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A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais divulgou nesta terça-feira (06) que o filme escolhido para a indicação para o Oscar de 2023 será "Marte Um", representando o país na categoria de Melhor Filme Internacional na premiação do próximo ano.

Marte Um fazia parte da pré-seleção dos filmes indicados para concorrer ao prêmio. Junto ao longa, estavam na disputa A Viagem de Pedro (Laís Bodanzky), Pacificado (Paxton Winters), A Mãe (Cristiano Burnal), Carvão (Carolina Markowicz) e Paloma (Marcelo Gomes). As informações são de O Globo.

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O longa foi escrito e dirigido por Gabriel Martins (No Coração do Mundo). A trama acompanha o cotidiano dos Martins,uma família negra de classe média baixa, que passa por diversos dramas distintos. O jovem Deivinho, interpretado por Cícero Lucas, sonha em ser astrônomo, visando ajudar a colonizar Marte no futuro, enquanto tenta uma carreira no futebol para agradar o pai.

O filme está em cartaz nos cinemas do Brasil. Confira o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=jFMBb7Z5N24

Uma pesquisa divulgada na última segunda-feira (16) pela desenvolvedora de softwares de segurança Kaspersky concluiu que “um em cada quatro brasileiros já foi ou está sofrendo um monitoramento abusivo por meio da tecnologia”. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo levantamento, a forma mais comum de perseguição digital tem sido a instalação de um aplicativo espião no celular.

Intitulado “Stalking online em relacionamentos”, o estudo esclarece que tais programas são, por vezes, baixado da internet com riscos de malware, e geralmente instalados no celular da vítima que o stalker quer acompanhar.

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De acordo com o levantamento, 70% dos brasileiros não sabem o que é stalkerware ou spouseware. Essas pessoas também desconhecem a existência de softwares espiões.

Desde a última sexta (2), o pequeno Theo Santana, de apenas um mês de idade, vem contando com a solidariedade de estranhos para se alimentar. O bebê ficou privado de amamentação em razão do falecimento de sua mãe, Driele Júlia da Silva, de 33 anos, o que motivou uma campanha de arrecadação de leite materno em seu favor. A movimentação é articulada pelo pai da criança, o supervisor de logística Moisés Santana, de 38 anos, e por amigos da família. 

“As pessoas que estão me ajudando na campanha são aquelas que fizeram parte da minha história de amor com minha esposa e foram se tornando parte da família. Meu objetivo é realizar o desejo da minha esposa, de cumprir seis meses de amamentação de Theo com leite materno”, comenta Moisés.

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No momento, Theo só dispõe de dois recipientes contendo leite materno, com cerca de 120ml cada. “Estou complementando com a fórmula, mas ele sente muita cólica, então tento dar mais pelo horário da noite do que durante o dia, como a mãe dele fazia”, conta o pai. Prestes a encerrar a licença remunerada por morte, Moisés ainda não sabe como conciliará o emprego com os cuidados contínuos com o bebê. “Tenho algumas pessoas me ajudando, vindo cuidar dele, mas não tem quem possa passar 24 horas por dia com Theo. Ele sente muita falta da mãe, passava o dia todo com ela”, lamenta.

O supervisor de logística tenta conseguir, junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que o período de licença maternidade de sua esposa seja transferido em seu benefício. O protocolo do pedido já foi realizado, mas demanda prazo de 45 dias para resposta. “Minha esposa deixou uma missão muito difícil para mim com essa criança. Eu tomei a decisão de que, se for necessário, vou pedir meu desligamento do emprego e optar por cuidar do meu filho”, afirma Moisés.

Campanha

Potes para coleta de leite materno precisam ser de vidro e possuir tampa rosqueável. (Cintya Castro/cortesia)

Uma das responsáveis pelo mutirão de arrecadação, Cintya Castro, madrinha de Theo, explica que o grupo, de cerca de seis pessoas, trabalha para que as doadoras não precisem se deslocar para realizar nenhum procedimento. “Antes de tudo, a gente precisa saber se a pessoa possui cadastro no IMIP, porque se ela não tem, é preciso preencher uma ficha de pré-cadastro, que a gente manda por Whatsapp e depois vai buscar, junto com os exames de sífilis, HIV e hemograma”, explica Cintya.

O grupo também transporta o leite coletado pelas doadoras até a unidade de saúde, onde é realizado o procedimento de pasteurização, necessário para garantir que o bebê não seja contaminado por eventuais doenças durante a ingestão do líquido. “O IMIP só aceita que o leite coletado seja entregue em um pote de vidro, do tipo Nescafé. Estamos indo recolher esse leite na casa das pessoas, não é preciso sair para nada”, frisa.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o IMIP confirmou que o recipiente para coleta de leite materno precisa ser de vidro, com tampa rosqueável. Tais características viabilizam a condução dos potes na centrífuga onde é realizado o procedimento de pasteurização. 

Cintya frisa que o grupo já conseguiu uma boa quantidade de recipientes adequados. “Acredito que a gente já está com bastante pote, mas doadora sempre é preciso conseguir mais. Por isso que, depois, a gente queria fazer uma campanha para que houvesse mais doações para o IMIP. Se para a gente, com a visibilidade que conseguimos, está sendo difícil, imagino que para outras famílias deve ser mais ainda”, pontua a madrinha de Theo. 

A necessidade mensal por leite humano no IMIP é de 350 litros por mês, mas, no momento, a instituição só consegue atender a 46% desta demanda. "Precisamos de doadoras num hospital como o IMIP, que tem sua maternidade como centro de referência Covid no estado. Com mulheres gestantes e puérperas internadas, muitas graves, algumas entubadas e algumas que morrem de Covid, deixando órfãos prematuros em nossa UTI neonatal, necessitando de lei humano para sobreviver", explica a médica pediatra e coordenadora do Banco de Leite Humano da instituição, Vilneide Braga Serva.

Interessados em realizar doação de leite materno para Theo Santana, podem entrar em contato com os responsáveis pela campanha através dos telefones:

Cinthya: 081 99748-2140

Sheila: 081 99749-0777

Mayara: 081 99277-5136

Rosana: 081 98643-6612

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) criticou a gestão do presidente Jair Bolsonaro diante da crise sanitária causada pela pandemia da covid-19. Maia aponta a letargia do governo federal diante da iniciativa dos governadores dos estados de buscarem por conta própria vacinas contra o vírus, mencionando ainda sua inércia quanto às PECs emergenciais debatidas no congresso.

“Bolsonaro inaugurou o governo do cada um por si. Estados e municípios que se virem e comprem vacina; doentes que se virem pra achar vaga em UTI; investidores que se virem com as intervenções do governo; o país que se vire para vencer a pandemia”, escreveu Maia, em sua conta no Twitter. Em outra postagem, o deputado continua: “os parlamentares que se virem para passar as PECs. Só lembrando: na falta de liderança, o Congresso atuou para garantir o funcionamento do país com a PEC da Guerra”, completa.

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Alguns seguidores criticaram o posicionamento tardio de Maia, que engavetou 61 pedidos de impeachment contra Bolsonaro. “Demorou ne, Rodrigão? Por que voce nao fez nada quando tava no comando da Câmara?  Agora ta parecendo a gente puto. Reclamando no tuiter sem poder fazer nada”, alfinetou o comunicador Felipe Andreoli.[@#video#@]

Em parceria com o Hospital das Clínicas e com a Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco (Fiocruz-PE), o Departamento de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveu um teste rápido para covid-19, capaz de apresentar resultado em uma hora e meia. A técnica molecular RT-Lamp está sendo estudada através da pesquisa  estudada pela pesquisa “Modelo biológico in vitro aplicada no diagnóstico rápido e específico do Sars Cov-2 por RT-Lamp”, não demanda contraprova e já é utilizada em países asiáticos como a China e Japão.

RT-Lamp, que, do inglês, é um sigla para Transcrição Reversa Seguida por Amplificação Isotérmica Mediada por Loop. Através dela, é possível identificar o RNA do vírus na célula da pessoa infectada de forma mais rápida e segura quanto ao resultado. “O exame é feito pela coleta da saliva com um swab (espécie de cotonete), não requer equipamentos de última geração e tem o processo de diagnóstico quase três horas mais rápido em relação ao RT-PCR (demora cerca de quatro horas)”, comenta a coordenadora da pesquisa, professora Rejane Pereira Neves, do Departamento de Micologia da UFPE.

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No HC, a pesquisa está sendo desenvolvida pelo Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP), com a infectologista Claudia Vidal à frente do projeto. “Vamos testar as pessoas com suspeita de Covid-19 coletando o material (saliva), os seus dados sociodemográficos, os fatores de risco, entre outros, e acompanhá-las. Esse diagnóstico precoce permite a adoção mais consolidada de medidas de precaução, vigilância dos contactantes e otimização do plano terapêutico para os pacientes”, coloca.

Apesar de funcionar a partir de um processo mais simplificado que o RT-PCR, o RT-Lamp elimina os falsos negativos e é capaz de identificar o novo coronavírus mesmo nos estágios iniciais da infecção. Assim, o exame ganha em precisão e rapidez de resposta. “Isso favorece a testagem ampla, segura e rápida da população. Ganhamos tempo contra a Covid-19 e isso é importante tanto para o tratamento adequado das pessoas quanto para o rastreamento do vírus”, explica Rejane Neves.

O projeto é formado por uma equipe multidisciplinar, que conta ainda com pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical (Maria Duarte Coelho, Cicero Pinheiro Inácio e Maria da Conceição Castro); da Pós-Graduação em Biologia de Fungos (Oliane Correia Magalhães e Franz Graciano dos Santos); da Fiocruz-PE (Luiz Carlos Alves e Fábio André Brayner); e da Pós-Graduação em Ciência da Computação (Leandro Maciel Almeida). No caso deste último departamento, é estudada a ampliação do projeto com o desenvolvimento de uma abordagem por Inteligência Artificial, capaz de estabelecer comunicação e a criação de um banco de dados numa plataforma acessada por smartphones, por exemplo.

Apenas 40% da RMR conta com cobertura da Compesa. (Júlio Gomes/LeiaJá Imagens)

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Com a aprovação da PL 4162/2019, conhecida como Novo Marco Legal do Saneamento Básico, por 65 votos favoráveis a 13 contrários no Senado no dia 26 de junho, em plena pandemia da Covid-19, falta apenas a sanção do presidente Jair Bolsonaro para que o caminho da privatização das estatais responsáveis pelo abastecimento de água seja aberto. Em dezembro de 2019, o Governo de Pernambuco revelou que estuda abrir o capital da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), negando, contudo, que pretende privatizar a empresa. Com a intensificação dos debates legislativos na instância nacional, porém, moradores de comunidades pobres do Recife temem a privatização do abastecimento de água, mesmo considerando o serviço público pouco eficiente.

“O governo não dá acesso à água e a esgoto a todos, com certeza, mas não é por acaso. É um projeto para que não tenha pessoas como a gente em áreas centrais e importantes da cidade, mesmo a gente ocupando esses locais com nossas formas e fontes de vida. Mas se o governo não faz, imagine o poder privado, que só pensa no lucro? A renda aqui é baixa”, frisa Sarah Marques, membra do coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste e moradora da comunidade, localizada no centro do Recife. 

Contra a privatização do saneamento básico, Levi Costa critica atendimento da Compesa. (Tales Pedrosa)

De acordo com levantamento realizado pela Empresa de Urbanização do Recife (URB), no ano 2000, das 895 residências existentes em Caranguejo Tabaiares, 385 (43%) possuíam água encanada em casa, 588 (66%) delas despejavam seus dejetos em vala a céu aberto e 799 (88%) não estavam ligadas à rede de esgotos. Apesar disso, Sarah cita ainda os serviços de companhias de telefonia e da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) como exemplos de que a terceirização não é garantia da resolução do problemas da comunidade. “A gente precisa ficar atento, estamos tentando conversar com a população. Uma hora dessas, de pandemia, e o governo pensando em privatizar saneamento básico e esgotamento sanitário. Nossa água é nosso bem maior, que pode salvar nossas vidas, quando a gente lava as mãos. Então isso é muito sério e, de novo, atinge diretamente nosso povo, o povo preto e pobre desse país”, destaca.

Sociedade anônima de economia mista, a Compesa é uma personalidade jurídica de direito privado, mas tem o Estado como seu maior acionista. Desde 2013, a instituição atua nos 15 municípios da Região Metropolitana do Recife com o programa Cidade Saneada, uma parceria público privada. Sua atual taxa de cobertura na RMR é de apenas 40%.

Por meio de nota, a empresa informou que possui cinco sistemas de esgotamento implantados (São Lourenço da Mata, Imbiribeira, Janga, Gaibu e Nossa Senhora do Ó) e mais 11 obras em curso, com o objetivo de bater a meta de chegar a 57% em 2025, 75% em 2030 e a 90% em 2037. “Até 2022, todos as cidades contempladas pelo Cidade Saneada estarão com obras em andamento. Ao final do programa, terão sido investidos R$ 6,7 bilhões e beneficiadas mais de seis milhões de pessoas”, comunica a empresa.

Acontece que, mesmo nas áreas em que os serviços são previstos, tem gente ficando sem água por até seis meses, a exemplo dos moradores da Rua 30, localizada no Bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife. “A gente fez uma denúncia na Compesa e o que eles falam para o morador é que é preciso primeiro fazer um protocolo. A gente liga, não é atendido e não consegue gerar o protocolo. A associação teve que comprar um chip da Claro, porque o órgão não atende ligação da Oi, o pessoal massacra”, queixa-se Levi Costa, membro da Associação de Moradores de Três Carneiros. Apesar de considerar a Compesa burocrática, Levi é descrente quanto à possibilidade de melhora do serviço com a atuação de empresas privadas na execução do serviço. “Falta água, saneamento básico, há uma estrutura que precisa de investimento, que nunca vai ocorrer, porque é caro fazer. Sou contra a privatização”, coloca.

Novo Marco Legal do Saneamento torna obrigatória a licitação para os contratos. (Júlio Gomes/LeiaJá Imagens)

No Córrego do Euclides, na Zona Norte recifense, nem a sede do Grupo de Mulheres Cidadania Feminina, uma das principais organizações sociais do Alto José Bonifácio, escapa da falta de abastecimento. “Nem relógio de água tem. Nós sobrevivemos com a ajuda de mulheres vizinhas, que doam água para a gente. Apesar disso, não acredito na privatização do saneamento, que é um serviço básico e deve ser público”, pontua Liliana Barros, membra do Cidadania Feminina e da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco. Para Liliana, a terceirização do serviço deve subir a tarifa e prejudica, especialmente, a subsistência das mulheres negras. “Somos nós que vamos buscar água na cacimba, ficamos responsáveis pela limpeza da casa e, em tempos de pandemia, pela higiene da família”, ressalta.

O Novo Marco

Proposto pelo governo com base na Medida Provisória (MP) 868/2018, que perdeu a validade sem ter sido completamente apreciada no Congresso Nacional, o Novo Marco Legal do Saneamento torna obrigatória a licitação para os contratos e acaba com os convênios realizados pelos entes estaduais com empresas públicas, que, por sua vez, após os vencimentos dos contratos, terão que competir com empresas privadas pela prestação do serviço. A matéria também prorroga o fim dos lixões e facilita privatizações de estatais do setor. Parlamentares da situação defendem que a medida busca universalizar o acesso ao saneamento básico no Brasil, até 31 de dezembro de 2033.

Tarso Jereissati (PSDB-CE) foi relator do projeto no Senado. (Waldemir Barreto/Agência Senado)

De acordo com o senador Jayme Campos (DEM-MT), a participação de empresas privadas no saneamento provocará um montante de investimentos de mais de R$ 700 bilhões até 2033. “O avanço na área vai ajudar a reduzir a pressão no Sistema Único de Saúde (SUS) e será crucial para a retomada do crescimento econômico após a crise. O investimento em saneamento vai propiciar um salto notável para o Brasil na questão de geração de emprego”, comenta.

O projeto, contudo, está longe de ser um consenso. A oposição, por sua vez, acredita que a aprovação da matéria aumentaria o preço da conta de água para as comunidades mais pobres, em decorrência do fim do subsídio cruzado, isto é, do instituto legal que garante abastecimento para os municípios mais pobres. “Sabemos que, infelizmente, quanto às cidades pequenas, principalmente do Norte e do Nordeste, esses investimentos não vão chegar, como foi aqui falado. É um projeto que vai beneficiar os grandes centros, claro, onde as grandes empresas têm interesse de investir, mas no entorno nós vamos continuar ainda à margem, ainda na dificuldade e, quem sabe, não sabemos ainda nem mensurar o prejuízo que vamos ter quanto à questão da tentativa de levar a política de saneamento de água para essas cidades menores e menos assistidas no país”, argumentou o senador Weverton (MA), líder do PDT no senado, após a votação.

Minoria dos municípios é superavitária

A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABMES) se posiciona em contrariedade à aprovação do novo marco do saneamento. De acordo com a instituição, dos mais de 5.500 municípios brasileiros, apenas cerca de 500 apresentam condições de superávit nas operações de saneamento. Além disso, no ranking ABMES da Universalização do Saneamento 2018, apenas 80 cidades brasileiras receberam pontuação máxima, ao passo que outras 1.613 sofrem com falta de saneamento.

A ABMES critica a aprovação do governo federal, à medida provisória que revisa o Marco Legal do Saneamento, a Lei 11.445 de 5 de janeiro de 2007, e pede a retirada do artigo 10-A da matéria, que trata sobre o chamamento público de antes do contrato.

“Esse artigo aumenta ainda mais a seleção adversa ao interesse público, ou seja, induz as operadoras públicas e privadas a competir apenas por municípios superavitários, deixando os deficitários ao encargo dos municípios e estados. Dessa maneira, dificulta a prestação do serviço de forma regionalizada e, ao dificultar a prática de subsídios cruzados, agrava as diferenças na qualidade e na cobertura dos serviços, com prejuízo para a população mais carente”, diz nota da ABMES.

"Os mais prejudicados serão os brasileiros mais pobres", diz presidente da ABMES. (Júlio Gomes/LeiaJá Imagens)

A entidade coloca ainda que, para as cidades superavitárias, após chamamento público, sempre haverá interessados. “Todo o superávit que seria gerado na hipótese de contrato de programa tende a ser consumido pelo processo concorrencial da licitação, e desta maneira não subsidiarão os municípios deficitários. Com a aplicação desse processo nos municípios que atualmente são doadores, extingue-se todo o subsídios entre os municípios”, argumenta o posicionamento. No caso dos municípios deficitários, contudo, não haveria interesse dos prestadores ou até mesmo disposição por contrato programa. “O sonho da universalização do saneamento no Brasil poderá ficar cada vez mais distante. E novamente os mais prejudicados serão os brasileiros mais pobres, que vivem sem acesso à água potável e esgoto tratado e sujeitos a contrair todo tipo de doenças”, comenta o presidente nacional da ABES, Roberval Tavares de Souza.

O assessor de saneamento da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) e secretário executivo do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS), Edson Aparecido da Silva, coloca que existem alternativas de melhoria do saneamento básico que não demandam a privatização dos serviços do setor. “Instrumentos de participação e controle social. O Brasil poderia criar um fundo nacional para a universalização do acesso aos serviços”, afirma. O entendimento do ONDAS é o de que a PL 4162/2019 promoveria  a “desestruturação do setor de saneamento no Brasil”. “Atingindo o mecanismo de subsídio cruzado, que faz com que as cidades maiores ajudem a levar saneamento pros municípios mais pobres. Se eu tivesse que cobrar a tarifa certa para garantir o serviço em pequenos municípios, talvez fosse preciso aumentar muito a tarifa neles”, acrescenta.

Em nota pública assinada por quase 100 entidades, o ONDAS argumenta que grupos empresariais privados voltados para o saneamento básico controlados por fundos especulativos, a exemplo de BRK Ambiental, Iguá e Aegea, estão por detrás dos projetos de lei dedicados à terceirização dos serviços do setor. “De 2000 a 2019, um total de 1408 municípios de 58 países nos cinco continentes reestatizaram seus serviços. Nos serviços de água, 312 municípios em 36 países, o que se deu principalmente pela ausência de controle e fiscalização por parte do poder público, aumento significativo da tarifa, queda do nível de investimento e não cumprimento dos contratos. O Brasil vai na contramão do mundo”, afirma Edson Silva.

Privatizações no Brasil

Há cerca de 20 anos, a cidade de Manaus (AM) e o estado do Tocantins convivem com a privatização do saneamento básico. Apesar disso, a capital amazonense possui cobertura de coleta de esgoto de apenas 12,5% - dos quais só 30% são tratados - e mais de 600 mil pessoas não têm acesso à água, estando seu sistema de saneamento elencado como o 5ª pior do país, pelo ranking de 2018 do Trata Brasil.

No Tocantins, a Saneatins foi privatizada em 1998 para a Odebrecht, que repassou seus ativos para a BRK Ambiental. Em 2010, a empresa buscou um acordo com o governo para operar em apenas em 47 municípios rentáveis, desobrigando-se de atuar em outras 78 cidades, alegando que os lucros não superavam as despesas operacionais. Para atender os municípios desassistidos, o governo estadual precisou criar uma autarquia, a Agência Tocantinense de Saneamento (ATS).

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), bolsonarista que quebrou uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, pagou R$ 110 mil por 11 serviços da consultoria Samuel Maciel Sociedade Individual de Advocacia, que ainda não existia legalmente. Apenas um dia depois dos pagamentos, a empresa foi oficialmente aberta, com sede em Petrópolis (RJ), cidade do político. As informações são da revista Época.

Embora tenha utilizado dinheiro do contribuinte para fazer o pagamento, Silveira poderia ter recorrido, sem gastos aos cofres públicos, a uma consultoria legislativa à disposição dos deputados, especializada em 22 áreas. Além disso, o bolsonarista não apresenta documentos que comprovam que o trabalho foi executado. No primeiro contrato de Silveira com a empresa consta que os serviços de "consultoria e assessoria jurídica" duraram de 24 de abril a 23 de maio de 2019.

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A data de abertura oficial da empresa, segundo registra a Receita Federal, é de 25 de abril. As notas fiscais emitidas pela empresa seguintes ao primeiro pagamento seriam quase todas do deputado, um dos pouquíssimos clientes a contratar seus serviços, se não o único, durante um ano. Tanto Silveira quanto o escritório se recusaram a comentar o caso.

Por trás dos flashes e do tapete vermelho, o Festival de Cannes esconde uma realidade menos glamourosa: decolagens de jatos privados, enormes iates no porto e quilos de comida no lixo, um "imenso desperdício" para as associações ecológicas.

"Sem dúvida resta muito trabalho por fazer na organização do festival para que se torne mais ecológico", lamentou o diretor francês e ativista Cyril Dion, que fez um apelo ao mundo do cinema para que lute pelo meio ambiente.

Durante 12 dias, a cidade se prepara para receber cineastas e estrelas de todo o mundo, mas a Associação para a Defesa do Meio Ambiente e da Natureza (ADEN) afirma que por trás da imagem glamourosa, o grande festival também provoca uma poluição desmedida.

"Durante o festival, a população triplica. Todas as pessoas se deslocam. Os profissionais e artistas vêm de avião ao aeroporto de Cannes e Nice, fileiras de carros, geralmente precedidos por motos com sirenas, os transportam aos hotéis para evitar engarrafamentos, iates imensos na baía deixam os motores ligados o dia inteiro para ter energia elétrica", afirma a presidente da associação, Geneviève Huchet.

A equipe técnica troca o tapete vermelho três ou quatro vezes ao dia, milhares de papéis impressos são distribuídos - e que muitas vezes acabam no mar -, completa a ativista, que denuncia um "consumo frenético". Em 2015, de acordo com os últimos dados disponíveis, o festival gerou 1.900 toneladas de lixo, segundo a ADEN.

- DiCaprio e os iates -

Os ativistas criticam a pompa que cerca as diversas estrelas que viajam a Cannes.

"Antecipam as demandas das estrelas, imaginam seus desejos de pedir flores, às vezes de mudar a decoração da suíte, imaginam o que gostariam de comer, mesmo quando não será consumido e acabará no lixo", insiste Huchet.

Em alto mar, os fogos de artifício lançados dos iates ao fim das festas geram uma poluição de partículas finas com elementos que caem no mar. Também provocam uma poluição luminosa que perturba as aves marinhas.

Mas o pior de tudo são os jatos que sobrevoam a região a partir do início do festival e durante todo o verão.

O aeroporto de Cannes registrou no ano passado 1.700 pousos e decolagens de aviões de negócios durante o mês de maio, ou seja, 54 por dia, e mais de 2.000 em pleno verão.

O nível de ruído pode superar 80 decibéis dependendo da aeronave. Normalmente o som ambiente, exceto em eventos aeronáuticos, é inferior a 50 decibéis, recorda a Associação de Defesa contra a Poluição Sonora (ADNA).

"As estrelas são muito boas, mas com seus jatos barulhentos arruinam nossa vida. Não podemos ficar com as janelas abertas durante o período", lamenta Albert Dauphin, seu presidente.

Além disso, os moradores encontram querosene nos jardins devido à combustão incompleta das pequenas aeronaves que sobrevoam a zona urbana.

"Muitas estrelas se mostram como defensores do meio ambiente e depois, na realidade, há alguns paradoxos", declarou o prefeito de Cannes, David Lisnard, que nega uma tolerância especial com os famosos.

Se o ator Leonardo DiCaprio, grande defensor do meio ambiente e também adepto dos iates, "jogar óleo de seu barco na baía de Cannes será multado como os outros", afirma.

Pelo menos uma criança morreu em razão do terremoto de magnitude 6,8 na escala Richter que sacudiu a região central das Filipinas, provocando inclusive a emissão de um alerta de tsunami, nesta segunda-feira. Segundo o Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), o tremor ocorreu às 11h49, no horário local (1h49 no horário de Brasília), a uma profundidade de 46 quilômetros, e a 70 quilômetros da cidade de Dumaguete, na província de Negros Oriental.

Segundo o Escritório de Defesa Civil filipino, o menino morreu após ser atingido por uma parede que caiu, no centro de Negros. O tremor estilhaçou janelas e causou rachaduras nas paredes dos edifícios nas cidades de Cebu e San Carlos.

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O Serviço de Sismologia e Vulcanologia das Filipinas emitiu um alerta de tsunami de nível 2, numa escala que vai até 5, na Ilha de Negros. O tremor foi seguido de duas réplicas, de 5,6 e 4,8 graus de magnitude, respectivamente. As Filipinas encontram-se sobre o chamado "Anel de Fogo do Pacífico", zona de grande atividade sísmica e vulcânica, que é sacudida por cerca de 7.000 tremores por ano, a maioria deles de intensidade moderada. As informações são da Dow Jones.

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