Tópicos | China

Um caso suspeito de peste bubônica foi registrado no norte da China, segundo autoridades de saúde. A notícia surge poucos dias depois de dois casos semelhantes terem sido reportados na Mongólia.

O caso foi registrado em um hospital na região chinesa da Mongólia Interior, aponta comunicado da Comissão de Saúde local.

##RECOMENDA##

O caso fez com que a China elevasse o estado de alerta para o terceiro nível devido ao potencial surgimento de epidemia na região. O alerta entrou imediatamente em vigor e permanecerá até o final deste ano.

Acredita-se que o paciente esteja com uma peste bubônica que provoca inchaço dos gânglios linfáticos e é considerada a forma da doença que pode ser tratada com mais facilidade.

A peste pode surgir também em uma forma pneumônica e septicêmica, que pode matar o infectado em apenas um dia.

Na semana passada na Mongólia, duas pessoas que tiveram contato direto com pelo menos 146 pessoas e mais 504 pessoas de forma indireta foram infectadas com peste bubônica ao consumir carne de marmota.

A peste bubônica matou de 75 milhões a 200 milhões de pessoas na Eurásia e África do Norte no século XIV, com mortalidades significantes na Europa, onde dizimou até 60% da população, e recorrendo periodicamente ao longo dos séculos.

Da Sputnik Brasil

A China se comprometeu nesta sexta-feira(03) a eliminar gradualmente o abate e a venda de aves vivas nos mercados, uma medida celebrada por defensores dos direitos dos animais no contexto da pandemia de coronavírus.

O anúncio foi feito em um momento em que o país intensifica as inspeções nos mercados atacadistas de alimentos e proíbe a venda e o consumo de animais selvagens.

Suspeita-se que um mercado que vende animais vivos na cidade de Wuhan (centro) seja o epicentro da pandemia de COVID-19.

O recente reaparecimento do vírus em Pequim foi atribuído a um importante mercado agrícola atacadista na capital chinesa.

"A China vai restringir o comércio e o abate de aves vivas, e incentivar o abate em massa de aves vivas em locais sujeitos a determinadas condições e fechará progressivamente o mercado de aves vivas", disse Chen Xu, funcionário da Administração Nacional de Regulação do Mercado, em uma conferência de imprensa.

Aves criadas em gaiolas são abundantes em toda a China nos mercados atacadistas agrícolas e de produtos frescos.

Os pássaros são geralmente abatidos no local pelos criadores e os compradores também podem fazê-lo em suas casas, garantindo a máxima frescura.

Frutos do mar, anfíbios e outros animais são frequentemente vendidos nos mercados.

Cientistas acreditam que o patógeno responsável pela pandemia de coronavírus surgiu em morcegos antes de contaminar os homens através de um animal ainda desconhecido.

Milhões de indianos estão buscando alternativas locais esta semana, depois que o governo bloqueou 59 aplicativos chineses, em meio à escalada de tensão entre Nova Délhi e Pequim.

A Índia está vivendo uma onda anti-China, após um enfrentamento incomum entre os Exércitos desses dois gigantes asiáticos sobre disputas fronteiriças no Himalaia, em meados de junho.

##RECOMENDA##

O confronto custou a vida de 20 soldados do lado indiano e causou um número desconhecido de baixas nas fileiras chinesas.

Nesse contexto, o governo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciou na segunda-feira a proibição de 59 aplicativos chineses (entre eles o Tiktok, Weibo, Wechat e Camscanner), em nome da segurança nacional.

Como resultado dessa decisão, algumas plataformas digitais da Índia aumentaram rapidamente seu número de usuários, em busca de aplicativos locais para substituir os que foram proibidos.

O Sharechat recebeu 15 milhões de downloads nas 48 horas que se seguiram à ordem de bloqueio. Agora, conta com cerca de 150 milhões de usuários registrados, anunciou a rede social indiana em um comunicado.

O aplicativo de vídeo Roposo ganhou 10 milhões de novos usuários nos últimos dias, elevando sua base para 75 milhões, disse à AFP Naveen Tewari, presidente da empresa matriz Inmobi.

Com uma população de 1,3 bilhão de pessoas e uma penetração de Internet impulsionada pelos preços baixos dos dados móveis, a Índia é um mercado-chave para empresas digitais.

Muitos gigantes internacionais do setor, como o Facebook, veem-no como um motor de crescimento muito promissor.

O banco chinês XCMG, que pertence à Xuzhou Construction Machinery Group (XCMG), iniciou hoje operações no Brasil. Com capital inicial de R$ 100 milhões, trata-se da primeira instituição financeira com capital 100% estrangeiro a obter autorização de funcionamento e operação junto ao Banco Central (BC). A expectativa do banco é movimentar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões em operações de crédito no primeiro ano, com meta é atingir equilíbrio (break even point) em três anos.

A licença de operação foi concedida em 15 de junho pelo BC. A autorização de abertura foi conferida em outubro de 2019, após o cumprimento de todos os requisitos para a regulamentação de instituições financeiras no Brasil e participação de recursos estrangeiros no capital nacional. Com sede em Pouso Alegre, no Sul de Minas, o banco contará também com escritório em São Paulo.

##RECOMENDA##

Em nota a instituição informa que tem como objetivo inicial apoiar os negócios do próprio grupo no Brasil e também ampliar o leque de serviços para empresas chinesas do ramo industrial em operação na América Latina. Segundo o banco, em um primeiro momento o banco irá ofertar produtos financeiros diversos, como financiamento de máquinas, leasing e investimentos, aos clientes do grupo, revendedores e a indústria de modo geral.

Em um segundo momento, outros serviços serão oferecidos, como modalidades de crédito e de capital de giro, incluindo linhas de crédito do Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A China anunciou nesta quarta-feira que enviará uma sonda e um pequeno robô para Marte no final de julho, sua primeira missão no planeta vermelho.

O país investe bilhões de dólares em seu programa espacial, que inclui o lançamento de satélites, o envio de uma missão tripulada à Lua e o lançamento de uma nova sonda em meados de maio.

"Escolheremos uma data apropriada durante o período de 20 a 25 de julho para o lançamento para Marte da sonda Tianwen-1", anunciou o centro de lançamento espacial de Wenchang (sul da China).

"Desejamos à missão sucesso total!" destaca o comunicado na rede social WeChat.

Uma viagem Terra-Marte leva cerca de sete meses. Desta forma, a sonda chinesa deve atingir seu destino apenas em 2021.

A distância muda constantemente, mas são pelo menos 55 milhões de quilômetros.

A missão, batizada "Tianwen" ("Perguntas ao Céu"), tem três objetivos: colocar uma sonda em órbita marciana, aterrá-la na superfície do planeta vermelho e, em seguida, teleguiar um robô para análises.

A China já realizou uma operação semelhante na Lua, onde depositou em 2013 o "Coelho de Jade", um pequeno "rover" guiado remotamente e, mais tarde, em 2019, outro robô, este último no lado oculto do satélite.

Os Estados Unidos são o país com maior presença em Marte: já enviaram quatro veículos de exploração e, em julho, enviarão o quinto, chamado "Persistência".

Os Emirados Árabes Unidos também querem se juntar à corrida ao planeta vermelho, com uma sonda que será lançada a partir do Japão.

O futebol na China, berço da Covid-19, já tem a retomada marcada para o próximo dia 25, de acordo com informações reveladas nesta quarta-feira pela Associação Chinesa de Futebol (CFA, na sigla em inglês), cinco meses após o previsto para o seu início, e a grande novidade é que o Campeonato Chinês será realizado em apenas duas cidades: Suzhou e Dalian.

Através de um comunicado oficial, os dirigentes chineses justificaram a decisão de começar o campeonato com o sucesso na luta contra o novo coronavírus. "A batalha na prevenção e controle da epidemia atingiu grandes resultados no país e a situação continua a melhorar", informou a federação.

##RECOMENDA##

Os 16 clubes que vão participar da competição serão divididos em dois grupos de oito: um ficará em Suzhou, na costa leste, perto de Xangai, e o outro na cidade portuária de Dalian, na região Nordeste da China. Os clubes têm de chegar à cidade respectiva no próximo dia 21, quatro dias antes do início do campeonato.

Os quatro melhores classificados de cada grupo se classificarão para a fase final, enquanto que os quatro piores classificados de cada chave irão brigar contra o rebaixamento.

A China adotou uma abordagem cautelosa relativa à retomada dos eventos esportivos, mas a federação concluiu, após vários estudos, que é o momento certo de "satisfazer a vontade dos torcedores".

Não há ainda indicação, mas, tal como aconteceu com a liga de basquete chinesa, os jogos de futebol deverão ser realizados sem a presença de público nos estádios. A federação anunciou que haverá duas janelas de transferências - a primeira já neste mês e a segunda em setembro.

O presidente chinês, Xi Jinping, promulgou nesta terça-feira (30) a polêmica lei de segurança nacional para Hong Kong, segundo a qual os crimes de segurança nacional podem ser punidos com prisão perpétua e a justiça chinesa será competente nos casos mais "graves".

Essa lei, considerada pelos críticos uma forma de silenciar a oposição e minar a autonomia do território, também prevê a criação de uma agência de segurança nacional na antiga ex-colônia britânica.

Ignorando os apelos dos países ocidentais, o Parlamento nacional aprovou o texto, um ano depois das grandes manifestações na ex-colônia britânica contra a influência do governo central.

O texto será incorporado à "Lei Fundamental" que serve desde 1997 de mini-Constituição em Hong Kong e entrará em vigor ainda nesta terça-feira, anunciou a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam.

Durante uma cerimônia por ocasião do 23º aniversário da devolução da antiga colônia britânica à China, Lam a qualificou nesta quarta de "fato mais importante nas relações entre o governo central e Hong Kong desde a retrocessão".

A nova lei será uma "espada" que paira sobre as pessoas que afetam a segurança nacional, disse o Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau logo após a sua promulgação.

"Para a grande maioria dos residentes de Hong Kong essa lei é um espírito guardião de suas liberdades", acrescentou.

Com este texto, o governo central quer garantir a estabilidade e acabar com os protestos do ano passado, neste território de 7,5 milhões de habitantes. Ele também espera parar o movimento de independência.

"Isto representa o fim de Hong Kong como era conhecido em todo o mundo. Com poderes ampliados e uma lei mal definida, a cidade se transformará em um #estadodepolíciasecreta", tuitou Joshua Wong, um dos líderes do movimento pró-democracia Hong Kong, cujo partido político Demosisto anunciou a dissolução nesta terça-feira.

"Ao final de várias deliberações internas, decidimos pela dissolução e interromper todas as atividades como grupo dadas as circunstâncias", afirmou o Demosisto no Twitter.

- Agência de Segurança Nacional -

Esta lei permite reprimir quatro tipos de crimes contra a segurança do Estado: atividades subversivas, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras.

Nesse âmbito, a China continental pode lidar diretamente com casos em três situações: se são casos complexos de interferência estrangeira, se os casos são "muito graves" e se existem "ameaças sérias e reais" contra a segurança nacional.

"Pouco importa que a violência tenha sido usada ou se tenha existido a ameaça de usá-la, os líderes ou autores de crimes graves serão condenados à prisão perpétua ou a um mínimo de 10 anos de prisão", declara a nova lei.

Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos haviam alertado para o risco de que a lei possa ser utilizada para calar as vozes críticas a respeito de Pequim, que recorre a leis similares para esmagar a dissidência no continente.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, ameaçou Pequim com novas represálias.

Os Estados Unidos "não ficarão de braços cruzados enquanto a China engole Hong Kong com sua boca autoritária", disse.

Antecipando-se à promulgação da lei, Washington anunciou nesta segunda-feira o fim das vendas de equipamento sensível de defesa a Hong Kong para evitar que "caia nas mãos" do exército chinês, ao que a China reagiu anunciando que adotará "represálias" por esta decisão.

O governo de Donald Trump já tinha anunciado na sexta-feira restrições de vistos para funcionários chineses acusados de "por em suspeita" a autonomia do território. A China respondeu nesta segunda com uma medida similar contra os cidadãos americanos "que se comportam mal", criticando a lei.

A UE criticou a adoção da lei. "Lamentamos esta decisão. A lei pode afetar gravemente o elevado nível de autonomia de Hong Kong e ter um efeito prejudicial sobre a independência do Poder Judiciário e o Estado de direito", declarou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Em um comunicado conjunto, 27 países pediram na sede do Congresso de Direitos Humanos da ONU que a China reconsidere a lei.

- Mudança radical -

O compromisso alcançado entre Reino Unido e China para a devolução de Hong Kong em 1997 foi o de que a ex-colônia prosseguiria com certas liberdades, assim como com autonomia legislativa e judicial, durante 50 anos, no que foi denominado "um país, dois sistemas".

Os moradores de Hong Kong têm liberdade de expressão, liberdade de imprensa, uma justiça independente e um sistema capitalista.

A fórmula foi o pilar da transformação da cidade em uma plataforma financeira mundial, ancorada em sua segurança jurídica e nas liberdades políticas que não existem no continente.

A região está dirigida por um governo local cujos membros estão subordinados a Pequim, devido a um processo de seleção que afasta as figuras da oposição.

A partir de agora parece difícil que os cidadãos de Hong Kong possam organizar grandes manifestações, já que as autoridades da ex-colônia proíbem as reuniões com mais de 50 pessoas devido à epidemia de COVID-19.

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, criticou nesta terça-feira (30) intimidação das autoridades na China e Rússia no contexto da pandemia de coronavírus, assim como o fato de que os Estados Unidos neguem a realidade da crise de saúde.

Na abertura da 44ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, Bachelet afirmou que "no mundo inteiro a Covid-19 tem sido instrumentalizada para limitar o direito de expressão das pessoas a sua participação na tomada de decisões que afetam suas vidas".

"Na Federação da Rússia, na China, no Kosovo, na Nicarágua e em vários países vejo informações sobre ameaças e intimidação contra os jornalistas, os blogueiros e os ativistas civis, em particular a nível local, com o objetivo aparente de desestimular as críticas à resposta das autoridades contra a COVID-19", disse.

Bachelet também mencionou as severas restrições à liberdade de expressão, de associação e reunião pacífica no Egito, assim como a aplicação arbitrária e excessiva de medidas contra a pandemia em El Salvador.

"A censura e a criminalização dos discursos são suscetíveis de suprimir informações cruciais necessárias para enfrentar a pandemia", afirmou Bachelet, que pediu um combate à desinformação.

"Em Belarus, Brasil, Burundi, Nicarágua, Tanzânia e Estados Unidos, entre outros, temo que as declarações que negam a realidade do contágio do vírus e a polarização crescente das perguntas chave intensifiquem a gravidade da pandemia", afirmou.

Bachelet também reiterou o apelo a favor da suspensão de parte das sanções internacionais "para garantir que os cuidados médicos e a ajuda sejam acessíveis a todos".

O dólar sobe com investidores atentos à cautela no exterior, após o parlamento chinês aprovar uma lei de segurança nacional para Hong Kong. A nova lei passa a valer a partir de amanhã e agrava as já tensas relações com os EUA. Por isso, ficam em segundo plano os dados de atividade industrial e de serviços na China melhores que o esperado em junho. Analistas avaliam como negativa também a notícia de que as exportações de carnes de quatro frigoríficos brasileiros para a China foram suspensas.

A taxa de desocupação no Brasil de 12,9% no trimestre encerrado em maio, divulgada mais cedo, veio pouco abaixo da mediana do mercado (13,0%) e dentro do intervalo das expectativas dos analistas (entre 12,3% e 14,8%). O dado fica em segundo plano no câmbio. Em igual período de 2019, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 12,3%. No trimestre até abril de 2020, a taxa de desocupação estava em 12,6%.

##RECOMENDA##

Já disputa técnica em torno da definição da última Ptax de junho, do segundo trimestre e do primeiro semestre pode trazer pressão adicional até o início da tarde. A tendência é que os investidores vendidos em contratos cambiais (apostaram na baixa) pressionem o dólar à vista para baixo perto das horas cheias até às 13h.

Às 9h20 desta terça-feira, o dólar no mercado à vista subia 0,41%, a R$ 5,4480. O dólar para agosto, contrato mais negociado no mercado futuro a partir de hoje, avançava 0,81%, a R$ 5,4495.

Mais cedo, o Índice de Confiança de Serviços (ICS) subiu 11,2 pontos na passagem de maio para junho, na série com ajuste sazonal, alcançando 71,7 pontos, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Apesar da melhora de 20,6 pontos nos últimos dois meses, o índice recuperou apenas 48% das perdas sofridas em março e abril.

O aplicativo chinês TikTok negou, nesta terça-feira (30), ter divulgado dados de usuários indianos para o governo de Pequim, depois que a Índia decidiu proibi-lo por razões de segurança. A decisão foi tomada após um letal confronto sem armas entre soldados indianos e chineses na fronteira himalaia.

Esta mídia social está na lista publicada ontem pela Índia de 59 aplicativos chineses que ficarão bloqueados no país para "garantir a segurança e a soberania do ciberespaço indiano".

##RECOMENDA##

O anúncio do governo do primeiro-ministro Narendra Modi surge duas semanas depois de um enfrentamento entre o Exército indiano e chinês em uma zona fronteiriça do Himalaia, que deflagrou um apelo por boicote de produtos chineses na Índia.

A proibição é um golpe importante para o TikTok, um app muito popular entre os jovens indianos e que perderá, com isso, boa parte de seus usuários no mundo.

"O TikTok segue respeitando a segurança e o caráter privado dos dados, em virtude da legislação indiana, e não compartilhou qualquer informação sobre nossos usuários na Índia com governos estrangeiros, incluindo o governo chinês", afirma a empresa, em nota divulgada por sua filiar indiana, propriedade do grupo chinês ByteDance.

O aplicativo permite publicar vídeos de poucos segundos, nos quais os usuários se filmam cantando, dançando, ou fazendo brincadeiras.

"O Tiktok democratizou a Internet, ao ser acessível em 14 línguas na Índia, com centenas de milhões de usuários, artistas, narradores, educadores e intérpretes que dependem dele para ganhar a vida. Muitos são novos usuários de Internet", afirmou o app em sua nota.

- Corpo a corpo -

Nesta terça de manhã, os jornalistas da AFP na Índia ainda conseguiam acessar o app. O TikTok informou "estar fazendo o necessário para respeitar" a ordem de bloqueio.

O bloqueio de aplicativos chineses, que também afeta o WeChat, Weibo e o jogo Clash of Kings, acontece em um contexto de alta tensão entre Nova Délhi e Pequim.

Soldados dos dois países, os dois mais populosos do mundo, enfrentaram-se em 15 de junho, em um corpo a corpo sem armas extremamente violento, no disputado vale de Ladakh (norte da Índia). Foi o primeiro embate com mortos entre ambos os países em 45 anos.

No total, 20 pessoas morreram do lado indiano. O número de baixas do lado chinês é desconhecido.

A morte de soldados indianos deflagrou uma onda de indignação na Índia e provocou protestos contra a China.

Um grande grupo hoteleiro de Nova Délhi anunciou que recusará clientes chineses.

O fabricante chinês de celulares Xiaomi, líder do mercado na Índia, onde também tem várias fábricas, começou a colocar em suas lojas grandes bandeirolas com a mensagem "Made in India" para tentar evitar o boicote.

O premiê Narendra Modi tem um pronunciamento previsto para esta manhã, mas ainda não se sabe se abordará as tensões com a China. Sua intervenção pode estar relacionada com a pandemia do coronavírus, que continua se propagando rapidamente pelo território.

Até o momento, o país registra 16.893 mortos por 566.840 casos declarados.

Especialistas consideram que o país ainda não atingiu o pico da pandemia, apesar do confinamento especialmente severo entre o final de março e o início de julho. A medida contribuiu para afundar a economia e deixou milhões de pessoas sem renda.

O Brasil encerrou sua pior semana da pandemia do novo coronavírus em número de contágios, enquanto os Estados Unidos continuam sofrendo um aumento importante no registro de casos e a China reportava uma recidiva, que as autoridades consideram grave.

Como disse nesta segunda-feira (29) o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, a pandemia "está longe do fim". "Todos queremos que acabe. Todos queremos seguir com nossas vidas. Mas a dura realidade é que estamos longe do fim", acrescentou.

De fato, o número de contágios e óbitos continua aumentando globalmente, com 10.220.356 e 502.947, respectivamente, até as 19h de Brasília desta segunda, conforme contagem da AFP a partir de dados oficiais.

- "Explosão real" -

Os Estados Unidos registraram pelo menos 42.000 infecções por coronavírus nas últimas 24 horas, de acordo com a contagem desta segunda da Universidade Johns Hopkins, quando o país enfrenta um rápido aumento na doença. O número de mortos nos Estados Unidos chegou a 126.131 (355 nas últimas 24 horas), enquanto os contágios totalizam 2.588.582.

E embora a cifra de mortes diárias tenha diminuído sutilmente em junho, os contágios aumentaram em 30 dos 50 estados da União, particularmente nos maiores e mais populosos do sul e do oeste: Califórnia, Texas e Flórida. Além disso, a idade média dos infectados baixou para 33 anos, enquanto há dois meses era de 65 anos. 

A Flórida enfrenta uma "explosão real" da doença entre os jovens, admitiu o governador, Ron DeSantis. Miami e outras cidades decidiram voltar a fechar as praias a partir do próximo fim de semana, devido ao feriado nacional da Independência.

A cidade de Jacksonville, onde os republicanos vão celebrar sua convenção nacional em um evento que o presidente Donald Trump esperava realizar sem distanciamento físico, anunciou o uso obrigatório de máscara a partir desta segunda-feira.

A máscara se tornou um novo ponto de divisão política entre Trump e seus apoiadores republicanos e a oposição democrata.

Em Los Angeles e outros seis condados da Califórnia, as autoridades voltaram a ordenar o fechamento de bares no domingo.

As praias da cidade ficarão fechadas no feriado de 4 de julho, afirmaram autoridades, devido a um aumento dos casos no condado, que passaram dos 100.000 contágios confirmados nesta segunda.

- A pior semana do Brasil -

O Brasil teve sua pior semana na pandemia em números de novos casos, ao registrar 259,105 infecções em sete dias até este domingo (28), alcançando quase 1,35 milhão, segundo cifras do Ministério da Saúde.

Além disso, teve o segundo maior registro de mortes semanais, com 7.005, pouco abaixo do recorde da semana passada, de 7.285.

Nesta segunda, os casos confirmados no país totalizavam 1.368.195, com 24.052 novos contágios contabilizados desde o domingo. Os mortos chegaram a 58.314, com um aumento de 692 óbitos em um dia.

Michael Ryan, diretor-executivo do programa de gestão de emergências sanitárias da OMS, incentivou o Brasil a combater a doença e "unir os esforços federais e estaduais de forma sistemática".

Ele acrescentou que seria "estúpido subestimar a dimensão e a complexidade" da situação do Brasil, que "enfrenta um desafio importante e uma resposta exaustiva é necessária em todos os níveis", embora tenha destacado o histórico do Brasil em sua luta contra as doenças infecciosas.

No domingo, houve manifestações em várias cidades brasileiras e em outros países, como Estocolmo, Londres e Barcelona, contra o presidente Jair Bolsonaro, que tem minimizado o novo coronavírus, ao qual se referiu como uma "gripezinha".

Em Brasília, manifestantes colocaram 1.000 cruzes no gramado em frente ao Congresso para homenagear as vítimas do coronavírus, com um cartaz que dizia: "Bolsonaro, pare de negar!".

- "A vida me escapa" -

O Peru, enquanto isso, porá fim na terça-feira (30) uma quarentena de mais de cem dias, mas vai manter o confinamento obrigatório nas sete regiões mais afetadas pela pandemia.

A quarentena será suspensa em Lima, cidade de 10 milhões de habitantes, onde o coronavírus está na descendente, segundo o governo, apesar de a capital acumular 70% dos casos do país.

Entre estes casos está o da família venezuelana Hernández, com 14 membros, que chegou há dois anos a Lima em busca de uma vida melhor, mas a pandemia pôs em xeque seus sonhos, pois todos se contagiaram com o novo coronavírus, que causou a morte do avô, Wilmer Arcadio Hernández, de 63 anos.

"Acho que a vida me escapa", diz, com dificuldade, à AFP seu filho, Wilmer Ramón Hernández, de 44 anos, deitado em sua cama na casa na zona sul de Lima, ligado a um cilindro de oxigênio, que lhe permite respirar.

- Aceleração na Ásia -

A Ásia também vê uma aceleração dos casos, com a Índia à frente. Lá, nos últimos sete dias foram registrados quase 120.000 casos.

A China, onde a epidemia começou no fim do ano passado, vive uma recidiva. Sem contar Hong Kong e Macau, o país registra um total de 83.512 casos, entre eles 4.634 óbitos.

Em meio a esse novo surto "grave e complexo", segundo as autoridades, o Exército chinês autorizou o uso em suas fileiras de uma vacina contra o novo coronavírus, criada pela Academia Militar de Ciências Médicas e a companhia farmacêutica CanSinoBIO.

No Irã, que com 10.670 mortos é o país mais afetado do Oriente Médio, registrou nesta segunda um recorde de óbitos: 162 nas últimas 24 horas.

O Irã nunca impôs um confinamento obrigatório, embora em março tenha suspenso os eventos públicos e fechado estabelecimentos não essenciais e escolas. A partir de abril, começou a suspender gradativamente as restrições para impulsionar a economia.

As autoridades decretaram no sábado o uso obrigatório da máscara em certos locais públicos.

Enquanto isso, na Europa, que iniciou uma suspensão gradual do confinamento, vários países europeus realizaram eleições neste fim de semana, entre eles a França e a Polônia.

A China adotou nesta terça-feira (30) a polêmica lei de segurança nacional para Hong Kong, considerada pelos críticos uma forma de silenciar a oposição e minar a autonomia do território.

Ignorando os apelos dos países ocidentais, o Parlamento nacional aprovou o texto, um ano depois das grandes manifestações na ex-colônia britânica contra a influência do governo central.

"Isto representa o fim de Hong Kong como era conhecido em todo o mundo. Com poderes ampliados e uma lei mal definida, a cidade se transformará em um #estadodepolíciasecreta", tuitou Joshua Wong, um dos líderes do movimento pró-democracia Hong Kong, cujo partido político Demosisto anunciou a dissolução nesta terça-feira.

"Ao final de várias deliberações internas, decidimos pela dissolução e interromper todas as atividades como grupo dadas as circunstâncias", afirmou o Demosisto no Twitter.

Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertaram para o risco de que a lei possa ser utilizada para calar as vozes críticas a respeito de Pequim, que recorre a leis similares para esmagar a dissidência no continente.

O conteúdo do texto, que foi apresentado no domingo ao comitê permanente do Parlamento Nacional, um instituição vinculada ao Partido Comunista Chinês, é um mistério para os 7,5 milhões de habitantes da cidade.

Em poucas semanas, Pequim vai impor a lei, que contorna o Conselho Legislativo local e provoca o temor da oposição de Hong Kong de um retrocesso inédito das liberdades desde a devolução do território à China em 1997.

"A lei de segurança nacional em Hong Kong foi aprovada oficialmente", celebrou em um comunicado o DAB, principal partido pró-Pequim do território.

Em sua entrevista coletiva semanal de terça-feira, a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam - designada por Pequim - evitou fazer comentários sobre o teor da lei.

"O fato de a população Hong Kong só saber o que afirma a lei depois do fato é mais que absurdo", declarou à AFP Claudia Mo, deputada de oposição.

Com esta lei, o governo central pretende garantir a estabilidade, acabar com o vandalismo que foi registrado nas manifestações de 2019 na cidade e reprimir o movimento pró-independência.

- Mudança radical -

O compromisso alcançado entre Reino Unido e China para a devolução de Hong Kong em 1997 foi o de que a ex-colônia prosseguiria com certas liberdades, assim como com autonomia legislativa e judicial, durante 50 anos, no que foi denominado "um país, dois sistemas".

Os moradores de Hong Kong têm liberdade de expressão, liberdade de imprensa, uma justiça independente e um sistema capitalista.

A fórmula foi o pilar da transformação da cidade em uma plataforma financeira mundial, ancorada em sua segurança jurídica e nas liberdades políticas que não existem no continente.

A agência de notícias estatal Xinhua resumiu recentemente a lei, afirmando que o texto prevê reprimir o "separatismo, o terrorismo, a subversão e o conluio com forças externas e estrangeiras".

Na mira de Pequim estão os partidários da independência e inclusive alguns países estrangeiros, em particular os Estados Unidos, acusados de apoiar os manifestantes.

Além disso, um "órgão de segurança nacional", vinculado ao governo central, deve ser criado em Hong Kong para atuar especialmente no serviço de inteligência.

"É uma mudança fundamental que abala a confiança da comunidade, tanto local como internacional, a respeito do modelo de Hong Kong", disse à AFP o analista político Dixon Sing.

- Represálias -

Mas a região está dirigida por um governo local cujos membros estão sistematicamente subordinados a Pequim, devido a um processo de seleção que afasta as figuras da oposição.

A UE criticou a adoção da lei. "Lamentamos esta decisão. A lei pode afetar gravemente o elevado nível de autonomia de Hong Kong e ter um efeito prejudicial sobre a independência do Poder Judiciário e o Estado de direito", declarou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

O G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) já havia criticado o projeto.

Por considerar que a lei seria aprovada e por expressar oposição veemente a Pequim sobre a questão de Hong Kong, Washington anunciou na segunda-feira o fim das vendas de equipamentos sensíveis de defesa a Hong Kong para evitar que passem ao exército chinês.

A China reagiu nesta terça-feira e anunciou que adotará "represálias" pela decisão do governo americano.

"Estados Unidos nunca conseguirão obstruir os esforços da China para faze avançar a legislação de Hong Kong em termos de segurança nacional", afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa, Zhao Lijian.

Washington já havia anunciado na sexta-feira restrições de visto para funcionários chineses acusados de "questionar" a autonomia do território. Pequim respondeu na segunda-feira com uma medida similar contra os cidadãos americanos que criticaram a lei.

A partir de agora parece difícil que os cidadãos de Hong Kong possam organizar grandes manifestações, já que as autoridades da ex-colônia proíbem as reuniões com mais de 50 pessoas devido à epidemia de Covid-19.

A China informou nesta segunda-feira (29) que adotará restrições de vistos a cidadãos americanos que se "comportaram de maneira ofensiva" a respeito a Hong Kong, uma medida anunciada antes da aguardada aprovação pelos legisladores chineses de uma polêmica lei nacional de segurança para a ex-colônia britânica.

"A China decidiu impor restrições de vistos a indivíduos americanos que se comportaram de maneira ofensiva em assuntos que envolvem Hong Kong", afirmou o ministério das Relações Exteriores.

Na sexta-feira (26), a administração do presidente americano Donald Trump anunciou que restringiria os vistos para um número não determinado de autoridades chineses por infringir a autonomia de Hong Kong.

Após as gigantescas manifestações do ano passado contra a influência de Pequim, o regime do presidente Xi Jinping anunciou no mês passado uma lei de segurança nacional em Hong Kong, mas a oposição democrática da ex-colônia considera a medida uma ferramenta para reduzir o movimento ao silêncio.

Sob o princípio "um país, dois sistemas", Hong Kong se beneficia desde seu retorno à soberania chinesa em 1997 de uma ampla autonomia, liberdade de expressão e justiça independente.

Mas a região semiautônoma é governada por um Executivo que tem integrantes vinculados a Pequim.

O grupo farmacêutico chinês China National Biotec Group (CNBG) informou, neste domingo (28), que uma vacina contra o novo coronavírus em desenvolvimento pela empresa se mostrou capaz de imunizar todas as pessoas que receberam as doses. Participaram desta etapa 1.120 indivíduos, sendo que todos produziram anticorpos contra o vírus causador da Covid-19.

"Com referência a produtos similares no passado, combinados com dados humanos existentes, sugere-se inicialmente que a nova vacina desenvolvida seja segura e eficaz", diz o texto publicado pela CNBG na rede social chinesa WeChat.

##RECOMENDA##

Na nota, o grupo também disse ter construído uma fábrica em Pequim com capacidade de produzir até 120 milhões de unidades da vacina a cada ano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou de evento com autoridades de segurança fronteiriça no Estado do Arizona. Durante reunião com elas, Trump voltou a criticar o governo de Pequim por causa da pandemia, descrevendo a covid-19 como "um presente vindo da China", além de argumentar que o muro na fronteira com o México ajuda a conter a disseminação da doença.

Trump realizou o evento para marcar a construção da 200ª milha do novo muro fronteiriço. De olho na campanha, aproveitou a ocasião para fazer críticas aos democratas, considerando-os fracos na segurança fronteiriça. "Os democratas fizeram de tudo para bloquear o muro", disse.

##RECOMENDA##

Segundo Trump, agora os EUA não enfrenta mais o problema das "caravanas de imigrantes" vindos da América Central, já que "eles sabem que não conseguem entrar mais" no país.

A China vem intensificando o controle sanitário sobre a importação de carnes em meio à segunda onda de contaminação do novo coronavírus no continente asiático. No domingo (21) o país suspendeu a importação de frango de uma unidade da americana Tyson Foods. Segundo o departamento, a medida se deve à confirmação de casos do novo coronavírus entre os funcionários da unidade.

A suspensão de importações da Tyson vem na esteira de uma série de outras medidas mais rigorosas adotadas após um novo surto de Covid-19. Os voos de e para Pequim foram cancelados, restrições também foram impostas para entrada da cidade.

##RECOMENDA##

Em meio às novas medidas, na semana passada autoridades chinesas testaram carne e frutos do mar importados em busca de traços do vírus, depois que o novo surto foi associado a um grande mercado de Pequim com produtos importados.

No último dia 18, a China suspendeu as importações de uma empresa de suínos da Alemanha depois que autoridades alemãs confirmaram uma infecção pelo novo coronavírus naquela empresa, segundo o Conselho de Estado da China.

Na unidade da Tyson Foods no Estado americano do Arkansas, que teve as importações suspensas, 481 funcionários testaram positivo para a doença - o que corresponde a 13% do quadro de colaboradores. "Na Tyson, estamos confiantes de que nossos produtos são seguros e esperamos que as consultas entre os governos dos EUA e da China resolvam esse problema", disse um porta-voz.

Apesar da política sanitária mais restritiva para importação de proteínas, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e a Administração de Alimentos e Medicamentos disseram que não há evidências de que a Covid-19 seja uma doença transmitida por alimentos.

Brasil

Para Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, a medida chinesa é pontual e não deve prejudicar o Brasil. Caso o país detecte algum frigorífico brasileiro com problema, afirma Barral, restrições deverão ser aplicadas apenas à planta que registrou contaminações.

A China teria dificuldades de impor uma medida mais ampla contra a carne do Brasil dada sua dependência do mercado brasileiro. Hoje o País é o maior exportador do produto para Pequim, seguido pelos Estados Unidos e pela Austrália

Em comunicado, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa gigantes exportadoras como JBS e BRF, afirmou que, conforme já declarou a OMS, não há risco de contaminação de alimentos pela Covid-19. A entidade destaca ainda que o setor segue protocolo de segurança validado pelo Hospital Albert Einstein em suas fábricas. A ABPA diz acompanhar a situação e estar em contato com o governo para reafirmar a segurança dos alimentos produzidos no Brasil. (fonte: DOW JONES NEWSWIRES)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A China tem sido invadida por campanhas que prezam pelo bem-estar animal no país conhecido por consumir qualquer "bicho". Mas mesmo assim, nesta segunda-feira (22), o Festival Chinês de carne de cachorro foi aberto e entrou na mira de ativistas e do próprio governo. 

São 10 dias de evento que normalmente atrai milhões de pessoas. Mas a tradição pode ter seus dias contados. Ativistas já anunciaram que o número de visitas a esse tipo de celebração tem diminuído e prometem continuar agindo. 

##RECOMENDA##

O governo chinês é o mais novo aliado na causa e planeja a criação de leis para proibir a venda e o consumo de animais domésticos e selvagens. A expectativa dos ativistas é que esse seja o último ano do festival.

Não bastasse a recessão e o freio no comércio internacional, a pandemia da covid-19 ainda elevou as tensões entre Estados Unidos e China, criando uma fonte de incerteza adicional que pode travar os investimentos globais nos próximos meses e respingar no Brasil.

Uma trégua entre as duas potências havia sido iniciada em dezembro, quando foi anunciada a primeira fase de um acordo que poderia colocar fim à guerra comercial, mas o coronavírus desestabilizou o cenário econômico global e eleitoral americano, reacendendo as faíscas entre Washington e Pequim.

##RECOMENDA##

Além de uma desaceleração extra no comércio global - já haverá um primeiro freio brusco desencadeado pela pandemia -, o embate entre os países poderá resultar em um crescimento mais fraco da China nos próximos anos, o que seria negativo para o Brasil no longo prazo, dizem economistas.

Nesta segunda, 22, o mercado chinês é o maior importador de produtos brasileiros, tendo sido responsável pela compra de 39% do total exportado pelo País de janeiro a maio.

"Se os EUA começarem a interferir no que a China está fazendo, a China pode desacelerar de forma geral, o que seria muito ruim para o Brasil. A demanda da China depende de quão rápido ela pode crescer", diz o economista-chefe do banco MUFG (antigo Banco de Tokyo) na Ásia, Cliff Tan.

Para Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos EUA, a situação entre EUA e China é "muito tensa e vai piorar". "A relação ficou mais complicada por causa das eleições americanas, depois veio a crise em Hong Kong e o coronavírus. Donald Trump está fazendo da campanha contra a China sua principal plataforma. Joe Biden (candidato democrata à presidência americana) vai fazer a mesma coisa, já que a China é uma ameaça à supremacia dos EUA. Haverá efeito comercial e político nos próximos anos", diz.

Na última sexta-feira, 19, a notícia de que o governo chinês aceleraria compras de bens agrícolas dos EUA animou o mercado. Tudo indica, no entanto, que essa decisão de Pequim não amenizará a tensão, que está longe do fim. No mesmo dia, o secretário de segurança americano, Mike Pompeo, voltou a culpar a China pela pandemia, com a alegação de que o país escondeu a real situação do coronavírus.

De acordo com o economista Guilherme Martins, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, a escalada do tom de Washington no último mês é "preocupante". "Achávamos que o acordo entre os países era temporário e que as tensões poderiam voltar nos próximos anos, mas isso aconteceu antes do esperado."

Segundo cálculos do Itaú, a guerra comercial já retirou, entre 2018 e 2019, de 0,5% a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) global. O embate comercial foi, portanto, um dos responsáveis pela desaceleração da economia mundial de 3,6% em 2018 para 2,9% no ano passado.

Apesar de os países não terem rompido com a fase um do acordo, a troca de farpas entre Washington e Pequim preocupa por aumentar a imprevisibilidade econômica, segundo Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento.

"O comércio exterior cresce quando se tem previsibilidade. O risco de uma nova guerra comercial é precificado no valor do seguro, do frete, da venda. A tensão entre os países é um fator de instabilidade super indesejado no momento em que já há redução do comércio", diz Barral.

Cliff Tan destaca que será difícil observar o impacto da crise EUA-China nos indicadores econômicos. Isso porque a reabertura das economias após o período mais crítico da pandemia resultará em aquecimento da atividade global. "Qualquer impacto adicional de protecionismo no crescimento global será difícil de ver nos dados, porque as coisas vão começar a parecer melhores. Isso não terá a ver com o que Trump estará fazendo no front protecionista."

Tarifas

Economistas, porém, não acreditam que Trump deva elevar agora as tarifas de importação dos EUA sobre produtos chineses, dado que uma medida dessas teria impacto negativo nas Bolsas americanas e nos preços de importados. Essas consequências poderiam prejudicar a imagem do presidente às vésperas da eleição.

"No pós-eleição, a questão é outra. A agenda de conflito com a China é suprapartidária. Hoje já vemos os democratas assumindo posturas mais fortes em relação ao país", diz João Scandiuzzi, estrategista-chefe do BTG Pactual Wealth Management.

Se, após a eleição americana, os países romperem a fase um do acordo, o impacto na economia global será grande, pois uma nova crise surgiria sem que o mundo tenha se recuperado da pandemia, afirma Scandiuzzi. "Reintroduzir essa incerteza tem potencial para voltar a desacelerar a economia global. Seria bastante indesejável."

Mercado financeiro mundial pode sofrer modificações

A crise entre Estados Unidos e China também deve mudar de forma importante o mercado financeiro global. De acordo com o estrategista-chefe do BTG Pactual Wealth Management, João Scandiuzzi, o mercado chinês pode se fortalecer caso os EUA sigam adiante com a proposta de obrigar empresas estrangeiras listadas em Bolsas americanas a serem auditadas internamente.

A medida já foi aprovada no Senado, mas precisa passar pelos deputados e pelo presidente Donald Trump. O problema é que Pequim proíbe estrangeiros de auditarem companhias chinesas. Isso pode fazer com que empresas chinesas tenham de transferir a negociação de suas ações para o mercado doméstico. "A desintegração financeira dos dois países pode revigorar o mercado chinês e sua hegemonia na Ásia", diz Scandiuzzi.

O superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, Guilherme Martins, no entanto, acredita que o centro financeiro chinês pode se espalhar, com Hong Kong dividindo as atenções com Xangai e Cingapura. Isso porque, no fim de maio, os EUA afirmaram que vão retirar o status de comércio preferencial de Hong Kong, que garante à região administrativa especial chinesa benefícios comerciais, de investimentos e tributários.

"Com o status, Hong Kong fazia a intermediação entre a Ásia e o resto do mundo. Essa mudança no status prejudicaria todo o fluxo financeiro na região. Mas isso deve ser um processo lento", acrescenta Martins.

Em meio ao embate entre os países, além da alteração no status de Hong Kong, os EUA deverão criar algumas sanções contra oficiais chineses, proibindo, por exemplo, o acesso deles ao sistema financeiro internacional, diz o economista-chefe do banco MUFG (antigo Banco de Tokyo) na Ásia, Cliff Tan.

"Talvez possam retirar a habilitação de instituições financeiras chinesas para fazerem negócios e operarem nos EUA", diz Cliff Tan. Por enquanto, Trump já vem exortando fundos de pensão americanos a não investirem em papéis chineses.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, aproveitou a participação em um fórum virtual sobre democracia, na Dinamarca, para voltar a tecer duras críticas à China e alertar Pequim sobre o poderio militar americano. "Acreditamos que é uma responsabilidade real garantir que tenhamos a capacidade de desafiar qualquer ameaça militar que o Partido Comunista da China venha a impor aos EUA", disse.

Pompeo reiterou a alegação de que os chineses esconderam a gravidade do coronavírus e pressionaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) a ajudá-los nos esforços para acobertar a real situação da doença. "Ainda não temos todas as informações sobre a covid-19", afirmou.

##RECOMENDA##

O americano também advertiu a Europa para o risco de se aproximar do país asiático. Segundo ele, a China está determinada em criar rixas entre os EUA e a União Europeia e também com países em desenvolvimento. Na visão dele, depender dos chineses pode significar abandonar "quem nós somos". "Democracias dependentes de autoritários não são dignas desse nome", pontuou

Pompeo argumentou que todos os investimentos vindos da segunda maior economia do planeta devem ser vistos com suspeição e destacou que o governo de Donald Trump está engajado em uma resposta agressiva aos chineses. "Estamos avaliando os mecanismos para responsabilizar a China", ressaltou.

Sobre Hong Kong, o secretário de Estado disse que os EUA passarão a tratar o território da mesma maneira que Pequim, após a imposição da lei de segurança nacional na cidade.

Ele acrescentou que vai "monitorar de perto" as eleições legislativas no território marcadas para setembro. Além disso, defendeu que Taiwan participe da próxima Assembleia Mundial da Saúde, nem que seja como observador.

O presidente Donald Trump advertiu na quinta-feira (18) que os Estados Unidos têm a opção de "cortar todas as pontes" com a China, em um momento de grande tensão entre as duas potências.

"É claro que os Estados Unidos mantêm uma opção política, sob várias condições, de cortar todas as pontes com a China", escreveu no Twitter o presidente americano.

Trump disse que respondeu às declarações de seu representante comercial (USTR), Robert Lighthizer, que lidera as negociações comerciais com Pequim. Na quarta-feira (17) Lightizer disse que a China estava cumprindo os termos de um acordo que aliviou a disputa e que agora era impossível "dissociar os dois gigantes econômicos.

"Essa foi uma opção política de anos atrás, mas não acho que seja uma opção política razoável no momento", disse Lighthizer.

O presidente tentou minimizar as declarações do representante comercial. "Não foi culpa do embaixador Lightizer, talvez eu não tenha sido bastante claro".

Nesta sexta-feira, o porta-voz da diplomacia chinesa, Zhao Lijian, afirmou que "não é sábio nem realista" uma ruptura entre as duas maiores potências econômicas do planeta.

"Isto não ajudará a resolver os problemas dos Estados Unidos e apenas provocará problemas aos americanos", disse.

Em janeiro, Trump assinou a primeira fase de um acordo comercial com o objetivo de encerrar uma guerra comercial em que impôs tarifas sobre produtos chineses equivalentes a bilhões de dólares.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, declarou que um alto funcionário chinês também confirmou para ele o compromisso de Pequim com a primeira fase, que envolve a China intensificando as compras de produtos americanos.

Na quarta-feira, Pompeo se reuniu no Havaí com Yang Jiechi, um veterano formulador de política externa chinesa, para discutir as crescentes tensões entre as duas potências.

O diplomata David Stilwell, que acompanhou Pompeo, afirmou que os Estados Unidos insistiram em um relacionamento "mais recíproco", mas se recusou a divulgar os detalhes das discussões.

"Independentemente de terem sido produtivas ou não, analisarei o que acontece nas próximas semanas. Você verá uma redução no comportamento agressivo ou não", disse Stilwell para a imprensa.

"Se eles chegarem à mesa com uma proposta razoável, os Estados Unidos obviamente a tratarão razoavelmente e procurarão maneiras de trabalhar em busca de um resultado positivo".

Páginas

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando