Tópicos | Tyler Perry

Estar sob o microscópio de David Fincher (Clube da Luta, A Rede Social) deve ser um pesadelo. O diretor americano é um ser humano isolado, só pode ser, porque a maneira com a qual ele escolhe um assunto e o analisa é tão fria e precisa é de outro planeta. Em Garota Exemplar, ele escolhe assuntos como casamento, personalidades, mídia e desejo, e os abre como um cientista dissecando um corpo morto. O que ele tira lá de dentro é um filme espetacular, um suspense extremo que faz seu coração bater forte sem a necessidade de disparar uma bala ou ter uma perseguição de carros. 

Os momentos mais tensos do filme - que é adaptado do romance de mesmo nome da escritora Gillian Flynn - vem de coisas simples dentro da estrutura narrativa como a narração de uma personagem. As reviravoltas não são revelações de mudar o mundo, elas vêm de decisões dos personagens, todos profundos e com segredos ocultos. A história gira em torno do casal Nick (Ben Affleck) e Amy (Rosamund Pike). O marido é um jornalista que se deu mal na crise financeira e agora gerencia um bar em sua cidade natal, e a esposa é uma escritora cujos pais transformaram numa personagem de livros infantis "Amazing Amy" e ganharam fama com isso.

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O seu casamento começou bem, mas nos últimos meses tem desandado, a situação piora quando na manhã do seu quinto aniversário juntos, Amy desaparece. Apesar de estar se esforçando para encontrá-la, a mídia e a pequena cidade onde moram viram os olhos para Nick e uma série de acontecimentos o leva à posição de suspeito principal. Ir mais adentro nessa história seria um crime, e evitar todo e qualquer tipo de spoiler é primordial para desfrutar da experiência completamente. Como todo e qualquer bom suspense, Garota Exemplar é repleto de reviravoltas imprevisíveis, que renovam a atenção do público diversas vezes durante as 2h25 de filme. 

Felizmente, os momentos de surpresas são dirigidos pelos personagens, por um enredo que governa suas ações ou coincidências necessárias para avançar a narrativa. Tudo que acontece em Garota Exemplar vem das decisões de Nick e Amy e o Fincher se diverte com isso. O diretor adora cavar mais e mais nas personalidades de seres humanos e encontrar suas falhas e suas máscaras, descobrir o que em sua vida é uma história e quem é a verdadeira pessoa debaixo de toda aquela maquiagem. Aqui, ele aplica isso tudo ao casamento. É uma visão cética, que pega um dos melhores cenários na vida humana e vira de cabeça pra baixo, e então Fincher vira de novo, e mostra a verdade feia, nua e crua. Durante todo o tempo, ele te desafia a continuar acompanhando, e você cede, porque as garras do roteiro - também escrito pro Flynn - estão fincadas na sua espinha.

A direção de Fincher é impecável aqui, e em Garota Exemplar ele consegue fazer brincadeiras arrepiantes com imagens. A forma com a qual ele usa coisas fundamentais do cinema, como corte e palheta de cores, é o tempero em cima do filme. Há um certo momento em que ele corta de um flashback de volta para o presente, e é impossível não notar o contraste. Ele é um gênio do mal, porque faz você sorrir com o calor e então revela que é tudo uma ilusão, te jogando de volta no frio e solidão. Há uma cena em especial, mostrada logo no começo do primeiro ato, e então repetida no final, que se torna aterrorizante no novo contexto.

O elenco aceitou o desafio e essa potente história com certeza energizou todos. Carrie Coon, que fez um ótimo trabalho na primeira temporada de The Leftovers, da HBO, faz a irmã de Nick. Ela tem um grande amor pelo irmão, mas não aceita mentiras ou enganações. Não vai ser surpresa vê-la em mais produções de grande porte depois de sua atuação este ano. Outro que com certeza chamará atenção de muitos diretores é Tyler Perry, seu personagem, um advogado de defesa, é charmoso e divertido, um pequeno brilho no meio de um mundo em trevas. O único ator coadjuvante aqui que falha em se elevar ao nível dos outros é Neil Patrick Harris, responsável por interpretar um ex-namorado de Amy. Sua atuação é repetitiva, e ele não consegue trazer a verdadeira face do personagem à tona sem parecer alguém de um desenho animado perturbado.

Entretanto, o holofote é totalmente de Nick e Amy. Quem duvidou da capacidade de Ben Affleck como um ator será convertido após assistir Garota Exemplar, ele se encaixa perfeitamente no papel e entrega a melhor atuação de sua carreira. Affleck não incorpora o personagem, ele se torna o personagem, vindicando cada ação e decisão. Rosamund Pike é ainda melhor, a Amy que ela traz à vida vai revelando mais e mais camadas profundas durante toda a história, e cada vez que o roteiro demanda mais da atriz, ela se supera e toma o filme para si, exclamando que o espetáculo é dela, e de fato, ele é.

Garota Exemplar não é um filme fácil, é um filme que desafia o espectador a acreditar no pior, e se ele decidir que não acredita, Fincher vai lá e estampa a realidade na tela, filmando-a como um observador silencioso, cujo objetivo é estudar o psicológico humano em seus momentos mais verdadeiros, não importando o quão sujo ele é. 

O cineasta americano Tyler Perry decidiu homenagear as mães solteiras em "The Single Moms Club" (ainda sem título em português), uma comédia dramática que se enquadra na tendência recente em Hollywood de fazer filmes exclusivamente protagonizados por mulheres. Três meses depois de sua comédia de sucesso "A Madea's Christmas", Perry - que estreia dois ou três filmes por ano - escolhe uma questão mais séria antes de tomar uma licença temporária do cinema.

"Durante os próximos dois anos, vou me concentrar exclusivamente na televisão. E quero terminar com algo que irá inspirar e incentivar muitas pessoas", declarou ele recentemente em uma coletiva de imprensa em Beverly Hills. "The Single Moms Club", que estreia nesta sexta-feira nos Estados Unidos, reúne cinco mães solteiras de origens muito diferentes, cujo único ponto em comum é ter seus filhos na mesma escola.

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Mas quando seus filhos são pegos fumando e pintando as paredes da escola com grafite, as mães precisam organizar um leilão beneficente para evitar a expulsão dos adolescentes. Como acontece em qualquer comédia de Hollywood para o público em geral, a experiência será "transformadora" e forçará as cinco "mãe-coragem" se conhecerem e respeitarem e, finalmente, ajudar umas as outras.

Perry, roteirista, diretor, produtor e intérprete em todos os seus filmes, escreveu "The Single Moms Club" pensando em sua tia, que criou quatro filhos sozinha. "Nunca teve um dia de licença doença e nunca pediu nada a ninguém", relata.

"Esta é a minha homenagem a ela e a todas as mães solteiras", disse. "Mas vamos ser claros, isso não é um filme do tipo 'Pobre de mim, meu Deus, eu sou uma mãe solteira!'. Este é um filme sobre as mulheres que fazem a coisa certa para os seus filhos, e vencem".

Mulheres protagonistas, sucesso de bilheteria

Tyler Perry reuniu um elenco eclético, formado por Amy Smart, Nia Long, Cocoa Brown, Zulay Henao e Wendi McLendon-Covey. Esta última esteve no elenco de "Missão Madrinha de Casamento", a comédia de Paul Feig que foi um sucesso de bilheteria nos Estados Unidos em 2012, deixando claro aos estúdios de Hollywood que os filmes estrelados por mulheres podem ser um negócio de centenas de milhões de dólares.

Vários exemplos de sucesso foram lançados desde então, da comédia "As bem-amadas", com Sandra Bullock e Melissa McCarthy, à odisseia no espaço "Gravidade", o filme de Woody Allen "Blue Jasmine" e ainda a saga de "Jogos Vorazes".

"The Single Moms Club", embora mais modesto, e às vezes caricatural, certamente se encaixa nessa tendência. Seu diretor admitiu um carinho especial para com as personagens femininas. "Eu amo escrever para as mulheres, porque elas não têm medo de ser vulneráveis, de rir e chorar. Sim, eu prefiro escrever para elas do que para os homens", disse.

Perry, que construiu um verdadeiro império produzindo filmes e séries voltados para a comunidade negra nos Estados Unidos, estreou nos palcos, e é conhecido por criar a personagem Madea, uma avó desastrada que já resultou em vários filmes.

O cineasta, que produziu e dirigiu todos os seus filmes e séries de televisão em seu próprio estúdio em Atlanta (Geórgia, sudeste dos Estados Unidos), tem um acordo com a televisão de Oprah Winfrey, OWN, que fornece duas séries para garantir a rentabilidade da cadeia.

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