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O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), apontou pelo menos oito contradições no depoimento do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco, número 2 do então ministro Eduardo Pazuello. A maioria dos "buracos" nas declarações, como classificou o relator, está no atraso para compra de vacinas no Brasil.

O ex-secretário insistiu que não houve nenhuma ordem formal para que o Ministério da Saúde suspendesse as negociações para a compra da Coronavac com o Instituto Butantan, em São Paulo, apesar de o presidente Jair Bolsonaro ter dito que o governo federal não compraria a vacina desenvolvida em parceria com o laboratório Sinovac, da China.

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Além disso, o presidente do Butantan, Dias Covas, afirmou à CPI que houve interrupção nas tratativas após Pazuello aparecer em vídeo ao lado de Bolsonaro declarando que "um manda e o outro obedece".

"Cheia de buracos, cheia de imprecisão. Então, não cola", disse Renan Calheiros a Elcio Franco. "Então o presidente não manda, tudo que ele fala não resolve." O relator pediu que a CPI solicite ao Ministério da Saúde documentos formais que comprovem se a ordem de Bolsonaro foi ignorada e que a pasta continuou em tratativas com o instituto paulista.

Franco também caiu em contradição ao falar das negociações com a Pfizer, na avaliação do relator. O ex-secretário justificou o atraso na aquisição pela falta de previsão legal e discordância com as cláusulas exigidas pela empresa, entre elas, a necessidade de o governo assumir responsabilidade civil por efeitos adversos graves em pessoas imunizadas.

Primeiramente, o depoente afirmou que não houve consenso entre consultorias técnicas de ministérios do governo para inserir o dispositivo exigido pela Pfizer em medida provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro. Pareceres de técnicos da pasta, porém, apontam concordância. Mais tarde, no próprio depoimento, Franco afirmou que a discordância veio do Ministério da Economia.

Para Renan Calheiros, Elcio Franco mentiu ao afirmar que não conhece Antônio Jordão Neto, um dos integrantes do chamado "gabinete das sombras", que auxiliou informalmente Bolsonaro questionando a eficácia de vacinas e incentivando o tratamento para covid com medicamentos sem eficácia comprovada. De acordo com agenda oficial apresentada na CPI, o ex-secretário recebeu Jordão Neto um dia depois de Bolsonaro se reunir com o gabinete paralelo.

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, teria inaugurado o "negacionismo" em seu depoimento ao colegiado. Para Renan, Queiroga seria um "João Bobo", que "vai pra um lado, vai pra o outro" e "entrega os anéis para não perder o cargo".

O relator da CPI defende ainda que Queiroga teria blindado o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao afirmar que o veto na nomeação da médica infectologista Luana Araújo à Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 teria sido sua decisão.

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Acerca do uso da cloroquina no tratamento de pacientes infectados com a covid-19, o relator pontua que o ministro "finalmente, admitiu a ineficácia da cloroquina, mas continua sem coragem de tirá-la das normas" do ministério. Calheiros aponta também contradições nas declarações do ministro sobre a atuação do chamado "gabinete das sombras", o qual Queiroga afirmou desconhecer, mas, segundo Renan, o titular da Saúde conheceria seus integrantes. O grupo seria responsável por aconselhar paralelamente o presidente Bolsonaro sobre ações de contenção à pandemia.

Renan aponta ainda que o ministro seria a favor da realização de partidas da Copa América no País, mas se oporia à vacinação dos jogadores. Além disso, o senador indica que o ministério da Saúde não teria infectologistas em seu efetivo e que Queiroga não saberia quantos ex-militares sem especialização exercem funções na Pasta.

A CPI da Covid pretende convocar o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) para questioná-lo sobre o "gabinete paralelo", afirmou o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), em live do centro acadêmico da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Segundo Renan, a presença do filho do presidente em uma reunião com a Pfizer sobre oferta de vacinas "é um fato que embasará a qualquer momento, em qualquer circunstância, a convocação do vereador". A participação de Carlos Bolsonaro na reunião foi confirmada pelo gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, após ser questionado sobre o tema em seu depoimento na CPI.

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"Espero que essa necessidade (convocação de Carlos Bolsonaro)continue a haver para concretizarmos o que a CPI entende sobre esse tráfico de influência, essa participação de pessoas que nada tinham a ver com o governo nas tratativas de aquisição da vacina. Sobretudo depois de o presidente ter fechado todas as portas para a vacinação dos brasileiros. Precisa ser esclarecido e já há requerimentos na CPI para que isso efetivamente aconteça", disse o relator.

Os requerimentos para a convocação de Carlos Bolsonaro já foram protocolados em maio pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Humberto Costa (PT-PE). Ambos também solicitaram convocação do assessor especial para Assuntos Internacionais do Planalto, Filipe Martins, cuja presença na reunião com a Pfizer foi outra confirmada por Carlos Murillo.

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que a reconvocação do ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello tem um "efeito pedagógico para que este maluco pare de delinquir e aglomerar pessoas". "Isso tem acontecido (apesar) da morte de milhares de brasileiros e não pode continuar a acontecer", afirmou em entrevista coletiva após o encerramento da sessão da CPI que ouviu nesta quinta-feira (27) o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

No último domingo (23), Pazuello apareceu ao lado do presidente Jair Bolsonaro em comício realizado no Rio de Janeiro, ainda que o regimento das Forças Armadas proíba a participação de oficiais da ativa em eventos político-partidários.

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Segundo o relator, a aglomeração realizada, após depoimento de Pazuello à CPI, é um "desrespeito" aos trabalhos da Comissão. "O presidente da República continua a fazer as mesmas coisas que fazia, diferentemente do que acontece no mundo", afirmou Calheiros. "Ontem aprovamos a convocação do ex-ministro Pazuello. Se for necessário mais adiante demonstrar algumas contradições em função da estratégia que utilizou no seu depoimento, vamos fazer isso", completou.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib), em nota, disse repudiar "mais uma vez comparações completamente indevidas do momento atual" com "os trágicos episódios do nazismo que culminaram no extermínio de 6 milhões de judeus no Holocausto".

Na manhã desta terça-feira, o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), comparou as funções e responsabilidades do colegiado ao Tribunal de Nuremberg. Segundo o senador, "um dos julgamentos mais famosos da história" e onde "o mundo procurou encontrar respostas para um crime até hoje inconcebível, o genocídio de seis milhões de judeus nos campos de concentração do regime nazista".

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A comparação irritou membros governistas da CPI, entre eles, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), Marcos Rogério (DEM-RO), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e o filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Para a confederação, "estas comparações, muitas vezes com fins políticos, são um desrespeito à memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes". Atualmente, a Conib mantém no ar a campanha "Não compare o incomparável" a fim de desestimular a banalização do Holocausto.

O início dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado foi palco de uma nova briga entre o relator do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL) e a base governista que integra a comissão. Nesta terça-feira (25), antes de iniciar a esteira de questionamentos à secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, Renan abriu sua fala comentando sobre o Julgamentos de Nuremberg, que julgou diversos líderes nazistas após o fim da segunda guerra mundial.

Antes de terminar sua fala, no entanto, Renan foi interrompido por senadores governistas que viram na fala um "paralelismo" do relator. O coro de reclamações teve participação do senador Fernando Bezerra (MDB-PE), Marcos Rogério (DEM-RO), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e do filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Heinze, inclusive, aumentou o tom contra o relator, dizendo que a responsabilidade de 450 mil mortes do Brasil é daqueles que "negam o tratamento (precoce)".

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Com o tumulto que a fala inicial de Renan Calheiros causou, o presidente do colegiado, senador Omar Aziz (PSD-AM), chamou a atenção do relator, dizendo que o que ele estava lendo ali não poderia ser usado como referência a ninguém ali. Renan concordou com Aziz e concluiu sua fala afirmando que não se pode comparar o holocausto com a pandemia no Brasil, mas afirmou haver uma semelhança "assustadora" no comportamento de algumas autoridades que prestaram depoimento à comissão com as que foram julgadas Nuremberg.

'Julgamento da história'

Renan falou principalmente sobre o Hermann Goering, ex-número dois do regime nazista, que julgado, continuou "negando tudo, enaltecendo Hitler, apresentando como salvadores da pátria, enquanto a história provou que faziam parte de uma máquina da morte", afirmou o relator, antes de começar os questionamentos a Mayra. "Deixo registrado nos anais desta comissão, inclusive como alerta para futuros depoentes, não importa o quanto possam tergiversar aqui, o julgamento da história é implacável", concluiu.

Renan Dal Zotto, técnico da seleção brasileira masculina de vôlei, teve alta hospitalar, nesta sexta-feira, depois de 36 dias de internação devido à covid-19 e está em sua casa. Renan está bem, com a família, e seguirá fazendo fisioterapia respiratória e motora.

De maneira remota e dentro da limitação indicada, o treinador vai acompanhar o dia a dia da seleção que vai disputar a Liga das Nações. Antes, o time faz amistosos de preparação com a seleção da Venezuela.

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Diagnosticado com a covid-19, Renan foi internado em 16 de abril. Três dias depois, a CBV informou que o treinador havia sido intubado para manter o nível da saturação de oxigênio mais alta. O treinador passou por uma cirurgia vascular nesse mesmo dia por conta de uma trombose arterial aguda. No início da semana, apresentou melhora no quadro respiratório após cirurgia.

No dia 24 de abril foi extubado e começou o processo de recuperação, mas voltou a apresentar complicações respiratórias em razão da covid-19 e precisou ser intubado novamente no dia seguinte. Segundo a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), houve troca de medicações e o treinador reagiu bem, com uma melhora leve do quadro respiratório, mantendo o quadro estável.

O técnico já tomou a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, em Santa Catarina, mas ainda aguarda o calendário para tomar a segunda. Com 60 anos, ele se enquadra no grupo prioritário da saúde por ser profissional de Educação Física.

Na abertura da sessão da CPI da Covid desta terça-feira, em que está sendo ouvido o ex-chanceler Ernesto Araújo, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) sugeriu que a relatoria da comissão, nas mãos do senador Renan Calheiros (MBD-AL), fosse alterada. Uma das propostas de Marcos do Val foi para que Calheiros e Raldolfe Rodrigues (Rede-AP) trocassem de postos. Randolfe é vice-presidente da CPI.

Para argumentar pela troca, o senador disse que os convidados a falar na CPI estão "intimidados", uma vez que estão recorrendo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o direito ao silêncio durante os depoimentos. O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello conseguiu uma decisão favorável do STF, e a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) Mayra Pinheiro, aguarda a mesma posição da Corte.

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Em resposta à sugestão do colega, o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), saiu em defesa de Calheiros, e ironizou a observação feita pelo senador sobre o STF. "É bom ver pessoas irem ao STF, pedir auxílio, porque até outro dia essas mesmas pessoas queriam tacar fogo e fechar o STF", comentou Aziz.

Ameaças

Omar Aziz também anunciou que será encaminhado à Polícia Federal o conjunto de ameaças que os membros da CPI têm sofrido. A decisão foi tomada após pedido do vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, que relatou os problemas que os integrantes da comissão têm enfrentado.

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, voltou a tecer críticas contra Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. Em vídeo publicado no Twitter, Flávio avaliou que Renan está sendo "altamente tóxico" aos trabalhos do colegiado. "Ele (Renan) já está pensando muito mais em 2022 do que realmente em salvar vidas aqui no Brasil", pontuou.

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Na quarta-feira passada (12), a sessão de depoimento do ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten precisou ser suspensa após uma troca de ofensas entre Renan e Flávio, que afirmou que o relator está utilizando a CPI como um "palanque". Flávio ainda chamou o relator de "vagabundo" ao comentar sobre o pedido de prisão em flagrante de Wajngarten, ofensa repetida pelo presidente na quinta-feira (13), durante viagem a Alagoas.

"Renan tem sido altamente tóxico à CPI no início dos trabalhos, inquirindo as testemunhas com muita agressividade e desrespeito", afirmou o senador no Twitter. Segundo ele, Renan tem se esforçado para blindar a investigação de seu filho, Renan Filho (MDB), governador de Alagoas, sobre desvio de recursos de dinheiro para o combate à pandemia. "A população tem o direito de saber se esse dinheiro foi aplicado no combate à covid ou se foi desviado de sua finalidade", enfatizou Flávio Bolsonaro.

Em resposta às acusações de envolvimento com milícias, o filho mais velho do presidente Bolsonaro enfatizou que ele defende policias, mas que não tem nenhum envolvimento. "Polícia, aliás, é uma categoria da qual Renan Calheiros parece ter muito medo, porque ele faz de tudo para evitar que sejam convidadas a colaborar com os trabalhos na CPI diversas autoridades policiais que têm dezenas de informações para fornecer aos senadores".

Por fim, Flávio Bolsonaro ainda enalteceu os 14 milhões de recuperados da covid-19 no Brasil. "Vamos seguir nosso esforço de salvar vidas e preservar empregos", finalizou. Na última atualização feita pelo Ministério da Saúde no domingo (16), o Brasil totalizava 15.627.475 infecções de covid-19, 14.097.287 de casos recuperados e 435.751 óbitos desde o início da pandemia.

O senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid, reagiu à tentativa do governo federal, junto ao Supremo Tribunal Federal, de blindar o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello em depoimento ao colegiado. Em ofício enviado nesta sexta-feira (14) à corte suprema, Renan afirmou que o general é 'peça fundamental' na prestação de informações sobre o 'colapso do sistema de saúde' e que a ausência de seu depoimento ou sua recusa em responder as perguntas dos parlamentares 'prejudicará sobremaneira' os trabalhos da comissão.

"Negar-se a responder à CPI equivale a esconder do povo brasileiro informações cruciais para compreender o momento histórico, responsabilizar quem tenha cometido irregularidade e evitar que se repitam os erros que levaram à morte de quase meio milhão de brasileiros inocentes, até agora", frisou.

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O documento foi encaminhado ao ministro Ricardo Lewandowski, relator de habeas corpus impetrado na corte pela Advocacia-Geral da União nesta quinta-feira, 13, para garantir a Pazuello o direito ao silêncio e inclusive barrar qualquer possibilidade de prisão durante a fala do general aos senadores. O órgão alegou 'justo receio da prática de ato ilegal' durante a oitiva de Pazuello à CPI, marcada para a próxima quarta-feira (19).

No ofício, Renan ressaltou que Pazuello é 'provavelmente a testemunha com o maior volume de informações' a prestar para a delimitação das investigações da CPI - considerando o tempo em que o militar passou à frente do Ministério da Saúde - e por isso foi convocado na condição de testemunha: "para cumprir seu dever legal e cívico de se pronunciar". Ao deixar o cargo, o general ligou sua demissão a um complô de políticos interessados em verba pública e 'pixulé'.

O senador registrou ainda que apesar de o ex-ministro estar 'receoso' de que respondendo às perguntas dos parlamentares 'possa se autoincriminar', todos seus direitos serão observados, entre eles o de não produzir prova contra si mesmo. Além disso, Renan apontou que a presença do advogado de Pazuello será assegurada, como ocorreu como o ministro Marcelo Queiroga e com o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten.

Por outro lado, o relator da CPI ressaltou que ao acionar o Judiciário para se blindar das perguntas da CPI, Eduardo Pazuello 'aparentemente pode estar objetivando proteger possíveis infratores, cujos nomes poderiam surgir de seu depoimento'. "Isso não faz parte do seu direito de não autoincriminação, mas, ao contrário, insere-se na sua obrigação de, como cidadão, prestar um testemunho verdadeiro", frisou.

Com relação ao pedido da AGU sobre direito de de Pazuello não sofrer quaisquer ameaças ou constrangimentos físicos ou morais, como a prisão, Renan afirmou: "É dever da comissão zelar pela fidedignidade dos depoimentos colhidos, de modo que se um depoente se cala ou falta com a verdade, amolda sua conduta à prevista no artigo 342 do Código Penal, não havendo alternativa senão a prisão em flagrante. Isso não significa que a mesma conduta ocorrerá no exercício do direito do depoente de não se autoincriminar".

Segundo o Estadão apurou, a decisão de Lewandowski sobre o caso deve ser divulgada nesta sexta-feira (14). O ministro Lewandowski tem perfil garantista, mais inclinado a ficar do lado dos direitos de réus e investigados. No entanto, o magistrado tem contrariado os interesses do Planalto ao tomar uma série de decisões cobrando medidas para o enfrentamento da pandemia, como exigir a divulgação de um cronograma do plano nacional de imunização.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, avaliou positivamente o depoimento do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, no Senado. Segundo ele, a participação de Torres "rebaixou ainda mais o depoimento do Queiroga (atual ministro da Saúde)" confirmando uma "consultoria paralela" do presidente para tratar questões referentes ao combate à pandemia da Covid-19 no País, além de contestar todas as "declarações estapafúrdias" de Bolsonaro durante a crise sanitária.

Calheiros afirmou ainda ter a esperança de que a participação de Torres tenha "criado um parâmetro para os depoimentos" das próximas autoridades do governo a serem ouvidas pelo colegiado. De acordo com o relator, que falou no Senado pouco antes do início dos trabalhos da comissão, nesta quarta-feira, a CPI "está andando muito bem", e respondeu a críticas ao colegiado feitas pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teria afirmado que se os trabalhos da CPI continuarem no caminho que está seguindo, ela "perderá a credibilidade".

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Para Calheiros, caso esse tipo de declaração continue a ser feita, "quem já perdeu a credibilidade, sim, infelizmente, foi o senador Ciro, que é um amigo muito querido de todos nós" concluiu.

No xadrez político de Alagoas, o futuro dos grupos de Arthur Lira (Progressistas) e Renan Calheiros (MDB) vai se cruzar novamente em 2022. O governador Renan Filho quer disputar o Senado e terá de se licenciar do cargo seis meses antes da eleição.

Como o ex-vice-governador Luciano Barbosa (MDB) se afastou para ser prefeito de Arapiraca, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor (Solidariedade), é o primeiro na linha sucessória. Mas o deputado estadual é aliado de Lira. Dessa forma, a máquina pública do Estado, influente nos 102 municípios, ficaria nas mãos do grupo rival.

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É por isso que interessa aos Calheiros uma aproximação com os Lira. "O Palácio do Planalto fará qualquer lance para tirar forças de Renan e seu filho, inclusive cedendo mais apoio a Lira. Do ponto de vista nacional, o presidente da Câmara tem mais força e vai capitalizar isso para tentar conquistar o governo, mesmo sem ser ele o candidato", afirmou o cientista político Ranulfo Paranhos, professor da Universidade Federal de Alagoas.

Nos últimos anos, uma terceira força emergiu no Estado e busca furar essa polarização. Trata-se da aliança do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PSB), o JHC, com o senador Rodrigo Cunha (PSDB). JHC apoiou a eleição de Lira para a presidência da Câmara, contrariando seu partido, e tem se aliado a Bolsonaro. Cunha, por sua vez, é potencial candidato do PSDB ao governo de Alagoas.

Reforma

Em recente reforma do secretariado, Renan Filho acomodou forças políticas opositoras no governo, num sinal de que busca amplo apoio, já que ainda não escolheu o pré-candidato à sua sucessão. Oito secretários foram substituídos. Agora, fazem parte da administração alas rivais do clã Beltrão, a família do deputado Marx Beltrão (PSD).

Os Calheiros e os Lira já estiveram juntos na base dos governos Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer. Em 2010, Renan e Benedito de Lira - pai do presidente da Câmara e prefeito de Barra de São Miguel - foram eleitos numa dobradinha para o Senado.

A campanha de 2014, no entanto, deixou fissuras nos dois grupos. Renan Filho disputou o governo contra Benedito de Lira. A vitória do filho do senador azedou de vez a relação com o deputado. Em 2018, Benedito não se reelegeu, perdendo a vaga para Cunha, e Renan ficou com a segunda cadeira. Naqueles embates, os líderes dos dois clãs trocaram ofensas até hoje lembradas.

Renan disse que Benedito de Lira ficara "velhaco". Um vídeo no qual Arthur Lira defende o pai e devolve o xingamento voltou a circular na semana passada. Na gravação, o deputado chama Renan de traidor. Nessa temporada de CPI da Covid, os sinais são confusos, mas há quem veja a possibilidade de uma trégua mais adiante. Até agora, porém, não é o que parece.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A eleição do líder do Centrão, deputado Arthur Lira (Progressistas), para a presidência da Câmara e a escolha do senador Renan Calheiros (MDB) como relator da CPI da Covid devolveram protagonismo à "República de Alagoas" no cenário nacional. Mais do que isso, transportaram para Brasília uma rivalidade que domina o Estado nos últimos anos.

À frente do Progressistas, a família de Lira desafia a cada eleição o domínio do clã Calheiros num dos Estados mais desiguais do País, famoso pelos destinos turísticos, mas que tem um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano e sofre para se reerguer economicamente.

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Desde o governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992), o presidente que renunciou para não sofrer impeachment, Alagoas não figurava com tanto destaque nesse jogo do poder com reflexos não só no Congresso como no Palácio do Planalto. A força dos clãs Lira e Calheiros e a projeção do deputado e do senador se explicam pelo controle da máquina partidária do Progressistas e do MDB no Estado.

Agora, as rivalidades também estão expostas na CPI da Covid. Lira sempre discordou da abertura da comissão. Disse várias vezes que a investigação é inoportuna e serve mais à "briga política e ideológica". Para o presidente da Câmara, a CPI não terá efeito imediato, interpretação oposta à de Renan, que vê o governo cada vez mais pressionado a agir. Na lista das divergências, outro destaque: Lira apoia o presidente Jair Bolsonaro, enquanto Renan é aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bolsonaro e Lula prometem se enfrentar na disputa de 2022. Mas onde estarão os dois alagoanos? "Desde 2014, tenho tentado fazer aliança com Arthur Lira. Ele que não quer. Eu sempre quis que a gente subisse junto no palanque", disse o relator da CPI ao Estadão.

Feijoada. No 1º de Maio, um sábado, os dois demonstraram descontração num almoço oferecido pela senadora Kátia Abreu (Progressistas-TO), em Brasília. A feijoada preparada por Moisés, marido de Kátia, animou o encontro e serviu para Renan se aproximar do antigo adversário.

"Eu disse ao Arthur Lira que, no fundo, fiquei orgulhoso com a vitória dele. Torci pelo Baleia, mas a vitória do Lira é significativa. Foi a vitória da política", afirmou Renan. "Sei o que é uma pessoa de Alagoas se tornar presidente da Câmara", afirmou ele, que foi presidente do Senado por três períodos e pretende disputar mais uma vez o cargo, em 2023. Em fevereiro deste ano, o MDB de Renan ficou contra Lira e apoiou a candidatura de Baleia Rossi (SP).

Naquele Dia do Trabalho, o almoço na casa de Kátia reuniu também o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e os ministros do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas e Vital do Rêgo Filho, além do ex-presidente do TCU José Múcio Monteiro.

A conversa tratou de CPI, economia, China e vacina, entre outros temas. A sucessão de erros cometidos por Bolsonaro também se fez presente. "Falamos sobre tudo", resumiu Renan. "Eles acham que eu sou terrorista, mas o Bin Laden lá é o Omar Aziz", afirmou o senador, rindo, numa alusão ao presidente da CPI. Questionado se Lira foi emissário de algum recado do Palácio do Planalto, o senador respondeu: "Absolutamente, ninguém me pediu nada". O deputado, por sua vez, tem dito que Bolsonaro nunca lhe solicitou ajuda para a articulação política da CPI. "Não sou senador", retruca ele, sempre que perguntado sobre o tema.

Viagem. Ao acompanhar, na sexta-feira, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, na entrega de casas populares em Junqueiro (AL), seu reduto eleitoral, Lira anunciou que Bolsonaro desembarcará em Maceió no próximo dia 13. Vinte e quatro horas antes, o presidente dava sinais de ter armas engatilhadas para fustigar Renan, prometendo investigar o filho dele, que é o atual governador de Alagoas.

O ataque ocorreu porque o senador destacou na CPI uma série de manifestações de Bolsonaro contrárias à vacinação. "As insinuações do presidente sobre Alagoas, sem apresentar fatos concretos, causam estranheza e soam mais como ameaça de retaliação à CPI", reagiu o governador Renan Filho. Seu pai foi na mesma direção. "O que mata é a pandemia, pela inação, inépcia, que, torço, não seja dele", disse o relator da CPI, numa referência a Bolsonaro.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse nesta sábado, 8, que a retirada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) das eleições de 2018, em razão das condenações impostas ao petista, foi uma "fraude" ao pleito e à "história" do País.

Calheiros afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restabeleceu os direitos políticos de Lula não o surpreendeu, porque já havia uma "evolução de derrotas" na narrativa que embalou a Operação Lava Jato.

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"Quando começaram a fazer as primeiras pesquisas, e a surpresa de que Lula era competitivo eleitoralmente, usurparam o foro, levaram investigação para Curitiba, tiraram Lula do processo político. E deu no que deu, uma fraude à eleição e uma fraude também na história do nosso país", disse o senador durante o programa 'Prerrogativas', transmitido pela Rede TVT.

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"Havia uma necessidade de uma revisão do próprio STF (sobre a retomada dos direitos políticos de Lula), o que demorou, mas acabou verdadeiramente acontecendo. A democracia enfrenta dificuldades no seu dia a dia, mas ficou tudo absolutamente esclarecido", afirmou Calheiros.

Aliado de Lula, Calheiros tem dito que não deve se encontrar com o ex-presidente nesse momento, em razão de ser relator da CPI que investiga as ações do governo Bolsonaro no enfrentamento à pandemia.

Como mostrou o Broadcast/Estadão, petistas querem atrair o chamado "velho MDB", formado por nomes como José Sarney, Calheiros e Jader Barbalho, para tentar neutralizar a ala bolsonarista do partido, concentrada nas Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Além de Calheiros, a entrevista no Prerrogativas contou também com o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, defensor de investigados na Operação Lava Jato - na qual Renan já foi denunciado. Sobre o envolvimento de seu nome na operação - usada por opositores de Renan para desqualificar seu papel na relatoria da CPI -, o senador disse que ele foi colocado como "multi-investigado" sem fatos nem provas.

Ainda no contexto da Lava Jato, Calheiros relembrou o cenário de crise no qual o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi cassado. Presidente do Senado à época, Calheiros votou a favor do impeachment da ex-presidente, e buscou justificar sua posição neste sábado afirmando que preferiu "acumular ganhos políticos" votando com a maioria, para que pudesse preservar na votação seguinte a elegibilidade de Dilma.

"Era uma circunstância política quase que inadministrável", disse o senador. Calheiros classificou como "erro estratégico" de Dilma promover uma reforma ministerial tendo como base a Câmara quando os deputados já tinham aceitado a deflagração do processo de impeachment. "Enquanto aquele processo passava a ser investigado pelo Senado", disse o senador.

"A operação impactou verdadeiramente todos os setores e agravou o cenário político processual, que acabou criando condições para aprovação do impedimento da Dilma, pasme, por crime de responsabilidade fiscal, é uma circunstância que jamais deverá ser repetida na história do nosso país", afirmou Calheiros.

O senador disse ainda que ocorreram "erros estratégicos" na ocasião. Ele lembrou ainda da figura do ex-deputado federal Eduardo Cunha no comando da Câmara durante o período. "Um deputado que estava ali para agravar a crise, para obter o desequilíbrio fiscal para fragilizar a então presidente da República e começar esse processo de impedimento", disse Calheiros. "Nós tivemos ali bastidores, coisas que um dia a sociedade brasileira verdadeiramente precisa conhecer", concluiu o senador.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) rebateu as indiretas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado ter de investigar o filho do parlamentar, Renan Filho, governador de Alagoas. Bolsonaro não citou nome, mas disse que o colegiado deveria investigar "filho de senador".

"Eu queria com a permissão dos senhores dizer, com todo respeito ao presidente, que o que mata é a pandemia pela inação e inépcia que eu torço que não seja dele, porque nós não queremos fulanizar isso aqui", disse o Senador.

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"Com relação ao Estado de Alagoas, ele não gaste o seu tempo ociosamente como tem gasto o seu tempo, enquanto brasileiros continuam morrendo. Aqui nessa CPI, se houver necessidade, todos sem exceção serão investigados", disse.

Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) classificou o depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta à comissão como "produtivo e além da expectativa". "Foi recheado de informações. Presença de Mandetta vai ajudar muito para que possamos aprofundar toda a investigação", disse Renan em coletiva à imprensa após o encerramento da sessão.

Ao lado de Mandetta, o relator afirmou ainda acreditar que o depoimento de Nelson Teich, segundo titular da Saúde no governo Bolsonaro, também será "além da expectativa". A oitiva de Teich foi remarcada para esta quarta-feira, 5, após a mudança de data do depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

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Ao comentar a alteração, Renan ironizou a postura do mais longevo ministro da Saúde durante a pandemia. "Isso caracteriza perda e ganho. Perda porque só vamos o ouvir no dia 19, e ganho porque parece que está havendo conversão, ele quer depor remotamente porque é contra aglomeração", disse o senador do MDB. Pazuello pediu que o dia do seu depoimento fosse alterado após ter tido contato com dois servidores que testaram positivo para a covid-19. A outra alternativa era falar à comissão remotamente. Os senadores optaram por remarcar sua presença para o dia 19 de maio.

Dolo

Durante a coletiva de imprensa após o depoimento, Mandetta foi perguntado sobre se enxergava dolo por parte do governo quando não adquiriu vacinas contra a covid-19, apostando na teoria da imunidade de rebanho como forma de combate à doença. Atribuindo à CPI da Covid o papel de responder essa questão, Mandetta apenas disse que houve orientação conflitante entre o Planalto e as orientações técnicas do Ministério da Saúde. "Mas se isso tinha razão de ser, se era achismo, se tinha algo além disso, cabe a comissão (dizer)", respondeu Mandetta. "Eu orientando de uma maneira, e presidente fazendo de uma maneira diferente", afirmou, reforçando o que disse durante o depoimento.

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse na noite dessa quinta-feira (29), que os militares não devem temer os trabalhos da comissão. "Só devem ter preocupação os aliados do vírus. Quem não foi aliado do vírus não deve ter nenhuma preocupação", afirmou.

Mais cedo, em uma derrota à ala governista, a CPI aprovou a convocação de ex-ministros da Saúde do governo Jair Bolsonaro, entre eles o general Eduardo Pazuello, e do atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga. Todos devem ser ouvidos pelo colegiado na semana que vem. Os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich e o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, também foram convocados.

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A fala de Renan foi uma resposta a uma pergunta a respeito da nota divulgada pelo Clube Militar, com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a abertura da comissão, e à composição do grupo, formado em sua maioria por críticos do governo.

Renan disse ainda que os ex-ministros foram convocados não como investigados, mas para testemunhar e colaborar com os trabalhos da CPI. "Nós não vamos investigar os militares, essa narrativa do governo está completamente errada, equivocada, e objetiva apenas uma propaganda", disse Renan, em entrevista coletiva. "Ontem [quarta-feira], deixei claro, e todos os membros da CPI também, que nós não vamos investigar instituições ou pessoas, mas sim conferir fatos. Esse é o papel da CPI."

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse acreditar na lealdade das Forças Armadas à democracia. "Isso é irreversível no País desde a redemocratização. Não tem nenhum interesse, e não terá, não está sob análise ou investigação o Exército brasileiro ou as instituições militares", disse. "Estão sob investigação aqueles que foram responsáveis por ações e omissões que nos levaram à tragédia de ser o segundo País do planeta com o maior número de mortes", acrescentou.

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado relator de ação movida por três senadores aliados do Planalto contra a indicação de Renan Calheiros (MDB-AL) para a relatoria da CPI da Covid. O mandado de segurança apresentado por Eduardo Girão (Podemos-CE), Jorginho Mello (PL-SC) e Marcos Rogério (DEM-RO) pede a suspensão do ato que colocou o emedebista na comissão.

Os parlamentares lembram que Renan Calheiros é pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB) e, por isso, os trabalhos do senador à frente da CPI podem fazer a comissão ser "eivada de desconfiança". Um dos focos buscado por governistas para livrar o governo Bolsonaro das investigações é mirar o uso de verbas pelas gestões estaduais no combate à pandemia.

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"É possível considerar legal e impessoal a indicação de senador relator, cujo filho está entre os governadores 'investigados'? Sabe-se que não há investigação direta da pessoa do governador, mas indiretamente se investigará eventual má aplicação das verbas públicas repassadas pela União, no enfrentamento da covid-19 pelos Estados/Municípios", apontam os senadores.

Instalada nesta terça, 27, a CPI da Covid é presidida pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), que indicou Renan Calheiros para a relatoria do colegiado após acordo com parlamentares. No plano de trabalho do emedebista, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta deverá ser o primeiro nome a prestar depoimento sobre atos ou omissões do presidente Jair Bolsonaro nos primeiro meses da pandemia.

Mandetta foi demitido em abril do ano passado após discordar de Bolsonaro na divulgação e defesa de medicamentos sem eficácia contra a covid.

Renan Calheiros também quer ouvir os ex-ministro Nelson Teich, que substituiu Mandetta por apenas um mês, e Eduardo Pazuello, acusado de improbidade no colapso do sistema de saúde em Manaus no início do ano. O atual titular da pasta, Marcelo Queiroga, também será chamado.

Apesar dos alvos focarem nas ações do governo, Renan Calheiros nega argumentos de governistas de que a investigação se transformará em um palco político contra Bolsonaro. "Esse discurso que a CPI vai politizar é um discurso para inglês ver. Quem tem politizado é o governo", disse o senador.

Na segunda, 26, o juiz Charles Renaud Frazão de Moraes, da 2ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, deu liminar em ação movida pela deputada Carla Zambelli (PSL-SP) para barrar Renan da relatoria da CPI. A liminar foi derrubada pelo desembargador Charles Renaud Frazão de Moraes, que considerou que a decisão invadia competência do Congresso.

Integrante da tropa de choque do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) recorreu ao Tribunal Regional Federal da Primeira Região contra a decisão da própria Corte que liberou o senador Renan Calheiros (MDB-AL) para assumir a relatoria da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado.

Na ação, Zambelli diz que não ficou demonstrado o alegado "grave risco à ordem constitucional e à harmonia entre poderes caso Renan permanecesse suspenso".

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O governo fez de tudo para tirar Renan da relatoria, um cargo estratégico, responsável por dar o tom dos trabalhos e até recomendar o indiciamento de autoridades. Não conseguiu. Na terça-feira, 27, o TRF da 1ª Região suspendeu uma decisão do juiz Charles de Morais, da 2ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, que barrava a indicação do senador para o cargo de relator. A liminar havia sido expedida em ação protocolada pela deputada Carla Zambelli (PSL-SP), mas foi derrubada.

Na terça, em sua estreia na relatoria, Renan apresentou uma lista com 11 sugestões de requerimentos - oito dois quais com foco na gestão de Bolsonaro. Além disso, há outros 169 pedidos protocolados por integrantes da CPI para investigações. O primeiro convocado para falar à CPI, na próxima terça-feira, será o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, um dos principais críticos à condução da pandemia de coronavírus por Bolsonaro. Médico, Mandetta foi demitido em abril do ano passado, após defender o isolamento social e se recusar a indicar o tratamento precoce com medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina.

Por 8 votos, a maioria dos integrantes da CPI da Covid escolheu o senador Omar Aziz (PSD-BA) como presidente do grupo nesta terça-feira, 27. Ao assumir o posto, Aziz indicou imediatamente Renan Calheiros (MDB-AL) como relator do colegiado, em uma derrota para o Palácio do Planalto. Pelo acordo firmado entre os partidos, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) ficou com a vice-presidência.

Na primeira manifestação após ser escolhido pelos colegas, Aziz afirmou que a CPI não servirá como vingança nem para fazer política com mortos.

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"Não dá para discutir questões políticas em cima de quase 400 mil mortes. Não me permito isso porque perdi um irmão há 50 dias. Não haverá pré-julgamento da minha parte", disse, antes de acrescentar também que a CPI não irá proteger ninguém.

Renan afirmou que sua atuação será "técnica, profunda e despolitizada". Em sua primeira fala como relator, pediu 20 segundos de silêncio pelas vítimas da pandemia no País e disse que a CPI não usará de meios que possam suscitar suspeições no futuro, fazendo, inclusive, menção ao ex-juiz Sérgio Moro, considerado suspeito nos casos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem Renan é aliado.

"Não somos discípulos nem de Deltan Dallagnol nem de Sérgio Moro. Não arquitetaremos teses sem provas ou powerpoints contra quem quer seja", afirmou Renan, fazendo uma crítica direta à Operação Lava Jato e afirmando que não fará o mesmo na CPI.

"A comissão será um santuário da ciência, do conhecimento e uma antítese diária e estridente ao obscurantismo negacionista e sepulcral responsável por uma desoladora necrópole que se expande diante da incúria e do escárnio desumano."

Sobre o fato de ter indicado Renan, Aziz destacou que "não existe senador pela metade". De acordo com o agora presidente da CPI, a discussão sobre quem pode ou não participar da comissão já está muito madura em relação à sociedade. "Estamos aqui malhando em ferro frio. O senador Renan votou pela ajuda para Estados e municípios. Se ele é suspeito, não deveria ter votado, mas é o papel dele."

Os nomes definidos para presidir e relatar a CPI confirmam as dificuldades que o governo Jair Bolsonaro terá para influenciar os trabalhos. Sem maioria governista, aliados do Planalto lançaram a candidatura avulsa do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), mas o parlamentar, que se diz "independente", obteve apenas três votos.

Foram mais de duas horas tentando barrar o acordo. Após a eleição, governistas voltaram a pedir a suspeição de Renan. Aziz indeferiu os pedidos e criticou a insistência na estratégia. "É justo as pessoas não terem a segunda dose para vacinar?", disse, em resposta ao senador Marcos Rogério (DEM-RO). "É medo da CPI ou do senador Renan?", complementou.

'Kit obstrução'

Antes de a votação ser iniciada, como estratégia para tentar adiar a instalação da comissão, senadores governistas apresentaram uma série de questionamentos, sem sucesso. Com o chamado "kit obstrução", parlamentares tentaram evitar a eleição do presidente, do vice e, sobretudo, a designação de Renan como relator, além de inviabilizar a participação de alguns dos integrantes.

Até mesmo Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente e senador que não integra a CPI, compareceu à reunião para tentar postergar a instalação da comissão. Segundo o parlamentar, o "senador que estiver na CPI e quiser subir no caixão dos quase 400 mil mortos pela pandemia para atacar o presidente e antecipar a eleição será conhecido da população".

Flávio ainda questionou os colegas sobre quantas vacinas a CPI iria aplicar nos braços dos brasileiros. "O presidente Rodrigo Pacheco está sendo irresponsável porque está assumindo o risco de senadores e assessores morreram pelos trabalhos presenciais."

Desde o início da reunião, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado ao presidente Bolsonaro, tentou postergar a instalação da CPI alegando que alguns senadores indicados pelos partidos para compor a comissão já participavam de outros colegiados do tipo, o que seria vetado pelo regimento do Senado. Mas, apesar da postura, votou em Aziz para presidente.

Jorginho Mello (PL-SC), também próximo ao Planalto, seguiu na mesma linha de Nogueira e citou o regimento interno do Senado para destacar que Renan Calheiros, que é pai do governador de Alagoas - um dos alvos do colegiado -, não poderia participar da comissão, muito menos relatar os trabalhos, pela relação parental.

Renan, que avisou sobre a intenção de se abster de votar ou de se posicionar em algum fato que envolva seu Estado e o governo de seu filho, foi tema das principais discussões travadas na CPI antes da votação do presidente. Flávio Bolsonaro criticou diretamente o colega alagoano por não ter "bom senso" e por provocar uma batalha judicial em função de sua insistência em ser relator. O filho mais velho do presidente ainda deixou claro a intenção dos governistas de seguirem apelando à Justiça contra a indicação dele.

Durante o processo de votação, Renan classificou todos os argumentos apresentados contra a indicação de seu nome para assumir a relatoria, como "censura prévia". Ele ainda ressaltou que o Estado de Alagoas não é investigado por desvios no uso de recursos federais.

Justiça

Na manhã desta terça, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região suspendeu uma decisão liminar da Justiça do DF de barrar a indicação de Renan para o cargo de relator. A decisão do desembargador Francisco de Assis Betti, vice-presidente do TRF-1, acatou pedido da Advocacia do Senado, feito na madrugada desta terça-feira. "Vislumbra-se a possibilidade de grave risco de dano à ordem pública, na perspectiva da ordem administrativa, diante de uma interferência do Poder Judiciário no exerci´cio de prerrogativa conferida pelas normas regimentais internas das Casas Legislativas e que são inerentes ao exercício da própria atividade parlamentar", diz o texto.

Senadores presentes na sessão da CPI comemoraram o anúncio da suspensão, feito durante a reunião. A decisão divulgada na noite de segunda só havia acirrado os ânimos. O presidente Rodrigo Pacheco e o próprio Renan, consideraram a determinação da Justiça do DF uma interferência no trabalho legislativo.

"Falar que o Renan ou outro qualquer não pode participar da CPI porque tem interesses? Queria saber quem é que não tem interesses aqui? Se for por essa questão, o presidente Otto não deveria nem deixar o Flávio Bolsonaro entrar aqui porque ele é filho do homem", disse o líder do PT, Paulo Rocha (PA).

As tentativas de obstrução feitas por Nogueira e Mello foram rebatidas por Eduardo Braga (MDB-AM), que ressaltou o fato de o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), não ser alvo de investigação, diferentemente do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), que foi até mesmo denunciado pela Procuradoria-Geral da República.

"Não é questão mais de investigação, vejam bem. E isso ocorre no meu Estado. Não devo então participar? Quero me manifestar contrariamente ao pedido do senador Jorginho. Não elegemos nem o presidente nem o relator. Não é hora", disse Braga.

Randolfe Rodrigues complementou; "O que foi argumentado aqui para impedir a designação de algum senador (para a relatoria) ou a participação dele chega a ser ridículo. Questão de ordem descabida, que tem como argumentos dispositivos de tratamentos diferentes. Seria um absurdo deliberarmos pelo impedimento de algum colega no exercício de seu mandato."

Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE) afirmou que a CPI deve "compreender" todo o esforço do governo ao longo da pandemia e avaliar, sem paixão, os erros que, porventura, foram cometidos. "Eles não foram deliberados ou propositais. O presidente Bolsonaro tem se empenhado pessoalmente para acelerar as entregas de vacinas", disse, pedindo aos colegas que a CPI não tome o caminho da criminalização. Segundo Bezerra, nenhum ato doloso de omissão foi cometido.

Com a CPI mirando erros e omissões do governo no combate à pandemia, Bolsonaro passou a reforçar nos últimos dias ameaças de uso das Forças Armadas para reverter medidas de isolamento social tomadas por governadores para conter a propagação da doença. Ao mesmo tempo, o governo já se prepara para se defender das eventuais acusações a serem levantadas pela CPI. A Casa Civil enviou um e-mail para ministérios enumerando 23 afirmações com as quais os aliados podem ser confrontados e pedindo informações para rebater cada ponto. Trata-se de uma lista de erros do governo destacados pela oposição.

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