Estudantes pedem volta de diretor nas ruas do Recife

Eles se recusam entrar em sala de aula e afirmam que só voltarão a estudar se o antigo gestor retornar ao cargo. Secretaria de Educação garante que o ex-diretor não voltará para a função

por Nathan Santos sex, 22/03/2013 - 12:39

Alunos da Escola Estadual Santa Paula Franssineti, localizada no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife, protestaram na manhã desta sexta-feira (22) para que o ex-diretor, Joel Carvalho, volte a gestão da escola. Uma seleção realizada pela Secretaria de Educação do Estado (SEE) tirou Carvalho do cargo ocupado há 12 anos.

Os cerca de 300 estudantes saíram munidos de faixas, cartazes, apitos e apoiados por um carro de som por vias movimentadas da capital pernambucana, como as Avenidas Norte e Cruz Cabugá. Para não atrapalhar o trânsito, os manifestantes, orientados por policiais militares e agentes da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), ocuparam somente uma faixa das vias, mas mesmo assim, os motoristas enfrentaram algumas paralisações.

Um dos organizadores do ato, o estudante do 3º ano do ensino médio, Tiago da Paz Rangel, de 17 anos, explicou que o diretor promoveu muitas melhorias na escola. “Nossa escola já foi um ponto de comércio de drogas e Joel trouxe a solução para nós. Ele é uma ótima pessoa e um grande profissional. Queremos já a volta dele como nosso diretor e se o Governo não autorizar, vamos continuar com os protestos”, disse.

Pais de alunos também incentivaram o movimento, como Edilza Ramos. “Meu filho estudou na escola em seus 1º e 2º anso do ensino médio e até hoje só tenho coisas boas para falar de Joel. Ele é um ótimo diretor e sempre está aberto para conversar com os meninos e resolver os problemas da escola”, declarou. A pedagoga Virgínia Melo não tem nenhuma relação empregatícia com a escola, porém, por conhecer muitos estudantes, fez questão de apoiar o protesto. “Estamos lutando por um direito nosso e queremos a volta do antigo diretor. É preciso protestar”, exclamou.

O grupo de estudantes seguiu em direção a Assembleia Legislativa de Pernambuco, na Rua da Aurora, área central do Recife. “Queremos pedir aos deputados que com o poder que eles têm, resolvam nosso problema”, explicou Tiago da Paz. Porém, ao chegarem na Assembleia, os jovens foram informados que não havia deputados em expediente. Muitos reclamaram porque não foram recebidos, porém, garantiram que os protestos vão continuar até o ex-diretor volta ao cargo.

Desde a última segunda-feira (18) os alunos da Santa Paula Franssineti se recusam entrar em sala de aula em protesto. No dia 15 deste mês, a SEE anunciou os nomes dos novos diretores e, na última terça-feira (19), estudantes Escola José Manoel de Queiroz, localizada no bairro do Janga, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife, fizeram um protesto pelo mesmo motivo. Na ocasião, em nota enviada a nossa reportagem, a SEE informou que “todo o processo seletivo para eleição dos novos gestores das Escolas de Referência e Técnicas da rede estadual de Pernambuco foi realizado de forma democrática levando em consideração o princípio da meritocracia”. De acordo com o órgão, as normas do processo seletivo para a escolha de novos diretores foram divulgadas no dia 4 de janeiro deste ano. Foram contempladas 223 escolas de referência e 20 escolas técnicas em todo o Estado.

A SEE, logo após o protesto desta sexta-feira (22), enviou uma nota para a nossa reportagem. O órgão garantiu que não existe possibilidade de Joel Carvalho voltar à direção da Escola.

Veja abaixo a nota:

A Secretaria de Educação do Estado (SEE) explica que o novo gestor assumirá a escola Paula Frassineti, bem como os demais que ocuparão o cargo de direção nas escolas de referência e nas escolas técnicas passaram por uma seleção criteriosa que culminou com a aprovação de cada um deles.

Todo o processo seletivo foi realizado de forma democrática levando em consideração o princípio da meritocracia. Antes, esse posto era ocupado apenas por indicação e nada mais.

Hoje o candidato é avaliado em quatro itens: pontuação obtida na prova de certificação do Programa de Formação Continuada de Gestor Escolar (Progepe); análise do plano de ação elaborado pelos candidatos para a escola em que concorrem; análise do currículo e por fim entrevista. Para o plano de ação, foram avaliados critérios como sua viabilidade e relevância para o ensino médio integral. Na entrevista, foram considerados itens como a defesa do plano de ação e os conhecimentos em gestão escolar e educação integral.

Confira um vídeo sobre o protesto dos estudantes:















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