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Um estudante resolveu contornar uma regra usando um método inusitado. Após ser proibido de usar o celular em aula, ele levou para a escola, localizada em Vancouver, no Canadá, um toca-discos (a clássica vitrola). Quem compartilhou o ocorrido nas redes sociais foi o professor de física do jovem. A postagem já foi compartilhada mais de 117 mil vezes.

O professor Eric Saueracker conta que proibiu seus alunos de levarem para as aulas celulares. Os aparelhos não seriam permitidos nem mesmo se os estudantes quisessem apenas escutar música, mas um dos jovens encontrou uma brecha na regra.

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"Eu brinquei dizendo que eles poderiam trazer uma fita cassete ou CD se quisessem escutar música, quando o aluno entrou na conversa e perguntou se ele poderia trazer um toca-discos", disse o professor. "Claro, eu pensei que ele estava apenas sendo um espertinho, então eu disse a ele que estava tudo bem", completou.

No dia seguinte, o estudante apareceu na aula com uma vitrola em mãos, um cabo de extensão e uma cópia em vinil do álbum "The College Dropout", do rapper Kanye West. Segundo o estudante, tudo não passou de uma piada. A internet, porém, adorou a ideia. A postagem do professor contando o fato já acumula mais de 172 mil compartilhamentos e 554 curtidas.

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"Eu estava em uma loja de vinis em São Paulo e durante os cinco minutos em que estive lá três vitrolas foram vendidas". Conta, em tom de surpresa, Rafael Cortes, fundador da Assustado Discos, empresa do Recife que trabalha com a produção e o resgate de gravações musicais em LP (long plays). De acordo com dados da empresa Conversion, a principal fábrica produtora de LPs da América Latina, a Polysom, localizada no Rio de Janeiro, registrou aumento de 126% nas vendas de discos entre março e abril de 2014. 

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Em pleno século 21, com o avanço tecnológico e a 'onda' dos downloads de CDs no formato de mp3 na internet, além da facilidade dos serviços de streaming (Spotify, Rdio e Deezer), comprar vinil já não é mais um hábito exclusivo dos colecionadores de bolachas, como são conhecidos os discos. Atualmente, o vinil deixou as estantes empoeiradas e voltou ao seu lugar de origem: as vitrolas.

Historicamente, o dia da vitrola é celebrado nesta sexta-feira (21) porque há 137 anos atrás, em 1877, Thomas Edison, inventor da vitrola, fez a primeira exibição pública do objeto musical que até os dias atuais faz sucesso. Por isso, o mês de novembro é chamado 'Mês da Vitrola'.

Os apreciadores do vinil não se restringem a ouvir apenas gravações antigas de grupos que não tiveram, de fato, opção por gravar em diferentes formatos. Pelo contrário, novos bandas do cenário musical, tanto brasileiro quanto internacional, tem lançado tiragens de seus projetos em vinil, com gravadoras que se especializaram apenas nesse formato. "Fundei a Assustado Discos em 2011 e o intuito inicial era trabalhar apenas com raridades musicais de alguns artistas. Entretanto, ao longo da minha caminhada, abri o selo a diversas possibilidades de gravações, que vão desde registros raros até lançamentos", explica Rafael, que é colecionador e possui mais de 3 mil discos. Nomes da música internacional como Daft Punk, David Bowie e Arctic Monkeys lançaram materiais inéditos que receberam tiragens em vinil e fizeram bastante sucesso entre os fãs: Random Access Memories, The Next Day e AM, respectivamente.

No cenário regional, a banda Mundo Livre S/A celebrou 20 anos do álbum Samba Esquema Noise e relançou a bolacha em vinil. O grupo decidiu relançar o disco no formato de vinil em uma parceria entre a banda, a produtora Zero Neutro e o selo Assustado Discos. "Eu acho que o vinil compartilha muito da minha opinião de que um material fonográfico tem que ser valorizado por inteiro, até porque foi gasto dinheiro, tempo e dedicação. Daí quando o grupo se deu conta dessa tendência de um retorno de interesse pela midia física, decidimos relançar nosso disco em vinil", conta Fred Zero Quatro, vocalista e compositor da Mundo Livre. 

Vendas de vinil desde 1997 até 2013 em dólares

Não só gravadoras e músicos têm tido resultados positivos com a volta do vinil. Vendedores têm notado o aumento da procura tanto pelas bolachas quanto pelas vitrolas. Ainda de acordo com dados da empresa Conversion, a Trapemix, empresa especializada na venda de produtos retrô, registra um crescimento de 57% na comercialização de vitrolas. No Recife, os comerciantes dos sebos localizados na avenida Dantas Barreto, no centro da cidade, têm notado o aumento das vendas dos LPs e das agulhas. Na barraca de Elvis do Nordeste, que trabalha com o comércio de vinis há mais de 30 anos, os LPs são constantemente procurados. "Acho isso ótimo como vendedor e como apreciador. Apesar de ser menos compacto, o vinil tem uma qualidade muito melhor", conta Elvis.

Nos sebos, os preços dos vinis variam de acordo com a raridade do produto e, de acordo com os comerciantes, os ícones da música brasileira e internacional são o que mais saem. Os reis do brega (Reginaldo Rossi), do rock (Elvis Presley) e do baião (Luiz Gonzaga) são os ícones que mais vendem. Os preços entre R$ 2 até R$ 150, com discos raros.

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O músico Edvande Fumanxú, de 23 anos, conta que faz compra de vinis mensalmente. "Sempre tive vontade de ter uma vitrola. Assim que ganhei, estabeleci uma meta de sempre comprar os LPs. Pra mim, ouvir música é um momento sagrado, além disso, o chiado do vinil faz com que pareça que você está presente na hora da gravação e isso é uma das coisas que mais me contagia", conta.

O retorno do vinil não é resultado de saudosistas que insistem em não utilizar novas tecnologias. Pelo contrário, os que consomem música neste formato afirmam que a qualidade do som e o contato com a mídia física são as principais causas. "Acho que as coisas acabam sendo meio cíclicas, do mesmo jeito que a mídia digital é prática, ela também é descartável, sem contar que com o LP você tem a possibilidade de ouvir um disco inteiro. Acredito que uma obra é pensada por inteira e não por faixas", explica Rafael Cortes.

No Recife é realizada anualmente a Feira do Vinil, que reúne colecionadores, admiradores e empresários do ramo da música. Durante o evento, é possível trocar, vender e  comprar LPs. Em 2013 foi realizada a 8ª edição do evento.

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A Terça do Vinil após seis anos de atividade em Olinda chega agora na cidade do Recife. O projeto que tem a proposta de resgatar e proteger a boa música brasileira através dos discos de vinil retorna em junho, no Santo Bar, localizado no centro da cidade. A vitrola é comandada pelo produtor do projeto, Juniani Marzani, o DJ 440. No repertório, grandes sambas, bossas, jazz, raridades e balanços brasileiros, samba rock, tropicália e guitarrada, entre outros ritmos.

Serviço:

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Terça do Vinil

4 de junho | 20h

Santo Bar (Rua das Ninfas, 84 - Centro)

R$ 5

(81) 3040 8545

 

 

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A Terça do Vinil completa, nesta terça (30), 6 anos de atividade em Olinda e a comemoração é também uma despedida da cidade. O projeto movimentou as terças-feiras dos últimos anos com a proposta de resgatar e proteger a boa música brasileira através dos discos de vinil. A véspera do Dia do Trabalhador foi escolhida para, além de celebrar os 6 anos do projeto, encerrar as atividades em Olinda. Na vitrola, samba, jazz, samba rock, tropicália e guitarrada, entre outros ritmos. Em junho, o projeto estará de volta em novo local, dessa vez, no Recife.

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O projeto é comandado por Juniani Marzani, o DJ 440, e recebeu diversos convidados da cena musical pernambucana com seus discos e cheios de histórias, como Rogerman, Jorge Riba, Fred Caiçara, Sebba (Negroove) e Gilsinho (Orquestra Contemporânea de Olinda), além dos DJs Samuca (SP), Lufer (SP), Pezão (Criolina - DF), Marcos Toledo, Lala K, Rossilove, Murilo França e Pretaone.

Confira a entrevista exclusiva que O DJ 440 concedeu ao LeiaJá, em que ele conta como o projeto surgiu, o ressurgimento da cultura do vinil e as expectativas do projeto na cidade do Recife.

Qual a sua relação com o vinil?

Sou colecionador há alguns anos, mas minha relação com o vinil vem desde criança. Sempre adorei ouvir os discos do meu pai. Ele curtia muito os sambas de Bezerra da Silva e de sambistas de partido alto do Rio de Janeiro, música brasileira em geral. Me amarrava nas capas e na música.  Acabei herdando os discos, que mais tarde serviram para o pontapé inicial para a Terça do Vinil.

Como e quando surgiu o projeto Terça do Vinil?

A idéia surgiu em 2006, mas só em 2007, após sair da empresa em que trabalhava, eu tive tempo para pôr em prática. Nem era projeto, nem festa. Eu apenas queria ouvir boa música com os amigos. Coloquei uma vitrolinha velha e levei uns 30 discos para a janela do Xinxim da Baiana (bar localizado no Carmo, em Olinda), que abriu as portas na época. Sem muita pretensão, as pessoas foram chegando. Chegaram tanto que o espaço não comportou mais.

Fui bater na porta da Bodega do Véio (também em Olinda). O Véio, proprietário, ficou com o pé atrás com esse negócio de DJ. Achava que era aquela coisa de música eletrônica, que ele odeia. Expliquei que o som era música brasileira, era diferente do que ele pensava e o convenci a fazer uma noite. Ele adorou o projeto e acabei passando mais de 3 anos lá. O negócio pegou corpo. Aumentei o acervo, ganhei também uma série de discos legais do público que frequentava o evento. Vieram matérias na TV e nos jornais. Foi chegando mais e mais gente. Sem querer, o que era só uma noite pra mim e meia dúzia de amigos, virou obrigatória nas terças em Olinda.

Nestes 6 anos do projeto, você comprovou que existe um público pro vinil?

Público para vinil sempre teve. Claro que maior parte das pessoas não tem mais discos ou vitrolas em casa. Mas o vinil nunca morreu. Só padeceu bastante no Brasil. De uns anos pra cá houve uma revalorização do vinil que é notória. Uma fábrica (a última que existia no país) reabriu. Os novos artistas voltaram a prensar seus discos em vinil. Outras fábricas gringas vieram investir no Brasil. Toca-discos voltaram a ser vendidos em algumas lojas. Quando a Terça do Vinil começou, o vinil não estava em alta, como hoje.  É legal ver as pessoas entusiasmadas com seus toca-discos, em comprar LPs. Virou um fetiche! Afinal, vinil é vinil. Quem tem sabe que CD e MP3 não se comparam, encanta mesmo!

A que você atribui o sucesso da Terça do Vinil?

Hoje em dia, no Recife e em Olinda, temos poucas opções de lugares para se ouvir música brasileira de alta qualidade. Eu acredito que o sucesso se deve primeiramente à boa música. Sempre fui "caxias" em relação a isso. Na Terça do Vinil não toca música ruim, não toca "música pra tirar onda", não entra apelação pra chamar público. Em segundo, creio que pela variedade e diversidade musical. O projeto sempre está renovando seu acervo. Sempre trago uma pá de discos de volta pra casa e levo outras novidades. Também sempre estou nos sebos ou na internet comprando novidades. Na Terça do Vinil você vai ouvir de Cartola ao disco novo da Nação Zumbi. Do carimbó lá do Pará à cumbia lá da Colômbia. Você não vai ouvir sempre a mesma coisa.

O projeto é identificado com um dia fixo de semana, que traz até no nome. Qual o motivo da escolha?

Escolhi a terça porque era um dia que eu gostaria de fazer algo e não tinha opções. Quem é daqui sabe que terça, geralmente, é um dia morto, ainda mais em Olinda. E quem vem de fora acha que a cidade tem coisa pra fazer todo dia, o dia todo, que a música ecoa pelas ladeiras. Eu só quis dar a minha contribuição para o balanço musical da cidade, da minha forma, como eu podia.

Você conheceu muitos colecionadores de vinil neste período?

Acho que conheci mais gente que jogou seus discos no lixo, infelizmente. Mas sim, o projeto Terça do Vinil abriu um leque de pessoas muito legais, não só na cidade, mas em várias partes do Brasil e até de fora. Conheci DJs, colecionadores, produtores e músicos. Mas o mais legal foi conhecer amantes da boa música. Gente que você via a felicidade de ouvir uma música que não ouvia há anos.

Quais as expectativas do projeto daqui para frente e onde será o novo local da Terça do Vinil?

O projeto passou por muita coisa nesses 6 anos. Foram agulhas e mais agulhas, muito peso, muita poeira em horas catando discos em sebos, tudo isso para oferecer o melhor que podia para o projeto em Olinda. Tudo isso sem cobrar entrada! Mesmo assim, melhoramos muito a estrutura, o acervo, a aparelhagem tá uma beleza. Acho que está na hora de levar toda essa bagagem para o público no Recife. Ainda não tenho local definido para o projeto, mas estou em busca de um lugar que acolha com carinho a Terça do Vinil.

Serviço

Terça do vinil - Comemoração de 6 anos

Terça-feira (30) | 22h

A Fábrica Bar (Praça do Fortim, Olinda)

R$ 5 (couvert)

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