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A cultura popular pernambucana perdeu mais um de seus mestres. O coquista Zé Amâncio do Coco faleceu, na última sexta (14), aos 85 anos, em decorrência de uma insuficiência cardíaca e respiratória. A notícia foi compartilhada pelo perfil do músico Maestro Forró, filho de Amâncio do Coco, neste sábado (15). 

Zé Amâncio do Coco era nascido em Aliança, na Zona da Mata de Pernambuco, mas vivia na capital do estado desde a década de 1950, quando mudou-se para o bairro da Bomba do Hemetério, na Zona Norte do Recife. Considerado um dos grandes coquistas da tradição pernambucana, ele era um dos únicos que ainda disseminava a técnica do pandeiro e do improviso no repente, nos dias de hoje. 

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O artista foi um dos grandes influenciadores de outro nome de peso da cultura pernambucana, o Maestro Forró, seu filho. Foi com o pai que Forró começou sua trajetória como músico, acompanhando-o em apresentações com apenas cinco anos de idade. O enterro do mestre Zé Amâncio aconteceu neste sábado (15), no Cemitério de Santo Amaro, região central do Recife. 

Tomaz Aquino Leão fez sua primeira embolada aos nove anos, na beira do fogão de sua mãe, na casa onde moravam em Bom Conselho de Papacaças - Agreste pernambucano. Desde então, não parou mais de embolar; tendo passado por importantes programas da televisão nacional e principais palcos do Brasil, tornou-se o Mestre Galo Preto - hoje reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco. Agora, aos 82 anos de idade, mais de 70 de carreira, Galo Preto entrou no estúdio para gravar seu primeiro CD e deixar registradas, para esta e futuras gerações, sua arte e grande sabedoria musical.

O disco, com previsão de lançamento para novembro deste ano, terá 12 faixas autorais que trazem o autêntico coco, com direito a arranjos feitos apenas com pandeiros, sanfona e o tradicional coco de trava língua, difícilmente executado hoje em dia. Para a gravação deste trabalho, Galo Preto se rodeou de jovens músicos e, conta também, com a parceria das filhas e de uma sobrinha. O Mestre conversou com o Portal LeiaJá sobre esta fase da carreira e sobre os planos futuros.

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LJ - Mestre, já são 73 anos fazendo coco. O senhor já fez muitas coisas, não é?

Alguma coisa, né? Minha primeira música eu fiz com nove anos de idade. Minha mãe estava matando uma galinha e eu fiquei perguntando os nomes dos pedaços, que na época a gente chamava de 'taco'. Quando ela terminou eu fiz a embolada da pinta: 'eu nunca vi uma pinta daquela, a minha mãe matou a pinta pra fazer a cabidela'. Tempos depois, eu cheguei em Garanhuns e me descobriram. 

LJ - O senhor chegou a ficar um tempo parado, mas voltou pra música. Qual o motivo?

Eu passei um tempo fora de ação, eu não queria nem cantar mais - não houve um motivo específico - , mas fui obrigado. Eu não queria, mas o povo queria. E quando eu voltei, subi no palco sem nem saber o que ia cantar. Mas eu sou repentista e o repente é um dom de Deus.  

LJ - Depois de toda esta trajetória, aos 82 anos o senhor está gravando o seu primeiro CD. Era um sonho seu?

Eu perdi muito tempo sem gravar porque eu gravava muito jingle político. Até uns sete anos atrás, os candidatos se valiam dos repentistas e dos cantadores para fazer a propaganda política. E eu fiquei o tempo todo envolvido em fazer isso e não me liguei na gravação. Agora, eu com 82 anos e ainda aparecer alguém patrocinando uma gravação pra mim (o CD está sendo patrocinado pelo programa Rumos Cultural do Itaú), é uma boa oportunidade pra eu deixar o meu trabalho aí para os meus seguidores. 

LJ - O senhor está cercado de músicos muito jovens. Como é esta convivência entre gerações?

É boa e é onde eu me sinto bem. O que eu sei, eu estou deixando para os que estão chegando agora. Então eles podem herdar esta raiz e começar a explorar. Por exemplo, Jackson do Pandeiro, tem muita gente ganhando em cima dele; Luiz Gonzaga, muitos gravam Luiz Gonzaga e ganham também. É isso que vai acontecer na linha do coco com o Galo Preto e outros que já se foram. Como Selma do Coco e Zé Neguinho, já se foram, mas deixaram um trabalho. E eu vou deixar o meu também.

LJ - O que o senhor acha da nova geração do coco, dos grupos atuais que estão aparecendo?

Todo pessoal que faz coco, geralmente é coisa que vem dos avós, dos pais, está no sangue. Estava muito parado porque não havia incentivo. Agora o coco tomou impulso, graças a Selma do Coco que gravou aquela música (A Rolinha) que caiu na graça do povo, aí acordou o coco. O coco estava dormindo e Selma acordou. Agora, está havendo por aí muita imitação, muita coisa que não é autêntica. Mas não deixa de ser coco.  

LJ - E finalizando o CD, quais os próximos projetos?

Vou fazer um lançamento em São Paulo e um aqui no Recife. E daí, vamos ver o que vai acontecer. Se alguém me convidar pra uma turnê... Eu já venho fazendo uns shows por aí. 

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