Tópicos | agosto 2011

As encomendas à indústria da zona do euro aumentaram 1,9% em agosto ante julho, e 6,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, informou hoje a Eurostat, agência de estatísticas do bloco. Os resultados ficaram acima das estimativas dos economistas, que esperavam alta mensal de 0,5% e anual de 5,8%.

A alta anual foi a menor desde a queda de 2,8% registrada em novembro de 2009. O aumento mensal foi o primeiro desde maio deste ano. As informações são da Dow Jones.

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O resultado negativo do comércio varejista em agosto ante julho pode ter sido causado por uma queda na confiança do consumidor, devido ao agravamento da crise internacional e ao desaquecimento da economia brasileira, segundo o gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Reinaldo Pereira.

O recuo de 0,4% nas vendas do varejo em agosto ante julho, conforme divulgado mais cedo pelo IBGE, foi a maior queda vista desde março de 2010, quando o varejo caiu 0,8%.

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"Apenas duas atividades mostraram taxas positivas em agosto", disse Pereira. "Acredito que esse desaquecimento da economia, com resultados mais moderados, possa estar começando a ser representado aqui."

Na série com ajuste sazonal, as duas entre dez atividades que compõem o varejo que tiveram variações positivas foram equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (7,3%) e livros, jornais, revistas e papelaria (1,6%).

As demais apresentaram variações negativas: hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,1%); combustíveis e lubrificantes (-0,1%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,1%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,3%); móveis e eletrodomésticos (-0,4%); material de construção (-2,0%); tecidos, vestuário e calçados (-2,8%); veículos e motos, partes e peças (-4,6%).

"Pelos resultados deste mês, a pesquisa mostra uma desaceleração no comércio. Se isso vai se manter daqui para frente até o final do ano, a gente vai ter que esperar os resultados de setembro e outubro", ponderou o gerente do IBGE.

Veículos

O aumento de preços dos automóveis também pode ter prejudicado o desempenho das vendas do setor em agosto. A queda na venda de veículos e motos, partes e peças, acelerou para 4,6% em agosto ante julho, após já ter recuado 1,7% na leitura anterior e 0,3% em junho. "O governo anunciou o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e isso pode estar impactando o preço", disse Reinaldo Pereira.

Na comparação com agosto de 2010, a alta na venda de veículos e motos, partes e peças foi de apenas 3,7%, após registrar uma taxa de expansão de 8,9% em julho e de 12,6% em junho. "O aumento de automóveis novos medido pelo IPCA de setembro de 2010 até agosto foi de 9,6%. Já a inflação acumulada nesse período foi de 7,2%. Então, os preços dos automóveis aumentaram mais do que a inflação. Por isso, acredito que é preço e aumento de impostos (a causa da desaceleração nas vendas)", afirmou Pereira. No ano, o setor cresceu 10,2%, e, em 12 meses, teve expansão de 12,2%.

Incerteza

Além dos preços mais altos dos automóveis, a maior cautela dos consumidores antes de assumir dívidas com materiais de construção ajuda a explicar o desempenho negativo das vendas no varejo ampliado em agosto ante julho, de -2,3%, segundo o IBGE. As vendas de materiais de construção recuaram 2,0% em agosto, após já terem registrado queda de 0,1% na leitura anterior.

"A venda de material de construção pode estar sendo afetado por conta da crise internacional, da expectativa do consumidor. Como são investimentos de longo prazo, a incerteza está inibindo esses investimentos, como a construção de casas e reformas. Há uma expectativa de agravamento de crise. O consumidor ainda não sabe como essa crise da Europa e dos Estados Unidos vai influenciar o Brasil", explicou Pereira.

Segundo ele, o atraso na entrega de imóveis pelo programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, também pode estar por trás dessa desaceleração nas vendas do setor de construção. "Esse investimento do Minha Casa Minha Vida também não está indo como esperava. No início do ano, o governo entregou muita casa, e esse sujeito que assumiu a casa foi comprar material de construção para botar do jeito dele. Ele vai trocar o espelho da luz, vai quebrar o banheiro para fazer do jeito que quer. Mas esse projeto eu não tenho visto notícia que tenha entregado residência, que não tenha sido no início do ano", disse o gerente do IBGE.

Na comparação com agosto de 2010, houve alta de 6,6% nas vendas de materiais de construção. No ano, o volume vendido de materiais de construção cresceu 10,8%, e, em 12 meses, 12,0%.

O emprego industrial subiu 0,4% em agosto ante julho, na série histórica livre de influências sazonais, apontou a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o índice de média móvel trimestral mostrou variação de 0,1% em agosto.

Na comparação com agosto de 2010, o emprego industrial cresceu 0,6% em agosto deste ano. A variação acumulada em 2011 é de 1,6%. No acumulado dos 12 meses encerrados em agosto, o emprego industrial cresceu 2,3%.

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O déficit no orçamento da França diminuiu nos oito primeiros meses deste ano, após uma redução nos gastos públicos. Segundo informou hoje o Ministério do Orçamento, o déficit na segunda maior economia da zona do euro até 31 de agosto atingiu 102,8 bilhões de euros, abaixo dos 122,1 bilhões de euros registrados nos oito primeiros meses do ano passado.

No mesmo período, os gastos caíram para 243 bilhões de euros, de 270 bilhões de euros um ano antes, enquanto a receita subiu para 172 bilhões de euros, de 169,5 bilhões de euros.

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A França também teve, em agosto, o menor déficit comercial desde novembro do ano passado, com a finalização de contratos de vendas de aviões ajudando a aumentar as exportações. O déficit diminuiu para 4,97 bilhões de euros em agosto, de 6,36 bilhões de euros em julho, segundo informou a alfândega do país.

As exportações aumentaram para 37,4 bilhões de euros, de 35,27 bilhões de euros na mesma base de comparação, enquanto as importações cresceram para 42,4 bilhões de euros, de 41,6 bilhões de euros.

"Em agosto, a finalização de grandes contratos aeronáuticos e espaciais gerou um forte aumento nas exportações de material de transporte", que subiram para 8,2 bilhões de euros, de 6,4 bilhões de euros no mês anterior, afirmou a alfândega francesa em um comunicado. A França vendeu 16 jatos Airbus em agosto por um valor total de 1,35 bilhão de euros, menos do que as 20 unidades vendidas em julho e as 27 de junho. As informações são da Dow Jones.

A produção industrial registrou queda em 10 dos 14 locais que integram a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física, na passagem de julho para agosto, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Goiás (-6,6%) e Espírito Santo (-6,4%) apontaram os recuos mais acentuados, com o primeiro Estado devolvendo parte da expansão de 19,1% acumulada nos últimos três meses de crescimento e o segundo somando perda de 11,6% nos últimos quatro meses de recuo. Os demais locais que registraram redução na produção acima da média nacional, que ficou em -0,2%, foram Amazonas (-4,5%), Pernambuco (-3,0%), Bahia (-1,9%), Rio Grande do Sul (-1,5%), Pará (-1,2%), Minas Gerais (-1,1%) e região Nordeste (-0,9%).

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São Paulo, que tem o parque industrial mais diversificado do País e de maior peso na estrutura da indústria, apontou um recuo de 0,1%. Por outro lado, houve aumento na produção do Paraná (7,0%), do Rio de Janeiro (4,3%), de Santa Catarina (1,9%) e do Ceará (1,5%).

Na comparação com agosto do ano passado, os resultados foram positivos em 8 dos 14 locais pesquisados, mas houve influência do efeito calendário, já que agosto de 2011 teve um dia útil a mais que agosto de 2010. As expansões mais intensas que a média nacional, de 1,8% nesse tipo de comparação, foram observadas no Paraná (24,0%), impulsionado em grande parte pelos avanços assinalados nos setores de edição e impressão, veículos automotores e refino de petróleo e produção de álcool, no Amazonas (8,1%), no Pará (4,5%), em Pernambuco (4,5%), em Goiás (4,1%) e no Rio Grande do Sul (3,6%). Rio de Janeiro (1,8%) e São Paulo (1,5%) também registraram taxas positivas.

Os resultados negativos em agosto, em relação ao mesmo mês do ano passado, foram registrados em Minas Gerais (-0,5%), Espírito Santo (-1,4%), Bahia (-1,5%), Santa Catarina (-1,6%), região Nordeste (-3,7%) e Ceará (-13,8%).

Os investimentos em construção nos Estados Unidos subiram em agosto, apesar da economia em dificuldades. Os gastos em construção cresceram 1,4% em agosto, para uma taxa anual sazonalmente ajustada de US$ 799,15 bilhões, informou hoje o Departamento de Comércio do país. Já o número de julho foi revisado, de queda de 1,3% para queda de 1,4%.

O dado de agosto surpreendeu economistas, que esperavam queda de 0,4% no setor. As construtoras do país relutam em iniciar projetos por causa da economia fraca. As vendas de casas estão perto dos recordes de baixa, e governos municipais lutam para lidar com seus déficits orçamentários.

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O relatório mostrou que os gastos em construção residencial nos EUA subiram 0,9% em agosto, para US$ 246,09 bilhões, em comparação com o mês anterior, após caírem fortemente em julho. O gasto em agosto em projetos que não são de moradia aumentaram 1,6%, com despesas crescentes em rodovias, igrejas e escolas.

O gasto em construção no setor privado aumentou 0,4%, para US$ 510,98 bilhões. Os gastos em construção no setor público saltaram 3,1%, para US$ 288,16 bilhões, com o aumento nos gastos de governos estaduais e municipais. Na comparação com agosto do ano anterior, porém, os gastos em obras públicas caíram 6,3%. As informações são da Dow Jones.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) informou hoje que o tráfego global de passageiros aumentou 4,5% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já o transporte de cargas recuou 3,8% no mesmo período.

As companhias aéreas da América Latina registraram um crescimento anual de 5,6% no tráfego de passageiros em agosto, sendo que a capacidade aumentou 7,1%. A taxa de ocupação ficou em 76,9%. Na América do Norte o tráfego aumento apenas 2,9%, com a taxa de ocupação em 86,1%. Na Europa, o trafegou avançou 7,9%, com um aumento de 8,2% da capacidade. A taxa de ocupação ficou em 83,9%.

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No setor de transportes de carga, a Iata afirma que o mercado global mostra claros sinais de declínio. "Durante o segundo semestre de 2010, o transporte aéreo de carga perdeu participação no mercado para outras modalidades de frete. Em 2011, o transporte de cargas reflete a falta de crescimento nos volumes gerais de comércio global", diz a associação.

Na América do Norte, o transporte de carga registrou uma queda anual de 7,0% em agosto, sendo que na Europa a retração foi de 1,8% e na região Ásia-Pacífico de 5,4%. Já a América Latina liderou a alta, com expansão de 5,4%, seguida do Oriente Médio (3,7%) e África (2,2%). As informações são da Dow Jones.

A taxa de desemprego em sete regiões metropolitanas ficou relativamente estável em agosto, no patamar de 10,9%, conforme dados divulgadas hoje pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em julho, a taxa de desemprego estava em 11% e, em agosto de 2010, em 11,9%.

O contingente de desempregados no conjunto das regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal foi estimado em 2,414 milhões de pessoas em agosto - 27 mil a menos que em julho.

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Já o rendimento médio real dos ocupados não variou entre julho e junho, marcando R$ 1.360. Em relação a julho de 2010, o rendimento caiu 1,3%. A massa de rendimento dos ocupados também ficou estável em julho ante junho, mas subiu 1,4% em relação a julho de 2010.

São Paulo

A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo ficou relativamente estável em 11,2% em agosto. Em julho, a taxa de desemprego estava em 11,1% nessa área e, em agosto, era de 12,3%. No mês passado, o contingente de desempregados foi estimado em 1,204 milhão de pessoas, com 5 mil desempregados a mais.

O rendimento médio real dos ocupados caiu 0,8% em julho ante junho, e passou a equivaler a R$ 1.454,00. Em relação a julho de 2010, o rendimento variou 0,3%. Já a massa de rendimento dos ocupados caiu 0,7% em relação a junho, mas subiu 3,2% em relação a julho de 2010.

O rendimento médio real dos trabalhadores chegou em agosto ao mais alto patamar da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 2002. Os trabalhadores receberam, em média, R$ 1.629,20 em agosto, contra R$ 1.620,82 em julho.

A formalização contribuiu para o aumento da renda, segundo Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE. O número de empregados com carteira assinada no setor privado subiu 0,7% em agosto ante julho, com 82 mil vagas formais. Na comparação com agosto de 2010, o aumento foi de 7,5%, 764 mil vagas com carteira.

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"A formalidade pode ser uma das razões desse aumento no rendimento. Há mais pessoas com carteira assinada, ganhando melhor. Embora esse grupamento tenha apresentado queda no rendimento, no montante geral, eles estão mais numerosos e puxam o rendimento para cima", disse Azeredo. "A economia forte formaliza, e a economia formalizada possibilita um rendimento maior", completou.

Desemprego

Embora venha caindo a passos menores que o esperado, a taxa de desemprego no País alcançou uma média de 6,3% de janeiro a agosto, bem abaixo da taxa de 7,2% registrada no mesmo período de 2010, segundo dados divulgados hoje pelo (IBGE). "A taxa de desemprego é menor que a do ano passado em 0,9 ponto porcentual", ressaltou Cimar Azeredo.

"Não podemos dizer que o mercado está completamente parado, porque ainda que não seja significativa, você vê uma tendência desde maio, que é quando a gente espera uma inflexão na taxa, um movimento de ligeira inflexão, de 6,4% até 6,0%. De março a agosto, (o desemprego) caiu 0,5 ponto porcentual. Então é uma queda significativa".

Segundo Azeredo, o mercado está contratando, mas a passos curtos. Em agosto, a indústria contratou 40 mil pessoas, um aumento de 1,1% ante julho. Na construção, a alta foi de 1,3% no período, com mais 22 mil vagas. Já o comércio teve expansão de 0,3%, com 23 mil novos trabalhadores.

"A contratação está mais distribuída, mais gradativa. Mas isso está longe de ser um resultado negativo. Só que a gente não teve ainda uma abertura no mercado, um estímulo forte para contratar expressivamente. O estímulo seria ter a confiança dos investidores não só no cenário econômico externo, mas também interno, para expandir seus negócios e consequentemente expandir vagas", afirmou Azeredo.

O número de títulos protestados de pessoas jurídicas aumentou 7,3% de janeiro a agosto em todo o País, na comparação com o mesmo período de 2010. Em agosto, o resultado apresentou queda de 1,7% ante julho e subiu 17,4% em relação ao mesmo mês de 2010. Os dados foram divulgados hoje pela Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

Na Região Sudeste, nos oito primeiros meses de 2011, o total de títulos protestados aumentou 5,9%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Em agosto, houve queda de 7,4% ante julho e crescimento de 13,4% sobre igual mês de 2010.

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O aumento de 7,3% na média nacional foi influenciado, principalmente, pela Região Nordeste, que apresentou variação positiva de 16,7% no acumulado do ano. O Centro-Oeste também apresentou números acima da média nacional: 8,8% no acumulado de 2011.

Segundo a empresa administradora do SCPC, o valor médio dos títulos protestados em agosto foi de R$ 2.350 no País e de R$ 2.400 no Sudeste. "As incertezas no cenário externo devem continuar a influenciar as perspectivas de crescimento da economia brasileira, afetando a capacidade de pagamento e captação de recursos das empresas e podendo trazer efeitos sobre o protesto de títulos no País", afirma nota da Boa Vista.

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