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O kit de alimentos distribuído aos peregrinos que vão participar da vigília da Jornada Mundial da Juventude em Copacabana, na zona sul do Rio, não é nada light. Tem batata frita Ruffles, bombom, Kinder Ovo, Nutella, salada de atum, Nescau e torradas. "É bastante comida. Até poderia ter um sanduíche, mas os produtos são de boa qualidade", diz a peregrina Luciana Oliveira, de 24 anos, que é recepcionista e mora no Rio.

Ainda em Copacabana, um tanque de guerra coberto com pedaços de pão virou atração entre os peregrinos que passam pela Avenida Atlântica. No veículo há uma bandeira com a seguinte mensagem em inglês: "Bread not bombs" (pão em vez de bombas, em tradução livre). Levado à avenida pela organização World Future Council, a montagem foi feita com o objetivo de cobrar o redirecionamento dos gastos militares à assistência aos pobres.

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Grupos que estão acampados perto do mar estão erguendo barricadas de areia para impedir o avanço da maré durante a noite. Alguns chegaram a construir três séries de bancos de areia, cada uma com cerca de 50 cm de altura.

"Temos que ao menos tentar. Não tem mais espaço ali perto da avenida, afirmou o italiano Alessandro Priviter, de 20 anos, que estava reforçando uma das barricadas com uma proteção de papelão. Apesar do esforço, ondas mais altas já estão vencendo as primeiras barreiras, para desespero dos fiéis.

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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse hoje, em coletiva de imprensa, que a Cidade não fará oposição a manifestações. Paes foi questionado por um repórter sobre medidas para impedir protestos, como o realizado ontem na praia de Copacabana ao fim da encenação da Via Crucis.

Paes levou para a coletiva um trecho, que leu para jornalistas, do discurso do Papa Francisco sobre sempre haver a "opção do diálogo". Acrescentou que "ninguém quer segurar" as manifestações.

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"As manifestações são algo absolutamente normal num País democrático. E graças a Deus o Papa está num país democrático", disse. Paes ressaltou que tem se mostrado aberto ao diálogo com opositores e com a mídia, inclusive "dando a cara a tapa" sobre as falhas de organização do evento.

Sobre iniciativas para evitar que os problemas voltem a acontecer na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, Paes disse que deixaria os comentários sobre outros eventos para depois. Lembrou apenas que a Jornada Mundial da Juventude tem um grau de imprevisibilidade maior do que os eventos esportivos.

Brasileiros de todas as regiões do País e que chegaram ao Rio apenas para participar da vigília engrossam o numeroso público que lota a praia de Copacabana neste sábado. Muitos fiéis que não puderam vir antes por causa de trabalho ou estudo aproveitaram o fim de semana para participar da atividade.

"Será nossa oportunidade de participar de uma missa celebrada pelo Papa, de poder rezar com ele" explicou a estudante Maria Izabel Branco, de 15 anos, que veio com um grupo de Dourados (MS) apenas para a vigília.

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O grupo enfrentou mais de 24 horas de viagem de ônibus até chegar no Rio na sexta-feira de manhã. Na primeira noite, dormiram em um alojamento no bairro de Piedade. "Eram 33 pessoas no mesmo cômodo", contou. Hoje, planejam dormir na praia e até já montaram uma lona por cima da areia.

Maior alvo de reclamações, a fila para o banheiro na praia de Copacabana já ultrapassa uma hora de espera. "Eles deixaram todos os banheiros químicos do outro lado da avenida, perto dos prédios, mas fecharam a rua e não pudemos atravessar" reclamou a estudante amazonense Agatha Belo, de 17 anos, que estava na fila para usar os banheiros subterrâneos da orla. A carioca Marianna Pereira, de 18 anos, elegeu o banheiro como principal problema de organização da Jornada Mundial da Juventude. "Todos os dias esteve assim, mas hoje está ainda pior".

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, confirmou hoje ter sido convidado para o encontro de líderes realizado mais cedo no Theatro Municipal e justificou sua ausência com os deveres enquanto prefeito.

"Uns tem a sorte de ver o Papa em todos os eventos, outros têm que trabalhar", disse, em coletiva de imprensa. "Já estive com o Papa quatro vezes. Não consigo ir a todos os eventos porque tenho uma cidade para cuidar".

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Paes, no entanto, disse que esteve ontem com o Papa numa situação reservada em que o Pontífice disse que rezaria para seu filho, que estava fazendo aniversário. O prefeito disse que voltaria a se encontrar com o Papa até sua despedida.

Milhares de pessoas lotavam, no meio da tarde deste sábado, a praia de Copacabana, onde esperam o início da vigília, evento mais aguardado da Jornada Mundial da Juventude e que costuma reunir milhões de fiéis em todas as edições. É tanta gente que mesmo caminhar pela Avenida Atlântica é um desafio. Andar pela praia, quase impossível.

"Trabalho aqui há 40 anos e posso te falar, nunca vi tanta gente em Copacabana quanto hoje. Nem em Reveillon, nem em Carnaval, isso nunca esteve aqui", disse o vendedor ambulante Francisco de Assis Fonseca, de 59 anos. Vários peregrinos já montaram barracas e estão preparados para dormir na praia.

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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou hoje que a cidade vai receber um número recorde de visitantes neste fim de semana e pediu paciência à população, especialmente de Copacabana. Paes classificou a visita dos peregrinos como "uma invasão do bem" e estimou para amanhã 3 milhões de pessoas no bairro, o dobro do registrado nos últimos dias.

"A invasão do bem nos enche de orgulho e alegria. Mas vamos ter a partir de hoje, até amanhã, essa cidade tendo a maior aglomeração de pessoas da sua história", disse, em coletiva.

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Segundo ele, haverá uma concentração maior de pessoas do que o esperado pois a população da cidade comparecerá em maior peso à vigília e à missa de amanhã. Os eventos seriam realizados inicialmente em Guaratiba.

"Pedimos às pessoas muita paciência", disse, acrescentando que não será fácil a saída do bairro.

Apesar de ter dado ontem nota zero à organização da cidade, Paes se mostrou esperançoso de que os problemas vão ser reduzidos até amanhã e o saldo final será positivo.

"Perdemos as primeiras batalhas, mas vamos ganhar a guerra".

"Deus quis que fosse aqui em Copacabana", disse o padre Marcelo Rossi, ao comentar a transferência dos dois últimos eventos da Jornada Mundial da Juventude - a vigília hoje e a missa de encerramento amanhã - de Guaratiba para a Praia de Copacabana.

"Olhem para o mar, tudo começou no mar", disse o padre, durante apresentação para os fiéis no palco que receberá o papa Francisco pela terceira vez, na noite deste sábado. Marcelo Rossi é uma das atrações do Show do Futuro Brasil, que começou ao meio-dia.

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As diversas falhas ocorridas na organização da visita do Papa e da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Rio de Janeiro geram preocupação para o Mundial de Futebol 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016. A primeira viagem do papa Francisco, que foi recebido por um milhão de jovens peregrinos de todo o mundo, se converteu em um calvário diário para a "cidade maravilhosa" e suas autoridades.

A ponto de o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, admitir sua derrota: "se me perguntarem a nota da organização da JMJ, diria que estamos mais próximos de zero do que de 10".

As falhas começaram desde o início do evento. Na segunda-feira, um incrível engano do motorista - que errou o percurso - fez com que o pequeno carro Fiat Idea no qual o pontífice viajava desde o aeroporto ficasse bloqueado em várias oportunidades entre ônibus e uma multidão entusiasmada.

Na terça-feira, um problema de eletricidade paralisou por mais de duas horas o metrô do Rio, semeando o caos na cidade pouco antes da missa de abertura da JMJ na praia de Copacabana, onde se reuniam meio milhão de peregrinos de 170 países.

O mesmo calvário foi vivido para voltar para casa, quando sob uma incessante chuva as filas eram intermináveis nas estações de metrô, havia poucos ônibus e os bares e restaurantes estavam completamente lotados. Estas cenas se repetiram na quinta-feira durante o discurso de boas-vindas do pontífice aos peregrinos.

Por último, as autoridades foram obrigadas a modificar completamente a programação de três grandes eventos: a peregrinação, a vigília e a missa de encerramento. As chuvas transformaram em um lamaçal o terreno de 300 hectares preparado para a ocasião, em Guaratiba, a 60 km do centro do Rio. Apesar do dinheiro gasto, não se previu que poderia chover. E embora este clima seja pouco previsível, era possível que este terreno inundasse em caso de chuva.

Em um primeiro momento canceladas, a peregrinação e a vigília foram, posteriormente, restabelecidas. Os peregrinos caminham neste sábado do centro da cidade até a praia de Copacabana, onde irá ocorrer a vigília e onde não foi possível, por falta de tempo, instalar banheiros públicos. O Papa presidirá no mesmo local a missa de encerramento.

"O Rio não passou no teste", resumiu Chris Gaffney, um universitário americano que estuda o impacto urbanístico de grandes eventos esportivos no Rio. Mas isto não surpreende este especialista, que destaca "carências estruturais e uma falta de profissionalismo".

"Se você introduz um ou dois milhões de pessoas adicionais em uma cidade com infraestruturas frágeis, tanto no saneamento quanto no transporte, passando pelo sistema de saúde, é evidente que terão problemas", disse.

Segundo ele, a segurança pública é o principal desafio para o Mundial: "Os torcedores de futebol não os são bons peregrinos católicos. Quando você vê com quanta violência a polícia dispersa os manifestantes, imagina o que aconteceria se tivesse que lidar com 2.000 torcedores ingleses bêbados e excitados. É preciso formar a polícia, desmilitarizá-la a partir de agora".

No caso dos Jogos Olímpicos, o que provoca questionamentos é, sobretudo, a mobilidade urbana. "Se o metrô não funcionar, será catastrófico", afirmou Gaffney.

A isto se soma um mal-estar da população, que protestou pedindo mais dinheiro para reforçar os sistemas de transporte, educação e saúde, em vez de destiná-lo a estes grandes eventos. "Acredito que as pessoas não vão se conformar" e as históricas manifestações sociais da Copa das Confederações voltarão a ganhar espaço, considerou o especialista.

Os jovens brasileiros colocaram à prova os nervos da Federação Internacional de Futebol (Fifa) protestando, às vezes com violência, perto dos estádios para denunciar os gastos públicos, e forçando seu presidente, Joseph Blatter, a dizer: "Caso ocorram novos distúrbios no próximo ano, talvez deveremos reconhecer que o Brasil não era um bom lugar para organizar a Copa do Mundo".

Milhares de peregrinos enfrentaram chuva, frio e depois sol e novamente chuva nos 9,5 km de caminhada entre a estação ferroviária Central do Brasil (Centro) e a praia de Copacabana (zona sul do Rio). Tiveram de resignar-se à falta de banheiros químicos e, em alguns pontos, a tomar cuidado com ônibus, caminhões e carros, já que a prefeitura não cumpriu a promessa de interditar o percurso ao tráfego para a passagem dos fiéis. Foram problemas menores que parecem não tê-los afetados. A marcha teve como marca a alegria dos peregrinos.

A peregrinação é uma das formas tradicionais de manifestação da religiosidade popular dos católicos. Ela tem um sentido simbólico de "caminhada pela terra em direção ao céu" e é um exercício de orações em grupos e de penitência. Nas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJs), as peregrinações têm sido os momentos de confraternização e festa que antecedem a noite de vigília de orações.

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No centro do Rio, os problemas aconteceram em dois locais: na saída da Central e na avenida Presidente Wilson, quando os peregrinos precisaram cruzar para o Aterro do Flamengo. Apenas em dois locais havia banheiros químicos; num deles, só dois, um masculino e um feminino, gerando filas enormes.

A aglomeração maior de peregrinos em filas foi em frente ao Museu de Arte Moderna (MAM), no início do Aterro do Flamengo, onde eram entregues os chamados kit's Vigília, que têm de salada de atum a chocolate, com opções para lanche e jantar.

A enfermeira Elisângela Czekalski, de 27 anos, é cadeirante, veio de Recife para a Jornada e fez a peregrinação acompanhada da irmã e de amigos. Era ela, sozinha, quem empurrava a cadeira. "Tenho de fazer algumas paradas porque dói o ombro, os braços e as mãos, mas vou até o fim", disse Elisângela, abrigada em uma paróquia no complexo de favelas da Maré (zona norte). "Estou amando! Vivenciando cada momento!", falou.

Elisângela estava preparada para passar a noite na praia de Copacabana. "Trouxe tudo: saco de dormir, colchonete, uma manta para não passar frio". Para chegar à praia nos dias de eventos, ela tem usado o ônibus. "Muitos não têm elevador para cadeirantes, mas os motoristas têm sido muito atenciosos".

Um animado grupo de duas equatorianas, três bolivianas (todas freiras, de hábito) e duas peruanas seguia pelo Aterro. "Queremos ver o papa, escutar sua palavra. A peregrinação faz parte disso", disse uma das equatorianas, a professora Irene Uchoa, de 48 anos, que ensina crianças em Quito. "Vamos passar a noite na vigília", garantiu, mostrando um saco de dormir. Mesmo com sapatos, e não tênis (como a maioria dos peregrinos), as freiras não pareciam estar incomodadas com os quase 10 km de percurso até a orla.

Durante a peregrinação, grupos cantavam músicas religiosas - com direito a hits antigos do padre Marcelo Rossi ("o Senhor tem muitos filhos, muitos filhos Ele tem...") -, outros faziam orações. Sempre com muito bom humor. Ao cantar "Garota de Ipanema" com seu grupo, um padre brincou: "Ó, por que estou tão sozinho? Porque sou padre, oras!", provocando gargalhadas ao redor. Quando faltavam 2 km para o fim da peregrinação, um fiel olhou para cima e brincou: "Cadê meu carro, Deus?"

Nem todos seguiram a peregrinação até o fim. A aposentada Marileia Rukuiza, de 63, deixou o percurso na altura da Glória (zona sul), praticamente no meio. "Não consigo ir até o final, mas acho que já fiz a minha parte. Mais tarde, vou para Copacabana ver o papa de perto", disse ela, que é voluntária na Jornada. "Na nossa paróquia, já recebemos até 150 peregrinos, a maioria de países sul-americanos. Não falo espanhol, mas tento, e a gente se entende", disse.

Autoridades, membros da sociedade civil organizada e empresários deixaram por volta das 13 horas o Theatro Municipal do Rio após um encontro com o papa Francisco na manhã deste sábado.

O presidente da mineradora Vale, Murilo Ferreira, veio com a família. O executivo se mostrou impressionado com o discurso do jovem que falou da superação da dependência química e contou que ontem esteve com o papa no Palácio São Joaquim. "Ele abençoou minha medalha milagrosa. Me sinto honrado. O papa é um exemplo de simplicidade", disse Ferreira.

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Representante do candomblé e da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, o babalaô Ivanir dos Santos foi convidado pela Arquidiocese do Rio a participar da festa. "Isso mostra uma postura muito diferente do papa e do Vaticano", disse, ao sair do Municipal.

Santos pediu ao papa que a igreja se engaje na luta contra a intolerância religiosa, o genocídio da juventude negra e a perseguição religiosa às crianças da umbanda e do candomblé nas escolas. "O papa foi receptivo e falou da importância do estado laico", relatou.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), acredita que o público que vai à praia de Copacabana hoje e amanhã para ver o papa Francisco baterá todos os recordes da história dos réveillons na cidade. "Acho que serão 2,5 milhões ou 3 milhões de pessoas. O Rio de Janeiro inteiro vai para Copacabana ou para o roteiro do papa para se despedir. Estou vendo gente que não é católico querendo ver o papa", disse Paes depois de monitorar imagens da cidade no Centro de Operações Rio (COR).

Ele disse que serão inevitáveis transtornos nos deslocamentos, mas afirmou que o esquema de transporte está melhorando ao longo da Jornada Mundial da Juventude. "São cinco réveillons em uma semana. Vai ter sempre algum grau de tumulto, mas está cada dia mais organizado".

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O prefeito revelou que a produção de lixo dos peregrinos foi de apenas 47 toneladas em quatro dias, quando apenas na noite do ano novo os garis retiram 300 toneladas de lixo. Paes reiterou que a JMJ é um sucesso. "Tem problemas sim, mas não é essa desgraça. Ainda tem muita gente chegando. O papa papou o Rio."

O papa Francisco convocou neste sábado sacerdotes de todo o mundo a trabalhar nas "favelas e comunidades carentes", enquanto centenas de milhares de jovens católicos peregrinavam do centro do Rio de Janeiro em direção à praia de Copacabana, onde celebrarão uma vigília embalada pelas ondas do mar.

"Devemos ser muito orgulhosos de nossa vocação, já que ela nos dá a oportunidade de servir a Cristo nos pobres. É nas favelas, nas comunidades carentes (...) onde é preciso ir buscar e servir a Cristo", disse em espanhol o Papa argentino, de 76 anos, em uma missa na Catedral Metropolitana do Rio.

"Não podemos ficar enclausurados na paróquia, em nossa comunidade, quando tantas pessoas estão esperando o Evangelho", afirmou diante de milhares de cardeais, bispos, sacerdotes e seminaristas de 170 países que participam da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

O primeiro Papa latino-americano também condenou fortemente a atual "cultura da exclusão" e do descarte, onde "não há lugar para o idoso, nem para o filho não desejado", e onde as relações humanas são reguladas para alguns pela "eficiência e pelo pragmatismo". "Tenham o valor de ir contra esta corrente de eficiência, desta cultura do descarte", onde a solidariedade "é quase uma palavra ruim", pediu aos religiosos.

--- Evangelhos na praia ---

A praia de Copacabana, que recebe normalmente cariocas de corpos esculturais em pequenos trajes de banho, se tornou neste sábado cinza e frio o destino de uma peregrinação de centenas de milhares de jovens católicos que acamparão na areia depois de ouvir uma oração do Papa às 19h30 (horário de Brasília).

Francisco busca revitalizar a fé dos peregrinos num momento em que a Igreja perde fiéis, sobretudo jovens, que engrossam as fileiras de evangélicos ou se afastam das religiões.

Com um rosário de madeira nas mãos e a bandeira argentina como capa, Diego Vera, um advogado de Santa Fé de 26 anos, marchava do centro em direção à praia junto a milhares de peregrinos carregando colchonetes e barracas, cantando e dançando. "Esta peregrinação é a reunião de toda a Igreja jovem do mundo em direção à figura do Papa; representa o sacrifício, mas é preciso vivê-la com alegria", explicou à AFP o jovem.

"É tão próximo, é tão estranho escutar o Papa e sentir que é como ouvir seu pároco. Fala conosco de igual para igual, sem linguagem rebuscada e, sobretudo, pediu para que façamos bagunça, que levemos a Igreja para a rua", afirmou. "Esta é a juventude do Papa!", gritava uma freira veterana que acompanha a peregrinação, agitando um guarda-chuva fechado em direção ao céu, carregado de nuvens.

--- Conservar a fé ---

Durante seus seis dias de viagem ao Brasil, Francisco pediu para que os jovens conservem a fé na Igreja, apesar dos maus sacerdotes, e nas instituições políticas, apesar da corrupção, depois que grandes manifestações protagonizadas por jovens sacudiram o Brasil nas últimas semanas. O Papa, que assumiu o trono de Pedro em março substituindo Bento XVI, enfrenta o desafio de renovar uma Igreja em crise após escândalos de corrupção e pedofilia.

Também precisa seguir conquistando fiéis, embora a Igreja mantenha dogmas, desafiados às vezes pelos jovens, como a oposição ao uso do preservativo, ao divórcio, à homossexualidade, ao aborto até mesmo em casos de estupro e a defesa da virgindade até o casamento.

Devido às chuvas torrenciais que inundaram o Campo da Fé de Guaratiba - onde deveria culminar a peregrinação e ser celebrada a vigília e a missa final da JMJ - os três eventos foram transferidos para a praia de Copacabana. O assunto constrangeu as autoridades do Rio de Janeiro, que fizeram uma incomum 'mea culpa'. A organização da JMJ é considerada um teste antes do Mundial de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

Francisco também se reúne neste sábado com políticos, representantes da sociedade civil e da cultura no Teatro Municipal. Depois almoçará com cardeais e bispos brasileiros e passeará de papamóvel pela cidade, em mais uma demonstração da proximidade que busca com os fiéis.

Rio de Janeiro – Sob chuva fina, milhares de fiéis aglomeram-se desde o início da manhã de hoje (27) em frente ao Monumento dos Pracinhas, no centro do Rio, para retirar o kit da vigília. Outros já iniciaram o percurso de 9,5 quilômetros até a Praia de Copacabana, zona sul, onde o papa Francisco tem o último compromisso do dia, a Vigília de Oração, a partir das 19h30. Segundo a organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), mais de 1,5 milhão de peregrinos devem participar do encerramento do evento.

O kit pesa cerca de 3 quilos e contém as cinco refeições para o final de semana: almoço, jantar e ceia para hoje e café da manhã e almoço para amanhã (28). Ao longo do caminho estão montadas tendas de reciclagem para recolhimento do lixo.

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Quem chegou mais tarde precisou ter paciência. Com a chuva e a multidão, os kits foram sendo entregues vagarosamente, mas não houve tumulto. Bem-humorado, o piuiense Marcos Santos esperava na fila com um grupo de amigos tocando violão. “Quem canta, os males espanta”, brincou. “Se parar de chover na hora da Procissão do Santíssimo Sacramento e durante a noite, para não dormirmos na areia molhada, já está bom demais”, completou.

Os fiéis estão saindo da Central do Brasil em direção a Copacabana. Uma das faixas da Avenida Presidente Vargas, toda a Avenida Rio Branco, uma das pistas do Aterro do Flamengo e da Enseada de Botafogo e as avenidas Lauro Sodré, Princesa Isabel e Atlântica estão interditadas ao trânsito.

Até meio-dia, o acesso a Copacabana pode ser feito de carro pela Rua da Passagem e uma faixa da Lauro Sodré. A partir desse horário, todos os acessos serão fechados ao tráfego de veículos e só será possível entrar em Copacabana a pé ou de metrô. A liberação total do bairro ao trânsito ocorrerá às 19h de domingo.

Toda a rota da peregrinação está sinalizada e conta com apoio de postos médicos. O acesso ao Aeroporto Santos Dumont, no centro, está garantido, mas a prefeitura pede que as pessoas saiam mais cedo de casa para evitar transtorno.

A maioria dos peregrinos carrega malas e sacos de dormir para a vigília na praia, que se estende até as 10 horas de amanhã, quando o papa Francisco reza a Missa de Envio, com a presença da presidenta Dilma Rousseff, de ministros de Estado e presidentes latino-americanos. Banheiros químicos foram espalhados ao longo do Aterro do Flamengo.

Um grupo de paraguaios se adiantou e chegou em Copacabana às 7h. Javier Alonso Perez, de 17 anos, disse que não conseguiu dormir por causa da ansiedade. “Queremos encontrar um bom lugar para a Missa de Envio. Que pena que acaba amanhã. Está sendo bom demais”, comentou ele, que pretende dormir na praia para fazer a vigília.

Embora o início do trajeto começasse da Central do Brasil, muitos preferiram encurtar o caminho, como a aposentada, Maria de Lourdes Farinha, de 68 anos, que preferiu pegar um ônibus. “Na minha idade, minha filha, não aguento mais caminhar tanto assim. Mas o que importa é ter fé, né?”, desculpou-se.

O percurso da peregrinação foi alterado devido às chuvas. O terreno em Guaratiba, na zona oeste do Rio, acabou ficando alagado. Um esquema especial foi improvisado há dois dias para atender às centenas de milhares de católicos que participam do evento.

A prefeitura permitiu que os participantes da JMJ dormissem na praia sem a utilização de barracas. Para quem quiser voltar para casa, não haverá compra antecipada de bilhetes do metrô. Além disso, quatro das 32 estações serão fechadas para agilizar o transporte: Presidente Vargas, Cinelândia, Catete e Cantagalo.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, minimizou hoje os problemas de organização ocorridos durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio. Para Carvalho, as questões de logística são próprias de um evento que reúne quase 2 milhões de pessoas.

Ao contrário do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que afirmou ontem que a nota para a organização do evento "fica mais perto de zero do que de dez", o ministro deu nota oito para a JMJ, "no mínimo". "As coisas estão funcionando. Este aqui é o maior estresse que a cidade poderia sofrer. Nem a Copa do Mundo nem as Olimpíadas vão trazer tanta gente", afirmou Carvalho, ao chegar para o encontro do papa Francisco com autoridades e sociedade civil, no Theatro Municipal.

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Ainda segundo Carvalho, é impróprio avaliar a infraestrutura da cidade por um evento que foge do seu cotidiano. O ministro aproveitou para criticar a imprensa, que, segundo ele, tem focado pequenos problemas da JMJ e tirado o "clima de vitória" do evento.

Ao 12h30, Carvalho e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, vão se reunir com o chefe da segurança do papa, para discutir o esquema de saída de Copacabana, hoje à noite, após a vigília, e amanhã de manhã, após a missa de envio.

Peregrinos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) lotam estações do metrô do Rio. Uma multidão descia na estação Glória, na zona sul, para buscar o kit peregrino no Aterro do Flamengo e dar início à peregrinação até Copacabana, cortando parte do caminho, cujo início oficial é na estação Central do Brasil, no Centro.

Nas ruas do centro, como a Avenida Rio Branco, a movimentação de jovens é intensa. O papa estará no Theatro Municipal para um encontro com autoridades, marcado para as 11h30. A passagem pela Av. Rio Branco está fechada entre as Av. Almirante Barroso e a Rua Araújo Porto Alegre, assim como a estação Cinelândia do metrô, a mais próxima ao Municipal.

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A Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que confere poder de polícia às Forças Armadas, foi estabelecida para hoje e amanhã na área de abrange todo o trajeto de peregrinação até Copacabana, onde ocorrerão a vigília e a missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude.

Inicialmente, a GLO seria decretada na região de Guaratiba, na zona oeste. Entretanto, o local foi alterado em virtude da transferência dos dois eventos de Guaratiba para a Praia de Copacabana, devido às chuvas que transformaram o Campus Fidei (Campo da Fé) num lamaçal.

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A peregrinação começa na estação ferroviária Central do Brasil e segue pelas avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, no centro; Aterro do Flamengo, Enseada de Botafogo, Rua Lauro Sodré (Botafogo), Túnel Velho e Avenida Princesa Isabel (Copacabana), na zona sul.

Há militares do Exército e da Marinha ao longo de todo o trajeto. Milhares de fiéis já iniciaram a peregrinação em direção à Praia de Copacabana. A pista lateral sentido Centro da Avenida Presidente Vargas e toda a extensão da Avenida Rio Branco, no centro, estão interditadas ao tráfego.

Autoridades

Um público ainda pequeno está na frente do Teatro Municipal para ver o papa. Autoridades já começam a entrar no Teatro, como o presidente da Alerj Paulo Melo e o ministro Wellington Moreira Franco, da Aviação Civil.

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Os eventos e atividades da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) estão espalhados por vários pontos da cidade do Rio de Janeiro. Em áreas centrais há palcos montados, onde são realizados os principais shows. Nas Paróquias ocorre formação religiosa nomeada de catequese e há também exposição a favor da vida.

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Quem passou pela estação Central do Rio de Janeiro nesta semana teve a oportunidade de conferir uma mostra de um movimento que é contra o aborto, chamado Pró-vida. A iniciativa chama atenção por ser associada com imagens de motos. Parece inusitado no primeiro momento, mas o movimento criado nos Estados Unidos da América (EUA) é formado por cerca de 40 motoqueiros que trabalham contra o aborto.

Para o fundador do movimento, Tomaz Upshur, 40 anos, tudo partiu quando uma freira ciente de que ele é católico e faz parte do Pró-vida, o convidou para realizar um trabalho em conjunto com a igreja. Como é motoqueiro, Tomaz chamou um grupo de amigos e formaram uma equipe. “Nós conversamos com mulheres que pensam em praticar aborto e oferecemos ajuda. Conseguimos casas para elas morar, apoio jurídico quando necessário, trabalho e comida”, explicou.

O movimento surgiu desde 2009 e de lá até agora Upshur falou não lembrar quando vidas já foram salvas, mas garante ter sido muitas. “Nós visitamos hospitais e falamos que a vida dentro delas é muito importante”, disse.

De acordo com o fundador do movimento nos EUA cerca de 60% da população negra abortam. “Devido o controle de naturalidade elas não podem ter muitos filhos e acabam optando pelo aborto”, afirmou.

A exposição que tem atraído visitantes faz parte das programações culturais da JMJ e encerrou nesta sexta-feira (26).

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