Tópicos | Missão em 2018

A passagem do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) pelo Recife, nesta sexta-feira (6), foi marcada por polêmicas. Convidado para debater sobre a revogação do Estatuto do Desarmamento na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) pelo deputado estadual Joel da Harpa (PROS), o assunto da audiência pública que contou com a presença do parlamentar fluminense passou longe disso e se transformou em palco para a defesa dos ideais políticos pregados pelo deputado.

Tratado como pop-star por movimentos como o Direita Pernambuco, Bolsonaro aproveitou a passagem pelo Estado para defender a reforma política, a legalização do porte de armas, a abertura do Estado para as formas de regimento militar, o fim da política de gênero e o impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

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"Nós tiraremos o PT, se não antes, em 2018. Mas temos que aprovar a reforma política. É preciso que tenha uma cédula para o voto escrito ao lado da urna. Se não for assim, o PT vai conquistar a reeleição fraudando os votos", observou. "O caminho da esperança e da liberdade estará seriamente golpeado, caso isso não aconteça", acrescentou.

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Apesar das galerias da Alepe estarem cheias de militares e membros do Exército, o parlamentar também foi encarado como "facista" pelos que condenam seus discursos. Ao deixar a Casa, ele foi surpreendido por um grupo com cerca de 30 militantes que carregava cartazes e diparava palavras como "homofóbico", "machista" e "fora Bolsonaro". Ovos também foram atirados em direção a Jair Bolsonaro, mas ele não foi atingido. Seus apoiadores o defenderam e levaram a discussão contra os militantes da União da Juventude Socialista (UJS), dos partidos dos Trabalhadores (PT) e Socialismo e Liberdade (PSOL) e, até mesmo, policiais civis e militares para as ruas.

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Candidato em 2018

Em coletiva a imprensa, antes da audiência, Bolsonaro afirmou que pretende ser candidato à presidência da República em 2018 e para isso deve deixar o Partido Progressista, da base da presidente Dilma, para ingressar no PSC. 

“Não devo obediência a partido nenhum. O PSC está analisando até onde eu posso ajudar o partido. Assim eu acho que deve ser feita a política, pois tem coisas que não negócio. Jamais eu faria uma possível campanha, eu não posso falar que estou em campanha porque eu serei multado pelo TRE, mas espero ser uma missão para 2018″, afirmou. Apesar da convicção de que deverá entrar no pleito, o parlamentar disse que não fará isso se for para ser “um candidato como outro qualquer”. “Ou chega-se, no meu entender, com independência, ou eu vou cuidar da minha vida”, acrescentou.

Indagado sobre a postura do vice-líder do governo, deputado Silvio Costa (PSC), que encontrará no partido, Bolsonaro foi direto. “Sou daquela linha, os incomodados que se retirem. Dentro do PSC ele é uma ovelha negra. Ele não é problema para mim”, disse. 

Eleito em 2014 com a maior votação para deputado federal pelo Rio de Janeiro, o parlamentar considera ter um “mandato vitalício” no seu estado, mas deixou clara a pretensão de “trocar isso pela possibilidade de, por ocasião de debate, mostrar ao povo brasileiro que o Brasil é muito maior que Pronatec e Bolsa Família”.

Além de reforçar a postulação, o fluminense aproveitou o momento para criticar a conjuntura nacional política e dizer que a crise vigente é resultado da má administração do PT e da forma como se deixou “saquear” a Petrobras.  O deputado argumentou que os pernambucanos “não podem ter Lula como exemplo” e chamou o ex-presidente de “mentiroso de carteirinha”. 

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Com relação a presidente Dilma, a avaliação do progressista manteve a linha dura. Ele chegou a dizer que preferia o ex-traficante e um dos fundadores do Comando Vermelho, Fernandinho Beira-Mar, à presidente da República. “Eu prefiro Fernandinho Beira-Mar do que Dilma Rousseff. Eu explico: o Beira-Mar mexe com o quê? Com drogas. Ou mexia. O PT, ao se associar a Farc, inclusive o Lula há poucos anos disse lá fora, aconselhando as Farc a formarem um partido político e fazerem o que fizeram no Brasil criando o PT. O PT veio de grupos terroristas formados no passado”, acusou.

Conhecido por suas posturas favoráveis ao período da Ditadura Militar (1964-1985), Bolsonaro se mostrou saudoso a época e condenou a onda de violência vivida atualmente no país. "Na época do Regime Militar, você comprava armas na Mesbla (loja de departamento falida) e não tinha a violência que tinha hoje”, cravou.

O parlamentar também aproveitou o momento para se colocar contra a política de gênero. "Eu não sou contra os homossexuais. Sou contra o Kit Gay. Hoje o governo brasileiro está preocupado com quem as crianças vão ficar, enquanto no Japão as crianças resolvem operações matemáticas complexas", disse. "Se eu for presidente, meu ministro será um general que tenha comandado uma escola militar", acrescentou. 

Durante a coletiva, o parlamentar também se posicionou sobre outros assuntos. Veja:

Avaliação do sistema prisional brasileiro

“A barbaridade não é dentro do presídio. É junto ao cidadão de bem aqui fora. Se tivermos poucos recursos primeiro vou investir em educação e hospitais. Não levar o terror junto ao cidadão de bem. A cadeia é um local que não é para recuperar é para retirar o canalha da sociedade. É fazer com que o canalha não estude mais. É uma lástima a cadeia pública brasileira. Duvido que alguém queira assumir um presídio privatizado. Mas sou daqueles que defende o discurso: prefiro a cadeia cheia de marginais do que um cemitério cheio de mortos."

Revogação do Estatuto do Desarmamento

"Entendo que todo cidadão de bem tem que ter posse de arma para pelo menos garantir a paz. E vou mais, no que depender de mim, caso tenha poderes um dia os agricultores e proprietários rurais terão direito da ter fuzis. Propriedade privada é prioridade para mim. A sua fazenda, chácara ou sítio é teu, é sagrado. Não podemos permitir que marginais do MST invadam a sua propriedade, depredem a sua casa ou comam o seu gado. Marginal tem que ser tratado desta forma, como existe no estado americano."

Políticos corruptos são marginais

"Não tenha duvida que sim. Entendo que a violência existe não só por parte dos marginais que estão nas ruas, mas também por causa de alguns que estão no legislativo que fazem a mesma coisa. Jamais vou falar de um discurso de deixar de existir a corrupção. Infelizmente ela vai continuar, mas aos níveis que estão neste momento é demais. Aqueles que praticam esses crimes, nem tanto é verdade, como os delatores cometeram crimes menores, devolveram milhões e milhões aos cofres públicos, defendo uma pena pesada". 

Violência contra a mulher

"A grande violência contra a mulher é a questão do estupro. Tenho dois projetos que tratam deste caso em Brasília. Um fala da castração química para o agressor e o outro defende os vulneráveis, menino ou menina menor de idade. Mas a intenção do governo [com o tema da redação do ENEM] é tentar desgastar os valores sociais. Para o PT interessa a deseducação". 

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