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O Teatro La Scala de Milão, anunciou nesta quarta-feira (2), que demitiu o famoso maestro russo Valery Gergiev, considerado amigo de Vladimir Putin, para as próximas apresentações de uma ópera de Tchaikovsky, após sua recusa em condenar a invasão russa da Ucrânia.

O diretor do renomado teatro milanês, Dominique Meyer, informou ao famoso maestro que o La Scala contratará outro músico para dirigir as próximas apresentações de "A Dama de Espadas", marcadas entre 5 e 13 de março, explicou a entidade em comunicado.

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O maestro russo será substituído pelo jovem maestro russo Timur Zangiev, de 27 anos, que "está encarregado de alguns ensaios" e é "muito apreciado pela orquestra", disse o La Scala.

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, assim como os diretores do La Scala, exigiram em 24 de fevereiro, um dia após a invasão russa da Ucrânia, que Gergiev esclarecesse publicamente sua posição sobre a invasão e defendesse uma "solução pacífica" do conflito.

"Não tendo recebido uma resposta após seis dias do pedido e três dias antes da próxima apresentação, é necessária uma solução", explicou o teatro milanês, considerado o templo da ópera na Itália.

Além do La Scala, várias orquestras e festivais na Europa e nos Estados Unidos cancelaram shows com Gergiev, incluindo a Filarmônica de Paris e o prestigioso Carnegie Hall de Nova York.

Sua proximidade e lealdade a Putin, a quem conhece desde 1992, suas declarações a favor da anexação da Crimeia pela Rússia, bem como os concertos realizados na Ossétia do Sul bombardeada e em Palmira ao lado do exército sírio, desencadearam muitas controvérsias nos últimos anos.

A Filarmônica de Munique, com a qual mantém uma colaboração estável desde 2015, decidiu na terça-feira se desvincular do reputado maestro pró-Putin, enquanto seu agente internacional Marcus Felsner deixou de representá-lo, segundo um comunicado divulgado no domingo em redes sociais.

O maestro britânico Simon Rattle deixará a direção musical da Orquestra Sinfônica de Londres para assumir a direção da Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara (BRSO) a partir da temporada 2023/2024, anunciou esta última.

O mais famoso dos maestros britânicos, que se opôs ao Brexit, assinou um contrato de cinco anos com a BRSO de Munique.

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Rattle dirigia a prestigiosa Orquestra Sinfônica de Londres (LSO) desde 2017, tendo regido anteriormente a Orquestra Sinfônica de Birmingham e a Orquestra Filarmônica de Berlim.

O músico de 65 anos será o sucessor do letão Mariss Jansons, que comandava o conjunto bávaro desde 2003 e que morreu no final de 2019 aos 76 anos.

"É uma honra suceder Mariss Jansons, e estou ansioso para liderar esses músicos maravilhosos nos anos que virão", disse Rattle no comunicado de imprensa.

"Com sua paixão, versatilidade artística e carisma, ele será um sucessor digno de Mariss Janons", disse o diretor da BRSO, Ulrich Wilhelm.

O maestro, que tem um forte compromisso com a Europa, foi um dos signatários de uma carta anti-Brexit enviada em 2018 por representantes da indústria musical à ex-primeira-ministra Theresa May.

Em entrevista à AFP em 2020, ele descreveu o divórcio com a União Europeia como um "erro terrível" que poderia transformar seu país em uma "prisão cultural".

Habilitado como 'sir' em 1995 pela rainha, Rattle tornou-se famoso aos 25 anos quando impulsionou a Orquestra Sinfônica de Birmingham a um nível internacional.

Durante 16 anos foi diretor musical da prestigiosa Orquestra Filarmônica de Berlim, onde seus antecessores foram os lendários Claudio Abbado e Herbert von Karajan.

O programa Plurarte desta semana entrevista o maestro, arranjador e pianista Zé Américo Bastos. Veja a conversa com Sandra Duailibe

O Plurarte está no ar sempre às sextas-feiras, na Rádio Unama FM (105.5), às 13h20, com reapresentação aos sábados, às 10 horas. Também será exibido no Espaço Universitário da TV Unama, na TV RBA, no sábado de manhã, e no portal LeiaJá. 

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Acesse o video no Youtube aqui.

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A música clássica está fadada a se repetir? Nem um pouco, e menos ainda no caso de Beethoven, diz Pablo Heras-Casado, o maestro espanhol com maior projeção do momento e um apaixonado explorador da obra do alemão, cujo 250º aniversário de nascimento é comemorado este ano.

Com quase 43 anos, Heras-Casado dirige há mais de duas décadas os palcos de maior prestígio da Europa e dos Estados Unidos. No dia 25 de outubro fará sua estreia no Scala de Milão com obras de Wagner, Prokofiev e Schönberg.

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À espera deste novo desafio, que aguarda com "grande entusiasmo", reflete sobre a sua procura da originalidade numa entrevista à AFP no Teatro Real de Madri, onde é o principal maestro convidado.

"Perpetuar uma tradição sobre a qual não se pensou nem se refletiu é a morte da arte e um sinal de preguiça intelectual", afirma.

Seu repertório vai do barroco à música de vanguarda, mas sua maior fraqueza se chama Ludwig van Beethoven, nascido há 250 anos: "ele me acompanhou ao longo da minha vida", sorri.

Apoiado em elaborado arcabouço teórico, Heras-Casado vem aplicando com o compositor de Bonn a chamada abordagem historicista: interpretar suas obras com instrumentos da época, e com uma leitura anexada à partitura original, que dispensa a "pátina" dos cânones herdados de alguns maestros importantes do século XX.

A diferença para o ouvinte, em comparação com uma orquestra sinfônica moderna, é perceptível.

Nos séculos XVIII e XIX, as cordas de violinos, violas e violoncelos não eram metálicas como são agora, mas baseadas em tripas de porco, que produzem um som menos potente e forçam uma execução um pouco mais rápida da partitura.

O som dos metais também muda: menos incisivo e mais amplo.

"Em teoria, têm possibilidades mais limitadas" esses instrumentos, usados nas orquestras barrocas atuais, ressalta.

Mas se deixarmos "a música falar (...) surge algo muito mais inovador" do que o "molde" com que muitas vezes se ouve e se repete o repertório clássico em auditórios e conservatórios de música.

"Quando se sabe algo mais sobre a verdade, sobre a essência da arte de um compositor, ninguém pensaria em cobri-la com uma dose de lugares comuns", defende Heras-Casado, convencido de que em cada interpretação se deve "tentar oferecer a possibilidade de voltar a ouvir uma obra".

- Beethoven, clássico e atual -

O maestro espanhol passou uma década trabalhando nesta forma de interpretar com a Orquestra Barroca de Friburgo, especializada neste prisma historicista que até há poucos anos padeceu de um certo esnobismo por parte do público e de alguns críticos.

Com esta formação, acaba de gravar para a gravadora Harmonia Mundi uma série de obras emblemáticas de Beethoven: os cinco concertos para piano e orquestra, a 9ª sinfonia e o triplo concerto para violino, violoncelo e piano.

Um autor, o alemão, de grande atualidade, pois afirma Heras-Casado que foi "o primeiro compositor moderno por sua atitude pessoal", e por "não querer pertencer a uma ordem estabelecida", como demonstrou ao riscar a dedicatória a Napoleão da 3ª Sinfonia, após proclamar-se imperador da França.

Originalmente, nada predispôs este andaluz de Granada a tal carreira. Ele cresceu em uma família estrangeira à música clássica e começou cantando no coro de sua escola.

Mais tarde, viriam os estudos de piano e depois regência, com professores como o pianista e maestro de origem argentina Daniel Barenboim - "uma grande mente" -, e o compositor e maestro francês Pierre Boulez (1925-2016), um "iconoclasta" que incutiu nele "fidelidade à partitura".

Até o momento, regeu orquestras de prestígio, como a Filarmônica de Munique, a Filarmônica de Viena, a Staatskapelle de Berlim e as sinfônicas de Boston, Chicago e São Francisco.

No Teatro Real de Madri em 2021 continuará com "Siegfried" a tetralogia wagneriana do "Anel Nibelung", uma comissão operística de 16 horas de música no total que define como "um dos projetos mais emocionantes de [sua] carreira".

Seu compromisso mais imediato, também no Real e com 50% da capacidade, será no dia 19 de outubro.

Será um concerto de caridade contra a pobreza infantil na Espanha, patrocinado pela ONG "Ayuda en Acción", da qual é embaixador, e no qual espera ver um grande público, porque nestes tempos de ansiedade pandêmica "todos precisamos como sociedade".

Ele comandará, de Beethoven, a Sétima Sinfonia e a Abertura de Coriolano.

O maestro João Carlos Martins compartilhou com o seu público um momento de grande emoção, na última terça (23). Usando luvas biônicas, ele pôde voltar a fazer o que mais ama: tocar piano. Em lágrimas, o maestro executou uma música composta por Johann Sebastian Bach e Alessandro Marcello.

Há cerca de duas décadas, o maestro vem lutando contra limitações que o afastaram do piano. Uma doença degenerativa no cérebro, acidentes e cerca de 24 cirurgias lhe tiraram os movimentos das mãos. Impossibilitado de tocar ele encontrou refúgio na regência. Em entrevista ao programa The Noite, em 2019, o maestro chegou a dizer que se despediu definitivamente do instrumento. “Consegui encontrar na regência minha salvação, salvar a minha vida, praticamente”.

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Porém, a tecnologia ajudou o maestro a visitar o piano novamente. No vídeo compartilhado pelo Instagram, ele mostrou sua desenvoltura ao instrumento com a ajuda de luvas biônicas. O momento de grande emoção levou o maestro às lágrimas. Em março deste ano, ele já havia usado o artefato durante uma apresentação no programa Altas Horas. 

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A música erudita brasileira perdeu dois de seus maiores nomes para o coronavírus. A maestrina Naomi Munakata e o maestro Martinho Lutero Galati, faleceram em decorrência de complicações provenientes da Covid-19, doença provocada pelo vírus. Ambos faziam parte do grupo de risco.

 

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O maestro Martinho Lutero Galati - criador do coro Luther King e do coro Cantospesso, da Itália -, tinha 66 anos e havia sido internado no dia 17 de março. Seu primeiro teste para coronavírus foi negativo e a contraprova só diagnosticou a doença após sua morte, oito dias após a internação hospitalar. O maestro chegou a apresentar melhora clínica na manhã da última quarta (25), porém, sofreu uma parada cardíaca à noite do mesmo dia e veio à óbito. O corpo do maestro foi cremado na quinta (26), no crematório da Vila Alpina., em São Paulo,  mas a família pediu, pelas redes sociais, que os amigos não comparecessem à cerimônia para evitar aglomerações. 

Já Naomi Munakata, maestrina titular do Coral Paulistano, tinha 64 anos e faleceu na última quinta (26), após 10 dias de internamento hospitalar. Segundo o G1, a regente apresentava comorbidades que resultaram na evolução desfavorável do seu quadro clínico.  Naomi era considerada uma das principais regentes do país e, além do Coral Paulistano ela era diretora e professora da Escola Municipal de Música de São Paulo, diretora artística e regente do Coral Jovem do Estado, regente-assistente do Coral Paulistano e professora na Faculdade Santa Marcelina e na FAAM.

Um dos grandes homenageados do Carnaval do Recife em 2020, o Maestro Edson Rodrigues, tem uma experiência de mais de 60 anos no frevo. Ele se prepara para comandar mais um Carnaval prometendo muita animação aos foliões, mas de olho nas próximas gerações. Para o maestro, a cultura pernambucana deveria ser matéria escolar. Nesta quarta (22), o maestro participou de uma coletiva de imprensa que apresentou a programação oficial da festa recifense. Ele falou com exclusividade ao LeiaJá sobre a chegada da homenagem nesse momento de maturidade profissional: \"Chegou no tempo certo. Tudo é no tempo de Deus\".Com seu jeito manso, o maestro relembrou a infância quando ainda sonhava fazer tudo o que fez nas últimas seis décadas. \"Desde cedo eu já saía atrás das troças, olhando para os músicos e dizendo: \'um dia eu vou fazer isso\'\". Ele também comentou sobre as aulas de música que teve na escola e como elas foram decisivas na sua formação. Para o maestro, esse ensino é fundamental e deveria ser curricular . \"Que possa haver mais música nas escolas e que os professores se preocupem em passar a riqueza da nossa cultura para que os meninos aprendam desde cedo o que são tradições culturais, para que elas possam ser mantidas. O frevo é uma criança que precisa ser embalada\", declarou.  

O célebre maestro letão Mariss Jansons, que durante sua carreira dirigiu as mais prestigiosas filarmônicas do mundo, morreu aos 76 anos, em São Petersburgo, onde morava - anunciaram autoridades russas neste domingo (1º).

"Sincera gratidão por sua grande arte que permanecerá em nós para sempre", declarou o governador de São Petersburgo, Alexander Beglov, em um comunicado, acrescentando que Mariss Jansons era um "maestro notável", acrescentou.

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O maestro João Carlos Martins, de 77 anos, realizou uma cirurgia na mão esquerda para estancar a dor crônica que sentia há 17 anos. A operação ocorreu na segunda-feira (18), no Hospital Sírio-Libanês. Esta foi a 24º cirurgia que o maestro realizou ao longo da vida. 

De acordo com informações cedidas pela a assessoria de imprensa do maestro ao LeiaJá SP, em decorrência da cirurgia, ele deverá parar de tocar piano por causa da redução dos movimentos das mãos, mas seguirá com os demais projetos, como a Fundação Bachiana Filarmônica.

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Ainda segundo a assessoria, a recuperação do maestro segue dentro das expectativas e, daqui há duas semanas, Martins deve voltar aos palcos, quando realizará uma apresentação em Bortolândia, zona nordeste de São Paulo. 

 

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Era 15 de fevereiro, em Belém do Pará. O ano: 1905. Nascia, naquele data, um dos mais importantes nomes da música paraense: Waldemar Henrique. O maestro, ícone da cultura regional, completaria 114 anos em 2019 e ganhou homenagens em espetáculo musical no Theatro da Paz, palco de tantas celebrações ao músico e que também está no berço neste mês: completou 141 anos.

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Alegre, humilde, de coração generoso, conselheiro, educado e gentil, o maestro assim é descrito pelas pessoas que eram próximas dele, como o advogado e escritor Sebastião Godinho, que conviveu com Waldemar Henrique por mais de 20 anos. “Eu tinha mais ou menos 17 anos. Sempre gostei muito de desenhar e eu tinha um sonho de rapaz, de jovem, que era fazer uma exposição de pintura no Theatro da Paz. Havia, naquela época, uma galeria de arte, a galeria Ângelus, que foi uma galeria de artes criada pelo próprio maestro. Eu frequentava, era jovem, sonhador, frequentava essa galeria e via outros artistas expondo e eu também queria expor meus trabalhos lá”, detalhou.

Foi nessa busca pelo sonho de expor seus trabalhos na Galeria Ângelus que Sebastião Godinho teve seu primeiro contato com o maestro. “Me enchi de coragem e fui lá ao teatro. Eu não o conhecia. Não sabia quem era Waldemar Henrique, na verdade eu queria falar com o diretor do teatro. Quando cheguei lá ele me recebeu muito bem, ele estava nessa ocasião acompanhado do dr. Mauricio Coelho de Souza, médico, intelectual, e eu com 17 anos, muito tímido, me apresentei para ele. Disse que tinha um sonho de fazer minha exposição lá, e ele me acolheu muito bem, foi uma pessoa extremamente solícita comigo”, disse.

O escritor recorda que quando o maestro pediu para ver seus desenhos foi rapidamente em casa buscá-los para mostrar. “Peguei os desenhinhos, eram umas bobagens, coisas de garoto, aí levei para ele. Eu não sabia, mas hoje tenho consciência de que ele foi extremamente generoso comigo, porque realmente os trabalhos que eu tinha não eram trabalhos bons, mas mesmo assim ele me liberou a galeria e pagou, porque havia uma taxa que se pagava pelo uso do espaço da galeria, durante sete dias. Eu não tinha dinheiro, era jovem, pobre e ele pagou para mim. Ele tirou dinheiro do bolso dele e pagou para mim”, afirmou Godinho, que depois, com o passar do tempo, descobriu que essa prática do maestro era comum - ele buscava ajudar todos os artistas.

Waldemar Henrique foi um paraense que deixou os artistas órfãos, como diz Godinho. “Todos nós, artistas em geral, somos órfãos de Waldemar Henrique. Pela generosidade dele, esse amor que ele tinha pela cultura, pelas artes do modo geral e, naturalmente, pelos artistas, por todos aqueles que faziam arte em Belém. Como tem muitos que ainda estão por aqui, que são da época dele, como Yuri Guedelha, e outros artistas que conheceram o maestro e podem testemunhar exatamente o que estou dizendo, essa generosidade que ele tinha com os artistas”, ressaltou.

Sebastião Godinho passou a trabalhar diretamente com o maestro, na direção do Theatro da Paz. Quando Waldemar Henrique se aposentou, aos 70 anos, Godinho continuou a trabalhar com ele, dessa vez como secretário, na casa do músico. “A gente já tinha uma amizade muito forte. Ele me disse: ‘Godinho, eu estou me aposentando e eu tenho dois sonhos na minha vida, que eu quero fazer antes de morrer. Um é escrever meu livro de memórias e o outro é organizar um song book com as minhas músicas’, um livro com todas as músicas dele”, disse o escritor. A amizade do maestro com o escritor durou até a morte de Waldemar Henrique. 

Sebastião Godinho contou que Waldemar Henrique gostava muito de escrever cartas, que escrevia mais de cinco cartas todos os dias para os amigos, e desse material sairiam suas memórias. A idade avançada, porém, e problemas na vista (Waldemar ficou cego de um dos olhos) impediram que o maestro escrevesse suas lembranças. Godinho reuniu tudo o que o maestro havia escrito até aquele momento, cartas, livros, textos para a imprensa, discursos, e organizou as memórias. “Eu consegui reunir num livro chamado ‘Só Deus sabe porque’ toda a produção literária dele. Discurso de posse na Academia Paraense de Letras, por exemplo, discurso de posse na Academia Brasileira de Música, crônicas, peças de teatro que ele escreveu, artigos, palestras, tudo isso eu consegui reunir juntamente com uma fotobiografia. Peguei as fotos dele desde quando ele era criança até mais ou menos a idade de 89 anos, quando nós encerramos o livro. Lançamos em 1990”, explicou.

O escritor detalhou que Waldemar Henrique tinha o costume de escrever diários. “Eu tenho esses diários comigo até hoje. São mais ou menos uns 120, 130 diários, tenho lá na minha casa, até resguardo com muito carinho porque ali tem muitas críticas. Ele não deixava ninguém tocar nesses diários dele. A única pessoa que tinha acesso a isso era eu”, ressaltou.

E foi desses diários que saiu o nome do título do livro de memórias "Só Deus sabe porque". “Uma vez eu estava lendo o diário, e mais ou menos em 1930-1933 ele escreveu: ‘Preciso escrever meu livro de memórias, eu já tenho até o título: Só Deus sabe porque’. Então eu peguei esse título, que ele mesmo bolou lá atrás”,  detalhou.

Para realizar o segundo desejo do artista, Sebastião Godinho tentou organizar as partituras que o maestro compunha. No entanto, por não ser músico, sentiu dificuldades e passou essa responsabilidade para o conservatório Carlos Gomes, atual Instituto Carlos Gomes, que organizou as composições e publicou o livro em dois volumes. “A Secretaria de Cultura também lançou, há mais ou menos cinco ou seis anos, três CDs com as obras dele. É muito interessante, porque não reúne só as obras conhecidas dele, principalmente aquelas ligadas diretamente à mitologia Amazônica, mas também aquelas músicas que ele fez para teatro, para cinema”, afirmou.

Waldemar Henrique morreu em 29 de março de 1995. Sebastião Godinho foi um dos privilegiados pela companhia do maestro. Para os admiradores restou a saudade. Para os fãs, essa data de recordação daquele que tanto contribuiu para a cultura paraense.

 

O maestro russo Gennady Rojdestvenski faleceu neste sábado aos 87 anos de idade, anunciou o Teatro Bolshoi, cuja orquestra ele dirigiu nos anos 2000.

"O Bolshoi está de luto", escreveu o teatro no Twitter, anunciando a morte do maestro.

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Nascido em 1931, o maestro, pianista e compositor dirigiu numerosas orquestras na Rússia e no exterior por mais de cinquenta anos. Em 2000 e 2001 dirigiu a orquestra do Bolshoi.

"Ele ajudou de forma notável a promover a obra de Sergei Prokofiev", um dos maiores compositores russos, elogiou o maestro russo Valeri Guergiev.

Condecorado em 1976 com o título de "Artista do Povo da URSS", a mais alta distinção soviética no campo da cultura, tornou-se diretor musical da Câmara de Teatro Musical de Moscou em 2012.

Também era professor do Conservatório de Música de Moscou desde 1974, de acordo com a agência de notícias russa RIA Novosti.

"Quando começamos a nos lembrar de Gennady Rojdestvenski, entendemos que homem poderoso e que personalidade poderosa do mundo musical deixou este mundo", lamentou o diretor do Bolshoi, Vladimir Ourin, citado pela RIA Novosti.

"Triste notícia da morte de Gennady Rojdestvenski. Era um dos maiores maestros da Rússia e sua música foi uma ponte entre nossas duas nações", reagiu a embaixada do Reino Unido na Rússia no Twitter.

A Ópera Metropolitana de Nova York anunciou nesta segunda-feira (12) a demissão do maestro James Levine devido à sua "conduta sexualmente abusiva e assediadora" de jovens músicos. Em dezembro, a ópera já havia suspendido Levine, seu maestro durante 40 anos, após as primeiras denúncias públicas.

Mesmo aposentado desde 2016, Levine ainda era diretor musical emérito do Met e até dezembro seguia trabalhando ocasionalmente como maestro.

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Após uma investigação que incluiu entrevistas com mais de 70 pessoas, o Met disse que encontrou "provas confiáveis de que Levine teve uma conduta sexualmente abusiva e assediadora com artistas vulneráveis sobre os quais tinha autoridade, no começo de suas carreiras".

O assédio e os abusos dos jovens aconteceram "antes e durante o período no qual trabalhou no Met", afirmou. Mas o Met disse que não encontrou evidências de encobrimento desse comportamento por parte de sua administração ou direção, e que essas acusações "não têm nenhum fundamento".

Desde que mais de uma centena de mulheres acusaram de assédio, agressão sexual ou estupro o produtor de cinema e televisão Harvey Weinstein, em outubro passado, os Estados Unidos vivem uma onda de denúncias de abuso sexual que derrubaram homens poderosos em outras indústrias, da música ao balé, da gastronomia à política, das finanças aos meios de comunicação.

Do terraço da casa de Amintas José da Costa, o maestro Sarrafo, de 98 anos, em Itanhaém, no litoral sul paulista, o som do saxofone invade os espaços, reverbera pela vizinhança e ecoa por entre as casas. O instrumento é seu companheiro há mais 80 anos - e o salvou da guerra.

O maestro nasceu em Aracaju, em janeiro de 1919. "Quando era menino, havia várias bandas na cidade, com muitos músicos e instrumentos. Corríamos atrás das bandas e queríamos tocar", diz.

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Costa conta que começou a aprender música aos 14 anos, com o professor José Viana, então 1.º sargento do Exército. "Ele havia montado uma banda de meninos. Primeiro conheci o clarinete e depois, o saxofone", conta Sarrafo, que recebeu o apelido quando morava em São Paulo, por sua habilidade em ler partituras. "As pessoas diziam: ‘toca o sarrafo’. Acabou se tornando minha marca."

Em 1937, com a meta de seguir a carreira de músico, foi para o Rio de Janeiro, onde a história mais importante de sua vida começou a tomar forma.

Lá, entrou para o serviço militar e chegou a 2.º sargento músico da Força Pública, além de fazer parte do Grupo de Artilharia Antiaérea. Entre 1940 e 1943, frequentou como ouvinte a Escola Nacional de Música no Rio de Janeiro e estudou clarinete. "Como não tinha terminado nem o primário, não pude me graduar, mas aprendi as mesmas técnicas dos que estavam na graduação", relembra.

Em 1943, foi convocado para a Força Expedicionária Brasileira (FEB) para lutar na 2.ª Guerra Mundial. "Embarquei num navio com 200 homens e viajamos por uma semana até Recife, onde faríamos treinamento e aprenderíamos tiro de canhão."

Segundo o Exército, mais de 25 mil homens e mulheres fizeram parte da FEB, responsável pela participação do Brasil, com os aliados, na campanha da Itália, entre 1944 e 1945. Além do envio de tropas para a Europa, houve esforço conjunto das forças brasileiras de terra, mar e ar para defender o triângulo formado por Natal, Recife e Fernando de Noronha, por servirem de base de operações. Recife foi a cidade que agrupou o maior número de militares.

Sax na mão

Costa chegou ao Recife com o saxofone na mão e um oficial exigiu prova de que ele sabia tocar. "Mostrei o que conhecia e recebi a missão de ensinar músicas militares aos recrutas. Me entregaram um livro com as canções, aprendi as letras e, com as melodias tocadas no saxofone, ensinei soldados a cantar. Naquela época não havia outro músico na base, então também ensinei como tocar corneta."

O efeito positivo da música no ânimo do batalhão decidiu o destino do maestro, que passou cerca de dois anos na base. "Queria viajar, lutar, mas jamais recebi autorização. Sempre que era escalado, o comando da base impedia a minha partida. Chegaram a pensar que eu era filho do comandante", lembra, sorrindo. "Foi a música que me manteve lá e salvou a minha vida", afirma o maestro. O Brasil perdeu 454 homens nesta campanha, de acordo com o Exército.

Com o fim da guerra, Sarrafo encerrou a carreira militar e iniciou vida de músico profissional, com inúmeras participações em programas de rádio, nos tempos em que sonoras e aberturas de novelas eram executadas ao vivo.

Na sequência veio a TV, ainda em preto e branco, quando o público conseguia ver quem comandava os instrumentos de sopro. "Participei da orquestra do Silvio Santos e do seu primeiro programa exibido no SBT. Também estive com o Chacrinha, na TV Globo", recorda.

Aposentado, vive em Itanhaém há 30 anos, onde foi professor da Casa da Música, da Prefeitura, e construiu uma escola no terraço da própria casa. "Quero que as pessoas tenham com a música a oportunidade que tive." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O alemão Kurt Masur, um dos grandes regentes do mundo, morreu neste sábado, aos 88 anos, anunciou o presidente da Filarmônica de Nova York, Matthew VanBesien.

"É com profunda tristeza que escrevo em nome da família Masur e da Filarmônica de Nova York para informar que Kurt Masur, que foi nosso diretor musical de 1991 a 2002 e mantém o título emérito, faleceu em 19 de dezembro de 2015", informou VanBesien.

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Contrato para ser o ‘maestro’ do time, o meia Cañete ainda não fez jus à expectativa criada pela sua contratação. O argentino está ciente de que ainda não agradou. Nem ele mesmo está satisfeito. Mas podendo voltar ao time titular no clássico contra o Santa Cruz, o camisa 15 do Náutico espera aproveitar a chance de se redimir.

“Estou devendo. Sou consciente, crítico e sei que estou devendo no Náutico. Não consegui me adaptar. Mas o importante é que Dado está me dando confiança e sou muito agradecido. Tenho uma chance num clássico, então, vou trabalhar. Quero jogar porque clássico me traz boas lembranças. Sei que posso ajudar muito”, afirmou o meia alvirrubro.

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A experiência de Cañete em clássicos é um fator motivacional a mais para o confronto de sábado (8), na Arena Pernambuco. E o retrospecto na carreira é positivo. “Já joguei vários clássicos na Argentina, no Chile e em São Paulo. E tenho mais vitórias. Jogando pelo Universidad Católica contra a Universidad de Chile, no Campeonato Chileno, eu decidi a partida”, contou.

O time titular ainda não foi confirmado pelo técnico Dado Cavalcanti. Porém, a tendência é de que Cañete retorne à equipe para atuar na criação das jogadas com Vinícius. “Ontem (terça-feira), treinamos desse jeito. Com Vinícius mais aberto e eu pelo meio. E nos sentimos bem. Minha posição é essa, jogar como meia centralizado. Acho que tanto Vinícius, quanto eu conseguimos nos adaptar bem”, ressaltou Cañete.

Na próxima quarta (13) e quinta (14) será realizada a segunda edição do Festival Moacir Santos. O evento conta com apresentações de músicos brasileiros e estrangeiros no Teatro de Santa Isabel, além de uma oficina com o Trio 3-63, realizada na quinta-feira (13) no Conservatório Pernambucano de Música, às 10h.

No festival, será lançado o livro Moacir Santos - Ou os Caminhos de um Músico Brasileiro, que recupera a trajetória do compositor dosando biografia e análise musical. Entre as principais atrações do evento estão o Trio 3-63, Hubert Laws e John Leftwich. O ingresso custa R$ 30 e R$ 15 (meia).

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Serviço

Festival Moacir Santos

Quarta (13) e quinta (14) de agosto

Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n - Bairro do Recife)

R$ 30 e R$ 15 (meia)

(81) 3355 3323

Oficina com o Trio 3-63

Quintaq (14) | 10h

Conservatório Pernambucano de Música (Av. João Barros, 594 – Santo Amaro)

(81) 3423 0718

*Por Eduarda Esteves

Morreu neste domingo, 13, aos 84 anos, o norte-americano Lorin Maazel, um dos principais maestros do século 20. Segundo familiares, ele foi vítima de complicações de uma pneumonia. Nos últimos meses, no entanto, Maazel vinha cancelando compromissos em todo o mundo, entre os quais concertos no Rio, com a Orquestra Sinfônica Brasileira, e pedira demissão do posto de diretor da Filarmônica de Munique, cargo que assumiu em 2013.

Sua última aparição pública foi no festival criado por ele, Castleton, Virgínia, nos EUA - ele desistiu de reger uma apresentação de Madame Butterfly mas dirigiu-se ao público antes do espetáculo, falando sobre a importância do repertório operístico. De acordo com depoimento dado por Nancy Gustafson, diretora executiva do festival, ao jornal Washington Post, Maazel sofria de uma doença inexplicável que se seguiu a uma espécie de colapso motivado pelo cansaço causado por um número grande de viagens.

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Maazel nasceu em uma família musical - seu pai era ator e professor de canto; sua mãe fundou a Sinfônica Jovem de Pittsburgh; e seu avô atuou como violinista na orquestra do Metropolitan Opera, de Nova York. Teve suas primeiras aulas de regência com sete anos e, aos oito, regeu uma orquestra pela primeira vez; quatro anos depois, já era regente convidado da prestigiada Sinfônica da NBC. No começo dos anos 1950, com 23 anos, tornou-se o primeiro maestro americano a trabalhar no Festival de Bayreuth, na Alemanha; de 1965 a 1971, dirigiu a Deutsche Oper de Berlim e, de 1964 a 1975, foi diretor da Sinfônica da Rádio da cidade.

Nos anos 1970, assumiu a Orquestra de Cleveland e a Orquestra Nacional da França; pouco depois, passou a dirigir a Ópera de Viena, a Sinfônica de Pittsburgh e a Sinfônica da Rádio da Baviera. A lista de orquestras e teatros é vasta - e serve para exemplificar a importância que conquistou no cenário, com interpretações de um repertório bastante amplo e uma mente musical excepcional. "Ele é claramente um homem brilhante, talvez brilhante demais para se contentar com a recriação sem fim das mesmas obras. Ele é também um homem frio - e talvez essa frieza coloque uma camada de gelo sobre suas interpretações", escreveu em 1979 o crítico John Rockwell, do New York Times.

Sua carreira não esteve livre de polêmicas. Após a morte de Herbert Von Karajan, em 1989, esperava assumir seu posto à frente da Filarmônica de Berlim - e, quando o nome de Claudio Abbado foi anunciado, ele se recusou a voltar a reger o grupo. Em 2008, como diretor da Filarmônica de Nova York, resolveu levar a orquestra para uma apresentação na Coreia do Norte, sendo criticado por flertar com o regime de Kim Jong-il.

Ao longo dos anos, o maestro manteve contato com a cena musical brasileira. Além de ter visitado o país à frente de orquestras estrangeiras, promoveu, em 2002, em parceria com a Orquestra Experimental de Repertório, no Municipal de São Paulo, um concurso de regência - do qual fez parte, como candidato, um então desconhecido maestro venezuelano chamado Gustavo Dudamel. Dez anos mais tarde, regeu um ciclo dedicado às sinfonias de Beethoven com a Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Morreu nesta quarta-feira (11), aos 80 anos, o maestro espanhol Rafael Frühbeck de Burgos. Segundo sua família, ele estava internado em uma clínica de Pamplona por causa de um câncer. Atendendo a um pedido feito pelo maestro, seu velório e enterro, que serão realizados nesta quinta-feira, 12, não serão abertos ao público, apenas à família.

Na semana passada, o maestro havia emitido um comunicado no qual anunciava sua doença e informava sua decisão de se retirar permanentemente dos palcos, renunciado ao posto de diretor da Sinfônica da Dinamarca e cancelando os concertos que faria com a Sinfônica de Boston no Festival de Tanglewood. Sua última aparição pública foi em março, quando passou mal durante um concerto com a Sinfônica Nacional de Washington.

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Frühbeck de Burgos nasceu em 1933 e, ao longo do século 20, desenvolveu uma carreira que fez dele o maior maestro da história da Espanha. Ele foi diretor artístico de instituições importantes, como a Deutsche Oper, de Berlim, a Sinfônica Nacional de Espanha e a Filarmônica de Dresden, da qual era regente emérito. Sua trajetória artística estava bastante associada à música do século.

Ele gravou, por exemplo, a integral sinfônica do compositor Manuel De Falla, além de diversos discos dedicados a autores como Stravinski e Debussy. Tinha especial relação também com os repertórios clássico e romântico.

Em uma passagem por São Paulo, em 2011, quando regeu a Osesp, ele falou ao jornal O Estado de S.Paulo também da paixão pelas sinfonias de Mahler. Ele rechaçava, no entanto, comparações segundo as quais ele seria, pelo modo como dominou com suas sinfonias a temporada das principais orquestras mundo afora, uma espécie de "novo Beethoven". "Eu adoro Mahler e fui o primeiro a tocar todas as suas obras na Espanha. É claro que ele teve uma evolução enorme desde a sua primeira sinfonia. Mas não consigo compará-lo a Beethoven. No avião, vindo para cá, li um artigo sobre os regentes mais ocupados do mundo. O primeiro é o Valery Gergiev e eu, aparentemente, sou o sétimo. Mas, enfim, o que importa é que eles também elencavam os autores mais tocados. Beethoven está em primeiro lugar, com mais de 50% a mais que o segundo colocado, Mozart. Isso quer dizer alguma coisa. De minha parte, se eu precisasse guardar algumas obras para todo o sempre, seriam a Paixão de São Mateus de Bach, o Réquiem de Brahms e a Missa Solene de Beethoven."

Frühbeck de Burgos manteve, nos últimos anos, relação estreia com a Sinfônica do Estado de São Paulo, que regeu em diversas ocasiões. Ele, no entanto, também visitou o Brasil em outras oportunidades, à frente de orquestras estrangeiras, como a Sinfônica Nacional da Espanha e a Sinfônica de Viena. Em 2010, atuou na Sala São Paulo à frente da Filarmônica de Dresden.

Híbrido Ideal

Em 2001, definiu-se, em uma entrevista, como uma espécie de "híbrido ideal". "Sou filho de alemães e, logo, trago em mim todo o lado filosófico e lógico germânicos, mas, ao mesmo tempo, adoro a Espanha e sua intensidade, a ponto de acrescentar ao meu nome de batismo o da minha cidade natal, Burgos, para deixar claro a dualidade cultural em que fui formado", explicou. "Para tocar a música de meu país, é preciso saber imprimir o sabor nacional, dar um maior colorido, sem, no entanto, deixar tudo descambar para o exotismo, subproduto dos excessos dessas virtudes, um erro muito comum em intérpretes não hispânicos." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Aposentadoria? É morte. A definição é dura, mas o maestro Isaac Karabtchevsky a oferece com um sorriso no rosto. Ele completa 80 anos no final de dezembro. Mas começa a comemorar já neste domingo, 4, quando rege concerto de abertura da temporada da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, da qual é diretor, com a Sinfonia n.º 3 de Mahler, tendo a meio-soprano Carolina Faria como solista. "Nunca imaginei que, a esta altura da minha vida, teria a oportunidade de contribuir com um projeto como esse. Estou feliz."

Karabtchevsky "deixou" o Brasil no início dos anos 2000, ao sair do posto de diretor do Teatro Municipal de São Paulo. E, no meio musical de então, não se imaginou possível um retorno tão rápido - em 2004, assumiu a Sinfônica da Petrobrás; pouco depois, a Sinfônica de Porto Alegre, de onde sairia em 2012. Chega? Não - nos últimos dois anos, acrescentou ao currículo a Sinfônica de Heliópolis e o Teatro Municipal do Rio, além de ser um dos principais regentes convidados da Sinfônica do Estado de São Paulo, com quem está editando e gravando todas as sinfonias de Villa-Lobos.

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"Aposentadoria nunca foi um objetivo. Nunca foi algo almejado. Aposentadoria é reclusão, afastamento. É inimaginável, para o músico, se distanciar da matéria sonora. No meu caso, no caso dos maestros, matéria é uma massa de músicos, nem sempre pacífica. Cada orquestra tem as suas particularidades, é preciso se habituar a elas e desenvolver seus objetivos da melhor forma", diz, relembrando a relação nem sempre harmoniosa com os sindicatos de músicos italianos.

Foi em Veneza, onde ele dirigiu o Teatro La Fenice, que a conversa na verdade começou, com uma rápida passada por Viena, onde ele dirigiu a Tonkunstler, e pela França, onde foi diretor da Orquestra Nacional do Vale do Loire. Casa é onde se está em um momento específico? "Não, casa é o Brasil, sempre foi", diz o maestro, sem hesitar. "Um dos períodos mais longos que passei à frente de um grupo foi com a Sinfônica Brasileira, na qual fiquei 26 anos. Ali eu tive a chance de abrir a orquestra para projetos importantes de comunicação social, experiência que me acompanhou na ida para Viena. Essa transição foi natural e o que aprendi aqui, desenvolvi por lá, da mesma forma que sempre tentei recriar no Brasil elementos da minha experiência europeia. E uma das coisas que mais me marcaram ao chegar à Europa foi a compreensão de que a música é um fenômeno de base. E, naquele instante, jamais imaginei que chegaria aos 80 anos, aqui no Brasil, trabalhando com os jovens de Heliópolis."

É nesse sentido, ele explica, que enxerga uma lógica, um caminho coerente ao longo da sua trajetória, que o leva a afirmar, hoje, que "o trabalho em Heliópolis é o ponto culminante da sua carreira".

Para explicar os motivos que o levam a essa conclusão, ele relembra os primeiros contatos que teve com o maestro venezuelano José Abreu, criador do Sistema, projeto educacional que espalha pelo país conjuntos orquestrais e atende hoje centenas de milhares de crianças. "O que entendi, na primeira vez que regi a Orquestra Simon Bolívar, é que Abreu foi um visionário. Ele fez do Sistema um movimento, antes de tudo, social. E isso legitimou o projeto, fez dele indestrutível, menos sujeito à possibilidade de uma troca política significar o fim do trabalho. Ao mesmo tempo, Abreu intuiu que nos barrios venezuelanos, equivalentes a nossas favelas, há um potencial humano riquíssimo, que não pode ser ignorado. A sensibilidade não enxerga camadas sociais. E Abreu soube não apenas entender isso como recrutou os melhores professores disponíveis, no mundo todo."

A ideia de "comunidade" lhe parece fundamental. "O entrosamento que nasce dessa realidade é incrível. E é esse maravilhamento que sinto a cada instante em Heliópolis. Apesar de sermos um movimento jovem em comparação ao Sistema, temos conseguido resultados artísticos incríveis e isso leva a um envolvimento da sociedade, com doações e patrocínios fundamentais. Da mesma forma, temos alguns dos melhores professores disponíveis no mercado, profissionais que, além da qualidade, compreendem a importância do projeto. Há uma energia fascinante, que nunca encontrei em outra orquestra."

Sinfonias

Quando assumiu a direção artística do grupo, em 2012, o maestro anunciou um novo plano de repertório. Diminuiu o número de solistas - "o foco tem que estar na orquestra" - e não se limitou a programar peças do repertório clássico ou romântico. O choque foi imediato - para abrir sua primeira temporada, interpretou a Sinfonia n.º 2 - Ressurreição, de Mahler. No ano passado, fez a primeira sinfonia; agora, será a terceira. "E, no ano que vem, vamos abrir o ano com a Nona. A ousadia no repertório tem a ver com o resgate da identidade dos músicos", explica o maestro. "E o crescimento, ano a ano, é indiscutível. Os instrumentistas passam longos períodos estudando a partitura com os professores e, quando começamos os ensaios, essa dedicação aparece."

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No programa Vencer desta semana, o jornalista James Alcides conversa com a pedagoga Daniela Janssen, que conta como perdeu os movimentos dos membros inferiores, devido a uma distrofia muscular do tipo "cinturas" que apareceu aos 10 anos de idade. "É uma perda de força muscular que a gente vai tendo ao longo dos anos", conta.

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Ela falou ainda que começou a usar cadeira de rodas aos 20 anos, ao sentir necessidade de se locomover melhor na faculdade, "você passa a entender que a cadeira é um veículo pra te dar liberdade. Ela é um instrumento que aparentemente vai te prender mas que na verdade te dá a liberdade de conseguir fazer coisas que andando você não conseguia mais".

Daniela explica que sempre gostou de ajudar outras pessoas e por isso decidiu estudar pedagogia, mas na faculdade encontrou uma certa dificuldade em falar sobre inclusão. ''Logo no começo não se falava muito sobre inclusão, e eu me recordo que só eu queria apresentar trabalhos sobre o tema na faculdade. Ai eu comecei a ser a chata, né?", brinca a pedagoga. 

Esta edição do programa traz ainda o quadro Vencedores da História, contando a trajetória de superação do famoso maestro e pianista João Carlos Martins, que venceu as dificuldades impostas por problemas físicos e voltou a tocar piano e a reger.

Toda sexta-feira, você confere um novo programa Vencer, no Portal LeiaJá.

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