todos muito mais inteligentes agora. E precisamos de mais capacidade para a próxima vez”, disse ele. 

A professora Cherry Gagandeep Kang, membro do conselho do CEPI e virologista do Christian Medical College em Vellore, na Índia, disse que devemos esperar que os países coloquem seus interesses nacionais “na frente e no centro”. 

“O resto do mundo que não pode se dar ao luxo de assumir esses compromissos antecipadamente precisa de alguém do nosso lado. E o CEPI é essa organização”, disse ela. 

 

O padre jesuíta salvadorenho Rutilio Grande e o franciscano italiano Cosme Spessotto, assassinados pelos militares no prelúdio da guerra civil (1980-1992) em El Salvador, serão beatificados neste sábado (22), juntamente com dois leigos, por seu martírio em defesa dos pobres e perseguidos no país.

Pelo menos 6.000 fiéis são esperados na praça Divino Salvador del Mundo para a cerimônia, que será presidida pelo cardeal salvadorenho Gregorio Rosa Chávez, representante do papa Francisco.

Um grande pavilhão com telhado de palmeiras, como símbolo de simplicidade, foi erguido para a cerimônia em que todos os presentes foram convidados a usar uma máscara para prevenir infecções por Covid-19.

"O fato de que a Igreja os aceita oficialmente como mártires é que sua vida foi correta, eles se arriscaram para ajudar os pobres e foram fiéis a um chamado (de serviço) que lhes custou a vida", disse à AFP Rosa Chavez.

Em plena Guerra Fria, quando El Salvador vivia a agitação social reprimida pelos militares, Grande manteve "uma palavra enérgica e questionadora" e Spessotto o valor de "enterrar" os mortos que os militares deixavam como aviso nas ruas, recorda o cardeal.

Para Doris Yanira Barahona, de 63 anos, católica fervorosa, a beatificação de ambos representa "o merecido reconhecimento de dois homens que foram muito amados por seu trabalho em tempos difíceis, e foram homens que se entregaram à defesa dos mais despossuídos".

Grande foi assassinado em 12 de março de 1977, enquanto atravessava em seu veículo uma rodovia em El Paisnal, 40 km ao norte de San Salvador. Morreram também o sacristão Manuel Solórzano (72 anos) e Nelson Rutilio Lemus (16), que também serão beatificados e sepultados ao lado dele.

O ataque fatal a Grande foi o início da perseguição ao clero salvadorenho que denunciava a injustiça social vigente.

Fray Cosme Spessotto, por sua vez, foi assassinado em 14 de junho de 1980 dentro da igreja de San Juan Nonualco, 54 km a sudeste da capital e onde foi pároco por 27 anos.

- Assassinos identificados -

Em El Salvador, além do arcebispo de San Salvador, Óscar Arnulfo Romero, canonizado em 2018, foram assassinados o bispo militar Joaquín Ramos, vinte sacerdotes e milhares de leigos. A grande maioria dos crimes permanece impune.

"Em ambos os casos foram agentes do Estado (os assassinos); no caso do padre Cosme, da Polícia da Fazenda, e Rutilio, da Guarda Nacional. Foi totalmente comprovado", explica Rosa Chávez.

"Eu vi uma carta dos guardas assassinos. Quando eles estavam em Mariona (prisão), mandaram uma carta pedindo perdão, pedindo misericórdia", lembra.

Com o fim da guerra civil em 1992, a Guarda e a Polícia da Fazenda foram declaradas proscritas por múltiplas violações dos direitos humanos.

"Como é possível que um país de cristãos tenha matado 20 padres?", pergunta o cardeal.

O padre jesuíta Rodolfo Cardenal, biógrafo de Rutilio Grande, destaca que ele deixou um "duplo legado": por um lado, foi um "defensor dos camponeses pobres e explorados dos canaviais".

Enquanto no nível eclesial, "promoveu a reforma da igreja de El Salvador" do ponto de vista de aproximá-la do povo e assumir o compromisso de melhorar a situação dos pobres, denunciando situações que causavam miséria.

O assassinato de Grande comoveu o arcebispo Romero a ponto de forçá-lo a sair em defesa dos oprimidos pelas forças de segurança do Estado e pelos fatídicos esquadrões da morte.

Cardenal lembra que durante um encontro com a Igreja salvadorenha em 2015, o papa Francisco lhe disse que "o grande milagre de Rutilio Grande era monsenhor Romero".

Nesse sentido, "monsenhor Romero não é compreendido no trabalho pastoral na igreja salvadorenha, na arquidiocese (na capital) sobretudo, sem o trabalho de Rutilio Grande e outros padres mártires", explica Cardenal.

Diplomatas russos e americanos correm contra o tempo para evitar um conflito na Ucrânia. No entanto, conciliar os interesses de Moscou e Washington parece cada vez mais difícil. Nesta sexta-feira (21), o máximo que os dois conseguiram foi concordar que o diálogo deve continuar. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse ao chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, que responderá na semana que vem às exigências feitas pelo Kremlin para evitar uma guerra.

O problema é que a lista de desejos de Vladimir Putin, é longa. Ontem, o presidente russo esticou um pouco mais a corda e exigiu que a Otan retire todas suas forças de Bulgária, Romênia e de outros países da antiga esfera de influência soviética da Europa Oriental que aderiram à aliança após 1997 - um pedido impossível de atender.

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"As exigências da Rússia criariam membros da Otan de primeira e segunda classe e não podemos aceitar isso", disse Oana Lungescu, porta-voz da aliança. O primeiro-ministro búlgaro, Kiril Petkov, disse que a Bulgária decide sozinha o que fazer. "Somos um país soberano. Como tal, apenas nós decidimos questões de defesa, em coordenação com nossos parceiros da Otan."

Negociações

Blinken e Lavrov trocaram amabilidades após a reunião de ontem e garantiram que Putin e o presidente americano, Joe Biden, estão prontos para um encontro. No entanto, o único avanço teria sido uma possível reunião entre Lavrov e Blinken, no início de fevereiro, depois que os americanos enviarem aos russos as respostas por escrito.

Americanos e europeus temem que Putin esteja mais perto do que nunca de uma nova invasão da Ucrânia, depois de mobilizar mais de 100 mil soldados na fronteira e de enviar tropas para a vizinha Belarus, que poderia abrir uma segunda frente de invasão. Em 2014, a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia e, desde então, patrocina uma guerra separatista na região de Donbas, no leste da Ucrânia.

Ontem, Lavrov rejeitou qualquer hipótese de invasão russa, dizendo que tudo não passa de "histeria" do Ocidente. O chanceler acusou os EUA e a Europa de "sabotarem" um acordo de paz para acabar com a guerra civil na região de Donbas.

Os EUA têm usado todas as ferramentas diplomáticas para tentar dissuadir Putin, incluindo ameaças de sanções econômicas, que incluiriam a exclusão da Rússia do Swift, mecanismo global de pagamentos, o que isolaria o sistema bancário do país.

A pressão também é de caráter militar. Ontem, após autorização do Departamento de Estado dos EUA, os governos de Estônia, Letônia e Lituânia confirmaram o envio para a Ucrânia de mísseis antiaéreos e antitanque de fabricação americana. Os EUA também aprovaram um pacote de US$ 200 milhões para auxiliar a defesa do país contra um ataque russo.

Seria muito difícil conter uma invasão russa, mas os ucranianos têm capacidade de fazer algum estrago, desgastando a imagem de Putin entre os russos, que não apoiam uma guerra contra o país vizinho - segundo várias pesquisas recentes. Além disso, o apoio da elite econômica ao Kremlin poderia ser questionado em caso de novas sanções financeiras.

Exigências

Além da retirada de tropas da Otan de países que faziam parte da esfera de influência soviética, a Rússia também exige uma garantia de suspensão de qualquer forma de expansão da aliança militar na direção de suas fronteiras. Americanos e europeus disseram que as exigências são inaceitáveis, porque reescreveriam a ordem de segurança da Europa no pós-Guerra Fria. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

Os extremistas islâmicos mataram dois homens e sequestraram 20 crianças no estado de Borno, epicentro de uma insurgência islâmica na Nigéria, informaram um líder comunitário e residentes nesta sexta-feira (21).

Os extremistas do grupo Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP, nas siglas em inglês) invadiram na quinta-feira a aldeia de Piyemi, matando dois homens adultos e sequestrando 13 meninas e sete meninos, segundo as fontes.

O ataque de quinta-feira ocorreu perto da cidade de Chibok, onde há oito anos os extremistas do Boko Haram sequestraram mais de 200 estudantes em um ataque que gerou condenação internacional.

Os membros do ISWAP, vestidos com uniformes militares, começaram a atirar e saquear os comércios da cidade e a incendiar as casas, segundo os moradores. "Mataram a tiros dois homens e levaram 13 meninas e sete meninos de entre 12 e 15 anos", disse à AFP por telefone Samson Bulus, um dos habitantes.

Os extremistas colocaram as "20 crianças sequestradas na aldeia em um caminhão e as levaram para a floresta" de Sambisa, perto dali, contou outro dos habitantes, Silas John. As autoridades militares não estavam disponíveis até o momento para comentar o ataque, mas um funcionário do governo local de Chibok confirmou os fatos, sem mais detalhes.

"Esse ataque foi o terceiro nos últimos dias e evidencia os riscos que as cidades dos arredores de Chibok correm em relação aos extremistas", declarou Ayuba Alamson, um líder dessa cidade.

Os moradores voltaram na sexta-feira para a aldeia de Piyemi após passarem a noite no monte para escapar dos atacantes. Os extremistas destruíram parte da aldeia, incluindo uma igreja, e queimaram 10 veículos no ataque que durou três horas, disse John.

O ISWAP, que nasceu em 2016, é uma divisão do Boko Haram e é reconhecido pelo grupo Estado Islâmico. Desde que começou a rebelião do grupo islâmico radical Boko Haram em 2009, no nordeste da Nigéria, o conflito deixa quase 36.000 mortos e dois milhões de deslocados.

O deslocamento de um dos pilares de sustentação de uma ponte sobre o Rio Jequitinhonha, em Diamantina (MG), causou uma rachadura na pista e obrigou as autoridades públicas estaduais a interditarem parcialmente o tráfego de veículos pelo local.

O trecho interditado à passagem de ônibus, caminhões e outros veículos pesados fica na altura do quilômetro 564 da rodovia MGC-367, que liga o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, a Bahia.

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Até perto das 11 horas de hoje (21), apenas a passagem de veículos leves estava liberada, mas engenheiros do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DER-MG) estavam no local, avaliando a real dimensão do dano estrutural, e a hipótese de uma interdição total não estava descartada.

Segundo o Corpo de Bombeiros, um dos 13 pilares que sustentam a ponte de 186 metros de comprimento por oito metros de largura se deslocou, provocando a rachadura e trincas no asfalto.

A causa do problema nadiz Corpo de Bombeiros fundação do pilar que se deslocou ainda está sendo verificada. Nem o Bombeiros, nem o DER-MG anteciparam se o problema está relacionado às fortes chuvas que atingiram Minas Gerais nos últimos meses, provocando a cheia dos rios que cortam o estado. A ponte foi construída em 1956.

Às 11h desta sexta-feira, o mapeamento feito pela Polícia Militar Rodoviária em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal apontavam que, em todo o estado, havia ao menos 17 pontos de rodovias federais, estaduais ou municipais por onde é impossível passar e outros 86 locais onde o trânsito de veículos está parcialmente interditado.

Alternativa

A Polícia Militar Rodoviária orienta os motoristas impedidos de seguir pelo trecho interditado a seguir pela rodovia MGC-451, que vai para Olhos D’água/Bocaiúva, e depois seguir pela rodovia BR-135 até Curvelo, de onde é possível acessar a rodovia MGC-259 para Gouveia/Diamantina, ou fazer o sentido contrário.

Um avião desaparecido da Segunda Guerra Mundial foi encontrado em uma área remota do Himalaia na Índia quase 80 anos depois de seu acidente após uma busca complicada na qual morreram três guias.

A nave de transporte C-46, que decolou de Kunming (sul da China) ,voava com 13 pessoas a bordo quando desapareceu em meio a uma tempestade no montanhoso estado Arunachal Pradesh na primeira semana de 1945.

"Nunca mais se ouviu falar desse avião. Simplesmente desapareceu", explicou Clayton Kuhles, um aventureiro americano que liderou a missão após um pedido do filho de uma das vítimas do acidente.

A expedição durou meses, nos quais Kuhles e uma equipe de guias locais atravessaram rios que lhes cobriam até o peito e acamparam em meio a temperaturas glaciais. Três guias morreram de hipotermia no início da missão durante uma tempestade de neve.

Por fim, a equipe encontrou o avião em uma montanha coberta de neve no mês passado e foi capaz de identificar a fuselagem pelo número na cauda do avião. Na nave não havia restos humanos.

Bill Scherer, o filho órfão que pediu a missão, disse estar "feliz só por saber onde está" seu pai. "É triste, mas alegre", disse em um e-mail à AFP enviado de Nova York.

"Cresci sem pai. Tudo no que penso é na minha pobre mãe, recebendo um telegrama e descobrindo que meu pai está desaparecido e ela tendo que ficar comigo, um bebê de 13 meses", acrescentou.

Centenas de aviões militares americanos desapareceram em operações na Índia, China e Mianmar durante a Segunda Guerra Mundial, seja pelos ataques das forças japonesas ou pelas condições climatológicas.

As recentes mortes violentas de duas mulheres em Nova York soaram todos os alarmes e reviveram as lembranças de décadas passadas, quando a cidade dos arranha-céus era um lugar perigoso para se viver.

Michelle Go, uma asiática-americana de 40 anos, morreu no último sábado ao ser empurrada por um homem esquizofrênico de 61 anos nos trilhos do metrô quando chegava um trem em alta velocidade na estação da Times Square.

Dias antes, em 9 de janeiro, a adolescente porto-riquenha Kristal Bayron-Nieves morreu baleada por um ladrão que tentava roubar um punhado de dólares que havia no caixa de um estabelecimento do "Burger King" de East Harlem (NYC).

São homicídios com um alto impacto emocional, que comoveram uma cidade cuja recuperação das sequelas econômicas e sociais da pandemia do coronavírus se alterou com a multiplicação dos casos atribuídos à variante ômicron e que deixou restaurantes e casas de espetáculo quase desertos.

Segundo dados da Polícia, em 2021 foram registrados 488 homicídios na cidade de quase nove milhões de habitantes, 4,3% a mais que em 2020, ano em que aumentaram radicalmente (468 por 319 em 2019).

"O número é pequeno, mas preocupante, porque há um aumento e não queremos voltar para onde estávamos há 25 anos, quando os índices eram quatro vezes mais altos", disse à AFP Jeffrey Butts, professor e pesquisador do centro de Justiça Criminal John Jay, da Universidade de Nova York.

- 400 milhões de armas -

O que diferencia os Estados Unidos de outros países é o "número de pessoas que têm acesso a uma arma de fogo e isso é o que causa a violência mortal", afirma Butts.

"Quando as pessoas não sabem navegar por meio de suas frustrações e conflitos com outros e quando tem uma arma em mãos, se tornam fatais", explica.

No início da pandemia, que afetou a cidade com especial virulência na primeira onda, houve um "salto" na compra de armas, lembra Butts. Na quarta-feira, uma bebê de 11 meses foi gravemente ferida por uma bala perdida no Bronx quando estava no carro de sua mãe.

Richard Aborn, presidente da Comissão de Prevenção do Crime, uma organização que trabalha para melhorar a segurança pública, vê "uma combinação de fatores" no aumento, não só de crimes violentos, mas também de roubos e estupros.

Além da proliferação de armas - no país circulam 400 milhões, mais de uma por habitante- e da pandemia de covid, que afetou especialmente os bairros e as populações mais vulneráveis, Arborn considera que os protestos contra a atuação policial pela morte de George Floyd, sufocado pelo joelho de um policial em maio de 2020, incidiu no aumento da violência.

A isso soma-se a recente reforma da justiça penal que pode ter criado a falsa sensação de que cometer um crime está menos penalizado do que antes, quando não é assim, explica Aborn à AFP.

Após a morte de Go, as autoridades voltaram sua atenção para as doenças mentais, particularmente entre a população de rua que, com as temperaturas frias e o aumento dos contágios da ômicron nos albergues, escolhem se proteger nas estações de metrô.

Adams, que assumiu o cargo em 1º de janeiro, anunciou no dia 7 que reforçará a presença policial no metrô nova-iorquino, usado todo dia por milhões de pessoas.

Pelo menos 17 pessoas morreram, e 59 ficaram feridas na quinta-feira (20), em um acidente entre um caminhão carregado de explosivos e uma motocicleta que causou uma forte explosão em uma área de mineração no oeste de Gana - informou o governo.

A explosão aconteceu por volta do meio-dia em Apiate, perto de Bogoso, cidade cerca de 300 quilômetros ao oeste de Accra, capital deste país da África Ocidental rico em recursos minerais.

Vídeos verificados pela AFP mostram uma grande cratera, casas deformadas e escombros espalhados por centenas de metros. os vários corpos sem vida, alguns desmembrados, evidenciam a violência da explosão.

De acordo com informações iniciais, "um acidente entre um veículo que transportava material explosivo para uma empresa de mineração, uma moto e um terceiro veículo, ocorreu perto de um transformador elétrico e originou a explosão", disse o ministro da Informação, Kojo Oppong Nkrumah, em um comunicado divulgado ontem à noite.

Por volta das 17h locais (13h de Brasília), as autoridades contabilizaram "um total de 17 pessoas confirmadas mortas, infelizmente, e 59 feridos", acrescentou.

Entre os feridos, 42 estão sendo atendidos pelos serviços de saúde, e "alguns se encontram em estado crítico", completou o ministro.

Todos os hospitais da região foram mobilizados para atender as vítimas do acidente, e um plano de retirada foi ativado para transportar os feridos graves para hospitais da capital, anunciou o governo.

- "Cidade-fantasma" -

"Foi uma quinta-feira sombria. Até agora, 500 casas foram atingidas. Algumas foram completamente arrasadas pela explosão, e outras mostram rachaduras", relatou o vice-coordenador da Organização Nacional de Gestão de Catástrofes, Sedzi Sadzi Amedonu.

"É quase como uma cidade-fantasma agora. Algumas casas estão queimadas, outras, cobertas de escombros, e as operações de busca e resgate ainda estão em andamento", informou.

Os sobreviventes do evento entrevistados pela imprensa local relataram cenas de desolação. Abena Mintah correu para o local do acidente para ver se poderia ajudar as vítimas.

"O motorista do caminhão que transportava explosivos corria na nossa direção para dizer para a gente se afastar e, minutos depois, ouvimos uma forte detonação", relatou.

"Fiquei tonto e caí no mato. Consegui me levantar e vi vários corpos desmembrados na rua", explicou esta testemunha, levemente ferida nos pés e nas mãos.

Para evitar uma segunda explosão, uma equipe conjunta de especialistas em explosivos da polícia e do Exército foi enviada para examinar a situação e aplicar medidas de segurança", disse o comunicado do Ministério da Informação.

As autoridades pedem aos moradores que se afastem da área e se mudem para as aldeias vizinhas. Escolas e igrejas ficaram abertas durante a noite para acomodá-los.

Em uma mensagem no Twitter à tarde, o presidente de Gana, Nana Akufo-Addo, lamentou "um evento verdadeiramente triste, infeliz e trágico" e enviou suas condolências às famílias das vítimas.

Acidentes fatais ligados ao setor de mineração são frequentes em Gana, embora, em geral, estejam ligados ao colapso de minas artesanais, com frequência ilegais. Em junho, nove pessoas morreram em um desses lugares.

Gana é o segundo maior produtor de ouro do continente, depois da África do Sul. A indústria mineira do país envolve grandes empresas mundiais, mas também atividades artesanais, muitas em situação clandestina.

As ilhas Tonga enfrentavam nesta sexta-feira (21) uma imensa escassez de água potável, quase uma semana após a erupção de um vulcão no arquipélago, cujo efeito foi comparado à explosão de uma "bomba atômica" por uma autoridade do serviço de resgate.

Em Tongatapu, a principal ilha de Tonga, "foi como uma bomba atômica", testemunhou por telefone à AFP o secretário-geral da Cruz Vermelha de Tonga, Sione Taumoefolau.

"Toda a ilha tremeu devido à erupção", afirmou.

Em 15 de janeiro, a erupção do vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha'apai, que causou um tsunami, isolou esta pequena nação do Pacífico do restante do planeta, depois que o cabo de comunicação que ligava o arquipélago à rede de Internet se rompeu.

A situação continua difícil, devido à falta de ajuda humanitária e à operação titânica de limpeza das cinzas que os habitantes agora devem enfrentar.

"O pior para nós são as cinzas. Tudo está coberto pelas cinzas do vulcão", ressaltou Taumoefolau.

Jonathan Veitch, encarregado de coordenar as operações das Nações Unidas de Fiji, estimou que o principal problema é a água potável.

As reservas de água de dezenas de milhares de pessoas podem estar contaminadas pelas cinzas do vulcão, ou pela água salgada do tsunami que se seguiu.

"Antes da erupção, a maioria deles dependia da água da chuva", disse Veitch à AFP.

- "Golpe triplo?" -

"Se as cinzas tornaram tudo tóxico, isso é um problema, a menos que possam acessar fontes subterrâneas". Para ele, "agora é vital poder determinar sua localização".

As análises da água começaram, mas após a erupção do último sábado "todo país está coberto de cinzas", informou Veitch.

As operações de resgate começaram, de fato, apenas na quinta-feira, depois que a principal pista de pouso do arquipélago foi finalmente limpa da espessa camada de cinzas que a cobria.

Aviões militares australianos e neozelandeses transportando ajuda de emergência conseguiram pousar. Mas a distância, as dificuldades de comunicação e as medidas para evitar que a covid-19 afete este reino de 170 ilhas complicam as operações.

"Não é fácil. Está longe de tudo. Portanto, há restrições de acesso. E ainda tem o problema da covid, claro, assim como a falta de meios de comunicação", reconheceu o coordenador da ONU.

"Eu diria que é quase um golpe triplo".

À medida que as chegadas de ajuda externa se intensificam, a ONU está "preocupada" com os riscos ligados à covid, disse Veitch, referindo-se à variante ômicron que está se espalhando atualmente por vários arquipélagos do Pacífico, em particular nas Ilhas Salomão e Kiribati.

O governo procura uma maneira de trazer trabalhadores humanitários para o país sem correr o risco de contaminar a população.

O governo de Tonga concluiu a avaliação da extensão dos danos, especialmente nas ilhas que foram afetadas pelo tsunami causado pela erupção.

Três pessoas morreram, mas a extensão financeira ainda não foi estabelecida. "Nada sugere que o balanço humano seja maior, mas a destruição (material) é numerosa", de acordo com Veitch.

Muitas pessoas que vivem em ilhas remotas, e perderam suas casas, foram levadas para a grande ilha de Nomuka.

O navio neozelandês HMNZS Aotearoa atracou hoje em Tonga, carregando grandes suprimentos de água potável.

"Ele também tem capacidade para dessalinizar de 70 mil a 75 mil litros de água por dia, o que fará a diferença para as pessoas, pelo menos em Tongatapu", ressaltou Veitch.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) enviou um grande número de kits de água a bordo do navio humanitário australiano "HMAS Adelaide", que deixou Brisbane na noite de quinta-feira.

"Também enviamos muitos equipamentos para tratar a água", declarou Veitch.

A erupção vulcânica foi sentida até no Alasca, a mais de 9.000 km de distância. Um cogumelo de fumaça de 30 km de altura dispersou cinzas, gás e chuva ácida nas 170 ilhas de Tonga.

Essa erupção causou uma enorme onda de pressão que atravessou o planeta, movendo-se a uma velocidade de 1.231 km/h, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas sobre a Água e Atmosfera da Nova Zelândia.

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira (20) uma resolução não vinculante que pede a todos os Estados-membros que lutem contra a negação do Holocausto e do antissemitismo, especialmente nas redes sociais.

O texto, proposto por Israel, foi elaborado com a ajuda da Alemanha e patrocinado por várias 144 dos 193 Estados que formam as Nações Unidas.

O Irã, no entanto, marcou formalmente sua oposição à resolução, afirmando que Teerã se desvinculou do texto. Na resolução se "rejeita e condena sem reservas qualquer negação do Holocausto como acontecimento histórico, seja total ou parcialmente".

O Holocausto é a denominação do genocídio de 6 milhões de judeus europeus entre 1939 e 1945 por parte dos nazistas, seus simpatizantes e aliados.

Yair Lapid, ministro das Relações Exteriores de Israel, e sua contraparte alemã, Annalena Baerbock, saudaram em declaração comum a aprovação da resolução como prova de que a comunidade internacional "fala a uma só voz". Preocupados com o "aumento dramático" do negacionismo, os dois ministros denunciaram "as comparações entre conflitos políticos atuais e o Holocausto", o que constitui uma "injustiça" para as vítimas.

Dani Dayan, diretor do memorial israelense do Holocausto Yad Vashem, defendeu "esforços redobrados" para apoiar a pesquisa e o ensino sobre esse episódio sombrio na Europa.

Em um comunicado, o embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, elogiou a "resolução histórica", negociada por vários meses. A resolução aprovada hoje "oferece pela primeira vez uma definição clara da negação do Holocausto, pede que os países tomem medidas no combate ao antissemitismo, e apela aos gigantes da internet (Facebook, Twitter, Instagram, etc.) que lutem contra o conteúdo de ódio nas redes sociais, especifica a declaração israelense.

Um sul-coreano que viajava o mundo roubando centenas de plantas com o objetivo de contrabandeá-las para a Ásia foi preso nos Estados Unidos nesta quinta-feira (20).

Kim Byungsu admitiu a extração de suculentas avaliadas em cerca de US$ 150.000 de parques do norte da Califórnia. O gênero Dudleya é popular no leste da Ásia, onde é usado para decoração.

Kim e seus cúmplices arrancaram milhares de suculentas de parques estaduais em 2018 e as embalaram afirmando que haviam sido compradas legalmente em San Diego, segundo exposto em um tribunal de Los Angeles. O carregamento foi interceptado antes de deixar os Estados Unidos.

Kim foi preso e teve seu passaporte confiscado, mas convenceu o consulado sul-coreano a emitir um novo documento, alegando ter perdido o original. Ele deixou o país, mas foi preso e condenado na África do Sul por cultivar ilegalmente plantas nativas com o objetivo de exportá-las para a Ásia.

Os promotores que extraditaram Kim em 2020 declararam que as ações dele contra a flora da Califórnia não foram incidentes isolados, e que ele teria viajado para os Estados Unidos mais de 50 vezes.

Um avião da American Airlines que voava de Miami para Londres deu meia-volta depois que uma passageira se recusou a usar a máscara de proteção contra o novo coronavírus, informou a companhia aérea em comunicado divulgado nesta quinta-feira (21).

"O voo 38 da American Airlines retornou a Miami porque uma cliente se recusou a cumprir a exigência federal", explica o texto enviado à AFP.

O Boeing 777, que transportava 129 passageiros e 14 tripulantes, foi recebido em seu retorno à Flórida pela polícia de Miami. "Assim que o avião chegou ao portão de embarque, a passageira foi escoltada (pela polícia), sem incidentes", informaram autoridades à rede de TV CNN. Segundo a American Airlines, a cliente foi incluída na "lista interna de rejeição" da empresa.

O órgão regulador da aviação civil (FAA, sigla em inglês) decretou em janeiro de 2021 uma política de tolerância zero para passageiros que se recusassem a usar a máscara. Tripulantes relataram um número significativo de casos de violência verbal ou física por parte de viajantes que não concordam com essa medida.

O policial branco Derek Chauvin já foi condenado a 22 anos de prisão por matar o afroamericano George Floyd. Agora é a vez de três de seus colegas, que serão julgados pelas suas ações, ou pela falta delas, no dia do assassinato.

A Justiça federal começa nesta quinta-feira (20) a seleção dos doze jurados que deverão decidir sobre a culpabilidade de Tou Thao, Alexander Kueng e Thomas Lane, acusados de terem violado as leis americanas sobre os "direitos civis" de Floyd.

São acusados não terem fornecido ajuda enquanto Floyd morria sufocado pelo joelho de seu colega Chauvin em 25 de maio de 2020 en Minneapolis, no norte dos Estados Unidos.

Naquele dia, os quatro policiais participaram da operação de prisão do afroamericano de 46 anos, suspeito de ter comprado um pacote de cigarros com uma nota falsa de 20 dólares.

Para controlar este homem de estatura imponente, os policiais o derrubaram no chão, algemaram e cada um tomou sua posição.

Chauvin, um homem branco com 19 anos de experiência policial, se ajoelhou sobre seu pescoço; Alexander Kueng, um agente negro novato, se posicionou sobre suas costas; Thomas Lane, branco de 30 anos e recém-contratado, prendeu as pernas; e Tou Thao, americano de origem asiática com oito anos na força policial, manteve os transeuntes afastados, horrorizados pelas súplicas e gemidos de Floyd.

Permaneceram assim por quase dez minutos. A cena, filmada e divulgada online, provocou enormes protestos contra o racismo e a violência policial em todo Estados Unidos e fora dele, e continua alimentando a reflexão sobre o passado racista desse país.

"Indiferença deliberada"

A Justiça de Minnesota iniciou então um processo por assassinato contra Derek Chauvin e por cumplicidade no assassinato contra seus colegas.

Chauvin, que para muitos americanos se transformou na encarnação da violência policial, foi julgado neste contexto e condenado a 22 anos e meio de prisão.

O julgamento dos outros três nos tribunais locais foi adiado várias vezes e deve começar finalmente em 13 de junho.

Ao mesmo tempo, os promotores federais acusaram em maio os quatro agentes de "violar os direitos civis" de Floyd, incluindo a liberdade e a segurança.

Em dezembro, Chauvin se declarou culpado na acusação federal, admitindo pela primeira vez sua responsabilidade parcial na tragédia.

Portanto, seus três colegas comparecerão sem ele a partir de quinta-feira em um tribunal federal de Saint-Paul, a cidade gêmea de Minneapolis, onde a segurança foi reforçada.

São acusados de não terem fornecido a assistência necessária a Floyd, apesar dos sinais de risco médico.

"Viram George Floyd jogado no chão, claramente em sofrimento médico, e conscientemente não lhe forneceram assistência, agindo com deliberada indiferença", segundo a acusação.

Os três homens se declaram inocentes. Espera-se que os dois mais novatos insistam durante o julgamento na autoridade exercida por Derek Chauvin, um policial experiente.

Tou Thao argumentará possivelmente que estava concentrado nos pedestres e não percebeu o sofrimento de George Floyd.

O juiz encarregado do julgamento prevê dois dias para selecionar o júri e espera começar esse processo na segunda-feira, o qual poderia durar duas semanas.

Pelo menos duas pessoas morreram e 22 ficaram feridas nesta quinta-feira (20) na explosão de uma bomba em um bairro comercial de Lahore (leste), a segunda maior cidade do Paquistão, num atentado reivindicado por separatistas do Baluchistão.

"As investigações iniciais indicam que a explosão foi causada por um dispositivo equipado com um temporizador e colocado em uma motocicleta", disse à AFP Rana Arif, porta-voz da polícia de Lahore.

A polícia local e uma fonte médica informaram que duas pessoas morreram, uma delas um menino de 9 anos, e que 22 ficaram feridas na explosão no bairro de Anarkali.

O ataque teve como alvo funcionários de um banco no distrito comercial de Anarkali, informou o Exército Nacional Balúchi (BNA), reivindicando a responsabilidade no Twitter.

O BNA é um movimento separatista balúchi recentemente formado após a união de dois grupos mais antigos.

O primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, expressou seu pesar pela "perda de preciosas vidas humanas", segundo um de seus porta-vozes.

O Baluchistão (sudoeste) é a província mais pobre do Paquistão e é propensa à violência étnica, sectária e separatista.

É rica em hidrocarbonetos e minerais, mas sua população - cerca de 7 milhões de habitantes - reclama de ser marginalizada e espoliada de seus recursos naturais.

Foi abalada intermitentemente por décadas por uma rebelião separatista. Grupos jihadistas também operam ali.

É no Baluchistão onde estão os principais canteiros de obras do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), pelo qual a China deve gastar mais de 50 bilhões de dólares, incluindo seu carro-chefe, o porto em águas profundas de Gwadar.

Esses projetos chineses provocam forte ressentimento na província, especialmente com grupos separatistas, que acreditam que a população local não se beneficia deles, com a maioria dos empregos indo para trabalhadores chineses.

Em maio de 2019, um hotel de luxo com vista para o porto de Gwadar foi atacado, matando pelo menos oito pessoas. Seis meses antes, um ataque ao consulado chinês em Karachi, a maior cidade do Paquistão e sua capital econômica e financeira, matou pelo menos quatro pessoas.

E em junho de 2020, foi a Bolsa de Valores de Karachi, de propriedade parcial de empresas chinesas, que foi alvo (pelo menos 4 mortos).

Esses ataques foram reivindicados pelo Exército de Libertação do Baluchistão (BLA), que se justificou evocando o controle dos recursos locais por Islamabad e China.

Há algumas semanas, o Paquistão também enfrenta um ressurgimento do grupo Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), o Talibã paquistanês.

O TTP, um movimento separado da nova liderança afegã, assumiu a responsabilidade por vários ataques desde o início da semana, incluindo o ataque de segunda-feira a um posto policial em Islamabad, no qual um policial foi morto e dois feridos.

Tais incidentes são raros na capital, que está sob forte vigilância policial devido à presença de dezenas de embaixadas estrangeiras e onde a segurança melhorou nos últimos anos.

O ministro do Interior paquistanês, Sheikh Rashid Ahmed, alertou na terça-feira contra a possibilidade de novos ataques.

"É um sinal de que as atividades terroristas começaram em Islamabad", disse ele a repórteres.

"Este é o primeiro ataque terrorista em 2022 e devemos estar vigilantes".

O governo paquistanês havia acordado uma trégua de um mês com o TTP no final do ano passado, mas esse cessar-fogo terminou em 9 de dezembro, pois não houve progresso nas negociações de paz.

Os primeiros voos com ajuda humanitária de emergência chegaram a Tonga nesta quinta-feira (20), cinco dias após a erupção vulcânica e o tsunami que devastaram este arquipélago do Pacífico e que o isolaram do resto do mundo.

Tonga está inacessível desde sábado (15), quando uma das maiores erupções vulcânicas em décadas cobriu o território com cinzas, desencadeou um tsunami que atingiu grande parte do Pacífico e cortou os cabos de comunicação submarinos.

Dois grandes aviões de transporte militar da Austrália e da Nova Zelândia aterrissaram no principal aeroporto de Tonga, após a limpeza da pista.

"Aterrissou!", exclamou o ministro australiano de Desenvolvimento Internacional e encarregado das relações com o Pacífico, Zed Seselja, quando o avião C-17 chegou "carregando muitos suprimentos humanitários".

"Um segundo C-17 está a caminho", acrescentou.

A Nova Zelândia confirmou que seu Hercules C-130 também pousou em Tonga.

A ministra das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Nanaia Mahuta, indicou que a aeronave transportava água, equipamentos para abrigos temporários, geradores elétricos, itens de higiene e comunicação.

O Japão também anunciou que enviará dois aviões C-130 com ajuda, e outros países como China e França anunciaram sua disposição em ajudar.

No entanto, os rigorosos protocolos anticovid que mantiveram o arquipélago livre de contágios obrigam que os envios sejam entregues sem contato.

Mais de 80% dos 100.000 habitantes de Tonga foram afetados pelo desastre, segundo a ONU, e a água potável é uma das necessidades mais urgentes, pois as cinzas da erupção vulcânica contaminaram as reservas do arquipélago.

Devido ao desastre, as notícias do país têm sido muito limitadas desde sábado e o balanço dos danos é impreciso.

No momento, três mortes foram confirmadas pela erupção e pelo tsunami, cujas ondas atingiram as costas do Chile e dos Estados Unidos.

No Peru, causou a morte de duas mulheres e um derramamento de 6.000 barris de petróleo, afetando a flora e a fauna da costa da província de Callao.

- Navios a caminho -

Em Tonga, os trabalhos dos últimos dias se concentraram na liberação da pista do aeroporto internacional para permitir o pouso de aviões com ajuda humanitária.

O coordenador de crise das Nações Unidas, Jonathan Veitch, disse à AFP na noite de quarta-feira que a pista do aeroporto da ilha principal, que estava coberta por uma camada de 5 a 10 centímetros de cinzas, já estava operacional.

As partículas de poeira podem ser venenosas e também representar um perigo para as aeronaves, pois podem se acumular em seus motores e causar mau funcionamento.

O governo de Tonga disse que o fenômeno natural causou "um desastre sem precedentes", com ondas chegando a 15 metros de altura e destruindo inúmeros povoados nas ilhas próximas ao vulcão Hunga Tonga Hunga Ha'apai.

"O abastecimento de água em Tonga foi severamente afetado pelas cinzas e pela água salgada do tsunami", disse Katie Greenwood, da Federação Internacional da Cruz Vermelha, alertando para o risco de doenças como cólera e diarreia.

Além dos envios aéreos, tanto a Austrália quanto a Nova Zelândia enviaram ao arquipélago dois navios militares com reservas de água e uma usina dessalinizadora com capacidade para filtrar 70 mil litros por dia. Sua chegada está prevista para sexta-feira.

O presidente da Assembleia de Tonga, Fatafehi Fakafanua, assegurou com lágrimas que "toda a agricultura está arruinada".

A erupção foi uma das mais poderosas das últimas décadas, lançando uma onda de pressão que atravessou o planeta a uma velocidade supersônica de 1.230 quilômetros por hora, disse o Instituto Nacional de Pesquisa Marinha e Atmosférica da Nova Zelândia.

Embora as comunicações internas no país tenham sido parcialmente restabelecidas, a ligação com o exterior pode continuar interrompida por muito tempo porque a reparação do cabo submarino rompido demorará pelo menos quatro semanas.

O mundo registrou uma média de mais de 3 milhões de casos diários de Covid-19 entre 13 e 19 de janeiro, número que quintuplicou desde a descoberta da variante Ômicron no final de novembro, segundo uma contagem realizada pela AFP com base em dados oficiais.

Nos últimos sete dias, foram registrados uma média de 3.095.971 casos diários, um aumento de 17% em relação à semana anterior.

A disseminação da variante Ômicron - altamente contagiosa - causou uma forte aceleração da pandemia nas últimas semanas: os números atuais são quase 440% superiores aos 569.000 casos diários registrados em média entre 18 e 24 de novembro de 2021, dia da detecção da Ômicron na África do Sul e no Botsuana.

Os números atuais são muito superiores aos alcançados em ondas anteriores da Covid-19 no mundo.

Antes do aparecimento da Ômicron, o recorde era de 816.840 casos diários em média entre 23 e 29 de abril de 2021.

As regiões que atualmente sofrem os aumentos mais significativos de infecções são Ásia (385.572 casos diários em média nos últimos sete dias, +68% em relação à semana anterior), Oriente Médio (89.900 casos diários, +57%) e América Latina e Caribe (397.098 casos diários, +40%).

O número de óbitos no mundo também está em alta (7.522 óbitos em média nos últimos sete dias, +11% em relação à semana anterior), número pela primeira vez superior aos saldos registrados no final de novembro, na época da descoberta da Ômicron (7.343 mortes diárias entre 18 e 24 de novembro).

As formas graves da doença parecem mais raras com a Ômicron do que com a delta, a variante dominante anterior.

No Reino Unido, por exemplo, as novas infecções aumentaram mais de 330% entre o final de novembro e o início de janeiro. Nesse mesmo período, porém, o número de pacientes sob ventilação mecânica não aumentou.

Esses dados são baseados nos números comunicados diariamente pelas autoridades de saúde de cada país. Uma parcela significativa de casos menos graves ou assintomáticos permanece não detectada, apesar da intensificação dos testes em muitos países. Além disso, as políticas de teste diferem de país para país.

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