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As forças curdas do norte da Síria libertaram, nesta quinta-feira (15), mais de 600 prisioneiros sírios detidos por seus vínculos com o grupo extremista Estado Islâmico (EI) - anunciou uma autoridade da administração autônoma curda.

Essa soltura em massa se dá no contexto de uma primeira anistia geral decretada há alguns dias pelas autoridades curdas do nordeste sírio. Graças a ela, 631 presos condenados por terrorismo e que cumpriram metade de sua pena seriam libertados nesta quinta.

Dezenas de milhares de detidos suspeitos de pertencerem ao Estado Islâmico, entre eles centenas de estrangeiros de diversas nacionalidades, estão nas prisões das Forças Democráticas Sírias (FDS), vinculadas à administração autônoma curda nesta região do país.

Amina Omar, copresidente do conselho democrático sírio, declarou hoje, em coletiva de imprensa realizada em Al-Qamishli (nordeste), que "todos os que foram libertados são sírios" que colaboraram com o EI, mas "que não cometeram atos criminosos".

Segundo ele, a soltura dos prisioneiros foi alcançada por intermédio "e a pedido dos chefes das tribos árabes", que constituem a maioria da população em várias áreas controladas pelos curdos, especialmente na parte oeste da Síria.

Na frente do presídio de Alaya, nos arredores da cidade de Al-Qamishli, um correspondente da AFP viu dezenas de presos deixarem o local, alguns com sacolas, outros com um ou vários membros amputados, sob uma alta vigilância de segurança.

Eles eram esperados por suas famílias, incluindo mulheres e crianças. Desde a queda do autoproclamado "califado" do EI em março de 2019, após uma última ofensiva das forças curdas apoiadas por uma coalizão liderada por Washington, as autoridades desse território pedem aos países afetados que repatriem os extremistas presos, ou que criem um tribunal internacional para julgá-los. A maioria dos países, principalmente os europeus, mostra-se relutante em repatriar seus cidadãos.

O exército do regime sírio e as forças curdas protagonizavam nesta quarta-feira (16) violentos combates contra os rebeldes pró-Turquia na região norte da Síria, onde as forças turcas iniciaram uma ofensiva contra uma milícia curda.

Para conter o avanço das tropas turcas, as forças curdas, abandonadas por Washington, pediram ao exército de Bashar Al-Assad que entrassem em alguns setores do norte do país, sobretudo em Manbij e Ain Isa, a 30 km da fronteira.

Desde o início da ofensiva há uma semana, o exército turco e seus reforços sírios - ex-combatentes rebeldes que já lutaram pela queda do regime - assumiram o controle de uma faixa de território de 120 km na fronteira.

Nesta quarta-feira foram registrados confrontos violentos ao nordeste de Ain Isa entre o exército sírio e as forças curdas e os rebeldes pró-Turquia, afirmou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O regime e as Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas pelas forças curdas, combatem "juntas", afirmou à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Os combates acontecem perto da estratégica rodovia M4, em áreas que separam os territórios sob controle das forças curdas das zonas ocupadas recentemente pelos reforços sírios de Ancara, indicou o OSDH.

Na terça-feira, dois soldados do regime sírio morreram perto de Ain Isa, atingidos por disparos de artilharia dos rebeldes pró-Turquia.

A Rússia, grande aliada do regime de Assad, afirmou que não permitira combates entre os exércitos turco e sírio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusado de ter abandonado os curdos, anunciou que seu vice-presidente, Mike Pence, e o secretário de Estado, Mike Pompeo, viajarão à Turquia para negociar um "cessar-fogo". O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, descartou a possibilidade.

Ao mesmo tempo, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, afirmou que os campos controlados pelos curdos no nordeste da Síria, onde muitos jihadistas estão detidos, não estão ameaçados atualmente pela ofensiva turca.

Ele também afirmou que vai conversar com as autoridades iraquianas sobre a criação de um "dispositivo" internacional que permita julgar os extremistas do grupo Estado Islâmico, incluindo os franceses.

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