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O esquema de apostas, alvo de investigações no Brasil nos últimos meses, atravessou o continente e alcançou a América do Norte. Nesta quinta-feira, o Colorado Rapids, da MLS, o principal campeonato de futebol dos Estados Unidos, afastou o meia-atacante brasileiro Max Alves.

O jogador foi afastado do clube por suspeita de envolvimento no mesmo esquema de manipulação de resultados. "O jogador foi retirado de todas as atividades enquanto a MLS conduz uma investigação sobre o assunto", informou o Colorado Rapids, em comunicado, sem citar o nome do atleta.

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"Estamos cientes da investigação ligando um jogador do Colorado Rapids com jogos de azar e apostas esportivas. Encaramos assuntos desta natureza muito a sério e procuramos sempre proteger a integridade do jogo", completou o comunicado do time dos Estados Unidos.

Max Alves apareceu numa planilha de pagamentos obtida pelo jornal O Globo. Formado na base do Flamengo, o brasileiro teria recebido R$ 35 mil de sinal e deveria ganhar ainda mais R$ 25 mil. Para tanto, teria que levar cartão amarelo num jogo da MLS, em setembro do ano passado. Isso aconteceu na derrota da sua equipe para o LA Galaxy, por 4 a 1, naquele mês. Alves era reserva, mas entrou no decorrer da partida.

O jogador de 21 anos, da base do time rubro-negro, recebeu poucas oportunidades na equipe principal. Foram 14 partidas e um gol. Chegou a ser emprestado ao Cuiabá em 2021. E, no ano passado, foi negociado com o Colorado Rapids.

Vista como “roubo” aos cofres públicos, a corrupção está no alvo de críticas no meio político, da sociedade e até das manifestações de ruas. A prática ilegal veio à tona nos últimos anos com o esquema no mensalão, e recentemente, com a corrupção da Petrobras, mas, na análise de cientistas políticos, o jogo entre empreiteiras e governo faz parte da cultura do país.

“Essa relação entre as empreiteiras e o governo, isso ocorre em todo o mundo, e sempre foi aberto para corrupção porque envolve mecanismos que tem maior facilidade de burlar”, observou o cientista político e professor da UFPE, Ernani Carvalho. “Quando você vai contratar uma empresa que execute algo muito técnico e específico, o grupo de empresas concorrentes é pequeno, e neste caso, é muito fácil de presumir se haverá um jogo político. Isso ocorre em todo o mundo, mas em alguns países há um controle maior de forma que o “bolo” seja dividido e evite a corrupção”, completou.

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Segundo Carvalho, no Brasil a prática é muito usual em esferas públicas distintas. “Aqui e ali você percebe casos denunciados pelo Ministério Público de empreiteiras envolvidas com esquemas de corrupção em prefeituras, estado e na própria União. Não dá para tapar o sol com a peneira e não foram poucas as empreiteiras que assumiram que isso é corriqueiro”, observou.

De acordo com a cientista política Priscila Lapa à falta de transparência auxilia o processo de corrupção. "Essa relação tem haver com a cultura política do país que faz essa relação entre empresa o governo e jogos de interesses privados. Em principio, não teria nenhum problema essa relação porque em outros países isso é muito transparente, como é o caso das PPP’s. Só que no Brasil isso tomou um rumo de patriotismo, do jogo político, e não é por falta de lei, mas é mais uma questão de prática e não da lei. Se olharmos a contribuição dessas empreiteiras é importante para o desenvolvimento do país, mas o poder gera todo esse processo com toda força no Brasil", avaliou.

Muitas empresas alegam serem pressionadas e “corrompidas” por políticos, mas de acordo com o especialista, existe uma premissa básica quando se refere à corrupção. “Corrupção sem corruptor e corrompido não existe. Um depende do outro e não se pode negar o conhecimento da lei. Depois que se infringiu a lei e sabe que não pode, mesmo que entrem no jogo por questões econômicas, os dois estão equiparados no desrespeito ao erário público. Ele não tem menos culpa no cartório. Agora, a grande questão é como se deu este processo, porque os setores públicos dizem que são procurados e assediados. É um jogo de empurra”, definiu Carvalho.

Semelhante ao especialista, Lapa, também acredita que não há inocentes nesta relação. "Está tudo envolvido porque a corrupção é sempre uma relação de quem corrompe e de quem é corrompido. Se tem um lado frágil, este lado é o cidadão. Mas, se olharmos de maneira bem objetiva, as empreiteiras tem total interesse dos recursos públicos. Elas para isso financiam campanhas, e têm uma relação de promiscuidade. Não tem ninguém inocente, só a sociedade”, pontuou.

Para Ernani Carvalho, esse tipo de relacionamento ‘extraoficial’ em que o governo que contrata, ou as pessoas que contratam, termina recebendo ‘presentes’ dos prestadores de serviços está presente na cultura da sociedade. “Nós temos o costume de presentear um médico que atende bem por exemplo. Existe uma gentileza, mas em outras culturas não existe isso, e a gente sempre atravessa um pouco mais e isso passa a ser transportado de outras maneiras”, exemplificou, trazendo o debate para aspectos maiores. “Agora, claro que entre governo e empreiteiras isso tem uma relação imoral, ilegal e antiética. O que está em jogo ali não é o seu dinheiro, mas o recurso público e no fundo, está em jogo à eterna luta em saber os limites do público e do privado e em algum momento isso deixa de ser privado e passa a ser público”, contextualizou. 

Questionado se a corrupção afeta a credibilidade da política na visão da população, o cientista reforçou que os políticos são uma derivação da sociedade. “Se os políticos são corruptos, é porque em grande medidas, as pessoas que fazem parte desta sociedade também são corruptas. Quando um eleitor pede em troca de seu voto um saco de cimento ou uma dentadura isso também é corrupção”, destacou.

Por outro lado, Carvalho frisou a insatisfação das pessoas devido à corrupção no país. “Agora, é óbvio que, existe uma parcela da população que eu considero que é maior, e está indignada, e essa indignação começa a criar contornos de repulsas e passam a ser cobradas, mas a corrupção existe desde quando as pessoas furam filas, desrespeitam o estacionamento de pessoas com deficiência ou sobornam o guarda de trânsito. Isso está presente no nosso cotidiano. Mas eu vejo uma insatisfação oriunda de uma classe média que repulsa esse tipo de ação. Isso parece positivo porque encaram isso como um mal a ser combatido”, completou. 

Na visão de Priscila Lapa, a incredibilidade da sociedade já existe há algum tempo e a corrupção vem a colaborar para o aumento desta percepção. "Na verdade, reforça um processo que já existe. Se a gente pegar todas as pesquisas mundiais veremos que isso também reflete na nossa cultura. A gente gerou este descrédito", avaliou. Apesar desse aspecto, a cientista consegue ver pontos positivos. "Apesar que eu vejo também um lado positivo: a gente está amadurecendo neste processo de investigações, de cumprimento de leis e isso significa o remédio que a gente estava precisando, e a partir de agora, a tendência é que a sociedade seja mais atenta e que a gente tenha mais atenção”, ressaltou.

 

O senador Humberto Costa, líder do PT no Senado, negou ter envolvimento nos esquemas de corrupção da Petrobras. Uma reportagem do jornal Estado de São Paulo, mostra que o ex-diretor de abastecimento da estatal de petróleo, Paulo Roberto Costa, afirma no depoimento da delação premiada que o petista teria recebido um milhão de reais para a campanha eleitoral de 2010.

Através de uma nota, Humberto afirma que todas as doações de campanha que recebeu em 2010 foram registradas e aprovadas na prestação de contas à Justiça Eleitoral. O senador segue a nota dizendo que a denúncia é inconsistente por não haver razão do PP apoiar financeiramente a campanha de outro partido e que Paulo Roberto não apresenta provas nas acusações.

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O senador afirma conhecer Paulo Roberto Costa desde 2004, mas ressalta que a relação dos dois era institucional por conta do processo de instalação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Humberto diz ainda que é amigo de infância de Mário Beltrão, mas ele nunca solicitou dinheiro a Costa para campanhas.

O petista reintera que defende a investigação das denúncias que envolvam a Petrobras ou qualquer outro órgão do Governo e que vai aguardar com tranquilidade o pronunciamento da Procuradoria-Geral da República sobre as acusações. O parlamentar encerra a nota afirmando se colocar à disposição de todos os órgãos de investigação e disponibilizando os sigilos bancário, fiscal e telefônico.

Confira a nota na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em relação à publicação do jornal o Estado de São Paulo deste domingo que relata  supostas acusações do sr. Paulo Roberto Costa dirigidas a mim em delação premiada, afirmo que:,

1.Todas as doações de campanha que recebi na minha candidatura ao senado em 2010 foram feitas de forma legal, transparente, devidamente declaradas e registradas em minha prestação de contas à justiça eleitoral e inteiramente aprovadas, estando disponíveis a quem queira acessá-las;

2.Assim, nego veementemente ter pedido a quem quer que seja que solicitasse qualquer doação de campanha ao sr. Paulo Roberto;

3.Tal denúncia padece de consistência quando afirma que a suposta doação à campanha teria sido determinada pelo Partido Progressista (PP) por não haver qualquer razão que justificasse o apoio financeiro de outro partido à minha campanha;

4.Mais inverossímil ainda é a versão de que se o sr. Paulo Roberto não tivesse autorizado tal doação, correria o risco de ser demitido, como se eu, à época sem mandato e tão somente candidato a uma vaga ao Senado, tivesse poder de causar a demissão de um diretor da Petrobrás;

5.Causa espécie o fato de que ao afirmar a existência de tal doação, o sr. Paulo Roberto não apresente qualquer prova, não sabendo dizer a origem do dinheiro, quem fez a doação, de que maneira e quem teria recebido;

6.Conheci o sr. Paulo Roberto em 2004 e minha relação com ele se deu no campo institucional, no processo de implantação da refinaria de petróleo em Pernambuco, do qual participei assim como vários políticos, empresários e representantes de outros segmentos da sociedade pernambucana o fizeram;

7.Conheço e sou amigo de infância do sr. Mário Beltrão, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (ASSINPRA), que também foi partícipe da mesma luta pela refinaria. Porém, em nenhum momento eu o pedi e ele muito menos exerceu o papel de solicitar recursos ao Sr. Paulo Roberto para a campanha ao Senado de 2010.

8.Tenho uma vida pública pautada pela honradez e seriedade, não respondendo a qualquer ação criminal, civil ou administrativa por atos realizados ao longo de minha vida pública;

9.Sou defensor da apuração de todas as denúncias que envolvam a Petrobras ou qualquer outro órgão do Governo. Porém, entendo que isso deve ser feito com o cuidado de não macular a honra e a dignidade de pessoas idôneas. O fato de o sr. Paulo Roberto estar incluído em um processo de delação premiada não dá a todas as suas denúncias o condão de expressar a realidade dos fatos.

10.Aguardo com absoluta tranquilidade o pronunciamento da Procuradoria-Geral da República sobre o teor de tais afirmações, ocasião em que serão inteiramente desqualificadas. Quando então, tomarei as medidas cabíveis.

11.Informo ainda que me coloco inteiramente à disposição de todos os órgãos de investigação afetos a esse caso para quaisquer esclarecimentos e, antecipadamente, disponibilizo a abertura dos meus sigilos bancário, fiscal e telefônico.

Recife, 22 de novembro de 2014,

Humberto Costa

Senador da República



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