Tópicos | Galo de Souza

O multiartista Galo de Souza, pernambucano de origem periférica, foi transformado pela música, com o hip hop e o rap abrindo os seus caminhos para o universo da arte. O mais novo trabalho do rapper é o álbum “O Invisível Notável”, que já está disponível nas plataformas digitais (ESCUTE - bit.ly/3YKZt82), possuindo dez músicas, todas autorais, e a capa da sua autoria. O disco conta com a produção/direção musical do próprio Galo, cantor e compositor, juntamente com Jadson Vale, mais conhecido como Bactéria, multi-instrumentista e uma das referências do movimento manguebeat. 

“O álbum lançado é um panorama profundo da minha carreira artística como MC e pintor, que convivem há anos entre trabalho e lazer”, define Galo de Souza, que cresceu entre as comunidades de Piedade (Jaboatão dos Guararapes), Várzea (Recife) e Roda de Fogo (Recife).

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Ele considera o Invisível Notável (OIN) — confira todo o projeto pelo site https://agente.com.vc/oinvisivelnotavel - bit.ly/45yVPB3 — uma celebração abrangente e impactante do seu trabalho artístico de mais de duas décadas, tornando-se um notável contribuinte para a arte pernambucana. E assim o MC e pintor canta e conta histórias, deixando um legado para a cena local. Esse é o seu segundo disco. O de estreia chama-se “Coletivo Êxito D Rua, Manifesto Musicado 2006”.

“Foi depois da minha primeira rima que veio o primeiro risco. O que mudou a minha vida foi o rap. Foi rimando que me tornei um grafiteiro e foi pintando que me tornei um MC da cultura hip hop. Por isso lancei um disco para contar e cantar minhas epopeias líricas na rima”, conta o artista.

O álbum tem participações quase que 100% de artistas de Pernambuco, com destaque para Buguinha Dub, também responsável pela mixagem e masterização de todas as faixas e que participa com a voz na música “Atualize”, além dos beats na maioria do disco. Nesse mesmo som, há a presença da cantora Erica Natuza, que está em mais duas músicas do disco: “O Hip Hop Ta Vivo” e “Contemplação”.

Além de Erica Natuza, outras artistas mulheres somaram com a voz, entre elas as pernambucanas Isaar na faixa “Pirata do Capibaribe”, Joana Botelho na música “No Início” e Manu Autran no som “Sem Fronteiras”.

Seus filhos Caetano Olag & Benjamin Olag estão presentes na faixa “Mundo Mágico Darrente”. Outra conexão é com Biggie N, peça importantíssima na estrutura do rap de Pernambuco, que participa da música “O Invisível Notável”, nome do disco. Esse som, assim como “Walter Ego”, leva as batidas com samples de KSB, Dj de Jaboatão dos Guararapes que tem participações em faixas de bandas pernambucanas como Nação Zumbi, Mundo Livre S.A e Faces do Subúrbio.  

Assim como Jadson Bacteria, produtor musical do “Invisível Notável” e que também gravou teclado/sint e baixo, André Malê faz parte da história do manguebeat, com trabalhos junto a Otto. Ele participou do disco de Galo de Souza engrossando o caldo com suas percussões. Já a bateria é do falecido Hugo Carranca, que acompanhava Otto e esteve em projetos musicais com artistas como Naná Vasconcelos, Erasto Vasconcelos, Junio Barreto e Bonsucesso Samba Clube.

Além de KSB, o Dj Da Mata, parceiro de Galo das antigas, faz a conexão em três músicas - “Piratas do Capibaribe”, “O Hip Hop Ta Vivo” e “Atualize”, com Márcio Oliveira no trompete.

A única participação de fora do estado é a de MV Hemp, artista do Rio de Janeiro, em “Piratas do Capibaribe”.

As letras das músicas, todas de autoria de Galo de Souza, trazem a história de vida do artista, as periferias, as referências da arte pernambucana, o urbanismo local e sua intervenção, a comunicação, a educação e o direito.

“É a arte pernambucana, nas ruas da cidade e em outras cidades, em outros países, se posicionando em um sentido educacional, político e poético, pregando o amor e a liberdade, colocando a fé e a arte em sentido com o trabalho e o sonho celebrado”, enaltece.  

Os primeiros contatos com a cena hip-hop da década de 1990 fizeram José Cordeiro de Melo Neto, um garoto na ocasião, perceber que era possível atuar como sujeito. Em 20 anos como grafiteiro, tem seus trabalhos visuais reconhecidos no Brasil e no mundo, sendo referência da arte pernambucana.

“Pintar é criar sons coloridos, desenhos são linhas curvas e retas”, finca Galo de Souza.

Entre suas criações estão o Coletivo Êxito D Rua, o mutirão de graffiti, o Criativismo, o selo in bolada record, que lançou coletâneas, discos e demos, e a Rede Resistência Solidária, fundada juntamente com outros coletivos.

Projeto

O Invisível Notável (OIN) engloba toda a arte, com um disco, um livro, uma exposição e um documentário, que se unem para traçar um panorama abrangente e profundo da carreira do multiartista Galo de Souza, seja nos palcos, oficinas, palestras ou painéis.  

O projeto abrange a iconografia, o áudio e o visual de diferentes e estudos de técnicas da arte urbana ao longo de três décadas.

Confira todo o projeto pelo site https://agente.com.vc/oinvisivelnotavel - bit.ly/45yVPB3

*Via assessoria de imprensa. 

A estátua em homenagem ao cantor, compositor e escritor Lula Côrtes, localizada na beira mar de Candeias, Jaboatão dos Guararapes, foi alvo de vandalismo. A obra é de autoria do artista plástico Júnior Bola e foi inaugurada no dia 11 de março de 2017 durante uma maratona de shows no evento ‘Um Salve Para Lula Côrtes’, que contou com a presença de artistas como Cannibal, Isaar, Allen Jeronimo & Rave de Raiz e outros mais.

"Infelizmente fiquei, muito chateado, mas já esperava. É um tipo de trabalho que você se entrega de corpo e alma, vive tudo aquilo. Sou de Barra de Jangada, portanto conhecia a história dele, e você ter a oportunidade de "eternizar" uma figura daquela através da arte, junto com amigos, como Jadson do Vale (Bactéria) Galo de Souza e toda a galera que idealizou esse evento, galera essa que faz parte desse mundo da arte já um tempo", lamentou Júnior Bola.

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Em uma foto, postada nas redes sociais, nota-se que parte da estrutura foi danificada e o tricórdio, instrumento árabe, que ficava no colo da estátua, foi arrancado e uma pichação foi feita. Na postagem, vários artistas e admiradores do trabalho do músico que fomentou a cena de Candeias mostraram sua indignação. 

"É triste, por isso que as pessoas boas se mudam daqui. Descaso do poder público, e de uma pessoa sem consciência e sem boas atitudes que pixa na arte que homenageia o artista. Pra continuar do mesmo jeito, sabíamos que isso iria acontecer. Mas o nosso amor pela arte não nos para. Agora um pixador desse... Sabemos onde vai para"r, escreveu Galo de Souza.

Ao LeiaJá, o secretário executivo de Cultura, Esportes, Lazer e Juventude de Jaboatão, Jota Barretto, disse que entrou em contato com Júnior Bola para a reconstrução do monumento, mas não há previsão para a reforma acontecer. Ainda de acordo com o secretário, não se tem conhecimento sobre os autores do ato, mas a área passará a ser monitorada.

Jadson Vale, mais conhecido como Bactéria (ex-Mundo Livre), é músico e morador do bairro e lamenta o ocorrido. Ele se diz triste, pois o projeto e o evento foram construídos por músicos em parceria com a Secretaria de Cultura de Jaboatão do Guararapes. "A obra não foi totalmente finalizada, mas tinha a necessidade, por parte da Secretaria, em fazer a inauguração no dia do evento em homenagem a Lula Côrtes" , afirmou ao LeiaJá.

"Deveria-se ter feito uma estrutura que protegesse a obra, já que ela não foi finalizada e o pagamento ao artista plático ainda não foi finalizado. Três meses depois de sua inauguração e ela está desse jeito. A manutenção dela é de responsabilidade da prefeitura do município", ressalta Bactéria.

Lula Côrtes, falecido em 2011, foi o primeiro cantor brasileiro a lançar um disco independente no país, em 1973. Fez parcerias com Zé Ramalho, Alceu Valença e Robertinho do Recife. Gravou grandes discos como o raro Paêbiru (1975) e difundiu a psicodelia em Pernambuco.

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Uma iniciativa da Construtora Rio Ave transformou sete tapumes de empreendimentos do Recife em obras de arte. A ação cultural inovadora na área da construção civil deve chegar às telonas. Até meados de junho, quem for assistir aos lançamentos, nos principais cinemas do Recife, vai conferir um comercial de 30 segundos do projeto Avenida Colorida. O vídeo é um convite para instigar o público a conhecer um documentário com intuito de divulgar a ação. O audiovisual já está disponível na Internet. A exibição do VT ocorre antes da sessão dos filmes X-Man: Dias de um futuro esquecido e Malévola.

Os sete murais ganharam vida pelas mãos de Galo de Souza e de sua equipe, que uniram tinta e criatividade para levar arte, através de desenhos ligados à história da cidade e da cultura regional. Os tapumes estão localizados em empreendimentos que estão nos bairros de Boa Viagem, Pina, Ilha do Leite, Jaqueira e Barra de Jangada. O artista já deixou sua marca em diversas regiões do Recife, como no muro do Parque Dona Lindu e em exposição no Espaço Cultural Perini, bem como em produções no Rio de Janeiro, São Paulo, Suécia, Portugal e Peru.

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Por Maira Baracho e Marina Suassuna

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"Iniciei minha vida no mundo das artes sendo um pixador, aos 9 anos de idade. Era uma criança que gostava de desenhar nas paredes, pra mim isso nunca seria um crime. Com 16 anos fiz meus primeiros grafites, impulsionado pelo rap. Passei a levar mais do que meu nome para os muros, passei a levar o que penso, o que preciso dizer". É assim que o pernambucano Galo de Souza, aos 33 anos de idade, grafiteiro há 20 anos, define sua trajetória de vida no texto de apresentação do seu blog. Para o artista, a pichação começou a ter espaço em sua vida ao mesmo em que aprendia a ler. Nos anos 1990, Galo conheceu o grafite e incorporou a rítmica nos desenhos que fazia na rua. "A diferença entre os dois é política, é de consciência, fora isso, ambos precisam se expressar. A gente pinta as ruas como se fossem cavernas, porque a gente precisa se expressar", explica.

Todavia, o rótulo de ex-pichador não se aplica a todo grafiteiro. "Se o cara já pichava ou não, é uma coinscidência. Os pichadores já estavam nas ruas e não sabiam o que era o grafite. Quando descobriram e quiseram fazer, foi mais fácil porque já faziam isso de outra forma. Já um cara que nunca pichou e conhece o grafite, passa a entender a linguagem, aprende as técnicas, começa a entender como funciona." A intensa participação do grafite nos circuitos de arte do mundo ajuda a diferenciar este movimento do que se conhece por pichação. A ideia é diferente e, ao contrário das pichações, o grafite se apresenta como arte, tem um propósito estético, uma preocupação. A pichação ainda existe, principalmente nas periferias. Mas já deixa de ser enquadrada na mesma situação do grafite, mesmo sendo responsável por originá-lo. Tornou-se óbvio caracterizar cada um.

Tendo a rua como cenário, os grafiteiros dão vida a sua inquietação artística no momento em que intervêm nos espaços públicos de maneira pacífica, pensando na possibilidade de diálogo entre as pessoas. A ideia de comunicar, sinalizar o que gostam, o que não gostam, pontuar valores, vai fazendo do grafite uma linguagem onipresente no cotidiano da cidade, conquistando um espaço de atuação que não escapa de fotografias, filmagens e principalmente dos olhos de quem transita nas ruas do Recife. "Quando eu ando pela rua, já fico olhando para as paredes e pensando: pô, aqui tem que ter um trampo", conta Galo, que também acredita na galerização da arte de rua como um fator positivo. Para a maioria dos artistas, o fato de estar ocupando museus e galerias não compromete o mérito do grafite, que, dessa forma, se torna cada vez mais visível. " O grafite pode ir em galeria, pode estar no livro, ele sempre esteve em vários lugares", defende Galo. Mesmo sem abrir mão de participar de exposições, Cajú, ex-pichador e grafiteiro há 10 anos, é enfático: "Nós não podemos deixar a rua, se não perdemos nossa essência".



Entretanto, o circuito de arte, os salões e os museus continuam abrigando pessoas conservadoras, que muitas vezes resistem à afirmação do grafite nestes espaços. Mas isso não é visto inteiramente como um problema: o grafite nasceu nas ruas e esta atitude ainda é o que garante sua existência. Os ambientes renomados do meio artístico podem fechar suas portas para os grafiteiros, mas as ruas sempre vão ter um muro em branco, pronto para receber uma mensagem urbana. O pernambucano Derlon Almeida tem no grafite uma escola. Aos 14 anos, ele conheceu a arte urbana, aos 19 começou a produzir e entender a manifestação, incentivados por artistas como Galo de Souza.

Hoje, aos 27, Derlon se apresenta como artista plástico e já levou seu trabalho para o Rio de Janeiro – onde expôs quatro vezes -, Holanda e para espaços expositivos pernambucanos como o Museu do Estado, o Museu Murillo La Greca, a Sala Nordeste e a Torre Malakoff, ao lado de figuras renomadas como Abelardo da Hora e J. Borges. Para Derlon, a ligação com a rua gera estranhamentos. “Às vezes, isso gera um pouco de dificuldade porque as pessoas pensam 'ah, ele é das ruas', mas não tem problema”, revela. "'Ele' não necessariamente precisa estar nesse circuito, ele pode ser tatuador, o que for, e nas horas livres sair às ruas. Eu, por exemplo, trabalho como artista plástico e tenho que fazer esse equilíbrio", diz o artista. Derlon nota uma resistência entre os consumidores de arte, o que influencia na decisão de curadores, apesar de existirem vários grafiteiros inseridos no circuito representando bem essa categoria de artistas.

Dentro do próprio segmento existe resistência. Artistas que começaram nas ruas e jamais saíram dela, questionam a entrada do grafite nas galerias. “Tem gente que acha que o grafite tem que ficar só na rua, questionam aqueles que querem levar sua arte para outros lugares, mas acho isso bom, as pessoas tem o direito de se expressar”, afirma Derlon.

De forma autossuficiente, sem hierarquia e obrigações uns com os outros, os grafiteiros criaram o costume de se organizar em coletivos, também chamados de crews. Dessa forma, os artistas tendem para uma nova forma de expressão, em que se conectam com outros grafiteiros que atuam em linhas diferentes da arte de rua para culminarem no mesmo objetivo. Eles produzem eventos, sem periodicidade, em que se reúnem para promover mutirões de grafite. Uma cadeia de produção acaba sendo movida por artistas em diferentes linhas e locais de ação e atuação. Existem os que dão aula em presídios, em organizações educativas, os que pintam carros, trabalham com design, ou atuam apenas nas ruas. A tendência, segundo Galo, é as oportunidades se abrirem. "O grafite envolve muita gente, muita criatividade. Quanto mais arte diferente, mais as pessoas irão refletir sobre esse momento, essa situação".

O momento e a entrada no circuito tradicional de arte - O reconhecimento do grafite enquanto arte vem se fortalecendo, principalmente, nos últimos 10 anos. Esse acesso a outro ambiente gera a afirmação destes próprios artistas, que propõem novos estilos, novas linguagens e permitem ao grafiteiro se relacionar de uma nova maneira com sua arte. “Minha estética não é agressiva, mas a atitude de ir às ruas pintar permanece a mesma”, explica Derlon. Galo sintetiza o atual momento do grafite como uma economia criativa: "Talvez tenham roubado esse termo do grafite. A gente vem fazendo economia com criatividade, a criatividade vai construindo a nossa própria economia", avalia. O grafiteiro chama atenção para os artistas que trabalham na base, atuando de maneira pouco visível, mas comprometidos com a causa artística, a exemplo daqueles que dão aula. "É algo ativista, é um trabalho, nós criamos filhos, construímos casa... Não é só uma brincadeira de pintar, é muito mais que isso. E vai amadurecer cada vez mais. Eu acredito que nós, grafiteiros, vamos ser os Picassos do futuro, o movimento muralista que lá na frente vai estar conectando outras linguagens como filosofia, história, matemática, português", prevê Galo.

Derlon acredita que esse novo momento não é fruto de uma "bondade" do circuito e dos espaços. O artista enxerga o que vem acontecendo como um reflexo da qualidade das produções. Essa entrada não tirou dos artistas a liberdade criativa. “Os artistas começaram a mergulhar num campo de pesquisa muito mais amplo, fizeram das ruas uma verdadeira galeria aberta, tiveram essa preocupação estética e acabaram sendo sugados para as galerias”, explica. É uma nova cena da arte urbana, que acontece em sintonia com o que é feito nas ruas. O artista expõe num museu, mas isso não contém o desejo de pintar o espaço urbano e coletivo, o poste, o chão, os elementos da cidade e isso também faz o grafite se expandir.

Brasil, mercado de trabalho e futuro
Derlon segue o caminho do sucesso traçado pelo novo momento do grafite no mundo, mas acredita que a manifestação ainda tem muito espaço para conquistar no circuito de arte. O grafiteiro acredita que o crescimento e afirmação desta arte se deve mais ao que é produzido do que ao espaço que é dado. “O artista não pode manter sempre a mesma obra, tem que pensar coisas novas, se atualizar, pesquisar novas influencias, eu mesmo já mudei muito meu trabalho em poucos anos, se você faz isso consegue manter sua obras por muitos anos, o mercado suporta”, conta Derlon. O Brasil é um expoente deste processo, a arte urbana do país é forte e tem muitas produções. São Paulo, maior cidade brasileira e uma das maiores metrópoles do mundo, é uma das cidades referência quando se fala nesta arte, que muitos já chamam de pós-grafite.

Derlon esteve recentemente em Amsterdam, capital da Holanda, em um projeto que envolveu 7 artistas brasileiros, em que cada uma pintava um prédio. Ele acha super importante viajar, trocar ideias, vivenciar outras cenas, conhecer outros artistas. “Comecei a viajar muitas vezes por conta própria”, conta. Na viagem a Amsterdam, muitos artistas locais questionaram a escolha por brasileiros e a produtora do evento justificou a decisão a partir do caráter "mais concreto" do nosso trabalho.

Não se fala de grafite no Brasil sem citar os Gêmeos. Eles atuam em dupla desde os anos 80 e estão entre os cinco maiores nomes do grafite mundial. “É impressionante a capacidade criativa, eles dialogam com vários elementos. A posição deles não é demagogia”, opina Derlon. A evolução da cena proporciona o reconhecimento de muitos estilos. No Recife, muitos nomes têm ganho destaque por sua identidade forte.

"Mais do que um trabalho, o grafite para mim é uma missão", declara Galo, que recebe convites de trabalho com frequência e também tem seu planejamento interno, criando ilustrações para livros e discos, entre outros. "Nem sempre dá pra fazer tudo o que eu quero, mas, aos poucos, eu vou me concentrando e realizando, como o livro que estou fazendo junto com uma amiga advogada de Porto Alegre. A ideia é falar da arte do direito e do direito à arte". Galo já passou por locais como Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Brasília, Piauí, Paraíba, Curitiba, Florianópolis, entre outros. Fora do Brasil, encarou trabalhos na Suécia, Dinamarca, Holanda, Áustria, Portugal e Peru.



Técnicas - As obras de Derlon lembram muito a estética do cordel, mas a capacidade de dialogar com o público vai além desta referência. “Quem não conhece o cordel,
lá fora, sente o mesmo impacto, isso é impressionante: o poder de comunicação desta estética, são os mesmos sentimentos. A imagem tem essa simplicidade que torna ela universal”, explica o artista. Enquanto Derlon destaca entre as técnicas utilizadas o spray, rolo, colagem (lambe-lambe), pincel e estêncil, Galo brinca com o sombreado, volume, luz e a anatomia dos desenhos, seguindo uma modalidade própria, sem seguir tendências. "A minha regra é freestyle, chegar e criar, não tem como programar o que a gente vai fazer, o processo de criação é uma coisa que flui", diz Galo sobre seu processo criaivo. Personagens se repetem em suas composições, como a nuvem, a bicicleta, a casa, o 'LA' de Love Art. Galo explica que seu grafite sempre teve a ideia de comunicar.

Desenhos com frases, balões e pensamentos presentes em suas artes dão a idea de diálogo para quem passa na rua. Muito de sua cultura e produção são inspirados no Criativismo, movimento que criou e imprimiu em suas manifestações. "Tem o cubismo, o surrealismo, expressionismo, então eu também quis criar um 'ismo'. O criativismo é criatividade com ativismo, criativismo no sentido mais orgânico, o que eu crio como vida, não só como arte", diz Galo. Segundo o ex-pichador, o seu grafite já passou de grafite: "Eu dou o nome de Galoffitis, é a minha marca", resume.

A busca por uma marca é o caminho escolhido pela maior parte dos grafiteiros que se destacam, seja na rua, seja em galerias de arte e museus. Galo e Derlon são dois ótimos exemplos de personalidade criativa que vão além do óbvio e rompem barreiras com sua criatividade e talento.

No próximo sábado (28) o Parque Dona Lindu recebe 13 artistas grafiteiros para a ação coletiva Graffiti no Lindu. Das 14h às 20h Galo de Souza, Azul, Arbos, Jota Zeroff,  Johny C, Bozó, Augusto Barros Filho, Skaz, Juber, Sange, Léo Gospel, Dentão e Bonny criam suas obras de arte em painéis de madeira na área externa do Parque. O artista Raul Córdula, expondo atualmente na galeria do espaço, também participa da ação junto aos grafiteiros.

O público pode embarcar no mundo do grafite e  vivenciar suas próprias experiências, usando o papel como suporte para as tintas e sprays. A ideia da iniciativa é valorizar o grafite como segmento artístico, aproximar os artistas das pessoas e promover a ideia de cuidado com o patrimônio coletivo. Atualmente o Parque Dona Lindu já conta com obras de Galo de Souza na pista de skate e no muro do Parque, virado para a avenida Visconde de Jequitinhonha.

Serviço
Grafitti no Lindu – Viva os Direitos Humanos
Sábado (28), das 14h às 20h
Parque Dona Lindu  (Av. Boa Viagem)
Gratuito

Inaugura nesta terça (15) a Caixa Cultural Recife, no Recife Antigo. O novo centro de cultura que abrange exposições, shows, teatro, cinema e todas as manifestações de arte, abre as portas exibindo a exposição Segredos, do artista plástico goiano Siron Franco. Para marcar a inauguração do espaço, os artistas Galo de Souza, Raoni Assis, Manoel Quitério e Luana Neiva  fazem uma intervenção em pontos estratégicos da cidade. Cabanga, Boa Viagem, Marco Zero e Avenida Agamenon Magalhães foram os pontos escolhidos para receber as esculturas de dois metros de altura, em MDF, com as palavras arte, cultura, música ou teatro, com intervenções dos artistas.

Além da capital pernambucana, a Caixa Cultural já funciona em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. No Recife o espaço ocupa o antigo prédio da Bolsa de Valores, no centro, em frente ao Marco Zero da cidade. Segredos, a primeira exposição do espaço, já foi vista por mais de 100 mil pessoas em suas passagens pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. A abertura da exposição nesta terça (15) está prevista para às 21h e é apenas para convidados.

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Serviço
Inauguração da CAIXA Cultural Recife e Exposição “Segredos” – Siron Franco
Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505 Recife Antigo, Praça do Marco Zero)
Visitação de 16 de maio a 1 de julho
De terça a sábado, das 10h às 20h,  Domingo das 10h às 18h
Gratuito
Informações: (81) 3425-1906

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