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Na semana em que o Brasil conseguiu atingir 24h sem novos casos de Covid-19 desde 2020, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) comemorou a suspensão do passaporte vacinal em São Paulo. O filho do ex-presidente parabenizou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas redes sociais.

O projeto de lei que proíbe a exigência do comprovante de vacinação para a Covid-19 em estabelecimentos públicos ou privados foi sancionado nessa quarta-feira (15). A assinatura de Tarcísio foi dada com o veto de sete dos nove artigos propostos pelos deputados estaduais.

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Ainda assim, Eduardo observou o "resultado prático" da medida para enfraquecer os esforços do poder público em estimular a imunização. Embora o governador tenha vetado o trecho que pedia autonomia para que as famílias decidissem sobre a vacinação de menores de idade mesmo com recomendação das autoridades sanitárias, o parlamentar indicou que a criança não precisa ter tomado as doses para frequentar a escola.

"Seu filho, vacinado ou não, poderá frequentar a escola pública ou privada. O resultado prático é que os pais decidem isto", publicou.

Debatedores convidados e senadores divergiram nesta segunda-feira (14) em sessão temática sobre a efetividade do passaporte sanitário — proveniente da vacinação — a ser adotado como medida de enfrentamento à pandemia de Covid-19. Enquanto alguns participantes defenderam a iniciativa como um estímulo a ampla imunização da população contra a doença, outros questionaram se a exigência do passaporte não estaria infringindo a liberdade individual e chegaram a negar a efetividade das vacinas. 

Na avaliação do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), autor do requerimento para realização da sessão, é preciso "buscar o bom senso" sobre a questão, mantendo o “delicado equilíbrio” entre os interesses coletivos e os individuais, sem ferir o direito à liberdade, garantido pela Constituição. 

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"Como manter o delicado equilíbrio entre o interesse coletivo e os interesses individuais? Como preservar a proporcionalidade entre o poder do Estado e a frágil vida privada familiar e cotidiana? Como proteger, ao mesmo tempo, a sociedade em geral e cada indivíduo em particular, evitando interferências indevidas e injustificadas sobre as escolhas de cada cidadão?  Já o senador Carlos Portinho (PL-RJ), autor do PL 1.674/2021, aprovado pelo Senado, que cria o certificado de vacinação e checagem, explicou que o texto foi concebido, naquele momento, como um antídoto para que setores da economia pudessem retomar suas atividades. Ele defendeu o texto, mesmo que passe por ajustes, para que ele esteja adaptado à nova realidade do Brasil". 

"Não vamos poder abandonar o certificado de vacinação e testagem quando o mundo inteiro o pede, o exige. Sim, nós vamos precisar do certificado de vacinação e testagem provavelmente para eventos em que haja grande aglomeração. Não estou falando do colégio; estou falando de 10 mil, 15 mil pessoas, 30 mil pessoas, enquanto perdurar. Agora, a vacinação é obrigatória. Ela nunca foi compulsória no nosso país. Cabe ao governo conscientizar a população da sua necessidade", acrescentou Portinho. 

Direitos trabalhistas

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) disse que a pandemia trouxe muitas dúvidas, principalmente em relação à legislação trabalhista. Para ele, não há unanimidade na ciência em relação à doença e aos imunizantes. Na sua visão, a liberdade individual não pode ser relativizada com a adoção do passaporte sanitário. 

"Eu me vacinei, mas eu defendo de forma intransigente o direito das pessoas de, se quiserem, não se vacinarem. É direito delas! Eu me vacinei. Agora, eu não tenho o direito de colocar a faca no pescoço de ninguém para determinar que faça ou deixe de fazer. É escolha do cidadão. Quem é que pode dar todas as garantias inerentes a essa ou àquela escolha ao paciente, ao cidadão?", declarou Marcos Rogério. 

Convidada pelo requerimento de Girão, a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) disse que a discussão sobre a adoção do passaporte sanitário é “de natureza jurídica” já que não há legislação vigente que possa penalizar quem não se vacinar. Para ela, os gestores municipais e estaduais estão submetendo trabalhadores à "cassação de direitos trabalhistas" e estudantes a “constrangimentos ilegais”. 

"As pessoas estão sendo demitidas com 'justa causa', e qualquer iniciante no estudo do direito trabalhista sabe que as situações que permitem a justa causa são taxativas, têm que estar previstas de maneira clara e objetiva na legislação. Não é uma portaria, não é uma resolução, não é uma decisão, ainda que do Supremo Tribunal Federal, que vai estabelecer uma justa causa", disse Janaína Paschoal.

  Já o procurador do Ministério Público do Trabalho Luciano Lima Leivas afirmou que há um conjunto de princípios e legislações relacionadas a normas de segurança dos trabalhadores que podem ser aplicadas nessa situação. Ele observou que a cobertura vacinal se reveste como medida de saúde coletiva, de controle de um risco biológico em determinado ambiente, cujo empregador tem responsabilidade pela saúde da coletividade. Ele ainda explicou que, nesse caso, serão observadas todas as particularidades que motivaram a não vacinação do empregado, como as comorbidades pelas quais caberia o enquadramento em justa causa. 

"Ainda que o trabalhador tenha uma recusa injustificada (...), ainda assim, a orientação do Ministério Público do Trabalho é a de que esse trabalhador, dentro das possibilidades da organização empresarial, seja colocado em trabalho remoto e não seja feita a dispensa por justa causa", declarou, observando que, não havendo condições de realizar trabalho por via remota, o empregador poderia dispensar o trabalhador, aí sim por justa causa. 

Vacinação infantil

Também a vacinação infantil foi debatida na sessão. O representante da Sociedade Brasileira de Imunizações Renato Kfouri reforçou que, mesmo que o vírus e as novas cepas necessitem de uma atualização constante de estudos e pesquisas, a vacina contra covid-19 reduz o risco de transmissão e os sintomas da doença. Ele observou que a vacinação obrigatória na infância está prevista na Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente e que em poucos casos foi necessário que o Poder Judiciário tivesse algum tipo de atuação para garantir esse direito às crianças.   

"Todas as doenças do calendário infantil hoje contra as quais ninguém hesita em vacinar seus filhos matam muito menos do que a covid-19 e nem por isso ninguém deixa de vacinar seu filho contra a meningite, contra gripe, contra febre amarela, contra sarampo", argumentou Kfouri. 

Já o neurocirurgião Paulo Porto, disse que o risco de óbito por covid-19 na faixa infantil é baixo e que as vacinas estão em "fase experimental". Ele se colocou contra a obrigatoriedade de vacinação infantil e a exigência do passaporte no ato da matrícula escolar.  "Ainda estamos em fase experimental, haja vista não se ter certeza nem sobre qual é o melhor esquema posológico a ser administrado nessa faixa etária", afirmou. 

A promotora de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal Luciana Medeiros Costa defendeu a autonomia dos pais na decisão de vacinar ou não seus filhos. Na sua interpretação, o direito à educação e à convivência familiar não podem ser violados.  "Eu penso que, após ter acesso à informação de ambos os lados, informação livre, sem cerceamento, a decisão deve ser dos pais. Por quê? Porque eles têm o poder familiar sobre as crianças até os 18 anos, e eles têm inclusive o dever de representar e assistir os filhos — representá-los até os 16 e assisti-los até os 18. 

Máscaras e testagem

Na avaliação de José David Urbaez, diretor científico da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, o enfrentamento da pandemia deve ser feito com a vacinação aliada à adoção de outras medidas como a testagem e uso de máscaras, buscando mais eficiência no combate à covid-19. No entanto, para ele, a hesitação de uma parte da sociedade em se vacinar se deve à propagação de mensagens sem base científica". 

"É uma estratégia [certificação de vacinação], é uma estratégia para estimular; talvez uma estratégia que permita que as pessoas que estão com essa hesitação possam ser então colocadas numa outra atmosfera, nós tenhamos dispositivos para passar informações corretas para eles e munir de todos esses dados e de munir de essa tradição que as vacinas já têm, lembrando que foram vacinas, saneamento básico e uso de antibióticos que mudaram a história da evolução da espécie humana, notadamente no século 20", ressaltou Urbaez. 

Ainda participaram o professor de Neurociências da PUC-SP José Augusto Nasser; o especialista em Infectologia do Instituto Emílio Ribas, Francisco Cardoso; o psicólogo e doutor em psicologia cognitiva pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Bruno Campello de Souza; a médica infectologista Roberta Lacerda; além dos deputados federais Osmar Terra (MDB-RS), Bia Kicis (PSL-DF), Luiz Ovando (PSL-MS) e Carla Zambelli (PSL-SP). 

*Da Agência Senado

O partido do presidente francês Emmanuel Macron (centro) recebeu nesta terça-feira (4) um "golpe" promovido pela oposição, que na segunda-feira (3) à noite decidiu suspender o debate sobre o projeto de lei para transformar o atual passaporte sanitário em um passaporte de vacinação.

O debate, entretanto, será retomado nesta terça-feira à noite, segundo fontes parlamentares.

Na segunda-feira, a câmara baixa da Assembleia Nacional estava debatendo a instauração de um passaporte sanitário que consiste em uma pauta de vacinação completa para comparecer a eventos, restaurantes ou viajar em trens interurbanos, no lugar do passaporte atual, o qual inclui a possibilidade de apresentar um teste negativo recente de covid-19 ou ter se recuperado recentemente da doença.

Mas quando o governo pediu aos deputados para continuar debatendo o projeto depois de meia-noite, para garantir que a lei possa ser aprovada esta semana, o partido Os Republicanos (LR, conservador), junto à extrema-direita e à esquerda radical, decidiram suspender o debate.

A decisão colocou o partido de Macron, A República em Marcha (LREM), em uma posição delicada: como não tinha todos os seus deputados no hemiciclo durante a votação, apesar de ser maioria no Parlamento, a iniciativa da oposição saiu à frente e o debate foi suspenso.

A imprensa francesa apontou que a decisão surpresa do LR, que apoiou a maior parte da legislação, é um indício da crescente tensão política no país para as eleições presidenciais de abril, para as quais Macron aparece como favorito.

O porta-voz do governo Gabriel Attal afirmou que, com essa manobra, a oposição quer "arruinar o calendário" de implementação do passaporte de vacinação por razões puramente políticas.

"Faremos todo o possível para nos encaixarmos ao calendário estabelecido", declarou o porta-voz à rádio France Inter. O governo quer que a lei seja aprovada até 15 de janeiro.

O ocorrido expôs as fraquezas do LREM, um partido que não conseguiu construir uma base sólida desde a ascensão meteórica de Macron à Presidência em 2017.

O governo italiano informou nesta quarta-feira (29) que ampliará a vigência do passaporte de vacinação para transportes, hotéis, áreas externas, congressos, piscinas e academias, a fim de tentar conter o aumento dos casos de Covid-19 por causa da variante ômicron.

A medida entrará em vigor no dia 10 de janeiro, segundo o decreto-lei que "introduz medidas urgentes para conter a propagação da epidemia de Covid-19", aprovado em um conselho de ministros presidido por Mario Draghi.

Até agora, para viajar de trem e avião bastava a apresentação de um passaporte sanitário "básico", que poderia ser obtido com um teste negativo.

Já o passaporte vacinal, chamado na Itália de "passaporte sanitário reforçado", só pode ser obtido com o esquema de vacinação completo, ou se a pessoa tiver se curado da Covid-19.

O governo também decidiu suprimir a quarentena de 10 dias para vacinados ou curados de covid que tiveram contato com algum caso positivo. Já os não vacinados terão que seguir cumprindo os 10 dias.

A flexibilização das regras de quarentena tem como objetivo evitar a paralisação de certos setores, como o de transportes, no qual o grande número de funcionários em quarentena levou ao cancelamento de muitas viagens de trem.

Nesta quarta-feira, a Itália registrou 98.020 novos contágios de covid e contabilizava mais de 600.000 casos ativos da doença.

Entre 1.000 e 1.500 pessoas se reuniram neste sábado (11) em Barcelona, na Espanha, para protestar contra o passaporte sanitário, que é exigido desde outubro na região autônoma da Catalunha, informou a polícia local.

Os manifestantes marcharam pelo centro da cidade carregando uma faixa que dizia "Passaporte sanitário = Estado totalitário", conforme presenciou um jornalista da AFPTV.

Outros manifestantes portavam cartazes que diziam "Não ao passaporte nazista", "governos e sanitaristas = assassinos" e "Passaporte Covid: ditadura", com uma imagem que comparava um QR Code e uma suástica.

"Não é uma pandemia, é uma ditadura", gritavam os manifestantes.

As mobilizações contra as restrições sanitárias não são muito habituais na Espanha, porém, neste sábado, entre 1.000 e 1.500 pessoas compareceram à marcha, segundo a polícia e os organizadores, que acontece pela segunda semana consecutiva.

Os manifestantes querem agora que a mobilização aconteça todos os sábados, "até que, por amor à vida e à liberdade, seja revogado" o passaporte sanitário.

Na Espanha, a saúde é de competência das autoridades regionais, por isso as decisões de enfrentamento da pandemia são tomadas em nível local.

O país apresenta una taxa de vacinação muito mais alta que a de seus vizinhos franceses e italianos, com 91,4% da população maior de 12 anos totalmente vacinada.

Por isso, o governo havia descartado implementar um passaporte sanitário nacional para permitir o acesso a lugares abertos ao público.

No entanto, desde outubro e devido ao aumento dos contágios, diversas regiões do país mudaram de opinião.

Assim como a maioria dos países da Europa, a Espanha enfrenta uma nova onda de covid-19. Segundo os últimos dados publicados na sexta-feira (10), a taxa de incidência no país é de 323 casos por cada 100.000 habitantes nos últimos 14 dias.

O Parlamento da França aprovou nesta sexta-feira (5) uma polêmica prorrogação do uso do passaporte sanitário até 31 de julho de 2022, uma decisão criticada pela oposição em plena pré-campanha das eleições à presidência previstas para abril e maio.

Após uma série de idas e vindas com o Senado, os deputados franceses aprovaram por 118 votos a favor, 89 contrários e uma abstenção a medida proposta pelo governo e que os senadores haviam rejeitado na quinta-feira (4).

"A situação sanitária e sua evolução nos próximos meses justificam completamente", afirmou antes da votação o secretário de Estado, Adrien Taquet, em nome do Executivo, referindo-se a um eventual aumento de contágios por Covid-19.

O Senado e a oposição defendiam a prorrogação até 28 de fevereiro, para obrigar o governo a apresentar a medida novamente a deputados e senadores antes das eleições. Partidos opositores já anunciaram um recurso ao Conselho Constitucional.

O passaporte sanitário é obrigatório desde o verão (hemisfério norte, inverno no Brasil) em locais que recebem mais de 50 pessoas, assim como bares, restaurantes, hospitais (exceto emergências) e shoppings.

Os cidadãos da França podem obter o documento, se estiverem completamente vacinados contra a Covid-19, ou apresentarem um teste negativo. Desde outubro, este exame é pago para as pessoas que não tomaram a vacina.

O passaporte sanitário será obrigatório na Itália, a partir desta sexta-feira (15), para todos os trabalhadores dos setores público e privado, uma medida que quer estimular a campanha de vacinação e que enfrenta críticas de milhões de funcionários.

Primeiro país europeu afetado pela pandemia de coronavírus, em fevereiro de 2020, a Itália pagou um alto preço, com mais de 130.000 mortes registradas.

Depois do ano trágico, a campanha de vacinação começou em dezembro e, agora, mais de 80% das pessoas com mais de 12 anos estão totalmente vacinadas, ou 85%, se consideradas aquelas com a primeira dose.

A vacina é obrigatória para o pessoal de saúde e o chamado "passaporte covid" é exigido dos professores.

Para o governo liderado por Mario Draghi, porém, estas medidas não são suficientes para garantir um nível de imunidade alto e evitar novos surtos que podem afetar a atividade econômica. Foi o que aconteceu em 2020 e no início de 2021.

De modo a incentivar a vacinação, o governo anunciou há um mês, com o apoio dos partidos da coalizão, a obrigação de apresentar o "passaporte covid", a partir de 15 de outubro, para se ter acesso ao local de trabalho.

Os empregados que se recusarem a cumprir a medida correm o risco de terem o salário suspenso e de serem multados, se entrarem no local de trabalho sem o documento. Também não podem optar por trabalhar de casa. Os empregadores que evitarem o controle de seus funcionários também estão sujeitos a multas.

Introduzido em agosto para se ter acesso a trens, museus e restaurantes, entre outros, o passaporte de saúde inclui um certificado de vacinação, um comprovante de recuperação pós-covid-19, ou um teste negativo feito nas últimas 48 horas.

- Entre a greve e o teste -

A medida gerou protestos violentos no sábado, em Roma, onde milhares de pessoas, incluindo ativistas de extrema direita, devastaram a sede do maior sindicato do país, o CGIL, e invadiram a emergência de um hospital da capital.

Alguns trabalhadores ameaçaram entrar em greve e até com o bloqueio de portos, se a medida não for revogada.

Segundo estimativa do Ministério da Função Pública, em torno de 250 mil pessoas, dos cerca de 3,2 milhões de funcionários públicos, não estão vacinadas, o que equivale a 7,8%.

No setor privado, este número chega a 2,2 milhões de pessoas em 14,6 milhões, ou 15%. Isso pode representar um desafio, a partir de 15 de outubro, para a recuperação econômica do país após o duro ano de 2020, quando o Produto Interno Bruto (PIB) da península despencou 8,9%.

Luca Zaia, presidente da rica região de Vêneto, ao norte, advertiu sobre o "caos" que a implementação da medida pode causar nas empresas italianas a partir desta data.

"Não podemos garantir a todos que não se vacinaram que façam um teste a cada 48 horas. Os empregadores com os quais eu falo estão muito preocupados", frisou.

A maior organização da indústria, a Confindustria, apoia firmemente a decisão do governo e rejeita a "chantagem" de alguns setores dos trabalhadores.

Para o vice-presidente da Confindustria, Maurizio Stirpe, "não tem motivo para pagar o teste de quem não quer ser vacinado. As pessoas devem assumir suas decisões".

O Forza Italia, o partido de centro-direita de Silvio Berlusconi, e o Partido Democrático, de centro-esquerda, são a favor da obrigatoriedade da vacina.

A medida vem sendo rejeitada pelo governo por enquanto, sobretudo, devido à oposição da Liga, de Matteo Salvini, partido de extrema direita. Membro da coalizão nacional, ele ameaça romper com seus aliados.

O Supremo Tribunal Federal (STF) restabeleceu a vigência do passaporte sanitário para entrar nos pontos turísticos e em outros lugares do Rio de Janeiro a partir desta sexta-feira (1º), depois que um juiz anulou a medida, denunciando uma "ditadura sanitária".

O presidente do STF, Luiz Fux, reverteu a decisão na quinta-feira (30) à noite, por considerar que as medidas de combate à pandemia, como o passaporte sanitário, são de competência da prefeitura.

"Essa é uma cidade turística, que quer ter réveillon, carnaval e verão com hotéis lotados", afirmou nesta sexta-feira o prefeito Eduardo Paes, ao elogiar a decisão do STF.

"Até a segunda quinzena de novembro, quase 100% dos cariocas estarão vacinados com a segunda dose (...). Com o passaporte, dizemos primeiramente ao turista responsável que se vacinou: 'venha com tranquilidade'. Em segundo lugar, dizemos a quem não quis se vacinar: 'por favor, não venha, não será bem-vindo no Rio de Janeiro'", acrescentou Paes.

O passaporte implementado pela prefeitura, que comprova a vacinação contra o coronavírus, foi suspenso na quarta-feira (29) por um juiz de segunda instância, que o classificou como "ditadura sanitária" e comparou-o com a perseguição sofrida pelos judeus e por outros grupos na época de Hitler.

A medida começou a ser obrigatória em 15 de setembro para acessar os icônicos pontos turísticos do Rio de Janeiro, como Cristo Redentor e Pão de Açúcar, os centros esportivos, muito frequentados pelos cariocas, cinemas, teatros e casas de show, entre outros lugares.

Bares e restaurantes não foram incluídos na medida.

O principal crítico desse passaporte é o presidente Jair Bolsonaro, que se opõe a qualquer obrigação relacionada à vacina e avisou que será o "último dos brasileiros" a se imunizar, mais de um ano depois de ter contraído o vírus.

Com mais de 596.000 mortos, o Brasil é o segundo país que perdeu mais vidas pela pandemia, superado apenas pelos Estados Unidos.

No Rio, foram registradas mais de 33.000 mortes por covid-19, com uma taxa de mortalidade muito alta, de 505 por 100.000 habitantes, muito acima da média nacional (284).

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizou, na tarde desta segunda-feira (27), uma audiência pública para tratar da obrigatoriedade da vacinação para os servidores do estado. A pauta está prevista no Projeto de Lei 02661/2021, de autoria do governador Paulo Câmara (PSB). Contrário à proposta por "ferir o artigo quinto e a liberdade individual", o deputado Alberto Feitosa (PSC) solicitou a reunião, que contou com a presença de membros da Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) e da Comissão de Saúde e Assistência Social da Casa.

Participaram também os advogados Marcela de Melo e Marcelo Casseb, contra e a favor do parecer que trata do "passaporte sanitário", respectivamente; o professor de Bioética, Hermes Nery; e a médica bolsonarista Maria Emilia Gadelha. Gadelha é reconhecida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e nas suas redes sociais, é abertamente contra a vacinação, ao considerar os imunizantes não como "vacinas", mas "experimentos". Para representar o Governo do Estado, compareceu à reunião a médica Patrícia Ismael. 

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Por último, os parlamentares presentes na sessão se posicionaram sobre o passaporte sanitário e aproveitaram para declarar voto aberto extra-oficial, uma vez que a votação ainda será marcada. O relator do parecer, deputado João Paulo (PCdoB), foi o primeiro a prestar suas considerações. 

“Estamos em meio a uma visão de imunidade de rebanho, protagonizada pelo presidente da República. Não sei como tem coragem de defender essa posição após quase 600 mil mortos. Isso sim fere os direitos individuais. Acho que o presidente deveria ser barrado nos Estados Unidos e multado pela ONU pela vergonha mundial que passamos. O Supremo Tribunal Federal foi chamado a analisar a constitucionalidade do referido dispositivo, pela funcionalidade da vacinação compulsória segundo alguns requisitos. A vacinação não significa vacinação forçada, podendo ser complementada por medidas indiretas, às quais compreende, dentre outras,a restrição ao exercício de certas atividades ou frequência em determinados lugares”, declarou o relator. 

O deputado Alberto Feitosa (PSC), que convocou a audiência pública, declarou no seu tempo de defesa do voto que a vacina é um “experimento” e que não é contra a vacinação, além de ser se vacinado junto à toda a sua família, mas que cobrar imunização dos servidores fere a liberdade individual e que proibi-los de frequentar o local de trabalho também fere a liberdade laboral; ambos os tópicos previstos nos artigos 4º e 5º da Constituição Federal. 

“Não sou contra, de livre e espontânea vontade, a pessoa se vacinar, mas é importante levar em conta que se trata não de uma vacina e sim de um experimento vacinal, como disse a doutora Marília Gadelha. Estamos subnotificando as pessoas já vacinadas e que estão indo a óbito. Esse projeto cria sanções. A obrigação a exames e experimentos científicos é pertinente ao nazifascismo. Essas têm como pressupostos ferir a liberdade do indivíduo. Este é um projeto nazifascista. Deveria, sim, o legislador, criar medidas no direito positivo para estimular as pessoas a se vacinar”, disse Feitosa. 

Pouco depois, o presidente da sessão, o deputado Waldemar Borges (PSB), informou que a comunidade judaica de Pernambuco entrou em contato com a Alepe durante a reunião e repudiou as comparações feitas com o nazifascismo. Borges, ao final da audiência, também confirmou que votará positivo ao parecer e lamentou que ainda seja necessário discutir “questões que foram superadas no início do século passado”. 

Mais um depoimento a favor do parecer e da vacinação completa da população foi a deputada Priscila Krause (DEM), que faz oposição ao governo de Paulo Câmara. Com um relato pessoal, falando sobre a morte de sua mãe, a parlamentar se emocionou e chamou de “antiética” a não-vacinação. 

“Depois de mais de 600 mil mortes no país, quando se encontra um caminho de sobrevivência não para o país, mas para a humanidade, nós ainda temos que ficar debatendo e escutando determinadas posições e justificativas para um posicionamento que em nada tem a ver com liberdade. Não se vacinar é antiético do ponto de vista da convivência social e coletividade. Não tem como falar de liberdade se a gente não entende com clareza a função e a importância do poder coercitivo do Estado. O Estado não pode usar o seu poder para forçar o cidadão a se vacinar, seja qual for a vacina, embora a vacina seja obrigatória no Brasil. Mas ele pode usar esse poder para impedir que alguém provoque um dano ao outro. É dentro dessa lógica que se coloca a função da vacinação. É uma lição primária sobre a liberdade: a liberdade de um termina quando começa a liberdade do outro. Eu admitiria discutir isso se estivéssemos falando de uma doença que não fosse letal individualmente e coletivamente catastrófica”, pontuou Krause, que também ressaltou a questão do contágio da Covid-19 e a eficácia de todas as vacinas disponíveis, com um bom “padrão de segurança”. 

Além de Krause, João Paulo e Waldemar Borges, também foram a favor da obrigatoriedade os deputados Tony Gel (MDB), Isaltino Nascimento (PSB) e Antônio Moraes (PP). Nenhum outro parlamentar participou da discussão. 

O PL contempla empregados públicos, militares, contratados temporários e prestadores de serviço. A partir dele, a obrigação torna-se obrigatória para os grupos citados, e aqueles que não apresentarem o comprovante de imunização completa, serão impedidos de permanecerem nos seus locais de trabalho e receberão faltas até a regularização vacinal e podem chegar à demissão.

O Vaticano exigirá de trabalhadores e visitantes que apresentem um certificado sanitário de Covid-19 a partir de 1º de outubro, informou a assessoria de imprensa da Santa Sé nesta segunda-feira (20).

A medida foi tomada a pedido do papa Francisco, defensor ferrenho da campanha de vacinação contra o coronavírus.

Segundo o decreto, "a partir de 1º outubro de 2021" o acesso ao Estado da Cidade do Vaticano será permitido a todas as pessoas que apresentarem um certificado sanitário válido europeu ou do exterior, com o objetivo de "prevenir, controlar e combater" a emergência sanitária.

A gendarmerie vaticana será a encarregada de controlar o chamado "passaporte verde", que comprova a vacinação contra a Covid na Itália ou a imunização depois de ter contraído a doença.

Poderá ser apresentado também um teste PCR ou de antígeno com resultado negativo realizado nas últimas 48 horas.

A única exceção admitida é para os fiéis que comparecem a "celebrações litúrgicas devido ao tempo estritamente necessário para a realização do rito", destaca o texto.

Segundo alguns veículos da imprensa, a exceção é válida para as pessoas que assistem à missa das quartas-ferias no Vaticano presididas pelo papa.

Com essa medida, a Cidade do Vaticano - um enclave no coração de Roma - se alinha com as adotadas pela Itália, que decretou que a partir de 15 de outubro será obrigatório apresentar o passaporte sanitário para poder acessar os locais de trabalho tanto no setor público quanto no privado.

O papa Francisco admitiu recentemente à imprensa durante sua viagem de retorno da Eslováquia que existe um pequeno grupo de pessoas dentro do Vaticano que é contra a vacinação.

"Estamos analisando como ajudá-los", comentou.

A ordem do Vaticano não especifica se a falta de um certificado sanitário será punida como na Itália, que prevê que em cinco dias de ausência injustificada, a pessoa pode ser "suspensa" do trabalho e do salário.

Um estudante italiano, morador de  Reggio Calabria, descobriu uma forma infalível de levar sempre consigo o seu passaporte sanitário - documento que comprova sua vacinação contra a Covid-19, chamado de Passe Verde, na Itália. Andrea Colonnetta, de 22 anos, tatuou o QR Code que encaminha ao endereço eletrônico onde estão registradas suas informações de saúde. O jovem, inclusive, já testou o seu ‘carimbo’ em uma lanchonete e comprovou que a estratégia funciona. 

Em entrevista ao site La Stampa, Andrea disse que escolheu tatuar o QR Code para marcar esse momento de sua vida. “Queria representar as dificuldades do momento através de uma tatuagem que ficará indelével e representará um período histórico da minha existência”. Em seu perfil no Instagram, o estudante de economia postou o resultado da tattoo e escreveu na legenda: “Por isso sempre comigo”.  A internet parece ter aprovado a atitude do rapaz, ou pelo menos, se admirado com ela porque ele logo viralizou na rede.

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O profissional escolhido por Colonnetta para imortalizar o Passe Verde em seu corpo foi Gabriele Pellerone. O tatuador fez questão de testar a sua obra com o cliente e juntos foram até uma lanchonete da rede Mc’Donalds. Embora tenham precisado convencer os funcionários a escanear o código diretamente da pele do jovem, tudo deu certo e a tatuagem funcionou perfeitamente. O artista compartilhou o momento em suas redes sociais. 

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O governo britânico informou neste domingo (4) que planeja testar um sistema de passaporte sanitário na Inglaterra a partir de meados de abril para permitir a retomada de atividades muito afetadas pela pandemia, como jogos de futebol e eventos em recintos fechados.

O plano será detalhado na segunda-feira (5) pelo primeiro-ministro, Boris Johnson, que também vai anunciar novas normas para viagens de férias ao exterior, proibidas pelo menos até 17 de maio.

"Estamos fazendo tudo o que podemos para permitir que nosso país (...) reabra da forma mais segura possível", disse o líder conservador em um comunicado.

Neste sentido, será desenvolvido "nos próximos meses" um "certificado de status covid-19", que indica se uma pessoa foi vacinada, é negativa ou tem anticorpos para permitir reuniões maciças. Não será exigido nos transportes públicos, nem em comércios essenciais, tampouco em bares, quando voltarem a abrir.

A partir de meados de abril será lançado em nove testes piloto, entre eles na semifinal e na final da Copa da Inglaterra de futebol no estádio de Wembley, uma noite em uma boate e uma conferência em Liverpool.

O serviço público sanitário está trabalhando em uma forma de demonstrar o estado de saúde em relação à Covid-19 através de um aplicativo ou em papel, segundo o governo britânico.

O projeto do passaporte sanitário foi recebido com hostilidade por mais de 70 deputados britânicos de todo o espectro político, que o consideram "discriminatório".

Muitos países avaliam a possibilidade de criar um passaporte sanitário e alguns já o puseram em marcha, como a China.

A UE apresentou em março um projeto de certificado, solicitado por países muito dependentes do turismo, como a Grécia, para facilitar as viagens dentro de seu território às vésperas da temporada de verão.

Passaportes sanitários para estimular as viagens internacionais, apesar da pandemia de Covid-19? Há vários países que apostam nesta ideia, especialmente a União Europeia (UE), que apresentou seu projeto nesta quarta-feira (17). A China já lançou sua versão da proposta.

O que é?

O passaporte sanitário é um documento que prova que o titular está, em princípio, imunizado contra a Covid-19. Com isso, pode viajar de um país para outro sem risco de transmitir o vírus entre fronteiras.

Com frequência, fala-se de passaporte "de vacinação", pois é o fato de ter recebido uma vacina que aponta, mais claramente, para essa imunidade. Os diferentes projetos que estão em desenvolvimento - e que, em geral, consistem em um aplicativo móvel - aceitam, no entanto, outros critérios: por exemplo, um teste que garanta a presença de anticorpos no viajante, se este já tiver tido a doença.

Também é preciso distinguir entre esses passaportes e outro conceito, que alguns chamam de "passe sanitário". Este último não tem a mesma finalidade, pois seria válido apenas no país de origem. Este "passe" seria usado para poder entrar em alguns estabelecimentos, como restaurantes, ou assistir a concertos.

Quem está trabalhando nesse projeto?

Vários países contemplam adotar um passaporte sanitário, e alguns já começaram a utilizá-lo. Nesta quarta, a UE apresentou seu projeto, o qual espera começar a aplicar neste verão (boreal, inverno no Brasil) para os viajantes em seu território. O documento, que estará dotado de um código QR, certificará que seu titular foi vacinado contra a covid-19 - por enquanto, com uma das quatro vacinas autorizadas no bloco (Pfizer/BioNTech, Moderna, AstraZeneca/Oxford e Johnson & Johnson) -, deu negativo em um teste de PCR, ou está imunizado, após ter sido contaminado pelo vírus.

No início de março, a China anunciou, por sua vez, o lançamento de um "certificado de saúde" digital para os chineses que quiserem viajar para o exterior.

De maneira isolada na Europa, Grécia e Chipre adotaram passaportes desse tipo para viajar para Israel, um país particularmente avançado em sua vacinação, segundo suas autoridades. Os cidadãos vacinados podem viajar entre esses três países sem restrições.

Dinamarca ou Suécia preveem instaurar passaportes sanitários em breve, enquanto outros membros da UE, como França e Alemanha, manifestam reservas quanto à ideia de que se imponham restrições muito severas.

É um passaporte de verdade?

Não, nenhum projeto equivalerá a um passaporte verdadeira, ou seja, um documento obrigatório para viajar de um país para outro.

O documento chinês, por exemplo, é apenas uma das várias opções da população. Além disso, como até o momento não foram firmados acordos com outros países a esse respeito, seu interesse continua sendo vago.

Enquanto isso, a UE trabalha em um certificado que "facilite" a livre-circulação entre seus Estados-membros, mas que não será uma obrigação para cruzar fronteiras.

Mais do que um documento oficial, trata-se de um aplicativo destinado a facilitar os controles sanitários nas fronteiras.

Por isso, o setor privado também estuda este tipo de iniciativa, começando pelas companhias aéreas, ansiosas pela retomada a atividade, após sentir o baque das restrições.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que reúne as principais companhias do setor, também examina há meses a possibilidade de instaurar um passaporte digital para que os viajantes possam provar sua condição de saúde antes de embarcar. Algumas companhias, como a American Airlines, já estão fazendo isso.

É possível ir além?

Sistematizar o uso dos passaportes sanitários e torná-los "mais obrigatórios" coloca alguns problemas jurídicos. Em primeiro lugar, tornar a vacinação obrigatória para se realizar certos deslocamentos daria lugar a desigualdades entre cidadãos, já que o acesso a vacinas anticovid ainda é muito limitado na maioria dos países.

Outro ponto é que o acesso desses aplicativos a dados de saúde dos usuários também coloca dúvidas sobre até que ponto não se estaria invadindo a vida privada.

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