Aécio muda estratégia de atuação em relação ao governo

Tucano apresentará ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), uma agenda mínima de votações de interesse do partido na Casa.

ter, 16/02/2016 - 07:54
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), decidiu rever sua estratégia de atuação política no Congresso e adotará este ano uma linha mais propositiva em relação a 2015, quando se empenhou durante praticamente o ano inteiro no afastamento da presidente Dilma Rousseff. O tucano apresentará ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), uma agenda mínima de votações de interesse do partido na Casa.

Ainda assim, Aécio avaliza a ação de oposicionistas da Câmara de tentar desgastar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com cobranças por explicações e uma eventual convocação do petista para a CPI do Carf. E, por tabela, reacender o debate sobre a retirada de Dilma, conforme revelou a reportagem na segunda-feira, 15. A avaliação de aliados do tucano é de que o enfraquecimento de Lula o favorece num possível confronto direto numa disputa presidencial antecipada ou em 2018.

A mudança de atuação do tucano, o maior representante da oposição no Legislativo, decorre de uma série de avaliações feitas por aliados e assessores próximos. Desde o segundo semestre do ano passado, pesquisas mostraram uma queda das intenções de voto em Aécio em simulações de corrida presidencial e ainda um aumento de rejeição.

Levantamentos qualitativos internos identificaram Aécio como um senador que não propunha saídas para superar a crise. As sondagens também mostraram uma corrosão na imagem do PSDB pelo apoio às pautas-bomba. Uma delas foi o aval maciço da legenda à tentativa de derrubar, em setembro, o fator previdenciário, regra de aposentadoria instituída no governo Fernando Henrique, em 1999, para diminuir o déficit da Previdência Social.

Na inauguração da nova fase, o presidente do PSDB vai propor hoje a Renan, em reunião de líderes partidários, ao menos quatro propostas consideradas prioritárias pelo PSDB para a pauta do Senado: 1) o projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que desobriga a Petrobras de ser a operadora única na exploração da camada do pré-sal; 2) um que cria regras de governança em estatais, relatado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE); 3) um de autoria do senador Paulo Bauer (PSDB-SC), relatado pelo próprio Aécio, que visa a diminuir a influência política na gestão dos fundos de pensão; e 4) uma proposta do senador que restringe a quantidade de cargos em comissão na administração pública, estabelecendo processo seletivo.

Outras iniciativas legislativas e propositivas lideradas por ele estão em discussão na cúpula partidária. Em março, o partido realizará um seminário em que deve apresentar propostas de aperfeiçoamento de programas sociais da gestão petista.

Incômodo

A nova estratégia de atuação do PSDB na Câmara não foi bem recebida por outros partidos da oposição na Casa. Demonstrando incômodo, líderes oposicionistas criticaram ontem a sinalização que tucanos vêm dando ao governo de apoio a reformas estruturantes, como a da Previdência Social.

"O governo do PT não merece qualquer condescendência, porque eles imaginam a economia de uma forma completamente distinta do que são os fundamentos da economia", reagiu o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). O deputado conta que só soube da nova estratégia do PSDB por meio da imprensa. Irritado, ele decidiu procurar os líderes do PSDB, PPS e SD e propor uma reunião hoje para discutir o assunto.

Furnas

Aécio Neves também decidiu adotar uma postura mais ofensiva em casos de menções a ele na Operação Lava Jato. A estratégia é rebater de pronto eventuais suspeitas e, se necessário, acionar a Justiça contra o acusador - foi o que anunciou fazer no início do mês com o lobista Fernando Moura, que disse em depoimento que ele teria participado de esquema de propina em Furnas a partir de suposta indicação de Dimas Toledo para uma diretoria da estatal.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

COMENTÁRIOS dos leitores