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Há pouco mais de uma semana, Whatsapp, Facebook e Instagram passaram cerca de seis horas fora do ar. A queda de três das mais populares redes sociais em funcionamento deixou usuários desnorteados e causou um prejuízo de US$ 6 bilhões para Mark Zuckerberg, dono das empresas, bem como perdas incalculáveis a pequenos negócios. O mundo como conhecemos ainda seria viável sem essas plataformas? O LeiaJá conversou com alguns especialistas para entender de que forma as redes sociais já determinam nossos modos e meios de vida.

Cientista da computação e professor da CESAR School, Carlos Diego Cavalcanti destaca que, se as redes sociais deixassem de existir, o impacto da ausência delas seria especialmente sentido pelo mercado. “Com o recente episódio de interrupção das redes do Facebook, a Abrasel [Associação Brasileira de Bares e Restaurantes] reportou perdas de R$ 25 milhões de bares e restaurantes no Brasil. Depois da pandemia, 30% das entregas são feitas pelo aplicativo. Bancos e outros sistemas essenciais utilizam o Whatsapp como forma de validação de acessos de segurança. O Instagram e o Facebook são hoje os principais canais de vendas de muitas empresas que, se já não nasceram no digital, foram fortemente influenciadas por ele pós-pandemia”, comenta.

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Cavalcanti menciona ainda a influência que as plataformas são capazes de exercer no comportamento humano. Em 2015, um relatório do GlobalWebIndex apontou que o brasileiro passa uma média de 3h40 por dia conectado à internet pelo celular. Ao todo, tal quantitativo chega a 26h por semana, o que equivale a mais de um dia investido exclusivamente no celular. “Ao ver uma curtida ou um comentário em uma foto, há uma reação química em nosso organismo causada pela dopamina, substância que ativa um sistema de recompensa no nosso cérebro, semelhante ao que faz a nicotina, ou seja, é uma ferramenta altamente viciante. Atualmente, podemos sim dizer que temos uma sociedade de alguma forma viciada em redes sociais. Então, essa privação poderia desencadear questões comportamentais importantes”, destaca.

O psicólogo Paulo Aguiar alerta para a capacidade das redes sociais de estimular uma postura narcisista em seus usuários. “Vivemos essa ideia de que a imagem é muito mais importante do que qualquer outra coisa. As redes sociais provocam na gente essa busca pela imagem perfeita, que consiga ter mais likes, mais curtidas, mais seguidores. Essa é uma questão que pode causar danos e sérios prejuízos para nossa construção subjetiva, que vai sendo pautada por uma imagem idealizada. O que isso causa depende de cada sujeito”, afirma.

História

Fundada em 1995, no Canadá, a ClassMates é amplamente reconhecida como a primeira rede social da história. A plataforma, que existe até hoje, tem o objetivo de possibilitar encontros de ex-colegas de sala de aula, de escolas ou faculdades, bem como do serviço militar.

O professor do departamento de Antropologia e Museologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Alex Vailati lembra que o termo “rede social”, contudo, já existia antes da criação da própria internet. “Surgiu nos estudos antropológicos em meados de 1950. Os antropólogos estavam interessados  em como se constituíam as relações interpessoais. Depois, a partir dos anos 1980, com a popularização da world wide web, os antropólogos começaram a realizar pesquisas online”, explica.

Para Vailati, a pane das redes sociais ocorrida na última semana, deve servir de ensejo para que sejam pensadas alternativas à concentração de capital que rege tais plataformas. No ano passado, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos e 48 autoridades estaduais do país, por exemplo, entraram com dois processos contra o Facebook, por monopólio ilegal. A empresa foi acusada pela compra das concorrentes Instagram, em 2012, e Whatsapp, em 2014, bem como de forçar concorrentes a não criar funcionalidades que pudessem rivalizar com as suas. 

“Caso as redes sociais que conhecemos não existissem, elas provavelmente seriam substituídas por outras dinâmicas de encontros, mais ou menos presenciais. Mais do que pensar em uma realidade distópica, há todo um embate sobre os códigos open source [do inglês, código aberto], porque basicamente o usuário não sabe o que acontece além daquela parede que é o Facebook”, pontua o antropólogo.

Como seria o mundo sem redes sociais?

1. Fim dos influencers?

Dada a grande quantidade de conteúdo que circula nas redes sociais, alguns usuários dessas plataformas passaram a desempenhar um papel de curadoria das coisas, ligando seu público a produtos relevantes. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Qualibest constatou que 76% dos usuários de redes sociais já compraram um item recomendado por influenciadores digitais. Sem as mídias como conhecemos, tal atividade seria pouco viável.

2. Aumento da importância da televisão

O levantamento "Digital Video and the Connected Consumer", realizado pela Accenture, mostrou que a televisão foi a única categoria de produto a ter o seu uso reduzido, na casa de dois dígitos, para telespectadores de todas as idades. A TV vem perdendo espaço para mídias como as plataformas de streaming e as redes sociais. Sem tais novidades, ela ainda monopolizaria a demanda de consumo de informações.

3. Blogs seriam mais relevantes

Sem as redes sociais, pequenos negócios, para os quais custa caro investir em um site próprio, precisariam se adptar para permanecer online, bem como ampliar a comunicação com os clientes. Além disso, seria possível que as pessoas voltassem, de maneira majoritária, a manter blogs pessoais, para compartilhar lembranças, ideias e preferências.

4. Diminuição do alcance das marcas

As redes sociais são importantes aliadas de quem precisa anunciar seus produtos com investimentos maleáveis. Nelas, é possível promover um post com qualquer valor. Com o fim de Instagram, Facebook, Whatsapp, dentre outras, o tráfego de público consumidor na internet diminuiria, reduzindo também o alcance das marcas. 

5. Menos feedback de clientes

Através das redes sociais, clientes são capazes de avaliar serviços, estabelecimentos e empresas, seja dando boas referências ou expondo falhas publicamente. Além de fornecer informações valiosas, o feedback social é capaz de promover um ciclo favorável à empresa, atraindo outros consumidores.

 

Viver em um vilarejo sem rede de telefonia celular "tem um lado purificador", diz Yvonne Wallech, moradora de Green Bank, uma pequena cidade da Virgínia Ocidental a quatro horas de carro da capital dos Estados Unidos, Washington, D.C., que atrai aqueles que estão cansados de estar sempre conectados.

Yvonne Wellech tem internet em casa, mas assim que se desconecta, as chamadas e notificações acabam.

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"Esclarece as ideias", diz esta mulher de 59 anos, dona de uma loja de souvenirs.

A área abriga o Observatório de Green Bank há mais de 60 anos, que precisa de silêncio de rádio para poder observar as estrelas e os buracos negros.

Por isso, o governo criou uma "zona de calma" em 1958, para proteger as atividades do observatório e também as de um local da NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos.

As ondas de rádio são limitadas e restritas a uma área de quase 34.000 km2 na região de Green Bank, e o uso de Wi-Fi é desencorajado.

O escritório de turismo aproveita a situação e promove a região como um reino de "desintoxicação digital".

"No mundo de hoje, você não passa mais de um minuto sem ouvir um bipe de dispositivo eletrônico. Este é o lugar perfeito para ficar longe de tudo", confirma a secretária de Turismo da Virgínia Ocidental, Chelsea Ruby.

- Promessa atrativa -

A promessa é muito atraente, em um momento em que 85% dos adultos americanos dizem que têm um smartphone, e quase um terço garante ficar on-line "na maior parte do tempo", de acordo com uma pesquisa do Pew Research Institute.

Nancy Showalter, uma turista que foi visitar o observatório, ficou surpresa ao perder a conexão., Rapidamente, porém, começou a apreciar o silêncio.

"Você olha ao redor, ouve os outros. É maravilhoso. Mais pessoas deveriam fazer isso", entusiasma-se esta aposentada de 78 anos, do estado de Indiana, no norte dos Estados Unidos.

Apesar de suas regras estranhas e do isolamento entre colinas e florestas, Green Bank, com menos de 200 residentes, está mudando. Segundo os moradores, a internet sem fio se espalhou nos últimos anos. Embora haja uma regulamentação que impõe multas de US$ 50, nenhuma penalidade foi aplicada nesse sentido.

Junto com a construção de hotéis e restaurantes, os preços dos imóveis no condado de Pocahontas, onde Green Bank está localizada, aumentaram quase três vezes mais rápido do que a média nacional na última década, de acordo com as estimativas.

"Em breve, vão querer um Walmart e outras redes de supermercados e tudo a que estão acostumados", reclama George Deike, morador de longa data, aludindo à chegada de novos moradores.

No entanto, outros moradores acreditam que a cidade deve se modernizar.

Patrick Coleman, que nasceu em Green Bank há 69 anos e é dono de uma pousada, acredita que a falta de cobertura telefônica é perigosa.

"As pessoas que vivem aqui não têm rede de segurança", pois um acidente nesta área remota pode se tornar muito sério se não for possível pedir ajuda, alega.

Ele não entende por que a estação de esqui vizinha, Snowshoe, tem uma rede de telefonia celular, e Green Bank, não.

Alguns moradores que se instalaram na cidade para curtir a tranquilidade também relativizam a importância dos regulamentos que regem as ondas telefônicas.

"Eu vim para encontrar um lugar mais silencioso, sem wi-fi", diz Ned Dougherty, um professor de 38 anos e novo residente, que mesmo assim indica que existem outras maneiras de recuperar o controle de sua vida digital.

"Não sou obrigado a usar meu telefone, não importa onde moro", diz. "Alterar meu CEP não resolve nada. Se eu quiser me desconectar, tenho que fazer sozinho".

"A partir de hoje é pago". A frase é repetida nesta sexta-feira (15) nas farmácias da França, onde os ainda relutantes à vacinação contra a Covid-19 devem pagar até 44 euros (51 dólares) por um teste que abre, de maneira fugaz, as portas da vida social.

"Algumas pessoas pediram para fazer o teste, mas quando explicamos que, sem a receita do médico, não são mais subsidiadas, foram embora", conta à AFP Aminata, funcionária de uma farmácia do subúrbio de Paris.

Dos clientes que perguntaram, apenas uma decidiu pagar os 25 euros (US$ 29) de um teste de antígenos para as pessoas não vacinadas. Em caso de resultado negativo, o exame vale um passaporte sanitário durante três dias.

"Nas sextas-feiras, geralmente há fila na porta, mas hoje não tem ninguém", constata Aminata.

A medida representa um custo adicional para os quase sete milhões de adultos que não tomaram nenhuma dose da vacina, ou não completaram o esquema vacinal na França, caso desejem frequentar bares, restaurantes, cinemas, ou academias.

Na farmácia de Claire, diante do parque de Buttes-Chaumont, ao nordeste de Paris, apenas duas pessoas pagaram pelo teste durante a manhã. Muitos franceses correram para fazer o teste na quinta-feira (14), último dia gratuito.

"Conversando com eles, garantem que estão pensando em tomar a vacina, pois, em caso contrário, dizem que não poderão fazer mais nada", diz Claire à AFP, para quem a resistência de alguns é provocada pela rejeição à ideia de uma imunização obrigatória.

Exceto para profissionais médico e de atenção à saúde, na França, a vacinação contra a covid, possível a partir dos 12 anos, não é obrigatória, mas a implantação do passaporte sanitário transforma-a, segundo os críticos, em quase forçada.

"Tenho amigos que falam: 'Fizeram tudo isso para nos obrigar a tomar a vacina'", diz Jean-Pierre, em outra farmácia, onde pergunta se, para os vacinados, os exames são subsidiados. "Sim, são gratuitos", respondem, para sua alegria.

Na entrada de um laboratório na mesma avenida, Yannis tira as dúvidas de um homem que deseja viajar para a Argélia e precisa do resultado de um teste PCR, que custa 44 euros (US$ 51).

"Você está vacinado? Então é gratuito", informa.

O local fez 30 testes nesta sexta-feira, contra 50 a 60 em média. Yannis afirma que, com o fim do verão (hemisfério norte), a situação está mais calma, pois "muitos PCR são para viagens".

A França seguiu os passos da Alemanha, que acabou com a gratuidade dos testes na segunda-feira (11), e da Espanha, onde os exames de antígenos, sem receita, custam entre 25 e 50 euros, e os de PCR, entre 60 e 180. Na Europa, Áustria e Dinamarca estão entre os poucos países que mantêm a gratuidade.

Na França, o custo dos testes gratuitos para os cofres públicos foi de 2,2 bilhões de euros (US$ 2,55 bilhões) em 2020. O valor projetado para 2021 é de € 6,2 bilhões (quase US$ 7,2 bilhões).

Antes das manifestações programadas nas principais cidades italianas, milhares de opositores à obrigação do passe sanitário para o trabalho, que entrou em vigor nesta sexta-feira (15), se mobilizaram em todo o país com bloqueios nas entradas de portos e armazéns.

O setor de transporte e logística é o principal envolvido nas ações: no transporte rodoviário, até 30% dos 900 mil motoristas, entregadores e trabalhadores de armazéns não estão vacinados, informou à AFP o patrão da organização patronal Confetra, Ivano Russo.

Esta manhã, quase 300 estivadores montaram um piquete na entrada do porto de Gênova (noroeste) para impedir a entrada de caminhões, de acordo com um fotógrafo da AFP.

"Hoje está muito difícil descarregar", testemunhou Marco, um caminhoneiro de 50 anos, citado pela agência Ansa. "Eu me vacinei para trabalhar".

Em Trieste (nordeste), "o porto funciona" apesar da reunião de mais de 6.500 opositores, garantiu o presidente da região de Friul-Veneza Júlia, Massimiliano Fedriga. "Claro que existem algumas dificuldades em alguns pontos, mas funciona".

O mesmo acontece em Nápoles e nos portos do Adriático, em particular em Bari e Brindisi.

"Cidadãos, não fantoches", "Não ao passe sanitário, sem discriminação", diziam as faixas em Trieste.

Em Veneza, a rede dos famosos "vaporetto" operava normalmente, assim como o transporte público em Roma ou Milão. Em Settala, próximo a Milão, cerca de trinta funcionários impediam o acesso a um local da entregadora DHL.

Além disso, um quarto dos 400.000 trabalhadores agrícolas italianos e estrangeiros não são vacinados, de acordo com a confederação agrícola Coldiretti. "Com a colheita de azeitonas e maçãs, isso pode criar algumas dificuldades", comentou à AFP Romano Magrini, funcionário da Coldiretti.

- 1.500 euros de multa -

De acordo com a lei adotada pelo governo de coalizão de Mario Draghi, qualquer funcionário que não tenha sido vacinado ou que não tenha se recuperado recentemente da covid-19 deve apresentar ao seu empregador prova de um teste negativo que ele mesmo pagou, sob pena de ser declarado faltoso e privado de seu salário.

O trabalhador que chegar ao local de trabalho sem o passe incorre em multa de até 1.500 euros.

Mais de 85% dos italianos com mais de 12 anos receberam pelo menos uma dose, mas até três milhões de outras pessoas, não vacinadas, correm o risco de ter o acesso negado a seus locais de trabalho.

Ao tornar o passe de saúde obrigatório, o Executivo quer estimular a imunização. Aposta parcialmente ganha, já que 560.000 novos passes de saúde foram baixados na quarta-feira e 860.000 na quinta.

Mario Draghi espera limitar o risco de surtos epidêmicos e evitar novos confinamentos na Itália, um dos países europeus mais afetados pela pandemia, com mais de 130.000 mortes e uma queda no PIB de 8,9% em 2020.

O programa de vacinação lançado em dezembro do ano passado manteve as taxas de infecção baixas e a terceira maior economia da zono do euro deve crescer 5,8% este ano, de acordo com as últimas previsões do FMI.

Em Roma, as autoridades se preparam para novas mobilizações após a manifestação anti-passe no sábado passado, que degenerou em confrontos violentos.

Um protesto foi marcado para começar às 16h00 (11h00 de Brasília).

No sábado, os sindicatos convocaram uma marcha antifascista para denunciar o ataque à sede da Cgil, principal confederação do país, durante a manifestação anti-passe de 9 de outubro, atribuída a um pequeno grupo de extrema-direita, Forza Nuova.

"Para vocês, o que é a liberdade de expressão?". Escolas da França homenagearam nesta sexta-feira (15) Samuel Paty, um professor decapitado há um ano por mostrar caricaturas de Maomé em aula.

Minutos de silêncio, debates em aula sobre a liberdade de expressão ou sobre o direito às críticas, exibição de documentários sobre o secularismo... as homenagens adotaram formas diferentes em cada centro educativo.

Em Villeneuve-d'Ascq (norte), os alunos do colégio Raymond-Queneau debateram durante uma hora sobre a liberdade de expressão. "Vocês se sentem livres para se expressarem no dia a dia sem ferir outros?", perguntou aos seus alunos de 15 anos Anne-Sophie Branque, professora de Geografia e História.

"Samuel Paty deu uma aula falando do profeta", disse Chaymae, uma aluna. "Não, deu uma aula sobre a liberdade de expressão utilizando caricaturas do Charlie Hebdo como exemplo", corrigiu a professora.

Em 16 de outubro de 2020, Paty, professor de Geografia e História de 47 anos, foi decapitado perto da escola onde trabalhava por Abdoullakh Anzorov, um refugiado checheno que foi morto pela polícia logo depois.

O jovem de 18 anos, que acusava Paty de ter mostrado caricaturas de Maomé em aula, soube da polêmica por um vídeo na internet de Brahim Chnina, pai de uma aluna da escola.

A adolescente mentiu para seu pai, dizendo a ele que foi punida por protestar, segundo ela, contra um pedido de Paty aos alunos muçulmanos para que se identificassem durante a aula.

É "muito difícil" explicar às crianças o que aconteceu em 16 de outubro de 2020, mas "é importante dizer a verdade", afirmou a ministra Frédérique Vidal, responsável pela universidades, à France Info.

Seu colega da Educação, Jean-Michel Blanquer, já alertou que se essas homenagens forem "perturbadas", os alunos responsáveis serão "punidos".

"Existe a vontade de homenageá-lo dignamente", disse Sophie Vénétitay, secretária-geral do principal sindicato de Ensino Médio Snes-FSU, que destacou a crescente "emoção" entre os professores na véspera do primeiro aniversário de sua morte.

No sábado, um ato será organizado no ministério da Educação na presença do primeiro-ministro Jean Castex e dos familiares de Paty, os quais o presidente Emmanuel Macron receberá horas depois no Palácio do Eliseu.

No mesmo dia será inaugurada uma praça Samuel Paty em frente à Universidade Sorbonne, em uma cerimônia que a prefeitura de Paris deseja que seja simples e coletiva.

Trazendo febre, tosse e calafrios, a gripe chega e, com ela, a campanha de vacinação. Se até agora as vacinas contra esse vírus, que sofre muita mutação, utilizam tecnologia que não é totalmente eficaz, o uso de RNA mensageiro pode mudar o quadro.

Mais e mais laboratórios se lançam no desenvolvimento de vacinas contra o vírus da gripe usando essa nova tecnologia.

Líder mundial em imunizantes contra gripe, a francesa Sanofi já começou a testar uma vacina de RNA monovalente - contra uma única cepa do vírus - e fará testes com uma vacina quadrivalente no próximo ano.

Em setembro, a gigante americana Pfizer fez as primeiras injeções em humanos de um imunizante contra gripe com RNA mensageiro, mecanismo que já usa em seu produto contra a Covid-19.

O laboratório Moderna, também americano, lançou seus testes no início de julho.

Quais são os benefícios dessa tecnologia, amplamente usada contra a Covid-19, mas que nunca foi empregada para outros vírus?

As vacinas contra a gripe existem há muito tempo, mas sua eficácia é relativa. Utilizam vírus inativados, que devem ser preparados com bastante antecedência, e seus níveis de eficácia variam entre 40% e 60% - ou até 70%, em alguns casos.

"Seis meses antes da epidemia, avaliamos as cepas que mais circulam. Às vezes cometemos erros, e isso cria um excesso de mortalidade significativo", explica a imunologista e diretora de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm), Claude-Agnès Reynaud.

- Mercado atrativo -

Além disso, "o problema quando um vírus é inativado para preparar uma vacina é que isso pode danificar algumas proteínas de superfície", as mesmas que fornecem a resposta imunológica, diz a cientista.

Já o RNA mensageiro não precisa produzir antígenos (a substância estranha que ativa a reação imunológica), pois é a célula humana que criará as proteínas do vírus.

"Se a Organização Mundial da Saúde (que indica as cepas a serem usadas) alerta sobre uma mudança nas cepas prevalentes, podemos mudá-la mais rapidamente com RNA do que com a tecnologia existente", enfatiza Jean-Jacques Le Fur, analista da Bryan, Garnier & Co Y. E com uma eficiência que pode chegar a 95%.

Com essas vantagens, muitos pesquisadores avançam nesse caminho. Norbert Pardi, especialista em vacinas da Universidade da Pensilvânia, tenta, com o RNA mensageiro, incluir vários antígenos em uma única vacina, testada em camundongos.

"Essas vacinas multivalentes provavelmente provocarão uma resposta imunológica globalmente superior" do que os imunizantes atuais, disse ele, recentemente, à AFP.

Essa tecnologia também tem desvantagens, como condições de armazenamento em temperaturas muito baixas.

"Teremos que chegar a vacinas termoestáveis, que podem ser armazenadas na geladeira de 2 a 8 graus, em uma seringa. Há muito o que fazer para converter o RNA mensageiro contra a gripe", estimou o vice-presidente do ramo de vacinas da Sanofi, Thomas Triomphe.

Sem esquecer "a questão da aceitabilidade: quando chegarem essas vacinas, a população vai ficar tranquila com essa tecnologia, ou a relutância vai continuar?", questiona Jean-Jacques Le Fur.

Isso não impede, porém, que as pesquisas avancem.

"A Sanofi entendeu que não pode ignorar essa tecnologia. Para eles, as vacinas contra gripe representam 2,5 bilhões de euros (2,9 bilhões de dólares) de vendas a cada ano", acrescenta.

"É um mercado muito atraente para grandes laboratórios. À exceção da Moderna, que é nova no setor, os demais - como Sanofi, AstraZeneca, ou GSK - estão muito bem estabelecidos na gripe", diz Jamila El Bougrini, especialista em biotecnologia da Invest Títulos.

"Foram US$ 5 bilhões em vendas em 2020. Em 2021, são esperados US$ 6,5 bilhões, ou US$ 7 bilhões", completa, com um possível crescimento anual de 7% a 8% no período 2020-2026.

Um homem, um assassino confesso de crianças e considerado um "vampiro sedento de sangue", foi linchado nesta sexta-feira (15) em uma localidade do Quênia, para onde fugiu após escapar da vigilância policial - disseram fontes oficiais.

Masten Milimo Wanjala foi detido em 14 de julho, após o desaparecimento de duas crianças. Em uma confissão assustadora, admitiu ter matado outros dez menores, em um período de cinco anos, "às vezes chupando o sangue de suas veias, antes de executá-los", conforme relato da Direção de Investigações Criminais (DCI).

O homem, de 20 anos, deveria ser julgado na quarta-feira (13) pelo assassinato a sangue frio de dois garotos de 12 e 13 anos, quando a polícia constatou que o acusado havia desaparecido de sua cela.

Nesta sexta, ele foi capturado por uma multidão, após ser identificado por estudantes em sua cidade natal, Bungoma, a mais de 400 quilômetros de distância da delegacia de onde ele fugiu.

"Era originário desta região e foi reconhecido pelas crianças, que avisaram e a informação se espalhou, então os moradores foram atrás dele", disse Bonface Ndiema, uma autoridade local.

"Ele invadiu a casa de um morador, mas foi descoberto e linchado", acrescentou.

A polícia confirmou o linchamento de Masten Milimo Wanjala.

O homem de 37 anos que admitiu ser o autor do ataque fatal com arco e flechas na Noruega, Espen Andersen Bråthen, foi enviado aos serviços médicos "após uma avaliação de seu estado", anunciou nesta sexta-feira (15) a promotora responsável pelo caso.

"Ele foi entregue aos serviços de saúde na noite de quinta-feira, após uma avaliação de seu estado de saúde", disse à AFP a promotora Ann Iren Svane Mathiassen.

As autoridades expressam dúvidas sobre a saúde mental, e por consequência da responsabilidade penal, de Espen Andersen Bråthen, dinamarquês que admitiu ter assassinado cinco pessoas - além de ter deixado outras duas feridas - nas quarta-feira em Kongsberg, cidade do sudeste da Noruega.

Na quinta-feira, Bråthen começou a passar por uma avaliação psiquiátrica. As conclusões só devem ser divulgadas após vários meses.

Nesta sexta-feira, uma juíza deve se pronunciar sobre a prisão provisória de Bråthen, em uma audiência sem a presença do acusado. As autoridades pediram uma detenção de quatro semanas, as duas primeiras em isolamento.

Em caso de decisão positiva, ele não será detido, e sim colocado sob responsabilidade dos médicos, informou a promotoras.

As autoridades norueguesas afirmaram que o ataque de quarta-feira tem a marca de um "ato terrorista", mas também não descartam a possibilidade de ter sido cometido por alguém com distúrbios mentais.

"Não há dúvidas de que o ato em si apresenta indícios que sugerem que pode ser um ato terrorista, mas agora é importante que a investigação avance e que se esclareça a motivação do suspeito", afirmou na quinta-feira o comandante do Serviço de Segurança Norueguês (PST), Hans Sverre Sjøvold.

"É uma pessoa com idas e vindas no sistema de saúde durante algum tempo", acrescentou Sjøvold.

Um menino de 11 anos fugiu de casa em Pontedera, uma cidade localizada na Toscana, para 'conseguir ver o Coliseu' em Roma, a cerca de 300 quilômetros de distância.

Segundo a mídia local, o garoto sumiu na manhã desta quarta-feira (14) e foi encontrado à tarde na estação Tiburtina, já na capital italiana.

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Em depoimento aos policiais, o menino contou que conseguiu deixar a escola, mentindo para os professores e foi até a estação de trem. Lá embarcou sem passagens e se escondeu no banheiro do vagão, conseguindo escapar ao ver que chegava a fiscalização.

A sorte dos familiares é que os agentes estavam na estação de trem de Pontedera por conta de um alarme de bomba, que se revelou falso. Com a grande mobilização e com o alerta da escola de que um menino tinha fugido, os agentes conseguiram notificar rapidamente todas as estações de trem na Itália.

Assim, na tarde desta quarta, os agentes de Tiburtina conseguiram localizar o menino, que disse que estava tentando ir ao Coliseu e bem de saúde. Ele foi encaminhado de volta para a casa da mãe. 

Da Ansa

Os efeitos da pandemia de Covid-19 nos serviços de saúde estão destruindo anos de combate à tuberculose e, pela primeira vez em mais de dez anos, as mortes por essa doença estão aumentando, alertou a OMS nesta quinta-feira (14).

A situação não parece melhorar: um número crescente de pessoas não sabe que tem a doença, para a qual há tratamento e pode ser curada, afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS) em seu relatório anual sobre tuberculose, que abrange 2020.

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A OMS estima que cerca de 4,1 milhões de pessoas tenham tuberculose, mas não foram diagnosticadas ou não foram oficialmente declaradas, um número muito superior aos 2,9 milhões de 2019.

A pandemia de Covid-19 reverteu anos de progresso global na luta contra a tuberculose, uma doença causada por uma bactéria que afeta os pulmões.

De acordo com o relatório, no ano passado houve 214 mil mortes por tuberculose entre pessoas HIV-positivas (em comparação com 209 mil em 2019) e 1,3 milhão de mortes por tuberculose entre outros pacientes (em comparação com 1,2 milhão em 2019). Ou seja, cerca de 1,5 milhão de mortes no total, número que não era alcançado desde 2017, segundo a OMS.

"Este relatório confirma nossos temores de que a interrupção dos serviços básicos de saúde devido à pandemia reduziria a nada os anos de progresso contra a tuberculose", insistiu Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em um comunicado.

"Esta é uma notícia alarmante que deve servir como um sinal de alerta global sobre a necessidade urgente de investir e inovar para preencher as lacunas no diagnóstico, tratamento e atendimento às milhões de pessoas afetadas por esta doença evitável e tratável", acrescentou.

- Índia e Indonésia -

O aumento dos óbitos compromete a estratégia da OMS de reduzir as mortes pela doença em 90% e a taxa de incidência da tuberculose em 80% até 2030, em comparação com 2015.

De acordo com as previsões da organização, o número de pessoas que desenvolvem tuberculose e morrem pode ser "muito maior em 2021 e 2022".

Houve muitos impactos negativos: os confinamentos complicaram o acesso dos pacientes às instalações de saúde e a pandemia mobilizou profissionais da saúde e recursos financeiros e técnicos.

O número de novos diagnósticos e pacientes declarados pelas autoridades caiu para 5,8 milhões em 2020, ante 7,1 milhões em 2019.

A queda nos casos notificados é observada principalmente na Índia, Indonésia, Filipinas e China.

A oferta de tratamento preventivo para tuberculose também sofreu: cerca de 2,8 milhões de pessoas tiveram acesso em 2020, o que representa uma redução de 21% em um ano.

Além disso, o número de pessoas tratadas para tuberculose resistente a medicamentos diminuiu 15%, de 177 mil em 2019 para 150 mil em 2020, o que equivale a aproximadamente um em cada três que precisam.

Os gastos globais com diagnóstico, tratamento e prevenção da tuberculose também caíram, de US$ 5,8 bilhões para US$ 5,3 bilhões em 2020, menos da metade da meta de financiamento global, definida em US$ 13 bilhões por ano até 2022.

A companhia aérea Pakistan International Airlines (PIA) anunciou nesta quinta-feira (14) que suspendeu os voos de e para Cabul devido à atitude "pouco profissional" do Talibã, no poder no Afeganistão desde meados de agosto.

A companhia aérea retomou voos especiais para a capital afegã após a retirada dos soldados americanos do país, de onde mais de 100 mil pessoas queriam partir por medo dos fundamentalistas islâmicos.

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"Frequentemente, nossos voos enfrentaram atrasos injustificados devido à atitude pouco profissional das autoridades da aviação (civil) em Cabul", declarou à AFP o porta-voz da PIA, Abdullah Hafeez Khan.

Os voos serão suspensos até que a situação seja "favorável", acrescentou.

De acordo com uma fonte da PIA, o Talibã tem sido "desagradável" com o pessoal da companhia aérea paquistanesa e, uma vez, "abusou fisicamente" de um de seus membros.

A PIA é alvo de críticas por cobrar US $ 1.200 por um voo só de ida entre Islamabad e Cabul que dura 40 minutos, contra US $ 150 antes da chegada do Talibã.

Esses voos destinavam-se principalmente a organizações internacionais e humanitárias, mas os últimos ajudaram os afegãos a embarcar neles para escapar do novo regime e de uma situação econômica catastrófica.

Mas os voos eram irregulares e os passageiros afegãos tinham dificuldades em conseguir uma passagem.

O porta-voz da PIA afirma que estes voos "não eram muito lucrativos financeiramente", devido ao alto custo do seguro, e que a empresa os mantinha por "motivos humanitários".

O Talibã havia ameaçado bloquear metade dos voos da PIA se o preço das passagens não fosse reduzido.

O Paquistão foi o principal apoiador do primeiro regime talibã entre 1996 e 2001, e mais tarde os Estados Unidos o acusaram de apoiar a insurgência contra o governo afegão, apoiado pelo Ocidente.

Desde o retorno do Talibã ao poder, o primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, exortou a comunidade internacional a dialogar com os fundamentalistas e a apoiar financeiramente o país, cuja economia está à beira do colapso.

No momento, o Paquistão não reconheceu o novo regime talibã.

O presidente Vladimir Putin disse nesta quinta-feira (14) que mencionar a questão de sua sucessão é um tema "desestabilizador" para a Rússia e lembrou que uma recente reforma da Constituição permite-lhe concorrer às eleições presidenciais de 2024.

"Temos tempo antes das próximas eleições, e as discussões sobre este tema desestabilizam a situação", disse ele à rede de televisão americana CNBC, em entrevista transmitida na quarta-feira à noite.

"A situação tem que permanecer tranquila, estável, para que os órgãos do Estado, as estruturas do Estado, trabalhem e olhem serenamente para o futuro", afirmou Putin, ressaltando que a Constituição dá a ele o direito de se candidatar mais uma vez.

Putin disse, no entanto, que ainda não tomou uma decisão a esse respeito. Com a reforma constitucional, o presidente russo pode tentar buscar a reeleição até 2036.

No poder desde 2000, Putin se orgulha de ter tirado a Rússia da crise econômica e política aberta após a desintegração da União Soviética. O preço desta estabilidade foi a concentração de poderes nas suas mãos e nas dos seus serviços de segurança.

As autoridades russas intensificaram a repressão contra a oposição e os veículos de comunicação independentes este ano. Proibiram, por exemplo, que o movimento do principal crítico do Kremlin, Alexei Navalny, pudesse se candidatar às eleições legislativas de setembro.

O papa Francisco voltou a afirmar nesta quinta-feira (14) que o aborto voluntário é "homicídio" e defendeu que profissionais da saúde se recusem a participar desse tipo de procedimento, mesmo onde seja permitido por lei.

"Vocês sempre estão a serviço da vida humana, e isso pode comportar, em certos casos, a objeção de consciência, que não é infidelidade, mas sim fidelidade à sua profissão. E também é uma denúncia das injustiças contra vidas inocentes e indefesas", declarou o líder católico em discurso para farmacêuticos de hospitais italianos.

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"Sobre o aborto, sou muito claro: trata-se de um homicídio, e não é lícito tornar-se cúmplice. Nosso dever é estarmos próximos das mulheres para que não se chegue a pensar na solução abortiva, que, na realidade, não é uma solução", acrescentou.

O aborto é permitido por lei na Itália desde a década de 1970, mas médicos e enfermeiros podem alegar "objeção de consciência" para não participar desse tipo de procedimento.

Um mapeamento realizado recentemente pela Associação Luca Coscioni, uma das principais entidades de defesa dos direitos civis no país, mostra que em pelo menos 15 hospitais italianos todos os ginecologistas são "objetores".

"Hoje está um pouco na moda pensar que seria uma boa ideia remover a objeção de consciência, mas essa é a intimidade ética de cada profissional da saúde e jamais pode ser negociada", declarou o Papa nesta quinta.

Da Ansa

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Netflix, gigante do "streaming", lançaram nesta quinta-feira (14) um concurso de curtas-metragens sobre contos populares que busca descobrir "novos talentos" entre jovens diretores da África subsaariana, com o objetivo de financiar seus projetos e transmiti-los na rede americana.

"A ideia da iniciativa é encontrar grandes talentos, grandes histórias populares que são parte importante da nossa história e herança na África", explicou o diretor de conteúdo original e aquisições da Netflix na África, o nigeriano Ben Amadasun.

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Os seis vencedores do concurso receberão US$ 25.000 a título pessoal, além de treinamento com profissionais da indústria. Também terão um orçamento de US$ 75 mil para criar, filmar e produzir seus curtas-metragens.

Os trabalhos serão transmitidos pela Netflix em 2022, disse a Unesco, a agência cultural da ONU, em um comunicado divulgado nesta quinta.

Os participantes do concurso devem ter entre 18 e 35 anos, viver e serem originários de um país da África subsaariana e ter pelo menos dois anos de experiência profissional na indústria audiovisual.

As inscrições vão até 14 de novembro.

Uma pessoa morreu, e outras oito ficaram feridas nesta quinta-feira (14) durante tiroteios em uma manifestação dos movimentos xiitas Hezbollah e Amal em Beirute - disse uma médica à AFP.

A vítima foi baleada na cabeça, e três dos feridos se encontram em estado crítico, disse a médica Mariam Hassan, do hospital Sahel, nos arredores de Beirute.

A manifestação exigia a destituição do juiz encarregado da investigação da explosão no porto da cidade, ocorrida em 4 de agosto de 2020. A tragédia causou a morte de pelo menos 214 pessoas e feriu mais de 6.000, além de destruir vários edifícios na capital libanesa.

O Hezbollah e seus aliados acreditam que o juiz está politizando a investigação.

Na terça-feira (12), o juiz Tareq Bitar emitiu um mandado de prisão para o deputado e ex-ministro das Finanças Ali Hassan Khalil, membro do Amal e aliado do Hezbollah.

Na sequência, viu-se obrigado a suspender a investigação. Dois ex-ministros apresentaram uma denúncia contra o magistrado, a qual foi indeferida nesta quinta-feira. Com isso, ele retomará seu trabalho.

Esta questão está prestes a implodir o recém-formado governo libanês, após um ano de bloqueio político.

O Facebook divulgou novas regras contra ataques on-line a jornalistas, ativistas e celebridades nesta quarta-feira (13), enquanto a gigante das mídias sociais luta contra uma crise pelos danos potenciais de suas plataformas.

A diretora de segurança do Facebook, Antigone Davis, anunciou novas políticas de proteção. “Não permitimos bullying e assédio em nossa plataforma, mas quando acontece, agimos”, alertou.

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O Facebook expandiu sua gama de "ataques" proibidos a figuras públicas para incluir uma série de imagens sexuais ou degradantes de seus corpos.

Davis, que defendeu o trabalho da empresa em uma audiência perante legisladores, ressaltou que "ataques como esse podem transformar a aparência de uma figura pública em uma arma".

O Facebook também adicionou jornalistas e defensores dos direitos humanos à lista de pessoas consideradas figuras públicas por seu trabalho.

As novas políticas incluem impedir esforços coordenados de usar várias contas para assediar ou intimidar pessoas consideradas em maior risco de danos no mundo real, como dissidentes do governo e vítimas de tragédias violentas.

Davis disse que o Facebook também começará a remover "redes opositoras" e redes vinculadas ao estado que "trabalham juntas para assediar ou silenciar pessoas", como dissidentes.

"Removemos conteúdo que viola nossas políticas e desativamos as contas de pessoas que violam repetidamente nossas regras", escreveu.

A empresa enfrentou uma tempestade de críticas e uma audiência no Senado desde que Frances Haugen, uma ex-funcionária, vazou estudos internos mostrando que o Facebook sabia que seus sites podem ser prejudiciais à saúde mental dos jovens.

A denunciante alegou que a rede social coloca os lucros antes da segurança de seus usuários.

Os documentos vazados por Haugen, que sustentaram uma série de histórias contundentes do Wall Street Journal, geraram uma das crises mais graves do Facebook até hoje.

Em seu depoimento, Haugen apontou para os riscos de que as plataformas da gigante das redes sociais alimentem a divisão política e a insatisfação pessoal, o que é particularmente perigoso para os jovens.

Haugen não desistiu de sua intenção de pedir às autoridades que regulamentem a rede frequentada diariamente por cerca de três bilhões de pessoas em todo o mundo.

Os legisladores europeus convidaram Haugen para uma audiência e também deve se reunir com o conselho supervisor do Facebook, um órgão semi-independente responsável por avaliar as políticas de conteúdo da rede.

Os documentos vazados e o testemunho de Haugen atraíram forte resistência do Facebook, mas seu CEO, Mark Zuckerberg, não disse publicamente se aceitará um convite do Senado para responder às suas perguntas.

Bali reabriu suas portas nesta quinta-feira (14) para os voos internacionais procedentes de alguns países, como China, Japão e França, em uma nova etapa da ilha turística da Indonésia para receber visitantes estrangeiros.

Mas as autoridades de Bali informaram que não esperam nenhum voo internacional para esta quinta-feira.

Para entra na ilha, os visitantes devem estar vacinados, respeitar cinco dias de quarentena em um hotel e seguir os protocolos rígidos da visita.

"Estamos preparados, esperando os voos internacionais", disse Taufan Yudhistira, porta-voz do aeroporto. "Mas não há nada programada para hoje".

O aeroporto internacional Ngurah Rai de Bali pode receber turistas de 19 países, incluindo Coreia do Sul, China, Japão, França, Emirados Árabes Unidos e Nova Zelândia, segundo as autoridades.

A abertura parcial não inclui os australianos, que estavam entre os principais visitantes da ilha antes da pandemia.

A Indonésia, de 270 milhões de habitantes, foi muito afetada pela contagiosa variante delta do coronavírus e chegou a registra mais de 56.000 casos de covid-19 em apenas um dia em meados de julho.

O governo aplicou medidas restritivas nas áreas mais afetadas, fechou negócios não essenciais e limitou os deslocamentos das pessoas.

O número de casos caiu com a campanha de vacinação no arquipélago e as autoridades começaram a flexibilizar as restrições.

Um incêndio que destruiu um edifício na cidade de Kaohsiung, sul de Taiwan, deixou 46 mortos e dezenas de feridos, informaram nesta quinta-feira (14) as autoridades.

O incêndio começou durante a madrugada no edifício de 13 andares e destruiu uma grande parte do imóvel antes que os bombeiros conseguissem controlar as chamas.

"O incêndio deixou 41 feridos e provocou 46 mortes", afirmou o departamento de bombeiros de Kaohsiung em um comunicado.

Imagens publicadas pela agência oficial de notícias mostram a fumaça nas janelas do prédio, enquanto os bombeiros tentavam conter as chamas.

A maioria das mortes aconteceu entre os andares 7 e 11, de uso residencial, destacaram os bombeiros. Os primeiros cinco andares são de uso comercial e estavam vazios no momento do incêndio.

O passaporte sanitário será obrigatório na Itália, a partir desta sexta-feira (15), para todos os trabalhadores dos setores público e privado, uma medida que quer estimular a campanha de vacinação e que enfrenta críticas de milhões de funcionários.

Primeiro país europeu afetado pela pandemia de coronavírus, em fevereiro de 2020, a Itália pagou um alto preço, com mais de 130.000 mortes registradas.

Depois do ano trágico, a campanha de vacinação começou em dezembro e, agora, mais de 80% das pessoas com mais de 12 anos estão totalmente vacinadas, ou 85%, se consideradas aquelas com a primeira dose.

A vacina é obrigatória para o pessoal de saúde e o chamado "passaporte covid" é exigido dos professores.

Para o governo liderado por Mario Draghi, porém, estas medidas não são suficientes para garantir um nível de imunidade alto e evitar novos surtos que podem afetar a atividade econômica. Foi o que aconteceu em 2020 e no início de 2021.

De modo a incentivar a vacinação, o governo anunciou há um mês, com o apoio dos partidos da coalizão, a obrigação de apresentar o "passaporte covid", a partir de 15 de outubro, para se ter acesso ao local de trabalho.

Os empregados que se recusarem a cumprir a medida correm o risco de terem o salário suspenso e de serem multados, se entrarem no local de trabalho sem o documento. Também não podem optar por trabalhar de casa. Os empregadores que evitarem o controle de seus funcionários também estão sujeitos a multas.

Introduzido em agosto para se ter acesso a trens, museus e restaurantes, entre outros, o passaporte de saúde inclui um certificado de vacinação, um comprovante de recuperação pós-covid-19, ou um teste negativo feito nas últimas 48 horas.

- Entre a greve e o teste -

A medida gerou protestos violentos no sábado, em Roma, onde milhares de pessoas, incluindo ativistas de extrema direita, devastaram a sede do maior sindicato do país, o CGIL, e invadiram a emergência de um hospital da capital.

Alguns trabalhadores ameaçaram entrar em greve e até com o bloqueio de portos, se a medida não for revogada.

Segundo estimativa do Ministério da Função Pública, em torno de 250 mil pessoas, dos cerca de 3,2 milhões de funcionários públicos, não estão vacinadas, o que equivale a 7,8%.

No setor privado, este número chega a 2,2 milhões de pessoas em 14,6 milhões, ou 15%. Isso pode representar um desafio, a partir de 15 de outubro, para a recuperação econômica do país após o duro ano de 2020, quando o Produto Interno Bruto (PIB) da península despencou 8,9%.

Luca Zaia, presidente da rica região de Vêneto, ao norte, advertiu sobre o "caos" que a implementação da medida pode causar nas empresas italianas a partir desta data.

"Não podemos garantir a todos que não se vacinaram que façam um teste a cada 48 horas. Os empregadores com os quais eu falo estão muito preocupados", frisou.

A maior organização da indústria, a Confindustria, apoia firmemente a decisão do governo e rejeita a "chantagem" de alguns setores dos trabalhadores.

Para o vice-presidente da Confindustria, Maurizio Stirpe, "não tem motivo para pagar o teste de quem não quer ser vacinado. As pessoas devem assumir suas decisões".

O Forza Italia, o partido de centro-direita de Silvio Berlusconi, e o Partido Democrático, de centro-esquerda, são a favor da obrigatoriedade da vacina.

A medida vem sendo rejeitada pelo governo por enquanto, sobretudo, devido à oposição da Liga, de Matteo Salvini, partido de extrema direita. Membro da coalizão nacional, ele ameaça romper com seus aliados.

Na fazenda "Flower Farm", no coração do interior da Inglaterra, reina a preocupação. Em um contexto generalizado de falta de mão de obra, seu proprietário Patrick Deeley ainda não possui pessoal suficiente para distribuir os perus de Natal.

"Não sei se vou encontrar o pessoal necessário para o trabalho antes das festas, a pressão vai ser forte", explica à AFP este fazendeiro de Surrey, no sul do Reino Unido.

Já deveria contar agora com 12 trabalhadores temporários para meados de dezembro que o ajudem a preparar, empacotar e entregar as aves no Natal.

Há mais de 15 anos, contratava trabalhadores que vinham da União Europeia, mas neste ano não conseguiu encontrar nenhum, explica.

Se muitos trabalhadores abandonaram o setor ou até o país durante as paralisações impostas pela pandemia, Deely se declara convencido de que "o Brexit também é um fator importante". "Porque uma das consequências é a perda maciça de mão de obra" europeia, afirma.

O Brexit, que entrou plenamente em vigor em 1º de janeiro, dificulta a entrada de trabalhadores da União Europeia, que agora precisam obter um visto de trabalho caro.

Diante da escassez de mão de obra no setor de aves, alguns fazendeiros multiplicaram os anúncios de trabalho, mas os candidatos são escassos.

"Não é a coisa mais glamourosa do mundo, é um trabalho duro, é a agricultura, tem que trabalhar os sete dias da semana", explica Mark Gorton, que se dedica à criação de perus em Norfolk, no leste da Inglaterra, e hoje em dia não possui um único trabalhador temporário, quando costumava ter entre 300 e 400 todo ano.

"Estamos a seis semanas de começar a preparar os perus para o mercado natalino e, no momento, não temos trabalhadores", afirma com preocupação.

- "Trabalhar 18-19 horas diárias" -

Devido à escassez de mão de obra, alguns fazendeiros se viram obrigados a produzir menos perus este ano e os supermercados reduziram seus pedidos.

"A quantidade de perus se reduziu consideravelmente", disse Deely, "não importa se você tem 10 perus ou 20.000, o problema é basicamente o mesmo: há uma enorme escassez de mão de obra qualificada".

Diante das notícias sobre essa situação, os consumidores se apressam e a demanda aumenta com muita antecedência.

Segundo a associação de perus frescos de fazenda tradicional, que reúne 40 fazendas, a maioria de seus membros registrou um aumento significativo dos pedidos em comparação com este período do ano passado. Algumas fazendas afirmaram inclusive que os pedidos quintuplicaram.

O risco agora é que os preços do peru disparem. "Acho que as pessoas, infelizmente, verão um aumento no preço do produto", disse Deely.

Como a avicultura é um setor chave da economia britânica, o governo decidiu conceder 5.500 vistos excepcionais de três meses para atrair trabalhadores temporários, mas os fazendeiros temem que isso não será suficiente para virar o jogo.

"Deixaria minha casa, meu país, meu trabalho, minha segurança, só para vir ajudar um país que disse que não me quer? Eu não faria isso", afirma Patrick indignado. "Vejo que as consequências do Brexit são enormes, colossais, e uma consequência é que as pessoas com quem falei se sentem rejeitadas", explica.

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