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Um planeta-anão de cerca de 700km de diâmetro operando em uma órbita muito distante além de Netuno foi descoberto por uma equipe de astrônomos, anunciou nesta terça-feira (12) o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) francês.

"O planeta está atualmente a 9,7 bilhões de quilômetros do Sol, mas sua órbita é muito elíptica e ele pode se afastar até 19 bilhões de quilômetros" da nossa estrela, informou à AFP o astrônomo Jean-Marc Petit, pesquisador do CNRS, que faz parte desta equipe internacional.

O Minor Planet Center (MPC) da União Astronômica Internacional (UAI) acaba de conceder-lhe o status de planeta anão. Este serviço responsável pela recolha de informações sobre objetos menores (cometas, asteroides) do sistema solar deu um nome provisório ao planeta em questão, 2015 RR245.

Observações adicionais devem contribuir para aperfeiçoar a avaliação do tamanho e sua composição.

O objeto celeste RR245 foi detectado através de observações feitas em setembro com o telescópio Canadá-França-Havaí (CFHT) instalado em Mauna Kea, no Havaí, como parte do programa internacional "Origem do Sistema Solar Externa" (Ossos).

Em fevereiro, o astrônomo canadense John Kavelaars detectou pela primeira vez o RR245 nas imagens do Ossos.

"Ele estava lá na tela --- esse ponto de luz se movendo tão lentamente se deveria estar, pelo menos, duas vezes mais longe do Sol do que Netuno", explica Michele Bannister, da Universidade de Victoria, em Columbia, citado em uma declaração do CFHT.

Astrônomos europeus e sul-americanos, incluindo vários brasileiros, fizeram a observação mais detalhada até agora do planetoide Makemake e descobriram que ele, ao contrário do que se esperava, não tem atmosfera.

Pouco conhecido do público em geral, Makemake é um dos cinco planetas-anões do sistema solar, segundo as novas regras de classificação de objetos celestes aprovadas pela União Astronômica Internacional em 2006 - na polêmica conferência em que Plutão foi "rebaixado" da categoria de planeta. O outros "anões" são Ceres, Haumea e Éris, além do próprio Plutão.

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Essencialmente, Makemake é uma bola de gelo que orbita o Sol muito além da órbita de Netuno. Ele foi descoberto em 2005, mas pouco se sabia a seu respeito. Até que, no dia 23 de abril de 2011, pesquisadores de 12 observatórios (5 deles no Brasil) resolveram apontar seus telescópios para ele. A data foi escolhida por causa de um fenômeno muito específico e raro, chamado ocultação estelar, que ocorre quando um planeta passa diretamente na frente de alguma estrela distante, causando um eclipse.

Além de determinar que Makemake não tem atmosfera, a observação desse eclipse de vários ângulos, por meio de vários telescópios, permitiu medir o tamanho do planetoide com grande precisão. Os pesquisadores concluíram que Makemake é uma esfera ligeiramente ovalada, com um diâmetro de 1.430 quilômetros - com uma margem de erro de 9 km para mais ou para menos - , quase dois terços do tamanho de Plutão e Éris. "É um grau de precisão incrível", diz o pesquisador Roberto Vieira Martins, do Observatório Nacional, um dos 15 autores brasileiros do estudo, publicado na edição de hoje da revista Nature.

A principal contribuição científica do País, segundo ele, foi na previsão do eclipse, que envolveu vários observatórios nacionais. "Estamos falando de uma coisa muito pequena, passando na frente de outra coisa muito pequena. É muito difícil de prever."

No final, sete telescópios conseguiram registrar o eclipse; seis no Chile e um no Brasil: o Carl Zeiss, de 60 cm de diâmetro, no Observatório Pico dos Dias, do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), em Minas Gerais. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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