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O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgou três editais para concessão de bolsas de Produtividade em Pesquisa (PQ), de Produtividade Sênior (PQ-SR), e de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT). Essa última é voltada para as áreas de tecnologias médicas e da saúde, tecnologias agrárias, biotecnologia, meio ambiente e sustentabilidade, tecnologias sociais e educacionais, tecnologias digitais, tecnologias de materiais, tecnologias de produção industrial e de serviços e energia.

Os interessados devem submeter as propostas de 31 de julho a 16 de agosto. A seleção se dará por meio de critérios gerais como mérito científico do projeto, relevância, originalidade e repercussão da produção científica do candidato. Confira o edital.

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Recentemente, notícias de plágio em trabalhos acadêmicos envolvendo pessoas públicas, como o mais recente ex-ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, trouxeram à tona a discussão sobre a importância de ter cuidado e atenção ao fazer citações em trabalhos, atribuindo o devido crédito a todas as fontes consultadas. 

Com a internet fornecendo milhares de textos e outras fontes de pesquisa, o acesso à informação se torna mais rápido, mas a possibilidade de apropriação indevida do conteúdo de terceiros cresce junto, dificultando a detecção do plágio em trabalhos escolares e acadêmicos, por exemplo. O LeiaJá procurou um especialista em direitos autorais para esclarecer dúvidas sobre o que é o plágio, como ele pode ocorrer no meio acadêmico e quais as possíveis formas de detectá-lo.  

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Definição do plágio

Alexandre Henrique Tavares Saldanha é advogado e doutor em direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), além de professor da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Ele define o plágio como uma reprodução falsa, o ato de publicar um conteúdo alheio sem dizer que o conteúdo é de outra pessoa. 

“Se eu ao escrever um artigo científico uso trechos alheios, tenho a obrigação de dizer quem são as pessoas responsáveis por esses trechos que eu estou usando, porque o receptor do meu conteúdo precisa saber que nem tudo que eu estou oferecendo fui eu quem criou. O plágio é uma falsificação de autoria, a questão não está no não autorizar, está em não atribuir corretamente o crédito de quem é o criador”, afirmou Alexandre.

O professor lembra ainda que há diversas formas de plagiar alguém (inclusive a si mesmo) em um trabalho acadêmico. Além do plágio direto, que é a forma mais óbvia, quando uma pessoa copia e cola conteúdo alheio sem atribuir o devido crédito, existe também o plágio indireto, que segundo Alexandre Saldanha, consiste na apropriação das ideias de outra pessoa sem a citação da fonte. “Apesar de eu não estar usando as palavras específicas de determinada pessoa, eu estou plagiando, informando que determinada conclusão é minha, mas não é”, disse o professor. 

Temos, ainda, a ideia do autoplágio, que é definida, de acordo com Alexandre, como a ausência de citação a um trabalho anterior feito pelo próprio autor da obra. “Digamos que eu publique um artigo hoje e daqui a um mês eu me cito sem dizer ‘isso são palavras minhas publicadas em tal data, tal fonte’, tem essa ideia do autoplágio”, explicou o docente.

O Brasil tem uma lei específica que trata de crimes de direitos autorais (Lei nº 9610/98), mas o Código Penal, de acordo com o professor Alexandre, também prevê punições para quem infringir tais direitos, o que inclui plagiar trabalhos. “Tanto o código penal quanto a lei específica não destrincham muito bem as hipóteses de violação, cria modalidades amplas. A gente não encontra a modalidade ‘plágio’ como crime específico, mas encontra ‘violar direitos autorais’, então comete crime quem viola direito autoral. Plágio é violação de direito autoral. A partir do momento em que a gente chega à conclusão de que plágio é uma violação de direitos autorais, quem plagiar se submete a todas as consequências legais decorrentes”, explanou.

Apesar de ser crime, o plágio configura um tipo penal de menor gravidade e não pode levar à prisão, segundo o professor doutor Alexandre Saldanha. No entanto, a pessoa que incorrer nessa prática está sujeita a medidas administrativas e também poderá ter antecedentes criminais. 

“Fica basicamente resolvido por multas e direitos de resposta, a obrigação de divulgar a obrigação correta. Gera antecedente criminal, a pessoa fica com a ficha suja pelo plágio, tem um carimbo de prática de infração penal. Evidentemente teria que correr um processo penal com a decisão confirmando a violação para daí haver a ficha suja”, disse ele.

Detectando o problema

A imensa quantidade de conteúdos disponíveis na internet dificulta a tarefa de identificar trechos de trabalhos que possam ter sido plagiados, mas de acordo com o professor Alexandre Saldanha, é também a tecnologia quem ajuda, muitas vezes, a identificar tais irregularidades. 

“Existem ferramentas, algumas gratuitas disponíveis na internet, que buscam identificar o grau de plágio em um trabalho acadêmico, e aí procura saber se existem frases, trechos de determinado trabalho sem que a pessoa tenha tido o trabalho de dar o crédito, a autoria original”, contou o professor.

Entre os programas que fazem essa tarefa, alguns dos que estão disponíveis gratuitamente na internet são o AntiPlagiarist, CopySpider, eTBLAST, Plagiarisma e Plagium Online, entre muitos outros. Há também opções pagas e programas que têm versões grátis sem registro e edições premium que têm cobrança. 

Os programas que realizam buscas na internet e em bancos de dados de trabalhos acadêmicos com o intuito de detectar possíveis plágios são reconhecidos como forma eficiente de combate ao problema, quando aliadas à avaliação humana. 

Em 2010, uma proposição da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre plágio em escolas, universidades e comércio ilegal de monografias fez recomendações a órgãos como o Ministério da Justiça, Ministério da Educação, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), entre outros, para que escolas e universidades adotem políticas públicas que incluam a utilização de tais ferramentas e também a elaboração de bancas que realizem a verificação de trabalhos entregues pelos alunos. 

Em janeiro de 2011, baseada na proposição em questão, a Capes elaborou um documento com orientações de combate ao plágio, recomendando que as instituições de ensino públicas e privadas brasileiras “adotem políticas de conscientização e informação sobre a propriedade intelectual, adotando procedimentos específicos que visem coibir a prática do plágio quando da redação de teses, monografias, artigos e outros textos por parte de alunos e outros membros das suas comunidades”.

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A produção de trabalhos científicos nas universidades, além de ajudar a ampliar o nível de conhecimento que a sociedade tem sobre todos os assuntos por meio da realização de pesquisas e divulgação de seus resultados, também é capaz de auxiliar tanto no aprendizado quanto no fortalecimento do currículo dos profissionais que se dedicam a essa atividade. 

Apesar de ser mais frequente na pós-graduação, especialmente em mestrados e doutorados, a produção de artigos científicos também é importante e positiva durante a graduação, ajudando os futuros licenciados e bacharéis a se aprofundar nos temas trabalhados em aula.  De acordo com a diretora adjunta de regulação do Grupo Ser Educacional, Francislene Hasmann, uma boa produção acadêmica faz com que o estudante saia da graduação com um currículo mais forte que, para ela, “poderá auxiliar o futuro profissional em seleções para vagas de mestrado e doutorado, além de residências, visto que via de regra são pontuados nos editais de seleção”. 

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Francislene também destaca o valor que a produção acadêmica na graduação dá não somente para os estudantes que pretendem seguir carreira acadêmica, mas também aos que desejam ingressar no mercado de trabalho. “A participação comprovada pela produção acadêmica em projetos de pesquisa demonstra a capacidade que o profissional tem de gerir projetos e gerar resultados, afinal a produção acadêmica é o principal resultado das pesquisas”, explica a diretora.

No entanto, não é necessário esperar pela formatura para que os frutos da produção dos trabalhos sejam percebidos pelo estudante, uma vez que mesmo durante o curso superior, é possível apresentar os trabalhos produzidos para além dos muros da instituição de ensino. Buscar o apoio de professores e coordenadores de projetos que possam orientar o estudante na escolha de um tema e montagem do projeto é um passo importante. Francislene lembra que os trabalhos são produzidos em parceria com professores orientadores, co-autores dos projetos, e podem ser levados a revistas acadêmicas ou científicas, anais de simpósios e congressos, por exemplo. 

A Diretora Acadêmica do Ser Educacional, Simone Bérgamo, destaca que é preciso desmistificar a ideia de que a pesquisa acadêmica é apenas para alunos que desejam se tornar professores universitários.  Para ela, os estudantes que desejam aperfeiçoar seus conhecimentos na sua área de estudos devem se lembrar que a pesquisa, mais do que uma forma de praticar o que se estuda, é uma maneira de se aprofundar nos temas de maior interesse do aluno. 

“Você recebe a mesma aula, mas por interesse se aprofunda e desenvolve competências diferenciadas através desse desenvolvimento e que vai servir para a vida acadêmica e também para a vida profissional”, afirma Simone, que destacou ainda que "todos devem fazer" pesquisas e artigos. 

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O incentivo à produção científica nas universidades federais é o caminho para expansão do conhecimento para o mercado, sem deixar de lado a educação de base. Esta foi a posição adotada pelos ministros da Educação, Henrique Paim, e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clélio Campolina, no seminário "Qual Universidade Servirá ao Brasil?", nesta quarta-feira (17), em Brasília. O objetivo do evento foi debater o futuro da educação superior no país, em especial nas universidades federais.

"Não podemos pensar em uma educação superior do futuro que esteja de costas para a educação básica", destacou o ministro Paim. O raciocínio foi compartilhado por Campolina: "é preciso reconhecer e valorizar a escola básica e o professor, social e politicamente.”

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Campolina disse que a inclusão de grande parcela da população estudando nas universidades federais, em todos os estados, ocorre “em grande parte por meio do ingresso pelo Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]”. O ministro acrescentou que é necessário “criar políticas mais efetivas de assistência para o estudante, no sentido de garantir, por exemplo, a mobilidade para os locais onde foram selecionados e também moradia para eles".

Paim avalia que a educação tem melhorado nos últimos anos, mas ressalta que são necessários mais investimentos. "Há muito o que ser feito, mas já não estamos lá atrás. Se olharmos a educação por um prisma de continuidade, será possível verificar que muito já foi feito. Nós mudamos o imaginário da população sobre o ensino público ao proporcionar o ingresso de mais pessoas, de condições sociais mais diversas nas universidades", considerou.

O reitor da Universidade de Brasília, Ivan Camargo, por sua vez, apontou a necessidade de mais autonomia para as instituições federais públicas de ensino superior, no que diz respeito aos aspectos financeiros e administrativos. "Cada universidade contém especificidades que precisam ser resolvidas dentro do seu universo próprio", ponderou.

Já a reitora da Universidade Federal de Santa Catarina, Roselane Neckel, ressaltou a importância de as universidades terem empresas como parceiras. Ela destacou, entretanto, que não é possível esquecer os investimentos do governo para o desenvolvimento científico nas instituições. "As empresas têm uma visão mais mercadológica de ciência e podem investir mais. Mesmo assim, é importanto é ajuda do governo, que poderá investir e incentivar projetos de base de inovação."

O Brasil é responsável por 2,7% da produção científica mundial, mas ainda ocupa a 58° colocação entre os países mais inovadores do mundo, destacou a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, durante abertura da 65ª reunião anual da entidade na capital de Pernambuco.

O encontro deve reunir, até sexta-feira (26), mais de 23 mil pessoas entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros, gestores do setor e estudantes, com o tema central Ciência para o Novo Brasil. “O novo Brasil, que já é a 7° economia do mundo, tem ainda que vencer grandes desafios para estar realmente inserido na economia basilar pelo conhecimento”, destacou na noite de ontem (21).

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Para Helena Nader, aumentar o investimento em educação é um dos fatores necessários para superar os obstáculos referentes ao crescimento da ciência no país. “As manifestações de rua, que vêm ocorrendo nas principais cidades brasileiras, têm em suas pautas de reivindicações a melhoria da educação. O Brasil ainda está em débito com seus cidadãos, no que se refere ao ensino de qualidade, desde a pré-escola ao ensino superior.”

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, defendeu a expansão dos sistemas de pesquisa de dentro das universidades para os setores industriais e de serviços. “Precisamos que as empresas invistam mais em atividades de pesquisa e desenvolvimento. Afinal, esse investimento vai aumentar a produtividade das próprias empresas.”

Nesta edição da SBPC foram homenageados o linguista Luiz Antonio Marcuschi e a arqueóloga Niéde Guidón. A entidade homenageia anualmente profissionais que deram contribuições significativas para o desenvolvimento da ciência brasileira.

Com a reunião, também ocorrem a SBPC Jovem, a SBPC Cultural, a ExpoT&C, além da SBPC Mirim. Entre as atrações está o Circo da Ciência – projeto que faz parte da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC). O circo vai apresentar experimentos de física, projetos de ilusão de ótica e a maquete de uma hidrelétrica em funcionamento.

A reunião da SBPC, promovida desde 1948, conta a participação de representantes de sociedades científicas, autoridades e gestores do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. Esta é a quinta vez que a cidade de Recife sedia o encontro, voltado para difundir os avanços da ciência e debater políticas públicas para a área.

O Departamento de Biologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (DB/UFRPE) realiza nesta sexta-feira (13), das 8h às 12h, no salão nobre da UFRPE, o I Seminário sobre Ética, Integridade e Produção Científica. O evento contará com duas palestras ministradas por docentes da instituição. Na ocasião, também será feito o lançamento e relançamento de livros publicados pelos professores, sobre os assuntos abordados no seminário.

A primeira palestra tem como tema “Os cientistas mentem, mas isso é muito feio – produção científica e má conduta entre os cientistas” e será ministrada pelo docente Dr. Ulysses Paulino de Albuquerque. O professor é biólogo, com mestrado e doutorado em biologia vegetal. É autor dos livros Como falar em público sobre ciência, Manual de Redação Científica, Conselhos a um Jovem Cientista e Crônicas da Ciência.

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Já a segunda palestra será realizada pelo docente Dr. Antonio Souto, que abordará o tema “A anatomia de um artigo científico”. Antonio Souto é biólogo doutorado em Ciências Naturais (zoologia, comportamento animal), e também é membro do corpo editorial de revistas internacionais, como o The Scientific World Journal. É autor de livros na área de comportamento animal (Etologia) e metodologia científica (Anatomia de um Artigo Científico). 

A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), por meio do Departamento de Biologia, realizará no dia 13 de julho o I Seminário sobre Ética, Integridade e Produção Científica. O evento ocorrerá no salão nobre da universidade, no horário das 8h às 12h. A UFRPE tem endereço na rua Dom Manuel de Medeiros, sem número, no bairro de Dois Irmãos, Recife. O evento é aberto ao público.

O seminário terá palestras dos professores e biólogos Ulysses Paulino de Albuquerque e Antonio Souto, e ainda serão expostos os livros publicados pelos dois professores, cujas obras abordam o tema do evento. Uma das palestras terá a temática “Os cientistas mentem, mas isso é muito feio - produção científica e má conduta entre os cientistas”, com a condução de Ulysses Paulino de Albuquerque. O outro encontro terá como palestrante Antonio Souto, com o tema “A anatomia de um artigo científico”.

O 5º Prêmio Naíde Teodósio de Estudos de Gênero está com inscrições abertas. O processo seletivo é direcionado para estudantes do ensino médio, técnico subsequente, graduação, pós-graduação e professores.

A intenção do prêmio é incentivar e fortalecer a produção científica de conhecimento sobre o tema gêneros. De acordo com a Secretaria de Educação de Pernambuco, um dos órgãos responsáveis pela organização da premiação, serão premiadas as modalidades de redação, artigos científicos, relatos ou projetos de experiência pedagógica e roteiro para documentário de curta-metragem digital. As temáticas que alunos e professores podem trabalhar são violência doméstica e sexista; inserção das mulheres nos espaços de poder; mulher e meio ambiente; gênero e saúde, entre outras.

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Segundo a secretaria, a premiação varia de R$ 5 mil até R$ 20 mil. Além disso, os aprovados receberão tablets e bolsas de participação em congressos. Até o dia 20 de junho, as inscrições podem ser realizadas por meio da página eletrônica de umas das instituições organizadoras da seleção. Haverá a divulgação dos trabalhos selecionados no dia 22 de junho e no dia 24 de julho será anunciada a relação com os premiados no Diário Oficial (DO) e também nos endereços das entidades participantes. A secretaria também informa que está programa para o dia 25 de setembro a cerimônia de premiação.     

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vai acrescentar, na plataforma eletrônica Lattes, que traz currículos e atividades de 1,8 milhão de pesquisadores de todo o país, duas novas abas para divulgação pública. Em uma delas, os cientistas brasileiros informarão sobre a inovação de seus projetos e pesquisas; e na outra, deverão descrever iniciativas de divulgação e de educação científica.

Com a mudança, cientistas de todos os campos de investigação deverão descrever, na Plataforma Lattes, dados sobre a organização de feira de ciências, promoção de palestras em escolas, artigos e entrevistas concedidas à imprensa – além das informações básicas como dados pessoais, formação acadêmica, atuação profissional, publicações, linhas e projetos de pesquisa, áreas de atuação e domínio de idioma estrangeiros. A intenção do CNPq é aumentar o conhecimento da sociedade sobre as atividades científicas que ocorrem no país.

“No século 21, o cientista reconhece seu papel de engajamento na sociedade. Ele sabe que está sendo pago e financiado e que deve uma prestação de contas sobre o que faz”, disse o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, em entrevista à Agência Brasil. “Ainda há um fosso grande entre aqueles que fazem ciência e aqueles que consomem e financiam a ciência. A sociedade não conhece com profundidade toda a riqueza com que a ciência brasileira tem contribuindo para o desenvolvimento nacional”, avaliou.

Segundo Oliva, passou a ser papel dos cientistas dar publicidade às atividades de pesquisa, mostrar experimentos e explicar projetos para o público, e ligar o trabalho a inovações que contribuam com as políticas públicas e até mesmo para a criação de novos produtos a serem lançados no mercado.

A mudança na plataforma Lattes poderá ocorrer em até dois meses. O modelo e a funcionalidade das abas já estão formatados e respeitarão as regras de transparência de informações públicas. O CNPq muda já na próxima semana o portal www.cnpq.br que, entre outras funções, permite acesso à plataforma Lattes.

Os novos dados informados serão considerados pelos 48 comitês de avaliação do CNPq quando forem aprovar projetos de pesquisa e conceder bolsas de estudo a professores e estudantes universitários. O conselho terá indicadores para avaliação dos trabalhos científicos em quesitos de inovação e de produção em divulgação científica, como ocorre hoje com a cobrança de publicação de artigos científicos, os papers, em revistas especializadas, inclusive do exterior.

Desde junho do ano passado, o CNPq exige, na submissão eletrônica das propostas de pesquisa e nos relatórios eletrônicos de concessão científica, que sejam descritos, “em linguagem para não especialistas”, a relevância do que está sendo proposto e os resultados atingidos. “Com isso, eu passo a ter um banco fantástico para alimentar [com dados] os jornalistas”, promete o presidente do CNPq. Segundo Oliva, o sistema terá busca de projetos e relatórios por palavras-chave, instituição e área geográfica. Por ano, cerca de 15 mil propostas de pesquisa são recebidas pelo conselho no edital universal (para todas as áreas do conhecimento).

Com a divulgação das propostas e relatórios, a expectativa de Oliva é despertar o interesse de “jovens talentos” para a ciência e criar uma nova cultura acadêmica em quatro anos – aproveitando o aumento significativo de novos mestres e doutores formados no Brasil. Na década passada, esse número dobrou, tendo atingido mais de 50 mil em 2009.

Além de mudar a cultura no ambiente acadêmico, o presidente do CNPq imagina que a divulgação de trabalhos e a educação científica possam alterar o comportamento social. “As pessoas têm que usar a ciência no dia a dia. Entender, por exemplo, que há relações de causa e efeito”, observou. “Educar para os valores da ciência e para o método científico na vida pessoal nos protege de extremismos e intolerâncias”, acrescentou Oliva.

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