Tópicos | José Andres Murillo

Uma das vítimas do escândalo de pedofilia no Chile se encontrou com o papa Francisco neste sábado (28) e afirmou que o pedido de perdão do Pontífice "não é suficiente".

A conversa entre o líder da Igreja Católica e José Andres Murillo, que chegou no Vaticano ontem (27), aconteceu duas semanas depois do Papa admitir que cometera "graves erros de avaliação" sobre as denúncias de abuso sexual no país.

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"Falei por duas horas com o Papa. De maneira muito respeitosa e franca, expressei a importância de entender o abuso como um abuso de poder e a necessidade de assumir responsabilidade, atenção e não apenas perdão", explicou Murillo em uma publicação no Twitter.

O chileno e outros dois - Juan Carlos Cruz e James Hamilton - são vítimas de pedofilia por parte do padre Fernando Karadima, 87 anos, condenado pelo próprio Vaticano por violência sexual contra menores. Além disso, os três acusam o bispo de Osorno, Juan Barros, 61, de ter acobertado os casos.

Em janeiro, Jorge Mario Bergoglio visitou o Chile e chegou a dizer que as denúncias contra Barros eram "calúnias", o que provocou a ira das vítimas e críticas até do cardeal Sean O'Malley, líder da comissão antipedofilia criada pelo pontífice.

No entanto, durante seu retorno a Roma, Francisco pediu desculpas por ter contestado os relatos das vítimas, e, pouco depois, mandou o arcebispo de Malta, Charles Scicluna, para aprofundar as investigações. Depois de ler um relatório produzido pelo religioso de 2,3 mil páginas, com depoimentos de 64 vítimas e parentes de pessoas afetadas por casos de abuso sexual, o Papa reconheceu que subestimara as denúncias e convidou Cruz, Hamilton e Murillo para uma reunião. "Espero apenas que seja útil, que ajude a mudar o que é necessário para que o mundo seja um lugar onde se possa cuidar dos outros, acompanhar e não maltratar. E que a Igreja Católica seja aliada e não esteja entre aqueles que abusam", finalizou Murillo.

Até o momento, o Papa não tomou nenhuma ação concreta relativa ao Chile e não se pronunciou mais sobre o caso específico de Barros. Ontem (27), o Vaticano afirmou que nenhuma informação oficial sobre as conversas será divulgada, por "expresso desejo" de Francisco. Entenda o caso Os casos de pedofilia envolvendo Fernando Karadima começaram na década de 1980, quando Juan Barros era seminarista e homem de confiança do padre. Além disso, era secretário particular do então arcebispo de Santiago, Juan Francisco Fresno.

Juan Carlos Cruz, vítima de Karadima, garante que Barros o viu ser abusado pelo padre. "Como se eu pudesse ter feito uma selfie enquanto Karadima abusava de mim com Barros em pé ao lado dele, vendo tudo", ironizou Cruz após as declarações do Papa no Chile de que não havia provas contra o bispo, que nega as acusações.

Os denunciantes de Karadima ainda afirmam que Barros, no papel de secretário do arcebispo de Santiago, ignorava as acusações contra o padre. 

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