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Cerca de nove meses após a morte de Tom Veiga, intérprete do Louro José que foi encontrado morto em sua residência em novembro de 2020 aos 47 anos de idade, a Polícia Civil do Rio de Janeiro parece ter chegado à conclusão de que a morte do artista foi causada exclusivamente por causas naturais e sugeriu ao Ministério Público o arquivamento do inquérito, de acordo com informações obtidas pelo jornal O Globo.

A morte de Tom Veiga foi marcada por diversas polêmicas envolvendo sua ex-esposa e a sua atual companheira, além de boatos de pedido de exumação do corpo e acusações de agressão e envenenamento. Apesar disso, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) indica que a causa da morte foi, como divulgado inicialmente, um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico - frequente causado por um pico elevado de pressão arterial:

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Ante o exposto, de acordo com os exames técnicos, conclui o perito criminal ter ocorrido, no local objeto de exame, uma morte sem sinais de violência, ficando para provas testemunhais, investigação policial e laudo cadavérico a elucidação em definitivo do fato.

O relatório final do inquérito, por sua vez, indica a ausência de elementos informativos que contrariem o laudo do órgão público, e sugere que as investigações sobre o caso sejam encerradas:

[Foram] esgotadas todas as diligências possíveis, sem existirem outros indivíduos a serem intimados para depor, ou qualquer outro trabalho de Polícia Judiciária que pudesse, pelo menos em tese, trazer algum subsídio de relevância à apuração da presente investigação.

Outras evidências coletadas pela Polícia foram relatos de conflitos que, nas palavras do delegado responsável pelo caso, não apresentaram nada de relevante interesse criminalístico ou que demandasse maior atenção, além de menções aos hábitos de ingestão excessiva de bebida alcoólica e cigarro pela vítima. Além disso, um representante da empresa de monitoramento responsável pelas câmeras da residência negou qualquer anormalidade no local, apesar da impossibilidade de armazenamento das imagens graças a não-conclusão dos equipamentos.

Será que essa história finalmente chegou ao fim?

Durante a reunião ordinária virtual da Câmara do Recife nesta segunda-feira (10), o vereador Dilson Batista (Avante) se posicionou sobre a operação policial na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, que acabou com 27 pessoas assassinadas.

"Os que morreram eram marginais. Não vou dizer que houve chacina, mas uma faxina, em Jacarezinho. Eram todos marginais que traficam droga e que atiraram na polícia. Atiraram a sangue frio no policial André Frias, que estava ali não só como um braço do Estado, mas para cumprir sua obrigação de segurança publica”, afirmou.

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O vereador Ivan Moraes (PSOL) criticou a adjetivação de “faxina”. “Aqui na Câmara há parlamentares que estão tratando esse caso como faxina, como limpeza. Mas, eu quero lembrar que nós, quando tomamos posse, juramos defender a Constituição. E quem a defende a Constituição tem que defender o Estado de Direito. Não podemos achar normal ou defender a execução sumária. O que houve foi execução sumária”, disse. 

Ivan ressaltou que, politicamente, pode-se discutir o ocorrido pela ótica do racismo institucional. “As corporações policiais foram formadas para defender uma elite. Policiais negros são colocados em situação de perigo e lutam contra outros negros, que moram em favelas. A guerra contra as drogas é justificada para matar moradores da comunidade, bandidos, policiais e traficantes. Mas uma operação como aquela não ocorre no Leblon ou na Avenida Boa Viagem”, salientou.

A vereadora Liana Cirne (PT) manifestou a sua preocupação como esse debate foi colocado “aqui na Câmara por alguns colegas”. Ela ressaltou que foi dita “a expressão faxina, no lugar de chacina, e que a operação só matou bandidos”. Cirne pediu para se refletir sobre “a gravidade do que foi colocado aqui”. 

O vereador Marco Aurélio Filho (PRTB) disse que está preocupado “com a inversão de valores” diante da operação da Polícia Civil realizada na favela Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro. “Até agora, não vi a imprensa ou casas parlamentares como esta se colocando no lugar da polícia. Em nenhum momento vi ninguém fazendo a defesa da Polícia Civil”, reclamou.

Operação letal

A Polícia Civil do Rio de Janeiro alega que, tirando o policial, todos os outros mortos na operação eram "bandidos", mas não deu detalhes de quem são essas pessoas. A operação, que foi de encontro a determinação do Supremo Tribunal Federal, que proibiu operações policiais no Rio de Janeiro durante a pandemia da Covid-19, está sendo investigada pelo Ministério Público Federal, que exigiu esclarecimentos sobre a ação e as mortes executadas. A operação é considerada a mais fatal da história do Rio de Janeiro. 

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