Tópicos | Dia da Consciência Negra

O futebol brasileiro registrou mais um caso de racismo, nesta quarta-feira (20), justamente no Dia da Consciência Negra. Em um jogo válido pelo Campeonato Piauiense sub-15, no estádio Albertão, o árbitro Iudiney Silva foi xingado de "negro urubu ladrão" e que deveria "voltar para o lixão".

"Sofri ofensas racistas vindo de um torcedor riverino, infelizmente no Dia da Consciência Negra eu pude viver na pele esse tipo de preconceito, que está muito enraizado na sociedade", disse o juiz, ao site Cidade Verde. Iudiney registrou Boletim de Ocorrência, mas como não havia policiamento no local, o suspeito não foi preso.

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"É um ato revoltante e estaremos adotando as providências", afirmou Robert Bown Carcará, presidente da Federação de Futebol do Piauí, também ao site Cidade Verde.

Nesta quinta-feira (21), um dia depois do Dia da Consciência Negra, o deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ) usou o Twitter para lembrar o comentário racista feito contra ele pelo cantor Marcelo D2, após a vitória do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no segundo turno das eleições, em outubro de 2018. O parlamentar aproveitou para questionar os internautas se o episódio teria sido crime ou não, que sinalizaram positivamente.

Na ocasião, D2 chamou Hélio de 'negão do Bolsonaro', ressaltou o fato do deputado ser o único homem negro a aparecer ao lado do então candidato eleito no discurso de comemoração e insinuou que ele seria uma espécie de escravo do presidente eleito. Na época, a postura rendeu diversas críticas ao cantor. E Hélio reagiu dizendo que o presidente não era seu "patrão", mas sim um "irmão". 

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Nesta quinta, Hélio republicou a postagem de Marcelo D2 no Twitter e escreveu: "Eu poderia ter POSTADO ontem, deixei para postar hoje, pra mim  todo dia é DIA da CONSCIÊNCIA BRASILEIRA! VALE A PENA VER DE NOVO, vocês lembram desse episódio? Isso foi um CRIME ou NÃO?".

A publicação foi acompanhada das hashtags "#SomosTodosIguais", "#SomosTodosBrasileiros" e "#MinhaCorÉoBrasil".

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Em comemoração ao Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, o município de Camaragibe, por meio dos Movimentos Negro e Cultural e com apoio da Fundação de Cultura, realiza até o dia 24 de novembro e no dia 1° de dezembro, a Semana da Consciência Negra. A iniciativa vai contar com apresentações culturais da cidade, rodas de diálogo e palestras nas escolas.

Neste dia 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra, Camaragibe terá, além de palestras nas escolas, o Cine Debate no Cine Teatro Bianor Mendonça Monteiro no período da tarde e palestra com o tema “Historicidade a cerca de Zumbi dos Palmares”, ministrada pelo graduando em História, Gilmar Camará. Na quinta-feira (21), a Biblioteca Pública Penarol vai ser palco de contação de histórias para os estudantes das escolas municipais; sendo seguida pelo Encontro de Escritores Negros no Espaço Raminho do Trombone, no período noturno.

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Para fechar a festividade durante a semana, haverá no final de semana Cine Debate, Feira de Economia Solidária, Desfile Afro, IX Grito Ecológico, Encontro de Hip Hop, Palco Cultural Negro e Tributo à Malunguinho, Em dezembro, no dia 1º, o Projeto Cultural Ocupe a Praça fecha oficialmente as comemorações referentes ao Dia da Consciência Negra, com roda de diálogo, recital de poesia e apresentações culturais na Praça da Coimbral.

Confira a programação completa:

Quarta-feira (20)

9h às 11h – Palestra nas escolas

14h às 16h30, Cine Teatro Bianor Mendonça Monteiro

Cine Debate (Amistad e Desigualdade Racial no Brasil

16h às 22h

Evento Afro-DiverCidade

19h às 21h

Palestra “Historicidade a cerca de Zumbi dos Palmares” (por Gilmar Camará)

Entrega do Prêmio Zumbi

Quinta-feira (21)

9h às 11h – Palestra nas escolas

14h às 16h30, Biblioteca Pública Penarol

Contação de histórias para estudantes das escolas municipais

19h às 21h, Espaço Raminho do Trombone

Encontro de Escritores Negros

Sexta-feira (22)

9h às 13h – Feira de Economia Solidária

14h às 16h30, Espaço Raminho do Trombone

Cine Debate – AMISTAD

18h, em frente à Fundação de Cultura

Último Encontro Hip Hop do ano, com apresentações de grupos de Rap

19h às 21h – Desfile Afro

Sábado (23)

9h às 11h, Queda D’Água

IX Grito Ecológico

18h às 22h, em frente a Couro de Gato

Palco Cultural Negro

Domingo (24), Praça da Coimbral

13h às 22h

Tributo a Malunguinho

1º de dezembro, Praça da Coimbral

16h – Projeto Cultural Ocupe a Praça

*Da assessoria 

 

Nesta quarta-feira (20), o ex-jogador Walter Casagrande polemizou ao fazer uma postagem na sua conta oficial do Instagram. Casagrande compartilhou um vídeo com o trecho de uma entrevista do ator Morgan Freeman, e na legenda escreveu que o Dia da Consciência Negra, celebrado hoje, não existe. O vídeo é famoso nas redes socias e tratado tanto como piada, como um exemplo de "relativização" do racismo.

"Não existe dia da Consciência Negra, branca, indígena e todos os dias são dias de Consciência Humana!", declarou Casagrande. Após a publicação na rede social, diversos internautas criticaram Casagrande. "Quem diria... Um cara até certo ponto tão esclarecido, manda uma dessa... Milita por um causa tão nobre, e cospe na outra... Postagem lamentável", detonou um dos usuários do Instagram

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Embora tenha recebido inúmeras críticas, o comentarista esportivo da TV Globo não se pronunciou sobre o assunto.

Confira:

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a condenar, nesta quarta-feira (20), a destruição, pelo deputado Coronel Tadeu (PSL-SP), de uma placa contra o genocídio negro, na terça-feira (19). A arte do cartunista Carlos Latuff é parte de uma exposição sobre o Dia da Consciência Negra, comemorado nesta quinta-feira (20).

A mostra apresenta a história de diversas personalidades negras do país e está montada no túnel que faz ligação entre as comissões e o plenário principal. A placa tem uma charge do cartunista Carlos Latuff, com um policial de costas com revólver na mão e um jovem negro caído no chão com a legenda 'O genocídio da população negra'. Sob o argumento de que o conteúdo ofendia o trabalho dos policias militares, o deputado gravou um vídeo destruindo a placa e foi alvo de críticas.

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Rodrigo Maia condenou a violência e afirmou que o gesto não pode virar um precedente para outros atos semelhantes, porque desrespeita a livre manifestação artística na Câmara. “Estamos vendo uma solução para esse problema. É lamentável, [ocorrer em] uma exposição que a Câmara autorizou. Uma coisa é fazer uma crítica a uma peça e chegar à conclusão de que ela não está no lugar adequado, outra coisa é tirar essa peça com violência. Então, a gente tem que encontrar um caminho para encerrar esse episódio para que não se repita”, disse.

Sobre a recolocação da placa na exposição, o presidente da Câmara disse que está avaliando o caso com a diretoria responsável pela exposição. “Vamos ver se se consegue encontrar um caminho no qual se respeite o trabalho do artista e valorize nossa polícia. Não devemos generalizar, porque, quando se generaliza contra a política, a gente não gosta, então não deve generalizar a PM [Polícia Militar], mas também não deve generalizar a violência contra as exposições livres”, ponderou.

Mais tarde, o líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), ao falar sobre o episódio, disse que os policiais militares são alvo de preconceito. “Fazer uma generalização de que todos os policiais contribuem para a morte de negros no Brasil é uma visão parcial do problema e, certamente, tão preconceituosa quanto o racismo.”

Na avaliação de Vitor Hugo, Coronel Tadeu fez, com seu gesto, uma defesa dos policiais militares. “Nós entendemos a atitude do Coronel Tadeu como uma defesa dos policiais militares e dos profissionais de segurança pública. É ter preconceito com um grupo de brasileiros que expõem suas vidas todos os dias em prol do restante da sociedade”, afirmou.

 

Dezenas de manifestantes se concentram no Parque Treze de Maio, localizado no Centro do Recife, em celebração ao 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Os presentes pedem pelo fim do racismo, do genocídio do povo preto - além de reforçarem a importância da data nacionalmente para dar foco às questões que permeiam a população. 

De acordo com Mônica Oliveira, uma das organizadoras da Articulação Negra de Pernambuco, o 20 de novembro foi criado em contraponto ao 13 de maio, já que o movimento negro não reconhece essa data. "No dia 20 de novembro a gente celebra a resistência, nossas lutas, heróis e heroínas como Zumbi dos Palmares e Dandara", reforça. 

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Mônica, que também integra a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, esclarece que o 13 de maio não é um dia reconhecido pelos negros porque a partir dele nada foi oferecido para a população que por 380 anos foi escravizada no Brasil. "A população negra foi largada nas ruas sem escola, sem comida, sem segurança, sem emprego - que espécie de liberdade é essa? Para nós o 13 de Maio representa uma falsa abolição", exemplifica Monica Oliveira. 

Os manifestantes reunidos devem sair pelas ruas do Centro do Recife e encerrar a movimentação no bairro de São José, mais especificamente na Rua da Guia, com intervenções artísticas. 

 

Mesmo com a luta por espaço, por respeito e pelo reconhecimento do potencial dos negros no mercado de trabalho estando distante de terminar, alguns segmentos do Afroempreendedorismo ganharam força nos últimos anos. Empresas de destaque nos setores de cosméticos, financeiro, turismo e artesanato fazem sucesso e ajudam a formar o número que chega a 14 milhões de empreendedores negros no país, segundo dados do Instituto Locomotiva.

O mesmo levantamento afirma que a população negra brasileira movimenta R$ 1,7 trilhão por ano na economia nacional. No mercado do turismo, por exemplo, a Diáspora.Black rompeu as barreiras do preconceito. Ao oferecer hospedagens em locais cadastrados para receber turistas negros ou interessados em valorizar a influência da cultura negra dos locais escolhidos como destinos de viagem, a empresa aproveita a parceria com afroempreendedores da região preparados para disponibilizar serviços e criar roteiros baseados nas experiências a serem vividas nos lugares visitados. Entre viajantes e anfitriões, a plataforma tem três mil clientes e está presente em 70 cidades do mundo.

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No segmento financeiro, há opções para aprender a poupar e também para garantir um investimento seguro. A ContaBlack, primeira plataforma de conta digital criada por negros no Brasil, serviços bancários como linhas de investimentos e conta Física e Empresarial são oferecidos junto à proximidade dos clientes que antes não tinham acesso aos bancos. Já a NoFront, fala sobre educação financeira de uma maneira diferente. A economista Gabriela Mendes substitui as mais complicadas fórmulas matemáticas para ensinar a poupar e investir valores em dinheiro tendo como inspiração as letras de sucessos do Rap Nacional.

Outra referência do afroempreendedorismo é a Feira Preta. Realizada em São Paulo há 18 anos, a feira é considerada o maior evento de cultura e empreendedorismo negro da América Latina. A edição de 2019 tem como tema “Passado, Presente e Futuro” e aborda a origem, o presente e os passos futuros da cultura e empreendedorismo da população negra. Instalada em locais como Instituto Tomie Otake, Instituto Moreira Sales, Sesc 24 de Maio, Auditório do Ibirapuera e Memorial da América Latina, a programação oferece palestras, exposições, performances, shows, cinema, gastronomia, literatura, produtos e serviços, entre outros. A Feira Preta teve seu início no último dia 2 de novembro e segue com as atividades até o dia 8 de dezembro na capital paulista.

Marcado por manifestações culturais e políticas em todo o Brasil, o Dia da Consciência Negra é comemorado nesta quarta-feira (20). A data, que lembra a morte de Zumbi dos Palmares, é classificada como um símbolo de reflexão para combater a enraização do racismo. Na indústria fonográfica, artistas transitam pelos caminhos da resistência, levando suas vozes em tons de igualdade, respeito e compreensão.

Por isso, o LeiaJá preparou uma lista com músicas que exaltam a garra da negritude feminina. De Elza Soares a Liniker, confira as cantoras negras e trans que lutam diariamente para deletar as indiferenças encharcadas na sociedade.

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Majur - Africaniei

IZA - Dona de Mim

Urias - Diaba

Linn da Quebrada - Oração

Liniker - Intimidade

Elza Soares - Mulher do Fim do Mundo

UNA - Faz Ideia

Xênia França - Preta Yayá

Karol Conka - Lalá

Larissa Luz - Bonecas Pretas

A partir da década de 1970 o Brasil comemora o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, sendo escolhida tal data em respeito a Zumbi dos Palmares, símbolo de resistência ao regime escravocrata, assassinado em 1695. O marco serve, principalmente, para refletir sobre a inserção do indivíduo negro na sociedade nacional, assim como pontuar questões relacionadas à igualdade racial.

A história associa Zumbi como companheiro de Dandara que, como ele, também lutou de forma ativa pela libertação total das negras e negros no Brasil. Dandara, de acordo com a Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, é descrita pelo pesquisador da cultura afro-brasileira e compositor Nei Lopes como “personagem lendária da história de Palmares. Celebrada como a grande liderança feminina. Contudo sua real existência está ainda envolta em uma aura de lenda”.

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A vivência de Dandara divide opiniões, pois existe a real possibilidade de que ela possa ter sido a condensação de várias mulheres negras quilombolas em uma só. Lendária ou não, Dandara simboliza o trabalho árduo das mulheres pretas e demonstra a importância da individualidade de pensamento feminino perante à problemática sexista no que tange a liderança e o sucesso em diversos campos, inclusive o do trabalho.

A mulher negra e o empreendedorismo

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da pesquisa “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça”, as mulheres pretas ou pardas continuam na base da desigualdade de renda no Brasil. Em 2018, elas receberam, em média, menos da metade dos salários dos homens brancos (44,4%), que ocupam o topo da escala de remuneração no país. Além disso, uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), divulgada em outubro deste ano (2019), mostrou que 49% das mulheres negras, que possuem seus próprios negócios, começam a empreender por necessidade.

Para a empresária capixaba e criadora de uma linha de fitocosméticos Paula Breder, de 40 anos, as mulheres negras precisam transpor diversas barreiras quando se propõem a empreender. “Todos os dias quando acordo eu tenho plena consciência que serei julgada, questionada. Tenho sempre a impressão que para outras mulheres as coisas sempre são mais simples”, diz a empresária. “Meu marido [Márcio Breder, 36] adoeceu e eu precisei substituir a renda que ele tinha. Depois de um ano que eu estava estudando sobre fitoterapia comecei a vender os meus produtos justamente por isso”, explica.

A ideia de desenvolver fitocosméticos (cosméticos cujos princípios ativos são extratos integrais de vegetais e óleos) começou de maneira discreta: Paula produzia apenas para si mesma e para algumas mulheres próximas, pois era revendedora de outra marca de produtos. Ela diz que sua situação financeira era estável e conseguia complementar a renda familiar trabalhando como cabelereira – apesar de não possuir todos os equipamentos que um salão de beleza dispõe. Durante o atendimento diário de suas clientes, a profissional percebeu que as mulheres estavam consumindo diversos produtos para o cabelo e não se sentiam satisfeitas com o resultado. “Como eu tinha muito acesso a ativos naturais, manteigas, óleos, extratos e plantas, por morar no interior do Maranhão, comecei a fazer algumas alquimias e a estudar sobre fitoterapia de forma autodidata”, explica.

A empresária diz que o assunto lhe despertou bastante atenção, principalmente pelo resultado de suas misturas superarem fórmulas industrializadas de marcas famosas.

Observando os resultados e se aprofundando nos estudos, a empreendedora começou a fazer um curso de fitoterapia, a fim de formular seu primeiro fitocosmético capilar. “Comecei a perceber que os produtos que eu desenvolvi apresentavam resultados superiores até do que os produtos que eu vendia de marcas conhecidas. Foi nesse momento que eu comecei a estudar mais, principalmente patologias do couro cabeludo e, após um ano, vendê-los”.

Atualmente, Breder investe em e-commerce e mantém uma equipe de 12 pessoas próximas a ela, além de 120 revendedores credenciados em todo o Brasil.  Paula viaja o país oferecendo palestras e treinamento de seus produtos – em salões de beleza, principalmente – e, segundo a empreendedora, planeja contratar mais pessoas até o final de 2019.

Paula Breder durante treinamento sobre a utilização de fitocosméticos. Foto: acervo pessoal

Trabalhos informais, objetivos e sonhos

Além da necessidade financeira, a escassez de empregos formais piora a situação das mulheres negras brasileiras, pois a taxa de trabalhadores informais (serviços sem registro em carteira ou vínculo empregatício, o que inclui a área artística, geralmente) é maior entre pretos ou pardos. Enquanto 34,6% dos trabalhadores brancos estão em empregos informais, entre os pretos ou pardos o percentual é maior: 47,3%, segundo a pesquisa do IBGE. Dados da PNAD Contínua mostram também que a crise econômica atingiu mais as mulheres pretas: de 4,1 milhões de desempregados que o país tem hoje, 63,2% são mulheres negras. No primeiro trimestre do ano passado, o desemprego atingiu 73% das mulheres. Entre as negras, o percentual foi de 96%.

Para a artista visual Di Monique Novaes, 31 anos, trabalhar com arte é estar atrelada à ideia de somar a renda com outros tipos de serviço. “A palavra artista demorou para ficar confortável na minha boca por parecer muito pedante, principalmente por vir acompanhada de comentários como ‘você é artista/alguma outra coisa’, como garçonete, operadora de caixa e afins. É impossível viver apenas de arte por enquanto, portanto preciso complementar a renda com outros tipos de trabalho, ainda que eu tente colocar um pouco de minha arte em todos esses ambientes”, desabafa.

Di Monique é natural de Iguape – litoral sul – e veio para a capital paulista com o sonho de ser artista visual, em tudo que o termo contempla: artes cênicas, pintura, escultura, performance e desenho, entre outras coisas. Licenciada em Artes, atualmente trabalha com encomendas de quadros e esculturas e é líder de equipe em um restaurante na região central de São Paulo, o Mira – antigo Mirante Nove de Julho. O espaço é de livre acesso, prega a diversidade cultural e expõe obras de diversos artistas, inclusive de Novaes.

Obra "Terra", exposta no Mira. Foto: Caroline Nunes

Contudo, a artista sonha em um dia ter uma casa de cultura em que possa oferecer oficinas e viver confortavelmente apenas de seus trabalhos artísticos. “Eu quero viver essa arte, expandi-la. Ter um espaço que seja um lugar de afeto em que as pessoas possam aprender arte, praticar e conversar sobre tudo que está sendo feito ali”. Di Monique ainda diz que deseja lecionar para crianças de diversas capacidades cognitivas de forma inclusiva.

Já a empresária Paula Breder tem como objetivo expandir os negócios, visando estabelecer lojas físicas por todo o país. “Eu quero que as pessoas tenham a opção de não usar ativos nocivos em seus cabelos. Que tenham a opção de não usar química e que entendam o poder das plantas. Quero ter um espaço PB [sigla de Paula Breder] em cada canto do Brasil e também no exterior”, declara. “Os nãos que eu tomei nunca me fizeram desacreditar do meu trabalho, muito pelo contrário”, completa a empreendedora.

 

Inspirações e apoio afetivo

Para Paula Breder, uma mulher negra inspiradora é a apresentadora de televisão, atriz e empresária norte-americana Oprah Winfrey. “A imagem dela já é muito representativa, por ter chegado onde chegou sendo uma mulher negra. É a referência-mor de mulher bem-sucedida”, explica.

Para Di Monique, a inspiração de todo o seu trabalho e de outros campos da vida é oriunda das mulheres. Criada em um ambiente composto majoritariamente pelo gênero feminino e sem a presença do pai, a artista recorda que observava situações cotidianas com admiração pela feminilidade ao redor dela, fato que inspirou sua série artística “Pele”, que retrata diferentes mulheres nuas. “Inspiração? Elza Soares. Alcione, Nina Simone, Ângela Davis, Daniele Almeida – ex-educadora do Museu Afro. Marta Souza e Márcia Saraiva também, que serviram de modelos para a minha série de obras. São todas mulheres negras, fortes, que eu realmente me espelho. Mulheres que vi de perto e outras que somente pela televisão”, afirma Novaes.

No recenseamento mais recente, realizado pelo IBGE, dados sobre a mulher negra brasileira chamaram a atenção: o levantamento aponta que mais da metade delas – 52,52% – não vive em união estável, independentemente do estado civil, e não possui uma rede familiar de apoio emocional e afetivo.

Breder acredita que, apesar de todas as barreiras que uma mulher negra enfrenta, tanto no campo profissional quanto na questão da autoestima intelectual, o bom ambiente familiar e profissional são essenciais para seguir em frente. “Meu marido suporta e apoia tudo que me aflige, está ao meu lado enfrentando todos os meus leões diários. E a minha filha [Acsa Raquel, 12] também. Ela entende a minha ausência para trabalhar, entende a minha luta. Depois deles, me apoio em minha equipe de trabalho, que é sensacional. Meninas fortes que nunca trabalharam antes, vestiram a camisa da empresa e criaram uma expectativa profissional gigante. Essa é a minha rede de apoio”, completa Paula.  A empreendedora diz que o mês de novembro, em especial a comemoração do Dia da Consciência Negra, representa gratidão e reflexão sobre às expectativas impostas à uma mulher negra. “Neste dia em especial, eu me sinto vitoriosa, pois, segundo a expectativa – e enquanto mulher negra – não era para eu estar aqui”, diz.

A empresária Paula Breder. Foto: Divulgação

Para Novaes, dia 20 de novembro significa, principalmente, atenção e visibilidade. “Tento retratar pessoas negras, em minhas duas séries [‘Pele’ e ‘Pretas’], para que elas sejam visíveis. É um dia de comemoração e eu penso que posso contribuir com meu olhar para que essas pessoas pretas, essas mulheres, sejam vistas e suas questões, tão particulares, enxergadas”, declara a artista.

A artista visual Di Monique Novaes. Foto: Caroline Nunes

Sobre as redes de apoio afetivo e inspiração, a artista se emociona e enfatiza que a figura materna é a fonte de sua força. “Tenho uma rainha em seu trono fixo. Eu louvo a minha mãe, dona Eliana Novaes, por toda a minha existência. Além de artista, ou qualquer outra nomenclatura, eu sou filha dessa mulher magnífica”, completa.

Eliana Novaes, mãe da artista, retratada na série "Pele". Foto: Caroline Nunes

Di Monique ainda acredita que para que exista visibilidade feminina dentre os espaços de profissionais é necessário que as pessoas “apoiem o trabalho das mulheres negras. Consumam seus produtos, valorizem sua arte, inspirem-se com seus sonhos e deem voz aos seus empreendimentos”, finaliza.

 

Serviço

Paula Breder

Site oficial:  https://paulabreder.com.br/wp2/

Loja: www.lojapaulabreder.com.br/

Página: facebook.com/PB.Fitocosmeticos/

Contato: (27) 99885-6336/ (27) 3063-6336/ contato@paulabreder.com.br

 

Di Monique Novaes

Página: facebook.com/dimoniquearte/

Instagram: @dimoniquenovaes/ @mirantemira

Contato: moniquedinovaes@gmail.com

 

Clubes brasileiros fizeram publicações, por meio de suas redes sociais, em alusão ao 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Em Pernambuco, Sport e Náutico se manifestaram sobre a data, que é símbolo da luta contra o racismo.

"Precisamos ecoar um grito de uma luta diária e não há espaço para omissão", disse a publicação do Sport. O Flamengo, que se prepara para a decisão da Libertadores, escreveu: "Não basta não sermos racistas. Temos que ser antirracistas". Confira algumas das manifestações dos clubes:

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"Não há arrependimento. Quem foi atacada foi a Polícia Militar", afirma o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) que entrou no centro do debate político nesta terça-feira (19), ao arrancar um cartaz em um exposição sobre o racismo na Câmara.

Na imagem, um policial de arma na mão e um rapaz negro estendido no chão, com a camisa do Brasil e algemado. No cartaz, lia-se a frase "O genocídio da população negra".

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O ato do deputado provocou reação imediata de deputados que acusaram o militar de racista. Tadeu se defende elogiando a exposição e negando qualquer tipo de preconceito.

Por que o senhor arrancou o cartaz?

A exposição é maravilhosa, sobre racismo. Sou favorável à pauta. Mas, no meio de tanto cartaz bonito, você vê uma agressão como essa contra a Polícia Militar? Isso é inaceitável.

O senhor se arrepende de seu ato?

Essa é uma casa de debate e, por ser a casa do debate, você precisa incentivar cada vez mais esse debate. Não me sinto arrependido. Fiz o meu papel eleito por quase 100 mil famílias de policiais do Estado de São Paulo. Só que, no momento em que venho para a Câmara dos Deputados, eu deixo de representar os policiais e passo a representar toda a sociedade. Eu não poderia admitir uma agressão daquela altura. Quem sabe que a forma não foi tão acertada, mas a medida foi correta. Não há arrependimento. Quem foi atacada foi a Polícia Militar.

O senhor fala em contraponto, mas já havia um ofício da Frente de Segurança Pública pedindo a retirada do material. O senhor não acha que ultrapassou o limite?

Infelizmente, eu não sabia que havia o ofício. Se eu soubesse que havia um pedido formal de retirada, eu não teria feito isso. Meu estilo não é de usar esse tipo de atitude.

O senhor está sendo acusado de ter quebrado o decoro parlamentar...

De jeito nenhum. Não ofendi um parlamentar. Não ofendi nenhuma pessoa. Simplesmente eu exerci o meu mandato. Mais do que nunca defender quem precisa ser defendido. E, aqui, estamos tratando de uma agressão e não de uma exposição. Estamos tratando de uma agressão a um determinado público. E isso não pode ser permitido.

O senhor foi acusado de racismo por essa atitude...

Nesse momento as vítimas de racismo foram os polícias que foram acusados de serem os executores, homicidas. A mensagem é imprópria e não deveria estar dentro da Câmara dos Deputados.

A sua atitude hoje ocorre no dia em que está confirmado que a morte da menina Agatha Moreira, de oito anos, no Rio, foi causada por um tiro partido por um policial...

Pergunta ao policial se ele queria matar a menina. Quantas vítimas de bala perdida nós temos. O fato de ser hoje é apenas uma mera coincidência. Aquele projétil não tinha aquele endereço e, infelizmente, ele vitimou uma criança. Polícia não quer matar inocente.

Abrir um negócio não é fácil: além da ideia, o empreendedor deve realizar uma série de etapas que envolvem planejamento, definição de mercado, marketing, entre outras. No entanto, muitas vezes a necessidade bate à porta e, para prover o próprio sustento ou da família, essas etapas são esquecidas.

Em outubro, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), divulgou dados sobre empreendedores negros e brancos no Brasil. O levantamento revelou que 55,56% dos empresários afrodescendentes abrem um negócio por oportunidade, ou seja, realizaram um planejamento bem articulado. Já o percentual de brancos nesse mesmo contexto sobe para 71,5%.

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“Os dados refletem os números díspares entre a população negra e branca que também existe nos dados sociais. O negro recebe menos que o branco, tem oportunidades inferiores, visto que a população branca possui um nível de qualificação maior. É de fato uma conjuntura que também vai refletir na questão do empreendedorismo”, declara o economista Rafael Ramos.

O panorama traçado pela Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que tem o apoio do Sebrae e mede a evolução do empreendedorismo, também aponta que entre os empresários que possuem renda familiar acima de três salários mínimos, 22,9% são negros e 42,4% são brancos.

Em 2003, o músico Sérgio Sombra, na época um jovem negro de 23 anos, resolveu unir o amor que tem pela música com a chance de possuir um negócio capaz de render o sustento necessário para si e seus dois filhos. “Não foi nada planejado, o estúdio de música era um espaço que tinha na casa dos meus pais, no qual eu estudava alguns instrumentos musicais e ensaiava com meus amigos. Só após alguns anos percebi que era algo profissional”, explica o empreendedor que é proprietário do Estúdio Raízes, localizado no bairro do Sancho, no Recife.

Ensino superior

A GEM também fez um recorte referente à escolaridade dos empresários, visto que de acordo com a pesquisa, a proporção de pessoas negras com nível superior completo é sempre a metade verificada entre os brancos. Os números indicam que na Taxa Total de Empreendedores (TTE), 6,6 % dos negros possuem graduação, enquanto entre os brancos o percentual sobe para 12,8%.

Foto: Arthur Souza/LeiaJáImagens

A dona do brechó NUA Clothing, Alana Barbosa, 23, é uma das pessoas que se encontram dentro da estatística dos negros empreendedores que possuem nível superior. “Fiz o curso de publicidade e propaganda, porém percebi que não queria ser publicitária, mas gostaria de trabalhar com vendas, então continuei trabalhando com artesanato, junto com a minha mãe”, explica.

A empreendedora também conta que, com o tempo, resgatou o sonho antigo de estudar e se formar no curso de design de moda, o qual, segundo ela, se trata de graduação burguesa e branca. "É muito raro ver uma pessoa negra dentro de uma universidade fazendo um curso superior nessa área", disse Alana. 

“Me fortaleci em outra amiga minha negra que também fazia moda e a partir daí passei a consolidar o meu brechó, que já existia a um tempo, já que eu morava sozinha e vendia as roupas que não utilizava mais para vender”, conta a empreendedora, que uniu publicidade e moda e faz com que seu empreendimento, localizado na capital pernambucana, conte com mais de oito mil seguidores no Instagram.

Conheça mais sobre a história da empreendedora Alana Barbosa:

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-> Sebrae: de cada 100 negros adultos, 40 são empreendedores

Somente em 2019, foram registrados 60 casos de racismo em estádios. Os dados são do Observatório da Discriminação Racial do Futebol. De acordo com a ONG, foram 42 ocorrências registradas no Brasil e 13 envolvendo atletas brasileiros no exterior, sendo cinco em competições sul-americanas.

No Dia da Consciência Negra, Hyuri, atacante do Sport, contou como ele vê o preconceito nos campos do país. Para ele, faltam penalidades mais duras. “Defendo punições severas. Devemos punir torcedores e clubes, seja com perda de pontos, exclusão de competições, multa ou jogar com portões fechados, pois isso pesaria no bolso e faria o clube refletir. Mas não somente pelo prazer de punir alguém, com a função mesmo de acabar com o racismo”, disse.

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Hyuri também comentou o recente encontro entre Roger, do Bahia, e Marcão, do Fluminense, únicos técnicos negros na Série A do Brasileirão, no Maracanã, em uma campanha de conscientização. “Achei que a atitude foi um incentivo a mais para os treinadores negros. Alguns até exitam entrar nessa profissão, com medo do preconceito”, afirmou.

Decisão

Focado no jogo diante da Ponte Preta, o atacante garantiu comprometimento total do elenco, na decisão de hoje, na Ilha do Retiro. “O clima após o último jogo foi chato, mas ok, temos que sentir mesmo, pois o resultado não foi bom. Só que já virou a chave. Estamos no nosso caminho. O pessoal está concentrado e teremos a torcida do lado. Vamos sem ansiedade, conseguir o acesso”, garantiu.

A literatura é tida como ferramenta de educação e formação de uma sociedade. Sendo assim, ler os autores de seu país pode ser uma ótima estratégia para entender melhor sobre as pessoas que o cercam e até a si próprio. Nesta quarta (20), em que é celebrado o Dia da Consciência Negra, o LeiaJá preparou uma lista com sete dos mais importantes escritores negros do Brasil que em suas obras discorrem sobre temas muito discutidos, sobretudo nesta data, como o combate ao racismo, igualdade racial e de gênero e as lutas diárias da sociedade brasileira e de sua população negra. Confira e abra espaço em sua estante: 

Solano Trindade

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Poeta, folclorista, pintor, ator, teatrólogo, cineasta e militante, Solano Trindade tornou-se um dos nomes mais fortes da literatura brasileira. O escritor recifense traz em sua obra as reivindicações sociais dos negros em busca de melhores condições de vida. Alguns de seus títulos de destaque são 'Poemas d'uma vida simples' e 'Cantares ao meu povo'. 

Maria Firmina

Nascida em São Luís, no Maranhão, Maria Firmina foi pioneira ao escrever o primeiro romance abolicionista do país e ser a primeira mulher negra a publicar um livro, 'Úrsula', em 1859. Ela também escreveu poemas e contribuiu em diversos jornais de sua época. Após aposentar-se, em 1880, a escritora criou uma escola gratuita e mista. 

Carolina Maria de Jesus

A mineira Carolina de Jesus é considerada uma das primeiras escritoras negras do Brasil. Em sua obra ela fala do cotidiano dos moradores das favelas, tendo sido ela uma dessas moradoras pela maior parte de sua vida. Um de seus principais livros, Quarto de despejo: 'Diário de uma favelada', de 1960, vendeu cerca de 100 mil exemplares e foi publicado em mais de 40 países, em 13 idiomas diferentes. 

Conceição Evaristo

A escritora mineira, que só concluiu seus estudos básicos aos 25 anos por ter se dividido, durante toda a vida, entre a escola e o trabalho como doméstica, fez sua estreia na literatura em 1990. Hoje, mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, Conceição Evaristo tem obras traduzidas em diversos idiomas e publicadas no exterior. Ela é militante ativa do movimento negro e trabalha em seus escritos temas como discriminação racial, de gênero e de classe. 

Miró da Muribeca

João Flávio Cordeiro Silva, mais conhecido como Miró da Muribeca, é um poeta recifense, com 13 livros lançados e uma recente estreia na literatura infantil com a publicação 'Atchim!'. Miró pode ser visto pelas ruas do Recife, recitando e conversando com as pessoas e é dessa vivência que extrai material para o seu trabalho. A violência urbana, dificuldades do cotidiano, e as pequenas alegrias do dia a dia costumam estar presentes em sua obra. 

Djamila Ribeiro

Um dos mais importantes nomes da luta contra o racismo e do feminismo, na atualidade, Djamila Ribeiro é filósofa e escritora. Ela tem percorrido o Brasil e o mundo falando sobre igualdade racial e de gênero e algumas de suas obras também já foram publicadas no exterior. Entre seus lançamentos, estão 'Quem tem medo do feminismo negro?' e 'O que é lugar de fala?'. No final de 2019, ela lança 'Pequeno Manual Antirracista', pela editora Companhia das Letras. 

Machado de Assis

Um nome que dispensa apresentações, sendo Machado um dos mais importantes e conhecidos autores do país. Ele escreveu romances, contos, peças de teatros, crônicas e poemas, mas a desigualdade racial não era algo fortemente presente em sua obra. No entanto, recentemente, sua figura surgiu como símbolo contra o racismo em uma campanha de reparação histórica após indícios atestarem que o autor era, na verdade, negro, e não branco como costuma aparecer em uma das poucas imagens de sua pessoa. A campanha Machado de Assis Real, lançada pela Faculdade Zumbi dos Palmares, tratou de reparar o embranquecimento perpetuado na imagem do autor até então, com o objetivo de corrigir o racismo na literatura brasileira. 

Imagens: Reprodução

Reprodução/Instagram Djamila Ribeiro e Conceição Evaristo

Rafael Bandeira/LeiaJàImagens/Arquivo (Miró da Muribeca)

Quatorze parlamentares da oposição ajuizaram representação ao procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitando a abertura de inquérito civil e criminal contra os deputados federais Daniel Silveira (PSL-RJ) e Coronel Tadeu (PSL-SP), que arrancou à força um cartaz com críticas ao genocídio negro e à Polícia Militar. O parlamentar gravou o ato e divulgou em suas redes sociais.

O cartaz em questão exibia uma charge do cartunista Latuff, na qual um rapaz negro aparece morto enquanto um policial militar se afastaria carregando uma arma. A arte integrava a exposição (Re)Existir no Brasil - Trajetórias negras brasileiras, que visibilizava a morte de jovens negros em meio ao Dia da Consciência Negra, lembrado nesta quarta-feira (20).

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Ao destruir o cartaz, Coronel Tadeu afirmou que 'policiais não são assassinos'.

"Policiais são guardiões da sociedade, sinto orgulho de ter 600 mil profissionais trabalhando pela segurança de 240 milhões de brasileiros", escreveu, ao divulgar o vídeo em que comete o ato.

Na representação a Aras, os deputados de oposição afirmam que a 'a atitude não condiz com a postura esperada de qualquer cidadão, muito menos um parlamentar eleito'.

Em relação a Daniel Silveira, os deputados destacam fala do parlamentar no plenário da Câmara. Ele afirmou que a 'maior população carcerária é formada por negros no Brasil porque mais negros cometem crimes'.

"Agora, não venha atribuir à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro as mortes, porque um negrozinho bandidinho (sic) tem que ser perdoado", declarou.

A fala, segundo os deputados, tem conotação racista, configurado como crime inafiançável e imprescritível no Código Penal.

Daniel Silveira é o mesmo parlamentar que, em outubro do ano passado, ainda quando era candidato ao cargo na Câmara, rasgou uma placa em homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco, morta em março de 2018 em circunstâncias ainda hoje não esclarecidas.

"Obviamente, a liberdade de expressão e imunidade parlamentar não são ilimitados e precisam respeitar outros direitos previstos na Constituição Federal", argumentam os parlamentares. "Dessa forma, a liberdade de se expressar não pode se confundir com o discurso de ódio, o incentivo à violência e a reprodução de preconceitos sociais, raciais, étnicos e de gênero. Houve, no caso, clara incitação e apologia à violência".

Assinam a peça os deputados federais Áurea Carolina (PSOL-MG), David Miranda (PSOL-RJ), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ), Orlando Silva (PCdoB-SP), Bira do Pindaré (PSB-MA), Ivan Valente (PSOL-SP), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Edmilson Rodrigues (PSOL-PA), Glauber Braga (PSOL-RJ), Luiza Erundina (PSOL-SP), Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP).

A reportagem busca contato com os deputados Coronel Tadeu e Daniel Silveira. O espaço está aberto a manifestações.

Nesta quarta (20), data em que é celebrado o Dia da Consciência Negra, a Biblioteca Pública de Olinda vai promover uma vasta programação para celebrar a ocasião. Com portas abertas ao público, o local vai receber rodas de diálogo, exibição de curtas e atrações culturais que remetem à cultura afro.

Recém aberta ao público após um período de reformas, a Biblioteca Pública de Olinda vai dedicar um dia inteiro à cultura afro em homenagem à Consciência Negra. Entre os convidados, estarão o Grupo Cocada, o grupo de Rap Oeste 7 e o Lamento Negro. O público ainda vai poder participar de contação de histórias, rodas de diálogo e exibição de filmes. 

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Programação:

Manhã

08h30min às 9h – Receptivo com o Grupo Cocada

9h às 9h30min – Grupo de Capoeira

9h30min às 10h – Apresentação Cultural

10h às 11h – Exibição de curta e contação de estórias

11h às 12h – Encerramento com o Grupo da Cocada

Tarde

14h às 15h – Receptivo com o Grupo de Capoeira Meia Volta ao Mundo (FEFÉ)

15h às 16h – Exibição de curtas: Cabelos de Redemoinhos e Ouvido Chão: Identidade Quilombola

16h às 17h – Roda de diálogo

17h às 18h – Apresentações com o grupo de Rap Oeste 7 e Lamento Negro

18h – Encerramento com o Maracatu Leão Coroado.

Serviço

Dia da Consciência Negra na Biblioteca Pública de Olinda

Quarta (19) - 8h às 18h

Gratuito

Na próxima quarta-feira (20), Dia da Consciência Negra, acontecerá a marcha da consciência negra contra o racismo, o genocídio e pelo direito de viver do povo preto. O evento será feito no Parque 13 de Maio, no Centro do Recife, a partir das 14h e é uma iniciativa da Articulação Negra de Pernambuco (ANEPE), em parceria com mais de 50 movimentos negros que buscam articular estratégias de incidência política em Pernambuco. 

A data, estabelecida como Dia da Consciência Negra, tem como mote de reflexão a morte do líder negro Zumbi dos Palmares, que aconteceu em 20 de novembro de 1695. De acordo com a ANEPE, no evento acontecerão algumas intervenções culturais e em seguida o grupo deve seguir em marcha, juntamente com um cortejo de afoxés para a Rua da Guia, no bairro de São José.

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No local, a partir das 18h, algumas atrações como o grupo Femigang, Isaar, afoxé Omô Nilê Ogunjá e as DJs Themonia e Nenacalligera comandarão a noite e finalizarão o evento. 

Na próxima quarta-feira (20) é comemorado o Dia Nacional da Consciência Negra. Para celebrar a data, a capital paulista realizada a segunda edição da “Empreenda Afro”, uma feira de empreendedorismo negro que promove a geração de renda de artesões e comerciantes de rua.

Cerca de 50 artesões do Mãos e Mentes Paulistanas estarão presentes na feira de artesanato. Entre os produtos encontrados na feira de artesanato estão bonecas, bijuterias, tricôs, crochês, cadernos, entre outros. Além disso, terá diversas opções gastronômicas nos food trucks.

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O evento também terá apresentações musicais de Jorge Ben Jor, da Rapper Drik Barbosa e do Bloco Afirmativo Ilu Inã coma participação da cantora Tássia Reis e de Malvin Santhana.

 

Serviço

Empreenda Afro - Feira de Empreendedorismo Negro

Quando: 20 de novembro, das 10h às 22h

Onde: Praça da República - SP

 

Apresentações Musicais

14h - Ilu Inã

17h - Drik Barbosa

20h - Jorge Ben Jor

 

Os alunos de Fotografia e Gastronomia da Universidade Guarulhos (UNG), realizam nesta segunda e terça-feira (13 e 14), às 18h, duas exposições dedicadas ao mês da consciência negra na unidade centro da instituição.

A exposição de segunda conta com um acervo de fotografias de mulheres negras e penteados afros e acontece no pátio do prédio F. Já a de terça será focada na culinária afro-brasileira e acontece na sala F11.

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O Dia da Consciência Negra é comemorado anualmente no Brasil no dia 20 de novembro desde 2011 e visa à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data é lembrada também como o dia da morte de Zumbi dos Palmares, que aconteceu em 1965.

As exposições são gratuitas e abertas ao público.

O campus centro da UNG fica na rua Engenheiro Prestes Maia, 88, no Centro de Guarulhos.

Mais informações no telefone (11) 24641151.

A unidade de Serviço Social da Universidade Guarulhos (UNG) realiza nesta quinta-feira (9) uma palestra em comemoração ao mês da consciência negra às 19h30, no Clube Recreativo de Guarulhos.

A palestra tem como tema central o racismo e a importância da consciência negra. Além da palestra, será realizada uma apresentação cultural com danças envolvendo os alunos e professores do curso de Serviço Social.

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O Dia da Consciência Negra é comemorado anualmente no Brasil no dia 20 de novembro desde 2011 e visa à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data é lembrada também como o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1965.

A palestra é gratuita e aberta ao público.

O Clube Recreativo de Guarulhos fica na rua Doutor Nilo Peçanha, 111, no Centro de Guarulhos- SP.

Mais informações pelo telefone 2464-1151.

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