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Quase dois em cada três brasileiros são a favor de cotas em universidades públicas tanto para negros quanto para pobres como para alunos da escola pública. Pesquisa nacional do Ibope feita a pedido do Estado mostra que 62% da população apoia a implementação dos três tipos de cotas - mecanismos que facilitam o acesso desses segmentos sociais às vagas do ensino superior.

Há variações significativas, porém. O grau de apoio muda de região para região, entre classes sociais, de acordo com a cor da pele do entrevistado e segundo o seu grau de escolaridade.

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Outra constatação importante da pesquisa é que há um apoio significativamente maior às cotas que levam em conta a renda (77%) e/ou a origem escolar (77%) dos pretendentes às vagas que às cotas baseadas só na cor autodeclarada do aluno (64%).

Em contraposição aos 62% que apoiam todos os tipos de cotas, 16% dos brasileiros são contra qualquer uma delas, segundo o Ibope. Os restantes não souberam responder (5%) ou são a favor de um ou dois tipos de cotas, mas contra o terceiro: 12%, por exemplo, defendem cotas para alunos pobres e para alunos da rede pública, mas são contrários às cotas para alunos negros.

A oposição às cotas para pobres, negros e alunos da rede pública tende a ser maior entre brancos, entre brasileiros das classes de consumo A e B, entre pessoas que cursaram faculdade e entre os moradores das capitais e das Regiões Norte e Centro-Oeste.

Já o apoio à política de cotas nas universidades públicas é proporcionalmente mais alto entre quem estudou da 5.ª à 8.ª série, entre os emergentes da classe C, entre nordestinos e moradores de cidades do interior do País.

Essa diferença de perfil entre os contrários e os a favor sugere que aqueles que estão em busca de ascensão social e econômica tendem a ter mais simpatia por políticas que aumentem suas chances de chegar à faculdade, enquanto aqueles que já chegaram lá - a maioria sem ter se beneficiado desses mecanismos - têm maior probabilidade de serem contrários a esse favorecimento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Os candidatos que irão concorrer pelo sistema de cotas no Vestibular 2013 da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) devem apresentar os documentos comprobatórios a partir desta segunda-feira (4). A concorrência das vagas seguem até o dia 18. Os candidatos que concorrem nos três campi (Recife, Caruaru e Vitória) devem comparecer aos auditórios Jorge Lobo e Adélia Haten, localizados no Centro de Ciências da Saúde (CCS), no Campus Recife da UFPE.

A lista dos habilitados (candidatos que livraram o ponto de corte nas provas) está disponível no edital, porém, essa condição não garante a vaga. Os candidatos a todos os cursos que perderem o período regular da entrega dos documentos poderão realizar o procedimento, no dia 19 de fevereiro, nos mesmos locais e nos horários das 8h às 12h e das 13h às 17h.

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Os documentos exigidos são (cópia legível e autenticada): carteira de identidade, histórico escolar da escola pública em que estudou os três anos do ensino médio e certificado de conclusão, contendo carimbo, assinatura e matrícula funcional da direção e da secretaria do estabelecimento ou na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Também serão aceitos certificado de conclusão do ensino médio obtido através do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) ou de Avaliação de Jovens e Adultos realizados pelos sistemas estaduais de ensino. Também é preciso apresentar termo de compromisso - modelo também encontra-se no site da Covest.

No caso do candidato que cursou parcial ou integralmente o ensino médio em escolas fora do estado de Pernambuco, deverá estar explicitado na certificação apresentada que se trata de uma instituição público. A lista de documentos para comprovação da renda familiar bruta mensal pode ser consultada também no site da Covest.

A UFPE poderá realizar entrevistas ou visitas ao local de domicílio do candidato, além de consultar informações socioeconômicas em cadastros públicos para verificação das informações prestadas. O candidato ao sistema de cotas que não apresentar a documentação no período exigido concorrerá às vagas destinadas à livre concorrência.

Para o candidato cotista que for classificado no Vestibular 2013, não haverá devolução dos documentos apresentados. Caso não seja classificado, os documentos apresentados ficarão retidos por 60 dias e serão disponibilizados após este prazo por um período de dois meses.

CRONOGRAMA – O resultado do Vestibular 2013 da UFPE será divulgado, até o dia 28 de fevereiro.

Na avaliação do pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), André Lázaro, o sistema de cotas ainda é bastante restrito no país e não atinge nem um terço das matrículas no ensino superior. Segundo ele, a Lei de Cotas precisa ultrapassar as fronteiras das universidades federais e chegar, principalmente, às universidades estaduais e particulares.

De acordo com o Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) de 2011, o total de matrículas nas universidades brasileiras chegava a 6,7 milhões. Dessas, 4,96 milhões (77,7%) eram em instituições privadas. As públicas correspondiam a 1,77 milhão (26,3%). Entre as públicas, as federais receberam 1,03 milhão de matrículas, as estaduais 619 mil e as municipais 121 mil.

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“As cotas chegam só nesse 1,03 milhão. Agora, em mais 8% das particulares com o Programa Universidade para Todos (Prouni). Isso é só um começo. Esses números têm que aumentar. O que se pode fazer com as privadas? É preciso pensar em algo. E com as estaduais? Essas são públicas e não têm que reservar vagas”, questiona Lázaro, que já foi diretor e secretário do Ministério da Educação (MEC).

Regulamentada pelo Decreto 7.824, de outubro de 2012, a Lei de Cotas prevê a destinação de 50% das vagas em universidades e institutos federais a alunos que tenham cursado todo o ensino médio em escolas públicas. A norma será implementada gradualmente. Para este ano, 12,5% das vagas serão reservadas. A lei tem validade até 2022 e também considera critérios como renda familiar e raça.

Na opinião do assessor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Serppir), Felipe Freitas, a lei que permite a consolidação da democracia brasileira e o enfrentamento do racismo deve ser ampliada. “O que vivemos agora é a precarização das universidades estaduais. O debate dessas universidades é fundamental para universalizar o sistema."

Para a estudante Danielle Ferreira, diretora de Combate ao Racismo do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), é preciso vencer, entre os próprios cotistas, a vergonha de ter ingressado na universidade por meio de cotas. Segundo ela, na universidade em que estuda, há professores que pedem para que os alunos que entraram por cotas se identifiquem. “Eles não dizem por vergonha. Deveria acontecer o contrário. Deveriam se orgulhar e servirem de multiplicadores da eficácia do sistema”, disse a aluna durante o 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da UNE. O evento ocorre em Recife (PE) até hoje (21).

Neste ano, mais de 3,5 mil inscrições foram recebidas de todas as regiões do país. Sob o tema “A Luta pela Reforma Universitária: do Manifesto de Córdoba aos Nossos Dias”, o Coneb debateu temas ligados às universidades e ao Brasil. Ao final do evento, os delegados vão decidir os rumos e posicionamentos da UNE para 2013. O evento antecede a Bienal da UNE, espaço de diálogo de estudantes e movimentos culturais que, este ano, entra na 8ª edição.

Depois de divulgar o resultado da primeira chamada do Sistema de Seleção Unificado (Sisu), o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, avaliou como positiva a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e Sisu. "Estamos encerrando um ciclo que começou com o Enem. Tivemos um avanço expressivo em relação às nossas experiências anteriores", considerou.

O número de estudantes cotistas também surpreendeu o MEC, já que 864.830 inscritos optaram por concorrer à reserva de 12,5% das vagas, como determina a Lei de Cotas. "Esse foi um salto extraordinário. E estamos satisfeitos porque esse é um sistema novo que estamos querendo implantar. E ter quase a metade de inscritos da escola pública é um passo importante", frisou o ministro. "Permitir que o estudante concorra a cursos em várias instituições através de um mesmo processo é muito positivo. Antes, a mobilidade só existia para quem tinha dinheiro e podia fazer vários vestibulares", destacou.

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Entre os estudantes cotistas, 349.904 declararam ser pretos, pardos ou indígenas e terem renda familiar per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo. Outros 193.238 entraram no recorte racial independentemente da renda. Sobre a renda específica, 168.243 concorreram por terem renda familiar per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo e outros 153.445 optaram pela cota, independentemente da renda.

Para Mercadante, as políticas afirmativas e o investimento em qualidade da educação pública têm dado resultado. "Percebemos uma diminuição na diferença das notas de corte dos alunos de escola privada e pública. A escola pública ainda tem a nota um pouco inferior, mas esse é um bom começo", salientou. "Mas não é nada que nos faça cruzar os braços e descansar. O MEC tem que continuar trabalhando para que a escola pública seja tão boa quanto a privada", completou.

Cinco universidades federais foram as mais procuradas: do Ceará, do Rio de Janeiro, Fluminense, Rural de Pernambuco e de Alagoas. Também estão na lista de mais buscadas: a Universidade Estadual do Piauí, a Universidade Federal de São Carlos, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo e a Universidade Federal de Mato Grosso.

O curso mais concorrido foi o de gestão pública do Instituto Federal de Brasília, com 12.221 inscritos para 45 vagas. Os cursos de medicina das universidades federais de Juiz de Fora, ceará e do Acre também estiveram no ranking dos mais concorridos.

Sobre a demanda, Mercadante avalia que a procura é equilibrada em todas as regiões. "Não existe uma demanda maior numa região. Claro, que na região Sudeste e Sul muitas instituições não aderiram ao Sisu, mas a demanda é equilibrada", disse.

Desde a edição de 2010 do Sisu, houve um aumento no número de inscritos e oferta de vagas. Em 2010, 890.902 pessoas se inscreveram para quase 48 mil vagas em 1.319 cursos. Em 2013, foram 1.949.958 inscritos para 129.319 vagas ofertadas em 3.752 cursos de 101 instituições públicas do ensino superior. "Infelizmente, muita gente vai ficar de fora. Mas é por isso que oferecemos outras opções - como o ProUni, o Fies e o Pronatec - para quem deseja continuar estudando", finalizou o ministro.

Processo - Os estudantes já podem conferir o resultado da primeira chamada do Sisu na internet. As matrículas deverão ser feitas dos dias 18 a 22 de janeiro. O resultado da segunda chamada sai no dia 28 deste mês, com matrículas entre os dias 1º e 5 de fevereiro. Se sobrarem vagas, as instituições convocaram os estudantes que estiverem nas listas de espera. O período de adesão vai de 28 de janeiro a 8 de fevereiro e a convocação pode ocorrer a partir de 18 de fevereiro.

 Parte importante do Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Paulista (Pimesp), o Instituto Comunitário de Ensino Superior (Ices) será implementado pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). A instituição ficará responsável por todo o conteúdo que será ministrado aos alunos que farão o curso superior sequencial, semipresencial, com duração de dois anos.

O curso comunitário será montado de modo a mesclar a utilização de ambientes de aprendizagem disponíveis na internet com aulas virtuais, estas montadas e transmitidas pela Univesp TV em parceria com a Fundação Padre Anchieta.

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Haverá ainda uma parte presencial, que se dará em polos distribuídos por todo o Estado. "Vamos organizar o curso de maneira que possamos aproveitar toda a capilaridade que já existe", afirma Carlos Vogt, presidente da Univesp. Para isso, serão utilizadas as unidades das Etecs e Fatecs do Estado, e os câmpus da USP, Unesp e Unicamp.

Os dois mil alunos previstos para o programa a cada ano serão alocados em unidades em um raio máximo de cem quilômetros de onde residem, de modo que consigam frequentar o curso com facilidade e não tenham o seu desempenho prejudicado pela distância. Em casos em que não haja unidades próximas, estuda-se a possibilidade de instalar novos polos em dependências da prefeitura.

As salas de aula terão, idealmente, 25 alunos, que não contarão com a presença de um professor. Os estudantes terão apenas tutores, que os auxiliarão nas atividades. A transmissão de conteúdo será toda digital.

"Mesmo sem a figura clássica de um professor, os polos darão aos estudantes um sentido de pertencimento a estas instituições, algo bastante importante para a manutenção do projeto", diz Vogt. "Além disso, estamos mexendo com a concepção do ensino: de um lado porque criamos uma nova modalidade de ensino superior e, do outro, por estarmos implementando o uso intensivo das tecnologias".

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A USP terá de quintuplicar o número de alunos pretos, pardos e indígenas de escolas públicas até 2016 para cumprir o porcentual de 35% de suas vagas reservadas a esses cotistas. Hoje, a instituição tem apenas 7,3% com esse perfil, representado por 793 do total de 10.733 alunos.

Com porcentuais um pouco superiores, Unesp e Unicamp também deverão multiplicar seus números. Na primeira, o índice de negros é de 9,8% - o que corresponde a 697 dos 7.094 estudantes - e na instituição de Campinas ele fica ainda um pouco abaixo: apenas 8,5% das 3.554 vagas são ocupadas por negros que saíram de escolas públicas. A soma é 305.

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Ao se considerar apenas os cursos mais concorridos desses três vestibulares, o porcentual tende a cair ainda mais. Neste ano, a graduação em medicina no câmpus de Botucatu da Unesp, por exemplo, não tem nenhum aluno de escola pública, branco ou preto, em suas 90 vagas. O mesmo acontece com a graduação em engenharia mecânica do câmpus de Guaratinguetá, que, dos 30 calouros de 2011, não tinha nenhum oriundo de escola pública.

Esses índices correspondem apenas aos negros oriundos de escolas públicas. Se forem considerados os que também saem dos colégios privados, o porcentual dobra. Isso significa que, mesmo sendo exceção nas instituições, metade dos estudantes pretos, pardos e indígenas da USP, Unesp e Unicamp estudou em escolas particulares e, portanto, não estaria contemplada pela política de cotas anunciada nessa quinta-feira (20) pelo governador. Só na USP há 718 negros que são egressos de colégios privados. Na Unesp são 697 e, na Unicamp, 305.

A situação mais extrema está na Faculdade de Medicina de Marília (Famema). Lá, das 120 vagas, somente 11 são ocupadas por negros, nenhum deles egresso do ensino público. O melhor cenário de equidade, por outro lado, está na Faculdade de Tecnologia (Fatec), cujos negros representam 23,7% do total de matriculados, sendo que 85,8% deles cursaram o ensino médio em escolas públicas. É a instituição que mais se aproxima do previsto pelo Pimesp.

De acordo com as regras anunciadas nessa quinta-feira pelo governo, metade das vagas do colégio comunitário serão destinadas para negros, pardos e indígenas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Apesar de, historicamente, as universidades estaduais serem contrárias à adoção de cotas, professores consultados pelo jornal O Estado de S. Paulo aprovaram o projeto anunciado nessa quinta-feira (20). O programa será debatido nas unidades (faculdades e institutos) e, depois, levado aos conselhos universitários.

Para o professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, mesmo os cursos de ponta não devem sofrer queda de qualidade com a política de cotas atrelada ao colégio comunitário. Ele se diz curioso, no entanto, para sentir a reação interna. "Quero saber como será a reação da Faculdade de Medicina a essa notícia. Mas eu estou otimista e quero ver como será a experiência dessa inserção que não despreza o mérito", afirmou.

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A docente de arquitetura Maria Lucia Refinetti, também da USP, acha que a decisão é "justa e pertinente", mas acredita que se deva tomar dois cuidados primordiais. O primeiro é evitar a discriminação dessa população e, o outro, garantir que a qualidade do ensino não seja diminuída. "Na verdade, uma coisa está relacionada à outra. Se os alunos tiverem em nível de igualdade de conhecimento, eles não serão discriminados".

É exatamente o uso do mérito, diz o sociólogo Simon Schwartzman, o que faz o programa paulista melhor que o federal. Mesmo assim, alerta, é preciso cautela. "Seria melhor não assumir metas tão ambiciosas antes de que tudo fosse testado", diz.

Docente da Escola Politécnica da USP, a Poli, o engenheiro Jorge Leal Medeiros pondera o tamanho do porcentual. "Não sei se precisaria ser tão radical, como fizeram as universidades federais". Apesar da ressalva, no entanto, ele diz ser favorável às cotas sociais, principalmente as raciais. "Precisamos prestigiar as classes menos favorecidas e, no caso dos negros, nós temos uma dívida histórica".

O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, explica que, da forma como foi desenhado o projeto paulista, não faz sentido acreditar que ele dará espaço a candidatos mal preparados. "As pessoas acham que assim serão admitidos candidatos piores. Mas não. Nesses cursos, a diferença de nota entre o classificado em centésimo como o que ficou na posição 800 é ínfima. Não dá para dizer que um é melhor que outro", diz.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

As universidades estaduais de São Paulo - USP, Unesp e Unicamp - querem que o governo do Estado defina uma verba específica para financiar o programa de cotas dessas instituições. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) vai anunciar nesta quinta-feira (20) a proposta final que será levada para os respectivos conselhos universitários. Na Universidade de São Paulo (USP), a maior do País, o projeto será encaminhado para todas as faculdades antes da apreciação do colegiado.

De acordo com o reitor da USP, João Grandino Rodas, o único detalhe que falta para a definição da política de cotas é o orçamento. "Precisa de dinheiro, não é só trazer os alunos. Essa proposta (dos reitores) busca fazer com que todos possam ser acolhidos na universidade e tenham plena condição de seguir o curso", disse Rodas. "Será um novo sistema de ingresso".

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A verba seria necessária para financiar a permanência estudantil, por meio de bolsas de auxílio moradia e alimentação, por exemplo, além da estruturação do curso de reforço para alunos de escolas públicas.

O projeto prevê que, até 2016, metade das vagas da universidade seja preenchida por alunos de escolas públicas, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo em novembro. A proposta foi discutida pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), que começou a debater o tema em outubro, quando o governador pediu a sua formulação após o governo federal regulamentar a Lei de Cotas para as federais. Historicamente, as universidades estaduais são contrárias à proposta de cotas.

As linhas finais do pacote têm sido mantidas em segredo. Ainda há uma série de indefinições em relação ao financiamento e ao modelo de reforço de aula para cotistas. Para o desenho da proposta, não foi realizado uma simulação específica de pontuação de vestibular e demais impactos. Mas, segundo Rodas, as universidades entregaram ao governo números da realidade das universidades para que o Executivo possa chegar a um valor que financie o projeto.

Na USP, as unidades da universidade terão oportunidade de sugerir mudanças, como revelou o reitor. Só depois é que a proposta seguirá para o Conselho Universitário, instância máxima da instituição. O plano é que o novo sistema entre em vigor em 2013.

O anúncio desta quinta-feira deve ser feito de forma que pareça que foram os reitores quem, voluntariamente, decidiram pelas cotas. A preocupação é em conservar a autonomia universitária, tema caro à comunidade acadêmica.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O curso de reforço para alunos cotistas das universidades estaduais, ao estilo de um college, valerá créditos a serem contabilizados na formação. Dependendo do curso escolhido, o aluno também poderá eliminar disciplinas obrigatórias. A ideia contida na proposta do programa de cotas é de um curso de dois anos para deixar os estudantes beneficiados em condições parecidas às dos melhores alunos das particulares, que dominam a lista de aprovados no vestibular.

Segundo o reitor da USP, João Grandino Rodas, o nivelamento é importante. "É preciso garantir que nem a universidade tenha prejuízo, com possível queda na qualidade dos alunos, nem o estudante que entra encontre dificuldades", diz. Rodas ressaltou que já há problemas entre os atuais alunos, independentemente de onde estudaram. "As dificuldades para acompanhar as aulas não são só de alunos vindos da rede pública, mas da particular também".

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O projeto pedagógico do college não foi definido, mas é certo que será semipresencial e gerido pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Falta definir como as vagas serão preenchidas, de acordo com o desempenho no Enem ou no Saresp (exame das escolas estaduais dos ensinos fundamental e médio).

"Não será um curso simplista. É uma possibilidade que dá certeza de que você está na universidade", diz Rodas, lembrando que muitos candidatos ingressam na USP depois de anos de cursinho pré-vestibular.

O college já valerá como curso superior. Ao fim dos dois anos, os alunos receberão um certificado de curso sequencial de complementação de estudos. Poderão participar de concursos públicos que exijam somente formação em nível superior, mas serão impedidos de fazer pós-graduação.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) divulgou, nesta quinta-feira (13), que a Comissão do Vestibular (Covest) já tem disponível a lista definitiva dos candidatos que optaram pelo sistema de cotas para o Vestibular 2013 da instituição de ensino. Veja AQUI a lista. Já o edital de convocação com a data, o local e o horário para que os estudantes habilitados comprovem, através de documentos, o atendimento aos requisitos exigidos para concessão do benefício, será divulgado no dia 31 de janeiro do próximo ano.

De acordo com a UFPE, os candidatos, no momento da comprovação, deverão apresentar o original e a cópia do Histórico Escolar do Ensino Médio, do Certificado de Conclusão do Ensino Médio e entregar declaração, firmada sob as penas da lei, atestando que não cursou nenhuma das séries do ensino médio em instituições privadas. Em seguida, conforme a opção, os candidatos entregarão a autodeclaração de pertinência ao grupo dos pretos, pardos e índios, acompanhada dos documentos de comprovação de renda arrolados no anexo II da Portaria Normativa nº. 18 de 2012, do Ministério da Educação (MEC).

A instituição de ensino também alerta que tem o direito de realizar entrevistas ou visitas ao local de domicílio do candidato, além de consultar informações socioeconômicas em cadastros públicos para a verificação das informações prestadas pelo interessado. O estudante que escolheu o sistema cotista e que não apresentar a documentação de comprovação, irá concorrer às vagas na livre concorrência ou na cota na qual há comprovação de enquadramento. Mais informações sobre o vestibular podem ser conseguidas através do endereço virtual da Covest.

Já está disponível a relação nominal dos candidatos que optaram pelo sistema de cotas do Vestibular 2013 da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Os cotistas podem ser vistos através do endereço eletrônico da Comissão do Vestibular (Covest).

Segundo informações da UFPE, até esta terça-feira (11), os candidatos devem acessar o Documento de Regularidade de Cadastro (DRC). Assim, eles podem fazer mudanças no Formulário de Dados Pessoais, retificando apenas os campos “Opção pelo sistema de cotas” e “Preferências”.

Ainda de acordo com a instituição de ensino, no dia 31 de janeiro do próximo ano será divulgado, por meio do site da Covest, o edital de convocação com a data, o local e o horário para apresentação dos documentos comprobatórios. Na mesma página virtual é possível encontrar mais detalhes informativos sobre o processo seletivo.



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Neste sábado (8), a Comissão do Vestibular (Covest) divulgará, através do seu site, a relação nominal dos candidatos que optaram pelo sistema de cotas do Vestibular 2013 da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Amanhã também será a data de início do período para consulta de dados para conferência, bem como de possíveis reclamações de divergência, além de mudanças de inscrição.

De acordo com a UFPE, deste sábado até o próximo dia 11, os candidatos deverão acessar o Documento de Regularidade de Cadastro (DRC). Assim, eles poderão fazer alterações no Formulário de Dados Pessoais, retificando apenas os campos “Opção pelo sistema de cotas” e “Preferências”.

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Ainda segundo a instituição de ensino, o dia 31 de janeiro do próximo ano é outra data importante para os “feras” cotistas. Neste dia será divulgado, através do endereço eletrônico da Covest, o edital de convocação com a data, o local e o horário para apresentação dos documentos comprobatórios. Na mesma página virtual é possível encontrar mais detalhes informativos sobre o processo seletivo.

O Governo Federal está preparando uma bolsa que será paga aos estudantes que ingressarem nas universidades públicas pelo sistema de cotas sociais e que possuam renda per capita inferior a 1,5 salário. Foi o que garantiu o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, nesta quinta-feira (29), em Brasília.

Segundo informações da Agência Brasil, Mercadante explicou que os beneficiados receberão um cartão de crédito. “Eles vão ter uma renda direta, como é o Bolsa Família, e vamos ter um sistema de tutoria. Vamos ter um professor, aluno de pós-graduação acompanhando, estimulando cada um dos estudantes que estão entrando pelo regime de cotas", falou Mercadante, em depoimento à agência.

Para o ministro, a bolsa ajudará os estudantes a se manterem nos cursos. “Os alunos que têm uma renda per capita inferior a 1,5 salário mínimo podem fazer medicina, que é em tempo integral, durante seis anos. Como eles vão terminar a faculdade se não tiverem uma renda?”, argumentou como exemplo Mercadante, também de acordo com a agência.

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Com informações da Agência Brasil.

A política europeia de importação de açúcar foi o principal tema do início do 21º Seminário Anual da Organização Internacional de Açúcar (OIA). No evento, a Associação Europeia de Refinarias de Açúcar pediu o fim das cotas de importação a partir de 2015, atual prazo em vigor das cotas.

A presidente da Associação Europeia de Refinarias de Açúcar, Laura Girol, fez uma forte defesa em prol de mudança na política europeia para importação da matéria-prima para produção de açúcar refinado. "Há um déficit anual de 4,5 milhões de toneladas de açúcar que poderíamos atender se houvesse possibilidade de importar mais", disse ao comentar que as refinarias só podem importar 2 milhões de toneladas por ano.

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"É preciso ter acesso ao açúcar a um preço justo", afirmou, ao falar que a política europeia fez nos últimos anos com que o preço médio do produto subisse na Europa, enquanto caia na média mundial.

As três universidades públicas paulistas, USP, Unesp e Unicamp, fecharam na quinta-feira (22) proposta que será apresentada nesta semana ao governador Geraldo Alckmin para adoção de um programa de cotas que destinará 50% das vagas a alunos que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas. O objetivo é igualar os porcentuais estabelecidos pelo governo Dilma Rousseff para as universidades federais na Lei de Cotas.

A afirmação é do reitor da Unesp, Julio Cezar Durigan, membro do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), que vinha discutindo o plano desde o início de outubro, quando o governador pediu a sua formulação, após a regulamentação da Lei de Cotas - que só se aplicas às instituições federais de ensino.

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A proposta estadual, assim como a lei federal, leva em conta critérios econômicos e raciais de inclusão. Metade das vagas reservadas seria para estudantes com renda familiar igual ou inferior a 1,5 salário mínimo por pessoa; e 35%, para pretos, pardos e índios.

"A proposta para o programa de cotas já foi escrita e vai ser apresentada nesta semana ao governador. Estamos fazendo o mesmo que o governo federal, mas com mais qualidade", afirmou Durigan, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Atualmente reitor em exercício, ele já foi nomeado para assumir formalmente a reitoria pelos próximos quatro anos, a partir de janeiro.

Segundo Durigan, o documento será entregue ao governador por Luiz Carlos Quadrelli, secretário em exercício de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de São Paulo, pasta à qual as universidades estão ligadas.

A reportagem solicitou entrevistas com os reitores da USP, João Grandino Rodas, e da Unicamp, Fernando Costa, mas não foi atendida. A assessoria de imprensa da USP não confirmou as informações passadas por Durigan. A Unicamp, em nota, resumiu-se a dizer que uma comissão criada recentemente pelo Cruesp discute uma proposta preliminar sobre inclusão social.

Segundo Durigan, o projeto se basearia em dois pilares: qualidade, por meio de reforço no aprendizado, e permanência, por meio da concessão de bolsas de cerca de um salário mínimo. "Temos de dar duas condições para eles: um reforço de aprendizado, porque eles vêm com deficiência na sua formação, e uma garantia de bolsa para que eles permaneçam no curso, pois não adianta nós incluirmos esse aluno e ele não conseguir ficar porque a família dele não tem condições", diz Durigan.

Preparação

O reforço poderia ser dado de duas formas. Uma delas seria um curso preparatório anterior à entrada na universidade, de um ou dois anos, para o aperfeiçoamento em matérias que já são dadas no ensino médio, mas que já valeria como um curso de nível superior - como os "colleges" do modelo americano, segundo Durigan.

A outra proposta é dar um reforço paralelo após a entrada na universidade, nas disciplinas em que o aluno tiver tirado nota baixa no vestibular.

A estimativa do plano é que 40% dos selecionados pelas cotas farão o curso preparatório anterior e 60% irão para a universidade diretamente após o vestibular, com a possibilidade de reforço paralelo.

"O curso preparatório anterior à universidade seria como um college e daria um diploma de nível superior a esses alunos, um diploma intermediário. E depois eles estariam aptos a entrar na universidade ou poderiam entrar no mercado de trabalho", explicou Durigan.

Sobre o diploma que o estudante obteria após a conclusão do college, Durigan afirmou que ele permitirá prestar concurso público com nível superior. Ele defende que é melhor fazer esse curso do que um cursinho pré-vestibular. "O que nós queremos é levar esse aluno para cima. Os alunos que entram nos vestibulares mais concorridos já ficam dois ou três anos no cursinho. Os alunos que vão fazer o reforço antes da universidade não vão fazer um cursinho, mas um curso voltado ao trabalho.

Apostamos nesse college prévio porque o indivíduo sai com formação. Se quiser, pode ganhar dinheiro, prestar concurso público. Se ele quiser progredir mais, tem a oportunidade de fazer um curso como Medicina, Engenharia, escolhendo dentro do número de cotas disponíveis, dependendo do seu rendimento, sem precisar fazer uma nova prova."

A seleção dos cotistas que iriam para o curso anterior à universidade poderia se dar pelo desempenho que tiverem na rede pública, pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou pelo Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), algo que será definido pelo governador.

As aulas do college seriam semipresenciais. As avaliações seriam presenciais, mas a maioria do curso seria a distância, pelo sistema da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Entre as disciplinas adiantadas por Durigan estariam matemática, física, química, português e redação, filosofia, inglês e, possivelmente, iniciação à pesquisa.

"É uma mudança de paradigma. Queremos incluir gente que normalmente não entra pelo vestibular. Nós queremos prestigiar o aluno da escola pública e dar qualidade para que ele se mantenha no curso, entre em igualdade de condições e pela porta da frente. É a inclusão que nós queremos", afirmou Durigan.

Repercussão

O presidente da ONG Educafro, frei David Santos, disse que está em contato com o diretor da Univesp, Carlos Vogt, sobre o assunto e que aprova a ideia do modelo de college, assim como a cota de 50% e a bolsa para cotistas. "Caso a proposta venha a se concretizar, o governador e os três reitores estão saindo da meritocracia injusta e adotando a meritocracia justa", afirmou. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, usou o resultado do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) por escola, divulgado na quinta-feira (22), para tentar demonstrar que os futuros alunos cotistas, de escolas públicas, terão capacidade de acompanhar o curso universitário para o qual serão selecionados.

Dados usados por Mercadante mostram que os 12,5% de alunos de escolas públicas mais bem colocados no Enem teriam uma média de 630,4 pontos - maior do que a média geral dos estudantes de escolas privadas, que ficou, em 2011, em 561 pontos. "Isso nos dá muita segurança de que os melhores alunos da escola pública terão condições de ter um bom desempenho em qualquer curso universitário que decidirem fazer. A elite do setor público é muito boa", afirmou Mercadante. "A dificuldade começa a crescer quando começa a aumentar a cota. Temos um desafio, melhorar a qualidade do ensino médio, para garantir que essa diferença possa diminuir ao longo dos anos."

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Os dados são de 2011, quando a lei do sistema de cotas não havia sido aprovada. A primeira seleção com o sistema em vigor está sendo feita nesse momento e os resultados saem até dezembro. Nesse primeiro ano, 12,5% das vagas das universidades federais devem ser dadas a alunos de escolas públicas com renda per capita de até R$ 933.

Os números apresentados pelo ministro incluem, como alunos da rede pública, estudantes de todas as escolas federais, colégios como o Pedro II, no Rio de Janeiro, um dos melhores do País, colégios de aplicação das universidades federais e escolas técnicas federais, além dos colégios militares - normalmente colocados entre os melhores do País e que fogem do padrão "porta aberta" citado pelo próprio Mercadante: aqueles que não fazem seleção prévia de seus alunos e atendem todos, o que levaria a notas mais baixas. "Não fizemos essa distinção porque a lei fala em todas as escolas públicas, inclusive essas", afirmou o ministro. Em muitas dessas escolas, no entanto, a renda per capita das famílias está além do padrão estabelecido pela legislação.

Médias

Os dados apresentados pelo ministro mostram que os melhores alunos das escolas públicas teriam médias superiores à média das escolas privadas até o limite de 50% estabelecido na lei para ser atingido em quatro anos. Nos 12,5% seria bastante superior. Já no limite final, estaria 13 pontos acima. Já a média geral dos estudantes de escola pública é de 474,2 pontos, 95 abaixo da média da rede privada - e isso sem contar a redação, que costuma piorar a nota das públicas e melhorar a das particulares.

Mercadante aproveitou a divulgação dos resultados do Enem por escola, que em anos anteriores eram conhecidos mais cedo, para informar que pretende realizar mais um seminário sobre mudanças no ensino médio. O ministro quer reunir as escolas com melhores notas no exame para discutir quais são as práticas que levam aos bons resultados, apesar de garantir que aquelas com melhores resultados fazem uma "seleção prévia dos alunos", o que não pode ser feito pelas escolas públicas.

Segundo ele, está claro que as melhores práticas incluem turno integral e professores bem preparados. "Vamos construir um programa para o ensino médio com secretários estaduais, pois são as redes estaduais que concentram o ensino médio. Precisamos ter um estímulo à educação em tempo integral, aprimorar o material didático, o projeto pedagógico e as técnicas de ensino", disse. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Brasília- Pela primeira vez na história do Brasil o número de mulheres candidatas a vereadora ultrapassou a marca dos 30%. Nas eleições deste ano, do total de 448.413 candidatos, elas representaram 32,6%. Em comparação ao pleito de 2008, houve um crescimento em números absolutos de 69.312 e de 10,5 pontos percentuais na presença de mulheres em listas eleitorais. Mas se a presença feminina engrossou as opções de voto, no resultado final das urnas o desempenho delas ainda está muito atrás do alcançado pelos homens.

Em 2009, o Congresso Nacional aprovou a minirreforma eleitoral (Lei 12.034/09). Pela nova lei, os partidos foram obrigados a preencher 30% das vagas em eleições proporcionais com candidatos de um dos sexos. Antes, só a reserva de 30% das vagas era obrigatória, o preenchimento efetivo não.

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Para representantes do movimento feminista, existe uma contradição muito grande no resultado das eleições municipais deste ano. Ao mesmo tempo que a lei de cotas está sendo cumprida, o resultado final mantém as mulheres na média dos 12%. “É uma contradição para alguns que acreditavam que só cumprindo as cotas o problema estaria resolvido. Isso faz a gente ter mais claro como é importante mudar as regras do sistema eleitoral. Não tem cota que resolva se as regras continuarem da mesma maneira”, avaliou Sívia Camurça, da coordenação da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB).

Ainda segundo ela, este ano, muitas candidatas entraram na disputa só para preencher cotas e livrar os partidos de problemas com a Justiça Eleitoral. Também da articulação de Mulheres Brasileiras Guaciara César vai além, e diz que “em alguns casos foram candidaturas laranjas e as que não foram não tiveram viabilidade política”. Mas os problemas não param por aí. As mulheres também reclamam da falta de condições materiais suficientes para realizar campanhas, da alta competição entre as candidaturas, e do fato dos gastos das campanhas eleitorais brasileiras estarem entre os mais altos do mundo.

Para a AMB a solução do problema depende de uma reforma eleitoral que passe a adotar regras como lista fechada com alternância de sexo e financiamento exclusivamente público de campanha. Para conseguir a mudança, a aposta das feministas é mobilizar em 2013 a sociedade, especialmente nas redes sociais, para recolher 1,3 milhão de assinaturas para apresentação no Congresso Nacional de um projeto de iniciativa popular.

Na avaliação do cientista político da Universidade de Brasília Leonado Barreto, a reserva de vagas de candidatas já mostrou que não tem eficiência.  “É uma regra que não deu certo, não cumpriu com seu objetivo. Temos  que pensar em mudar essa abordagem. Ao invés de  reservar vaga para candidaturas, é preciso criar cota de cadeiras efetivas. Não vejo outra maneira de resolver isso no curto prazo”, disse.

Barreto também observou que não é possível falar da mudança de todo o sistema eleitoral  com o objetivo único de inserção de gênero, já que isso teria implicações em todo sistema político. Sobre a proposta de financiamento exclusivamente público de campanha, o cientista político ressaltou que o modelo traria candidaturas mais competitivas, desde que fosse estabelecido que as mulheres iriam receber mais dinheiro.

Das 26 prefeituras de capitais, a partir de 1º janeiro, só uma, a de Boa Vista, em Roraima, vai ser comandada por uma mulher, Teresa Surita (PMDB). Para as câmaras municipais, 7.648 mulheres foram eleitas em 2012, 13,3% do total. Em 2008, 12,5% do total de vereadores eleitos eram mulheres.

Brasília – Dos mais de 5,7 milhões de participantes da edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), 2,4 milhões se declararam pardos; 694 mil, pretos e 35 mil, indígenas. Os dados fazem parte de balanço divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pelo exame.

A distribuição por raças é um dos recortes previstos na Lei de Cotas, publicada há duas semanas. Os novos critérios terão de ser incluídos nas regras de seleção para universidades públicas por meio do Enem.

A nova lei obriga instituições federais de ensino superior a destinar progressivamente uma parte das vagas para estudantes que frequentaram todo o ensino médio em escolas públicas. O objetivo do governo é atingir o índice de 50% das vagas em quatro anos. Um dos fatores a serem considerados é a raça declarada pelo candidato.

As provas do Enem serão realizadas em 1,6 mil municípios de todo o país no próximo fim de semana (3 e 4 de novembro).

A estudante Fernanda Brito Félix, 19 anos, conseguiu, no Enem de 2011, a vaga que buscava na Universidade de Brasília (UnB). Mas o curso possível não era o sonhado. Com o primeiro semestre de pedagogia garantido, a aluna decidiu participar, novamente, do Enem este ano, para tentar a transferência para o curso de direito.

“Só estudei em escola pública e as escolas públicas não têm capacidade alguma de preparar um aluno para um vestibular de [universidade] federal”, disse Fernanda. Para ela, o Enem “acaba sendo uma chance”, mas há dificuldades como a falta de preparo dos alunos no ensino médio. “A prova é cansativa e o aluno não tem essa preparação na escola ou conteúdo. O segredo é estudar muito.”

A receita de quem já foi beneficiado pelo exame parece coincidir com as impressões de quem vai enfrentar a prova pela primeira vez. Aluna do último ano do ensino médio no Colégio Setor Oeste, escola pública de Brasília, Hyasmin Stephanye Leite se prepara para a prova desde janeiro. “Busco métodos na internet, em apostilas. Tenho estudado três horas por dia. Poderia ser mais, mas tenho inglês à tarde”, contou.

Para Hyasmin, o colégio oferece a estrutura de que ela precisa. “Depende mais do aluno do que da escola. Não podemos nos comparar a alunos de escolas particulares, temos que nos comparar a nossa dedicação. Se você estuda, não é a escola que faz diferença, é o aluno que faz.”

Os números do Inep também revelam que a maioria dos participantes do Enem 2012, que tem recorde de inscrições e participações confirmadas, é composta por mulheres. As brasileiras respondem por 59% das inscrições, com 3,4 milhões, enquanto os homens somam 2,3 milhões (41%).

O estado de São Paulo tem o maior número de inscritos, com 932,4 mil, seguido de Minas Gerais (653.074), da Bahia (421.731) e do Rio de Janeiro (408.902).

Do total de inscritos, 4 milhões foram isentos da taxa de R$ 35 por serem alunos de escolas públicas ou pertencerem a famílias de baixa renda. 

Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) reabre nessa segunda-feira (22), inscrições do Vestibular 2013. São 6.872 vagas, sendo 6.096 para cursos técnicos e 776 distribuídas nos cursos superiores. Metade das oportunidades são reservadas aos estudantes da rede pública de ensino, que ainda poderão optar por subcotas social - para quem tem renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo, e raciais- para negros, pardos e índios.

O IFPE possui cursos em diferentes áreas como petróleo e gás, construção civil, ciências humanas, agrárias, processos industriais, gestão ambiental, passando por informática, turismo, educação, produção alimentícia até artes e saúde. As vagas são distribuídas entre os campi de Afogados da Ingazeira, Barreiros, Belo Jardim, Caruaru, Garanhuns, Ipojuca, Pesqueira, Recife e Vitória de Santo Antão.

O Instituto também oferece cursos na modalidade semipresencial, em diversas cidades pernambucanas e até em outros estados. Dessa forma, o estudante tem aulas presencias, periodicamente  nos polos, além de acompanhamento através da internet por professores e tutores. Os polos da EaD são localizados em Caruaru, Dias D'Ávila (Bahia), Garanhuns, Ipojuca, Limoeiro, Pesqueira, Recife, Santana do Ipanema (Alagoas) e Surubim.

Para realizar a inscrição o candidato deve fazer exclusivamente no site do Instituto. A taxa é de R$ 20 para curso técnico e R$ 40 para superior e pode ser paga até o dia 30 de outubro, somente no Banco do Brasil. A prova será realizada no dia 16 de dezembro.

Candidatos já inscritos – Devido às mudanças realizadas por conta da adequação do Vestibular do IFPE à Lei de Cotas, os candidatos que já realizaram inscrição na condição de cotista da rede pública de ensino devem acessar o site no período de 22 a 29 de outubro. Será necessário informar a renda familiar per capita e auto declarar sua etnia.  Mais informações: (81) 2125 1724.



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Entra em vigor nesta segunda-feira (15) a chamada Lei de Cotas, que visa reservar 50% das vagas nas instituições federais de ensino técnico e superior para estudantes da escola pública. O decreto, assinado pela presidente Dilma Rousseff na semana passada, foi publicado no Diário Oficial da União.

"O nosso objetivo com essa lei é ampliar o acesso às nossas universidades e aos nossos institutos federais para os jovens das escolas públicas, para os negros e para os índios", explicou Dilma, lembrando que o benefício também leva em consideração a raça declarada pelo estudante. Outro critério utilizado para ter direito à cota é ter a renda bruta familiar igual ou inferior a 1,5 salário-mínimo per capita.

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As instituições terão quatro anos para se adaptar à nova norma, aumentando progressivamente o percentual de reserva de vagas. Os processos seletivos para as matrículas de 2013 já devem reservar 12,5% das vagas aos cotistas. "É bom ressaltar, que a lei vale para todos os cursos, inclusive, aqueles mais procurados, como medicina e engenharia, por exemplo", disse a presidente.

Confira a íntegra do decreto.

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