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O Ministério da Fazenda criou a Secretaria de Prêmios e Apostas, que cuidará da regulamentação e fiscalização das apostas esportivas de quota fixa, conhecidas como bets, e os jogos on-line.

De acordo com a pasta, a secretaria será responsável ainda por autorizar distribuição de prêmios, brindes, exploração de loterias, ações de combate à lavagem de dinheiro, monitoramento do mercado e prevenção ao jogo compulsivo.

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A secretaria terá três subsecretarias e 38 profissionais lotados.

Em dezembro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que regulamenta as bets, apostas esportivas de quota fixa em que o apostador sabe exatamente qual a taxa de retorno no momento da aposta.

A medida tributa empresas e apostadores e define regras para a exploração do serviço, além de determinar a partilha da arrecadação.

A lei abrange apostas virtuais, apostas físicas, evento real de temática esportiva, jogo on-line e eventos virtuais de jogos on-line.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou com vetos a lei que regulamenta apostas esportivas, operadas por empresas que ficaram conhecidas como "bets". A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União no sábado (30).

Lula vetou trechos que reduziriam a arrecadação de impostos com as apostas. O petista barrou a isenção de Imposto de Renda para o apostador que tiver ganho anual abaixo da primeira faixa do IR, hoje em R$ 2.112. Com isso, a alíquota de 15% estipulada para os ganhos com apostas esportivas incidirá sobre qualquer valor obtido pelo apostador. O presidente também vetou trecho que descontava as perdas do apostador na aferição do montante sobre o qual o imposto incidirá.

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De acordo com a mensagem de veto, a manutenção do texto aprovado pelo Congresso "ensejaria uma tributação de imposto de renda distinta daquela verificada em outras modalidades lotéricas, havendo assim distinção de conduta tributária sem razão motivadora para tal".

A nova lei sancionada é parte do esforço do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para aumentar a arrecadação. A medida estabelece regras gerais para funcionamento das bets. A empresa que quiser prestar o serviço precisará pagar por uma outorga de até R$ 30 milhões expedida pelo Ministério da Fazenda. Haverá uma alíquota de 12% sobre a arrecadação das empresas, descontados os prêmios pagos.

Além disso, o texto estipula o que será feito com a verba arrecadada. Prêmios não reclamados, por exemplo, serão destinados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e ao Fundo Nacional para Calamidades Públicas, Proteção e Defesa Civil.

A Câmara aprovou na madrugada desta sexta-feira, 22, o projeto de lei que regulamenta a tributação das apostas esportivas. A proposta prevê ainda a taxação dos jogos e apostas online como cassinos virtuais - que havia sido retirada pelos senadores e foi retomada pelo relator na Câmara, deputado Adolfo Viana (PSDB-BA).

Foram 292 votos favoráveis, 114 contrários e uma abstenção. A proposta agora vai à sanção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

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A bancada evangélica tentou manter fora do projeto a tributação dos cassinos virtuais, mas foi derrotada. Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), os religiosos se posicionaram "totalmente contrários" à regulação dos jogos online, por uma questão moral e ideológica, segundo deputados da bancada.

A frente parlamentar trabalhou junto ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para adiar a análise do texto para o ano que vem.

"Não podemos, no afã de achar que vai se arrecadar impostos, legalizar a mazela social da desgraça de jogos de azar no País", disse, no plenário, o deputado evangélico Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). "O que está em jogo a partir de agora é o pão na mesa do pobre, da viúva, dos pensionistas e dos aposentados, que não podem ficar viciados.

O que está em jogo é um presente de grego de Natal aos brasileiros", emendou.

Lira, no entanto, defendeu a interlocutores que a taxação de cassinos virtuais deveria ser retomada. Ele argumenta que a tributação apenas das apostas esportivas corresponde a 20% da arrecadação do mercado de jogos, enquanto 80% da receita do ramo advém dos jogos e apostas virtuais, como cassinos.

O alagoano alerta sobre a necessidade de regular um mercado consolidado que ainda não paga impostos e gera empregos ilegais.

Os deputados acataram um destaque (sugestão de mudança ao texto-base) em acordo com o relator, que permite que a Caixa Econômica Federal opere apostas de quota fixa conforme autorização definida pelo Ministério da Fazenda. Na quota fixa, os apostadores sabem exatamente qual é a taxa de retorno no momento em que fazem a aposta.

Veja as taxas

O texto aprovado determina ainda que as empresas do setor serão taxadas em 12% sobre a receita bruta dos jogos subtraídos dos prêmios pagos aos apostadores, o chamado GGR (gross gaming revenue, na sigla em inglês), conforme proposto pelos senadores. Inicialmente, a Câmara havia sugerido uma alíquota de 18%.

O projeto também definiu em 15% a taxa cobrada dos apostadores sobre os ganhos superiores a R$ 2.112. No primeiro texto aprovado pelos deputados, o valor era de 30%. O relator também conservou sistemática do cálculo da taxação para que seja feita de forma anualizada, como proposto pelo Senado, e não prêmio a prêmio.

Os deputados também derrubaram um artigo incluído pelo Senado que igualava a cobrança de imposto sobre o lucro das empresas dos chamados fantasy sports (jogos de fantasia) às outras apostas online. Pelo texto aprovado, essa modalidade vai continuar pagando 9% de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e não os 12% sugeridos pelos senadores.

Viana também acatou a sugestão de que a outorga concedida às empresas para exploração do setor de apostas terá duração de até cinco anos, e não os três anos que foram incluídos pela Câmara.

O valor estipulado a título de outorga fixa ficou limitado a R$ 30 milhões, considerado "o uso de três marcas comerciais a serem exploradas pela pessoa jurídica em seus canais eletrônicos por ato de autorização". O relator também manteve a proibição dos chamados caça-níqueis.

O relator também disse em plenário que aceitou uma mudança proposta pelo líder do PT, Zeca Dirceu (PR), para permitir que o sócio ou acionista controlador de empresa de apostas possa ter participação, direta ou indireta, em instituições financeiras e de pagamento.

Arrecadação

O projeto dos jogos faz parte do pacote de medidas arrecadatórias do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para atingir a meta de déficit zero nas contas públicas no ano que vem.

Inicialmente, a equipe econômica previa arrecadar em torno de R$ 700 milhões em 2024 com a medida, mas a inclusão dos cassinos virtuais deve aumentar esse valor.

As estimativas chegam a R$ 12 bilhões em um mercado totalmente regulado.

À espera de uma regulamentação desde 2018, as apostas esportivas obedecem a novas regras desde o fim de julho. No último dia 25, o governo editou a Medida Provisória (MP) 1.182.

As casas de apostas eletrônicas pagarão 18% de impostos, que financiarão projetos de educação, segurança e esportes, e uma outorga para poderem operar legalmente. O apostador pagará 30% de Imposto de Renda sobre a parcela dos prêmios que exceder a faixa de isenção.

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As apostas esportivas no Brasil obedecem a uma lei sancionada em dezembro de 2018, que nunca chegou a entrar formalmente em vigor porque não foi regulamentada.

Em tese, a regulamentação poderia ocorrer por meio de decreto do presidente da República ou de portaria do Ministério da Fazenda. O governo, no entanto, decidiu editar uma medida provisória porque as novas taxações exigem mudanças na lei de 2018.

A lei original previa imposto de 11% para as casas de apostas virtuais e de 20% para os estabelecimentos físicos. A MP estabeleceu alíquota única de 18%, independentemente do canal usado pela casa de aposta. A MP está em vigor, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional até 120 dias após a edição para não perder a validade.

Confira as mudanças

Taxação das casas de apostas

Também conhecidas como bets, as empresas de apostas esportivas pagarão 18% de imposto sobre a receita bruta de jogos (GGR, gross gaming revenue, na sigla em inglês). O GGR é definido como o faturamento com as apostas menos os prêmios pagos aos vencedores e o Imposto de Renda descontado dos prêmios.

Originalmente, o imposto seria de 16%, mas a alíquota subiu em dois pontos percentuais porque o governo decidiu elevar a fatia distribuída ao Ministério do Esporte de 1% para 3%.

Sobre os 82% restantes, as casas de apostas continuarão a pagar os tributos aplicados às demais empresas, como Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição sobre o Financiamento à Seguridade Social (Cofins).

Partilha do novo imposto

O novo imposto de 18% será distribuído da seguinte forma:

•    10% para a seguridade social;

•    3% para o Ministério do Esporte;

•    2,55% para o Fundo Nacional de Segurança Pública;

•    1,63% para clubes e atletas profissionais com símbolos e nomes ligados às apostas;

•    0,82% para a educação básica.

Imposto sobre premiações

Os prêmios recebidos pelos vencedores das apostas passarão a pagar 30% de Imposto de Renda sobre o que exceder a faixa de isenção, atualmente em R$ 2.112. A retenção ocorrerá na fonte.

Estimativa de receitas

Segundo o Ministério da Fazenda, o governo deverá arrecadar até R$ 2 bilhões no próximo ano com a regulamentação das apostas esportivas, nas estimativas mais conservadoras. Nos anos seguintes, a projeção pode subir uma faixa entre R$ 6 bilhões e R$ 12 bilhões.

Prêmios esquecidos

Assim como nas loterias tradicionais, os ganhadores terão até 90 dias a partir da divulgação do resultado da aposta para retirar o prêmio. Após esse prazo, o dinheiro esquecido será repassado ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) até 24 de julho de 2028. Depois dessa data, os recursos serão transferidos diretamente ao Tesouro Nacional.

Proibições de apostar

Não podem fazer apostas esportivas os seguintes grupos de pessoas:

•    menores de 18 anos;

•    trabalhadores de casas de apostas;

•    cônjuges, companheiros e parentes de até segundo grau de trabalhadores de casas de apostas;

•    com acesso aos sistemas de apostas esportivas;

•    treinadores, atletas, árbitros, dirigentes esportivos e demais pessoas ligadas aos objetos das apostas;

•    negativados nos cadastros de restrição de crédito;

•    agentes públicos que atuem na fiscalização do setor de apostas.

Outorgas

Apenas as bets habilitadas poderão operar apostas relacionadas a eventos esportivos oficiais, mediante pagamento de uma outorga (licença) ao governo. O valor a ser cobrado constará de outra regulamentação a ser publicada pelo Ministério da Fazenda, que se responsabilizará pela fiscalização.

A MP não estabelece limite para o número de outorgas e permite a habilitação de empresas tanto nacionais como estrangeiras.

Canais de distribuição

Assim que foram liberadas a operar, as casas de apostas poderão usar quaisquer canais de distribuição comercial. Sejam em estabelecimentos físicos ou meios virtuais, desde que obedeçam à regulamentação do Ministério da Fazenda.

Infrações

Entre as infrações passíveis de punição, estão:

•    exploração de apostas sem autorização do Ministério da Fazenda;

•    atividades proibidas ou não previstas na licença concedida;

•    publicidade de empresas não autorizadas a atuar no Brasil;

•    impedimentos e dificuldades à fiscalização do governo;

•    práticas contrárias à integridade do esporte, dos resultados ou da transparência das regras.

Punições

As empresas que descumprirem as regras podem sofrer as seguintes punições:

•    advertência;

•    multa de 0,1% a 20% sobre a arrecadação, limitada a R$ 2 bilhões por infração;

•    suspensão parcial ou total das atividades por até 180 dias;

•    cassação da licença para operar no Brasil;

•    proibição de pedir novas autorizações por até dez anos;

•    proibição de participar de licitações de concessão ou permissão de serviços públicos, na administração pública federal, direta ou indireta, por pelo menos cinco anos.

Apostadores ou pessoas de fora das empresas que cometerem infrações:

•    multa de R$ 50 mil a R$ 2 bilhões por infração.

O governo federal vai editar uma medida provisória para regulamentar o mercado de apostas esportivas no país, informou hoje (11), em Brasília, o Ministério da Fazenda. O texto foi encaminhado para os ministérios coautores: Planejamento, Gestão, Saúde, Turismo e Esportes. Após avaliação e assinatura, a proposta será encaminhada à Casa Civil, antes de ser submetida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O texto se debruça especificamente sobre a regulamentação de apostas de quota fixa, conhecidas como mercado de bets. Segundo o Ministério da Fazenda, a partir desse processo, os ministérios terão a possibilidade de editar portarias com regras para criar mecanismos que evitem e coíbam os casos de manipulação de resultados.

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Fonte de receita

A proposta também vai assegurar uma nova fonte de receita para o país. Pelo texto, as empresas serão taxadas em 16% sobre a receita obtida com todos os jogos feitos (chamado Gross Gaming Revenue, GGR), subtraídos os prêmios pagos aos apostadores. Sobre o prêmio recebido pelo jogador, serão tributados 30% de imposto de renda, respeitada a isenção de R$ 2.112.

A medida provisória prevê ainda a criação de uma secretaria dentro da estrutura do Ministério da Fazenda. Ela será responsável pela análise de documentos para aprovação do credenciamento de empresas de apostas no país. Essa secretaria também acompanhará o volume de apostas e a arrecadação, garantindo maior controle sobre o mercado de apostas esportivas de quota fixa.

“A medida provisória estabelece que somente as empresas habilitadas poderão receber apostas relacionadas a eventos esportivos oficiais, organizados por federações, ligas e confederações. As empresas não habilitadas incorrerão em práticas ilegais e estarão proibidas de realizar qualquer tipo de publicidade, inclusive em meios digitais”, disse o Ministério da Fazenda.

Auditor processante do inquérito que investiga suposta manipulação de resultados na partida entre Vila Nova x Sport, Maurício Neves Fonseca enviou para a Procuradoria a conclusão determinando a abertura de processo disciplinar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol. De acordo com o auditor, foram identificados fortes indícios na participação de atletas no esquema de manipulação.

Maurício Neves Fonseca conduziu também o inquérito sobre a partida entre Sampaio x Londrina, que também foi concluído com a indicação de denúncia por manipulação de resultados. Ambos os jogos foram na última rodada da Série B de 2022.

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Os processos correm em segredo de justiça e contam com provas enviadas pelo Ministério Público de Goiás, responsável pela Operação denominada Penalidade Máxima e que identificou suspeitas de manipulação e envolvimento de diversos atletas em partidas da segunda divisão nacional e campeonatos estaduais.

A conclusão será analisada pela Procuradoria da Justiça Desportiva e os envolvidos serão denunciados e julgados com base no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

Do Site do STJD

O mercado de apostas esportivas ampliou seu domínio entre os patrocinadores dos clubes do Campeonato Brasileiro no ano passado. O segmento aumentou sua presença em patrocínios na última temporada em 45%, ampliando os 11 contratos de 2021 para 16 em 2022, segundo estudo do Ibope Repucom. O setor também liderou em volume de marcas e contratos de patrocínios máster na Série A, com 11 patrocínios de sete marcas diferentes na parte mais nobre do uniforme. A marca que patrocinou mais equipes diferentes em 2022 foi a Pixbet, com seis.

Já o setor "imobiliário, construção e acabamentos" caiu de 30 marcas no futebol em 2021 para 18 no ano passado, embora permaneça na liderança como o maior setor em volume. Os 20 clubes da Série A estamparam, desde o início da temporada 2022 até o término do Campeonato Brasileiro, 159 patrocinadores pontuais diferentes em seus uniformes, volume 8% menor em relação a 2021 (172), uma média de oito por time.

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Desde 2019, com a liberação de atuação no País, os sites de apostas esportivas dobraram o volume de marcas diferentes presentes nos uniformes das equipes participantes do Brasileirão. "É natural o aumento das casas de apostas, uma vez que no fim do ano passado, em dezembro, foi o prazo limite para a regulamentação no mercado", avaliou Fábio Wolff, especialista em marketing esportivo e sócio-diretor da Wolff Sports.

"Com relação à diminuição dos patrocínios pontuais, se explica porque no momento em que se aumenta o número de casas de apostas, os clubes passam a ter uma receita mais relevante e um número menor de espaços disponíveis no uniforme. Então, é natural que a necessidade financeira e o desejo por patrocínios pontuais diminuam".

As empresas de apostas esportivas também não se concentram apenas nos clubes grandes. Equipes pequenas estão sendo procuradas e estampam em seus uniformes marcas do ramo. Além disso, competições importantes do futebol brasileiro têm sido patrocinadas por sites do segmento: Copa São Paulo de Futebol Júnior 2023 (Esportes da Sorte), Supercopa do Brasil 2023 e Copa Verde 2022 (Betano), Série B 2022 (SportingBet), Cariocão 2023 (Betnacional), dentre outras. Isso é um avanço das marcas. Depois dos clubes, elas partem para as instituições esportivas.

"É indiscutível a força de visibilidade que um uniforme proporciona, isso já é mais do que comprovado, e o mínimo a se fazer e complementar à visibilidade é usar de forma adequada os ativos que geralmente compõe o patrocínio de uniforme antes de criar qualquer ativação especial", diz Renê Salviano, executivo de marketing que lançou a HeatMap, agência focada em captação de patrocínios no esporte.

Para o CEO do Esportes da Sorte, Darwin Filho, que acertou patrocínios máster com Bahia e Goiás, o crescimento do segmento para o próximo biênio deve ser ainda maior em relação ao último ano. "O ano de 2022 foi de explosão para o segmento das apostas esportivas. Grandes investimentos em mídia aberta, campeonatos, eventos e clubes de futebol. Acredito que essa dinâmica se manterá pelo próximo biênio, pois o gasto per capita em entretenimento esportivo do apostador brasileiro ainda é bem abaixo do que se vê nos mercados mais desenvolvidos, como por exemplo Inglaterra e Portugal", analisa.

Hoje em dia, as apostas esportivas permitem que uma pessoa no Brasil deposite dinheiro em uma competição de dardos na Inglaterra ou até na liga de juniores de futebol da Nicarágua. Entre os brasileiros, a prática se tornou cada vez mais popular e o mercado está em crescimento. Empresas de apostas patrocinam 19 dos 20 clubes que disputaram o último Campeonato Brasileiro, anunciam nos principais canais de TV do País e adquiriram recentemente a compra de blogs e sites esportivos. Mas como funcionam as apostas esportivas no Brasil?

Para quem é iniciante, é importante estudar o tema antes de decidir apostar seu rico dinheirinho. As possibilidades são múltiplas e a área envolve muitos aspectos a serem assimilados. Os termos em inglês, como bets, odds, tipster, são palavras comuns no mundo das apostas. O Estadão ouviu especialistas e pessoas do meio para tentar tirar as principais dúvidas dos apostadores iniciantes. Primeiramente é importante saber que se trata de uma atividade legal desde que o site na qual se aposta esteja hospedado fora do Brasil. É como viajar para o exterior e jogar lá fora. Mas a ação será considerada ilegal se o site estiver localizado em território nacional. O Brasil não regulamentou esse tipo de jogatina.

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COMO COMEÇAR A APOSTAR - É fundamental para todo apostador definir bem uma estratégia e avaliar os riscos e recompensas. Vários apostadores brasileiros acompanham informações e estatísticas diariamente sobre os jogadores e times envolvidos, ficam de olho em possíveis desfalques e estão atentos a mudanças desses panoramas.

Nas apostas de jogos de futebol, por exemplo, é possível palpitar não somente nos resultados das partidas, mas também na quantidade de gols de um jogo, se os dois times vão marcar, no número de escanteios e cartões, e até qual jogador será o primeiro ou último a balançar a rede. Tudo é "apostável".

Quando estiver pronto para começar a apostar, é preciso fazer um cadastro no site escolhido. É preciso ser maior de 18 anos, por exemplo. Os apostadores mais experientes recomendam que se avaliem quanto cada casa de aposta paga por um jogo específico para, então, fazerem seus palpites. Em seguida, é preciso criar uma conta pessoal, colocar informações bancárias/de pagamento e, então, depositar um saldo inicial.

É possível ainda fazer o depósito através de Pix, boleto bancário, transferência, cartão de crédito e débito, criptomoeda, além de outras opções, a depender da empresa. Escolhido o esporte, a liga e a partida, é só avaliar as odds (cotações) e fazer a aposta.

Os valores mínimos para a aposta variam a depender da empresa escolhida. Em algumas casas, é possível depositar pelo menos R$ 10 para poder participar. Elas oferecem diferentes benefícios para atrair mais clientes. Alguns dos mais comuns são o "bônus de boas-vindas", que dobra o valor inicial depositado quando você se cadastra, e as apostas grátis. Mas para evitar que as pessoas se cadastrem só para ficar com o valor do bônus sem apostas, as casas contam com o "rollover". Ou seja, uma lista de requisitos que o apostador deve cumprir para garantir a bonificação.

O QUE É PUNTING E TRADING - Existem dois modelos diferentes para apostar. No punting, o apostador faz o seu palpite e aguarda o fim da partida para saber o resultado. Já no trading, mais complexo, você atua como um investidor da bolsa, comprando e vendendo dentro de um jogo. Ou seja, está interessado nas variações das odds (cotações) durante o evento.

Quando um apostador acerta o seu palpite, o valor ganho vai para a sua banca. O dinheiro não cai automaticamente na sua conta bancária cadastrada no site. É preciso informar o valor que quer retirar. A maioria dos saques é feito por transferência bancária. Logo, é preciso informar suas informações do banco. Existe uma quantidade mínima para saque, mas varia a depender da casa de aposta e o valor cai na conta de um a dois dias. O melhor momento para sacar o dinheiro depende do perfil do apostador.

TIPOS DE APOSTADORES - Há opções de empresas que são mais adequadas para níveis diferentes de apostadores, dos iniciantes, com valores mais baixos, aos profissionais, com quantias maiores. Muitos apostadores encontram dicas e manuais sobre como melhorar nas apostas, minimizando erros e maximizando a possibilidade de ganhos, acompanhando influenciadores digitais do ramo em suas redes sociais. Grupos no Telegram chegam a reunir milhares de interessados.

O apostador Jonas Caetano é um dos nomes conhecidos no ramo e integra a equipe do Clube da Aposta, projeto criado em 2010 que é especialista na produção de conteúdo sobre o tema. Com site e redes sociais, a equipe dá dicas, tira dúvidas e explica detalhes do mundo das apostas, além de oferecer cursos grátis e pagos para quem está a fim de mergulhar no assunto.

"No fim de 2016, nas férias da faculdade, eu estava vendo vídeos de investimentos e achei um sobre trading esportivo. Comecei a assistir e passei a apostar. Me encontrei nessas áreas. Comecei de forma despretensiosa, mas passei a ir muito bem. Meu trabalho começou a aparecer", conta Jonas, que destaca o aquecimento do mercado nos últimos anos.

"Percebi um crescimento muito grande nos últimos dois anos. As empresas passaram a ver o mercado brasileiro com muito potencial, pela paixão nacional pelo futebol, a população numerosa, etc". Ele destaca também que o brasileiro gosta de apostar, de desafiar a sorte.

No mundo das apostas, uma figura muito conhecida é a do "tipster". Trata-se de um apostador experiente que dá dicas e sugestões de apostas a outras pessoas. O serviço pode ser grátis ou pago (mensalmente). Para não cair em golpes, exige-se que o "tipster" comprove desempenho sólido através de registros nos sites de apostas.

Muitos se utilizam do serviço e delegam essa função a outra pessoa, pois são especializadas na área, que detém conhecimento e tempo disponível para analisar os melhores cenários de aposta. Nessa opção, também é possível navegar em esportes e ou campeonatos que o apostador pouco conhece e, assim, deposita a confiança - e os valores - no tipster para aumentar as possibilidades de ganhos. Esse especialista também fornece dicas e métodos que podem ser utilizados no futuro.

O ritmo de trabalho dos apostadores mais experientes é dinâmico e pode envolver muita adrenalina. Para quem leva a sério, o ramo das apostas traz um mundo de possibilidades a serem exploradas. Existem muitos detalhes e informações para observar, analisar e aprender. Um dos principais e mais populares nomes do ramo é Lucas Tylty, com 1,3 milhão de seguidores no Instagram.

Os apostadores mais lucrativos e com regularidade nos ganhos geralmente sofrem com limite em alguns sites de apostas. Assim, por estarem bloqueados, precisam buscar outra casa de aposta, que não os bloqueie.

A LEGISLAÇÃO DAS APOSTAS ESPORTIVAS - Há três anos, a Fifa divulgou que o mercado de apostas movimentou globalmente aproximadamente US$ 159,7 bilhões durante a Copa do Mundo da Rússia, segundo números da empresa Sportradar. O governo federal estima que ele movimenta cerca de R$ 2 bilhões ao ano no Brasil, mas os valores podem ser ainda maiores. As empresas que operam no Brasil têm sede no exterior.

Em 2018, uma lei foi sancionada para começar a regulamentar as apostas esportivas, mas o processo de conclusão vem se arrastando desde então. "O prospecto da futura regulamentação das apostas esportivas anda a passos de tartaruga. Enquanto o mercado não regulado de apostas prolifera no Brasil sem parar, deixando de pagar qualquer imposto, o governo federal vem batendo cabeça desde 2019 com relação à elaboração do texto legal que fixe as condições de operação no País. Fica até contraditório entender essa demora quando o governo fala em reforma tributária e aumento da arrecadação, sendo que há uma fonte de receitas caindo de maduro para ser explorada", avalia o advogado Eduardo Carlezzo, especialista em direito desportivo.

Neste ano, a regulamentação das apostas esportivas passou por alterações e deve ser concretizada em 2022. As recentes mudanças na legislação alteraram a parte tributária. Antes, a tributação seria sobre a arrecadação bruta e, em julho, mudou para o lucro das empresas, acompanhando o modelo europeu.

O setor de apostas esportivas no Brasil vive uma verdadeira dualidade. Ao mesmo tempo em que já patrocina 85% dos clubes brasileiros da primeira divisão e representa uma fatia importante das propagandas tanto na televisão aberta quanto na paga, os sites não podem operar em solo brasileiro. Apesar da operação ter sido legalizada no fim de 2018, por meio do projeto de lei 13.758, a falta de uma regulamentação não permite que essas empresas operem no País. A saída, portanto, é oferecer os serviços por meio de suas bases no exterior.

Portanto, o jogo no Brasil continua ilegal, salvo as operações comandadas pelo próprio Estado, por meio da Loteria Federal. Mas as empresas estão de olho no andamento da regulação e querem se tornar reconhecidas pelos brasileiros para largar na frente assim que a regulamentação acontecer.

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Mesmo assim, esse setor já movimenta bilhões de reais no País. Segundo estimativa feita pela consultoria Sports Value, os brasileiros movimentam algo em torno de R$ 4 bilhões em apostas esportivas por ano. Para completar, no primeiro trimestre de 2021, o total de investimento em propaganda por essas empresas chegou a R$ 140 milhões, três vezes mais do que o visto no mesmo período do ano passado.

As empresas que operam pelo País demonstram interesse em passar a operar no Brasil - e pagar os impostos - caso a regulamentação seja aprovada.

Uma delas é a Betsson. A companhia já opera no Brasil um "fantasy game", que consiste na escalação de um time imaginário e que a pontuação ocorre de acordo com o desempenho do jogador de futebol na vida real. É o mesmo estilo que o Cartola, da Globo, explora há alguns anos. No caso da Betsson, há pagamentos em dinheiro que chegam a até R$ 10 mil por rodada, algo que já é permitido.

Porém, a marca também tem um site de apostas funcionando. Mas como a regulamentação ainda não ocorreu, o site é operado pela companhia que tem licença em Malta.

"Somos a exceção no Brasil, uma mosca branca, mas também queremos trazer a operação do site de apostas para cá quando o negócio for regulamentado", diz Andre Gelfi, diretor geral da Betsson no Brasil. A empresa também aposta em patrocínios para ser mais conhecida: decidiu dar o maior valor da história do time pernambucano Ibis, conhecido como o "pior time do mundo".

Outras marcas, no entanto, já estão apostando em times bem maiores. Recentemente, a SportsBet.io anunciou o maior patrocínio da história do São Paulo para ocupar o espaço principal em sua camisa. Os valores não foram divulgados, mas a Sports Value enxerga que, no mínimo, foi pago R$ 17 milhões pelo espaço, que ficará com a marca da empresa até 2024.

"Os sites de apostas também aproveitaram um momento de crise, em que há menos interessados em patrocinar o futebol por causa da pandemia, para conseguir maior exposição", diz Amir Somoggi, sócio da Sports Value.

A Betsul é a empresa que tem mais times patrocinados: Internacional, Grêmio, Fortaleza, Chapecoense e Ceará. No caso do colorado e do tricolor, além do valor de patrocínio, a empresa também ofereceu a possibilidade de ambos terem lojas com os seus nomes e que funcionarão como uma lotérica - a empresa está de olho na exploração das loterias do Rio Grande do Sul. Em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal liberou a exploração do serviço público de loterias diretamente pelos Estados, mas ainda falta uma legislação para definir como essa exploração funcionará.

"Fomos procurados há cerca de um mês e meio com essa proposta e vimos que se trata de um caminho sem volta. E, além da participação no valor das apostas, também vamos poder fazer diversas ações", afirma Jorge Avancini, vice-presidente de marketing do Internacional.

O movimento está acelerado. A Galerabet, por exemplo, sequer estreou o seu site no Brasil (mas com servidores em Israel e no Chipre, além da licença ser de Malta). Mesmo assim, já é patrocinador do Corinthians, do Sport e do Cruzeiro. Com a entrega prevista para agosto, a companhia, que a PlayTech, empresa com capital aberto na Bolsa de Londres, como um de seus investidores, enxerga um grande potencial no mercado com a regulação e na geração de empregos.

"Não faz sentido operar no Brasil com um atendente paquistanês ou indiano. Queremos gerar emprego e gerar mercado no País", diz Ricardo Rosado, vice-presidente de desenvolvimento de negócios e marketing da Galerabet.

O governo fez uma estimativa considerada conservadora de que pode arrecadar R$ 400 milhões a R$ 700 milhões em impostos com a regulamentação dos sites de apostas. E segundo o secretário de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria, Gustavo Guimarães, há um trabalho dentro do Ministério da Economia para que este projeto de regulamentação saia até o fim do ano que vem. De repente, até mesmo antes da Copa do Mundo de 2022, que será realizada no Catar em novembro.

"Cada dia que o passo, é um dia a menos que temos para explorar um mercado que já funciona, mas que precisa ser regulado para trazer segurança e gerar arrecadação para o governo", diz o secretário.

RISCOS DE MANIPULAÇÃO E VÍCIO RONDAM O SETOR - Apesar de ser liberado em boa parte dos principais mercados, há muita discussão a respeito dos efeitos negativos que o setor de apostas pode gerar, inclusive na área de saúde pública. Afinal, trata-se de um jogo que pode gerar vício. Não à toa, desde 2004, atividades como o bingo e máquinas caça-níqueis são proibidos no Brasil. Por problemas como esse, há uma série de discussões em alguns locais, como a Inglaterra, para limitar ou até mesmo banir a propaganda de sites de apostas em clubes de futebol.

Para se ter uma ideia, na Inglaterra mais de 80% dos times da primeira e segunda divisão têm algum patrocínio ligado ao setor de apostas.

No Brasil, essa discussão ainda não existe, mas pode surgir em breve. Por agora, o crescimento do mercado à revelia de uma regulamentação pode trazer problemas tanto para o esporte quanto para os próprios consumidores. Sem regras e com empresas com sedes fora do Brasil, por exemplo, caso um cliente não tenha recebido o valor da sua aposta, não há a quem reclamar.

Para completar, um mercado sem regulação também não cria um arcabouço legal para evitar manipulações de resultados, como aconteceu em 2005 no caso que ficou conhecido com Máfia do Apito, em que juízes beneficiavam ou auxiliavam times em benefícios de apostadores.

"Não há um aparato bem montado para identificar desvios e evitá-los. E a insegurança jurídica do mercado brasileiro também acaba afastando os maiores investidores do mundo", diz o advogado Pedro Trengrouse, sócio do escritório Trengrouse & Gonçalves e especializado no setor.

Segundo o secretário de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria, Gustavo Guimarães, todos os pontos estão sendo colocados em discussão na regulação. Ele ainda cita a preocupação com a lavagem de dinheiro e desvios. "Os desafios são imensos e vamos propor uma legislação que projeta o apostador e que também tenha os cuidados com a patologia do jogo", afirma Guimarães.

Em 2018, durante a gestão do então presidente Michel Temer, o Brasil, através da lei 13.756/2018, tornou legal as apostas em território nacional. Desde então, a prática, antes um tabu para os brasileiros, foi ganhando adeptos e crescendo constantemente.

De 2018 até 2020, 79% dos brasileiros apostaram ao menos uma vez de acordo com uma pesquisa da agência de marketing digital Sherlock Communications. O número massivo de apostas também movimentou cerca de 7 bilhões de reais em um ano.

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E não para por aí. As apostas, cada vez mais difundidas, têm perdido aos poucos o seu estigma de ‘jogo de azar’. Tida como ilegal no país, até pouco tempo, ela já estampa suas marcas em muitos clubes do Brasil.

Para alguns o 'hobby' de apostar até já virou profissão. “No começo do ano passado, saí do meu trabalho fixo e passei a viver só de apostas", conta Everaldo Júnior, que era assistente administrativo em uma Secretaria do Governo de Pernambuco. “No começo, era uma renda extra, só que depois vi que para realmente evoluir, eu precisava me dedicar de verdade”, relembra.

Mas como transformar um hobby em uma forma de viver? Não é só apostando, Everaldo explica. Ele primeiro conta que atua como 'tipster', a pessoa que passa informações qualificadas sobre esportes, baseadas em estudos prévios.

Everaldo atua como 'tipster' e passa informações qualificadas sobre esportes

“Eu atuo no mercado brasileiro de apostas. Sub-20, feminino, só futebol e só mercado brasileiro. Estudo o jogo e mando a previsão do que pode acontecer para os meus clientes, é como se fosse uma consultoria”, detalha. 

Como ‘consultor’, profissão que virou febre, ele cobra mensalmente dos seus clientes, que pagam por uma vaga no grupo de mensagnes no qual as dicas de apostas são enviadas ao longo da semana. Nas redes sociais, basta pesquisar por 'tipster', ou 'traders', que centenas de perfis aparecem. 

"Jogo de azar"

Mas nem tudo são flores. O fato de, até poucos anos atrás, ainda ser visto como algo ilegal criou um preconceito em torno das apostas. Vício, perda de dinheiro, falcatruas. Essa era a visão de muitos e como Fagner Pontes conta. Ele é o que se chama de 'punter', o apostador clássico de sites, que joga semre contra a 'casa'.

Com mais de 100 clientes ativos atualmente, até a família desconfiou das suas atividades. “Preconceito foi muito mesmo. Mas nunca deixei de fazer minhas coisas para me dedicar às apostas, sempre estudei. Só que quando as apostas tomaram uma proporção muito grande na minha vida, eu tive que trancar os estudos, pois vieram com um peso maior”. 

Fagner era estudante de Engenharia quando começou a apostar como uma brincadeira. 'Fissurado' em esportes, logo começou a ganhar, o famoso “green”, termo usado entre apostadores quando faturam. E desde então vem se dedicando cada vez mais e vivendo disso.

Apostas na TV aberta

Com algumas barreiras quebradas, as apostas já ocuparam espaço até na TV Aberta. Mateus Lopes, todas as sextas-feiras, traz, com o quadro Dica Premium na TV Tribuna, algumas opções para apostas. Mas até a história chegar ai, muito aconteceu.

Jornalista, Mateus foi pego de surpresa com uma demissão durante a pandemia. Aconselhado por um amigo, conheceu um curso de Trader Esportivo e se envolveu com a modalidade. “Estudei muito, fui pesquisando mais e vi que tinha grupos e mais grupos no Telegram. Tinha grupos pagos e grupos gratuitos”, comenta.

“Gerava muita revolta nos grupos pagos que eu entrava, porque os caras mentiam sobre a porcentagem. O cara negativou 3% do dia, mas bota no grupo que foi 0,5 positivo enrolando a galera. Aquilo me deu um gatilho para não só viver do Trader, como para ajudar as pessoas e eu criei um grupo no Telegram”, conta Mateus. 

Desempregado, ele passou a viver das apostas e consultorias. Sofreu com o preconceito e chegou a perder cerca de 5 mil reais. Mateus revela que perdeu o controle da sua banca, ainda que continuasse com a consultoria. Voltou a trabalhar de carteira assinada e se recuperou do baque sofrido. Agora concilia ambos.

Mateus explica se abalou emocionalmente devido a um problema de saúde com um familiar próximo e mesmo assim insistia nas apostas o que acabou lhe rendendo um prejuízo. Com isso ele aprendeu a importância de estar bem mentalmente para seguir sendo lucrativo nesse mundo. 

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“Assim que comecei nas apostas, a TV Tribuna ia lançar um programa com Carlos Eduardo, o Recife Bet. E aí, Mateus Sukar (repórter), que sabia que eu estava entrando nesse meio, e sempre foi um grande amigo meu, disse: 'Carlinhos, Mateus está nesse mundo, pode te ajudar'”. Depois de algumas reuniões, eles passaram a difundir as apostas na TV aberta de Pernambuco.

Desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus, muitas pessoas tiveram que abdicar das atividades ao ar livre. As medidas restritivas impuseram limites de convivência, mas também abriram novas possibilidades. Um dos setores que mais cresceu no período foi o de apostas online. Com cada vez mais adeptos, a indústria tem usado a tecnologia para conseguir se firmar como um mercado lucrativo e vantajoso.

A tecnologia tem mudado os sites de apostas esportivas há pelo menos uma década. São plataformas que estão proporcionando ao cliente maior interatividade e possibilidades de combinação. A gama de esportes à disposição do público cresce exponencialmente. Durante a pandemia, por exemplo, torneios de competições que não foram paralisadas, como o tênis de mesa, ganharam relevância. Na crise, se adaptar é fundamental, e os sites de apostas fizeram isso.

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Em paralelo, não deixaram de investir em tecnologia. Muitos aprimoraram seus sites para dispositivos móveis e smartphones, caso do Bet365 Aplicativo, um dos principais do mercado atual. Aliás, a utilização dos celulares para realizar apostas tem crescido significativamente. Por isso, as plataformas estão desenvolvendo não só opções de aposta, mas também redes de atendimento para dar suporte ao cliente.

Outras novidades passam também pela introdução da realidade virtual, o acesso às apostas por meio das bitcoins e também a inclusão de apostas para os eSports, jogos eletrônicos que tem movido uma legião de fãs em campeonatos de consoles como PS4, PS5 e Xbox One.

Atualmente, muitos cassinos estão investindo pesado na utilização de Realidade Virtual. A ideia é proporcionar ao cliente uma experiência que vá além das apostas. Com a maioria dos cassinos fechados ou com capacidade reduzida, muitas pessoas ainda não se sentem confortáveis para sair de casa. Por isso, o modelo de realidade virtual ajuda o público a vivenciar a realidade do cassino. Decoração, interatividade, mesa, crupiê…Tudo criado para tornar a aposta o mais real possível.

Algo que também tem entrado com força no mundo esportivo são as criptomoedas. A despeito das avaliações de que o modelo de negócio pode ser perigoso e não sustentável do ponto de vista econômico, sua utilização tem crescido muito, e as apostas não estão alheias a esse processo. Um ponto favorável das crypogamblings é que o modelo presume a utilização da criptografia, o que gera mais segurança nas negociações na internet.

Outro mercado que tem ganhado espaço nos sites de apostas são as possibilidades envolvendo os eSports. É verdade que a prática ainda não está totalmente disseminada entre os clientes, mas à medida que os jogos vão se popularizando, as chances de apostar em um desses eventos também aumenta. Atualmente, os jogos mais atrativos são Counter Strike, Dota 2, League of Legends e Fortnite. Para se ter uma ideia, as apostas em jogos de eSports arrecadaram mais de US$ 14 bilhões (mais de R$ 60 bilhões) de dólares em apostas no ano passado.

Há ainda outras boas novidades, como o I-Slots, especialmente projetados para os cassinos online. Eles permitem uma nova visão desse jogo clássico entre os adeptos do cassino, sobretudo no que envolve as máquinas caça-níqueis. As modificações ocasionadas pela digitalização dos sites também impacta o modelo conhecido como In-Play.

Esse tipo de aposta é mais utilizado para quem curte eventos esportivos. O nome é complicado, mas a explicação é fácil: nada mais é do que fazer apostas enquanto o evento acontece. Por exemplo: apostar que Neymar fará dois gols na partida aos 30 minutos do primeiro tempo. Ou que Tom Brady poderá vencer o Super Bowl (de novo) enquanto a partida está no intervalo. Há cada vez mais opções de In-Play, o que é muito bem-vindo.

A digitalização dos sites de apostas veio para ficar. É um caminho sem volta. Se o setor continuar aprendendo e aprimorando suas ferramentas como tem feito até o momento, o crescimento da indústria será ainda mais estruturado e vantajoso não só para as empresas, mas para o público também.

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