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Há quase três anos, o afegão Sayed Sadaat, de 50 anos, era ministro de Comunicações do seu país. Atualmente, vive no oeste da Alemanha, em Leipzig, como entregador de aplicativo. Sadaat ganha a vida de bicicleta pela cidade, fazendo entregas de comida em domicílio. Para o árabe, não é motivo de vergonha, mas uma chance de recomeçar. O homem abandonou seu país em 2020, em consequência da crise política que assola o Afeganistão há décadas, segundo entrevista concedida à AFP.

A jornada é de seis horas, de segunda a sexta-feira; e de meio-dia às 22h nos finais de semana. Sayed usa um uniforme laranja, característico de sua empresa, e a mochila onde carrega os pedidos de seus clientes.

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"Não tem por que ter vergonha. É um trabalho como outro qualquer. Se há emprego, é porque há uma determinada demanda e que alguém deve se encarregar de satisfazê-la", diz ele.

Milhares de afegãos deixaram seu país recentemente, após retomada do Talibã, em voos das forças de coalizão que ocuparam o país durante 20 anos. Espera-se que mais deles devem chegar por conta própria em contingentes ainda maiores nos próximos meses e anos.

A barreira linguística

Há anos, os afegãos são o segundo maior grupo de migrantes na Alemanha, atrás dos sírios. Há cerca de 210 mil pedidos de asilo registrados desde 2015 no país europeu.

Sayed Sadaat chegou meses antes do colapso do governo de Cabul. Ele foi ministro de Comunicações do seu país natal entre 2016 e 2018. Ele diz que deixou o cargo porque estava farto da corrupção dentro do governo e encontrou trabalho como consultor no setor de telecomunicações.

Em 2020, a segurança começou a se deteriorar no país. "Então decidi ir embora", diz o ex-ministro. Embora tenha nacionalidade afegã e britânica, optou por se instalar na Alemanha no final de 2020, pouco antes do Brexit.

Em sua opinião, a economia alemã, a maior da Europa, oferece-lhe mais oportunidades em seu setor. Sem saber alemão, no entanto, é difícil encontrar trabalho. A pandemia de Covid-19 e as medidas de confinamento não facilitaram o aprendizado.

Agora ele dedica quatro horas por dia ao estudo do idioma, antes de sair com a bicicleta para fazer entregas pela empresa Lieferando. Sadaat ganha 15 euros por hora (cerca de R$ 92), um salário modesto, mesmo que seja bem acima do salário mínimo na Alemanha (R$ 58 por hora). Ele afirma que o dinheiro é capaz de atender às suas necessidades.

Como cidadão britânico, Sadaat não pode solicitar o "status" de refugiado, nem os respectivos benefícios. O ex-ministro, que não quer falar sobre sua família no Afeganistão, diz que não se arrepende de sua decisão.

Por um período limitado

O posto de entregador "é por um período limitado, até que eu encontre outro emprego", diz ele. Sorrindo, ele diz que o emprego o ajudou a ficar em forma, pedalando cerca de 1.200 quilômetros por mês. Com a retirada das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, Sadaat acha que pode ser útil na Alemanha.

"Posso aconselhar o governo alemão e tentar fazer com que o povo afegão tire proveito disso, porque posso dar a eles uma imagem realista do terreno", completa. Por enquanto, porém, não tem contatos, então a prioridade é a entrega em domicílio.

A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, visitou a fronteira sul do país nesta sexta-feira (25) para ver os "efeitos" da imigração ilegal, depois de viajar à Guatemala e ao México para ver as "causas", e em meio a críticas dos republicanos à gestão democrata.

Centenas de milhares de migrantes, principalmente da América Central, tentaram cruzar para os Estados Unidos nos últimos meses, levantando ferozes questionamentos dos republicanos de que a abordagem mais humana do presidente Joe Biden em relação à imigração gerou uma crise fronteiriça ao invés de evitá-la.

"Estamos aqui hoje para abordar e falar sobre o que trouxe as pessoas à fronteira dos Estados Unidos e, novamente, para continuar a abordar as causas profundas que fazem com que as pessoas deixem e frequentemente fujam de seu país de origem", Harris disse ao chegar a El Paso, Texas.

Esta visita é sobre "observar os efeitos do que está acontecendo na América Central", disse ela.

Harris viajou para a região no início de junho após ser incumbida por Biden de supervisionar os esforços diplomáticos com Guatemala, Honduras, El Salvador e México para tratar do que Washington descreve como a "raiz" do êxodo para o norte: extrema pobreza, violência, corrupção e o impacto das mudanças climáticas.

Entretanto, os republicanos fiéis à dura política anti-imigração do ex-presidente Donald Trump a acusaram de minimizar a situação na fronteira sul ao não ver a realidade da área em primeira mão.

"Já estive na fronteira muitas vezes", disse a ex-senadora pela Califórnia nesta sexta-feira.

O gabinete da vice-presidente disse que esta é sua primeira visita desde que Biden delegou esse tema a ela, mas observou que Harris visitou vários pontos ao longo da fronteira com a Califórnia.

O secretário do Departamento de Segurança Interna (DHS), Alejandro Mayorkas, que acompanha a vice-presidente, disse que recomendou que ela fosse a El Paso porque "isso dá a oportunidade de ver toda a situação" de desafios que o DHS enfrenta.

A viagem de Harris acontece cinco dias antes de Trump visitar o governador do Texas, Greg Abbott, na fronteira sul, que, segundo o ex-presidente, se tornou uma zona "sem lei" desde que Biden chegou ao poder.

As medidas de Trump reduziram o fluxo de migrantes, mas durante o governo Biden, as detenções vêm batendo recordes atrás de recordes todos os meses desde março. Em maio, cerca de 180.000 pessoas foram detidas depois de cruzar a fronteira ilegalmente, o maior número em 15 anos.

Os Estados Unidos estão prestes a enviar ao Brasil o primeiro voo fretado de imigrantes brasileiros deportados desde o início do governo de Joe Biden. Na quinta-feira, cerca de 130 brasileiros serão mandados de volta, segundo três fontes que acompanham as questões imigratórias americanas. Os voos fretados com deportados ao Brasil tornaram-se frequentes no governo de Donald Trump, como marca de uma contestada política e de uma retórica anti-imigração.

Parte dos imigrantes acredita, no entanto, que Biden tratará melhor os indocumentados e há relatos nesta linha. Por isso, o fluxo dos que chegam ilegalmente pela fronteira com México aumentou. Autoridades que acompanham o tema e organizações de apoio aos imigrantes têm relatado o crescimento do contingente de brasileiros nessa situação.

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O número, segundo estimativas feitas por pessoas que lidam com a questão no dia a dia, é equivalente ou até superior ao patamar registrado em 2019, quando a imigração ilegal por brasileiros bateu recordes.

O total de brasileiros que chegaram aos EUA ilegalmente começou a crescer em 2015, mas ainda se mantinha em patamares baixos. O grande pico nas apreensões pela Patrulha de Fronteira dos EUA (CBP, sigla em inglês) aconteceu em 2019, quando chegou a 18 mil casos - no ano anterior, haviam sido 1,6 mil.

No ano passado, as travessias caíram em razão dos bloqueios de viagem durante a pandemia e à política estabelecida pelo governo Trump. Para diplomatas, há um fluxo reprimido de imigrantes que agora fazem a travessia a pé.

No ano passado, Trump incluiu os brasileiros no protocolo conhecido como "Fique no México", que remetia ao país vizinho automaticamente aqueles estrangeiros sem documentos apreendidos pelo serviço de fronteira, para que esperassem fora do país pela análise dos pedidos de asilo. Antes, os brasileiros aguardavam em solo americano pela decisão dos tribunais de imigração.

Segundo organizações que acompanham o tema e fontes do governo brasileiro, ao menos 30 menores de idade cruzaram a fronteira americana sozinhos ou acompanhados de adultos que não são seus responsáveis legais - e estão sob custódia americana. Há brasileiros menores de idade em abrigos no Texas, na Califórnia e em Illinois.

Em 2018, auge da crise diplomática provocada pela separação de famílias, 49 crianças brasileiras ficaram em abrigos. Além de menores, há atualmente adultos e famílias inteiras chegando aos EUA pelo México. Só em dois abrigos para famílias em El Paso, no Texas, há cerca de 300 brasileiros atualmente.

"Os brasileiros entenderam que a fronteira estaria aberta, que eles poderiam entrar, com a mudança de governo nos EUA. Provavelmente, é a narrativa

• Ilusão "A viagem não é o reino encantado que vendem para eles no Brasil. O governo americano está distribuindo as pessoas que chegam para vários lugares do país" Heloísa Galvão COORDENADORA DO GRUPO MULHER BRASILEIRA

que está sendo contada no Brasil pelos coiotes. E, infelizmente, a situação no Brasil piorou. Eles vêm com a esperança de trabalhar aqui, se sustentar e de que haverá uma reforma imigratória", afirma Heloísa Galvão, coordenadora do Grupo Mulher Brasileira.

Na campanha eleitoral, Biden prometeu trabalhar para regularizar a situação dos imigrantes ilegais que vivem hoje nos EUA, dar tratamento digno aos que chegassem pela fronteira e não deportar estrangeiros nos 100 primeiros dias de governo.

A organização coordenada por Heloísa Galvão fica em Boston, região onde está a maior comunidade de imigrantes do Brasil nos EUA. Ela recebe ligações e pedidos de ajuda dos recém-chegados ou dos parentes de imigrantes detidos diariamente.

"A viagem não é o reino encantado que vendem para eles no Brasil. O governo americano está distribuindo as pessoas que chegam para vários lugares do país, porque estão com os centros de detenção lotados", afirma Heloísa.

Segundo fontes com acesso aos trâmites de deportação, o voo só não partiu antes dos EUA porque autoridades americanas discutiam como providenciar o teste negativo de covid-19 para todos os brasileiros que serão deportados. Desde 30 de dezembro, todos os passageiros que entram no Brasil precisam apresentar um exame PCR.

O Itamaraty não respondeu à reportagem do Estadão sobre o voo, mas afirmou que já foi informado sobre o caso e as autoridades consulares brasileiras nos EUA estão prestando assistência às famílias.

Ainda de acordo com a chancelaria, por meio de suas repartições consulares nos EUA, "o governo presta toda a assistência possível a brasileiros privados de liberdade em solo americano, respeitando os tratados internacionais vigentes, como a Convenção de Viena sobre Relações Consulares, e a legislação local".

O questionamento sobre o voo foi enviado à agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), à CBP, ao Departamento de Segurança Interna, ao Departamento de Estado americano, à Embaixada dos EUA em Brasília e à Casa Branca, que não responderam à reportagem. O CBP encaminhou dados mensais referentes às apreensões na fronteira em abril, que especificam o número de brasileiros que entraram ilegalmente.

Novo governo foi chance para buscar filho

Henrique alugou e mobiliou um novo apartamento em Boston para esperar pela chegada do filho. Ficou combinado que o adolescente repetiria os passos do pai e tentaria entrar nos EUA através da fronteira com o México, após fracassadas tentativas de conseguir o visto americano. Mas, desta vez, a promessa de coiotes em Sardoá, cidade de 5 mil habitantes próxima a Governador Valadares, era que os percalços do caminho eram coisa do passado e, no novo governo americano, o jovem seria entregue ao pai sem riscos.

"Falaram que me entregariam ele na mão, mas a história foi outra", conta Henrique, nome fictício de um mineiro de 40 anos, quase metade deles vividos nos EUA sem documentação. O filho, então com 17 anos, fez uma viagem menos turbulenta que a encarada pelo pai em 2003. Em vez de atravessar o Rio Grande e chegar pelo Texas, com dias sem comer, o jovem chegou de avião a Cancún e de lá foi para Tijuana - o México é um dos poucos países que não restringe a chegada de viajantes do Brasil na pandemia.

Após cruzar por terra a divisão entre México e Califórnia, foi apreendido por agentes de imigração e engrossou o número de brasileiros que chegaram aos EUA ilegalmente desde a posse de Joe Biden. "Ele não comia direito, não dormia. Podia fazer duas ligações por semana só. Fiquei muito preocupado, ele nunca tinha saído do Brasil", conta o pai. "Não pensei se o governo era Trump, Obama, ou Biden na hora que ele chegou. Só queria liberar meu filho."

"Ele veio nesse esquema ‘caicai’, que é o de todos", conta o pai. "Você chega e se entrega para a imigração, eles tornam mais fácil a chegada se mãe ou pai estão nos EUA", explica.

Mas no caso deles o risco da estratégia dar errado era alto, pois o jovem completaria 18 anos logo após a chegada aos EUA. Com isso, deixaria de ser liberado para viver com o pai, por ser considerado adulto. "Até que o povo da imigração me ligou e falou: queremos que seu filho passe o aniversário com você.

Queremos liberá-lo antes do aniversário", conta Henrique, o que foi visto como uma conquista por organizações de apoio ao imigrante que ajudaram nas tratativas.

Especialistas e autoridades locais relatam que o tratamento aos imigrantes no governo Biden é menos hostil. Os agentes de imigração têm pedido até ajuda a diplomatas dos países de onde são os imigrantes, numa posição colaborativa, segundo relatos ao Estadão. Menores com pais nos EUA têm sido rapidamente liberados para ficar com a família, ainda que ninguém tenha documentação.

Henrique se gaba de ter deixado a pobreza para trás e, hoje, trabalhando com construção nos EUA, "ser considerado rico". O filho, diz ele, veio em busca do mesmo: "Aqui ele vai estudar inglês e no futuro podemos montar uma empresa. Já a vida no Brasil continua muito difícil".

Mão de obra. Entidades que trabalham no auxílio a imigrantes brasileiros que chegam sem documentos aos EUA indicam a demanda por mão de obra, com a recuperação da economia americana, após o início da vacinação contra a covid-19, como um dos fatores que mais atraem brasileiros ao país. Outro motivo, dizem esses grupos, é a troca de governo em janeiro.

Solange Paizante, coordenadora da Mantena Global Care, associação que apoia imigrantes em Newark, em New Jersey, também afirma que a garantia de um posto de trabalho tem motivado os brasileiros.

Muitos, especialmente homens, já chegaram com um contrato engatilhado. "Os restaurantes têm nos pedido mão de obra, pois estão voltando a operar e não encontram gente para trabalhar", afirma a coordenadora da Mantena. Os dados de trabalho nos EUA mostram que, enquanto milhões ainda estão desempregados, há empregadores que têm dificuldade de achar mão de obra.

O número de imigrantes que cruzam a fronteira do México com os EUA bateu o índice mais alto nas últimas duas décadas, em março e em abril. Só no mês passado, 178 mil imigrantes foram apreendidos.

O ICE (Agência de Imigração e Fiscalização Alfandegária dos EUA) deportou menos de 3 mil imigrantes em abril, o patamar mais baixo da história para o mês, segundo o jornal Washington Post. Mas os voos com deportados seguem como uma estratégia. O grupo Witness at the Border contabilizou 21 voos em uma só semana em fevereiro.

A autorização sistemática para que os EUA enviem ao Brasil voos de deportação começou em 2019, no governo de Jair Bolsonaro. "Não há justificativa para o governo brasileiro autorizar esses voos. Todos os relatos indicam que os imigrantes viajaram algemados, em voos longuíssimos, com muitas paradas e sem o que comer", disse Heloísa Galvão, coordenadora do Grupo Mulher Brasileira.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Anwar é uma americana de origem líbia que foi afetada pela proibição de entrada de cidadãos de países muçulmanos estabelecida pelo ex-presidente Donald Trump. Enquanto ela estudava em Harvard, seu avô passava pela guerra e não foi autorizado a viajar para vê-la.

Agora, com a proibição de viagens suspensa pelo governo Joe Biden, a jovem protesta para que o novo governo aprove a reforma da imigração.

A chegada ao poder do democrata Biden deu um leme aos mais de 400 decretos emitidos por Trump para conter a migração irregular. Sua promessa de enviar ao Congresso uma reforma abrangente aumenta as expectativas entre uma centena de ativistas que protestaram em Washington na quarta-feira sob o slogan "Estamos em casa".

O plano de Biden - que inclui um projeto de lei para dar a 11 milhões de pessoas um caminho para a legalização - deve passar por um Congresso onde os democratas têm maioria.

Anwar lembrou-se com tristeza dos anos em que não pôde ver seu avô. Quando ela recebeu seu diploma universitário, ele lhe enviou uma mensagem com fotos da fumaça das bombas em Trípoli.

A jovem, que usa véu muçulmano e está cursando mestrado em estudos islâmicos, participou do protesto em Washington, onde cem migrantes e ativistas escreveram no chão as palavras "Para todos" com fitas coloridas, em referência à reforma não deixando ninguém de fora.

Embora a situação da família de Anwar tenha melhorado, ela acredita que “ainda há muito a ser feito” por outras comunidades e mencionou como exemplo a concessão de um caminho de cidadania para os não-documentados e o fato de que os centros de detenção para migrantes continuam funcionando.

"Essas são questões de longo prazo. Mesmo que minha família possa se reunir, vou continuar lutando", disse ele.

"O tempo perdido"

O protesto reuniu vítimas do veto a países muçulmanos como Anwar, mas também muitos "sonhadores" ou "dreamers", jovens que vieram ao país como crianças acompanhando seus pais e que durante o governo do democrata Barack Obama se beneficiaram de um Estatuto de Ação Diferida para Chegadas à Infância (DACA).

Esse decreto permitiu que estudassem, trabalhassem e dirigissem, mas foi cancelado por Trump, o que causou nesses 700 mil jovens, em sua maioria latino-americanos, em uma incerteza que durou quatro anos e envolveu uma longa batalha judicial.

“Precisamos que os congressistas deem andamento”, disse à AFP Isaías Guerrero, um “sonhador” de 36 anos, que veio da Colômbia para os Estados Unidos aos 15 anos.

Na quarta-feira, seis congressistas democratas - Pramila Jayapal, Jesús "Chuy" García, Verónica Escobar, Alexandria Ocasio-Cortez, Judy Chu e Yvette Clarke - apresentaram uma resolução que busca marcar o campo para que a reforma da imigração tenha a "dignidade" como bússola.

Para Isra Chaker, uma síria-americana de 30 anos que também foi afetada pela proibição de viagens muçulmanas, o comício é uma forma de se reunir como uma comunidade para discutir os diferentes efeitos das "políticas discriminatórias do governo Trump".

A mulher acredita que “o tempo perdido dói muito porque é algo que não volta mais”. Devido à pandemia, ele ainda não faz planos para ver sua família, mas a mera possibilidade lhe dá esperança.

"O fato de que espero poder me reunir com minha família aqui no futuro me dá muita esperança", concluiu.

Os Estados Unidos manterão suas políticas rígidas para interromper o fluxo de migrantes sem documentos, independentemente da chegada do democrata Joe Biden à presidência, alertou a embaixada americana no México nesta segunda-feira (11).

“As políticas de imigração implementadas nos últimos anos ainda estão em vigor”, disse em mensagem Edgar Ramírez, funcionário do Departamento de Segurança Interna da embaixada dos Estados Unidos no México.

Essas políticas incluem "restrições de passagem de fronteira, expulsões imediatas devido à Covid-19 e protocolos de proteção ao migrante", acrescentou.

Ramírez acrescentou que seu governo está ciente de que existem “rumores” de que “as políticas de imigração (dos Estados Unidos) vão mudar em breve” e garantiu que “não há como isso acontecer tão cedo”.

Os Protocolos de Proteção ao Migrante dos Estados Unidos estabelecem que os requerentes de asilo que chegam através de sua fronteira sul devem esperar em território mexicano pela resolução de seus casos, acrescentou a mensagem.

Cerca de 400 cubanos que aguardam o processo de asilo no México bloquearam por cerca de 8 horas entre 29 e 30 de dezembro uma ponte fronteiriça de Ciudad Juárez, exigindo que dessem seguimento aos pedidos nos Estados Unidos.

Cruzar ilegalmente a fronteira entre o México e os Estados Unidos de mais de 3.000 km representa "uma jornada mortal", continuou o diplomata.

Só em 2020, a Patrulha de Fronteira "recuperou mais de 250 corpos ao longo da fronteira" e, em 2021, duas pessoas já morreram "quando contrabandistas (de migrantes) abandonaram dezenas de migrantes em uma tempestade de neve no Texas", advertiu Ramírez.

Os migrantes que estão em cidades mexicanas na fronteira com os Estados Unidos comemoraram a vitória de Biden no dia 7 de novembro com a ilusão de que o democrata moderará as políticas de imigração.

Biden e o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, dialogaram por telefone em 19 de dezembro. O presidente eleito destacou a necessidade de promover o desenvolvimento do sul do México e da América Central como forma de evitar a migração, segundo o presidente mexicano.

Mudar de país é um desejo de muitos brasileiros que sonham com uma vida diferente no exterior. Entre os possíveis destinos, um dos países mais buscados é o Canadá, devido à sua abertura e boa receptividade a estrangeiros, além da relativa facilidade de absorver imigrantes no mercado de trabalho.

O Brasil, no entanto, é um país no qual a parcela de pessoas que falam línguas estrangeiras é pequena, o que torna a mudança para o exterior um desafio maior. Porém, quem não fala inglês ou francês e deseja se mudar para o Canadá, não precisa desanimar. De acordo com Daniel Braun, CEO da empresa de soluções em imigração para o Canadá 'Cebrusa', há diversas outras situações importantes a considerar em seu perfil ao iniciar um projeto de mudança. 

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“Uma pessoa pode migrar sem falar inglês desde que aprenda no país, mas nesse período não pode trabalhar. Para [solicitar] residência permanente, vai precisar. O idioma é importante, mas é a última parte. Pelo perfil da pessoa, às vezes ela está mais pronta do que imagina e pode dar entrada no processo”, explicou ele. 

Daniel conta que é necessário analisar o perfil da pessoa (ou família) para entender em qual dos mais de 60 programas de imigração haverá maior pontuação no Express Entry (sistema do governo canadense para selecionar estrangeiros qualificados a trabalhar no país) e, consequentemente, chances de sucesso. A proficiência em inglês ou francês é um critério importante de pontuação, mas há ainda outras maneiras de imigrar. No caso de contratação por parte de empresas canadenses, a companhia cuida de todos os trâmites burocráticos da imigração. 

Para quem não falam o idioma nem conseguiu um emprego, é possível imigrar por meio de cursos universitários (college) fazendo preparatórios de inglês, em que o aluno que não tem certificado de proficiência na língua exigida é aceito assinando um termo de pendência e ingressa no curso chamado University Pathway. O aluno recebe uma carta condicional da instituição de ensino e terá que cumprir as condições propostas pelo curso, de atingir um nível no idioma em um tempo determinado pela instituição antes de iniciar o curso desejado. 

Durante o Pathway, não há permissão para trabalho e, após entrar no college, o aluno tem direito de exercer atividades laborais por 20 horas semanais no período de aulas e 40 horas nas férias. Após o início do curso, o aluno pode reunir os documentos necessários para pedir a residência permanente no País. O processo inteiro, segundo o CEO da Cebrusa, pode durar de seis meses até dois anos. 

De acordo com Daniel, conseguir um emprego não é difícil devido à carência de profissionais qualificados para diversas áreas no Canadá. “O governo tem uma meta de receber mais de 1 milhão de estrangeiros com residência permanente até 2023. O País precisa de gente urgentemente, o mercado de trabalho é muito carente. Desde o nível técnico há vagas, mas também existem oportunidades para quem tem nível médio e graduação, por exemplo, em mais de 300 áreas”, comentou.

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Da próxima terça-feira (12) até 25 de outubro, a Cebrusa, empresa que auxilia brasileiros que desejam trabalhar no Canadá, realizará um evento virtual gratuito chamado “Jornada Sua Profissão no Canadá”, abordando aspectos sobre mercado de trabalho e imigração. As inscrições devem ser feitas através do site da iniciativa.

O evento será ministrado pelo presidente da empresa, Daniel Braun, através de 14 encontros nas redes sociais sobre o mercado de trabalho. No último dia, haverá uma aula sobre imigração para o Canadá. Participantes que usam o aplicativo Telegram terão acesso à gravação das aulas e materiais bônus exclusivos.

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“Estamos oferecendo um evento totalmente on-line e gratuito com encontros diários no YouTube, Facebook e Instagram, no qual serão abordadas as nuances do mercado de trabalho canadense, assim como as profissões mais requisitadas e como é possível ser contratado por uma empresa de lá”, destaca Braun. 

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 A briga na Justiça pela herança do apresentador Gugu Liberato ganhou um novo capítulo na última semana, após os advogados de Rose Miriam, mãe dos filhos de Gugu, apresentarem um documento para comprovar o vínculo do casal. As informações são do portal G1. 

O documento seria uma declaração juramentada assinada por Gugu e apresentada por Rose às autoridades de imigração americana quando a médica solicitou o Green Card para ela e os filhos. Nesta declaração, o apresentador informa ter uma fortuna de mais de R$ 200 milhões. O documento precisou passar por uma tradução e foi registrado em cartório. 

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Existem algumas formas para os estrangeiros obter o Green Card e uma delas é investir mais de US$ 500 mil no país, desde que se comprove a origem do dinheiro, de acordo com as regras de 2016.  

Gugu fez a doação para a conta de Rose Miriam e apresentou uma declaração para comprovar a origem do valor. Em um trecho do documento ele diz: "Tenho uma companheira de muitos anos, Rose Mirian Souza Di Matteo, que é mãe de nossos três filhos: João, Marina e Sofia… Presenteei US$ 555 mil da minha conta para uso pessoal da minha companheira… Declaro que o que acima exposto é verdadeiro e correto, tanto quanto é do meu conhecimento, sob pena de perjúrio”. 

O documento foi entregue à Justiça brasileira, que analisa o pedido de união estável feito por Rose Miriam, para uma nova divisão da herança, que daria a ela direito a 50% do valor deixado por Gugu.  

Rose não é citada no testamento deixado pelo apresentador, que dividiu sua herança da seguinte forma, 75% para os filhos e a parte restante para os cinco sobrinhos.

De acordo com o Relatório Anual do Parlamento Canadense sobre Imigração de 2018, o país pretende conceder 341 mil vistos de residência permanentes em 2020, e 350 mil em 2021. Daniel Braun, presidente da Cebrusa, empresa que oferece soluções de imigração para o Canadá, afirma que neste ano, mesmo diante da pandemia de Covid-19, o país já recebeu mais de 20 mil famílias de imigrantes.

“O Canadá precisa receber novos imigrantes nos próximos anos, pois o país precisa de pessoas, devido ao baixo crescimento populacional”, afirmou Braun. No entanto, muitas pessoas que desejam mudar de país legalmente e com visto de trabalho ou estudo, por exemplo, têm dúvidas sobre o processo de preparação para o intercâmbio. Para casos assim, segundo Braun, a Cebrusa criou um programa de mentoria que visa preparar futuros imigrantes para se mudar e viver em solo canadense.

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“O Fórmula de Imigração mostra um passo a passo de como morar no país, tornando a imigração simples, clara e objetiva”, disse o presidente da empresa, destacando que o país oferece mais de 60 programas de imigração e sem o planejamento necessário fica difícil saber em qual se encaixar.

“O programa de mentoria é como se eu pegasse na mão do candidato e o ajudasse a escolher o melhor caminho para ele e para a família morarem no país. Ajudamos em absolutamente tudo, em todas as dúvidas. É possível inclusive ligar para o pessoal da mentoria e tirar as dúvidas. A pessoa tem o contato de um condutor de imigração”, ressaltou Braun.

O programa de mentoria inclui curso de inglês completo e também um preparatório para o mercado de trabalho. As inscrições estão abertas no site da Cebrusa, com vagas limitadas. Mais informações podem ser obtidas no site ou através do e-mail contato@cebrusa.com.br

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira que assinou um decreto para limitar a imigração para os Estados Unidos, anunciado no início desta semana como forma de combater o desemprego causado pela crise do coronavírus.

"Para proteger nossos magníficos trabalhadores americanos, acabei de assinar uma ordem executiva para suspender temporariamente a imigração para os Estados Unidos", afirmou Trump na entrevista coletiva diária sobre o novo coronavírus.

Na terça-feira, Trump precisou que o decreto se aplica aos indivíduos que buscam residência permanente, e terá vigência de 60 dias.

A medida não afetará os vistos de trabalho temporário, apenas os "green cards", documento que dá residência permanente ao beneficiário.

Ao menos 22 milhões de trabalhadores nos Estados Unidos perderam o emprego a partir de meados de março.

A seis meses de tentar sua reeleição, em novembro, Trump destacou que o decreto vai garantir que os desempregados americanos fiquem na primeira linha quando ocorrer a reativação da economia.

Na entrevista, o presidente disse que é "alentador" ver como alguns estados já começaram a retomar as atividades, mas declarou discordar do governador da Geórgia, Brian Kemp, por sua decisão de reabrir salões de beleza e spas.

"Poderia esperar um pouco mais".

O presidente americano, Donald Trump, informou nesta segunda-feira que vai "suspender temporariamente" a imigração para os Estados Unidos, devido a pandemia do novo coronavírus.

"Diante do ataque deste inimigo invisível e da necessidade de se proteger os empregos dos nossos grandiosos cidadãos americanos, vou firmar um decreto para suspender a imigração aos Estados Unidos", escreveu o presidente no Twitter.

A pandemia - que já deixou 167 mil mortos no planeta, sendo 42 mil nos Estados Unidos - provoca um severo impacto econômico e desde meados de março levou à demissão de 22 milhões de americanos, segundo as solicitações de auxílio desemprego.

Esta situação de desaceleração global joga contra o planos de Trump, que tentará permanecer no cargo nas eleições de novembro.

Trump, que fez do combate à imigração ilegal uma de suas bandeiras, fechou um polêmico acordo com o México para que os solicitantes de asilo nos EUA permaneçam naquele país enquanto se analisa o pedido, e forçou acordos migratórios com El Salvador, Honduras e Guatemala.

Estes pactos com os países da América Central - muito criticados por organizações de defesa dos direitos humanos - conseguiram reduzir o número de pessoas detidas na fronteira de 144 mil em maio de 2019 para 33 mil em março passado.

O líder da Liga de Congressistas Latinos, Joaquín Castro, reagiu ao anúncio afirmando que "esta ação não é apenas uma tentativa de desviar a atenção do fracasso de Trump em deter a epidemia e salvar vidas, mas também um gesto autoritário que aproveita a crise para promover uma agenda contra a imigração".

Além de sua linha dura contra a imigração irregular, Trump também busca limitar a entrada de imigrantes legais nos Estados Unidos.

Preso desde a última quarta-feira (4) em Assunção, no Paraguai, o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho continua recebendo a admiração de torcedores. Nessa terça (10), imagens de Ronaldinho Gaúcho autografando uma camisa do Flamengo viralizaram na internet. 

O autógrafo foi concedido a um fã que estava com uma camisa de treino do time Rubro-Negro. Depois disso, o rapaz posou para a foto já com a camisa assinada pelo craque. 

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Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Assis foram detidos no Paraguai por portarem documentos falsos. Enquanto já estavam hospedados em um hotel, os irmãos foram identificados com os documentos adulterados.

A Grécia impediu a entrada de 9.972 imigrantes na região do rio Evros, fronteira com a Turquia e a Bulgária, entre as 4h da manhã de sábado (29) e o mesmo horário deste domingo (1º). Em reação, o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis convocou uma reunião emergencial da segurança nacional do País.

Somente nas últimas 24 horas, 73 migrantes foram presos, somando os 66 que haviam sido presos anteriormente, segundo comunicado divulgado pelo governo grego. De acordo com a ONU, no sábado, cerca de 13 mil migrantes estavam na fronteira entre os dois países.

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As forças armadas e a polícia gregas reforçaram suas patrulhas ao longo do rio Evros e alertaram os migrantes, através de alto-falantes, que a entrada no País é proibida. A área, no entanto, é muito ampla e difícil de monitorar. As autoridades gregas usam drones para tentar localizar grupos de migrantes e monitorar seus movimentos.

Histórico

A Turquia anunciou na sexta-feira, 28, que abriria as fronteiras terrestres e marítimas para permitir a migração da população à Europa. A decisão reacendeu o medo de uma nova crise migratória semelhante à que abalou o Velho Continente em 2015.

O primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, afirmou que não vai tolerar nenhuma entrada ilegal de imigrantes provenientes da Turquia em seu país. "Quero ser claro: não será tolerada nenhuma entrada ilegal", escreveu Kyriakos Mitsotakis no Twitter.

Antes, ele também afirmou que a Grécia tinha reforçado a segurança de suas fronteiras com a Turquia após a tentativa de centenas de pessoas cruzarem o posto fronteiriço de Kastanies. O chefe de gabinete grego e o ministro da Proteção ao Cidadão chegaram à região depois que o governo decidiu aplicar mais "severidade" no controle de fronteira.

Na crise migratória de 2015, a Grécia foi a principal porta de entrada na Europa para centenas de milhares de migrantes, principalmente da Síria, para escapar da guerra civil.

(Com agências internacionais)

O Reino Unido apresentou nesta quarta-feira (19) as novas regras de imigração que passarão a valer em 2021 como parte do desligamento do país da União Europeia (UE), o chamado Brexit. Inspiradas no modelo adotado pela Austrália, as normas dão preferência a estrangeiros que falem inglês, tenham qualificação acadêmica e profissional e já chegam ao Reino Unido com uma oferta de trabalho.

Apresentado pela secretária do Interior, Priti Patel, o novo sistema imigratório britânico será baseados em pontuação, e o cidadão estrangeiro terá que conquistar um mínimo de 70 pontos para conseguir um visto de trabalho. Falar bem inglês vale 10 pontos, ter um oferta de trabalho, 20 pontos. Qualificações acadêmicas valem outros 20 pontos, assim como uma proposta de emprego com salário mínimo de 25 mil libras esterlinas anuais (cerca de R$ 141 mil).

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O visto de estudante também seguirá um sistema de pontuação, com a condição de que o candidato tenha recebido uma oferta de ensino de um estabelecimento britânico, fale inglês e possa se manter financeiramente. "Vamos pôr em prática um sistema que funcione no interesse de todo o Reino Unido e priorize as competências que uma pessoa tem para oferecer, e não de onde ela vem. Durante muito tempo, distorcido pelo direito de livre circulação europeu, o sistema de imigração não respondeu às necessidades do povo britânico", alegou o governo do premier Boris Johnson, no documento apresentado hoje.

As normas devem ser implementadas em 1 de janeiro de 2021, quando acabar o período de transição para o Brexit, e valerão para todos os estrangeiros, inclusive de países-membros da União Europeia. Até agora, os europeus tinham facilidades de locomoção dentro do bloco. A tentativa de Boris Johnson é reduzir o número de imigrantes que chegam ao Reino Unido para trabalhar em vagas que exigem pouca qualificação e têm baixos salários, apesar dessas áreas serem importantes para a manutenção da economia local.

As novas regras não afetarão os cidadãos europeus ou de outras nacionalidades que têm visto e trabalham no Reino Unido. A oposição britânica criticou o novo sistema. Segundo os opositores, enquanto o modelo australiano restringe a imigração, mas incentiva estrangeiros com capacitação estratégica para a economia do país, o britânico corre o risco de desencorajar os estrangeiros. Os liberais-democratas também acusaram o governo de Boris Johnson de xenofobia.

Da Ansa

Os brasileiros que quiserem investir e morar nos Estados Unidos terão que pagar mais caro para conseguir o visto do programa de governo americano EB-5. O valor subiu quase o dobro, passando de US$ 500 MIL (R$ 2,1 milhões) para US$ 900 mil (R$ 3,7 milhões) - o que representa um aumento de 80%. A medida passou a vigorar nesta última quarta-feira (21). 

De acordo com o Correio Braziliense, o valor foi corrigido pela inflação e será atualizado a cada cinco anos. O visto EB-5 foi criado em 1990 e concede o Green Card, que é o visto permanente de imigração, ao investidor, sem que ele precise comprovar trabalho próprio.

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Mais de 100.000 menores estão atualmente retidos, com seus pais ou sozinhos, pela imigração dos Estados Unidos, informou a ONU nesta segunda-feira (18).

"O número total das crianças retidas é de 103.000", declarou à AFP Manfred Nowak, autor principal do Estudo Global das Nações Unidas sobre os Menores Privados de Liberdade.

A ONU definiu essa cifra como "prudente", com base em dados oficiais e em fontes complementares "muito confiáveis".

O especialista disse que o número de 103.000 crianças retidas nos Estados Unidos inclui menores não acompanhados, aqueles que foram com suas famílias e aqueles que foram separados de seus pais antes da detenção.

Em todo o mundo, pelo menos 330.000 crianças estão detidas em 80 países por razões relacionadas à migração, de acordo com este estudo.

"A detenção de menores relacionados à migração nunca deve ser considerada no interesse da criança. Sempre há outras opções", declarou Nowak à imprensa em Genebra.

Desde 2017, o Brasil vem recebendo uma grande quantidade de imigrantes e refugiados, vindos principalmente da Venezuela. Esses imigrantes atravessam a fronteira até chegarem nos Estados brasileiros. Segundo a ACNHUR  (Agência das Nações Unidas para Refugiados), cerca de 212.441 dos imigrantes e refugiados  vivem no Brasil.

Povos indígenas também estão migrando. Cerca de 735 indígenas da etnia Warao vivem em Belém em busca de oportunidades de trabalho e união familiar.

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Para falar sobre a situação dos indígenas Warao, em Belém, conversarmos com o intérprete da etnia José Albarrán López. Clique no ícone abaixo e ouça o podcast.

Por Sandy Brito e Lucas Neves.

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O New York Times revelou nesta terça-feira (1°) detalhes de uma reunião entre Donald Trump e seus assessores na Casa Branca, em março, na qual o presidente sugere uma forma inusitada de conter o fluxo de imigrantes: atirar nas pernas de quem tenta entra ilegalmente nos EUA. Segundo o relato de várias fontes que participaram da reunião, Trump tinha certeza de que o plano resolveria o problema na fronteira com o México.

Participaram da reunião o secretário de Estado, Mike Pompeo, a então secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen, e o chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney, além do genro Jared Kushner e do assessor para temas de imigração Stephen Miller.

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Outra proposta arquitetada pelo presidente era construir um fosso de água na fronteira e colocar crocodilos e cobras para afugentar os imigrantes. Segundo assessores relataram ao New York Times, um orçamento chegou a ser feito para ver quanto o projeto custaria. Eles disseram ainda que Trump queria uma cerca eletrificada com setas no alto que fossem capazes de furar as mãos de quem tentasse escalar a barreira.

Bastante irritado, Trump teria reclamado de seu gabinete. "Vocês estão me fazendo parecer um idiota. Eu disputei a eleição com essa promessa", dizia o presidente. "O problema com as leis que existem hoje é que a gente pode ter 100 mil soldados mobilizados na fronteira e eles não podem fazer absolutamente nada."

A reunião na Casa Branca terminou com os assessores de Trump convencendo o presidente americano a dar mais uma semana de prazo antes de determinar o fechamento da fronteira - mais tarde, quando o número de imigrantes diminuiu, a ideia de fechar os postos de fronteira também foi abandonada.

Fluxo recorde

Nos últimos meses, o número de imigrantes da América Central que chegam aos Estados Unidos cresceu. Maio foi o mês de maior fluxo desde 2006, com a prisão de mais de 132 mil pessoas que cruzaram a fronteira sem autorização do governo americano. Segundo dados oficiais, há mais de 436 mil pedidos de asilo em análise no país. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Na manhã desta terça-feira (20), a Polícia Federal (PF), em parceria com a agência norte americana de imigração Ice Customs Enforcement, desarticulou um esquema de exploração de migrantes para viagens ilegais aos Estados Unidos. Três mandados de prisão temporária foram cumpridos em São Paulo.

As investigações tiveram início em julho de 2018 e apontaram que o grupo providenciava passaportes e vistos brasileiros falsos em países da África Oriental, de onde partiam os migrantes ilegais com destino à capital paulista. Dentre os migrantes enviados aos EUA, estão dois somalis suspeitos de terrorismo.

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Ao chegar no Brasil, eles eram recebidos pelos criminosos, tinham os passaportes retidos e seguiam para um hotel na região central do município. Após a hospedagem, os migrantes viajavam para Rio Branco, no Acre, onde atravessavam a fronteira com o Peru e seguiam por meios terrestres até a fronteira do México.

 As informações apontam que o grupo tinha domínio de toda a rota por meio do contato com integrantes dos países e continentes vizinhos. Um dos criminosos divulgava símbolos e personagens nazistas em suas redes sociais. Os suspeitos responderão por contrabando de migrantes (qualificado pela submissão a condições desumanas e degradantes), organização criminosa, falsificação de documento público e divulgação do nazismo, com penas de três a oito anos de reclusão.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) português concedeu no ano passado 28 mil novos títulos de residências a cidadãos brasileiros, segundo o relatório anual sobre imigração divulgado ontem. Com isso, o total de brasileiros residindo legalmente em terras lusitanas ultrapassou a marca dos 100 mil. Só nos primeiros quatro meses foram concedidas 17 mil autorizações de residência - média aproximada de 6 por hora. A segurança pública e a economia aquecida são citadas pelos brasileiros como as principais razões para a escolha.

Entre os novos imigrantes, muitos se mudam com dinheiro para investir em negócios e imóveis. De acordo com a Associação de Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, os brasileiros se tornaram os maiores investidores estrangeiros no mercado imobiliário nas cidades de Lisboa e do Porto. No país como um todo, ficam atrás apenas dos franceses. A imprensa local já apelidou Lisboa de "nova Miami" dos brasileiros.

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Ainda que muitos venham com visto especial de investidores, o SEF informou que a maioria dos brasileiros obtém a residência por contrato de trabalho ou por reagrupamento familiar - quando um dos familiares já tem direito a residir em Portugal.

O grande aumento do fluxo de imigração, não exclusiva de pessoas oriundas do Brasil, tem sobrecarregado os serviços responsáveis por conceder as autorizações. Ontem, vários postos já não tinham mais vagas para marcar a renovação do título de residência até o fim do ano.

Para contornar o problema, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, anunciou a extensão do horário de atendimento, que passa a ser das 8h30 às 20 horas - anteriormente, se encerrava às 16 horas.

Mais fácil que os EUA

Foi a crise econômica do Brasil que levou a empresária Daniela Cox, de 44 anos, e sua família a deixarem o País em 2018. Antes de cogitar Portugal, a empresária pensou nos Estados Unidos.

"Mas, com as mudanças do governo (Donald) Trump, estava complicado conseguir o visto. Como meu marido tem nacionalidade alemã, a Europa ficou muito mais fácil", disse. Cidadãos europeus e seus familiares diretos têm direito garantido à residência em Portugal.

Daniela se mudou para a região de Lisboa em agosto com o marido e os dois filhos, então com 5 e 13 anos, e diz que não pensa mais em sair de Portugal. "Sinto muita saudade, mas sou mais feliz aqui. O ponto principal é poder andar na rua em paz, me sentindo segura", afirma.

Ela cita que a cultura próxima da brasileira, a comida, o idioma e o clima ameno ajudaram na adaptação de todos. "Meus filhos se dão bem na escola, não sofreram nenhum bullying ou preconceito."

Mas, se a burocracia foi facilitada pela cidadania europeia, conseguir emprego se mostrou uma tarefa ingrata. Daniela preferiu manter a empresa aberta no Brasil e trabalha a distância. O marido de Daniela, Pipo Cox, começou uma empresa de catering em Lisboa e tem tido muito sucesso. "Mas a clientela é 90% brasileira", diz a empresária.

O consultor de sistemas de tecnologia Rodrigo Damasio de Moura, de 39 anos, nem estava procurando emprego quando foi contatado por uma recrutadora de uma empresa de TI de Portugal. "Não me imaginava deixando o Brasil, mas eles gostaram do meu perfil, aceitei fazer uma entrevista e foi dando tudo certo. Em maio do ano passado, eu me mudei", conta.

Dois meses depois, trouxe a mulher e os dois filhos, de 14 e 3 anos. Ainda que tenha vindo com emprego certo, a mudança foi para conquistar qualidade de vida. "Vim para ganhar a metade do que eu ganhava no Brasil - e nem penso em voltar. A falta de segurança no Brasil está muito grave."

Com uma população envelhecida e baixas taxas de natalidade, Portugal tem visto o número de habitantes cair nos últimos anos e precisa de imigrantes. No último ano, mesmo contabilizando a entrada dos estrangeiros, perdeu 14 mil habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Segundo o ministro Eduardo Cabrita, o crescimento de quase 50 mil residentes estrangeiros "está em linha com as necessidades de manutenção do nível de população ativa". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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