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O juiz federal Marcelo Bretas condenou 15 pessoas, entre elas Fernando Cavendish, da Delta Engenharia, e o contraventor Carlinhos Cachoeira, e o doleiro e delator Adir Assad, por lavagem de dinheiro e associação criminosa no âmbito de supostos desvios de R$ 370 milhões de contratos com o governo estadual do Rio na gestão Sérgio Cabral (MDB). A denúncia foi oferecida no âmbito da Operação Saqueador, desdobramento da Lava Jato no Rio.

Segundo a denúncia, "para desviar aproximadamente 370 milhões de reais dos cofres públicos à época dos fatos, a DELTA utilizou 18 empresas de fachada e firmou diversos contratos fraudulentos, que não apresentaram qualquer causa econômica ou ligação direta com as obras efetivadas".

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O magistrado atribui a Cavendish o papel de "principal idealizador dos esquemas ilícitos perscrutados" e "beneficiário das práticas de lavagem de dinheiro imputadas".

"A quadrilha liderada por FERNANDO CAVENDISH utilizava a DELTA CONSTRUÇÕES S/A como um instrumento para encobrir as ações criminosas de seus membros e funcionários, acompanhado de diretores regionais da empresa e funcionários da área administrativa e financeira, transferindo vultosos recursos a empresas "fantasmas", como forma de dissimular o desvio de recursos públicos e o consequente pagamento de propinas a agentes estatais", anotou.

Denúncia

Segundo a denúncia, o inquérito da Saqueador foi instaurado a partir de desdobramentos das Operações Vegas e Monte Carlo. Nessas operações foram investigados os esquemas de direcionamento de emendas orçamentárias ao município de Seropédica (RJ), a manipulação de convênios e as fraudes às licitações, segundo destacam os investigadores.

Na operação Monte Carlo foi identificado que grande parte dos valores depositados nas empresas de Carlinhos Cachoeira era proveniente da empresa Delta Construções S.A. "Esses valores eram na verdade dinheiro público desviado para pagamento de propina a agentes públicos", sustenta o Ministério Público Federal.

Grampos telefônicos das operações revelaram a existência de relação estreita entre Cachoeira e Cláudio Dias Abreu, diretor regional do Centro-Oeste da empreiteira, envolvendo negociações com entidades públicas. Revelaram, também, que o contraventor mantinha contato frequente com os funcionários de alto escalão da Delta, como Rodrigo Moral Dall Agnol, Carlos Alberto Duque Pacheco, Heraldo Puccini e também com o presidente da empreiteira, Cavendish.

De acordo com a denúncia, "o gigantesco esquema de lavagem de dinheiro foi elucidado na operação Saqueador, cujas provas foram compartilhadas com a Operação Lava Jato no ano de 2015".

Segundo o Ministério Público Federal, entre 2007 e 2012, a Delta teve 96,3% do seu faturamento oriundo de verbas públicas representando esse porcentual o montante de quase R$ 11 bilhões e que a maior parte desses valores era proveniente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT).

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) negou nesta quarta-feira (27) o desbloqueio de bens do dono da Construtora Delta, Fernando Cavendish, apresentado por sua defesa. Investigado pela Operação Saqueador, desdobramento da Lava Jato, o empresário e mais seis executivos do grupo Delta tiveram imóveis e bens móveis bloqueados para reparar a União.

O Ministério Público Federal (MPF) acusa os envolvidos de lavagem de dinheiro no total de R$ 370,4 milhões por meio de contratos fraudulentos com empresas fantasmas. A decisão do TRF2 seguiu a posição do MPF.

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Em outra decisão, também nesta quarta-feira, o tribunal negou o pedido de desbloqueio feito pela empresa Miriam Minas Rio Automóveis e Máquinas SA, de propriedade de José Carlos Lavouras, que é dirigente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). Preso em Portugal, Lavouras é réu na Operação Ponto Final, que investigou esquema de corrupção no transporte público do Rio de Janeiro.

As duas decisões foram por unanimidade, com 3 votos a 0.

O ex-senador Delcídio Amaral (MS) afirmou nesta quinta-feira, 16, que a CPI do Cachoeira, instalada em 2012, acabou no vazio por orientação do governo da época. Segundo ele, a CPI foi incentivada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio a um "ranço" após o mensalão e buscava atingir líderes da oposição em Goiás, como o governador Marconi Perillo (PSDB), mas houve recomendação de que fosse encerrada quando evoluiu e ficou "perigosa" para o governo.

"Essa CPI veio principalmente no intuito de justiçar o que tinha acontecido, mas não foi bem pensada. Quando os trabalhos foram avançando e apareceram informações, o governo orientou para que terminasse", afirmou o ex-senador, que prestou depoimento nesta quinta na 7ª Vara Federal Criminal do Rio. Delcídio afirmou que não acompanhava profundamente a CPI porque não era titular nem suplente. Segundo ele, ficava a par dos assuntos dela por meio dos relatos de reuniões de bancada.

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Delcídio contou que Lula agiu para que houvesse o número de assinaturas necessárias para a instalação da CPI. "Depois das consequências que vieram, o governo agiu para tirar o pé."

Questionado se tinha partido de Lula a iniciativa de esvaziamento, afirmou que o ex-presidente tinha conhecimento disso. "Nenhuma atitude numa CPI, no sentido de esvaziá-la, é feita sem conhecimento do governo. Não existe."

Segundo ele, a CPI começou tendo como objeto os líderes da oposição de Goiás, como Perillo e o ex-senador Demóstenes Torres. "O governo percebeu nitidamente que a CPI poderia trazer problemas e consequentemente, como todo governo faz, quando há risco, abafa", disse.

Segundo Amaral, o "ranço" do mensalão era especificamente em relação ao governador de Goiás. O ex-senador relatou que Perillo teria conversado com o governo sobre votos para a CPI dos Correios, mas o que teria sido falado não teria surtido efeito. "Se imaginava que com a CPI do Cachoeira o chumbo voltaria, mas o chumbo não estava voltando, mas ia bater em quem queria se vingar. Daí esvaziaram a CPI", afirmou a jornalistas após prestar depoimento.

O ex-senador acrescentou que, com as quebras de sigilo em meio à CPI, apareceram empresas que poderiam comprometer o governo, como as de Adir Assad, empresário controlador de empresas-fantasma para receber dinheiro desviado de esquema de corrupção na Petrobras.

"Poderiam aparecer contribuições de campanha, ligando essas contribuições a várias obras em andamento". Segundo ele, a CPI terminou "melancolicamente" sem resultado nenhum. Delcídio disse não saber quais eram as obras. Assad foi um dos nomes que surgiram à época, mas havia outras empresas que faziam o mesmo tipo de atividade, afirmou. "Tinham empresas prestadoras de serviço usadas pelas construtoras para fazerem repasses, mas isso eu ouvi nas reuniões da base do governo".

Delcídio disse que inicialmente achavam que a CPI era restrita a Goiás. "Com quebra de sigilos, entraram empresas, como a Delta (Engenharia), e empresários, como Adir Assad. A partir de um determinado momento, a CPI começa a reduzir de tamanho. Claramente se via um risco para o governo".

O juiz federal Marcelo da Costa Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, decidiu nesta terça-feira, 14, adiar as audiências marcadas para hoje da Operação Saqueador. O motivo foi problemas no áudio da teleconferência que seria realizada para ouvir uma das testemunhas, Rubmaier Ferreira de Carvalho.

O ex-senador Delcídio do Amaral, outra testemunha da acusação que estava prevista para ser ouvida nesta terça, terá depoimento colhido na quinta-feira à tarde, às 16h. Já Carvalho será ouvido no período da manhã também de quinta-feira.

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A Saqueador foi deflagrada em junho do ano passado para investigar as suspeitas de lavagem de R$ 370 milhões em obras tocadas pela construtora Delta.

O Ministério Público Federal denunciou em junho do ano passado Carlinhos Cachoeira, Fernando Cavendish, Cláudio Abreu, Adir Assad e Marcelo Abbud por associação criminosa, em um esquema de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro, no qual a empreiteira Delta repassou valores a 18 empresas de fachada pertencentes aos operadores, totalizando mais de R$ 370 milhões desviados.

Cachoeira, Assad e Abbud eram os responsáveis por criar as empresas fantasmas que lavavam os recursos públicos, por meio de contratos fictícios, que eram sacados em espécie, para o pagamento de propina a agentes públicos, de forma a impedir o rastreamento das verbas.

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio requereu ao Tribunal Regional Federal da 2.ª Região que não desbloqueie bens de réus e empresas alvo da Operação Saqueador, acusados por desvios de R$ 370 milhões envolvendo a empreiteira Delta.

A procuradoria se manifestou sobre recurso da Allianza Infraestruturas do Brasil, que pediu a liberação de seus bens. A construtora alega ser a titular de bens atingidos pela decisão judicial e adquiridos em função da recuperação judicial da Delta. Para a procuradoria, é necessário o bloqueio dos bens "para garantir a eventual destinação à União em caso de condenação penal". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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O empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta Engenharia, negocia um acordo de delação premiada no qual pretende detalhar supostos pagamentos de propinas a políticos do PMDB e do PSDB relacionados a obras nos governos de São Paulo, Rio e Goiás, além de estatais federais como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Petrobrás. O acordo de colaboração se dá no âmbito da Operação Saqueador, da qual o empresário foi alvo em junho deste ano.

Na proposta, em forma de anexos, entregue aos procuradores do Ministério Público Federal do Rio e à Procuradoria-Geral da República, Cavendish, ao tratar de São Paulo, cita pagamentos indevidos que seriam destinados ao senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP), segundo fontes com acesso às negociações ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

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A empreiteira integrou consórcio responsável por um dos lotes da obra de ampliação da Marginal Tietê, que foi alvo de denúncia do Ministério Público de São Paulo. A investigação apura o pagamento de um aditivo de R$ 71 milhões à Delta que teria sido repassado a empresas de fachada em nome do operador Adir Assad, alvo da Operação Lava Jato. Um dos responsáveis pela obra era o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira Souza, afilhado político de Nunes Ferreira. À época da assinatura dos aditivos, Vieira Souza não era mais diretor da estatal paulista

A obra, realizada entre 2009 e 2011, foi resultado de um convênio firmado entre o governo de São Paulo, à época comandado pelo atual ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB), e a gestão municipal de Gilberto Kassab (PSD). A Delta recebeu ao todo R$ 360 milhões para a execução do lote 2, com abertura de vias da Ponte das Bandeiras, no centro, até a Rua Ulisses Cruz, próxima ao Parque do Piqueri, na zona leste.

Maracanã

No anexo sobre o Rio, segundo apontam fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, Cavendish detalha sua relação com o ex-governador do Estado Sérgio Cabral (PMDB) e desvios praticados para obter contratos de obras, como a reforma do Estádio do Maracanã, do Parque Aquático Maria Lenk, na Barra da Tijuca, realizado com dispensa de licitação, e da transposição do Rio Turvo. À época da Operação Monte Carlo, quando surgiram pela primeira vez as suspeitas sobre a relação de Cavendish e Cabral, o ex-governador Anthony Garotinho chegou publicar fotos do empresário, do ex-governador e integrantes do governo carioca em momentos de descontração em Paris e Mônaco.

No caso da reforma do Maracanã para a Copa de 2014, o suposto pagamento de propina já foi citado em delação premiada pelos executivos Rogério Nora de Sá e Clóvis Peixoto Primo, da Andrade Gutierrez. Segundo os delatores, Cabral teria cobrado 5% de propina do valor total do contrato para liberar a formação do consórcio entre Andrade, Odebrecht e Delta. Orçada inicialmente em R$ 720 milhões, a obra custou cerca de R$ 1,2 bilhão. O ex-governador nega ter recebido os valores. Em outro anexo, Cavendish também detalha uma série de pagamentos para parlamentares federais e estaduais do PMDB.

Outro anexo da proposta relata supostos desvios praticados em Goiás, onde firmou contratos com o governo do tucano Marconi Perillo e municípios do Estado que somam ao menos R$ 276 milhões.

O empresário também detalha na proposta de colaboração supostas irregularidades para obter contratos com o Dnit. No anexo, ele explica como se deu o pagamento de vantagem indevida na disputa por obras de ao menos quatro rodovias federais - as BRs 482, 376, 104 e 101. A proposta é o primeiro passo para a delação, que precisa ser aceita pelo Ministério Público.

Prisão

Cavendish teve sua prisão decretada em 30 de junho pela Justiça Federal do Rio. Sua prisão temporária chegou a ser transformada em domiciliar, mas o Tribunal Regional Federal da 2.ª Região decidiu pelo retorno do empresário ao regime fechado. Em agosto, porém, ele foi beneficiado por decisão do Superior Tribunal de Justiça e voltou para a prisão domiciliar.

Ao lado de Assad e do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Cavendish foi denunciado na Operação Saqueador por envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro de cerca de R$ 370 milhões.

Os três já haviam sido citados na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal de Goiás. O caso foi encaminhado para a Justiça Federal do Rio que, em 2013, realizou a primeira fase da Saqueador. A partir de 2015, com o surgimento do nome de Adir Assad na Lava Jato, a investigação teve novo impulso e resultou na realização de sua segunda fase, na qual Cavendish foi preso.

Senador tucano diz que menção ao seu nome é 'mentira'

Atual líder do governo Michel Temer no Senado, o tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP) afirmou que não tem contato com Fernando Cavendish e que qualquer menção a pagamentos indevidos relacionados ao seu nome é "mentira". O senador afirmou ainda que ex-diretor da Dersa Paulo Vieira Souza é um "técnico e profissional altamente qualificado", mas negou ser seu padrinho político. Procurado pelo Estado, Vieira Souza não foi encontrado.

Por meio de sua assessoria, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) informou que "não há o que comentar" sobre o assunto.

O advogado Antônio Sérgio de Moraes Pitombo, responsável pela defesa de Cavendish, também afirmou que não comentaria o assunto. Por meio de sua assessoria, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou que não comenta eventuais negociações de acordo de colaboração.

Em nota, o governador de Goiás Marconi Perillo informou que "as informações apresentadas não têm a menor procedência". Segundo o texto, "conforme pode ser comprovado nas prestações de contas de 2010, aprovadas pela Justiça Eleitoral, a Delta não fez doações para a campanha do então senador Marconi Perillo". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso novamente na manhã desta quinta-feira (28) no Rio, pela Polícia Federal, após a decisão tomada ontem pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que julgou habeas corpus e restabeleceu a prisão do contraventor, do empresário Fernando Cavendish, dono da Construtora Delta, além de mais três acusados. Cachoeira foi levado para o presídio de Água Santa, na zona norte.

Cachoeira e Cavendish tinham sido presos na Operação Saqueador, que investiga supostos desvios de recursos de obras públicas, mas tinham deixado o presídio Bangu 8, no Rio, no último dia 11, após conseguirem o direito de cumprir prisão domiciliar. Eles deveriam sair com tornozeleira eletrônica, mas como não havia equipamento disponível, ficaram sob vigilância de agentes federais.

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O julgamento do mérito do habeas corpus (HC) foi feito pela 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) que restabeleceu a prisão preventiva dos acusados. Ele ainda podem recorrer da decisão. Ontem mesmo o juiz Marcelo da Costa Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, expediu novos mandados para a prisão preventiva.

A procuradora regional da República, Monica de Ré, defendeu no julgamento que a permanência dos acusados em liberdade representa risco de voltarem a praticar os crimes. A procuradora reivindicou ainda que os recursos "saqueados dos cofres públicos" deveriam ser devolvidos para "suprir o déficit do Estado do Rio de Janeiro".

A Saqueador foi deflagrada pelo Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro no dia 30 de junho. A operação investiga supostos desvios de R$ 370 milhões em obras públicas atribuídas à Construtora Delta, que era controlada por Cavendish.

Além do empresário, foram denunciadas mais 22 pessoas que estariam envolvidas no esquema de lavagem envolvendo verbas públicas federais.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra as decisões do ministro Nefi Cordeiro, que soltaram o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o lobista Adir Assad, que estavam presos preventivamente no Rio de Janeiro por envolvimento em esquemas de corrupção investigados pelas operações Saqueador e Pripyat.

Os subprocuradores-gerais da República José Callou e Francisco Sanseverino alegam haver motivos suficientes para manter as duas prisões preventivas. Eles pedem que o ministro Cordeiro reconsidere suas decisões sobre o bicheiro e o lobista ou que a 6ª Turma do STJ reavalie a determinação monocrática.

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Os procuradores também sustentam que o ministro concedeu as medidas sem solicitar as informações sobre o caso ao Tribunal e sem ouvir o Ministério Público. Eles defendem que ambos permaneçam na cadeia para evitar que continuem praticando crimes. "As decisões apontam contexto de criminalidade desenvolvida de forma habitual, profissional e sofisticada."

Cachoeira teve a prisão preventiva decretada em 28 de junho, durante a Operação Saqueador, que investiga o desvio de R$ 370 milhões de obras no Rio de Janeiro. Ele é acusado de, entre 2007 e 2012, realizar diversas operações para lavar dinheiro público. Na decisão do STJ, o ministro Cordeiro aponta "extemporaneidade dos fatos", mas os procuradores argumentam que os efeitos dos crimes cometidos perduram e podem ser percebidos até hoje.

"A recente delação premiada dos prepostos da Andrade Gutierrez no âmbito da Operação Lava Jato, ocorrida em março de 2016, confirmou a prática de desvios de verbas públicas por meio de contratos fraudulentos celebrados pela empreiteira Delta Construções Ltda". Cachoeira era diretor da empresa.

Já Assad foi preso preventivamente em 5 de julho, durante a Operação Pripyat, um desdobramento da Lava Jato que apura um esquema de corrupção envolvendo a empresa Eletronuclear. As investigações apontam que empresas de Assad podem ter sido usadas para lavar dinheiro de recursos recebidos pela Andrade Gutierrez e que eram usados para pagar propina.

No recurso, a PGR afirma haver provas de que Assad era o operador do esquema investigado pela Pripyat e também está implicado na Saqueador e na Lava Jato.

Os empresários Fernando Cavendish, Adir Assad, Cláudio Abreu e Marcelo Abbud e o contraventor Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, todos presos na Operação Saqueador da Polícia Federal, deixaram por volta das 4h desta segunda-feira (11) o presídio Bangu 8, no Rio.

Todos foram beneficiados por decisão da desembargadora federal Lizete Lobato, do 2º Tribunal Regional Federal, da 2ª Região. No fim de semana, a magistrada ordenou que os réus fossem liberados para cumprir prisão domiciliar, mesmo sem tornozeleiras eletrônicas, em falta no sistema penitenciário do Rio. Agora, eles deverão ser monitorados por agentes da Polícia Federal.

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A soltura dos acusados fora determinada pelo ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assad só foi liberado porque outro mandado de prisão, concedido na Operação Pripyat, que investiga corrupção na Eletronuclear, foi revogado também pelo STJ.

Os cinco deverão permanecer no Rio até a próxima quarta-feira, dia 13, quando será julgado o mérito do habeas corpus que determinou a libertação dos réus, ajuizado pela defesa de Cachoeira, mas cujos efeitos beneficiaram os outros réus. A Procuradoria-Geral da República vai recorrer da decisão para tentar levar os acusados de volta à prisão.

A Operação Saqueador da PF investiga supostos desvios de R$ 370 milhões em obras públicas atribuídas à Construtora Delta, que era controlada por Cavendish. O empresário era próximo do então governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB, 2007-2014), e sua empresa tocou obras importantes para o Estado e o governo federal.

A Companhia fez sem licitação, por exemplo, o Parque Aquático Maria Lenk, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. O complexo foi usado nos Jogos Panamericanos e também será utilizado na Olimpíada. De 2007 a 2011, segundo a Polícia Federal e o MPF, a Delta faturou R$ 11 bilhões só em dinheiro público - 96% de tudo o que ganhou no período.

Investigadores que acompanham o acaso dizem que há indícios de pagamento por serviços que não foram realizados, além de lavagem de dinheiro. Os valores seriam repassados para empresas de fachada e depois sacados em dinheiro vivo, para pagamento e funcionários públicos e a políticos, segundo a PF e o MPF. As defesas dos réus negam as acusações.

O habeas corpus que transformava em domiciliar a prisão preventiva de cinco presos pela Polícia Federal durante a Operação Saqueador - entre eles o ex-dono da construtora Delta Fernando Cavendish e o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira - foi revogado nesta quarta-feira, 6, pelo desembargador federal Paulo Espírito Santo, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

O grupo estava em um presídio do complexo de Bangu, na zona oeste, aguardando tornozeleiras para passar a cumprir prisão em suas casas. Agora, deve permanecer nessa penitenciária. O habeas corpus havia sido concedido na última sexta-feira, 1, pelo desembargador federal Antônio Ivan Athié, do mesmo TRF-2.

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Mas nesta terça-feira, 5, o Ministério Público Federal apresentou recurso ao Tribunal acusando Athié de ser suspeito para julgar pedidos relacionados ao empresário Fernando Cavendish, por conta da suposta amizade entre Athié e o advogado Técio Lins e Silva, que defende Cavendish.

Horas após a arguição de suspeição, encaminhada ao presidente do TRF-2, Athié pediu para deixar o caso, embora tenha ressaltado não ter nenhuma ligação íntima com o advogado. O pedido de Athié foi aceito pelo presidente do TRF-2. Em nova distribuição, o pedido foi encaminhado a Espírito Santo, que decidiu manter os cinco presos em penitenciária. Beneficiados pelo habeas corpus de sexta-feira, o grupo só não havia deixado o presídio porque a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária não havia fornecido tornozeleiras eletrônicas.

Quatro dias após conceder habeas corpus que transformou em domiciliar a prisão preventiva do ex-dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, e de outros quatro presos pela Polícia Federal na Operação Saqueador, o desembargador Ivan Athié, do TRF da 2ª Região, se declarou nesta terça-feira, 5, impedido de julgar o processo, segundo a defesa dos réus.

Com isso, todas as decisões tomadas por Athié na ação perdem o efeito. "Voltamos à estaca zero", afirmou Kleber Lopes, advogado de Cachoeira e autor do pedido. Também fora beneficiado pelo habeas corpus o bicheiro Carlos Alberto Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e outros três detidos pela PF na última quinta-feira, 30, acusados de lavagem de dinheiro.

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O pedido de habeas corpus, caso aceito pelo tribunal, o que é provável, será redistribuído e analisado por outro desembargador, que poderá conceder ou negar o benefício. Até que essa nova decisão seja tomada, Cavendish e os outros quatro acusados cumprirão a prisão preventiva. Eles estão no presídio de Bangu, na zona oeste do Rio, aguardando a entrega de tornozeleiras eletrônicas para poderem iniciar a agora suspensa prisão domiciliar.

O desembargador se declarou impedido horas após o Ministério Público Federal (MPF) levar oficialmente a questão ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, onde o desembargador trabalha. Segundo o MPF, Athié é amigo do advogado de Fernando Cavendish, Técio Lins e Silva, e por isso deveria ter se declarado impedido de julgar o pedido antes de conceder o habeas corpus.

"Sem pretender fazer juízo de mérito sobre o julgamento realizado, não há como se recusar a constatação de que as circunstâncias descritas retiram do magistrado o distanciamento e a imparcialidade necessários à apreciação desse processo, sobretudo pelo fato de Fernando Cavendish constar como parte", escreveu a procuradora regional da República Mônica de Ré no recurso que apresentou ao TRF-2 para tentar derrubar o benefício concedido a Cavendish. O habeas corpus foi pedido pelos advogados de Carlinhos Cachoeira, Kleber Lopes e Marcel Versiani, mas, concedido, passou a beneficiar também Cavendish e os outros três presos.

Procurada pela reportagem, a defesa de Fernando Cavendish não quis comentar a arguição de suspeição do desembargador. A ligação entre Athié e o desembargador havia sido apontada em reportagem publicada no jornal O Globo.

Operação Saqueador

Cavendish, Cachoeira e outras três pessoas são acusadas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que teria se apossado de R$ 370,4 milhões em recursos públicos. A ordem de prisão dos cinco foi determinada na quinta-feira, 30, pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, que atendeu pedido do MPF. O magistrado também aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra 23 pessoas acusadas de integrar o esquema. Todas se tornaram rés no processo. Quatro foram presas na própria quinta-feira. Cavendish tinha viajado à Europa e só foi preso na madrugada de sábado, 2, ao desembarcar no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Na sexta-feira, 1º, o desembargador Athié concedeu o habeas corpus, mas o grupo não havia conseguido sair do presídio pela falta de tornozeleiras eletrônicas. Uma das condições impostas pela Justiça para autorizar o início da prisão domiciliar era a instalação dessas peças, mas a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária não tem esse equipamento disponível, porque não pagou a empresa fornecedora.

Na segunda-feira, 4, o advogado Kleber Lopes ingressou com recurso perante o próprio TRF-2 pedindo que Carlinhos Cachoeira fosse autorizado a cumprir a prisão domiciliar sem usar tornozeleira. "Uma pessoa não pode receber punição maior do que aquela determinada pela Justiça por incapacidade do Estado para fornecer as condições de liberdade. Se não tem tornozeleira, que a Justiça autorize meu cliente a cumprir a prisão domiciliar sem ela", afirmou o advogado na ocasião. O desembargador federal Paulo Espírito Santo negou o pedido.

Lopes recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) repetindo o pedido de prisão domiciliar sem tornozeleira, que será julgado pelo presidente da Corte, Ricardo Lewandowski, porque os demais ministros estão em férias. "Pode ser que ele conceda o habeas corpus diretamente, como fez no caso do (ex-ministro) Paulo Bernardo", analisa o advogado.

O Ministério Público Federal (MPF) protocolou nesta terça-feira, 5, perante o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) um recurso contra a concessão de habeas corpus a Carlos Alberto Almeida Ramos, o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o ex-presidente da construtora Delta, Fernando Cavendish, e outras três pessoas presas na última quinta-feira pela Polícia Federal sob acusação de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que teria se apossado de R$ 370,4 milhões em recursos públicos.

Na sexta-feira, 1º, habeas corpus concedido pelo desembargador federal Antônio Ivan Athié transformou em domiciliar a prisão preventiva dos cinco. Segundo o MPF, Athié é amigo do advogado de Fernando Cavendish, Técio Lins e Silva, e por isso deveria ter se declarado impedido de julgar o pedido. Se a presidência do TRF-2 aceitar o pedido e declarar o desembargador suspeito para julgar esse processo, o habeas corpus concedido por ele deixará de valer.

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"Sem pretender fazer juízo de mérito sobre o julgamento realizado, não há como se recusar a constatação de que as circunstâncias descritas retiram do magistrado o distanciamento e a imparcialidade necessários à apreciação desse processo, sobretudo pelo fato de Fernando Antônio Cavendish Soares constar como parte", afirma no recurso a procuradora regional da República Mônica de Ré, autora da peça processual. O habeas corpus foi pedido pelos advogados de Carlinhos Cachoeira, mas, concedido, passou a beneficiar também Cavendish e os outros três presos.

Procurada pela reportagem, a defesa de Fernando Cavendish não quis comentar a arguição de suspeição do desembargador.

No recurso, a procuradora também contesta a concessão do habeas corpus. Ela rebate os argumentos da defesa e tenta demonstrar a necessidade de manter presos os cinco acusados. "O MPF justifica a ordem de prisão preventiva pela necessidade de garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal, como prevê o Código de Processo Penal, por meio da desarticulação da organização criminosa. Na avaliação da Procuradoria, outras medidas cautelares em substituição à prisão são alternativas insuficientes e inadequadas nesse caso", afirma o MPF em nota divulgada sobre o recurso.

"É evidente a gravidade concreta e a reiteração dos delitos, o que reforça a necessidade da manutenção dessas prisões", diz a procuradora Mônica de Ré. "Também a prisão visando assegurar a aplicação da lei penal se mostra necessária, visto se tratar de pessoas com grande probabilidade de fugirem do país, devido à magnitude da organização e sobretudo dos vultosos valores envolvidos."

Tornozeleiras

Desde sexta-feira, quando o habeas corpus foi concedido, os cinco acusados deveriam estar presos em suas casas. Mas eles continuam no presídio de Bangu 8, na zona oeste do Rio, porque a Justiça determinou que eles só poderiam deixar a penitenciária usando tornozeleiras eletrônicas e a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária não tem esse equipamento disponível, porque não pagou a empresa fornecedora.

Nesta segunda-feira, o advogado Kleber Lopes ingressou com recurso ao próprio TRF-2 pedindo que Carlinhos Cachoeira seja autorizado a cumprir a prisão domiciliar sem usar tornozeleira. "Uma pessoa não pode receber punição maior do que aquela determinada pela Justiça por incapacidade do Estado para fornecer as condições de liberdade. Se não tem tornozeleira, que a Justiça autorize meu cliente a cumprir a prisão domiciliar sem ela", afirmou o advogado.

O recurso vai ser apreciado pelo desembargador federal Paulo Espírito Santo, que ainda não emitiu sua decisão. Se for concedido, o benefício deve ser estendido aos outros quatro presos.

Um dia depois de ser preso sob a acusação de integrar um esquema de lavagem de R$ 370 milhões em verbas públicas federais encabeçado pela empreiteira Delta Construções SA, o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, conseguiu um habeas corpus que transformou sua prisão preventiva em domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica de monitoramento.

A decisão do desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), beneficiou mais quatro pessoas. Adir Assad e Marcelo Abbud, donos de empresas fantasmas que lavavam o dinheiro, e Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta, haviam sido presos nesta quinta-feira, 30. O quinto beneficiado é o ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, que também teve a prisão decretada, mas que não havia sido preso por estar em viagem na Europa.

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Segundo informou a assessoria de imprensa de Cavendish à tarde, ele "está providenciando o retorno ao Rio de Janeiro", mas ainda não tem data para voltar. Quando chegar, não será mais encaminhado a uma carceragem: ficará em sua residência, um apartamento de luxo de frente para o mar do Leblon (zona sul), do qual não poderá sair. Os outros quatro acusados, levado a carceragens no Rio, seriam encaminhados para suas casas a partir desta sexta à noite. A assessoria de Cavendish divulgou que, "consciente da legalidade dos seus atos", ele "sempre atendeu às solicitações da autoridade policial e assim continuará a fazer".

O advogado de Marcelo Abbud e Adir Assad, Miguel Pereira Neto, disse que a prisão deles não se justificava, porque era baseada em suposições. Ele afirmou que os clientes não eram donos das empresas fantasmas, que, segundo o Ministério Público Federal, emitiam notas frias não só para a Delta, mas para outras empresas corruptas. "Quem supõe não poderia concluir com elementos concretos, como consta da decisão. O magistrado, com todo o respeito, supôs e intuiu", afirmou.

Assad já estava preso e usava tornozeleira eletrônica - foi condenado na Lava Jato a nove anos e 10 meses de prisão por empregar firmas de fachada para lavar o dinheiro da propina no esquema de corrupção na Petrobras. "Não haveria a mínima condição de ele preencher os requisitos para que fosse decretada uma prisão preventiva. Os atos que são apontados se referem ao período entre 2007 e 2012, ou seja, são pretéritos", continuou o advogado. Os advogados de Carlinhos Cachoeira e a de Cláudio Abreu não foram localizados pela reportagem.

Na quinta-feira, 30, a Justiça Federal aceitou a denúncia feita pela Procuradoria da República no Rio de Janeiro contra os cinco e mais outras 18 pessoas acusadas de integrar o esquema. No mesmo dia, a Justiça também decretou a prisão dos cinco. Eles são acusados de lavagem de dinheiro e de formação de quadrilha. Agora, deverão ficar em casa até que comprovem vínculo empregatício, terão de comparecer quinzenalmente em juízo e não poderão manter contato com os demais investigados. Eles também deverão entregar os passaportes.

O procurador Leandro Mitidieri, autor da denúncia, pediu ainda à Justiça que o ganho decorrente dos crimes praticados seja devolvido, no total de R$ 740,8 milhões (duas vezes o valor movimentado ilegalmente). "Não há divisão prévia desse valor entre os réus. Se o pedido for aceito, todos se tornam devedores solidários, e os bens são recolhidos, sejam de qualquer um dos réus, até atingir esse valor", explicou o procurador nesta sexta.

Ele reafirmou que funcionários públicos e políticos ainda estão sendo investigados por envolvimento no esquema, mas ainda não há data para a apresentação de eventuais denúncias contra eles. "Essa parte será feita pelo grupo de procuradores responsável pela Operação Lava Jato no Rio".

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal do Rio, abriu ação penal nesta sexta-feira, 1º, contra os investigados da Operação Saqueador. O Ministério Público Federal acusa o empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta Construções S/A, os operadores Carlinhos Cachoeira, Adir Assad e Marcelo Abbud de lavagem de R$ 370 milhões entre 2007 a 2012, na Operação Saqueador.

A Procuradoria da República, no Rio, ofereceu denúncia contra Fernando Cavendish e mais 22 pessoas envolvidas em esquema de lavagem envolvendo verbas públicas federais. Dentre os denunciados estão executivos, diretores, tesoureira e conselheiros da empreiteira, além de proprietários e contadores de empresas fantasmas, criadas por Carlinhos Cachoeira, Adir Assad e Marcelo Abbud.

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Operação lista 18 empresas de fachada usadas pela Delta para lavagem de R$ 370 mi. Os investigadores apuraram a atividade da empreiteira Delta e constataram que, entre os anos de 2007 a 2012, a empresa teve 96,3% do seu faturamento oriundo de verbas públicas, chegando ao montante de quase R$ 11 bilhões. Desse total, mais de R$ 370 milhões foram lavados, por meio de pagamento ilícito a 18 empresas de fachada, criadas pelos chamados "operadores" do esquema. Cachoeira, Assad e Abbud eram os responsáveis por criar as empresas fantasmas que lavavam os recursos públicos, por meio de contratos fictícios, que eram sacados em espécie, para o pagamento de propina a agentes públicos, de forma a impedir o rastreamento das verbas.

Essas companhias existentes somente no papel pertencem aos dois principais grupos de operadores do esquema Delta, segundo o MPF, o liderado por Assad e o liderado por Cachoeira. No caso do primeiro grupo, Adir Assad já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a nove anos e 10 meses de prisão por utilizar suas empresas de fachada para lavar o dinheiro da propina no esquema de corrupção na Petrobrás. Para o MPF, ele teria adotado o mesmo modus operandi, inclusive usando as mesmas empresas fictícias, para lavar dinheiro da Delta que teria sido direcionado para o bolso de agentes públicos e até políticos.

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O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o ex-diretor da Delta Construção para a Região Centro-Oeste, Cláudio Abreu, chegaram no final da tarde à sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, na Praça Mauá. Junto, estava o empresário Aldir Assad, preso pela manhã em São Paulo. Os três foram presos na Operação Saqueador, deflagrada nesta quinta-feira (30).

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Cachoeira e Cláudio Abreu entraram direto em um carro da PF pela entrada principal, da Avenida Rodrigues Alves, antes das 17h45. 

Os três foram ouvidos pelo delegado Tácio Muzzi, chefe da delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros da Polícia Federal. Depois de ouvidos, por cerca de uma hora, os três deixaram a superintendência - eles estavam na caçamba da viatura - com destino ao Instituto Médico Legal (IML), onde farão exames de corpo delito. Em seguida, serão levados para um presídio do Rio, onde ficarão à disposição da Justiça Federal.

Cachoeira e Cláudio Abreu foram presos em Goiânia. Eles foram presos em condomínios de luxo em Goiânia, onde moram. Já Aldir Assad foi detido na capital paulista.

Procurado por suspeita de integrar esquema de lavagem de R$ 370 milhões em obras ligadas à construtora Delta, o empresário Marcelo Abbud se entregou nesta quinta-feira, 30, na sede da Polícia Federal de São Paulo. Ele era procurado desde o início da manhã na Operação Saqueador, que apura o esquema de desvios. No fim da tarde, o contraventor Carlinhos Cachoeira chegou à sede da PF, no Rio, para prestar depoimento do caso.

Apenas o dono da construtora, Fernando Cavendish, não foi localizado pela polícia - ele teria viajado à Europa no fim de semana. Em nota, a defesa do empresário se disse "estarrecida" com o que chama de "insuportável ilegalidade". A PF investiga a relação de Cavendish com políticos no esquema de lavagem de dinheiro.

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"A Defesa de Fernando Cavendish, estarrecida com a decretação de sua prisão, tomará as providências judiciais para reverter esta insuportável ilegalidade. A prisão foi requerida nos autos de Inquérito Policial que tramita há mais de três anos, no qual Fernando Cavendish sempre atendeu às solicitações da Autoridade Policial, nada justificando a adoção desta medida extrema", diz o advogado Técio Lins e Silva, em nota.

Também a defesa de Marcelo Abbud pretende entrar com medidas judiciais contra a prisão do empresário. O advogado Miguel Pereira Neto, que também defende o empresário Adir Assad, já condenado na Operação Lava Jato, considerou que o pedido de prisão é baseado em "suposição".

"Quem supõe não poderia concluir com elementos concretos, como consta a decisão. O magistrado, com todo respeito, supõe e intui, e intuição não se apresenta no mundo da completude", disse o advogado. Neto também argumentou que Adir Assad já cumpre restrições severas, como uso de tornozeleira.

"Não haveria a mínima condição de ele preencher os requisitos para que seja decretada uma prisão preventiva. Os atos que são apontados são de entre 2007 e 2011, são pretéritos. Essa investigação já corre no Rio há bastante tempo. Se não houve motivo para se pedir prisão desde lá de trás, não haveria motivo para pedir agora. Não existe nenhum fato posterior que possa dar ensejo a essa decretação agora", afirmou o advogado.

As investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) que apuram a lavagem de R$ 370 milhões envolvendo a empreiteira Delta e o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, apontam para o uso de 18 empresas de fachada, criadas pelos operadores do esquema.

Cachoeira foi preso nesta quinta-feira, 30, em Goiânia, na Operação Saqueadores. Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, teve a prisão pedida, mas não foi encontrado em sua residência no Leblon, na zona sul do Rio. A PF apreendeu um cofre e documentos na casa.

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Segundo a denúncia do MPF oferecida à Justiça Federal, 96,3% do faturamento da Delta entre 2007 e 2012 foi oriundo de verbas públicas, chegando a R$ 11 bilhões. A denúncia foi oferecida contra 23 pessoas, incluindo Cavendish, Cachoeira, o doleiro Adir Assad, Marcelo Abbud e proprietários e contadores de empresas fantasmas - conforme nota divulgada na manhã desta quinta pela assessoria de imprensa da Procuradoria Regional da República do Rio.

As empresas fantasmas lavavam os recursos públicos por meio de contratos fictícios, que eram sacados em espécie, para o pagamento de propina a agentes públicos, de forma a impedir o rastreamento das verbas. A nota do MPF não cita o envolvimento de políticos.

Ainda conforme a denúncia do MPF, as empresas fantasmas só existiam no papel. As firmas não tinham sedes, nem funcionários, e havia incompatibilidade entre receita e movimentação financeira identificada pela Receita Federal. Além disso, informou o MPF, todas as empresas tinham os mesmos contadores.

"As empresas de Adir Assad e Marcelo Abbud emitiam notas frias não só para a Delta, mas para muitas outras empresas. No mesmo período de 2007 a 2011, foi transferido para essas empresas fantasmas mais de R$ 885 milhões. A organização criminosa também serviu ao esquema de corrupção da Petrobras, de acordo com a Operação Lava Jato", diz a nota do MPF.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a utilização, nas investigações da Operação Saqueadores, de trechos da delação premiada de pessoas ligadas à empreiteira Andrade Gutierrez e investigadas na Operação Lava Jato, também da PF e do MPF.

Segundo a Procuradoria do Rio, embora a delação ainda seja sigilosa, "confirma o que foi apurado, demonstrando que a Delta era uma empresa voltada fundamentalmente a esquemas de corrupção em obras públicas, em especial, no Rio".

A Operação Saqueador, deflagrada nesta quinta-feira, 30, pela Polícia Federal (PF), investiga lavagem de R$ 370 milhões. A ação prendeu, em Goiânia, o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira e outros dois investigados.

São alvos da ação a Delta Construções, o empresário Fernando Cavendish e o lobista Adir Assad. Foi apreendido um cofre no apartamento de Cavendish no Rio. Procurado pela PF, O empresário estaria fora do País.

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"Foram verificados, até o momento, fortes indícios de transferências milionárias de recursos de referida empresa de engenharia para sociedades de fachada, possivelmente desviados de obras públicas. Para comprovação de tais desvios, está sendo realizada perícia contábil-financeira na sociedade investigada", informa nota da PF.

As investigações da PF duraram cerca de três anos e começaram a partir do envio de documentação pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito instaurada no ano de 2012 para investigar um grupo que atuava em Goiás.

De acordo com a Polícia Federal, a apuração levou ao indiciamento de 29 pessoas suspeitas de desvios de recursos federais destinados para diversas obras públicas. Com base no Inquérito Policial da PF, 23 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF).

"O material foi imprescindível para o início das investigações na medida em que tais informações nominaram as empresas de fachada que supostamente recebiam valores desviados da pessoa jurídica investigada no presente apuratório", aponta a Federal.

O investigados poderão responder pelo crime de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, entre outros.

A Polícia Federal (PF) prendeu em Goiânia, na manhã desta quinta-feira, 30, o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. A detenção foi feita no âmbito da Operação Saqueador, que também tem como alvos a Delta Construções, o empresário Fernando Cavendish e o lobista Adir Assad.

A PF também fez buscas no apartamento de Cavendish no Leblon, zona sul do Rio, mas o empresário ainda não havia sido encontrado até por volta das 8h30 desta quinta-feira.

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Carlinhos Cachoeira chegou a ser preso em 2012 na Operação Monte Carlo acusado liderar uma quadrilha de jogos de azar em Goiás e no Distrito Federal. A quadrilha mantinha contato e teria se beneficiado da relação com autoridades como o ex-senador Demóstenes Torres - que chegou a ser cassado devido ao seu envolvimento com o grupo.

A Operação Saqueador - investigação da Polícia Federal sobre suposto esquema de pagamentos de propinas a políticos com recursos desviados de obras públicas - incluiu a realização de buscas nos escritórios e perícia na documentação contábil da Técnica Construções, subsidiária da Delta Construções.

A missão ocorreu no dia 1.º, em São Paulo, quando a PF cumpriu 20 mandados em busca de pistas da corrupção e da transferência de R$ 300 milhões da Delta para 19 empresas de fachada, entre 2007 e 2012.

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A Técnica faz parte do Plano de Recuperação Judicial da Delta, uma das principais empreiteiras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), declarada inidônea pela Controladoria-Geral da União (CGU) por suspeita de ligações com o empresário de jogos de azar Carlinhos Cachoeira e fraudes em licitações do governo federal - após a sanção, a Delta já faturou R$ 877 milhões em contratos com a União, 12 Estados e o Distrito Federal.

Por meio da Técnica, a Delta tenta ampliar seus negócios para São Paulo, onde mira super contratos do governo estadual. Sua mais ambiciosa meta é uma concorrência internacional de R$ 3,8 bilhões do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), vinculado à Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do governo Geraldo Alckmin (PSDB). A licitação, segundo o DAEE, está na fase de "análise do plano de negócios" e não ingressou na habilitação. Na Justiça, concorrentes da Técnica defendem a extensão da inidoneidade da Delta para a sua subsidiária.

A inspeção da PF nos domínios da Técnica, à Rua Renato Paes de Barros, no Itaim-Bibi, foi autorizada pela Justiça Federal no Rio, onde fica a Delta. No mandado de busca que subscreveu, o juiz Eduardo de Assis Ribeiro Filho determinou diligência "na filial da empresa Delta", incluindo procedimento de perícia contábil financeira.

Controle interno

O juiz ordenou à Delta que "facultasse o acesso a todos os documentos armazenados em sua filial em São Paulo, inclusive os referentes às demais empresas do grupo econômico, vinculadas à ela e ao seu presidente (Fernando Cavendish, também alvo da Operação Saqueador)".

O juiz mandou que fosse providenciada uma "sala compatível para que os peritos realizassem a análise da contabilidade da empresa". Os auditores examinaram todos "os documentos e dados armazenados tanto em meio físico quanto digitalmente, inclusive sistemas eletrônicos contábeis, de custo, de controle interno". Eles puderam fazer cópias e apreensões.

No dia 2, o delegado Tacio Muzzi, coordenador da Operação Saqueador, comunicou à Justiça que os mandados foram cumpridos "na Delta Construção e na Técnica Construções". Muzzi anotou. "Cumprida perícia in loco, já encerrada."

Em nota, a Técnica declarou, nesta quarta. "De acordo com informação da própria Polícia Federal, o alvo da Operação Saqueador era a Delta Construção, e não a Técnica. Esta última, constituída em fevereiro deste ano, dentro do Plano de Recuperação Judicial da controladora, está em fase de estruturação e não detém ainda nenhum contrato." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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