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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o discurso alusivo ao Dia do Trabalhador, em evento das centrais sindicais em São Paulo, para passar novamente o recado de que não concorda com a privatização da Eletrobras. Além disso, afirmou ser necessário "voltar a recuperar a Petrobras".

"Se a Eletrobras for privatizada, nunca mais vai ter um programa como o Luz para Todos, que levou energia para os mais pobres", disse. Na semana passada, o ex-presidente já havia dito que, se eleito, não permitiria a privatização de estatais como a Petrobras, Eletrobras, Correios e Banco do Brasil.

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Ele focou o discurso nos problemas econômicos atuais, sobretudo a inflação alta e a perda de renda do trabalhador em consequência disso. "Temos que fazer uma luta incomensurável para reduzir a inflação e transformar inflação em aumento de salário para que o povo possa comer e viver melhor nesse País", disse, afirmando que pegará "um país destruído" (em caso de eleição).

Ele ainda afirmou que, se eleito, pretende regulamentar o trabalho dos entregadores por aplicativo que, segundo ele, precisam ter acesso a seguro saúde e descanso semanal remunerado. Disse também que quer chamar trabalhadores para discutir mudanças na aposentadoria e em benefícios.

O terceiro Plano de Metas de São Paulo deverá ser elaborado por uma consultoria terceirizada. O prefeito eleito João Doria (PSDB) quer repassar a função de definir as ações que seu governo pretende implementar ao longo dos próximos quatro anos à iniciativa privada. A ideia, por enquanto, é convocar a firma global McKinsey & Company para o trabalho, que deve ser apresentado até 31 de março.

Incluída como emenda à Lei Orgânica do Município, a obrigatoriedade de se apresentar tal plano já foi cumprida pelos prefeitos Gilberto Kassab (PSD) e Fernando Haddad (PT). As metas, por lei, devem ser definidas em parceria com a sociedade. Isso inclui a realização de audiências públicas temáticas e regionais, além da criação de um mecanismo transparente e aberto de acompanhamento, como um portal online.

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Se optar mesmo por terceirizar o cumprimento da lei à McKinsey ou qualquer outra consultoria de gestão (há conversas em andamento também com a Falconi), Doria terá de abrir dados internos da Prefeitura à empresa escolhida. Isso porque o Plano de Metas deve estar alinhado ao orçamento municipal, com previsão de recursos para cada meta.

Por enquanto, o assunto tem sido tratado ao longo do processo de transição com cautela, mas também com preocupação. Vitoriosos no primeiro turno, Doria e sua equipe ainda não estão totalmente familiarizados com o tema e as exigências da participação popular. O desconhecimento do processo e o prazo apertado - a lei determina que a primeira versão saia em até 90 dias -, favorecem a ideia da terceirização.

Mês passado, durante evento com a imprensa, Doria chegou a afirmar que estava estudando a melhor forma de apresentar suas metas. Segundo o tucano, não faz sentido firmar compromisso que não será cumprido.

Aliados do prefeito eleito afirmam que isso significa que a lista de metas da futura gestão deverá ser "enxuta", até para evitar o constrangimento de chegar ao fim do governo com um baixo índice de sucesso. Haddad, por exemplo, cumpriu 49,6% de suas metas até agora.

Repercussão.

A McKinsey não comentou o possível acordo com a futura gestão. Seu trabalho seria gratuito. Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, a decisão de terceirizar o Plano de Metas é, no mínimo, inusitada. "De cara, a impressão que dá é que a Prefeitura vai abrir mão de construir um plano com a sociedade e optar por um modelo técnico, fechado."

Idealizadora do formato, a Rede Nossa São Paulo informou que a lei não veda a possibilidade de se contratar uma consultoria. João Doria é esperado hoje em evento da Rede justamente para discutir o conteúdo do Plano de Metas - e receber sugestões de 70 entidades. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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