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Por volta das 22h30 dessa sexta (22), objetos luminosos cruzaram o céu no Nordeste do Brasil. Os moradores da região ficaram abismados com a aparição e lançaram teorias de que se tratava de cometas, meteoros e até mesmo alienígenas, mas, na verdade, era lixo espacial.

A análise preliminar das imagens feita pela Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon) deixou os ufologistas frustrados. De acordo com o estudo, o "fenômeno espacial" percebido com maior intensidade no Sertão e Agreste se tratava da reentrada do estagio superior CZ-2C R/B (NORAD ID: 43173) de um foguete Longa Marcha 2C, lançado em 25 de janeiro de 2018 a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, na província de Sichuan, sudoeste da China.

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A empresa australiana EOS Space Systems divulgou a construção do primeiro laser com potência para remover o lixo espacial da atmosfera terrestre. Toda a infraestrutura do projeto levou cerca de sete anos para ser concluída e, segundo o portal de notícias 9 News, estima-se que a empreitada custe US$ 900 bilhões.

O sistema que projetará o feixe de luz fica no Observatório do Monte Stromlo, em Camberra, na Austrália, e tem a capacidade de atingir objetos espaciais que estejam voando a 29 mil km/h. O equipamento funciona em duas etapas. A primeira consiste em lançar o laser alaranjado, que pode ser visto a olho nu e serve como uma mira de alta precisão. Em seguida, um segundo laser, mais forte, porém invisível, é disparado para empurrar o objeto captado.

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A intenção da EOS Space Systems, segundo o CEO Ben Greene, é mapear a atmosfera da Terra, localizar objetos espaciais que podem atrapalhar a região e, assim, contribuir para que o ambiente fique mais limpo ao lançamento de novos satélites. A medida também impedirá que lixos espaciais colidam com aparelhos que estão na órbita do planeta.

De acordo com Karen Andrews, membro do Parlamento australiano, a construção e inauguração do projeto é uma oportunidade de economizar capital, por conta dos inúmeros casos de acidentes envolvendo colisões com satélites. Karen também afirmou que a tecnologia é importante para estabelecer novas parcerias entre instituições espaciais, como a Nasa, no auxílio em novas missões.

No início de abril, a estação espacial chinesa Tiangong-1 - que pesava 8,5 toneladas e estava fora de controle e inoperante desde 2006 - caiu no Oceano Pacífico, chamando a atenção do mundo para a questão da sucata espacial. Mas, segundo estudos feitos pela Agência Espacial Europeia (ESA), o problema é bem mais grave do que a queda de um módulo em pane: a quantidade de lixo aumentou consideravelmente nos últimos anos, deixando o espaço orbital da Terra cada vez mais próximo do limite de saturação.

Em 60 anos de atividade espacial, mais de 5 mil lançamentos de foguetes fizeram com que a órbita da Terra ficasse repleta de dejetos. A ESA estima que satélites inoperantes, partes de foguetes, peças de espaçonaves e pedaços de objetos relacionados a missões espaciais já somam 7,5 mil toneladas de lixo orbital.

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Esses detritos viajam em torno da Terra em velocidades alucinantes, que podem passar dos 28 mil quilômetros por hora. Nessas condições, a colisão de um pequeno parafuso com um satélite pode ter o efeito de um tiro de canhão.

"Se reduzirmos os lançamentos espaciais a zero hoje mesmo, o número de objetos vai continuar aumentando da mesma forma. Isso porque cada colisão espalha um grande número de detritos, que continuam viajando no espaço em grande velocidade, produzindo novas colisões", disse ao Estado o diretor do Escritório de Detritos Espaciais da ESA, Holger Krag.

De acordo com Krag, esse efeito cascata, que tende a aumentar exponencialmente os riscos de novas colisões, praticamente inviabilizando o uso da órbita terrestre para atividades espaciais, foi previsto em 1978 por um consultor da Nasa, Donald Kessler. Quatro décadas depois, a chamada "síndrome de Kessler" já é uma realidade.

"Há cinco anos, concluímos que a síndrome de Kessler já acontece em algumas regiões do espaço e então corremos para implementar nosso programa de redução do lixo espacial. Estamos desenvolvendo tecnologias de remoção ativa dos detritos. Se conseguirmos recursos, o programa entrará em ação em 2023", afirmou Krag.

Ele conta que a prioridade é retirar do espaço os objetos grandes - que são a maior fonte de novos detritos - e os mais próximos à Terra, onde se concentra mais lixo. "Objetos menores também são perigosos, mas têm mais chance de cair na atmosfera, desintegrando-se."

Segundo Krag, o tempo entre duas colisões está ficando cada vez mais curto. "Hoje, acontece uma colisão a cada cinco anos, provocando milhares de fragmentos. Nesse ritmo, em poucas décadas a órbita baixa da Terra ficará impraticável."

Segundo Krag, em 2009 foi registrada a primeira colisão entre dois satélites de comunicação: um deles, russo, desativado, e o outro, americano, em operação. "Só nesse episódio foram lançados mais de 2 mil fragmentos de lixo. Por isso é tão urgente rastrear e eliminar esses objetos maiores."

Já foram rastreados até agora mais de 23 mil detritos com mais de 10 centímetros na órbita da Terra. Outros 750 mil fragmentos têm entre 1 e 10 centímetros. Estima-se que haja ainda 166 milhões de dejetos com menos de 1 centímetro, que não podem ser rastreados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Um grupo de cientistas alertou nesta terça-feira (18) sobre o perigo crescente relacionado ao lixo espacial acumulado durante seis décadas de exploração do cosmos, seja por meio de satélites ou em missões com astronautas.

Em menos de um quarto do século, o número de detritos com tamanho o suficiente para destruir uma nave espacial duplicou, de acordo com informações dos participantes de uma conferência da Agência Espacial Europeia (ESA) em Darmstadt, na Alemanha.

"Estamos muito preocupados", declarou Rolf Densing, diretor de operações da ESA, que espera por uma conscientização diante de um problema que julga poder ser resolvido apenas globalmente.

O risco de colisões com lixo espacial é estatisticamente baixo. Porém, ele aumentou com as sucessivas missões espaciais iniciadas em 1957, com o lançamento do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial, pela União Soviética.

Destroços dos foguetes, satélites fora de serviço, ferramentas perdidas por astronautas: todos esses objetos se multiplicam cada vez mais sob efeito das dispersões e colisões em cadeia.

Esses resíduos são capazes de alcançar 28.000 quilômetros por hora, velocidade essa na qual até mesmo um pequeno objeto pode ser suficiente para causar enormes danos.

Em 1993, alguns radares terrestres localizaram 8.000 objetos que tinham dimensão de mais de 10 centímetros. "Hoje em dia, temos cerca de 5.000 objetos com mais de um metro de comprimento, 20.000 objetos de mais de 10 cm... e 750.000 "partículas de 1 cm" provenientes da colisão desse lixo, especificou Holger Krag, responsável pelo departamento de resíduos espaciais da ESA.

A Agência Espacial Europeia afirma receber um alerta por colisão a cada semana, relacionado apenas aos seus 10 satélites situados na baixa órbita terrestre. Esses devem efetuar manobras entre uma a duas vezes ao ano para evitar acidentes.

O astronauta francês Thomas Pesquet explicou em um vídeo que a Estação Espacial Internacional (ISS), na qual vive atualmente, é capaz de resistir ao impacto de objetos de até 1 centímetro de diâmetro.

"A estação deve realizar manobras com frequência para evitar (a colisão com) os objetos, mas precisa de 24 horas para poder ser novamente acionada", contou Pesquet diretamente da ISS. Caso a tripulação não tenha tempo de evitar que o impacto aconteça, deve "ir a seu refúgio, a nave espacial Soyuz, para poder abandonar a estação em caso de colisão", ressaltou. "Isso ocorreu quatro vezes na história da ISS", salientou.

É preciso agir rapidamente para reduzir a quantidade de lixo espacial em volta da Terra, que pode contaminar algumas órbitas nas próximas décadas, afirmaram especialistas internacionais após uma reunião esta quinta-feira na Alemanha. Restos de foguetes, satélites antigos, ferramentas deixadas para trás pelos astronautas são os vestígios de quase cinco mil lançamentos desde o início da era espacial e que, sob o efeito de deslocamentos e impactos em série (Síndrome de Kessler), não param de se multiplicar.

Desde 1978, a quantidade de lixo espacial triplicou, o que aumenta o risco de colisões, advertiu o diretor do departamento de lixo espacial da Agência Espacial Europeia (ESA), Heiner Klinkrad.

"Em algumas poucas décadas, este entorno poderá ficar instável", afirmou Klinkrad durante a 6ª Conferência Europeia sobre Lixo Espacial, celebrada durante quatro dias em Darmstadt (Alemanha).

Atualmente, há mais de 23.000 fragmentos de lixo com mais de 10 centímetros - segundo estimativas da Nasa e da ESA -, a maioria em órbitas baixas (abaixo dos 2.000 km), utilizadas por satélites de observação da Terra ou pela Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

Quanto aos objetos entre um e dez centímetros, haveria centenas de milhares no espaço. Embora tenham aparência inofensiva, estes fragmentos, lançados a uma velocidade média de 25.000 km/h, podem avariar um satélite, afirmam os especialistas.

Em média, a cada ano a Estação Espacial Internacional deve fazer uma manobra para evitar uma potencial colisão. E, segundo a ESA, a cada semana uma dúzia de objetos se aproximam a menos de 2 km de um satélite.

As zonas mais afetadas são as órbitas polares situadas entre 800 e 1.200 km de altitude sobre a superfície terrestre, áreas onde se concentram vários satélites de observação.

Se os lançamentos continuarem no ritmo atual e nada for feito para reduzir a quantidade de resíduos espaciais, o risco de colisão pode ser multiplicado por 25, segundo projeções das agências espaciais.

Pior ainda, se atualmente os lançamentos fossem imediatamente suspensos, o número de objetos no espaço continuaria aumentando como consequência do "efeito Kessler".

Para tratar este problema, é preciso colocar sistematicamente os satélites desativados em vias especiais, onde acabarão se desintegrando na alta atmosfera terrestre, sem causar inconvenientes.

É preciso ainda retirar do espaço os fragmentos grandes, 5 a 10 por ano, a fim de estabilizar a situação, recomendaram os especialistas.

"Há um forte consenso sobre a necessidade urgente de agir rapidamente para retirar estes resíduos", afirmou Klinkrad no encerramento da conferência de Darmstadt, que reuniu 350 atores da indústria espacial.

Para alcançar este objetivo, a ESA, junto com outras agências espaciais, estudam várias soluções para desviar a trajetória dos resíduos à atmosfera: braços mecânicos, pinças gigantes, motores instalados nos resíduos, arpões, redes de reboque ou uma arma para bombear o objeto e mudar seu curso.

Tudo isso implica um custo, mas é inferior ao que custaria a destruição dos satélites devido a um choque contra estes resíduos (ao redor de US$ 100 bilhões de dólares).

Mas na melhor das hipóteses, essas "missões de limpeza" não começarão antes de dez anos.

A quantidade de detrito espacial chegou a um ponto crítico e a agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) precisa encontrar uma maneira melhor de monitorar e limpar o lixo na órbita da Terra, que ameaça os cerca de mil satélites comerciais, militares e civis em funcionamento e viagens espaciais tripuladas.

Essa é a conclusão do relatório do Conselho Nacional de Pesquisa do país, divulgado anteontem. "Teremos muito mais colisões, a uma taxa cada vez maior", afirmou Don Kessler, um ex-cientista da Nasa que presidiu o comitê que preparou o relatório. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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