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A Cinemateca de São Paulo exibirá hoje (13) a obra de Zé Mojica Martins, morto em fevereiro deste ano, por meio de seu personagem mais conhecido: Zé do Caixão. A mostra também se torna relevante, pois, na virada do dia 13 para o dia 14 seria aniversário do artista.

Na programação do evento gratuito, que começará às 23h, está o clássico que inaugurou o terror no cinema brasileiro, o filme "À Meia-Noite Levarei Sua Alma" (1964), além de "Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver" (1966) e "Encarnação do Demônio" (2008). "Ele [Mojica] gostava de ser chamado de mestre, e seus amigos e colaboradores mais próximos não o interpretavam pretencioso. Acatavam o pedido do mestre com respeito e admiração", diz Anselmo Pires, ator e amigo íntimo da família do cineasta, com quem teve seu primeiro contato em 1993.

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Pires conta que Mojica não tinha um viés ideológico em sua obra, porém, sempre comentava em estúdios as repressões sofridas na época da ditadura civil-militar (1964-1985). "Tenho certeza que se Zé Mojica estivesse vivo, ele estaria resistindo a esse avanço conversador do País e ao ataque à democracia. Ele com certeza estaria manifestando contra isso", conclui.

O cineasta Rubens Mello conta que a obra de Mojica tem relação direta com a contracultura, ao proporcionar ideias provocadoras, polêmicas e que questionam valores centrais vigentes e instituídos da cultura. "Mojica ousou em sua época e quebrou valores religiosos e sociais que foram mostrados na saga de seu personagem mais famoso, o Zé do Caixão, na busca pela mulher superior, para lhe dar o filho perfeito. Para isto, as regras de sociedade são por ele questionadas. Principalmente a questão da fé, que em sua visão servia apenas para oprimir os mais fracos", comenta Mello.

O cinema de resistência se fez presente já no primeiro filme de Mojica por meio de alegorias visuais e narrativas utilizadas para abordar temas como política e cotidiano. Ainda que não realizasse um cinema propriamente político, o mais famoso diretor de cinema de terror no Brasil foi subversivo. Era um niilista que quebrava os valores tradicionais, atribuindo a estética do grotesco como fundamental em sua criação. "Sou fascinado pelo horror graças a Mojica. A poesia criada pelas sombras, o surreal e o onírico, a possibilidade de deformar a realidade e a criação do bizarro, do choque, de expor temas, tabus e deformidades humanas, do sagrado e do profano, que nos proporcionam ferramentas para uma viagem insólita a partir do estranho, além do irreal ao assustador, que moldam o meu fazer artístico", complementa Mello.

 

Serviço

Maratona da Madrugada: Trilogia do Zé do Caixão

Quando: 13 de março, sexta-feria, a partir das 23h

Onde: Cinemateca Brasileira - Largo Sen. Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, São Paulo

Entrada gratuita.

Os ingressos serão distribuídos na bilheteria uma hora antes de cada sessão.

Informações: (11) 3512-6111

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