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A 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), no Rio Grande do Sul, confirmou a condenação do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, por corrupção passiva em ação penal aberta a partir das investigações da extinta Operação Lava Jato. O colegiado manteve a pena de seis anos e oito meses em regime inicial fechado.

Bendine foi acusado pela força-tarefa de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht para favorecer o braço agroindustrial do grupo em uma operação de crédito. De acordo com a denúncia, ele teria solicitado os pagamentos enquanto esteve no comando do Banco do Brasil, mas só recebeu os valores entre junho e julho de 2015, quando era presidente da Petrobras. O executivo diz que é inocente e que todas as reuniões sob suspeita do MPF tiveram ‘pauta exclusivamente lícita’.

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Outros dois réus do processo também tiveram as condenações confirmadas pelo tribunal: o publicitário André Gustavo Vieira da Silva, apontado como intermediário da propina, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e o ex-executivo da Odebrecht Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, que teria feito os pagamentos, por corrupção ativa. Ambos passaram a colaborar com a Justiça.

O caso foi parar no TRF-4 a partir de recursos das defesas e do próprio Ministério Público Federal (MPF) contra a decisão do juiz Luiz Antonio Bonat, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, que condenou os réus em maio do ano passado após a primeira sentença no caso ter sido anulada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. Enquanto os advogados pediram desde a redução da pena até a absolvição, o MPF tentava aumentar as condenações.

Em julgamento na quarta-feira (13), a 8.ª Turma negou todas as apelações e manteve válida a sentença de primeira instância. O desembargador João Pedro Gebran Neto, relator dos processos da Lava Jato no TRF4, disse que ‘as provas dos autos são suficientes a demonstrar a materialidade dos delitos e a autoria dos réus’.

"Entendo que não cabe a instância recursal rever a pena quando fixada em parâmetros legais, razoáveis e adequados pelo primeiro grau de jurisdição", diz um trecho do voto.

O juiz Francisco Codevila, da 15ª Vara Federal de Brasília, aceitou denúncia do Ministério Público e colocou no banco dos réus o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine, o ex-secretário do Tesouro Arno Augustin, e o ex-subsecretário de Políticas Fiscais Marco Pereira Aucélio. Os quatro são acusados no caso das "pedaladas fiscais" do governo Dilma Rousseff (PT).

Na mesma decisão, o magistrado questionou a 'incongruência legal' que deixou de lado a ex-presidente Dilma e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho. Por terem mais de 70 anos, o prazo de prescrição para os dois venceu em 2016, deixando-os de fora da denúncia apresentada pelo Ministério Público.

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A procuradoria alega que Mantega e os demais réus praticaram crimes contra as finanças públicas ao atuarem na realização de operações de crédito com recursos do BNDES e do Banco do Brasil para pagamento de programas sociais da União, mantendo assim a meta fiscal do governo.

O caso ficou conhecido como "pedaladas fiscais" e levou à rejeição das contas do governo Dilma Rousseff, além de embasar o pedido de impeachment que a destituiu do cargo em 2016.

"As elevadas dívidas contraídas pela União junto ao Banco do Brasil caracterizam, assim, operação de crédito, pois houve financiamento de despesas com a utilização de recursos de outrem", afirma o Ministério Público.

A procuradoria afirma que os acusados atrasaram o repasse a Estados e Municípios dos royalties referentes à exploração de petróleo ou gás natural. Ao aceitar a denúncia, o juiz Francisco Codevila alega ter encontrado "substrato probatório mínimo" para colocar Mantega, Bendine e os demais acusados no banco dos réus.

"Assim sendo, concluo que a peça acusatória cumpre os requisitos formais, descreve fatos que, em tese, são criminosos e está amparada em elementos de convicção que, em exame preliminar, confortam as circunstâncias de fato e de direito nela relatadas", afirma.

Apesar de ter sido o principal alvo das pedaladas fiscais, a ex-presidente Dilma Rousseff não foi denunciada pelo Ministério Público. A procuradoria alega que, no caso dela e de Luciano Galvão Coutinho, o crime prescreveu em 2016, visto que ambos possuem mais de 70 anos, reduzindo para dois anos o ato prescricional contado a partir de 2014.

O juiz Francisco Codevila ressaltou o que chamou de "incongruência do sistema legal" ao explicar que o suposto crime das pedaladas fiscais está previsto não apenas na lei de crimes de responsabilidade como também no código penal.

"Ou seja, o mesmo ato pode levar o Presidente da República a perder o cargo, no juízo político, e a pagar uma cesta básica, no juízo comum", afirma. "Evidentemente, há algo errado! Ora, se o mesmo fato pode levar à consequência extrema da perda do cargo de Presidente da República, não é razoável que seja apenado com o mero pagamento de uma cesta básica."

Segundo o magistrado, a situação decorre de uma "reforma legislativa descontextualizada do sistema legal". "O equívoco flagrante está em reprimir o crime contra as finanças públicas - que pode ensejar a perda do cargo mais importante do país - com a previsão de uma pena máxima tão baixa", afirma Codevila.

O juiz alega que devido ao curto período de prescrição (dois anos, no caso de Dilma), mesmo se a ex-presidente fosse denunciada, não acarretaria grandes consequências na esfera penal.

"Como explicar para a sociedade que a conduta que redundou na perda do cargo de Presidente da República e gerou tanta celeuma no país devido ao embate de correntes ideológicas divergentes, agora, não acarrete qualquer consequência na esfera penal? Não há como", questionou.

Defesas

A reportagem busca contato com a defesa dos acusados. O espaço está aberto para as manifestações.

A força-tarefa da Operação Lava Jato pediu, em alegações finais ao juiz federal Sérgio Moro, que o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine seja condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

No documento, o Ministério Público Federal também requer a condenação de André Gustavo Vieira da Silva, apontado como operador de repasse de R$ 3 milhões da Odebrecht a Bendine, e do executivos da empreiteira, Fernando Reis, Marcelo Odebrecht e Álvaro Novis. Os procuradores ainda solicitam a absolvição de Antonio Carlos Vieira da Silva, irmão do suposto operador de Bendine.

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Aldemir Bendine foi preso no dia 27 de julho, alvo da Operação Cobra, 42ª fase da Operação Lava Jato, e foi denunciado por supostas propinas de R$ 3 milhões da Odebrecht. De acordo com os delatores da empreiteira, inicialmente, enquanto presidente do Banco do Brasil, Bendine exigiu R$ 17 milhões correspondentes a 1% do valor de uma dívida que teria sido renegociada na Instituição financeira. No entanto, teria recebido, segundo o MPF, R$ 3 milhões, quando já estava à frente da Petrobras.

Ao ex-presidente da Petrobras, foram imputados dois crimes de corrupção passiva, três de lavagem de dinheiro e dois de organização criminosa, nas alegações finais da Lava Jato. A força-tarefa ainda requer dos acusados multa de R$ 3 milhões com juros e correção monetária.

Por ser, aos olhos dos procuradores, "o responsável pelas tratativas de André Gustavo com Marcelo Odebrecht e Fernando Reis para solicitação de propinas, tendo delegado àquele, que atuava como seu operador financeiro, as negociações quanto ao recebimento das vantagens indevidas", Bendine deve ter sua pena agravada.

Já a André Gustavo Vieira da Silva, que admitiu ter recebido propinas de R$ 3 milhões em nome do ex-presidente da Petrobras, a Lava Jato pede "aplicação da causa de diminuição de pena prevista no artigo 14 da Lei nº 9.807/1999 - de proteção especial a vítimas e testemunhas -, no patamar mínimo de 1/3 (um terço)".

Sobre o irmão do operador, Antonio Carlos, a Lava Jato ressalta o fato de que testemunhas do departamento de propinas da Odebrecht afirmaram sequer conhecê-lo. Ele é mencionado na ação por ser dono da empresa Circus Turismo, contratada por Bendine para realizar uma viagem a Nova York. Ao confessar crimes, André Gustavo afirmou que ele teria bancado custos da viagem emprestando dinheiro vivo a Bendine, o que não foi negado pelo ex-presidente da Petrobras.

Antonio Carlos também aparece na ação por emprestar um apartamento para seu irmão, em São Paulo, aonde um motorista de confiança de André teria deixado o dinheiro da Odebrecht.

"Em que pese haver os indicativos de que Antônio Carlos teria concorrido para o repasse de propina a Aldemir Bendine, cedendo o imóvel do qual era locatário e mediante contatos com empresa de turismo para contratação de hospedagem a Aldemir Bendine, que, frise-se, foi paga com dinheiro proveniente da conduta criminosa, não existem outras provas que reforcem ou evidenciem a efetiva participação de Antônio Carlos no esquema delitivo do então presidente da PETROBRAS e de seu operador financeiro", diz a força-tarefa.

Defesa

A reportagem entrou em contato com a defesa de Aldemir Bendine, mas ainda não obteve retorno.

O juiz federal Sérgio Moro aceitou a denuncia do Ministério Público Federal contra o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine na Operação Lava Jato. O executivo é acusado de receber R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht.

Além de Bendine, são acusados os operadores financeiros André Gustavo Viera da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior e Álvaro José Galliez Novis e os executivos Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, da Odebrecht.

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"Presentes indícios suficientes de autoria e materialidade, recebo a denúncia contra os acusados", decidiu Moro.

Outros cinco investigados também são acusados pela força-tarefa da Lava Jato pelos crimes de corrupção passiva, corrupção altiva, lavagem de dinheiro, pertinência a organização criminosa e embaraço à investigação de infrações penais.

Segundo a denúncia, Aldemir Bendine inicialmente fez um pedido de propina no valor de R$ 17 milhões, quando era presidente do Banco do Brasil, "para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht Agroindustrial". A acusação aponta que os executivos Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, delatores da Lava Jato, teriam negado o pedido porque entenderam que Bendine não teria capacidade de influenciar no contrato de financiamento do Banco do Brasil.

A força-tarefa afirma que "na véspera" de assumir a presidência da Petrobras, em 6 de fevereiro de 2015, Aldemir Bendine e um de seus operadores financeiros novamente solicitaram propina a Marcelo Odebrecht e Fernando Reis. A denúncia afirma que desta vez o pedido foi feito para que o grupo empresarial Odebrecht não fosse prejudicado em seus interesses na estatal petrolífera, bem como para que pudesse ser beneficiado de alguma maneira, inclusive no que se refere às consequências da Lava Jato.

A empreiteira, de acordo com a investigação, optou por pagar a propina de R$ 3 milhões. O valor, afirma a força-tarefa, foi repassado em três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em São Paulo, em apartamento alugado a Antônio Carlos Vieira da Silva. Esses pagamentos foram realizados no ano de 2015, nas datas de 17 de junho, 24 de junho e 1º de julho, pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, com a atuação do doleiro Álvaro José Galliez Novis.

O Ministério Público Federal aponta que parte dos valores da propina ainda foram repassados para Aldemir Bendine, também de forma oculta e dissimulada, com o pagamento, pelo operador André Gustavo Vieira da Silva, de viagem internacional que o ex-presidente da Petrobras realizou no final de 2015 e início de 2016. Outra parte foi entregue durante os diversos encontros pessoais que os acusados tiveram em 2015.

Em contrapartida ao pagamento de propina pela Odebrecht, Aldemir Bendine - já exercendo a função de presidente da Petrobras -, segundo a força-tarefa, chegou a solicitar ao departamento jurídico da companhia parecer sobre a possibilidade de levantamento do bloqueio cautelar imposto pela estatal contra a Odebrecht Óleo e Gás, assim como sobre a contratação direta ou a formação de Sociedade de Propósito Específico com o Estaleiro Enseada Paraguaçu, do qual a empreiteira é sócia. Diante da resposta negativa e dos avanços das investigações na operação Lava Jato, Bendine não deu continuidade a essas tratativas.

A denúncia ainda descreve que, buscando dar aparência lícita para os recursos, André Gustavo Vieira da Silva, Antônio Carlos Vieira da Silva e Aldemir Bendine, após tomarem ciência da existência de investigações contra si, resolveram dissimular os pagamentos de propina como se tivessem origem em serviços de consultoria prestados à Odebrecht. Para tanto, em março e abril de 2017, ou seja, dois anos após os fatos, efetuaram o recolhimento de tributos relacionados à falsa consultoria. Os documentos falsos foram inclusive apresentados nos autos da PET 6646 (autos nº 5022683-50.2017.4.04.7000), com o intuito de embaraçar as investigações.

Ainda, considerando todos os crimes praticados, Aldemir Bendine e seus operadores efetivamente aderiram a organização criminosa capitaneada por Marcelo Odebrecht e instalada para o cometimento de crimes contra a Petrobras, afirma a força-tarefa.

A Polícia Federal apreendeu duas garrafas de vinho na casa do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás Aldemir Bendine. O delegado Filipe Hille Pace, da Operação Cobra, desdobramento da Lava Jato que prendeu Bendine nesta quinta-feira, 27, quer saber ‘o modo’ como ele adquiriu a bebida.

"Considerando arrecadação de duas garrafas de vinho de possível valor elevado na residência em São Paulo/SP de Aldemir Beinde proceda-se sua apreensão e, após, requisite-se da defesa do preso comprovação em 72 horas, uma vez que se tratam de bens perecíveis, do modo de aquisição das garrafas uma vez que podem ter sido adquiridas com produto dos crimes investigados", destacou o delegado.

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Na quinta-feira, agentes federais fizeram buscas em três endereços de Bendine. Os policiais vasculharam uma casa em Conchas e outra em Sorocaba, ambas as cidades no interior de São Paulo. As buscas se estenderam a um apartamento do ex-presidente da Petrobrás em São Paulo, no bairro de Higienópolis.

Bendine é suspeito de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht por sua atuação na Petrobrás. Ele presidiu a estatal petrolífera entre 6 de fevereiro de 2015 e 30 de maio de 2016. Antes de assumir o cargo, foi presidente do Banco do Brasil entre 17 de abril de 2009 e 6 de fevereiro de 2015.

A força-tarefa da Lava Jato afirma que Aldemir Bendine pediu propina de R$ 17 milhões à época em que era presidente do BB, para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial.

Os delatores Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, da Odebrecht, teriam negado o pedido de solicitação de propina porque entenderam que Bendine não tinha capacidade de influenciar no contrato de financiamento do banco.

Os procuradores apontam que, após deixar o cargo no banco, na véspera de assumir a presidência da Petrobrás, em 6 de fevereiro de 2015, Bendine e um operador financeiro seu novamente solicitaram propina a Odebrecht e a Fernando Reis.

O pedido teria sido feito para que o grupo empresarial não fosse prejudicado na estatal e também em relação às consequências da Lava Jato.

Os delatores relataram que, em decorrência do novo pedido e com receio de ser prejudicada na estatal petrolífera, a Odebrecht optou por pagar a propina de R$ 3 milhões.

O valor foi repassado em três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em São Paulo. Esses pagamentos foram realizados no ano de 2015, nas datas de 17 e 24 de junho e 1.º de julho, pelo Setor de Operações Estruturadas.

Em 2017, um operador financeiro que atuava junto a Bendine confirmou que recebeu a quantia de R$ 3 milhões da Odebrecht, ‘mas tentou atribuir o pagamento a uma suposta consultoria que teria prestado à empreiteira para facilitar o financiamento junto ao Banco do Brasil’, segundo a força-tarefa da Lava Jato.

Os investigadores dizem que a empresa utilizada pelo operador financeiro era de fachada.

"Não foi apresentado nenhum material relativo à alegada consultoria e não foi explicado o destino de valores, a forma oculta do recebimento, a ausência de contrato escrito para serviços de valor milionário e o motivo da diminuição do valor de tais serviços, que inicialmente seriam, conforme reconhecido pelo próprio operador, de R$ 17 milhões, para R$ 3 milhões", afirma a Procuradoria.

"Buscando dar aparência lícita para os recursos, o operador financeiro, após tomar ciência das investigações, efetuou o recolhimento dos tributos relacionados à suposta consultoria, cerca de dois anos após os pagamentos, com o objetivo de dissimular a origem criminosa dos valores. Há indícios que a documentação também foi produzida com intuito de ludibriar e obstruir as investigações."

COM A PALAVRA, O ADVOGADO PIERPAOLO BOTTINI, QUE DEFENDE ALDEMIR BENDINE:

"Desde o início das investigações Bendine se colocou à disposição para esclarecer os fatos e juntou seus dados fiscais e bancários ao inquérito, demonstrando a licitude de suas atividades. A cautelar é desnecessária por se tratar de alguém que manifestou sua disposição de depor e colaborar com a Justiça."

O juiz federal Sérgio Moro decretou a quebra do sigilo do e-mail funcional que Aldemir Bendine usou no período em que presidiu a Petrobras. A decisão atende a pedido do Ministério Público Federal. Ex-presidente da estatal e também do Banco do Brasil, Bendine foi preso temporariamente anteontem pela Polícia Federal em nova fase da Operação Lava Jato. Ele é suspeito de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht em razão de sua atuação na Petrobras.

"O endereço eletrônico funcional do representado pode conter informações de grande relevância para a investigação", afirmou o Ministério Público Federal no pedido a Moro.

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Ao ordenar a quebra de sigilo do e-mail funcional de Bendine, o juiz da Lava Jato mandou expedir um ofício à Petrobras, "a ser entregue pela autoridade policial ou pelo Ministério Público Federal aos advogados que a representam nesta Vara, após a deflagração da fase ostensiva da investigação".

Os procuradores apontam que às vésperas de assumir a presidência da Petrobrás, em fevereiro de 2015, Bendine e um de seus operadores financeiros solicitaram propina a Marcelo Odebrecht e ao executivo da construtora Fernando Reis. O pedido teria sido feito para que o grupo empresarial Odebrecht não fosse prejudicado na estatal e também em relação às consequências da Lava Jato.

Segundo delação premiada de executivos da Odebrecht, a construtora optou por pagar a propina de R$ 3 milhões com receio de ser prejudicada na estatal petrolífera. O valor teria sido repassado em três parcelas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada. Esses pagamentos teriam sido realizados no ano de 2015, nas datas de 17 e 24 de junho e 1.º de julho, pelo Setor de Operações Estruturadas.

Bendine, que está preso em Curitiba, prestará depoimento à Polícia Federal na segunda-feira. Também está programado para o mesmo dia os depoimentos de André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva, supostos operadores financeiros de Bendine.

Defesa

Os advogados do ex-presidente da Petrobras já contestaram a prisão decretada por Moro. A defesa chegou a pedir que o juiz "reconsiderasse" a ordem de prisão. Procurado ontem à noite para comentar o quebra de sigilo de e-mail, o advogado de Bendine, Pierpaolo Bottini, não foi localizado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Os irmãos André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior, ligados a empresa de publicidade Arcos Comunicação, foram presos, nesta quinta-feira (27), no Recife. Os dois são alvos da 42ª fase da Operação Lava Jato, denominada de Cobra, que teve como foco principal um esquema de propina da Odebrecht que envolvia o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. 

De acordo com as investigações, o publicitário André Gustavo é representante de Bendine e, inclusive, foi preso no Aeroporto Internacional Gilberto Freyre enquanto tentava embarcar para Portugal. Já Antônio Carlos foi detido em sua residência. Antônio já foi alvo de condução coercitiva na Lava Jato, em março de 2016 durante a Operação Xepa, 23ª etapa da investigação. Na ocasião ele foi apontado como alguém ligado às irregularidades cometidas pelo ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

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Segundo a força-tarefa da Lava Jato, que detalhou a 42ª fase, os irmãos publicitários eram operadores financeiros do recebimento de R$ 3 milhões. De acordo com a PF, os pagamentos teriam sido interrompidos apenas com a prisão de Marcelo Odebrecht. A empresa Arcos teria prestado um serviço de consultoria a Odebrecht, de R$ 17 milhões, mas depois foi reduzido para R$ 3 milhões.

Ainda não se sabe, entretanto, se eles fizeram intermédios de propina em outros países ou no Brasil, já que estava de passagem comprada para Portugal. 

Em Pernambuco foram cumpridos além dos dois mandados de prisão temporária, quatro de busca e apreensão, sendo três no Recife (Boa Viagem e Graças) e outro em Ipojuca (Porto de Galinhas). Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba onde permanecerão à disposição do juízo da 13ª Vara Federal. Eles devem chegar na cidade por volta das 19h. 

Já em Brasília dois de busca e apreensão e um de prisão temporária; e em São Paulo um de prisão temporária e quatro de busca e apreensão, sendo dois em São Paulo, um em Sorocaba e um em Conchas. O de Sorocaba prendeu Aldemir Bendine, que também estava de passagem comprada para Portugal.

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (28) que vai adotar um novo modelo de gestão e governança. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informou que o modelo foi aprovado pelo Conselho de Administração.

O presidente da estatal, Aldemir Bendine, que participa de entrevista para explicar as alterações, disse que o novo modelo faz parte de "um plano muito bem estruturado", envolvendo mudanças na governança da companhia que "vão ser aprofundadas ao longo do tempo". Segundo ele, a indicação política para cargos não faz mais parte do modelo da empresa. "É uma grande blindagem que se faz", afirmou.

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Bendine defendeu que o novo modelo, para ter sucesso, precisa ter o engajamento de toda a empresa. "Vai ser um processo de construção coletiva", acrescentou.

Na primeira fase da reestruturação haverá redução de 14 funções na alta administração e nas diretorias, que passarão de sete para seis com a junção das áreas de Abastecimento e Gás e Energia. As funções gerenciais ligadas diretamente ao Conselho de Administração, ao presidente e aos diretores cairão de 54 para 41.

As demais funções do corpo gerencial serão avaliadas na segunda etapa, prevista para fevereiro. Segundo a empresa, as nomeações e a alocação de equipes ocorrerão a partir de março.

A nova Diretoria de Desenvolvimento da Produção & Tecnologia (DP&T) centralizará a execução dos projetos de investimento. “Essa nova estrutura concentrará a gestão e as competências técnicas de implantação de empreendimentos”, explicou a Petrobras.

A empresa informou que a mudança é decorrente “da necessidade de alinhamento da organização à nova realidade do setor de óleo e gás e da prioridade da rentabilidade e disciplina de capital, além de fortalecer a governança da companhia por meio de maior controle e conformidade nos processos e da ampliação dos níveis de responsabilização dos executivos”.

Com as alterações houve fusão de áreas e centralização de atividades. Haverá ainda novos critérios para a indicação de gerentes executivos e responsabilização formal de gestores por resultados e decisões.

A Petrobras estima que vai economizar R$ 1,8 bilhão por ano com as mudanças e prevê uma redução de pelo menos 30% no número de funções gerenciais em áreas não operacionais. Conforme a companhia, existem cerca de 7,5 mil funções gerenciais aprovadas, 5,3 mil em áreas não operacionais.

A empresa anunciou também que serão criados seis comitês técnicos estatutários, compostos por gerentes executivos. Após análise prévia, eles terão a função de emitir recomendações sobre os temas que serão deliberados pelos diretores, que serão corresponsáveis nos processos decisórios.

A partir de agora, a escolha dos gerentes executivos, passará por novos critérios de análise de capacitação técnica e de gestão. As nomeações e o desligamento dessas funções terão que ser aprovadas pelo Conselho de Administração.

“Ao reforçar o compromisso com a conformidade, nossa reestruturação prevê mudanças nos controles internos de contratação e investimentos. As atividades de contratação de bens e serviços serão concentradas na nova Diretoria de Recursos Humanos, SMS e Serviços”, indicou a Petrobras.

A companhia informou ainda que as mudanças resultantes das alterações no Estatuto Social da Petrobras serão submetidas à aprovação da Assembleia Geral de Acionistas, a ser convocada oportunamente.

A Procuradoria-Geral da República vê indícios de que o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, participou de suposto esquema ilícito de compra de debêntures (títulos da dívida) da OAS quando comandava o Banco do Brasil. A empreiteira é suspeita de pagar vantagens indevidas a políticos, entre eles o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em troca de destravar investimentos de fundos de pensão e bancos em papéis da construtora.

As citações a Bendine aparecem em trocas de mensagens entre o ex-executivo da OAS Léo Pinheiro com Cunha e outros dirigentes da empresa entre 2012 e 2014. Bendine teria negociado com a OAS, em outubro de 2014, a aquisição de debêntures de R$ 500 milhões.

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Num e-mail enviado a ele em 2013, Leo Pinheiro também discute a emissão de ações da Invepar - empresa constituída por fundos pensão, entre eles a Previ, dos funcionários do BB - em bolsa de valores.

Em agosto de 2014, Léo Pinheiro recebe uma mensagem de seu secretário avisando que Bendine, tratado pelo apelido "Dida", pedira uma conversa, mas "só se estivesse num telefone fixo". O secretário diz que, como o executivo estava no exterior, o presidente do BB resolveu aguardar seu retorno ao País para falar. "A necessidade de conversar com telefone fixo demonstra a consciência da ilicitude da conversa e o medo de serem interceptados", diz a PGR.

As mensagens mostram que em outubro daquele ano Bendine se reuniu com Léo Pinheiro e outro dirigente da OAS para tratar dos títulos de R$ 500 milhões. "O Dida marcou às 18h30. Terei de ir com 'ACMP', pois temos a nova debênture, que é vital", disse Leo Pinheiro.

Defesas

Em nota, Bendine disse que "todas as propostas apresentadas por clientes" ao BB tiveram tratamento "absolutamente técnico". "A conduta pessoal de Bendine nunca recebeu nenhum tipo de questionamento da força-tarefa da Operação Lava Jato. A colaboração da Petrobras com o aprofundamento das investigações, sob a gestão de Bendine, vem sendo objeto de reconhecimento público por parte de autoridades da Lava Jato."

Cunha afirmou nesta Quarta-feira (6) não ter recebido propina de qualquer pessoa e desafiou "quem quer que seja" a prová-lo. A OAS não se pronunciou. O BB afirmou que a análise de todas as propostas de negócios enviadas por grandes empresas são analisadas de acordo com critérios técnicos.

No caso da proposta da OAS, o BB informa que "foi recebida, analisada, mas não foi contratada". A assessoria de imprensa da Previ informou que o fundo "nunca comprou esse tipo de papel da referida construtora". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, disse em depoimento à CPI da Petrobras, que a empresa vai concluir as obras da Refinaria Abreu e Lima, Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife (RMR) e está buscando parceiros internacionais para concluir o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Em Pernambuco, a obra foi paralisada após o início das investigações da Operação Lava Jato.

Segundo Bendine, a primeira fase da Abreu e Lima já está em operação e a segunda fase vai exigir investimentos de R$ 3 bilhões da empresa para ser concluída. “A primeira fase não está ainda em pleno funcionamento por questão de licença ambiental e a segunda fase já está 87% pronta”, disse nessa quarta-feira (14).

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A refinaria Abreu e Lima teve custo inicial estimado em 2,5 bilhões de dólares, valor que subiu para 18,5 bilhões de dólares ao final da construção. Os antecessores de Bendine na Petrobras, Graça Foster e José Sérgio Gabrielli, disseram que a estimativa inicial era falha e que o projeto sofreu modificações ao longo da obra.

O mesmo aconteceu com o Comperj, projetado para abrigar um pólo petroquímico, projeto que foi reduzido depois para apenas uma refinaria. Em relação ao Comperj, Bendine disse que já há três parceiros em vista para concluir o complexo.

*Com informações da Agência Câmara.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras ouve, nesta quarta-feira (14), o depoimento do presidente da estatal, Aldemir Bendine. Ele foi convocado para explicar as medidas adotadas pela empresa para combater a corrupção desde fevereiro, quando assumiu o cargo no lugar de Graça Foster. 

Além disso, Bendine também deverá falar sobre os planos da estatal para o futuro. Os deputados querem saber, principalmente, quando a Petrobras vai retomar seus investimentos, prejudicados desde que começou a operação Lava Jato, no ano passado.

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Segundo o presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), a convocação do presidente da Petrobras foi feita por meio de um acordo entre partidos da oposição e governo. A oitiva acontece às 14h30 e pode ser acompanhada pelo site da Câmara dos Deputados

Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras não chegaram a um consenso sobre se os trabalhos da comissão devem ser ampliados até março de 2016. Até hoje, a comissão ouviu mais de 110 pessoas entre acusados, colaboradores e testemunhas das denúncias que tem sido apuradas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. A CPI teria que encerrar os trabalhos no próximo dia 23. A CPI ainda aprovou nesta quinta-feira (1º) a convocação do atual presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, apesar de alguns parlamentares terem argumentado  que o depoimento ficará limitado à apresentação de resultados da empresa e pouco contribuirá com as investigações.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) entregará hoje à Mesa da Câmara documento pedindo a prorrogação por mais 120 dias da comissão para ser votado em plenário. “Vou pedir para que seja nominal [votação], porque o Brasil tem que saber quem quer prosseguir e quem quer sepultar as investigações”, disse. Onyx Lorenzoni afirmou que já fez contato com diversas lideranças e até a manhã de hoje conseguiu reunir 12 assinaturas de parlamentares que compõem o colegiado.

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“Quero alertar a quem acha que encerrar CPI os problemas vão desaparecer: da Procuradoria-Geral da República [nomes de parlamentares que se tornarem réus] vai direto para o Conselho de Ética sem nenhum outro debate legislativo da justiça ou da injustiça”, destacou.

O relator da CPI da Petrobras, Luiz Sérgio (PT-RJ), disse que a continuidade ou término dos trabalhos da CPI terão “muito pouca” interferência nas investigações conduzidas pela Justiça do Paraná. “Poucas CPIs nesta Casa trouxeram tantas pessoas [depoentes]. Podemos olhar para o retrovisor ou para o parabrisa. Temos que ser propositivos e pensar o que a Petrobras tirou de lição desse capítulo amargo da sua história. Precisamos pensar no futuro. Aqui temos o desafio de apontar caminhos de futuro para esta empresa”, disse, ao ser acompanhado por outros deputados, que alertaram para o esvaziamento da sala nas últimas sessões de votações e audiências públicas.

Os trabalhos já tinham sido prorrogados por 60 dias em maio, quando terminaria o primeiro prazo da comissão.

Após a aprovação da convocação de Bendine, o deputado Ivan Valente (PSOL -SP) voltou a criticar a CPI por não ter convocado políticos envolvidos nas investigações, entre eles o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi citado por pelo menos cinco pessoas ouvidas em delações premiadas na Lava Jato.

“Temos que investigar global. Temos que ser práticos e oferecer algo para a sociedade, mas só não convocamos aqui os políticos. Como vamos oferecer alguma coisa se não ouvimos o principal?”, afirmou.

Delegados da PF

A comissão ouvirá hoje três delegados da Polícia Federal - Maurício Moscard Grillo, Rosalvo Ferreira Franco e José Washington Luiz Santos - que atuaram nas investigações que descobriram grampos ilegais na cela do doleiro Alberto Youssef e outro no fumódromo usado por agentes e delegados da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Rosalvo Franco é superintendente da PF no Paraná e José Washington Luiz Santos é seu substituto no cargo.

Maurício Moscard Grillo comandou as investigações sobre o caso e afirmou que o grampo não estava em uso e estava instalado desde a época em que a cela era ocupada pelo traficante Fernandinho Beira-mar. O delegado já está há mais de meia hora na CPI, mas disse que não responderá às perguntas dos deputados por causa do sigilo da sindicância e por ter direito constitucional de se manter em silêncio para não produzir provas contra si.

Há dois dias, a CPI ouviu, em sessão reservada, o delegado Mário Fanton que contrapôs os resultados de Grillo depois de conduzir uma investigação própria sobre o caso. No mesmo dia, a comissão ouviu o delegado Rivaldo Venâncio e o agente José Eraldo de Araújo.

Desde o início do ano, outros policiais falaram sobre o grampo: delegado José Alberto de Freitas Iegas e o agente Dalmey Fernando Werlang, que admitiu ter instalado os dois grampos a pedido de delegados da PF.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), cumpre agenda no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (5). Na capital carioca, ele encontra com o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. A conversa entre os dois deve ser pautada a partir dos investimentos e obras da estatal no estado, mais precisamente em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife (RMR), onde está sendo instalada a Refinaria Abreu e Lima (Renest). 

A Renest, desde que os esquemas de corrupção da Petrobras começaram a vir à tona, teve o ritmo das obras reduzido atrasando ainda mais a finalização do empreendimento. Câmara e Bendine se reúnem às 12h30.

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Antes disso, Paulo Câmara encontra com o economista Armínio Fraga, com quem debate estratégias visando amenizar o impacto da crise nacional em Pernambuco.  

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, reconheceu, na manhã desta sexta-feira, 31, que os valores desviados pela corrupção podem superar os R$ 6 bilhões registrados em seu balanço financeiro de 2014. Segundo ele, a companhia tentará reaver "integralmente" os valores. O executivo apresentou novas medidas de controle interno e reforçou que faz avaliações periódicas dos valores de seus ativos.

Bendine reconheceu que os valores referentes à corrupção podem crescer, mas indicou que, caso haja comprovação de mais perdas, elas devem ser consideradas dentro do montante total de R$ 50,8 bilhões baixados do balanço de 2014. Nesse balanço, a Petrobras reconheceu a perda de R$ 6,194 bilhões por causa de gastos relacionados à corrupção, feitos de 2004 a 2012, e R$ 44,636 bilhões foram registrados como perdas após revisão no valor dos ativos, devido à má gestão e mudanças nas condições de mercado. Somadas, as perdas contribuíram para o prejuízo de R$ 21,587 bilhões em 2014, o primeiro resultado negativo anual desde 1991.

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"Não foram só R$ 6 bilhões. Os testes de imparidade incluíram sobrepreço e más práticas que somaram mais de R$ 50 bilhões", afirmou, em referência ao balanço. Ele indicou que as empreiteiras envolvidas no esquema poderão ser recontratadas, desde que estejam adequadas às normas de governança. "Empreiteiras serão submetidas à nova política de conformidade como qualquer um dos 13 mil fornecedores", indicou.

"Não podemos deixar de aprender em momentos de crise. Corrupção é prática individual, o que cabe às empresas é criar um mecanismo que impeça que a má-fé de um único indivíduo possa causar danos à sua reputação. Buscaremos sem descanso a reparação integral dos recursos", afirmou o executivo. "Estamos recebendo de volta recursos que pertencem aos nossos acionistas e a toda sociedade", completou.

Braskem

Bendine não reconheceu as perdas de R$ 6 bilhões em contratos com a petroquímica Braskem, do grupo Odebrecht, para fornecimento de nafta. Segundo ele, foram identificados "equívocos" no contrato, mas ainda não há nenhuma confirmação de valores.

Na apresentação de novas medidas de governança, o executivo indicou que as ações são uma "resposta à manobras feitas por quem participou de crimes contra a Petrobras". "Reduzimos de fato a capacidade individual de tomar decisões de nossos indivíduos. Estamos assegurando que todos os mecanismos internos de denuncia, apuração e investigação sejam independentes e protegidos de qualquer tipo de ingerência", salientou.

O executivo citou como exemplo a redução de sua própria alçada de decisões dentro da companhia, uma medida que teria tomado logo que assumiu a presidência da empresa, em fevereiro, em substituição à Graça Foster. "Esse é um exercício que toda companhia deve implantar. Decisões colegiadas são mais transparentes", afirmou.

Integrantes da CPI da Petrobras podem votar na próxima semana a convocação do presidente da estatal, Aldemir Bendine, para que preste depoimento à comissão. Parlamentares não gostaram de saber que a empresa procurou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que investigue o vazamento de atas e gravações de reuniões de seu conselho de administração à imprensa.

Assim como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deputados que compõem a CPI consideraram a atitude da Petrobras uma tentativa "absurda" de intimidar os parlamentares.

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A CPI já tem ao menos oito requerimentos de convocação de Bendine para que ele fale sobre os problemas da Petrobras e de episódios envolvendo sua gestão à frente do Banco do Brasil. Não há reunião deliberativa marcada, mas o jornal O Estado de S. Paulo apurou que a comissão pode agendar uma sessão já na próxima semana.

Procurado, o presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), disse que "existem vários requerimentos apresentados" e que, "em sendo a vontade da maioria dos membros da CPI, ele será convocado".

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, afirmou em reunião do Conselho de Administração da estatal que a melhor forma de reaver recursos desviados da companhia é o governo fazer acordos de leniência com as empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato. No encontro, ocorrido em 26 de março, o executivo disse ser necessário avaliar se ações judiciais contra as empresas poderiam, eventualmente, "inviabilizar" o processo de ressarcimento que está sendo negociado entre elas e a Controladoria-Geral da União (CGU).

Previstos na Lei Anticorrupção, em vigor desde o ano passado, os acordos de leniência permitem que empresas processadas por corrupção se livrem de punições na esfera administrativa, em troca de confessar as irregularidades cometidas, colaborar com as investigações e devolver ao ente público o valor integral do prejuízo. A principal vantagem para as empreiteiras, mergulhadas em grave crise financeira desde que o escândalo veio à tona, seria preservar contratos públicos. O Palácio do Planalto defende publicamente o acerto com elas, sob o argumento de evitar impactos na situação econômica do País.

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Na reunião, cujo áudio foi obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, Bendine e demais integrantes do colegiado discutiam com advogados da petroleira quais providências seriam tomadas na esfera judicial contra ex-funcionários e fornecedores envolvidos no esquema de cartel e corrupção. Os conselheiros foram céticos quanto à possibilidade de recuperar dinheiro por meio de ações de improbidade administrativa, que, em geral, se arrastam por vários anos nos tribunais e suscitam questionamentos quanto ao valor reclamado. Outro problema citado foi a chance de as ações inibirem negociações com a CGU.

"A possibilidade de êxito e recuperação de maiores valores para a Petrobras vem desses acordos de leniência com a CGU (Controladoria-Geral da União)", afirmou Bendine. O presidente da estatal disse não ter dúvidas de que ações seriam ajuizadas, mas argumentou que elas poderiam travar negociações na esfera administrativa. "Temos de estudar uma forma de que isso não inviabilize acordos em que possamos, depois, ter o maior alcance em relação ao valor a ser recuperado." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, disse que erros de planejamento e problemas na gestão dos projetos influenciaram o resultado da empresa, que divulgou prejuízo de R$ 21,587 bilhões em 2014. Em audiência nas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e Infraestrutura (CI) do Senado, Bendine disse ainda que a queda do valor do barril de petróleo foi um dos fatores que mais impactaram os ativos da empresa, além da volatilidade cambial e alta do dólar.

"Tínhamos um desafio de apresentar um balanço crível que de fato refletisse a situação da empresa em 2014. Tivemos uma situação que o balanço ficou em aberto, e isso traz consequências realmente danosas para uma empresa de capital aberto como a Petrobras", afirmou.

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De acordo com Bendine, a metodologia que vinha sendo trabalhada para a avaliação dos prejuízos da empresa (pelo valor justo do ativo) não era adequada ao modelo contábil utilizado pela companhia. Antes de deixar a presidência da estatal, Graça Foster chegou a dizer que os prejuízos com os desvios detectados pela Operação Lava Jato e impairment poderiam chegar a R$ 88 bilhões, dependendo da metodologia.

"Fizemos um teste de imparidade para mostrar efetivamente a real situação de um ativo para o futuro, o quanto pode gerar de retorno", disse Bendine, em referência à metodologia utilizada para calcular as perdas divulgadas no balanço.

Membros da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras se reúnem nesta terça-feira (28), às 16h30, com o presidente da estatal, Aldemir Bendine, para tratar do balanço divulgado na semana passada e das estratégias de recuperação da petroleira. O encontro, de acordo com a Agência Câmara, será na sede da estatal em Brasília.

“Há uma tentativa de desestabilização da companhia praticada pelos tucanos e nós não vamos permitir isso. Vamos atuar no Congresso a favor de um dos maiores patrimônios do povo brasileiro”, afirmou o presidente da Frente, deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA).

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Segundo dados divulgados pelo balanço da Petrobras na última semana, a companhia teve prejuízo de R$ 6,2 bilhões com os desvios de recursos investigados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. O resultado líquido de 2014 ficou negativo em R$ 21,6 bilhões.

Pivô de denúncias envolvendo Aldemir Bendine, atual presidente da Petrobras, a socialite e apresentadora de TV Val Marchiori nega ter sido beneficiada pelo Banco do Brasil "em suas atividades profissionais". "Jamais fui beneficiada tanto na minha carreira artística, como nas demais atividades que exerço", afirmou ela em nota divulgada em seu site. Nesta terça-feira, 24, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que, na época em que era comandado por Bendine, o banco público comprou anúncios na Rede TV! para serem exibidos no horário em que ela participava de um quadro no Programa Amaury Jr.

Val, que em recente entrevista à coluna da Sonia Racy afirmou conhecer Bendine apenas de eventos, voltou a negar ter sido beneficiada pelo ex-presidente do BB em um empréstimo de R$ 2,7 milhões para a sua empresa, a Torke Empreendimentos. "Repito: não recebi privilégio algum. Como já exaustivamente demonstrado, a operação de financiamento da empresa Torke foi contratada respeitando todos os procedimentos legais, em linha com a atuação da empresa, operação essa de todo comum às empresas do segmento e, por certo, realizada diariamente pela rede bancária com inúmeros empresários.Tudo foi feito às claras. E o contrato está sendo cumprindo rigorosamente."

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Na época, o empréstimo foi contestado por contrariar normas internas do banco e atribuído a uma suposta amizade entre os dois. Bendine chegou a colocar seu cargo no BB à disposição em novembro do ano passado.

Na nota, Val não faz qualquer referência à carona que Bendine lhe deu em um jato na época em que ele presidia o banco. A viagem foi relatada pelo ex-vice-presidente do Banco do Brasil Allan Toledo ao Ministério Público Federal, em depoimento prestado em novembro do ano passado, revelado na edição de anteontem do jornal Folha de S.Paulo. "Mostra-se absolutamente despropositado atrelar a minha pessoa a um profissional de carreira. Clamo aos leitores para que detectem o alvo final das declarações infundadas que vêm envolvendo indevidamente a minha pessoa e, obviamente, me prejudicando.Sou brasileira e, portanto, devo ser tratada em igualdade com todos os brasileiros. Sou trabalhadora e como tal tenho o direito de exercer as minhas atividades livremente, dentro das regras, cumprindo com os meus deveres."

Como vem acontecendo nos últimos dias e se repetiu com a renúncia de Graça Foster da presidência da Petrobras, as notícias sobre a petrolífera brasileira receberam destaque nos principais jornais do mundo nesta sexta-feira (6). Desta vez, com a confirmação do então presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, para assumir o comando da maior empresa brasileira, com mais de 85 mil funcionários, reconhecida mundialmente, e que, no momento, enfrenta uma crise com denúncias de corrupção contra ex-membros de sua direção.

O jornal espanhol El País destaca que Bendine é descrito, pelos que o conhecem, como um técnico muito qualificado no mercado financeiro, que agora terá de mostrar “qualidades superlativas para dirigir as tormentas do mundo do petróleo e da Petrobras”. O El País pondera, no entanto, sobre o reflexo imediato da indicação de Bendine, com a queda nas ações da petrolífera em mais de 7% após o anúncio do nome do executivo pela imprensa. “O que pode ser uma qualidade para liderar um banco público é visto com cautela para assumir a Petrobras, uma vez que a influência do governo neste momento se mostra preocupante”, acrescenta o principal jornal de Madri.

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Na capa de sua edição online, o jornal britânico Financial Times colocou que “Ações da Petrobras caem após anúncio de Aldemir Bendine como novo presidente”. Segundo o jornal econômico, o mercado esperava que a presidenta repetisse o que fez ao chamar para o Ministério da Fazenda Joaquim Levy, alguém do setor privado, reconhecido pelo mercado financeiro. Para oFinancial Times, um dos primeiros desafios de Bendine será conseguir um acordo com a empresa de auditoria externa, a Price Waterhouse Coopers, para eliminação das perdas com o escândalo de corrupção e a divulgação do resultado final auditado de 2014.

O jornal francês Le Monde destaca em sua capa: “Aldemir Bendine nomeado chefe da gigante petrolífera brasileira Petrobras”. O periódico aponta que a falta de experiência em petróleo do novo executivo e sua proximidade com o governo causaram reação negativa do mercado, e acrescenta também o anúncio de Ivan de Souza Monteiro - que foi vice-presidente de Relações com Investidores e de Gestão Financeira do Banco do Brasil, onde trabalhou com Bendine - como diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras.

O The New York Times observou que o novo presidente da Petrobras impulsionou, como presidente do Banco do Brasil, a agenda econômica do governo nos últimos anos, ao mesmo tempo em que também agradou acionistas privados, que viram as ações do banco subirem cerca de 90% em meio à crise financeira global. “Um equilíbrio complicado que será fundamental para a sua sobrevivência em um trabalho muito mais difícil”, ressaltou o jornal norte-americano.

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