Protesto em defesa da educação ocupa as ruas de Belém

Manifestação contra o corte de verbas mobilizou estudantes, professores e lideranças sindicais e comunitárias

qua, 15/05/2019 - 19:41

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Estudantes, professores e outros defensores da educação realizaram nesta quarta-feira (15) manifestações e greves em todo o país contra o corte de verba para a educação anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro. Em Belém, a concentração para o ato começou às 9 horas, na praça da República, e a caminhada foi até a sede da prefeitura. De acordo com informações do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (SINDTIFES), mais de 10 mil pessoas participaram do ato público.

“As universidades públicas desenvolvem um trabalho sério e muito importante na pesquisa, no ensino e na extensão. Vários projetos serão seriamente prejudicados pelo corte de 30% na verba de custeio das universidades. Na Universidade Federal do Pará (UFPA), os equipamentos quebrados ou que apresentam defeitos não têm sido substituídos e isso acarreta o sucateamento da educação pública no nosso Estado. A universidade continua com todas as suas atividades em funcionamento, mas as contas no final do ano não fecharão se nós não tivermos uma reversão dessa posição do governo federal”, explicou Walkyria Magno, diretora do Instituto de Letras e Comunicação (ILC) da UFPA.

Para Lígia da Paz, estudante de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFPA, o corte de recursos é um retrocesso total, pois afetará não só a educação, mas também o Brasil inteiro em todos os sentidos. “O que me motiva é a força de saber que a educação é a chave para mudar o futuro. É importante a gente mostrar que está presente resistindo, porque essa oposição aqui vai enfraquecer o lado de lá. Não podemos deixar que o país afunde pelo interesse de uma minoria que está no poder”, disse a universitária.

Marcos Melo, aluno de Jornalismo da UFPA, acredita que é necessário reforçar que o posicionamento político dos cidadãos não termina no voto – "ele começa no voto". O estudante afirmou que poucas pessoas possuem o privilégio de chegar na universidade. Por isso, assinalou, ele precisa lutar e garantir isso para os próximos. “Eu acredito num Brasil onde a população venha para a rua, lute e conquiste seus direitos, para o Brasil atingir a mudança política que tanto precisa”, reiterou.

Aposentada há 20 anos, Iolanda Miranda, de 70 anos, participa de manifestações e greves desde 1972, quando iniciou os estudos na UFPA. “O que o presidente está fazendo é lastimável, é uma falta de respeito com a educação e com o povo do Brasil. Ninguém vai aceitar a situação, principalmente os professores das universidades e todos aqueles que estão envolvidos com a educação e que sabem que ela é a base do desenvolvimento de qualquer nação”, declarou Iolanda.

Por Ana Luiza Imbelloni.

 

 

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