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Os advogados de Ronnie Lessa e Elcio Viana, suspeitos do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, negaram hoje (12) o envolvimento de seus clientes no caso. Logo após a prisão, Lessa e Viana receberam a visita dos advogados, na Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ambos os suspeitos estão na delegacia, mas se recusaram a prestar depoimento, de acordo com informações divulgadas por policiais no início desta tarde. 

“O Elcio não estava nem nesse dia. Eu tenho certeza de que não tem foto dele no carro e muito menos gravação dele nesse dia lá. E tenho certeza de que a vítima que sobreviveu não vai reconhecer o meu cliente”, disse Luís Carlos Azenha, advogado do ex-policial militar.

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Viana foi expulso da corporação após ser preso na Operação Guilhotina, que investigou policiais civis e militares acusados de corrupção e de manter ligações com traficantes. “Ele não foi condenado na Operação Guilhtiona. Ele estava pleiteando o seu reingresso na PM”, contestou Azenha.

Informações

O advogado de Lessa, Fernando Santana, disse que só conversou com seu cliente rapidamente depois da prisão e que ele nega a participação no crime. “Ele nega de forma veemente que tenha feito qualquer tipo de assassinato. Ainda vou ter acesso ao inquérito, não tive oportunidade de ter. Primeiro estava em segredo de justiça, agora que nos peticionamos, eu e minha equipe, pra poder ter ideia de como chegou à prisão do Ronie Lessa”.

Durante toda a manhã, carros carregados de documentos chegavam à delegacia da Barra da Tijuca. Frutos da execução de 34 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

Pela manhã, houve a informação que Lessa e Viana teriam prestado depoimento. Mas, no começo da tarde, policiais disseram que eles se negaram a prestar esclarecimentos.  

Prisão

Os suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e o motorista Anderson Gomes, em 14 de março do ano passado, foram presos na madcrugada de hoje em operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ronie Lessa é policial militar reformado e Elcio Vieira de Queiroz foi expulso da Polícia Militar.

Preso na manhã desta terça-feira, 12, acusado de dirigir o carro onde estavam os assassinos da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz é filiado ao DEM no Rio de Janeiro. Com inscrição registrada em julho de 2011 e ainda ativa, Élcio Queiroz vota na zona eleitoral 214, no Meier, zona norte da cidade, próximo ao local onde mora e foi preso.

O presidente do partido no Estado é o vereador e ex-prefeito Cesar Maia, uma das figuras mais importantes da política fluminense nas últimas décadas. Ele é pai do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, também do DEM-RJ. A reportagem entrou em contato com a legenda e aguarda o retorno.

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Já o preso acusado de disparar contra a vereadora, Ronnie Lessa, foi filiado ao MDB de 1999 até 2010. Sua filiação se deu menos de um ano depois de ter sido homenageado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) pelo falecido deputado estadual emedebista Pedro Fernandes Filho, quadro histórico do partido no Estado.

A homenagem, protocolada em 23 de novembro de 1998, foi justificada por Fernandes pelo modo como Lessa e outros 17 policiais do 9º Batalhão de Polícia Militar, em Irajá, haviam conduzido uma operação.

"Sem nenhum constrangimento posso afirmar que o referido militar é digno desta homenagem por honrar, permanentemente, com suas posturas, atitudes e desempenho profissional, a sua condição humana e de militar discreto mas eficaz. Constituindo-se, deste modo, em brilhante exemplo àqueles com quem convive e com àqueles que passam a conhecê-lo", diz a homenagem.

Entenda o caso

Ronie Lessa, policial militar reformado, e Elcio Vieira de Queiroz, expulso da Polícia Militar, foram denunciados por homicídio qualificado da vereadora e do motorista e por tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, uma das assessoras de Marielle que também estava no carro emboscado.

Lessa mora no mesmo condomínio em que o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa, na Barra da Tijuca, Zon oeste no Rio. Nas redes sociais, Queiroz é simpatizante do presidente Bolsonaro. Ele curte as páginas oficiais do PSL Carioca, de Flávio Bolsonaro e de Eduardo Bolsonaro.

A prisão é resultado de uma operação conjunta do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), disse que os suspeitos presos nesta terça-feira, 12, no caso Marielle "poderão pensar na delação premiada" para que a investigação chegue aos mandantes do crime. Ele reuniu autoridades da Polícia Civil e os delegados responsáveis pelo inquérito para apresentar o resultado do que classificou como primeira fase da apuração. Uma segunda fase seria a responsável a chegar a outros envolvidos nos assassinatos.

Witzel comemorou a "resposta dada à sociedade". O delegado Giniton Lages, responsável pelo inquérito, detalhou que a investigação ouviu 230 testemunhas, interceptou 318 linhas telefônicas e chegou a um intricado rastro de vestígios deixados pelos suspeitos. "Foi uma execução sofisticada e que não teve erro por parte dos criminosos. Eles não desceram do carro em nenhum momento, não fizeram ligação, não deram oportunidade para que a investigação chegasse até eles", disse Lages.

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Ronie Lessa, policial militar reformado, e Elcio Vieira de Queiroz, expulso da Polícia Militar, foram denunciados por homicídio qualificado e por tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, uma das assessoras de Marielle que também estava no carro emboscada. A prisão é resultado de uma operação conjunta do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, espera que as prisões dos acusados de ter assassinado a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, bem como o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos, sejam “mais um passo para a elucidação completa deste grave crime e para que todos os responsáveis sejam levados à Justiça”.

Por meio da conta oficial do ministério no Twitter, Moro destacou nesta terça-feira (12) que a Polícia Federal (PF) tem contribuído com as investigações, a cargo da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro. O ministro garantiu que a PF continuará colaborando com todos os recursos necessários à continuidade das investigações, incluindo as já instauradas, para apurar supostas tentativas de obstruir o avanço do trabalho policial.

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Em uma operação conjunta, o Ministério Público e a Polícia Civil do Rio de Janeiro prenderam esta madrugada dois suspeitos de matar a vereadora e o motorista, em 14 de março de 2018. Os dois presos têm vínculos com a Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Um dos presos, Ronie Lessa, é policial militar reformado, tendo se aposentado depois de ser vítima de um atentado a bomba que resultou na amputação de uma de suas pernas. A suspeita é de que o atentado tenha sido motivado por uma briga entre facções criminosas.

O outro é o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, expulso da corporação depois de ter sido preso na Operação Guilhotina, deflagrada pela PF em 2011, para apurar o envolvimento de policiais militares com traficantes de drogas e com grupos milicianos. Na época, Queiroz era lotado no Batalhão de Olaria (16º BPM).

Lessa e Queiroz são os primeiros investigados a serem formalmente denunciados e presos pelo crime. Segundo o Ministério Público, os dois foram denunciados depois das análises de diversas provas obtidas ao longo de quase um ano de investigações. Ainda segundo o MP, Lessa é o autor dos disparos que atingiram Marielle e Anderson Franco. Já Elcio dirigia o veículo usado na execução.

De acordo com o MP, o crime foi planejado nos três meses que antecederam os assassinatos.

Operação

Além dos mandados de prisão, a Operação Lume cumpre mandados de busca e apreensão em endereços dos dois suspeitos, para apreender documentos, telefones celulares, computadores, armas e acessórios.

Na denúncia apresentada à Justiça, o MP também pediu a suspensão da remuneração e do porte de arma de fogo de Lessa, a indenização por danos morais aos familiares das vítimas e a fixação de pensão em favor do filho menor de Anderson até completar 24 anos de idade.

Segundo nota do MP, o nome da operação é uma referência a uma praça no centro da cidade do Rio de Janeiro, conhecida como Buraco do Lume, onde Marielle desenvolvia um projeto chamado Lume Feminista. No local, ela também costumava se reunir com outros defensores dos direitos humanos e integrantes do seu partido, o PSOL.

“Além de significar qualquer tipo de luz ou claridade, a palavra lume compõe a expressão 'trazer a lume', que significa trazer ao conhecimento público, vir à luz”, informa a nota.

Mesmo com a prisão nesta terça-feira (12) de dois suspeitos de matar Marielle Franco, a viúva a vereadora, Mônica Benício, ressaltou que ainda é preciso saber quem é o mandante e qual é a motivação do crime.

“A gente tem que pensar que o mais importante que prender mercenários é responder a questão mais urgente e necessária de todas, que é quem mandou matar a Marielle e qual foi a motivação para o crime. Espero não ter que aguardar mais um ano para ter essa resposta”, disse a viúva.

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Segundo ela, a elucidação do crime e a condenação de todos os envolvidos é um dever do Estado para “todos os que sofrem a perda da Marielle e também à própria democracia”.

O policial reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Queiroz foram presos na manhã de hoje depois de terem sido denunciados pelo Ministério Público pelos assassinatos de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.

Ronnie é acusado de ter feito os disparos que atingiram Marielle e Anderson, enquanto Élcio é apontado como o motorista do carro que levava Ronnie. A Polícia Civil ainda não divulgou, portanto, quem é o mandante dos crimes.

Ronnie foi aposentado depois de um atentado a bomba contra ele, que resultou na amputação de uma de suas pernas e que teria sido provocado por uma briga entre facções criminosas.

Élcio Queiroz chegou a ser preso em 2011 na Operação Guilhotina, da Polícia Federal, que apurou o envolvimento de policiais militares com traficantes de drogas e com grupos milicianos. Na época, Queiroz era lotado no Batalhão de Olaria (16º BPM).

Manifestações

A organização não governamental Anistia Internacional divulgou comunicado à imprensa em que ressalta a importância de haver um grupo independente de especialistas para acompanhar o restante das investigações e o processo.

“A organização reitera que ainda há muitas perguntas não respondidas e que as investigações devem continuar até que os autores e os mandantes do assassinato sejam levados à justiça”, diz a nota.

Usuários do Twitter compartilham nas redes sociais uma foto postada por um perfil atribuído ao ex-PM Elcio de Vieira Queiroz, um dos presos nesta terça-feira (12), pela polícia por supostamente ter participado do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), abraçado ao presidente Jair Bolsonaro.

Queiroz, de 46 anos, teria postado a imagem em que aparece lado a lado com o Bolsonaro no último dia 4 de outubro, às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial. A  imagem, contudo, corta parte do rosto do presidente. Dias antes, em 25 de setembro, o mesmo perfil postou uma gravação de um show de Paulo Ricardo com a legenda "Homenagem de Paulo Ricardo (RPM) ao Capitão Bolsonaro!"

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Na foto que serve de mural ao perfil atribuído a Queiroz no Facebook está um texto que critica a atuação de "especialistas em segurança pública". "Devemos desmascarar a impropriedade desses comentaristas autodeclarados" especialistas em segurança pública", sempre à espreita de escândalos e crises, como urubus a procura de coisa pútrida", diz um trecho do comentário inscrito na foto.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu que o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso acolha pedido cautelar da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais- ABLGT para que travestis e mulheres transexuais sejam imediatamente transferidos a prisões femininas, caso optem.

Em parecer, a PGR destacou ser 'patente' a violação constitucional e dos direitos humanos manter as pessoas em estabelecimentos prisionais que não condizem com suas identidades de gênero. Raquel ainda ressaltou ser um 'risco à incolumidade física e moral' de quem estiver nesta situação. O parecer foi enviado à Suprema Corte nesta quinta, (21).

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Em seu pedido, a entidade sustentou que decisões que mantém essas pessoas em presídios masculinos ferem resolução conjunta do da Presidência da República e do Conselho de Combate à Discriminação, de abril de 2014. A artigo 3 da resolução determina que 'às travestis e aos gays privados de liberdade em unidades prisionais masculinas, considerando a sua segurança e especial vulnerabilidade, deverão ser oferecidos espaços de vivência específicos'. Já o artigo 4 prevê que 'as pessoas transexuais masculinas e femininas devem ser encaminhadas para as unidades prisionais femininas.

A Associação requer ainda 'que as custodiadas travestis, identificadas socialmente com o gênero feminino, possam optar por cumprir pena em estabelecimento prisional do gênero feminino ou masculino'. E argumenta que 'as custodiadas travestis e transexuais que estão em estabelecimentos prisionais incompatíveis com o gênero feminino encontram-se em situação desconforme à dignidade humana e em condição degradante, o que afetaria sua condição de saúde'.

Ao receber a ação, o ministro Luís Roberto Barroso determinou a intimação do Conselho Nacional de Justiça. Em parecer, a advocacia-geral da União se manifestou pelo não conhecimento da ação e por seu indeferimento. Raquel discordou do parecer.

Jurisprudência

A procuradora-geral da República cita que o plenário Supremo Tribunal Federal já decidiu, em março de 2018, que seja reconhecido 'aos transgêneros que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da realização de tratamentos hormonais ou patologizantes, o direito à substituição de prenome e sexo diretamente no registro civil'. Na ocasião, todos os ministros da Corte reconheceram o direito, e a maioria entendeu que, para a alteração, não é necessária autorização judicial.

Ainda acrescentou que o próprio ministro Barroso, em 2014, 'concedeu ordem de habeas corpus de ofício para determinar ao Juízo da Comarca de Tupã/SP a colocação de pacientes transgênero, que se encontravam em penitenciária masculina, em estabelecimento prisional compatível com as respectivas orientações sexuais'.

"Imperioso, então, concluir que o reconhecimento legal da identidade de gênero de uma pessoa independe de alteração no registro civil, de travestimento, da conclusão de processo transexualizador ou de que ele/ela seja inconfundível com alguém do sexo oposto ao seu sexo biológico. Basta, para tanto, que a pessoa, por não desejar ser identificada e socialmente reconhecida pelo seu sexo biológico - ou seja, por uma questão de identidade -, apresente-se como do sexo oposto", diz Raquel.

A procuradora-geral, no entanto, pondera não ser 'demais exigir que haja um mínimo de exteriorização dessa vontade de se identificar como do sexo oposto'. "Isto é: não é razoável presumir o dano praticado em relação àquele que não apresente processo mínimo de transformação de gênero que permita perceber essa vontade de identificação individual e social".

"O direito ao reconhecimento, portanto, deve afirmar-se como um direito, em primeiro lugar, e precisará traduzir-se em esforços públicos - estatais e não-estatais - que retirem, ou, ao menos, minimizem, as consequências jurídicas de um estigma social sofrido pelo indivíduo estigmatizado",argumenta.

Raquel ressalta que 'impedir a alocação em presídios femininos de transexuais do gênero feminino, e de travestis identificadas socialmente com o gênero feminino, equivale a negar-lhes, individual e socialmente, a identidade feminina'.

Segurança e Saúde

A procuradora-geral afirma que a 'desarmonia psicossocial que a entrada de alguém com aparência de mulher em um presídio masculino causa à sua identidade pessoal é inegável, e dispensa maiores considerações'. "Note-se que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Todos os direitos humanos são universais, interdependentes, indivisíveis e inter-relacionados. A "orientação sexual" e a "identidade gênero" são essenciais para a dignidade e humanidade de cada pessoa e não devem ser motivo de discriminação ou abuso"

"Outro direito fundamental diretamente ligado ao caso é o direito à segurança, uma vez que obrigar transexuais femininas e travestis a permanecerem custodiadas em estabelecimento prisional destinado a sexo diverso daquele com o qual se identificam pode colocá-las não apenas em situação de constrangimento e, por isto, atentatória à sua dignidade, mas também de efetivo risco à sua incolumidade física e moral, violando-se o seu direito à segurança pessoal", escreve.

A procuradora-geral afirma que 'são de conhecimento público os episódios de violência física, moral e sexual sofridos por transmulheres em presídios masculinos, como também é evidente o prejuízo à saúde dessas pessoas daí decorrente'.

Decisões

A procuradora-geral afirma que 'razões como a ausência de cirurgia de transgenitalização e o risco à integridade física e sexual de mulheres cisgênero têm sido usadas para justificar a negativa de alocação de travestis e de mulheres transexuais em presídios femininos, em afronta ao entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal e pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, no sentido da impossibilidade de condicionar-se o reconhecimento da identidade transgênero a fatores objetivos externos à subjetividade da pessoa trans, bem como da vedação de tratamento discriminatório baseado na identidade de gênero'.

"É patente, assim, a existência de quadro de violação inconstitucional e inconvencional de direitos humanos das mulheres transexuais e de travestis mantidas em estabelecimentos prisionais incompatíveis com sua identidade de gênero", sustenta.

Ainda afirma que os 'argumentos relativos à suposta lesão à dignidade humana, e ao risco à integridade física e à liberdade sexual de mulheres cisgênero que tenham de dividir estabelecimento prisional com travestis e mulheres transexuais, não são aptos a afastar as conclusões aqui manifestadas, quer porque partem, eles próprios, de injustificável tratamento discriminatório entre pessoas transgênero e pessoas cisgênero, quer porque se apoiam em premissas meramente hipotéticas, que não podem prevalecer sobre os dados concretos acerca da violência física, sexual, moral e emocional a que são submetidas as travestis e mulheres transexuais mantidas em estabelecimentos prisionais incompatíveis com sua identidade de gênero'.

A Polícia Federal em Pernambuco divulga, na manhã desta terça-feira (19), detalhes da Operação Fantoche, que  objetiva desarticular uma organização criminosa voltada a prática de crimes contra administração pública, fraudes licitatórias, associação criminosa e lavagem de ativos envolvendo contratos com o Ministério do Turismo e entidades do Sistema S - que envolve Sesc, Senac e Senai.

Foram expedidos 10 mandados de prisão temporária. Desses, sete são em Pernambuco. Dentre os presos pernambucanos está o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger, que foi detido em Brasília. Já dos nomes nacionais, destaca-se o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, também preso na capital federal.

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Os presos no Recife vão ser ouvidos na PF e depois encaminhados ao Centro de Observação e Triagem Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife (RMR). Dentro da operação, foram expedidos ainda 47 mandados de busca e apreensão sendo 29 em Pernambuco. 

Quatro empresas e um instituto são investigados pela operação da PF: Ateliê Produções Artísticas, Somar Intermediações, Idea Locação de Estruturas e Iluminação, a Aliança Comunicação e Cultura, além do Instituto Origami. Todas com sede no Recife.

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Investigação

Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta que este grupo de empresas, sob a tutela de uma mesma família, teria criado empresas de fachada para, por meio de convênios fraudulentos, desviar verbas. A apuração inicial aponta que o grupo já recebeu R$ 400 milhões decorrentes desses contratos.

“A investigação começou há alguns anos, a partir de uma empresa que estava recebendo grande parte de recursos para eventos culturais. Percebeu-se que esses valores estavam superfaturados e que foram criadas empresas de fachada. Conseguimos identificar também que o dinheiro não era destinado totalmente a essas produções culturais", detalhou o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Renato Madsen.

"Queremos investigar até que ponto esse esquema partiu do sistema S daqui e reverberou em outros Estados", acrescentou.

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O que dizem os investigados

O LeiaJá entrou em contato com a Fiepe, que afirmou, por meio da assessoria, que "o presidente, Ricardo Essinger, está prestando esclarecimentos na Polícia Federal. Todos os processos atendem, criteriosamente, às exigências licitatórias previstas em lei e a equipe técnica da entidade está à disposição para contribuir com a documentação que for solicitada pelos responsáveis pela investigação".

O sistema S, por sua vez, negou que esteja envolvido em qualquer esquema de corrupção. "O Sistema Fecomércio/Senac/Sesc em Pernambuco esclarece à opinião pública que nenhuma de nossas instituições está envolvida na Operação Fantoche, da Polícia Federal, que investiga um esquema de corrupção por meio de convênios com o Ministério do Turismo e algumas entidades do Sistema S. Vale lembrar que o Sistema S é composto por nove instituições corporativas voltadas ao treinamento profissional, pesquisa e assistência técnica e social. O Sistema Fecomércio/Senac/Sesc-PE reafirma que não praticou nenhum ato ilícito e não é citado ou investigado em nenhuma operação ou processo criminal", diz a nota da instituição.

Já a CNI, que teve o presidente preso, disse que acredita que tudo será devidamente esclarecido. "A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem conhecimento de que o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, está na Polícia Federal, em Brasília, prestando esclarecimentos sobre a operação deflagrada na manhã desta terça-feira (19/02). A CNI não teve acesso à investigação e acredita que tudo será devidamente esclarecido. Como sempre fez, a entidade está à disposição para oferecer todas as informações que forem solicitadas pelas autoridades."

Em nota, o Ministério do Turismo informou que já tinha determinado auditoria completa em todos os instrumentos de repasse antes mesmo de tomar conhecimento da investigação da PF. A análise resultou no cancelamento de um contrato no valor de R$ 1 milhão. “O Ministério do Turismo, que não é alvo das buscas e apreensões da Operação Fantoche, está totalmente à disposição para colaborar com a investigação”, assegura a pasta, ao destacar que nenhum novo convênio foi assinado este ano.

Das demais empresas citadas, a Aliança Comunicação e Cultura disse que esta empenhada em prestar esclarecimentos à PF.

“A Aliança Comunicação e Cultura reafirma seu compromisso em produzir projetos culturais com conteúdo de altíssima qualidade, e que têm se traduzido em sucesso de público e de crítica por quase 20 anos. Ao longo desse tempo, levamos o que há de melhor no mundo das artes para mais de 10 milhões de brasileiros, em todos os estados da federação e no Distrito Federal, sempre com acesso gratuito. Reforçamos, ainda, que todos os nossos projetos passam por auditorias internas e externas, sem qualquer tipo de restrições quanto a qualidade e a entrega de TODOS os itens contratados. Nesse momento, estamos nos empenhando ao máximo para esclarecer todos os questionamentos levantados pela Polícia Federal. É do nosso maior interesse que tudo seja elucidado o mais rápido possível”, diz a íntegra do posicionamento.

Já o Instituto Origami ponderou que “é uma associação civil de direito privado, independente, sem fins lucrativos e apolítica. E informa que está colaborando com todas as demandas das autoridades no sentido de esclarecer eventuais dúvidas sobre os projetos que realiza”.

*Com a colaboração da repórter Giselly Santos

Oito funcionários da Vale foram presos na manhã desta sexta-feira (15) em Minas Gerais e Rio de Janeiro. As prisões foram em Belo Horizonte, Itabira (MG) e na capital fluminense. Ao todo, são 14 mandados de busca e apreensão, e oito de prisão. O pedido foi do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG).

Entre os presos estão quatro gerentes (dois deles, executivos) e quatro integrantes das respectivas equipes técnicas. Segundo o MP de Minas, todos são diretamente envolvidos na segurança e estabilidade da Barragem 1, em Brumadinho, rompida no dia 25 de janeiro. As prisões temporárias foram decretadas pelo prazo de 30 dias.

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Um dos presos é Alexandre Campanha, executivo da Vale, que foi detido na região centro-sul de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Ele prestou depoimento em 7 de fevereiro à força-tarefa que investiga o rompimento da barragem 1 na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Campanha foi citado pelo engenheiro Makoto Namba, da Tüv Süd, que disse ter se sentido pressionado pelo executivo a assinar documento atestando a estabilidade da barragem que rompeu. Em depoimento, Campanha negou ter travado o diálogo com o responsável pelo laudo da barragem.

Alexandre Campanha é gerente executivo corporativo da Vale e, segundo depoimento de Namba à Polícia Federal, fez pressão para que assinasse o documento. "A Tüv Süd vai assinar ou não?", teria dito Campanha, segundo Namba.

O engenheiro, então, disse ter respondido que assinaria se a Vale adotasse recomendações que fez em revisão periódica de junho de 2018. Namba afirmou ainda ter assinado o laudo - e que se sentiu sob risco de perder o contrato.

Busca e apreensão

Segundo o Ministério Público, foram ainda alvos de busca e apreensão nesta sexta, em São Paulo e Belo Horizonte, quatro funcionários (um diretor, um gerente e dois integrantes do corpo técnico) da empresa alemã TÜV SÜD, que prestou serviços para a Vale, referentes à estabilidade da barragem rompida. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão na sede da empresa no Rio de Janeiro.

A operação contou com o apoio das Polícias Militar e Civil do Estado de Minas Gerais e, ainda, com atuação dos Ministérios Públicos dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

Todos os presos serão ouvidos pelo Ministério Público Estadual, em Belo Horizonte. Também são apurados crimes ambientais e de falsidade ideológica.

Veja a lista dos presos:

Joaquim Pedro de Toledo

Renzo Albieri Guimarães Carvalho

Cristina Heloíza da Silva Malheiros

Artur Bastos Ribeiro

Alexandre de Paula Campanha

Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo

Hélio Márcio Lopes da Cerqueira

Felipe Figueiredo Rocha

As autoridades russas anunciaram nesta quinta-feira (7) novas detenções de Testemunhas de Jeová depois da condenação a seis anos de prisão de um dinamarquês membro dessa organização religiosa proibida na Rússia desde 2017.

De acordo com o Ministério do Interior, dois grupos diferentes de Testemunhas de Jeová foram detidos em Mordóvia (centro-oeste da Rússia) e no distrito de Iugra (Sibéria Ocidental).

O ministério, que acrescenta que computadores, telefones celulares e "literatura extremista" foram apreendidos, não especificou o número total de pessoas presas.

As Testemunhas de Jeová, que reivindicam 172 mil membros na Rússia, foram proibidas em abril de 2017 pela Suprema Corte e, desde então, esse movimento é considerado "extremista" pelo Ministério da Justiça.

Na quarta-feira, a justiça russa condenou dinamarquês Dennis Christensen a seis anos de prisão por "extremismo", na primeira decisão do tipo desde que esta denominação religiosa foi proibida no país.

Christensen foi condenado após um julgamento que durou 10 meses em Oriol, uma pequena cidade que fica 400 km ao sul de Moscou.

Yaroslav Sivulskiy, porta-voz na Rússia das Testemunhas de Jeová, afirmou que o movimento pretende recorrer contra a decisão.

Em um comunicado, Sivulskiy afirmou "lamentar a condenação de Dennis Christensen, um homem inocente que não cometeu nenhum verdadeiro crime".

O Serviço Federal de Segurança (FSB) russo anunciou a detenção de Dennis Christensen e de outros membros da igreja em maio de 2017, em Oriol, durante uma cerimônia religiosa, poucas semanas após a proibição deste movimento na Rússia.

Os outros integrantes da denominação religiosa foram liberados rapidamente, mas Dennis, atualmente com 46 anos, permaneceu detido.

O processo começou em abril de 2018. Em janeiro, a Promotoria solicitou seis anos e meio de prisão para o dinamarquês, que é casado com uma russa e mora há muitos anos no país.

Em sua última declaração antes das deliberações, Dennis Christensen afirmou que "não havia cometido nenhum crime".

Fundado nos anos 1870 nos Estados Unidos por Charles Russel, o movimento Testemunhas de Jeová é cristão e seus membros se consideram os únicos que podem restituir o cristianismo original. Com frequência são acusados de desvios sectários por causa de seus rigorosos preceitos.

As organizações de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional (AI) denunciaram uma campanha de "perseguição religiosa" contra este movimento na Rússia.

A AI considerou a sentença a "encarnação da injustiça do sistema judicial russo".

A organização russa de defesa dos direitos humanos Memorial considera os membros de Testemunhas de Jeová como "presos políticos" e que são "perseguidos por sua fé".

A Justiça do Rio decretou a prisão preventiva de 43 pessoas suspeitas de integrarem uma milícia que atua na zona oeste do Rio e nos municípios de Itaguaí, Nova Iguaçu e Seropédica. Entre os citados está Wellington da Silva Braga, conhecido como Ecko ou Didi, que seria o líder do grupo criminoso.

A prisão deles foi ordenada após a juíza Regina Célia Moraes De Freitas, da 1ª Vara Criminal da Regional de Santa Cruz, acatar denúncia do Ministério Público (MP-RJ).

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Na decisão, a juíza considera que os 43 envolvidos "constituíram e passaram a integrar pessoalmente, de forma estável e permanente, com emprego de arma de fogo, organização criminosa, associando-se em estrutura ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, com o objetivo de obter vantagem indevida, utilizando modus operandi de grupo criminoso conhecido por 'milícia', tendo como área de atuação os bairros de Santa Cruz, Campo Grande, Cosmos, Paciência e Sepetiba, com ramificações às regiões de Itaguaí, Nova Iguaçu e Seropédica".

Ecko é procurado desde o ano passado, sendo que o Disque Denúncia oferece uma recompensa de R$ 10 mil para quem der informações que levem a sua captura.

Além da prisão dos acusados, a juíza autorizou a busca e apreensão de documentos, armas, munições, veículos, computadores, mídias, celulares, aparelhos decodificadores, cheques de terceiros que não sejam familiares, anotações de cobrança e demais bens e objetos comprobatórios da prática criminosa.

O início de 2019 tem sido de violência nas ruas de Fortaleza e no interior do Ceará. Em menos de duas semanas, já foram cerca de 200 ataques a prédios, viadutos e veículos, em pelo menos 43 dos 184 municípios do Estado. Ontem, criminosos atacaram uma torre de transmissão de energia elétrica e a polícia apreendeu 5 toneladas de explosivos. No total, 330 suspeitos, incluindo adolescentes, foram detidos pelos crimes.

A onda de vandalismo é liderada por facções criminosas, insatisfeitas com medidas de endurecimento do sistema penitenciário local. O aumento do rigor nas prisões é defendido pelo governador Camilo Santana (PT), que ordenou até a retirada de tomadas elétricas nas celas, para evitar o uso de celulares.

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Para conter o vandalismo, mais policiais foram levados às ruas. Houve até escolta da PM para garantir serviços essenciais, como o transporte público e a coleta de lixo. Na madrugada de ontem, criminosos derrubaram uma torre de transmissão de energia elétrica no Anel Viário em Maracanaú, na região metropolitana. Houve relatos de oscilação de energia na área, o que a Enel Distribuição Ceará nega. Na capital, a polícia encontrou 5 toneladas de explosivos, prendeu cinco suspeitos e deteve um adolescente.

Força Nacional. Com a gravidade da crise, o Estado recorreu ao ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, que enviou mais de 400 agentes da Força Nacional. A chegada da tropa federal, na semana passada, reduziu o número de ocorrências, mas ainda não conseguiu acabar com elas.

A rotina da quinta cidade mais populosa do País, com 2,6 milhões de habitantes, é de medo, como contam as pessoas ouvidas na semana passada pelo Estado (mais informações nesta página). Comerciantes da periferia de Fortaleza receberam ordens de fechar as portas mais cedo.

A circulação dos ônibus da cidade foi afetada, com corte de até 30% da frota. Estudantes e trabalhadores que têm atividades nos municípios vizinhos precisaram se reorganizar para garantir a própria segurança.

Mas não foram só os moradores que tiveram de se adaptar. Por ano, o Estado recebe 3 milhões de turistas, muitos de fora do País. Há visitantes que, com a viagem planejada há tempos, decidiram manter o passeio. Mas evitam sair à noite ou circular de ônibus e não se afastam da orla da Beira-Mar, o cartão-postal da cidade.

Depoimentos

‘Dormimos duas noites no carro’

Dulcineia Alves, comerciante de 58 anos

"Não costumo ver TV há anos e demorei a saber dos ataques. Comecei a ter medo na terça, quando teve ameaça de bomba no Hospital Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará, e o diretor liberou os funcionários mais cedo. Eles são os meus clientes, né?

Vi todo mundo indo embora, com medo de o prédio explodir: médicos, enfermeiras, funcionários e os pacientes do hospital. Naquele dia, o padre da capela do hospital me deu um terço de Roma, benzido pelo papa. Fiquei a noite inteira rezando - só nos resta rezar.

Ouvi sobre toque de recolher no bairro da Bela Vista, mas pensava que o governador ou a polícia tinha pedido para fechar o comércio. Minha filha disse: "Mãe, é gente do crime organizado que manda fechar. Se virem coisa aberta, tacam fogo". Fiquei com medo de alguém tocar fogo no meu ponto. É minha vida, estou aqui há 30 e poucos anos. Não ia aguentar ver meu trabalho queimado.

Chegou quarta e abri só à tarde. Dois PMs ficaram fixos em frente ao hospital, mas à noite tive medo. Apaguei a luz do meu ponto, coloquei as roupas mais para perto.

Decidi dormir no carro com meu marido porque saio depois de meia-noite e tive medo de ir de carro para casa. Dormimos duas noites no carro. Só fui em casa de manhã para tomar banho. Ele ficou. O movimento caiu muito. Vendo quatro bolos moles por dia, mas só tenho vendido um. Pelo movimento baixo e o medo, não trabalho neste fim de semana. Segunda a gente vê o que faz"

‘Tem o estresse, mas é preciso estar alerta’

José Carlos (nome fictício), policial militar de 32 anos

"O impacto (na vida) é total. A imprensa daqui não divulga até para não gerar caos, mas o primeiro setor a ser ameaçado foi a polícia, com risco de ataques a viaturas e contêineres onde ficam algumas unidades policiais, além do policiamento a pé e em geral. Homens que queriam destruir postes e uma viatura chegaram a trocar tiros há quase duas semanas. Mas contra mim, contra alguém que conheço, não aconteceu.

As ameaças fez nossa rotina mudar. Altero as rotas que faço para casa para o caso de estar sendo seguido. Eu trabalho em uma favela, vai que algum olheiro me persegue?

Tenho ficado estressado, é preciso estar mais alerta. Também tem a questão psicológica, de como o estresse altera a vida. É muito cansaço.

A rotina de trabalho mudou também. A gente estava trabalhando dentro dos ônibus por dez horas ininterruptas... Aumentou - e muito - a quantidade de horas de trabalho. Eu já tinha trabalhado cinco dias, fazendo o policiamento normal, e nas folgas que eu deveria tirar me escalaram para operação em ônibus. É estressante.

Tenho uma filha pequena e quando chego em casa tento esquecer o máximo que posso, mas a situação acaba refletindo, principalmente no sono. Você fica indisposto. Muda também a energia e a disposição para fazer as coisas. Acabo não tendo disposição física porque a questão mental estressa demais e o corpo não responde. De qualquer forma, ainda tento brincar com a minha filha, conversar com a minha esposa e com os meus pais. E como sou cristão, acabo fazendo também minhas orações.

Numa visão mais abrangente, é claro que há todo o esforço da gente, mas sei que é um momento ímpar da segurança pública do nosso Estado. Acho importante participar e contribuir de alguma forma. Sou servidor público e estou aqui para servir.

Espero que o Estado não dê um passo para trás, não desista. Este é um momento único para que se resolva logo esse problema e que todos - o cidadão, à polícia, o agente penitenciário - possam se sentir em paz. Porque é uma cadeia, né? Acaba atingindo a todos.

* Procurado, o governo disse que o período de descanso dos PMs é "bem maior do que o relatado" e que os agentes lancham e descansam antes de retornar aos coletivos."

‘Encaramos e não nos arrependemos’

Vera Torres, de 49 anos, gerente administrativa; Urias Castro,

de 50, eletrotécnico; Yasmin, de 18, e Thyago, de 15, estudantes

"Não temos saído à noite. Não ficamos mexendo no celular na rua, dando bobeira. Não andamos na periferia nem em lugares muito afastados da região da orla da Beira-Mar. No máximo, vamos até um shopping ou lugar mais fechado. Como viemos de carro de Petrolina (PE), onde moramos, optamos por táxi e Uber só se formos tomar bebida alcoólica. Mas, em geral, fazemos tudo com o nosso carro.

Pensamos em desistir da viagem, cancelar, mas havíamos comprado com alguma antecedência. Então, acabamos vindo. E só temos janeiro para viajar, por causa das férias escolares e do nosso trabalho. Era a oportunidade de estarmos juntos.

Resolvemos encarar e não nos arrependemos. Não presenciamos assalto nem nenhuma situação de violência, mas também estamos tomando bastante cuidado."

'Vida não para, mas é afetada'

Carolinna Sales, de 23 anos, universitária em Acarape

"A reitoria da Unilab (Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) ficou receosa por conta dos ataques e, com os transportes cancelados, muitos servidores e alunos não puderam ir.

Para chegar à Unilab, que no Ceará fica nos municípios de Redenção e Acarape (a 60 quilômetros de Fortaleza), há opções de ônibus rodoviário e metropolitano, e as rotas foram diminuídas. Há também os que vão de ônibus particular ou van, e os donos das frotas não quiseram ir. Traduzindo: prejuízo para todos.

Perdi duas provas e uma semana inteira de aula, mas acredito que foi uma decisão sensata da reitoria decretar recesso. Não há condições de nos expormos na situação que está. Espero haver possibilidade de voltarmos na próxima semana.

Enquanto isso, a gente fica receoso e temeroso de sair de casa. Meu pai e meu irmão tiveram de trabalhar; minha irmã foi para a faculdade porque as aulas não foram canceladas. A vida não para por conta disso, mas é algo que afeta - e muito - a rotina de todos.

Você se sente impotente. A palavra principal disso tudo, além do medo, é a impotência de não poder resolver a situação e ficar refém da onda de ataques. Pensamos que está tão distante. Não está. Meu pai e a minha irmã estavam parados num semáforo, quando iam ao mercado, e viram um carro explodir no posto de gasolina. Poderia ter machucado alguém, ou os dois.

É como se a tristeza tivesse tomado de conta do nosso Estado. E isso é muito ruim." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), informou, no final da manhã de hoje (8), que as forças de segurança do estado já efetuaram a prisão de 168 pessoas suspeitas de envolvimento em ataques criminosos dos últimos dias. As ocorrências foram registradas em mais de 40 municípios cearenses, incluindo a região metropolitana de Fortaleza.

Do total de presos, 20 foram capturados nas últimas horas, destacou o governador. Camilo Santana afirmou que o policiamento foi reforçado e mais prisões deverão ocorrer a qualquer momento.

"Estamos reforçando ainda mais o policiamento na capital e também no interior, com o apoio de tropas federais e estados parceiros. Já determinei à cúpula da segurança que empregue todos os esforços necessários", publicou o governador em sua página no Facebook. 

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Camilo Santana também informou que lideranças criminosas presas no estado estão sendo identificadas e transferidas para presídios federais. Ao todo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública disponibiliza 60 vagas para detentos do estado nas prisões de segurança máxima administradas pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen). "Não haverá tolerância com o crime", concluiu.

A madrugada desta segunda-feira (7)  foi o sexto dia consecutivo de violência no estado. Pelo menos quatro veículos foram queimados Na região metropolitana de Fortaleza, onde também foi registrado um ataque à bomba sobre uma ponte.

Depois de dois anos dos massacres nas prisões do Amazonas, Rio Grande do Norte e de Roraima, os estados não repararam as famílias e não atuaram em contento, de acordo com o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, que faz parte do Ministério dos Direitos Humanos e que analisa as situações das unidades prisionais e das pessoas encarceradas.

Os massacres aconteceram entre outubro de 2016 e janeiro de 2017 e resultou na morte de 126 pessoas. O relatório também afirmou que há um número expressivo de pessoas não localizadas e feridas. Os massacres ocorreram nos complexos penitenciários Anísio Jobim, em Manaus, a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista, e a Penitenciária de Nísia Floresta, em Alcaçuz (RN).

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O estudo reconheceu as medidas adotadas pelas autoridades federais e estaduais, mas as considerou “ineficazes” no que diz respeito a garantia aos direitos dos presos, familiares, profissionais do sistema penitenciário, além de combate as causas para impedir que nossos casos aconteçam. As ações tiveram posições de punição e não de reversão da crise, afirmou o relatório.

Mesmo que o governo tenha repassado recursos do estado, “nem esses estados, nem o próprio governo federal estão seguindo uma política estruturada para financiamento a partir de diagnóstico e planos de médio e longo prazo, não há racionalidade e real impacto na causa dos problemas”.

Entre 2000 e 2016, a população carcerária feminina aumentou 567%. Se levadas em considerações dados atuais até 2018, o aumento pode chegar a 700%. Este número faz com que o Brasil tenha uma das maiores populações carcerárias femininas do mundo. O estudo é da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (Dapp/FGV).

Em 2016, as prisões brasileiras tinham 42.355 mulheres, ou seja, se analisadas as ocorrências de prisões a cada 100 mil mulheres, o Brasil chega a 40,6, perdendo para os Estados Unidos (65,7) e Tailândia (60,1).

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Os estados com maior encarceramento de mulheres são Mato Grosso do Sul (11,3%), Amazonas (9,2%), Rondônia (8,2%), Acre (7,1%) e Roraima (6,7%). Ainda de acordo com a pesquisa, 62% das prisões de mulheres têm relação com o tráfico de drogas, contra 26% dos homens. "Grande parte das mulheres encarceradas trabalha na baixa hierarquia do tráfico. Não são grandes gerentes e com alta periculosidade. Penas alternativas poderiam ser pensadas", afirmou a pesquisadora Danielle Sanches, responsável pelo levantamento.

Em muitos casos, as penitenciárias femininas são mistas, em que há tanto homens quanto mulheres, sendo 17%, e 7% são exclusivamente femininas.

Além disso, 90% das prisões mistas e 49% das exclusivamente femininas foram julgadas inadequadas para gestantes encarceradas. As prisões mistas têm menos berçários e/ou centros de referências para mulheres (3%), já as exclusivas contém 32%. Sobre existência de creches, não há em penitenciárias mistas, e as femininas continham em 5% dos casos. Porém, 64% das mulheres encarceradas têm ao menos um filho.

O Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) informou nesta segunda (29) que ao longo do mês das eleições foram registradas 1.172 prisões em todo o País, das quais 589 de cabos eleitorais. Balanço do Centro Nacional do SUSP nas Eleições indica que foram registradas 4.814 ocorrências no período.

O documento destaca 348 prisões em flagrante e abertura de 34 inquéritos policiais. Ainda, 528 eleitores foram detidos, além de 13 candidatos.

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Embora vetada pela Justiça Eleitoral, a boca de urna levou à detenção de 1534 pessoas. Por compra de votos e corrupção eleitoral, 154 prisões. Desobediência a ordens da Justiça Eleitoral levaram à prisão de 118.

Velhas práticas da política foram registradas e provocaram prisões - fornecimento de alimentos a eleitores resultou na detenção de três infratores e o transporte irregular de outras 97.

Mais seis foram presos pelo uso de violência ou grave ameaça para obter voto ou abstenção.

Em todo Brasil, 71 pessoas foram presas devido à prática de crimes eleitorais neste domingo, 28, segundo turno das Eleições 2018. Os números são do Centro Integrado de Comando e Controle (CICCN) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e são relativos ao período entre 00h01 e 14h.

As prisões são resultado das 304 ocorrências registradas pelas policiais estaduais e as superintendências regionais da Polícia Federal. Ao todo, 265 mil agentes públicos das polícias estaduais e federal, do Corpo de Bombeiros e das guardas municipais atuam para garantir a segurança e a ordem durante o pleito.

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Três pessoas morreram e seis foram presas durante operação das Forças Armadas e da Polícia Federal no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. A ação realizou cerco e revista de pessoas e veículos que trafegavam pela comunidade.

Segundo o Comando Militar do Leste, dois fuzis, uma pistola, 27 munições para fuzis e um quilo de cocaína foram apreendidos durante as vistorias. A operação do Comando Conjunto foi deflagrada na segunda-feira (15) e prendeu quatro dos seis suspeitos no mesmo dia.

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Ao todo, 1070 militares das Forças Armadas e 30 policiais federais participaram da operação. Veículos blindados e aeronaves foram utilizadas. Cerca de 300 pessoas e veículos foram revistados e nenhum civil ou agente de segurança foi ferido durante a ação.

A taxa de policiais militares e civis presos no estado de São Paulo pelas corregedorias das corporações teve um aumento de 28% entre janeiro e agosto deste ano em relação a mesma época de 2017.

Segundo dados do governo do estado de São Paulo, as prisões de policiais militares subiram de 71 para 102 em um ano. E 40 policiais civis foram presos nos primeiros oito meses deste ano, neste caso, o índice se manteve o mesmo em relação ao ano passado.

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O crime de concussão, ou seja tirar vantagem usando como argumento o cargo na polícia, foi o responsável de 42 prisões entre janeiro e agosto deste ano. Já crimes como homicídio, a taxa foi de 18 prisões, desvio de dinheiro resultou em 15 prisões.

“Essa alta mostra o envolvimento maior de policiais com crimes graves, como peculato e homicídio, por exemplo. Porém, indica que os órgãos corregedores têm atuado com firmeza e prendido policiais que cometeram ilegalidades, o que é positivo. Tudo isso reforça uma recomendação da Ouvidoria, que defende uma independência cada vez maior desses órgãos corregedores”, afirmou o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Benedito Mariano.

A Polícia Militar da Paraíba prendeu nesta segunda-feira, 10, dez pessoas suspeitas de ligação com a fuga em massa na penitenciária de segurança máxima Romeu Gonçalves Abrantes, o PB1, em João Pessoa. A quadrilha estava em um flat na praia de Manaíra, na capital paraibana. Segundo o comandante-geral da PM, coronel Euller Chaves, os cinco homens e cinco mulheres são da cidade de Campina Grande, no interior do Estado, e com eles foram encontradas armas, munições e drogas.

A ação no presídio tinha como objetivo libertar quatro homens que foram presos no mês passado, suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em roubos a bancos e carros-fortes. Eles haviam sido presos em Lucena, na região metropolitana de João Pessoa, após atacarem uma equipe que fazia transporte de valores na BR-230, próximo à cidade de Cruz do Espírito Santo.

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Até as 19h, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) havia informado que 49 foragidos já foram recapturados. Pela manhã, o órgão havia divulgado que 105 presos fugiram, mas depois de uma recontagem o número foi corrigido para 92.

Governador diz que polícia não tem como reagir

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), admitiu que a Polícia Militar não tem como reagir a ataques como o que aconteceu no presídio PB1. Ele disse que as armas que a quadrilha utilizou na ação possuem as mesmas características das que são usadas por terroristas e, por isso, as forças de segurança do Estado não possuem liberação.

"É um ataque de uma organização criminosa utilizando recursos de terrorismo, que usa armas proibidas até para a polícia. As polícias não podem ter essas armas, mas aqui no Brasil os criminosos comumente têm acesso. Tem coisas que você consegue evitar e tem coisas que não são possíveis", falou.

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