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Nesta segunda-feira (4), faz 63 anos que Maria Esther Bueno (1939-2018) se tornou a primeira mulher brasileira a vencer um Grand Slam de tênis, no torneio de Wimbledon. Considerada a maior tenista brasileira da história, a heptacampeã de Grand Slams foi vítima de um câncer na região da boca e faleceu aos 78 anos. 

O começo da carreira da brasileira já mostrava o quanto Maria Esther Bueno seria importante para o tênis mundial. Aos 19 anos de idade, na temporada de 1960, a tenista se tornou a primeira mulher a conquistar todos os títulos de duplas dos torneios Grand Slam em um mesmo ano. Além disso, a tenista teve um currículo vencedor jogando em duplas, totalizando 170 títulos. O último título de Grand Slam que a Bueno conquistou foi em 1966, quando venceu o Aberto dos Estados Unidos pela quarta vez na carreira. Na época, o torneio era disputado na grama, mesma superfície de Wimbledon, que a jogadora venceu em três oportunidades (1959, 1960 e 1964). 

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Já no Aberto da Austrália e em Roland Garros, Bueno não conseguiu levantar o troféu, mas também fez história. Chegou na grande final nos dois torneios, (em 1964 no torneio francês e em 1965 no primeiro Major da temporada) e com isso, se tornou uma das poucas atletas da história, seja no masculino ou feminino, a chegar na final de todos os Grand Slam. Os resultados também tiveram consequências positivas no ranking mundial. A brasileira terminou como a número um nas temporadas de 1959, 1964 e 1966. Billie Jean King, conhecida na história como a tenista que representou as mulheres na “batalha dos sexos” diante de Bobby Riggs (1918-1995), se tornou adversária de Maria Esther Bueno por anos.  

Com tantos títulos e conquistas históricas, se tornou a primeira brasileira a ser incluída no Hall da Fama do tênis. Os feitos no começo da carreira fizeram com que ganhasse o prêmio “Atleta Feminino do Ano”, honraria que ainda sustenta como única tenista do Brasil a conseguir. Anos depois, Maria Esther Bueno recebeu uma homenagem pelos seus feitos representando o Brasil: quadra Central do Tênis Olímpico, onde ocorreram as partidas da modalidade na Olimpíada realizada no Rio de Janeiro, foi batizada com seu nome.  

 

Maior tenista brasileira de todos os tempos, Maria Esther Bueno foi homenageada pela organização do tradicional torneio de Wimbledon, que publicou na capa do site oficial um texto sobre a trajetória da atleta, que morreu na última sexta-feira, aos 78 anos, em São Paulo, vítima de câncer. O perfil destaca os três títulos dela em simples e cinco nas duplas no evento britânico.

"Bueno, uma das campeãs mais amadas de Wimbledon, faleceu em São Paulo depois de uma batalha contra o câncer. Sua humildade, graça e inventividade conquistaram corações em todo o mundo no final dos anos 1950 e além", inicia o texto, recheado de fotos históricas.

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"Em termos de tênis, ela será lembrada como a maior tenista da história do Brasil e a única latino-americana de qualquer um dos sexos a conquistar um título de simples no All England Club. Ela sagrou-se campeã três vezes um período de oito anos, fazendo cinco aparições na final, a última delas há 52 anos", continua.

Em alguns trechos poéticos, o relato enfatiza "combinação de habilidade, elegância e condição atlética" da tenista e faz referência, inclusive, para suas vestimentas e gosto para a moda, propensa "para alguns dos designs mais bonitos" do renomado estilista Ted Tinling. "Cada movimento de Maria combinou a graça de uma bailarina com o poder controlado de uma ginasta de ponta", escreveu John Barrett na história oficial de Wimbledon, aponta o site.

Wimbledon exalta o legado da brasileira. "O sucesso de Bueno contribuiu muito para desenvolver e promover o tênis no Brasil - onde um selo foi emitido em sua homenagem - e, de fato, em toda a América do Sul".

Ao todo, Maria Esther Bueno conquistou 19 títulos de Grand Slam, entre simples, duplas e duplas mistas. Os britânicos finalizam a homenagem contando o encontro dela com Roger Federer, em 2012, quando o tenista estava no Brasil em sua turnê de fim de temporada. Ele pediu para bater bola com ela na quadra, para que pudesse ver seu famoso backhand de perto. O suíço disse depois que seu tênis ainda era "incrível".

Palco das maiores conquistas de Maria Esther Bueno, o Torneio de Wimbledon lamentou a morte da ex-tenista brasileira na manhã deste sábado. A ex-atleta faleceu na noite desta sexta-feira em decorrência de um câncer na boca que entrou em fase de metástase. Ela estava internada no Hospital Nove de Julho, em São Paulo, desde maio.

"O All England Club está profundamente entristecido pela morte de Maria Bueno, uma de nossas campeãs mais amadas", disse o clube que sedia o Grand Slam inglês, via redes sociais. Foi na grama de Londres que a ex-número 1 do mundo faturou sete dos seus 19 troféus de Grand Slam.

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Maria Esther conquistou três títulos em simples (1959, 1960 e 1964) e quatro em duplas (1958, 1960, 1963 e 1965) na famosa grama londrina. "Sua humildade, graça e jogo inventivo conquistaram os corações ao redor do globo, principalmente no Brasil, onde ela é e sempre será um orgulho da nação", registrou a organização de Wimbledon.

Foi jogando na grama da tradicional competição que a ex-tenista ganhou o apelido de "bailarina das quadras", em razão da sua movimentação durante o jogo. "Ela era venerada em Wimbledon", disse o ex-tenista Thomaz Koch, em entrevista ao Estado. Koch, que manteve uma amizade de cinco décadas com Maria Esther, chegou a jogar duplas mistas com ela.

O Torneio de Roland Garros, onde foi campeão em duplas e duplas mistas em 1960, também lamentou a perda. "Apresentamos nossas condolências à família e aos amigos de Maria Esther Bueno, vice-campeã de Roland Garros em simples em 1964 e campeã de duplas e duplas mistas em 1960", registrou a Federação Francesa de Tênis, em mensagem em português nas redes sociais.

As organizações do Aberto da Austrália e do US Open, onde ela também brilhou, também enviaram condolências à família e aos amigos da ex-tenista.

A Federação Internacional de Tênis (ITF, na sigla em inglês) disse "se unir ao mundo do tênis para prestar homenagem a Maria Bueno". "Tenista sul-americana mais bem-sucedida, Maria foi uma das jogadoras mais graciosas e artísticas de sua geração", afirmou a entidade responsável por organizar os torneios de Grand Slam.

O velório de Maria Esther será realizado no Salão Oval do Palácio dos Bandeirantes, do governo de São Paulo, neste sábado, entre 8h e 15 horas. A família ainda não informou sobre local e horário do enterro.

Principal estrela do Gillette Federer Tour, série de exibições que acontece nesta semana em São Paulo, o tenista suíço Roger Federer dividiu o papel de protagonista do evento e os flashes das câmeras com Gustavo Kuerten e Maria Esther Bueno, em um encontro grandioso de 27 títulos de Grand Slam em simples. Na tarde desta sexta-feira, o trio de campeões posou para fotos, trocou elogios e até bateu bola por cerca de 10 minutos na quadra montada no Ginásio do Ibirapuera.

"Ele é meio fraquinho, mas estava bom. Tenho que arranjar um parceiro melhor", disse Maria Esther, em tom de brincadeira. "Jogar com o Federer, uma pessoa incrível, e o Guga é para entrar para a história", exaltou a brasileira, dona de sete títulos de simples em torneios do Grand Slam.

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Aos 73 anos, e com uma rotina de três treinos semanais, Maria Esther resistiu ao forte calor no Ibirapuera e acompanhou o ritmo de Federer e Guga na rápida troca de bolas. Até mesmo quando os dois chegaram a formar dupla contra a brasileira na rede. "São dois exemplos para o mundo inteiro, o que eles fizeram foi fantástico", elogiou.

Antes de entrarem em quadra, Maria Esther e Federer trocarem presentes diante dos jornalistas. A brasileira ganhou uma raquete autografada do suíço e retribuiu com uma foto sua, também assinada, em ação no torneio de Wimbledon em 1962.

Dono de três títulos de Roland Garros, Guga não escondeu a empolgação por poder contar com Federer jogando no Brasil. "Eu vejo a importância de tê-lo aqui no Brasil, ele não é só o melhor no tênis, mas o melhor na história do esporte, exemplo de conduta e caráter. São 15 anos de carreira irretocável", afirmou o brasileiro. "Isso acaba contagiando as pessoas. Claro que a vinda dele não vai salvar o tênis brasileiro, mas é um estímulo enorme. É memorável tê-lo aqui", admitiu o brasileiro de 36 anos, aposentado desde 2008.

Federer retribuiu os elogios e exaltou a postura do brasileiro no circuito profissional. "Guga foi um dos jogadores mais populares do circuito. Eram adorado por fãs e pela mídia porque era um dos mais honestos e simpáticos. Estava sempre sorrindo. E ainda tinha um jogo interessante, vestia roupas coloridas, jogava limpo e tinha sucesso. Nunca vou esquecer o respeito que tinha pelos adversários", disse o suíço.

Tão empolgado por jogar no Brasil, o suíço de 31 anos afirmou que pretende voltar ao País para poder enfrentar Guga novamente. "Estava esperando jogar contra Guga agora, mas não deu. Vamos deixar para depois. Vou voltar para jogar com ele novamente", prometeu o recordista de títulos de Grand Slam em torneios de simples, com 17 troféus conquistados.

Federer e Guga chegaram a se enfrentar por três vezes no circuito, com duas vitórias para o brasileiro, no Masters de Indian Wells de 2003 e na edição 2004 de Roland Garros. Com estes resultados, o ex-tenista brasileiro é um dos raros a ter retrospecto positivo contra aquele que é considerado o melhor da história.

Ciente deste feito, Guga quer evitar um reencontro contra o suíço. "Estou com um placar de duas vitórias e uma derrota diante do Federer, acho que está bom", brincou o brasileiro, que tem feitos jogos de exibição nos últimos anos. "São poucos os que têm um retrospecto favorável contra ele, então é melhor não enfrentá-lo mais", completou, entre risadas.

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