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O fechamento das escolas para contingência do novo coronavírus (SARS-CoV-2) impactou diretamente os estudantes que se preparam para fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Longe das escolas e dependendo de meios digitais para estudar, ter atividades, aulas e apoio pedagógico dos professores.

Após um grande movimento virtual, jurídico e político pedindo mudança da data, o Enem enfim foi adiado na tarde desta quarta-feira (20). O LeiaJá ouviu professores para entender o que pensam os educadores da posição adotada pelo Ministério da Educação (MEC). Confira:

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Para o professor de química Josinaldo Lins, o adiamento foi a decisão mais acertada a se tomar nesse momento, diante das circunstâncias causadas pelo coronavírus. “O Enem não é a mais justa das provas, disso poucos talvez discordem. Mas com prazo curto de inscrições num quadro de crise econômica, para quem não conseguiu isenção, e o ponto fundamental: o aluno de escola privada retomou as aulas, ainda que EaD, o da rede pública, por decisões governamentais, não. Manter o calendário atual só tornaria a disparidade existente ainda mais flagrante, a exclusão seria a tônica absoluta dessa prova”, afirmou o professor.

Questionado se o período de adiamento anunciado pelo MEC (de 30 a 60 dias) é suficiente para os alunos, Josinaldo preferiu o termo “adequado”. “Todo um planejamento está sendo refeito nas escolas, nos cursinhos e nas universidades, um adiamento maior que o prazo máximo estabelecido gerará todo um efeito cascata de atrasos não só em 2020, mas por toda uma série de anos. Basta lembrar do que ocorre quando as instituições federais de ensino superior passavam por greves e os semestres eram reorganizados ao final da paralisação, chegando ao fato de ter três semestres letivos em um só ano”, argumentou o professor.

Para o professor de linguagens e redação Diogo Xavier, o adiamento do Enem é importante, mas não vai, necessariamente, configurar um benefício aos estudantes. “É uma tentativa de compensar para aqueles alunos que não têm condições de se preparar adequadamente para a prova, seja por falta de estrutura física, de dispositivos e internet de qualidade, seja pela dificuldade de manter a concentração devido à rotina da casa. Isso sem contar aqueles que, independentemente do poder aquisitivo, têm o psicológico afetado por esse bombardeio de notícias sobre a pandemia e pelo próprio isolamento”, disse ele.

João Pedro Holanda, professor de filosofia e sociologia, também avalia que o adiamento do Enem, embora necessário, não resolve de fato o problema enfrentado pelos estudantes que precisam fazer a prova em 2020 sendo, para ele, uma medida paliativa.

“Alunos de bons cursinhos e escolas particulares com acesso à internet conseguem, mesmo aos trancos e barrancos, manter a sua rotina de estudos razoavelmente confortável. Mesmo assim, sofrem de ansiedade, desesperança e tristeza. A realidade do aluno da escola pública é infinitamente mais desesperadora. Quanto mais tempo a gente passar nessa situação, mais o abismo social e educacional se aprofunda”, afirma o professor.

Benedito Serafim, mais conhecido como Bené, é professor de geografia e atualidades e tem uma posição um pouco diferente. Para ele, o adiamento das provas, mesmo que por um período de 30 a 60 dias, já faz diferença para os estudantes que vinham aflitos com o cronograma anunciado e até então mantido pelo MEC.

“Isso é uma boa proposta e os alunos ganhariam esse tempo a mais para estudar. É de grande importância esse adiamento para esses alunos de periferia, de interior, que não têm acesso à internet, mais afastados das grandes metrópoles, tenham um certo equilíbrio. Dois meses a mais é uma certeza de que vão ter um pouco mais de estudos, e isso ainda não iguala eles aos alunos de grandes metrópoles, de escolas particulares, mas pelo menos ajuda a equilibrar um pouco mais essa balança da desigualdade não só econômica como social em nosso país”, disse o professor.

O professor também contrariou uma fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmando que uma das características do Enem, desde que deixou de ser uma prova apenas avaliativa do ensino médio e passou a também selecionar estudantes para universidades públicas, tem a função de auxiliar na redução de desigualdades sociais do país por meio da inserção de pessoas de mais baixa renda nas universidades.

“É de grande importância esse adiamento para esses alunos de periferia, de interior, que não têm acesso à internet, mais afastados das grandes metrópoles, tenham um certo equilíbrio. Dois meses a mais é uma certeza de que vão ter um pouco mais de estudos, e isso ainda não iguala eles aos alunos de grandes metrópoles, de escolas particulares, mas pelo menos ajuda a equilibrar um pouco mais essa balança da desigualdade não só econômica como social em nosso país”, argumentou Bené.

Cristiane Pantoja, professora de história, julgou a decisão pelo adiamento pertinente. Na opinião dela, os estudantes que conseguirem se adaptar e aproveitar o tempo a mais para estudar, podem se beneficiar. “Em relação ao adiamento eu acho que é pertinente. Faz parte da gestão política do Ministério da Educação (MEC) junto com o Inep e órgãos responsáveis adiar mediante ao atual cenário, em que momentos de transição de aula presencial para aula on-line leva tempo de adaptação. O benefício está se o aluno souber aproveitar o tempo que é dado para o estudo apesar desses momentos de adaptação, se o aluno realmente se empenhar em se adaptar a essas novas condições. Tem muitos alunos que vêm me falar da ansiedade que está aumentada por causa desse calendário”, declarou ela.

Para Thais Almeida, que ensina história, filosofia e sociologia, a mudança no calendário do Enem beneficiará os alunos que têm passado por dificuldades para estudar durante o período de quarentena. “Sabemos que não são todos os alunos que têm acesso a aula on-line e mesmo assim, entre os que têm, nem sempre as aulas ou os professores e as instituições de ensino têm todo o equipamento que possa melhorar o processo de aprendizagem a partir desses métodos digitais. Diante disso a isonomia que é prevista para o exame é quebrada”, afirma Thais.

Para a professora de linguagens e redação Lourdes Ribeiro, apesar de o período de adiamento não ser o suficiente, o fato de ter sido tomada a decisão de mudar a data do exame já configura uma vitória para os estudantes que farão as provas do Enem 2020.

“É uma vitória para os estudantes porque a gente sabe que dentro desse contexto que a gente está vivendo a questão dos privilégios sociais ficou muito mais clara e a maior parte das pessoas que realmente precisam prestar essa prova do Enem e realmente precisam da universidade pública não estão tendo acesso a videoaulas, muitas vezes não têm nem energia em casa. Tem a questão da merenda, falta de comida, ‘n’ fatores que fazem com que essas pessoas não tenham condições de prestar a prova na data que ela tinha sido determinada. É uma vitória, mas ainda assim algo para ser pensado para adiar ainda mais devido ao fato de a gente não ter previsão de quando isso vai acabar. Eu acredito que o mais prudente seria esperar esse cenário passar para poder se pensar em uma nova data, mas a princípio é uma vitória, sim, para esses estudantes que não são privilegiados”, declarou ela.

Já o professor de história Everaldo Chaves vê benefícios para os estudantes na mudança da data pois, para ele, além de questões relacionadas às possibilidades de conexão e acesso à internet, há também muitos alunos que mesmo conectados ainda não se adaptaram ao formato de ensino com aulas não presenciais. “Acho que [o adiamento] é algo benéfico até porque ainda tem aluno que não está conseguindo se adaptar à rotina de aula on-line. A gente precisa lembrar que a nossa cultura, principalmente na educação, é muito conservadora. Então o grande alunado é habituado a assistir aula presencial, sem contar que milhares de alunos não têm acesso à internet, não têm acesso a recursos de aparelho eletrônico, então muitos alunos estão sem aula. Esse adiamento com certeza dará oportunidade a esses alunos que ainda não se adaptaram às aulas on-line e dará tempo para que esses alunos que estão sem aula possam buscar formas e estratégias de tentar superar essa dificuldade”, disse o professor.

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Apesar das dúvidas dos estudantes quanto à manutenção do cronograma do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, a organização da prova divulgou, nesta terça-feira (31), o edital do processo seletivo. A versão digital será realizada nos dias 11 e 18 de outubro, enquanto o modelo tradicional, na versão imprensa, ocorrerá em 1º e 8 de novembro. Diogo Xavier, professor de Linguagens e redação, analisou os principais pontos do edital com exclusividade para o LeiaJá e Vai Cair No Enem.

Uma das principais percepções do professor em relação ao edital é que, mesmo diante de toda a polêmica envolvendo o anúncio do Enem Digital, essa prova continuará com a redação imprensa, escrita à mão. “A prova de redação ainda será impressa, ficando a parte digital limitada às questões objetivas”, disse o educador.

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De acordo com Xavier, o candidato não poderá fazer as duas versões da prova. “Diferentemente do que foi declarado pelo ministro da Educação, o candidato não poderá participar simultaneamente das versões digital e impressa. Uma vez inscrito na versão digital, não será possível mudar de opção, ou seja, automaticamente o candidato está ‘barrado’ de se inscrever na versão impressa”, revelou.

Em 2020, a versão digital do Enem contará com 100 mil vagas para aplicação em cidades selecionadas, tais como Recife e São Paulo. “Possivelmente – para o Enem Digital -, as inscrições se encerrarão quando atingir essa marca, mesmo antes de o prazo terminar”, alertou o professor.

Diogo Xavier ainda declarou: “Não haverá opções de acessibilidade, nesta versão da prova (digital), nem será aberta a treineiros, só para concluintes do ensino médio ou para quem já concluiu. Outro aspecto explicitado no edital é que o candidato o qual, na ocasião da aplicação da prova, estiver diagnosticado com alguma doença infectocontagiosa (entre as apresentadas no edital), poderá solicitar reaplicação da prova digital, apresentando a documentação exigida. O Covid-19 se encontra nessa lista.

Para mais informações, veja os editais do Enem Digital e da prova impressa. Todas as notícias sobre a prova estão no Vai Cair No Enem.

Muitos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se mostraram ansiosos e tensos devido às declarações de membros do governo federal sobre o “fim da ideologia” na prova, feitas antes da realização do Exame. As provas de Linguagens, Redação e Ciências Humanas, que eram as que mais despertavam polêmicas nesse sentido, foram aplicadas neste domingo (3). 

Na análise do professor de Linguagens e Redação Diogo Xavier, houve mudanças que levaram a “um certo favoritismo puxavam para fatores positivos para o governo”. Segundo ele, “teve alguns teóricos que a gente viu desaparecer da prova, em uma questão ou outra aparecem [temáticas] polêmicas para o governo, como questões ambientais".

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Já Diogo Didier, que também ensina linguagens e redação, afirmou que o Enem 2019 foi uma prova sem polêmicas. “Não teve [ideologia]. A prova do Enem não teve tempo de mudar o banco de questões, então foi o mesmo. Não teve nada muito transgressor, tudo formal, certinho, padronizado. A gente não teve nenhuma exaltação à esquerda ou direita, houve uma neutralidade, como o governo gosta de pontuar. Foi tudo muito baseado em texto, interpretação e regras”, disse ele.

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Após a divulgação da Cartilha de Redação 2019 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nesta quinta-feira (10), o professor Digo Xavier fez uma observação que pode ajudar os candidatos. Para o educador, neste ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela organização do Enem, deu indicativos mais claros de como deverá ser a proposta de intervenção, assim como as competências avaliadas.

“Este ano eles deram mais pistas sobre as competências avaliadas. Especialmente a proposta de Intervenção, veio mais explicado o que é esperado dela”, opina o professor de redação. A produção textual será cobrada em 3 de novembro, primeiro dia do processo seletivo.

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Diogo Xavier explanou, com exclusividade para o LeiaJá, as pistas da Cartilha de Redação 2019. “Primeiro, detalham que é necessário não só dar uma sugestão ou dizer que o que já existe é insuficiente. É preciso indicar a ação, concreta e relacionada ao que foi discutido, que deve ser feita por um agente. É necessário dizer, também, o meio para se colocar isso em prática e, por fim, dizer o resultado que se espera com essa intervenção”, explicou Xavier.

De acordo com o educador, os candidatos precisam evitar determinados tipos de intervenções. “O candidato deve estar atento para evitar intervenções que envolvam censura prévia ou perda de direitos / liberdades em caráter puramente preventivos, pois sugerir algo contra os Direitos Humanos pode zerar essa competência. Já são 200 pontos a menos”, alerta Xavier.

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O programa especial do Vai Cair No Enem desta semana está no ar. A influencer digital Thaliane Pereira recebe o professor de Linguagens e redação Diogo Xavier. Nesta edição, destrinchamos os principais pontos do tema ‘variação linguística’: o jeito que você fala pode cair no Exame Nacional do Ensino Médio?

Direto das ruas histórias de Salvador, o Vai Cair No Enem, em parceria com o LeiaJá, exibe uma aula dinâmica e cheia de dicas que contribuem bastante para a preparação dos candidatos. Confira, a seguir, o programa desta semana:

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Todas as terças-feiras, a partir das 16h30, o Vai Cair No Enem exibe suas edições especiais no Instagram, bem como aqui no LeiaJá e no youtube.com/vaicairnoenem. Thaliane Pereira sempre aborda um tema que mistura assuntos da prova com o cotidiano.

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Na manhã deste sábado (28), estudantes que vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) puderam assistir ao aulão promovido pelo Vai Cair no Enem, sediado na UNINASSAU Pituba, em Salvador, na Bahia. As disciplinas abordadas foram química, redação e linguagens.

A apresentação ficou a cargo do jornalista Nathan Santos e da influencer Thaliane Pereira. Os professores convidados foram Valter Júnior e Luís Krause, ambos de química, Carla Grimaldi de linguagens e Diogo Xavier de redação. 

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A primeira aula de química, comandada por Valter Júnior, teve paródias e um experimento com elementos químicos que geraram fogo. Valter Júnior fez referências à cultura baiana para ajudar na compreensão dos estudantes.

Em seguida, os feras ficaram com uma aula de linguagens cheia de significados. A professora Carla Grimaldi falou da importância dos dialetos e do uso das charges, além de reforçar a leitura e a interpretação de texto. 

A penúltima aula, também de química, foi ministrada por Luís Krause, que destrinchou assuntos ligados a hidrocarbonetos. O docente ainda opinou sobre a abordagem da prova deste ano, a qual ele acredita que deve ser valorizado o conteudismo, mas sem perder a contextualização. 

Por último, Diogo Xavier deu dicas para uma boa redação, usando de elementos que ajudam na introdução, desenvolvimento e conlusão. Para o docente, temas que estejam relacionados ao governo de uma forma negativa, não deverão ser pautadas na redação.

Para ter acesso às apostilas com os assuntos abordados baixe nos links abaixo:

Química

Química

Redação

O próximo aulão será no dia 19 de outubro, na  UNIVERITAS do Rio de Janeiro. Clique aqui para realizar a sua inscrição

E no dia 26 de outbro será o último aulão do Vai Cair no Enem. O evento será realizado na UNINASSAU Recife. Clique aqui e se inscreva de forma gratuita.

A disciplina de redação foi a última do aulão do Vai Cair no Enem que esteve, neste sábado (28), em Salvador, na Bahia. O professor Diogo Xavier deu diversas dicas de introdução, desenvolvimento e conclusão para os estudantes que querem alcançar a tão sonhada nota máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio. 

Letra legível e como abordar o tema proposto para o texto dissertativo-argumentativo foram duas das instruções dadas pelo docente, que enfatizou a importância do foco no assunto principal. "Na introdução deve estar explícito o tema", recomendou o Xavier. 

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Os estudantes presentes puderam tirar dúvidas sobre a construção da problematização da redação como o uso das citações. Diogo Xavier aproveitou para orientar os alunos que estão apreensivos com a redação, que leiam e se situem com o texto que vai ser oferecido como base e já o contextualize na introdução para depois escrever a tese no desenvolvimento.

Sobre o tema da redação deste ano, Diogo acredita que assuntos que comprometem o governo, como a questão ambiental, não caírão no Enem. Por outro lado, o educador aposta como possíveis temas a criminalidade juventil e saúde física ou mental. 

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Na língua portuguesa, a crase é um dos assuntos que geram dúvidas entre os estudantes. Para esclarecer os principais tópicos da temática, o LeiaJá traz nesta semana uma aula repleta de dicas com o professor de Linguagens Diogo Xavier.

O educador participa do programa Vai Cair No Enem, que reúne conteúdos sobre a prova do Exame Nacional do Ensino Médio. Os candidatos também podem seguir o Instagram @vaicairnoenem, que oferece aulas, questões, notícias e muitas outras informações. Veja, a seguir, o programa desta semana:

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Após a divulgação do tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2017, professores da área fizeram suas considerações a respeito. “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil” foi o assunto escolhido para que os feras dissertassem neste domingo (5), primeiro dia de provas do exame. 

O professor Diogo Xavier, do Squadrão, disse que a temática era uma das previstas, mas não de forma tão recortada: "O tema veio muito bem delimitado. Quando ele vem amplo, é orientado que o alune tente fazer essa delimitação para não se perder na abordagem". Diogo falou, também, sobre a importância do assunto: "É muito relevante porque é uma questão presente na atualidade mas, ainda assim, pouco falado".

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Já o professor de Linguagens e Redação, Felipe Rodrigues, do NCN Vestibulares, comentou sobre o trabalho feito com os alunos, acerca do tema: "Tenho certeza que eles vão falar sobre empatia social, sobre se colocar no lugar do outro, do deficiente". Felipe já havia levantado a possibilidade da escolha desse tema durante o programa Vai Cair no Enem, transmitido ao vivo pela fanpage do LeiaJa.com, no último sábado (4), e comemorou a previsão acertada.  

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Para além da interpretação de texto, as questões do caderno de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) exigem que os candidatos tenham o conhecimento sobre autores e obras da cultura brasileira. O professor Diogo Xavier comenta que as questões nem sempre abordam os aspectos literários, mas apresentam relação com a linguística. Diogo ressalta que os feras precisam ficar atentos às características estéticas e sociais das obras. 

O docente salienta que os candidatos devem prestar atenção nos temas relacionados à estética dos escritores e obras, assim como, a poeticidade e construção do texto. “Ultimamente a prova de linguagens, no que se refere à literatura, cobra dos candidatos questões atreladas às questões sociais, linguísticas e estéticas. Um exemplo disso é a poética de João Cabral de Melo Neto, que apresenta uma carga social e estilística forte". Em entrevista ao LeiaJá, o docente listou os principais autores presentes no exame. Confira:

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Prosa

Clarice Lispector - Escritora da terceira fase do modernismo brasileiro, chamada de "Geração de 45", Clarice nasceu na Ucrânia, mas ainda criança veio morar com a família no Brasil. Possui um estilo marcado pela inovação. Em sua literatura, os sentimentos e sensações dos personagens estão presentes, assim como, características intimistas e a representação do pensamento é feita de forma representação do pensamento não é feita de forma linear. Entre as obras mais conhecidas estão ‘Laços de Família’ e ‘A Hora da Estrela’.

Machado de Assis - De origem humilde, o escritor recebeu pouca educação formal e desempenhou diferentes funções, tais como: tipógrafo, editor de gravação, jornalista. Suas obras apresentam ironia e senso de humor para retratar os costumes da sociedade brasileira. Além disso, Machado mostra uma narrativa única e trava um diálogo com os leitores. Dentre as suas temáticas estão a escravidão, filosofia, ciúmes, mulher, papéis sociais, solidão. As obras mais conhecidas são Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro.

José de Alencar -  Classificado como um escritor da primeira fase romantismo brasileiro, Alencar possuía obras que apresentavam características realistas. Essas são classificadas em indianistas, históricas ou urbanas. Além disso, suas obras representava a cultura do povo, a história e as regiões brasileiras com uma linguagem, que para muitos, foi considerada inovadora para a época. Nas narrativas urbanas, costumava tecer críticas à sociedade, presente no livro Senhora. As obras indianistas, como em Ubirajara, Iracema e O Guarani, Alencar apresenta a figura do índio de forma idealizada. Já nas histórias regionalistas, ele fala dos costumes do campo, retratando o interior de São Paulo, os Pampas e o Sertão nordestino.

Guimarães Rosa – Representante da terceira fase do modernismo, o escritor apresenta uma escrita carregada de regionalismos, influenciada pela linguagem popular, recriando a linguagem com neologismos. Os costumes sertanejos e a paisagem são mostrados nas histórias. Assim como a figura do sertanejo é apresentado de forma a caracterizar o ser humano, seus percalços e lutas. Guimarães Rosa se consagrou na literatura brasileira após a publicação das obras Grande Sertões: Veredas e Corpo de Baile.

Ariano Suassuna – Um dos grandes nomes da cultura nordestina, o escritor e dramaturgo fundou o Movimento Armorial, na década de 70, cujo objetivo era apresentar a cultura popular em suas diversas faces. Pertencente a terceira fase do modernismo, sua produção carrega características da improvisação e do texto popular e mescla elementos do simbolismo, barroco e literatura de cordel. As obras ‘O Auto da Compadecida’, ‘O Santo e a Porca’ e ‘O Romance da Pedra do Reino’ se configuram como as mais discutidas.

Poesia

João Cabral de Melo Neto - Pertencente à geração de 45 do modernismo, João Cabral de Melo Neto apresenta em suas poesias características surrealistas, o rigor formal, formas fixas e versos ritmados. Desprendida de sentimentalismo, as obras descreviam as ações reais e possuíam um caráter construtivista. Uma de suas obras mais importantes é “Morte e Vida Severina”, que narra as pelejas do sertanejo.

Carlos Drummond de Andrade – Com características da segunda fase do movimento modernistas, Drummond apresenta nas poesias versos livres, sem métrica, concretas e com linguagem mais popular. Com uma escrita ácida, com versos irônicos e sarcásticos, o mineiro também teve uma fase mais social. Em seus poemas, ele escrevia sobre a terra natal e falava sobre angústia em relação ao futuro. As obras ‘A Rosa do Povo’, Sentimento do Mundo’ e o poemas ‘No meio do caminho’ são os mais icônicos.

Oswald de Andrade – Fundador do movimento modernista, iniciado na Semana de Arte Moderna, em 1922, Oswald de Andrade escreveu os primeiros textos com estilo modernista como o “Manifesto Antropófago” e “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”. Caracterizada pó pregar a liberdade na construção do texto, o autor buscava criar e apresentar uma identidade nacional nas obras.

Cecília Meireles -  Autora da segunda fase do modernismo, Meireles utilizava técnicas tradicionais na construção dos versos, sonetos. Em suas poesias estão presentes temas como morte, o amor, o efêmero e o eterno. Suas obras apresentavam influências dos movimentos simbolista, romântico e parnasiano. “Romanceiro da Inconfidência”, “Viagem” e “Ou isto ou aquilo” são algumas obras que marcam a carreira da poetisa. 

Depois de muita ansiedade, os estudantes de todo o Brasil que estão prestando o Enem 2016 puderam conhecer o tema da redação este ano. Os "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil" foi a escolha anunciada pelo Ministério da Educação logo após o início das provas, na tarde deste domingo (5), seguindo o pensamento de manter propostas que envolvam questões sociais. Assunto permite boas abordagens, mas que também requer muita atenção e planejamento por parte dos candidatos, de acordo com o professor Diogo Xavier, especialista em redação.

"É um bom tema, porém periogoso para alguns estudantes. Ele não pode correr o risco de colocar muito no texto as suas impressões, ser passional, e acabar entrando no mérito da sua própria religião. Ao invés de buscar combater, ao defender a sua própria crença, poderia passar a incentivar a discriminação, acabar menosprezando oui tentando sobrepô-la, que é um grande risco porque ai atinge os Direitos Humanos", detalha.

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Importância do tema

O professor Diogo ainda ressalta a relevância da escolha da proposta pelo âmbito social. "É um tema muito importante. A gente precisava de uma discussão puxando novamente para uma questão ética. O assunto ainda vem causando muitos problemas no Brasil", destaca.

Corroborando com Diogo, o Padre Jurandir, que também é professor de redação, fala que a escolha foi bastante oportuna. "Tema muito bem escolhiho, em um muito bem situado, pois estamos vendo no mundo muitas dificuldades criadas, justamente, pelo fundamentalismo religioso. Essa proposta vem puxar uma reflexão sobre o objetivo da religião, que é ligar povos", salienta.

Possibilidades aos alunos

Na elaboração da redação, é importante a contextualização do tema e a correlação que deve ser feita pelo alunos com elementos e notícias da sociedade. O professor Diogo Xavier mostra caminhos que podem ser explorados pelos estudantes. "Eles podem comparar com o que tem acontecido na Europa, os casos de intolerância que tem afetado as sociedades. No entanto, ele não pode deixar que isso tome a grande proporção do seu texto. O fera pode pegar um exemplo de fora, mas trazendo para cá (Brasil)", ensina. 

Outro ponto que pode ser rico para o texto dos estudantes é o preconceito recorrente com as religões africanas. "Elas são o maior exemplo da intolerância no Brasil, é a que mais sofre discriminação. Temos vários casos de ataques a Candomblés. Ano passado, por exemplo, uma menina saia de um culto com toda a vestimenta da ocasião e foi apedrejada. Essa caso foi destaque na mídia e deve ser citado pelos feras". O professor Jurandir também ressalta que isso é um recorte interessante. "Ele não tem que dar conta de todos os elementos, mas é um argumento válido e mostra que o aluno está por dentro do tema", complementa.

Tempo para término

Os alunos terão até às 18h30 (horário de Brasília) para concluir a redação, além de encarar as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias, e matemática. Uma hora em relação ao dia anterior de avaliação. Ao todo, segundo levantamento do MEC, mais 8,3 milhões de alunos realizam a prova este ano. 

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