Tópicos | Blog Padrão Tático

O futebol atual - ou moderno - é recheado de conceitos em constante evolução. Um deles, ainda em processo de compreensão, é sobre função e posição dos jogadores. Não cabe mais chamar um treinador de retranqueiro por escalar três volantes ou zagueiros. Muito menos acreditar que este time será muito ofensivo com vários atacantes. As funções dos jogadores, hoje em dia, determinam a postura da equipe em campo. O que o atleta faz é fundamental e se sobrepõe ao que ele é, se zagueiro, volante, meio-campista ou atacante.

Com base neste conceito, o Blog Padrão Tático conversou com os técnicos de Náutico e Sport sobre o assunto. Os pontos de vistas e exemplos de Lisca e Eduardo Baptista mostram semelhanças sobre o conceito, e elevam o nível da discussão. A versatilidade dos jogadores, o trabalho nas categorias de base e a qualidade tática-técnica foram argumentos utilizados pelos treinadores.

##RECOMENDA##

O atual exemplo de versatilidade no Sport é Diego Souza e isto tem sido mostrado nesta temporada. O camisa 87 já atuou como meia centralizado, aberto pela esquerda, falso-nove e volante. Nas últimas partidas, quando o Leão esteve atrás do placar, Eduardo Baptista recuou seu jogador mais criativo. Assim, o meio-campista vindo com a bola da defesa deu mais qualidade à transição ofensiva e teve um bom desempenho. Confira na imagem abaixo as funções cumpridas por Diego Souza no time leonino.

“Um jogador moderno, à exceção de zagueiro e goleiro, não é mais volante, lateral ou atacante, ele tem função, e eu costumo escalar o jogador mais pelas características do que pela posição. Então, cabe a mim ter uma leitura dentro do setor que ele pode atuar. É preciso saber fazer uma cobertura, independente da posição.”, explicou o comandante leonino.

Mas não é fácil introduzir essa cultura no futebol brasileiro. Não apenas os atletas têm essa dificuldade, como também os jornalistas e os torcedores. O técnico do Náutico, Lisca, acredita que há uma mudança gradativa de pensamento e o caminho é sem volta, iniciado nas categorias de base. Desde cedo os atletas aprendem a ter funções e a desapegar da estática posição.

“Muita gente se detém na formação, nos números 4-1-4-1 ou 3-5-2. Mas o importante é a característica do jogador. Acredito muito na versatilidade. Procuramos o jogador que articula, faz gol, marca sem a bola e recompõe. Não é fácil, até pela cultura do futebol brasileiro. A gente ainda acredita muito na individualidade, fomenta o destaque individual. Aos poucos, vamos mudando essa mentalidade. Já tem uma metodologia nova de treinar futebol nas categorias de base nos clubes do Brasil e é fundamental para o desenvolvimento de sistemas e funções dos jogadores”, ressaltou Lisca.

A necessidade em o atleta entender o jogo e o que se passa em campo é cada vez mais necessário. Ter a bola no pé não é o suficiente para definir a partida. É preciso, sem a bola, ter movimentação para a recomposição e transição. Tudo isto de forma coletiva e em movimentos sincronizados à base de muito treinamento e estudo.  

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando