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Uma conferência internacional de luta contra as drogas reunida na Malásia fez um apelo nesta quarta-feira para a ONU publicar um documento de trabalho que propõe descriminalizar o consumo pessoal de entorpecentes.

A publicação deste documento por parte do milionário britânico Richard Branson, favorável à descriminalização do consumo e integrante de uma comissão mundial sobre a política de drogas, desencadeou uma polêmica.

O Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC em inglês) apresentaria o documento na conferência de Kuala Lumpur, mas por fim desistiu alegando que não se tratava de um "documento final".

No entanto, 500 delegados de todo o mundo, de profissionais da saúde, pesquisadores e militantes sociais, pediram que as recomendações deste documento sejam aprovadas.

"O amplo apoio de nossos delegados às recomendações da ONUDC a favor de uma descriminalização deve incitá-los a abrir o caminho neste tema e a publicar o documento em sua forma atual", disse Rick Lines, responsável da Harm Reduction International, a ONG que organiza a conferência.

O documento da ONUDC sustenta que o consumo pessoal de drogas pode reduzir em vários milhões o número de pessoas detidas no mundo.

Uma descriminalização poderia reforçar a luta contra a Aids e outras doenças e reduzir as tensões nas prisões, diz o documento.

"A guerra contra as drogas fez muitos danos a muita gente", afirmou Branson ao divulgar o relatório em seu blog.

Este documento "pode ser uma guinada que pode conduzir finalmente ao fim da penalização inútil dos consumidores de drogas no mundo", acrescentou.

Por sua vez, a ONUDC disse que houve uma "má compreensão lamentável sobre a natureza e o objetivo deste trabalho".

"A ONUDC desmente com vigor ter recebido pressões para retirar o documento", indicou um documento do escritório da ONU.

"Não é possível retirar um documento que ainda não está pronto", acrescentou.

A Assembleia Geral da ONU deve organizar em abril uma conferência sobre a luta contra as drogas.

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