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Grandes ideias podem tornar nosso dia a dia melhor. Todos os avanços tecnológicos que temos à disposição são uma união de insights inovadores e dedicação ao trabalho. Porém, muitas empresas não tem a preparação necessária para tornar seu negócio lucrativo ou competitivo o suficiente. No que diz respeito à incubação de empreendimentos voltados para a tecnologia, o Estado de Pernambuco apresenta uma série de iniciativas bem sucedidas na área.

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Segundo especialistas, o conceito de incubação de empresas surgiu em 1938 nos Estados Unidos, com a iniciativa de dois estudantes da Universidade de Stanford que tem sobrenomes conhecidos no mundo inteiro: Hewlett e Packard, criadores da HP.

No Brasil, os primeiros empreendimentos desta natureza surgiram na década de 80, com a criação do Parque Tecnológico de Campina Grande (Paraíba) e em São Carlos, na Universidade Federal de São Carlos. Aqui em Pernambuco, esse tipo de trabalho já tem mais de uma década: no Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP) o processo de incubação de empresas existe desde 1990, sendo a primeira incubadora de base tecnológica do Estado, gerida pela Associação Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP-OS). Segundo Geraldo Magela, gerente da INCUBATEP, mais de 70 empresas já passaram pela incubadora do Instituto. "A maioria encontra-se no mercado, o que já é um grande avaliador de desempenho das empresas”, completou.

Há mais dois fortes empreendimentos voltados para a incubação de empresas de tecnologia no Estado. O Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), criado em 1996, que desde essa data trabalha com incubação, e a Incubadora Cais do Porto, do Núcleo de Gestão do Porto Digital, que há pouco mais de um ano retomou seu processo de incubação, com 11 empresas passando por esse processo.

Algumas mudanças ocorreram no modelo de gestão do CESAR a partir de 2000. Segundo Eiran Simis, Gerente de Empreendorismo do local, o Centro sentiu a necessidade de serem acionistas minoritários das empresas incubadas. “Essa mudança resultou em mais comprometimento das três empresas incubadas”, completa.

A busca pela solução de problemas de outros mercados utilizando Tecnologia da Informação é o foco principal da Cais do Porto e do CESAR. Já a INCUBATEP, a cada edital para seleção de empresas, existem focos produtivos definidos, mas sempre a tendência é o uso cada vez maior de tecnologia da informação em muitos processos das empresas. “Existem empresas de diversas áreas de tecnologia e algumas delas se identificam pela área comum”, afirma Magela, gerente da INCUBATEP.



Vantagens - Não há dúvidas de que passar por esse processo de amadurecimento profissional na vida de uma empresa é importante e útil, opinião compartilhada por todos que tem contato com essa área no Estado. “A principal vantagem é estar conectado com outros empreendimentos, compartilhar conhecimentos. Fora a constante formação na área de gestão, com consultorias, workshops e outros eventos voltados para o crescimento do empreendedor”, afirma Eiran Simis, do CESAR.

Vitor Andrade, responsável pela Cais do Porto, aponta duas vantagens principais no processo para empresas. “Há a possibilidade de formação na área de gestão, com treinamento e assessoria. Além de algo importante e fundamental para uma empresa que é a criação de conexões com mercados, com outros profissionais, investidores, que surgem com mais força em um ambiente como uma incubadora de tecnologia”. Além disso, Vitor aponta uma vantagem indireta que as empresas têm nesse processo. “Eu percebo um estímulo em estar em contato com outros profissionais, as ideias crescem”.

Um exemplo desse benefício na vida de quem está em uma empresa incubada é a Ser Digital, start-up localizada na INCUBATEP. A empresa reúne soluções para suprir qualquer necessidade que algum cliente tenha na hora de criar um endereço na web. A empresa oferece desde a criação de sites até a hospedagem dos mesmos, passando pela criação de sistemas dedicados a um serviço específico que a empresa solicite para aquele endereço na web, numa equipe formada por 13 pessoas, que vão desde administração até a área de saúde.

Rafael Lira, diretor executivo da Ser Digital, relata que a empresa já exista antes de passar pelo processo de incubação, mas de maneira amadora. “Estamos no ITEP há dois anos, e já passamos de 30 para 150 clientes, além de atuarmos agora em oito estados”, conta. Para Rafael, a principal vantagem de fazer parte de uma incubadora é a constante preparação no que diz respeito a gestão de um empreendimento. "Sempre existem palestras, cursos na área de gestão, legislação trabalhistas, uma série de coisas importantes para que uma empresa dê certo."

 

Participando do processo - Os critérios de seleção de todas as incubadoras são basicamente os mesmos: Inovação, Visibilidade e Preparo da Equipe. Na INCUBATEP, a admissão de proposta passa por uma inscrição por um formulário padrão da incubadora. Depois de passarem por essa primeira fase, os candidatos passam por uma apresentação oral à comissão de avaliação e, posteriormente, a entrada dos mesmos é avaliada no sistema de incubação.

Segundo Geraldo Magela, gerente da INCUBATEP, o processo pelo qual a empresa passa ao ser incubada visa a capacitação empresarial e inserção competitiva do mercado. "Nosso processo de incubação objetiva proporcionar às empresas ferramentas de capacitação, como planejamento estratégico, marketing, vendas, design, capacitação de recursos, entre outras prioridades", afirma. No último processo de seleção de empresas para a incubação no ITEP, das 25 inscrições iniciais só cinco conseguiram entrar na incubadora.



O CESAR, por enquanto, não recebe inscrições de empreendimentos para incubação, porém o apoio a novas ideias continua com um programa chamado CESAR Laps, voltados aos colaboradores do CESAR que precisem de investimento. “O Centro tem 400 colaboradores, com o programa eles podem submeter suas ideias e, caso aprovadas por um comitê de investimento, recebem R$ 40 mil para testar a viabilidade mercadológica da ideia num espaço de até seis meses”, informa Eiran. O espaço aberto por essa iniciativa também abrange empresas que não estão no CESAR, mas que tenham alguém do centro no time.

No processo de avaliação da Porto Digital, há a análise do problema de algum setor produtivo apresentado pelo candidato, a solução de TI envolvida na resolução do problema e a equipe envolvida no projeto. "No caso da Cais do Porto, o foco é tecnologia da informação. A busca de resoluções de problemas de outros setores, utilizando a TI", afirma Vitor Andrade.

A principal razão que leva um empreendedor a passar pela seleção de uma incubadora é a de conhecer mais o mercado.

Algumas vezes essas necessidades versam sobre a necessidade de entrar num centro de tecnologia. "Começamos num lugar pequeno e lidávamos com os clientes da melhor maneira possível. Logo, sentímos a necessidade de termos mais conhecimento de mercado", afirma Lúcio Fonseca, arquiteto e um dos sócios da Locomotive, empresa de computação gráfica com foco em arquitetura. Junto com mais dois sócios, os designers Eduardo Sampaio (25 anos) e Rogério Figueiredo (28 anos), a Locomotive está há dois anos na Incubadora do ITEP, já em fase de Pós-Incubação.

Entre as vantagens listadas pelos sócios, o ambiente voltado para novos negócios e os contatos com outras empresas que estão no mesmo processo de desenvolvimento, além da aceleração do conhecimento de operacionalidade de uma empresa. "Uma incubadora transforma um projeto de empresa em empresa. E um projeto de um empresário, em empresário", traduz Rogério, um dos sócios da Locomotive.



Visão futura - O bom resultado e competência que as empresas apresentam nas incubadoras pernambucanas é reflexo da crescente maturidade do mercado em que estão inseridas. Como relata Vitor Andrade, da Cais do Porto, os pontos de apoio que facilitam a vida de empresas no início estão cada vez mais completos no Estado, graças a visibilidade de Pernambuco nas áreas de Tecnologia da Informação e Economia Criativa. “Eu considero o Recife o melhor lugar no Norte/Nordeste/Centro-Oeste para uma start-up se desenvolver”.

A expectativa é de que haja criação de ainda mais vagas para empresas passarem pelo processo de incubação num centro de tecnologia. Além da movimentação das incubadoras para se encaixar no modelo de qualidade do Cerne, criado pela Associação Nacional de Incubadoras e Parques (Anprotec), em todas há a perspectiva de aumentar o número de empresas que irão passar por esse processo.

A ampliação do Porto Digital para Santo Amaro, além de ocasionar em aumento territorial, também refletirá num maior espaço de convivência entre as empresas de diferentes tipos. “Haverá uma leve mudança no perfil de negócios, com a inserção de empresas que trabalham com games, design, cinema de animação. Podemos definir isso como uma maior pluralidade”, afirma Vitor.

Há a previsão da entrada de mais 18 empreendimentos para esse ano no Cais do Porto, com um ciclo de incubação de um ano e meio.  Além disso, há planos de abertura de uma aceleradora que durante cinco anos poderá beneficiar 90 start-ups no Estado, chamada Armazém da Criatividade, resultado de uma parceria entre o Porto Digital, Governo do Estado de Pernambuco e “um grande investidor brasileiro”, nos conta Vitor Andrade. “Será um grande espaço de co-work e criará um cenário motivacional para as empresas”, finaliza.

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