13 são presos por envolvimento em decapitação no Marrocos

As turistas escandinavas Maren Ueland e a Louisa Jespersen faziam trilhas na região montanhosa de Atlas quando foram atacadas e decapitadas

por Victor Gouveia qua, 26/12/2018 - 10:07
Reprodução/Facebook Reprodução/Facebook

Desde o início das investigações, 13 pessoas foram presas por suspeita de participar do duplo assassinato e decapitação de duas turistas escandinavas, na semana passada, na região isolada do Alto Atlas, ao Sul de MarrocosDos apreendidos, quatro são suspeitos diretos de matar a norueguesa Maren Ueland, de 28 anos, e a dinamarquesa Louisa Jespersen, 24. 

Os outros nove foram capturados em diferentes cidades no país, por suspeita de conexão com os assassinos. Em meio as apreensões, teriam sido encontrados materiais usados para a confecção de explosivos, além de armas de fogo e facas.

Em 2013, um dos detidos foi condenado há cumprir dois anos de pena em regime fechado, por tentativa de associação a grupos radicais estrangeiros. Além dele, o quarteto principal das investigações aparece em um vídeo declarando aliança ao Estado Islâmico. Entretanto, em entrevista ao canal de televisão estatal 2M, o porta-voz do serviço de Inteligência marroquina Boubker Sabik, declarou que “não houve coordenação com o Estado Islâmico. Eles são lobos solitários e, por isso, não precisam de permissão dos líderes para agirem”.

Os corpos das turistas foram encontrados na aldeia de Imlil, próximo ao Monte Toubkal, cerca de 70 quilômetros de Marraquexe. As autoridades locais ainda verificam a autenticidade do vídeo compartilhado em aplicativos de troca de mensagens, que registra o momento do assassinato das jovens.

Em solidariedade as vítimas, marroquinos realizaram uma vigília nos arredores das embaixadas da Noruega e Dinamarca, no último sábado (22). Centenas de pessoas se reuniram com flores e cartazes pedindo "Perdão". “De todo o coração, estou muito tocado pelas suas mensagens de compaixão” disse o embaixador da Dinamarca Nikolaj Harris. Já o embaixador norueguês Merethe Nergaard, reiterou a aliança com Marrocos na luta contra o extremismo: “temos confiança na capacidade das autoridades marroquinas de completarem esta investigação.”

De acordo com Boubker Sabik, após os conflitos na Síria e Iraque, o país africano está atento a um possível retorno de combatentes do Estado Islâmico. Até o momento, 242 dos 1.669 marroquinos que se aliaram ao grupo terrorista foram presos. Alguns foram capturados com passaportes falsos ou tentando chegar à Europa disfarçados de refugiados.

Em comparação com outros países do Norte da África, o Marrocos contabiliza poucos ataques extremistas. A última ação terrorista que tomou grandes proporções ocorreu em 2011, quando 17 pessoas morreram na explosão de um restaurante em Marraquexe.

COMENTÁRIOS dos leitores