Tópicos | Lamia

Na madrugada dessa terça-feira (2) um ônibus caiu cerca de 150 metros de um barranco na Bolívia, causando 21 mortes e deixando mais de 20 feridos. Um dos sobreviventes é Erwin Tumiri, um boliviano que estava no vôo da LaMia, cujo acidente matou 71 pessoas, entre eles, os jogadores da Chapecoense, em 2016, na Colômbia. Apenas ele e outras cinco pessoas sobreviveram na ocasião.

O veículo capotou em uma rodovia próximo a cidade de Ivirgarzama, na Bolívia e Erwin Tumiri estava a caminho do trabalho. Ele é técnico de aviação e deu entrevista aos meios de comunicação bolivianos contando como respondeu ao acidente de ônibus. “O ônibus estava rodando, aí eu agarrei o banco da frente, sabia que íamos bater porque viajávamos em alta velocidade. Continuei agarrado, não soltei até atingirmos o solo".

##RECOMENDA##

Tumiri relatou ainda que, após o acidente, se arrastou para fora, com o joelho machucado, e ficou dizendo para si mesmo: “De novo, não posso acreditar”.

O boliviano teve apenas uma lesão no joelho e arranhões nas costas. "Eu me sinto abençoado, sempre dando graças a Deus”.

A justiça negou o pedido de indenização feito pela familia do ex-zagueiro Felipe Machado, morto no acidente de avião da Chapecoense em 2016. A informação foi publicada pelo Lance nesta terça-feira (28).

Segundo a publicação, a juiza Bárbara Schonhofen, da 3° vara do Trabalho de Gravataí da Quarta Região, no Rio Grande do Sul, negou por completo os pedidos da família que chegavam ao valor de 3 milhões de reais. A decisão foi que o pedido era improcedente. A família de Felipe ainda pode recorrer.

##RECOMENDA##

Além do pedido que incluía a remuneração e direitos de imagens do ex-atleta a família também solicitou correção monetária sobre os valores que foi negada pela juíza.

"Inexistiam, à época do acidente, quaisquer indícios de risco de vida, mesmo porque - a partir das conclusões que demonstram a causa determinante como sendo a falta de combustível -, caso não houvesse a necessidade de alteração de rota, para que se aguardasse o pouso de outra aeronave em estado de emergência, a viagem teria sido concluída", disse a juíza na decisão.

A investigação na Bolívia sobre o acidente aéreo com a Chapecoense, no ano passado, começou a encontrar indícios de quem são os possíveis responsáveis pela companhia aérea LaMia, que transportava o time. Segundo o jornal boliviano El Deber, áudios e provas analisadas pelos peritos apontam que os proprietários da empresa devem ser os venezuelanos Ricardo Alberto Albacete Vidal, ex-senador do país, e a filha dele, Loredana Albacete Di Bartolomé.

Em novembro, logo depois do acidente, o Estado revelou a origem da LaMia. Criada em 2010 sob incentivo do então presidente venezuelano Hugo Chávez, a empresa se transferiu cinco anos depois para a Bolívia, onde montou sociedade com o piloto Miguel Quiroga, condutor do avião da Chapecoense e uma das vítimas do acidente. Albacete continuou a controlar o negócio à distância, pois se mudou para a Espanha.

##RECOMENDA##

De acordo com o El Deber, a investigação boliviana sobre o acidente ampliou em seis meses o trabalho de apuração do acidente. Apesar de tecnicamente já ter sido concluído que a causa da queda foi a falta de combustível, as autoridades encontravam dificuldades em determinar quem seriam os responsáveis pela empresa aérea contratada pela Chapecoense para fazer o transporte da equipe até Medellín, na Colômbia.

O jornal revelou no último domingo que áudios e trocas de mensagens sugerem que os donos da companhia são os venezuelanos. A publicação traz que o Instituto de Investigações Técnicas Científicas da Universidade Policial (Iicup, na sigla em espanhol) tem informações sobre conversas entre os possíveis proprietários e funcionários, principalmente a administradora da LaMia, Miriam Flores.

A reportagem questiona ainda a autorização dada pelo governo boliviano para a aeronave operar. A matrícula do avião foi registrada em La Paz em 20 de janeiro de 2016, somente um dia depois de ter sido realizada a ficha de inscrição do mesmo.

No fim de outubro, Ministério Público Federal (MPF) em Chapecó (SC) divulgou a conclusão do inquérito civil que investigou a tragédia. O despacho de 30 páginas questiona irregularidades de voos feitos pela LaMia anteriores ao acidente da Chapecoense e, inclusive, menciona a existência de possível falha por parte de funcionários brasileiros ao permitir que a empresa levasse a seleção da Argentina para jogo em Belo Horizonte, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, com o combustível do avião perto do limite.

O mesmo despacho do MPF aponta para uma informação também contida na reportagem do El Deber acerca dos donos. O inquérito documenta que o pagamento de uma das apólices de seguro do voo foi para à empresa Kite Air Corporation Limited, sediada em Hong Kong e em Caracas e que tem como dona justamente Loredana Albacete.

O governo boliviano concluiu a investigação sobre o acidente com o avião que levava o time da Chapecoense para a Colômbia. Em uma entrevista coletiva nesta terça-feira (20), o ministro de Obras Públicas da Bolívia, Milton Claros, afirmou que a empresa aérea LaMia e o piloto Miguel Quiroga foram os culpados pela tragédia. Processos administrativos e legais serão instaurados contra funcionários da companhia e a controladora de vôo, Celia Castedo, que autorizou a viagem e pediu refúgio no Brasil por ameaças sofridas.

"O que aconteceu neste trágico evento é de responsabilidade direta da LaMia e do piloto", revelou o ministro. Como medida de controle, o governo tomou o controle da vigilância de todo o sistema aeronáutico do país para evitar novos acidentes. Ao todo, 71 pessoas morreram na tragédia a caminho de Medellín-COL, dentre eles o próprio piloto, e outras seis ficaram feridas. A conclusão é que o avião sofreu uma pane seca, causada pela falta de combustível. No Brasil, seguem as investigações no Ministério Público Federal que podem levar a outros responsáveis.

##RECOMENDA##

LeiaJá também

---> Após acidente, LaMia deixa as redes sociais

---> Avião com time da Chapecoense cai e deixa mortos

Os procuradores do Ministério Público da Bolívia realizaram nesta terça-feira (6) uma operação de busca e apreensão na sede da LaMia, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, prenderam o diretor-geral da companhia aérea, Gustavo Vargas Gamboa, e confiscaram documentos e computadores dentro de sua investigação sobre o acidente que causou a morte de 71 das 77 pessoas que estavam a bordo da aeronave que levava a delegação da Chapecoense a Medellín, na Colômbia.

Os procuradores detiveram Vargas e o levaram à sede do Ministério Público Departamental de Santa Cruz. O diretor é um ex-militar da Força Aérea Boliviana, que entre 2001 e 2007 foi o piloto de vários presidentes do país - incluído o atual, Evo Morales.

##RECOMENDA##

Além de Vargas, foram detidos uma secretária e um técnico da companhia, que também foram conduzidos à sede do Ministério. Vargas é o pai de Gustavo Vargas Villegas, até a semana passada um dos funcionários do alto escalão da Direção Geral de Aeronáutica Civil (DGAC) e que foi suspenso de suas funções devido à investigação sobre o funcionamento da companhia aérea.

Os procuradores ordenaram as prisões após ficarem várias horas revisando a documentação e os computadores da empresa. O material foi confiscado e levado em duas caminhonetes à sede do Ministério Público. As prisões aconteceram na véspera de uma reunião de autoridades judiciais de Bolívia, Brasil e Colômbia, que investigam a tragédia com o único avião da LaMia.

O procurador-geral da Bolívia, Ramiro Guerrero, disse que a investigação em seu país sobre o caso está aberta a princípio por um crime de descumprimento de deveres, mas que "certamente pode chegar a crime de homicídio culposo" contra os responsáveis. Horas antes das detenções, os procuradores bolivianos também foram ao escritório da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea (AASANA), no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz.

Neste caso, o alvo da busca e apreensão foi a sala da funcionária Celia Castedo, que questionou o plano de voo do avião da LaMia antes do acidente na Colômbia. Na última segunda-feira, Castedo deixou a Bolívia rumo ao Brasil, passou o dia em negociações com seu advogado e autoridades brasileiras e foi levada à noite à delegacia da Polícia Federal da cidade de Corumbá (MS) para que apresentasse um pedido de refúgio.

O ministro de Governo boliviano, Carlos Romero, afirmou que ela saiu do país ilegalmente, por isso a sua estadia no Brasil também seria ilegal. "(Castedo) Não utilizou nenhum ponto legal de controle migratório. Sua saída do país foi ilegal, sem passar pelos postos de controle migratório". De acordo com ele, a saída de Castedo da Bolívia é "um claro sinal que visa evitar a ação da justiça" local.

Passada quase uma semana do trágico acidente aéreo que matou 71 pessoas no voo que levava a Chapecoense para Medellín, a LaMia, empresa aérea boliviana responsável pela viagem, se manifestou oficialmente através de comunicado oficial no Facebook. Nele, lamentou o número de vítimas e prometeu colaborar com a investigação das autoridades locais.

"LaMia expressa seu profundo sentimento de dor pela perda dos passageiros e colegas do voo LM2933, em 28 de novembro de 2016, perto de Medellín, Colômbia. Acompanhamos em sua dor as famílias que perderam seus entes queridos nessa tragédia, assim como aqueles que sobreviveram, por quem rezamos por sua pronta recuperação. Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance para buscar o bem-estar de todos e cada um dos afetados. Neste momento, a LaMia colabora ativamente com a investigação do acidente da Colômbia e com as autoridades competentes da Bolívia e em outros países para compreender adequadamente a causa dessa tragédia", diz o comunicado.

##RECOMENDA##

Depois do acidente, a LaMia teve suas atividades suspensas pelo órgão responsável pela aviação da Bolívia. A empresa tem sido bastante criticada depois que evidências mostraram que o avião que levava a Chapecoense para a Colômbia continha a quantidade mínima de combustível para percorrer a distância entre Santa Cruz de la Sierra e Medellín.

Imediatamente, a postagem da LaMia no Facebook gerou repercussões negativas dos usuários da rede social, que chamaram a empresa de "assassina" e a classificaram como "responsável pelo acidente". Esta, aliás, foi a primeira postagem na página da LaMia desde o trágico ocorrido.

Na noite da última segunda-feira, o avião que levava a Chapecoense para Medellín, onde enfrentaria o Atlético Nacional pela decisão da Copa Sul-Americana, caiu nas cercanias de Medellín. O acidente deixou 71 mortos, sendo boa parte deles membros da delegação do clube e profissionais de imprensa. Foram seis sobreviventes, sendo quatro brasileiros.

A Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea da Bolívia (Aasana) apresentou uma denúncia penal contra a funcionária que revisou e autorizou o plano de voo do avião da Lamia que caiu com a delegação da Chapecoense, deixando 71 mortos.

Celia Castedo Monasterio havia apontado problemas no documento apresentado pela tripulação, mas ainda assim a aeronave decolou do aeroporto internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, rumo a Medellín, na Colômbia.

##RECOMENDA##

Uma das inconsistências no plano de voo dizia respeito à ausência de escalas. A tripulação da Lamia informou que faria o trajeto de aproximadamente 3 mil km sem paradas, embora a distância fosse igual à autonomia do avião. Segundo os investigadores colombianos, o jato caiu com os tanques de combustível vazios.

No entanto, o plano apresentado às autoridades da Colômbia era diferente e incluía uma escala para reabastecimento em Cobija, ainda na Bolívia, que não aconteceu. De acordo com a Aasana, foram detectados erros na documentação do voo da Lamia.

A denúncia contra Monasterio foi apresentada ao Ministério Público do Distrito de Santa Cruz e pede uma investigação por "não cumprimento de deveres" e "atentado contra a segurança dos transportes". Ambos podem levar a uma pena de um a quatro anos de prisão, segundo o jornal boliviano "El Deber".

Após o acidente, o diretor da Aasana, Tito Gandarillas, foi exonerado do cargo. Já Monasterio está suspensa de suas funções por suspeita de negligência. O objetivo da denúncia é saber por que a funcionária, que tem mais de 20 anos de experiência, autorizou um plano de voo que ela própria havia questionado.

A Bolívia também investiga possíveis ligações entre a Lamia e a Conmebol, já que a empresa tinha amplo acesso a equipes sul-americanas, apesar de sua frota ter somente três aviões e da pouca experiência no mercado.

Debaixo de muita chuva, aterrisar no aeroporto de Chapecó por volta de 9h30 o primeiro avião que traz parte dos corpos das vítimas do acidente aéreo na Colômbia com a equipe da Chapecoense. 9h30. Mais duas aeronaves são esperadas na próxima hora. O prefeito de Chapecó, que viajou para Colômbia para acompanhar os trabalhos de resgate e identificação dos corpos, foi o primeiro a descer da aeronave.

No próprio aeroporto será realizada uma cerimônia de honaras fúnebres em que o presidente Michel Temer, já presente no local, entregará às famílias das vítimas a Ordem do Mérito Desportivo.

##RECOMENDA##

Após a cerimônia no aeroporto, haverá um cortejo pelas ruas da cidade catarinense que deve durar cerca de uma hora e meia. Três caminhões decorados com a bandeira e as cores do time vão desfilar com os caixões. Eles já estão posicionados no pátio do aeroporto.

Após o cortejo, os corpos serão levados para a Arena Condá, onde acontece o velório coletivo. Durante a primeira hora, a cerimônia será fechada, apenas com a presença da família e dos amigos das vítimas.  Apesar de serem esperadas mais de 50 mil pessoas no velório coletivo, apenas 19 mil poderão entrar no estádio para não exceder a capacidade máxima do local. Na área externa da Arena Condá, foram instalados telões e banheiros químicos para as pessoas que não conseguirem ingressar na cerimônia.

A Direção Geral da Aeronáutica Civil boliviana anunciou, por meio de uma resolução administrativa, a suspensão da empresa de aviação Lamia, responsável pelo avião que caiu com 77 passageiros em Medellín, deixando 71 mortos, incluindo tripulação, jornalistas e passageiros, entre eles a delegação da Chapecoense. O clube iria enfrentar o Atlético Nacional-COL na final da Copa Sul-Americana. Confira a publicação em que foi suspensa a Lamia:

“A Direção Geral da Aeronáutica Civil (DGAC) comunica que mediante Resolução Administrativa Nº 716 datada em 29 de novembro de 2016, dispõe a suspensão de maneira imediata do Certificado de Explotador de Serviços Aéreos (AOC) Nº DGAC-DSO-AOC-Operador Aéreo OPS-COA-119=01-002 e da Permissão de Operação outorgado à empresa “LAMIA CORPORATIÓN SRL”, em mérito às atribuições dispostas no Decreto Supremo 28478, artigo 14, numeral 5 e à lei 2902, artigo 123, literais a) e h)”, diz nota publicada pelo site Gazeta Esportiva.

##RECOMENDA##

O acidente aéreo se deu por conta da falta de planejamento, já que a aeronave caiu após ficar sem combustível e sofrer uma pane elétrica. O avião, um Avro RJ85, não seria indicado para realizar o trajeto entre Santa Cruz de La Sierra-BOL e Medellín-COL, por estar no limite de seu alcance. A tragédia comoveu o mundo inteiro, principalmente no âmbito esportivo. Enquanto os corpos vão sendo identificados e liberados, a embaixada brasileira trabalha na Colômbia para auxiliar as famílias das vítimas. Até agora, 15 corpos foram liberados para voltar aos países de origem, dentre eles, 10 são de brasileiros.

As causas que levaram à queda na Colômbia do Avro RJ-85 da LaMia, na madrugada de terça-feira, a 30 km do aeroporto de MedellÍn, convergem em direção a escolha de um plano de voo de risco, complicado na fase final por dois eventos inesperados: a ocorrência de uma emergência declarada por um outro avião na mesma área, um A-320 com vazamento de combustível, e a perda do controle dos comandos de condução, em consequência da pane elétrica anunciada logo em seguida pelo piloto boliviano Miguel Quiroga.

O voo CP 2933, da LaMia, decolou de Santa Cruz de La Sierra com os tanques cheios, 77 dos 92 assentos ocupados, nenhuma carga comercial e pouca bagagem.

##RECOMENDA##

A distância a ser percorrida era de 2.985 km, apenas 15 km abaixo do alcance máximo do jato, cerca de 3 mil km. De acordo com um ex-comandante de tripulação da companhia TAM, atualmente Latam, "um procedimento com margens tão estreitas não seria apresentado no Brasil, onde o piloto e a companhia são os responsáveis legais pelo plano". Na prática, significa que os dados da documentação de detalhamento da viagem são reconhecidas como verdadeiras pela autoridade da Aeronáutica.

No caso do CP 2933, indicaria a conveniência de uma escala para reabastecimento. A dúvida é quanto aos motivos que fizeram um piloto hábil e experiente como Miguel Quiroga ignorar a parada, prevista primeiro para a pequena cidade fronteiriça de Cobija e depois para Bogotá.

A declaração do executivo da LaMia, Gustavo Vargas, de que as decisões cabiam apenas ao comandante, que este teria decidido seguir direto para Medellín para compensar o atraso, não se sustentam: uma alteração voluntariosa como essa, no meio do caminho, teria provocado pedidos de explicações dos controladores do tráfego aéreo.

Não há registro de qualquer reação dos centros da aviação pelos quais o RJ-85 passou. O esquema de navegação, uma espécie de mapa, registrado eletronicamente no aeroporto de origem, aparece automaticamente nas telas de todos esses pontos.

FORA DE LINHA - A British Aerospace, fabricante do modelo BAe-145/Avro RJ-85, quer acompanhar as investigações da queda. Descontinuado em 2002, o avião usa quatro turbinas de baixo nível de ruído e foi projetado para atender rotas regionais curtas, típicas da Europa. Uma versão especial serve a família real britânica.

De acordo com um engenheiro que trabalhou 10 anos na divisão do grupo em Woodford, o complexo industrial que centralizava a produção do jato, a estratégia do grupo era oferecer ao mercado um equipamento de custo razoável na faixa média do US$ 13 milhões, simples e de manutenção barata. Todavia, isso implicava um certo custo. A manutenção de cada unidade deve ser realizada na frequência determinada e sem concessões -, sempre muito rigorosa.

O avião da LaMia tinha 17 anos de uso. Na opinião do especialista, seus componentes e peças "teriam idade para serem trocados na metade do tempo da previsão inicial, ou seja, se alguma coisa tem de ser trocada a cada três anos, recomenda-se que isso seja feito a intervalos de um ano meio".

Em pouco tempo, a empresa aérea LaMia ganhou prestígio entre os clubes de futebol da América do Sul a ponto de fazer o transporte de equipes como o Atlético Nacional, da Colômbia, Olimpia, Libertad, Sportivo Luqueño e Sol de América, do Paraguai, The Strongest, Oriente Petrolero, Blooming, Real Potosí e Jorge Wilstermann, da Bolívia, e seleções nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, como Argentina e Bolívia.

Após a acidente, repercutiu bastante a relação entre a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e a LaMia, mas a entidade fez questão de soltar um comunicado no qual diz que não pede a seus filiados que usem a empresa boliviana em seus transportes. "Entre as atividades de organização logística que a confederação faz para realizar torneios não está incluída a coordenação de nenhum tipo de transporte (aéreo, terrestre ou marítimo), assim como a recomendação de provedores de nenhum tipo. Assim, desmentimos os rumores neste momento de tanta dor", disse.

##RECOMENDA##

O Coritiba, por exemplo, recebeu uma oferta da LaMia para levar a equipe do Brasil até a Colômbia, quando o time enfrentou e foi eliminado pelo Atlético Nacional, pela Copa Sul-Americana, no fim de outubro. Mas a diretoria cotou outras empresas e optou por um voo comercial, que durou 15 horas e teve duas escalas, em São Paulo e Bogotá. O clube nega que tenha sofrido pressão da Conmebol para escolher a LaMia.

O São Paulo também enfrentou o Atlético Nacional, em Medellín, pelas semifinais da Copa Libertadores. Mas o clube garante que nunca foi procurado pela LaMia e usou outra empresa para levar a equipe até a Colômbia. Quando a partida foi realizada, em julho, a companhia aérea não tinha ainda muita inserção entre as equipes brasileiras de futebol.

A Chapecoense, por sua vez, utilizou a LaMia anteriormente para voar até Barranquilla, onde enfrentou o Junior, em outubro. Na ocasião, a viagem foi muito tranquila e a empresa aproveitou o contato que já tinha feito anteriormente para repetir a dose para a decisão da Copa Sul-Americana.

"Quem contratou o voo para Medellín foi o Décio Filho, diretor financeiro que cuidou de tudo, mas ele faleceu junto com a equipe na queda do avião. Esta empresa tinha tradição em transportar jogadores de futebol, fez isso com vários times da América Latina e sempre tiveram sucesso. Não tínhamos motivos para duvidar disso. Fizemos a primeira viagem à Barranquilla e deu certo. Não tinha porquê trocar", comentou Gelson Dalla Costa, vice-presidente do Conselho Deliberativo.

Dos seis pedidos de voo que a companhia aérea LaMia solicitou à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) recentemente, quatro foram negados. A empresa, responsável por levar o time da Chapecoense para Medellín, tinha apenas uma aeronave funcionando e ela esteve no Brasil duas vezes.

"O primeiro voo foi solicitado no dia 5/10 para o transporte da seleção boliviana para um jogo, em Natal, no dia 6/10. O segundo voo foi solicitado no dia 6/11 para transportar a seleção da Argentina também para um jogo, em Belo Horizonte", explicou a Anac. Ou seja, a mesma aeronave que caiu na Colômbia transportou Lionel Messi, Di Maria e Marcelo Moreno, entre outros atletas.

##RECOMENDA##

A primeira rota em outubro foi entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, até Brasília, distante aproximadamente 1.626 quilômetros. O avião então reabasteceu e seguiu para Natal, voando por mais 1.777 quilômetros. Pela autonomia da aeronave, seria impossível fazer o trajeto sem parada.

O outro voo, em novembro, trouxe a delegação da Argentina para Belo Horizonte. O trajeto foi de Santa Cruz de la Sierra até Buenos Aires, só com piloto e comissários de bordo, e aí partiu da capital da Argentina até a capital de Minas Gerais, numa distância de cerca de 2.166 quilômetros em linha reta.

Nas redes sociais, o piloto Miguel Quiroga publicou fotos em vídeos com os jogadores das duas seleções que vieram ao Brasil para a disputa das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Em ambas ocasiões, o avião trazia o emblema das confederações de futebol dos dois países.

Mas os outros pedidos para viajar ao Brasil feitos por Quiroga foram negados. Em outubro, ele solicitou voar de Belo Horizonte para Barranquilla, na Colômbia, mas a Anac negou porque "nas avaliações iniciais constatamos que a companhia não possuía o trigrama da Icao (autorização da International Civil Aviation Organization) para realizar voos comerciais".

Já em novembro, a LaMia solicitou operar na rota Santa Cruz de La Sierra, Buenos Aires, Porto Alegre, Chapecó, Foz do Iguaçu e Santa Cruz de la Sierra, mas o voo também foi negado por "falta de infraestrutura aeroportuária disponível no aeroporto de Porto Alegre. O operador aeroportuário declarou à Anac que no horário e dia solicitados pela empresa para operar o voo (3 de novembro, por volta de 12 horas) não haveria disponibilidade de pista e de pátio".

Os dois últimos pedidos negados, para voos ida e volta entre Brasil e Colômbia, em novembro, foram negados por ferir a 7.ª liberdade do ar, ou seja, a empresa com sede na Bolívia não poderia realizar um trajeto entre dois países diferentes dos seus. Esses dois voos eram os que levariam a equipe da Chapecoense até Santa Cruz de la Sierra e depois a Medellín.

As autoridades colombianas passaram parte da madrugada desta quarta-feira (30) reunidas no aeroporto de Medellín para conversar sobre o acidente com o avião que trazia a delegação da Chapecoense. Um dos convidados ao encontro foi o representante da empresa aérea boliviana LaMia, Mário Pacheco, que ao fim da conversa, disse aos jornalistas que a aeronave não tinha problema de autonomia e ressaltou que a companhia tem experiência em transportar times de futebol.

A imprensa colombiana especula que o avião que trazia o clube catarinense para a final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, caiu nas proximidades do aeroporto por ter ficado sem combustível. O representante negou. "Isso depende de como a aeronave opera o voo. A parte técnica vai determinar em que nível o voo estava e como podia melhorar a autonomia. O avião tinha combustível, mas não sei quanto. Não tenho informação técnica", disse.

##RECOMENDA##

Pacheco explicou que a companhia, fundada há cerca de um ano, tem toda a documentação necessária para operar voos fretados e que não há risco de erro do piloto. "Falha humana não há. No momento em que realizarem as investigações periciais das gravações das caixas-pretas do avião, vão poder determinar quais foram as causas", explicou. O avião era pilotado pelo dono da companhia, Miguel Quiroga.

Segundo o representante, o proprietário era experiente e pilotava uma aeronave fabricada em 1999. A LaMia tem uma frota de três aviões e já tinha feito um outro voo da Chapecoense anteriormente, fora o transporte de equipes e seleções da América do Sul.

"Já voamos com as seleções da Venezuela e da Argentina. Também o Atlético Nacional, o Junior Barranquilla", contou. A seleção argentina foi transportada pela LaMia durante a última rodada das Eliminatórias, quando inclusive jogou com o Brasil, em Belo Horizonte.

Pacheco prometeu que a empresa vai se comprometer em ajudar a família das vítimas. "A empresa ativou o centro de emergência e a polícia de seguros. Vai cobrir todos os gastos dos feridos que sejam necessários", afirmou.

Depois da tragédia, coincidências ganham contornos de alívio para os que ficaram, apesar da imensa tristeza. Há menos de um mês, a seleção argentina utilizou a mesma aeronave da tragédia desta segunda (28), pertencente à companhia área Lamia. E os voos foram justamente para enfrentar o Brasil, pelas Eliminatórias, no Mineirão. 

Segundo informações publicadas pelo portal de notícias chileno AS, os jogadores da Argentina chegaram a criticar os "fortes movimentos do avião" no trajeto para as cidades de San Juan e Belo Horizonte. O craque da equipe, Lionel Messi, chegou a passar mal por conta das intensas turbulencias. 

##RECOMENDA##

O Avro Regional Jet 85, de matrícula CP-2933, foi fabricado há 17 anos pela British Aerospace. A aeronave tinha capacidade para 95 pessoas. 

A companhia aérea Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación (Lamia), à qual pertencia o avião que caiu na madrugada desta terça-feira (29), que transportava a equipe da Chapecoense, retirou do ar seu site e seus perfis em redes sociais. Após surgirem as primeiras notícias sobre a queda da aeronave, a empresa começou a ser alvo de diversas ofensas.

A última publicação da companhia no Facebook trazia a imagem de um avião. Internautas utilizaram o post para publicar xingamentos e questionar a empresa sobre o estado da aeronave Avro Regional Jet 85. Além disso, o site da empresa www.lamia.com.ve está inacessível em todo o mundo. A Lamia surgiu na Venezuela em 2009 com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do turismo local.

##RECOMENDA##

O avião que levava o time da Chapecoense, de Santa Catarina, caiu na Colômbia. A equipe seguia para Medellin, onde iria disputar nesta quarta-feira (30) a primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional da Colômbia. A tragédia que deixou 76 mortos é considerada a pior da história do futebol brasileiro e a com maior número de atletas vítimas de todo o mundo. 

LeiaJá também

--> Polícia confirma 76 mortos em avião da Chapecoense

--> Anac proibiu avião da Chapecoense de seguir para Medellín

--> Chapecoense divulga vídeo em homenagem aos jogadores

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando