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Wissam al-Tawil, uma das mais importantes autoridades militares do Hezbollah, morreu nesta segunda-feira (8) em um ataque de Israel no sul do Líbano. Tawil estava dentro de um SUV Honda, durante um bombardeio que matou outras seis pessoas na aldeia de Kherbet Selm, a cinco quilômetros da fronteira.

O líder militar desempenhava um papel importante na direção das operações militares no sul do Líbano e era comandante das Forças Radwan, de elite do Hezbollah. Os militares israelenses não comentaram o ataque, que ocorre em meio a alertas dos EUA e da Europa sobre o risco de a guerra em Gaza se espalhar para outros países do Oriente Médio.

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O risco aumentou ainda mais depois da morte do número dois do Hamas, Saleh al Arouri, durante um ataque com drone de Israel no subúrbio de Beirute, na semana passada. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, prometeu vingança e disse que o norte de Israel seria a primeira região a sentir o impacto da morte de Arouri.

No domingo, o Exército de Israel atingiu posições do Hezbollah no Líbano e estava pronto para atacar mais alvos do grupo xiita. Segundo o contra-almirante Daniel Hagari, os militares israelenses estão focados em destruir as Forças Radwan, que pretendem se infiltrar em Israel pela fronteira norte.

Realidade

O chefe do Estado-Maior do Exército de Israel, o general Herzl Halevi, disse que manterá a pressão sobre o Hezbollah. Se esses esforços fracassassem, segundo ele, Israel está pronto para travar "outra guerra". "Vamos criar uma realidade completamente diferente, ou teremos uma outra guerra", afirmou Halevi.

Israel e Hezbollah parecem ter entrado em uma espiral de violência. Os ataques de domingo foram uma retaliação aos disparos do Hezbollah que danificaram uma base militar israelense no sábado. O grupo xiita libanês, apoiado pelo Irã, é um aliado do Hamas e vem realizando ataques de pequena escala na fronteira norte de Israel desde o início da guerra em Gaza, há três meses.

Nos últimos dias, o grupo intensificou os ataques a Israel em virtude da morte de Arouri em Beirute. O lançamento de foguetes contra a base israelense, a Unidade de Controle Aéreo do Norte, no Monte Meron, causou estragos significativos, segundo relatos da mídia israelense, mas ela ainda está operando "e foi reforçada com sistemas adicionais", segundo Hagari.

O risco é que a guerra em Gaza atraia para o conflito grupos aliados do Irã, como o Hezbollah, a milícia houthi, no Iêmen, e as facções xiitas que operam no Iraque, além do governo alauita da Síria, também aliado de Teerã.

Há algumas semanas, os houthis iniciaram uma campanha contra navios no Mar Vermelho e lançaram mísseis contra Israel. Os EUA atingiram alvos no Iraque, enquanto Israel vem realizando assassinatos direcionados na Síria e no Líbano.

O Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, está no Oriente Médio para reduzir o risco de uma guerra expandida. Nos últimos dias, ele se reuniu com líderes de Turquia, Jordânia e Catar - e deve se encontrar ainda com diplomatas da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes.

Queda de braço

Ontem, Blinken disse que os palestinos "não deveriam ser pressionados a deixar Gaza". "Os civis devem voltar para casa assim que as condições permitirem", disse o secretário de Estado, no Catar. "Eles não podem e não devem ser pressionados a deixar Gaza."

A declaração é uma resposta a alguns ministros israelenses que recentemente se manifestaram em favor de "incentivar" os palestinos a saírem da Faixa de Gaza para que Israel possa restabelecer os assentamentos no enclave, embora essa não seja a política oficial do governo do premiê, Binyamin Netanyahu. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O número dois do Hamas morreu nesta terça-feira (2) em um bombardeio israelense perto de Beirute, a capital do Líbano, anunciaram o movimento palestino e autoridades de segurança locais, mais de dois meses após o início da guerra entre Israel e o grupo islamista no poder em Gaza.

Saleh Al Arouri, exilado no Líbano há vários anos, morreu junto com seus guarda-costas em um bombardeio israelense no escritório do Hamas no sul de Beirute, reduto do movimento pró-iraniano Hezbollah, informaram dois funcionários de segurança libaneses.

Segundo a agência de notícias nacional libanesa, Ani, pelo menos seis pessoas morreram no bombardeio, realizado por um drone.

A Al-Aqsa TV, canal oficial do Hamas, confirmou que "o vice-presidente do escritório político do Hamas, xeque Saleh Al Arouri", foi morto "em um ataque sionista em Beirute".

Sua morte não deterá a "resistência", reagiu Ezzat al Rishq, membro do escritório político do Hamas, em um comunicado.

Após passar cerca de 20 anos em prisões israelenses, Al Arouri foi libertado em 2010, mas com a condição de se exilar. O Exército israelense destruiu sua casa na Cisjordânia ocupada no final de outubro, segundo testemunhas.

Através de sua morte, Israel "busca arrastar o Líbano para uma nova fase de confronto", alertou o primeiro-ministro libanês, Najib Mikati.

O primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh, condenou o "assassinato" de Al Arouri e alertou sobre os "riscos e consequências que podem resultar" desse "crime perpetrado por criminosos conhecidos".

O conflito começou após um ataque sem precedentes do movimento islamista palestino Hamas em Israel em 7 de outubro, que deixou 1.140 mortos, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP com base em dados israelenses.

Em resposta, Israel prometeu "aniquilar" o Hamas, que governa Gaza desde 2007, e lançou uma ofensiva incessante no estreito território palestino. O grupo, classificado como organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia, afirma que a operação já causou 22.185 mortes, a maioria mulheres e crianças.

- "Vitória clara" -

Apesar das pressões da comunidade internacional por um cessar-fogo, o porta-voz do Exército israelense, Daniel Hagari, anunciou na segunda-feira que os militares se preparam para "combates prolongados" que se estenderão "ao longo deste ano".

O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, concordou nesta terça-feira e disse que "a ideia de que poderíamos parar em breve está errada".

"Sem uma vitória clara, não poderemos viver no Oriente Médio", acrescentou, após visitar um contingente de soldados no estreito território palestino, onde 173 militares israelenses morreram desde o início do conflito.

No sul de Gaza, várias testemunhas relataram impactos de mísseis em Rafah (sul) e bombardeios perto do campo de refugiados de Jabaliya (norte).

Também foram registrados combates em Al Maghazi e Bureij e na principal cidade do sul, Khan Yunis, onde o Exército israelense concentrou suas operações.

O Crescente Vermelho palestino anunciou na rede social X que em Khan Yunis seus locais foram alvo de bombardeios israelenses. O Ministério da Saúde de Gaza disse que esses ataques deixaram quatro mortos, incluindo um recém-nascido.

Um jornalista da AFPTV viu socorristas levando os feridos para o hospital Nasser da cidade. "Estávamos nas instalações do Crescente Vermelho, somos civis evacuados de Gaza, fugimos da morte", declarou Fathi al Af, sentada ao lado de seus filhos em uma maca.

"Nos disseram para irmos para o sul, que seria seguro, mas são uns mentirosos. Nenhum lugar na Faixa de Gaza é seguro", acrescentou entre lágrimas.

- Possível governo único palestino -

Israel bombardeia quase sem parar o território palestino. A população da Faixa de Gaza enfrenta uma grave crise humanitária com risco de fome. A maioria de seus hospitais está fora de serviço.

A ONU estima que 85% dos 2,4 milhões de habitantes de Gaza foram deslocados pelo conflito, e a população sofre com a escassez de alimentos, água, combustível e remédios devido ao bloqueio imposto por Israel em 9 de outubro.

Apesar de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para pedir o envio "imediato" e "em larga escala" de ajuda humanitária a Gaza, os caminhões com suprimentos entram em conta-gotas.

Os esforços internacionais por um cessar-fogo, impulsionados, entre outros, por Egito e Catar, ainda não deram frutos. Uma trégua de uma semana permitiu a libertação no final de novembro de 100 reféns em troca de cerca de 200 prisioneiros palestinos.

Segundo o site americano Axios, que cita fontes israelenses anônimas, o Hamas propôs um novo plano de troca de reféns por prisioneiros palestinos no domingo, mas o governo israelense rejeitou a proposta.

O chefe do Hamas, Ismail Haniyeh, afirmou em um discurso que os reféns só serão libertados sob as condições estabelecidas pelo movimento islamista.

Haniyeh, que vive no Catar, também declarou que o movimento estava "aberto" à "ideia de um governo nacional para a Cisjordânia e Gaza" após a guerra.

Um jornalista da agência de notícias Reuters morreu e outros seis, dois deles da AFP, ficaram feridos nesta sexta-feira (13) no sul do Líbano, anunciaram veículos de comunicação.

O grupo de repórteres estava perto de Alma al-Shaab, na fronteira com Israel, quando foi atingido por bombardeios, relatou um dos correspondentes da AFP feridos. Pouco antes, uma fonte da segurança libanesa havia informado a AFP sobre um bombardeio israelense ocorrido após membros de uma organização palestina tentarem entrar em Israel pelo Líbano.

"Estamos profundamente tristes por saber que nosso cinegrafista Issam Abdallah foi assassinado", diz um comunicado divulgado pela Reuters.

Também estavam naquela região a fotógrafa Christina Assi e o cinegrafista Dylan Collins, ambos da AFP, que foram levados para um hospital na cidade libanesa de Tiro. Outros dois repórteres da Reuters - Thaer Al-Sudani e Maher Nazeh - “também sofreram ferimentos e buscam atendimento médico”, informou a agência.

A rede Al-Jazeera, do Catar, anunciou que dois jornalistas da sua equipe - Carmen Boukhadar e Elie Brakhia - estão entre os feridos e acusou Israel de bombardear o veículo em que eles viajavam.

“Estamos profundamente preocupados com o fato de um grupo de jornalistas claramente identificados ter sido ferido ou morrido enquanto realizava seu trabalho”, declarou o diretor de Informação da AFP, Phil Chetwynd. “Enviamos nossas mais profundas condolências aos nossos amigos da Reuters pela perda de Issam e estamos oferecendo apoio no hospital aos nossos colegas feridos”.

Pouco antes de os jornalistas terem sido atingidos, o Exército de Israel havia anunciado "uma explosão na cerca fronteiriça de Hanita”, localidade israelense situada em frente à libanesa Alma al-Shaab. As Forças Armadas responderam com fogo de artilharia contra o território libanês”, acrescentou.

O movimento xiita libanês Hezbollah informou que respondeu mirando em posições de Israel. Mais tarde, um porta-voz israelense publicou na rede social X, antigo Twitter, que um avião teleguiado do Exército atacava alvos do Hezbollah.

O Exército também destacou que “um alvo não identificado" cruzou o território de Israel a partir do Líbano e "foi interceptado com sucesso por caças de defesa aérea”.

O movimento libanês Hezbollah, que é apoiado pelo Irã, disse neste domingo que lançou “um grande número de granadas de artilharia e mísseis guiados” contra posições israelenses em uma zona fronteiriça disputada, após a ofensiva lançada pelo grupo palestino Hamas contra Israel.

O Hezbollah garantiu que o ataque foi uma demonstração de “solidariedade” com a operação terrestre, marítima e aérea lançada no sábado pelo grupo islâmico palestino Hamas a partir da Faixa de Gaza contra Israel, que deixou centenas de mortos em ambos os lados.

“A Resistência Islâmica (...) atacou três posições do inimigo sionista na área ocupada das Fazendas Shebaa (...) com um grande número de projéteis de artilharia e mísseis guiados”, informou o grupo xiita libanês em comunicado.

O exército israelense informou que atingiu uma “infraestrutura terrorista do Hezbollah” na área fronteiriça, com um drone. Anteriormente, indicou que lançou a sua artilharia no sul do Líbano em resposta aos disparos na área.

"Aconselhamos o Hezbollah a não intervir. Se o fizer, estamos prontos", alertou o porta-voz do exército israelense, Richard Hecht.

O Hezbollah, um dos maiores inimigos de Israel, tem laços estreitos com o Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

Israel e o Hezbollah travaram uma guerra devastadora em 2006 que deixou mais de 1.200 mortos no Líbano, a maioria deles civis, e 160 mortos no lado israelense, em grande parte militares.

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) apelou neste domingo à “contenção” e pediu para “evitar uma escalada mais grave”.

Marwa Khaled sabe que a água contaminada deixou seu filho doente com cólera, mas continua a beber porque em sua cidade no norte do Líbano a maioria dos habitantes não tem água potável.

"Todo mundo vai pegar cólera", declara fatalista, acompanhando o filho de 16 anos ao hospital de campanha de Bebnine, que abriu suas portas no final de outubro.

O cólera foi detectado no Líbano no início de outubro, o primeiro caso em quase 30 anos, em um momento em que o país vive uma crise econômica sem precedentes e luta com infraestruturas antigas e precárias.

Na segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a epidemia está se espalhando rapidamente no Líbano, onde 18 pessoas já morreram e há cerca de 400 casos registrados.

Como muitos dos habitantes da cidade, Marwa Khaled, de 35 anos, e seus seis filhos bebem água contaminada porque não podem comprar água engarrafada.

"As pessoas sabem, mas não têm escolha".

No hospital de Bebnine, Malek Hamad, de cerca de dez anos, está doente há duas semanas e perdeu quinze quilos. Sua mãe está apavorada que seus outros dez filhos tenham sido infectados.

- Água contaminada -

Mais de um quarto dos casos registrados no Líbano estão concentrados na cidade de Bebnine, onde abundam famílias numerosas que vivem na pobreza.

De acordo com Nahed Saadeddine, diretor do hospital de campanha, localizado a cerca de 20 quilômetros da fronteira com a Síria, 450 pacientes chegam todos os dias.

A cidade tem 80.000 habitantes e um quarto são refugiados da cidade síria de Rihaniyye, nas proximidades.

A maioria dos habitantes é obrigada a comprar água bombeada por caminhões-pipa de poços, que às vezes também estão contaminados.

A cidade é atravessada por um afluente do rio Nahr el-Bared, que está contaminado com cólera, segundo Saadeddine.

A água "irriga todas as terras agrícolas e contamina poços e lençóis freáticos" de Bebnine, lamenta.

O cólera, cuja disseminação é facilitada pela ausência de saneamento básico e água potável, é facilmente tratável. Mas também pode matar em poucas horas se o paciente não tiver acesso ao tratamento, segundo a OMS.

Para combater a doença, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) distribuiu cloro solúvel para alguns moradores.

“O coronavírus não me assustou tanto quanto o cólera”, diz Sabira Ali, supervisora escolar de 44 anos que perdeu dois parentes para a doença em outubro.

O diretor do hospital de campanha de Bebnine considera que, para travar a propagação, "é necessário mudar as infraestruturas, melhorar os poços e as fontes de água".

"Queremos uma solução de longo prazo, caso contrário teremos mais desastres", alerta Saadeddine.

"Água de esgoto, as fraldas, o lixo (...) tudo acaba no rio. É nojento! O que o município está fazendo?", questiona Jamal al-Sabsabi, 25 anos, apontando para a água escura que corre a poucos metros de sua casa. "Claro que a doença vai se espalhar!"

O papa Francisco rezou neste domingo (6) pelo "tão sofrido" Líbano, pela "Ucrânia martirizada" e por "todos os povos que sofrem no Oriente Médio", no final de sua primeira visita ao Bahrein, um pequeno país muçulmano no Golfo.

O pontífice argentino também agradeceu às autoridades pela acolhida, durante um encontro com o clero católico na igreja do Sagrado Coração, na capital Manama.

O papa saudou os fiéis do Líbano presentes e dedicou uma oração a esse país "bem-amado", "tão cansado e sofredor, e a todos os povos que sofrem no Oriente Médio", como declarou Francisco em seu último discurso público no Bahrein, aludindo à grave crise econômica e social libanesa.

"E também não quero esquecer de rezar e pedir a vocês para que rezem pela Ucrânia martirizada, para que esta guerra termine", acrescentou.

O papa também convidou os membros da Igreja a promover o diálogo “com irmãos de outras religiões e confissões” em uma “sociedade inter-religiosa e multicultural”.

- "Sentimento indescritível" -

"É um sentimento indescritível. Estávamos muito próximos do papa na igreja", disse Oualid Naoufal, um fiel libanês, à AFP.

"Senti uma grande paz interior", comentou, elogiando as "palavras tão intensas" do pontífice, especialmente aquelas relacionadas ao Líbano.

Após uma visita de quatro dias, o papa de 85 anos retornou a Roma neste domingo, onde deve chegar às 16h30 (12h30 de Brasília).

Durante o voo, dará a sua habitual coletiva de imprensa aos jornalistas que o acompanham nesta viagem.

No sábado, Francisco se reuniu com autoridades política e muçulmanas, celebrou uma missa diante de 30.000 pessoas reunidas em um estádio e se encontrou com o rei Hamad ben Issa Al-Khalifa.

Durante sua visita, Francisco criticou a lógica dos "blocos opostos" entre Oriente e Ocidente e instou "que os direitos humanos fundamentais não sejam violados, mas promovidos".

Desde o levante de 2011 no contexto da Primavera Árabe, o Bahrein tem sido regularmente acusado por ONGs e instituições internacionais de realizar uma repressão feroz contra dissidentes políticos, particularmente os da comunidade xiita, em um país governado por uma dinastia sunita.

O governo, por sua vez, garante que não tolera a "discriminação" e que implementou mecanismos para proteger os direitos humanos.

Mas pouco antes de uma reunião do papa com jovens em Manama, uma dúzia de pessoas, que se manifestavam para exigir a libertação de parentes presos, foram brevemente detidas, segundo a ONG Bahrain Institute for Rights and Democracy (BIRD), com sede em Londres.

Durante sua visita ao Bahrein, o papa Francisco também se encontrou com Ahmed al-Tayeb, o grande imã de Al-Azhar, a mais importante instituição do islamismo sunita com sede no Cairo, como parte de um fórum inter-religioso.

Esta visita de Francisco foi a 39ª ao exterior desde sua eleição em 2013 e a segunda à Península Arábica.

O reino do Bahrein, que formalizou relações diplomáticas com a Santa Sé em 2000, tem cerca de 80.000 católicos segundo o Vaticano, principalmente trabalhadores asiáticos.

O saldo de migrantes que morreram afogados na costa da Síria, após o naufrágio de sua embarcação procedente do Líbano, subiu para 89 pessoas - informou a agência oficial de notícias síria neste sábado (24).

"Há 89 mortos, 14 pessoas estão convalescendo no hospital Al Basel, incluindo duas em terapia intensiva", relatou Iskandar Ammar, responsável por esse estabelecimento na cidade portuária de Tartus, no oeste da Síria, em entrevista à agência de notícias.

Segundo as autoridades sírias, cerca de 150 pessoas, principalmente libaneses e refugiados sírios e palestinos, estavam a bordo do pequeno barco que afundou em Tartus na quinta-feira (22).

Dez crianças estavam entre os náufragos, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em declaração divulgada neste sábado.

Trata-se do mais letal naufrágio dos últimos anos na Síria, um país devastado por mais de uma década de conflito.

A empresa pública de eletricidade do Líbano (EDL) anunciou neste sábado que suas centrais estavam paradas e culpou manifestantes que cortaram uma linha de alta tensão pelo blecaute.

Os libaneses já vivem pelo menos 20 horas por dia sem luz, devido à escassez de combustíveis causada pelo colapso econômico do país. Neste sábado, manifestantes exasperados com essa situação atacaram uma central de distribuição da EDL na região de Aramun, informou a empresa. "Isso interrompeu a rede elétrica e causou um apagão completo em todo o território libanês às 17h27", acrescentou.

O novo corte aumentará a pressão sobre os geradores privados, que, a duras penas, conseguem aliviar a paralisação quase completa do abastecimento estatal de energia.

A conta de luz de uma família libanesa que usa as redes privadas supera o salário mínimo do país, equivalente a 22 dólares. A comunidade internacional exige que as autoridades libanesas, acusadas de corrupção endêmica, realizem reformas com urgência, principalmente na gestão da EDL.

O Líbano negociou no outono local com Egito e Jordânia o envio de gás e eletricidade através da Síria, enquanto o movimento xiita Hezbollah anunciou várias entregas de combustível.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, chegou neste domingo (19) ao Líbano, onde criticou duramente os líderes políticos locais e os acusou de "paralisar" o país, atingido por uma crise econômica e financeira.

"Vim com uma mensagem simples: a ONU se solidariza com o povo libanês", disse Guterres durante coletiva de imprensa após sua reunião com o presidente Michel Aoun no palácio presidencial em Baabda, perto da capital Beirute.

"Diante do sofrimento do povo libanês, os líderes políticos não têm o direito de paralisar o país com suas divisões", acrescentou ele, pedindo ao responsáveis que "trabalhem juntos" para resolver a crise pela qual o Líbano está passando, uma das piores desde 1850, segundo o Banco Mundial.

O secretário-geral também frisou que o objetivo de sua visita era "discutir as melhores maneiras de apoiar o povo libanês para ajudá-lo a superar esta crise e promover a paz, estabilidade e desenvolvimento durável".

Além da crise económica, a paralisia política impede o lançamento das reformas necessárias, num contexto em que mais de 80% da população vive abaixo da linha da pobreza.

O governo libanês não se reúne desde meados de outubro, em meio a divisões políticas sobre o trabalho de um juiz que investiga a explosão no porto de Beirute em agosto de 2020, que deixou pelo menos 215 mortos, 6.500 feridos e destruiu áreas inteiras da capital.

Referindo-se às eleições parlamentares programadas para a próxima primavera, Guterres convocou os libaneses a "participarem plenamente na escolha dos rumos de seu país".

Por sua vez, o presidente Aoun prometeu "eleições transparentes e justas que reflitam a verdadeira vontade dos libaneses ao eleger seus representantes".

Na manhã de segunda-feira, Guterres tem previsão de visitar o porto de Beirute "para fazer um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da explosão e suas famílias".

Uma pessoa morreu, e outras oito ficaram feridas nesta quinta-feira (14) durante tiroteios em uma manifestação dos movimentos xiitas Hezbollah e Amal em Beirute - disse uma médica à AFP.

A vítima foi baleada na cabeça, e três dos feridos se encontram em estado crítico, disse a médica Mariam Hassan, do hospital Sahel, nos arredores de Beirute.

A manifestação exigia a destituição do juiz encarregado da investigação da explosão no porto da cidade, ocorrida em 4 de agosto de 2020. A tragédia causou a morte de pelo menos 214 pessoas e feriu mais de 6.000, além de destruir vários edifícios na capital libanesa.

O Hezbollah e seus aliados acreditam que o juiz está politizando a investigação.

Na terça-feira (12), o juiz Tareq Bitar emitiu um mandado de prisão para o deputado e ex-ministro das Finanças Ali Hassan Khalil, membro do Amal e aliado do Hezbollah.

Na sequência, viu-se obrigado a suspender a investigação. Dois ex-ministros apresentaram uma denúncia contra o magistrado, a qual foi indeferida nesta quinta-feira. Com isso, ele retomará seu trabalho.

Esta questão está prestes a implodir o recém-formado governo libanês, após um ano de bloqueio político.

O Líbano anunciou, nesta sexta-feira (10), um novo governo após 13 meses de intermináveis negociações políticas que agravaram uma crise econômica sem precedentes que mergulhou milhões de pessoas na pobreza.

O chefe de Estado, Michel Aoun, e o primeiro-ministro designado, Najib Mikati, "assinaram o decreto para formar o novo governo na presença do chefe do Parlamento Nabih Berri", informou a Presidência no Twitter.

A nova equipe inclui personalidades apolíticas, algumas delas com boa reputação, como Firas Abiad, diretor do hospital estatal Rafic Hariri, que coordena a luta contar o coronavírus.

A primeira reunião do governo de 24 ministros está prevista para segunda-feira (13), anunciou o secretário-geral do Conselho de Ministros, Mahmud Makiye.

O país está sem um novo governo desde a renúncia do gabinete de Hasan Diab, poucos dias após a explosão no porto de Beirute em 4 de agosto de 2020, que provocou mais de 200 mortes e devastou bairros inteiros da capital.

Desde então, a crise econômica sem precedentes no país se tornou ainda mais grave. O Banco Mundial a considera uma das piores do mundo desde 1850.

Com uma inflação galopante e demissões em larga escala, 78% da população libanesa vive abaixo da linha da pobreza, segundo a ONU.

Uma descida ao inferno: perda do valor da moeda local, restrições bancárias sem precedentes, eliminação gradual dos subsídios e escassez de combustível e medicamentos. Além disso, o país passa parte do tempo no escuro há meses, com grandes apagões.

Os geradores de bairro assumem o fornecimento, mas racionam a corrente nas residências, empresas e instituições por falta de combustível, muito caro e escasso em um país com escassez de divisas e que suprime subsídios a diversos produtos básicos.

- Desafios -

O próximo governo terá de enfrentar vários desafios, como chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional, com o qual as negociações estão interrompidas desde julho de 2020.

Para a comunidade internacional, é uma etapa essencial para tirar o Líbano da crise e desbloquear ajudas.

Há mais de um ano, a comunidade internacional condiciona a ajuda à formação de um governo capaz de combater a corrupção e realizar indispensáveis reformas profundas.

Desde a explosão, ela se limitou a fornecer ajuda humanitária de emergência, ignorando as instituições oficiais.

No final de julho, Aoun encarregou Najib Mikati, ex-primeiro-ministro e o homem mais rico do país, da formação de um novo governo após o fracasso de seus dois antecessores.

O ex-primeiro-ministro Saad Hariri desistiu em meados de julho, após nove meses de negociações difíceis. Depois de renunciar, ele acusou o Irã, principal apoiador do movimento Hezbollah, de "dificultar" a criação de um governo reformista.

Antes dele, o embaixador Mustafa Adib já havia tentado formar um Executivo. Em vão.

Apesar das ameaças de sanções da União Europeia (UE) e advertências e acusações de "obstrução organizada" nos últimos meses, os líderes políticos libaneses ainda não deram o braço a torcer.

No início de agosto, o presidente francês Emmanuel Macron, que acompanha de perto a situação no Líbano, acusou a classe dominante, odiada pelo povo e que sobreviveu ao levante popular de 2019, de defender seus interesses pessoais em detrimento dos coletivos.

Pelo menos 28 pessoas morreram na explosão, na madrugada deste domingo (15), de um tanque de combustível na região de Akkar, no norte do Líbano, enquanto tentavam abastecer.

O caminhão-tanque, que havia sido confiscado por militares para distribuir seu conteúdo aos cidadãos, explodiu às 02h00 (00h00 no horário de Brasília) em Akkar, informou o Exército em um comunicado, revelando que havia soldados entre os feridos.

A explosão, que revive a terrível memória da tragédia no porto de Beirute de 4 de agosto de 2020 - que deixou mais de 200 mortos -, ocorreu quando as Forças Armadas se deslocavam para postos de gasolina no sábado para interromper o armazenamento de combustível, após a recente decisão do Banco Central de levantar os subsídios aos combustíveis.

De acordo com o último balanço fornecido pelo ministério da Saúde, a explosão custou a vida de 28 pessoas. Entre as vítimas fatais estão vários civis que esperavam para abastecer.

A agência nacional de informação declarou, por sua vez, que a explosão ocorreu após altercações entre residentes que se reuniram para obter algum combustível.

No hospital Geitawi de Beirute, para onde nove pessoas queimadas, três delas em estado grave, foram transferidas, a raiva e o desânimo dominavam.

"O que vou dizer à minha irmã?", gritava um homem em uniforme militar na entrada do Serviço de Emergência, cujo cunhado continua desaparecido e o irmão hospitalizado.

- "Cadáveres carbonizados -

Pelo menos sete corpos e dezenas de pessoas queimadas foram levados para o hospital de Akkar, informou a profissional da saúde Yassine Metlej, acrescentando que alguns corpos carbonizados não poderão ser identificados em razão de seu estado.

"Alguns não têm mais rostos, outros não têm braços", declarou.

Além disso, o hospital teve que recusar a maioria dos feridos porque não está equipado para tratar queimaduras graves, acrescentou Metlej.

Algumas vítimas tiveram que ser levadas até o hospital de Al-Salam, em Trípoli, a cerca de 25 km de distância, o único da região com equipamentos especializados.

O presidente Michel Aoun pediu a abertura de uma investigação para esclarecer as circunstâncias do incidente - a investigação da tragédia no porto de Beirute ainda não chegou a nenhuma conclusão até o momento.

O Líbano, que sofre uma de suas piores crises econômicas desde a década de 1850, de acordo com o Banco Mundial, enfrenta uma grave escassez de combustível há meses.

O Exército disse no sábado que apreendeu milhares de litros de gasolina e diesel que os distribuidores estavam acumulando em postos de gasolina em todo o país.

A falta de combustível deixou grande parte do país com apenas duas horas diárias de eletricidade, enquanto vários hospitais avisaram que teriam que fechar por causa dos apagões.

A explosão de Akkar ocorre menos de duas semanas depois que o Líbano recordou o primeiro aniversário da explosão no porto de Beirute. Essa tragédia ocorreu em 4 de agosto de 2020, quando uma carga de fertilizante de nitrato de amônio explodiu, transformando grande parte da capital numa zona de guerra.

O papa Francisco preside nesta quinta-feira (1º) no Vaticano um dia dedicado à paz no Líbano com todos os líderes religiosos cristãos, uma iniciativa sem precedentes diante da grave crise social, econômica e política que assola o país.

É um ato emblemático, de reflexão e oração, para buscar uma solução pacífica para a crise neste país fundamental para a estabilidade do Oriente Médio.

Os 10 líderes religiosos cristãos libaneses debatem o futuro do país, à beira de um colapso social e econômico e sem governo desde agosto de 2020.

A crise no Líbano foi agravada ainda mais pelas explosões, em agosto de 2020, no porto de Beirute que devastaram parte da cidade.

Os participantes instalaram-se nesta quinta-feira na Residência Santa Marta, onde vive o papa, e depois rezaram na Basílica de São Pedro, antes das três sessões de trabalho a portas fechadas coordenadas pelo núncio no Líbano, Joseph Spiteri.

"Eu os convido a se juntar a nós espiritualmente, rezando para que o Líbano se recupere da grave crise que está passando e mostre mais uma vez sua face de paz e esperança", tuitou o papa.

À tarde, depois de uma oração ecumênica "pela paz" com textos em árabe, siríaco, armênio e caldeu, Francisco fará o tão esperado discurso final, na presença dos diplomatas.

O Líbano, que segundo o papa está em "extremo perigo", corre o risco de deixar de existir, então "não pode ser deixado sozinho", defendeu Francisco em setembro em mensagem enviada um mês após as explosões no porto.

"O Líbano representa mais do que um Estado, o Líbano é uma mensagem de liberdade e um exemplo de pluralismo, tanto para o Oriente como para o Ocidente", enfatizou.

Em abril, o papa expressou seu desejo de visitar o Líbano "assim que as condições forem reunidas" durante uma audiência com o primeiro-ministro Saad Hariri.

O Líbano atravessa a pior recessão desde a guerra civil de 1975-1990, com mais da metade da população vivendo abaixo da linha da pobreza.

Não está descartado que o papa visite o país no final de 2021 ou no início de 2022.

"A emigração de jovens e o impacto da atual crise nas escolas, hospitais, famílias e segurança alimentar" vão dominar o encontro no Vaticano, segundo o bispo maronita Samir Mazloum, entrevistado pela AFP.

Hoje, "entre 50 e 60% dos nossos jovens vivem no exterior, a população é formada por idosos e crianças", reconheceu, evocando o desemprego e a queda histórica da moeda libanesa.

Para o bispo, grande parte desta crise se deve "à ausência de um governo capaz de tomar decisões e relançar a economia, ou pelo menos acabar com a hemorragia".

Para o diretor da Obra do Oriente, entidade que coordena os programas de ajuda aos cristãos no Oriente, dom Pascal Gollnisch, o encontro servirá para mobilizar a comunidade internacional.

Entre os dez dignitários convidados ao Vaticano está o patriarca maronita Bechara Boutros Raï, à frente da maior comunidade cristã do Líbano, que não cessa de denunciar a corrupção da classe política.

"O encontro é um passo importante para ajudar o Líbano a continuar a ser a pátria da parceria islâmica-cristã", comentou ao jornal libanês L'Orient-Le Jour.

O Líbano, atingido por diversas crises, iniciou sua campanha de vacinação contra a Covid-19 neste domingo (14), começando pelos funcionários da saúde e pessoas com mais de 75 anos.

As primeiras 28.500 doses da vacina Pfzier/BioNTech, financiada pelo Banco Mundial, chegaram ao país no sábado, que permanece confinado após ver um aumento de casos no início do ano.

A vacinação começou em três hospitais da capital, Beirute.

Na segunda-feira, a campanha será estendida a uma dezena de hospitais de outras cidades, segundo o Ministério da Saúde.

"Esperamos que seja o início do fim desta epidemia no país", disse Mahmoud Hassoun, chefe da unidade de terapia intensiva do Hospital Rafic Hariri, que foi o primeiro a receber a vacina.

Para "garantir um acesso equitativo, abrangente e rápido", a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha monitorará o armazenamento e distribuição de vacinas ao longo do ano.

O Líbano, com seis milhões de habitantes, incluindo mais de um milhão de refugiados sírios e palestinos, espera a chegada de dois milhões de doses da vacina Pfizer/BioNtech, financiada com um pacote de 34 milhões de dólares do Banco Mundial.

No total, Beirute receberá cerca de seis milhões de doses, contando com 2,7 milhões que receberá na plataforma internacional Covax, criada para apoiar os países mais desfavorecidos.

Desde meados de janeiro, o país está sob rígido confinamento, embora em 8 de fevereiro algumas restrições tenham começado a ser gradualmente suspensas.

O Líbano registrou 339.122 casos de Covid-19 e 3.993 mortes.

O Líbano recebeu as primeiras doses da vacina Pfizer/BioNTech contra a covid-19 neste sábado (13), na véspera do reforço da vacinação em países em crise onde o setor hospitalar está sobrecarregado.

O ministro da Saúde, Hamad Hassan, esteve no aeroporto de Beirute para receber as 28.500 doses que vieram da Bélgica.

“Este sonho tornou-se realidade graças ao apoio dos nossos parceiros internacionais”, comemorou Hassan.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, assim como o Banco Mundial (BM), anunciaram que irão supervisionar "independentemente" o armazenamento e distribuição das primeiras vacinas cobertas pelo financiamento do BM.

"A vacina chegará a todos os cidadãos libaneses em todo o país", reiterou Hassan. "Os refugiados sírios e palestinos" também terão acesso à vacina.

O país de cerca de seis milhões de habitantes, dos quais mais de um milhão de refugiados sírios e palestinos, espera dois milhões de doses das vacinas Pfizer/BioNTech, que chegarão aos poucos nas próximas semanas.

A primeira fase da vacinação será para funcionários da saúde e pessoas com mais de 75 anos de idade e começará no domingo.

Meio milhão de pessoas se cadastraram na plataforma online para serem vacinadas, segundo o Ministério da Saúde libanês.

O país espera obter cerca de seis milhões de doses, especialmente 2,7 milhões no âmbito da plataforma internacional Covax, criada para ajudar os países mais desfavorecidos.

O Líbano registrou oficialmente 334.086 casos de covid-19 e 3.915 mortes desde o início da pandemia.

Há poucos dias, Rachelle Halabi acompanhou seu pai, muito doente pela Covid-19, a um hospital em Beirute, mas o médico pediu que eles voltassem e tratassem dele em casa, devido à falta de leitos na UTI.

Recentemente, foram registrados novos picos diários de contágios no Líbano, e os profissionais de saúde soaram o alarme, levando o governo a anunciar um novo confinamento de quinta-feira (7) até o final de janeiro.

"O médico do pronto-socorro sugeriu que comprássemos uma máquina de oxigênio e administrássemos o tratamento em casa", conta Rachelle por telefone, que também deu positivo.

Ela afirma ter seguido as recomendações por vários dias, mas o estado de saúde de seu pai de 85 anos "não melhorou", o que a levou a tentar a sorte novamente nos hospitais.

Mas é difícil. As festas de fim de ano trouxeram um aumento nos casos de contágio e quase saturaram as unidades de terapia intensiva. Enquanto isso, as filas de espera nos serviços de emergência aumentam.

Depois de entrar em contato com vários hospitais e após inúmeras recusas, Rachelle encontrou um leito disponível em um hospital particular na cidade de Zahlé (zona leste), a cerca de 50 km de Beirute. Teve de pagar ao hospital um depósito de 15 milhões de libras, cerca de US$ 10.000 no câmbio oficial.

"Como é para quem não tem recursos?", questiona indignada essa mulher em um país mergulhado em uma grave crise econômica.

Nas redes sociais, aumentam os pedidos para ajudar os pacientes a encontrarem um lugar nos hospitais.

"Uma mulher de 69 anos sofre de sintomas graves (...) e precisa urgentemente ser hospitalizada (...) Alguém pode ajudar?", postou Riwa Zouein no Facebook na segunda-feira.

Apesar do aumento da capacidade de acolhida dos hospitais nas últimas semanas, o número de contágios gerou uma nova saturação.

- Cenário catastrófico -

"A situação atualmente é catastrófica, tanto pelo número de pacientes que chegam em massa às emergências, quanto pela gravidade dos casos", lamenta o chefe do serviço de emergência do Hôtel-Dieu de France, Antoine Zoghbi.

"Agora transportamos cerca de 100 pacientes por dia que precisam de internação", acrescenta o secretário-geral da Cruz Vermelha, Georges Kettaneh.

Em 31 de dezembro, foram registrados mais de 3.500 novos casos, um pico diário.

Desde o início da pandemia, o Líbano registrou mais de 192.000 casos, com cerca de 1.500 óbitos, para uma população de em torno de seis milhões de pessoas. Deste total, 1,5 milhão são refugiados.

Nas redes sociais, as críticas às medidas decretadas pelas autoridades não param.

O governo "abre o país para as festas (...) depois fecha o país e as empresas após as festas (...)", protesta Yara Sreikh no Twitter.

"Assim conseguiremos atenuar a propagação da epidemia", ironiza.

O governo interino libanês anunciou, nesta terça-feira (10), um confinamento "total" do país durante duas semanas, com algumas "exceções", para tentar conter o grande aumento de casos de covid-19.

Desde o início da pandemia em fevereiro, este pequeno país registrou 95.355 casos e 732 mortes.

Embora tenha conseguido controlar a primeira onda do vírus, de março a junho, graças a um confinamento precoce, o Líbano marca desde julho vários recordes de contágios, apesar de ter isolado dezenas de aldeias e cidades.

O primeiro-ministro Hassan Diab deu voz de alarme e avisou que o país ultrapassou uma "linha vermelha" e que os hospitais estavam no máximo de sua capacidade.

Segundo a imprensa local, este confinamento não afeta o transporte aéreo, as padarias, bancos, empresas nacionais de eletricidade, de comunicações ou as fábricas.

Um incêndio atingiu nesta nesta terça-feira (15) um prédio em fase de construção na região central de Beirute, no Líbano. Em fotos e vídeos divulgados nas redes sociais, é possível ver uma grande coluna de fumaça preta saindo da construção.

A polícia libanesa está investigando as possíveis causas do incêndio, que ainda são desconhecidas. Horas depois das primeiras chamas, o incêndio foi controlado pelos bombeiros, segundo as autoridades locais.

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As chamas se espalharam por um prédio que estava em fase final de construção. O edifício é conhecido por ter sido projetado pelo estúdio da famosa arquiteta iraquiana-britânica Zaha Hadid, que morreu em 2016.

Esse foi o terceiro incêndio em um curto espaço no tempo que atinge a capital libanesa, devastada no dia 4 de agosto por uma explosão no porto que matou cerca de 200 pessoas e deixou por volta de sete mil feridos. 

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Da Ansa

Um grande incêndio atinge nesta quinta-feira (10) o porto de Beirute, no Líbano, informa a mídia local. O fogo está concentrado em uma área já destruída pelas explosões do dia 4 de agosto e diversas equipes do corpo de bombeiros estão tentando controlar as chamas.

Nas imagens divulgadas nas redes sociais, é possível ver uma enorme coluna de fumaça preta subindo em estruturas que desabaram no início de agosto. Segundo as primeiras informações, os galpões atingidos armazenavam pneus e óleo para motores.

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As explosões do dia 4 de agosto na capital libanesa destruíram uma enorme área próxima ao porto e deixaram cerca de 200 mortos e sete mil feridos. Além disso, todos os prédios e residências próximas ao local ficaram completamente destruídos com o impacto do desastre.

Além do incêndio, naquele dia, o armazenamento incorreto de 2.750 toneladas de nitrato de amônio potencializou as explosões, causando danos na casa dos US$ 15 bilhões. O porto de Beirute era o principal do país e a porta de entrada de cerca de 70% dos alimentos que chegavam ao Líbano.

Da Ansa

Os serviços de resgate encerraram as operações de busca nos escombros de um prédio desabado em Beirute, no Líbano, sem encontrar vítimas, informou uma autoridade neste domingo (6), depois que surgiram informações essa semana sobre um possível sobrevivente.

Uma equipe de socorristas chilenos do grupo humanitário Topos Chile, que auxilia nos esforços de resgate na capital libanesa, anunciou na quarta-feira (2) ter detectado batimentos cardíacos fracos sob os escombros de um edifício, usando um cão farejador e scanners térmicos.

A notícia aumentou a esperança de encontrar um sobrevivente da trágica explosão no porto de Beirute, que destruiu bairros inteiros em 4 de agosto e deixou pelo menos 191 mortos e mais de 6.500 feridos.

Com o passar dos dias, porém, a esperança foi se dissipando. "Não há mais nada", respondeu à AFP o diretor de operações de Defesa Civil libanesa George Abou Moussa no domingo quando questionado se as buscas continuariam no local. "Não havia nem vivos nem mortos" sob os escombros, disse ele.

No dia anterior, Francesco Lermanda, que comanda a equipe chilena, já havia indicado que não havia encontrado "nenhum sinal de vida".

O governador de Beirute, Marwan Abboud, havia afirmado anteriormente que poderia haver um ou dois corpos e até mesmo um sobrevivente.

Essa informação, um mês após a explosão colossal causada por centenas de toneladas de nitrato de amônio armazenadas no porto sem medidas de segurança, causou polêmica entre grande parte da opinião pública.

"Eu não sabia que precisava tanto de um milagre. Deus, por favor, dê a Beirute o milagre que ela merece", disse o diretor de cinema Selim Mourad no Facebook na sexta-feira.

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