Tópicos | Kang-Do

O filme Pietá, do diretor sul-coreano Kim Ki-Duk, estreia nos cinemas nesta sexta-feira (15) trazendo como tema central o sentimento de vingança. Kim Ki-Duk, que possui filmes premiados em vários festivais por crítica e público, como Primavera, Verão, Outono, Inverno... I Primavera e Casa Vazia, ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza de Melhor Longa-metragem em 2012, com seu décimo oitavo filme, Pietá.

O roteiro cria surpresas na narrativa. Quando menos se espera, uma reviravolta conclusiva fecha a trama apresentada, experimentando ângulos, tabus sociais e sentimentos dos personagens. Na tragédia, Kim deixa de lado o pensamento da causa sem efeitos dos seus filmes anteriores e parte para a desgraça alheia como moeda de troca.

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Pietá conta a história do protagonista Kang-Do, vivido pelo ator Lee Jung-jin. Um jovem que vive uma rotina violenta com momentos de tédio como um cobrador de dívidas no distrito industrial de Cheonggyecheon, em Seul. Dos trabalhadores que não conseguem pagar, ele usa suas próprias máquinas para mutilá-los, pois o dinheiro do seguro paga a dívida cobrada por ele. A estratégia vira rotina (há operários que já pedem para ser mutilados pensando em sacar a indenização), tornando Kang-Do ainda mais miserável.

Tudo muda quando o personagem tem seu cotidiano interrompido por uma misteriosa mulher (Mi-Son). Ela diz ser sua mãe, que o abandonou quando ele ainda era recém-nascido. Apesar da agressividade inicial, pelo sentimento de dúvida e de raiva, Kang-Do acaba se afeiçoando à mulher e tornando-a parte de seu cotidiano. Ele decide largar seu emprego e mudar de vida.

Pouco depois, sua 'mãe' é 'sequestrada'. A busca faz Kang-Do confrontar-se com seu lado perverso e aceitar a transformação da brutalidade em sentimento, passando por um doloroso processo de humanização. Após arruinar tantas famílias com suas cobranças cruéis, tornando os inquilinos aleijados, o mesmo agora tem que proteger sua 'mãe' da vingança. Desta maneira, Kang-Do acaba conhecendo o peso dos seus atos violentos.

O nome do filme faz menção a Pietá, a mais famosa escultura de Michelangelo, que reside no Vaticano e representa um Cristo morto nos braços da Virgem Maria. Não há o Cordeiro de Deus, mas um homem violento que procura pelos braços maternos a sua vida toda. Não há a Virgem Maria, mas uma mulher sofrida, obstinada pela redenção. A 'mãe' possui um segredo e joga psicologicamente com o protagonista.

O longa faz uma crítica também à especulação imobiliária em Seul, ao evidenciar o dinheiro no submundo da agiotagem. Com uma fotografia sem efeitos e filtros, a violência presente no filme é anti-estilizada, pois os estragos físicos só são vistos por detalhes ou por conseqüência, mas o ato violento é sempre filmado de maneira direta, sem cortes. Os atos de violência presentes no filme são repentinos, explosivos e surgem do silêncio, sumindo em um instante.

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