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O exército e os paramilitares continuam lutando no Sudão, com explosões e confrontos nas ruas de Cartum nesta sexta-feira (21), apesar dos pedidos de trégua devido ao fim do Ramadã.

Antes do nascer do sol, como acontece desde 15 de abril, a capital sudanesa foi abalada por disparos e ataques aéreos entre as forças dos dois generais que disputam o poder no país.

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"Durante a noite (...), vários bairros de Cartum foram e ainda estão sendo bombardeados entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (FAR) paramilitares", disse o sindicato dos médicos nesta sexta-feira.

Soldados e paramilitares lutavam ferozmente nas ruas nesta sexta-feira em áreas residenciais densamente povoadas no centro e norte de Cartum, disseram testemunhas à AFP.

No dia anterior, a ONU e os Estados Unidos solicitaram uma trégua de "pelo menos" três dias para permitir que civis celebrassem o Eid al Fitr, que marca o fim do mês de jejum muçulmano do Ramadã.

No entanto, o chefe do exército Abdel Fatah al-Burhan descartou na quinta-feira negociar com seu ex-número dois, Mohamed Hamdan Daglo, chefe das Forças de Apoio Rápido (FAR) paramilitares.

As FAR anunciaram às 4h00 GMT (01h00 em Brasília) de sexta-feira "seu acordo de trégua de 72 horas" para dar uma pausa aos sudaneses presos neste fogo cruzado, que segundo a Organização Mundial da Saúde deixou mais de 400 mortos e 3.500 feridos.

Ao mesmo tempo, o general Burhan apareceu na televisão estatal pela primeira vez desde o início dos confrontos para um discurso por ocasião do Eid, no qual não mencionou nenhuma trégua.

- "Nosso país sangra" -

“No Eid deste ano, nosso país sangra: a destruição, a desolação e o barulho das balas prevalecem sobre a alegria”, disse.

"Esperamos sair desta prova mais unidos (...), um só exército, um só povo", disse, vestindo uniforme militar, entre duas bandeiras sudanesas.

"Gostaríamos que os combates parassem devido ao Eid, mas sabemos que isso não acontecerá", disse Abdallah, morador da capital, à AFP na quinta-feira.

Em entrevista por telefone à Al Jazeera, Burhan disse na quinta-feira que não havia espaço "para negociações políticas" com seu rival.

Se o general Daglo, apelidado de "Hemedti", não desistir de sua tentativa de "querer controlar o país", será "esmagado militarmente", alertou.

Durante o dia, Burhan recebeu ligações do secretário-geral da ONU, dos presidentes do Sudão do Sul e da Turquia, do primeiro-ministro etíope e dos chefes da diplomacia dos Estados Unidos, Arábia Saudita e Catar.

Washington anunciou o envio de militares para a região caso tenha que evacuar sua embaixada. O aeroporto de Cartum está fechado desde sábado e as embaixadas pedem aos cidadãos que fiquem seguros.

Na capital, muitas famílias estão sem seus últimos suprimentos e não têm eletricidade ou água encanada. As linhas telefônicas funcionam apenas de forma intermitente. Muitos tentam fugir entre postos de controle de ambos os lados e corpos espalhados pelas ruas.

Muitos civis também fugiram para o exterior para escapar da violência, concentrada principalmente em Cartum e na região oeste de Darfur.

Entre 10.000 e 20.000 pessoas, a maioria mulheres e crianças, cruzaram a fronteira para o Chade, de acordo com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).

Ambos os lados continuam anunciando vitórias e fazendo acusações mútuas que são impossíveis de verificar no terreno.

Israel realizou ataques contra a Síria no início, deste domingo (9), visando um complexo militar e postos de radar e artilharia depois que seis foguetes foram lançados do país em direção ao norte do território israelense, abrindo um novo ponto de tensão em meio à crise doméstica. Na cidade velha de Jerusalém, a tensão entre israelenses e palestinos atingiram um pico durante as celebrações da Páscoa Judaica e do Ramadã.

Explosões foram ouvidas de Damasco, a capital síria, de acordo com a mídia estatal, e o Ministério da Defesa sírio informou que várias munições foram lançadas das Colinas do Golan, ocupadas por Israel, em direção ao sul da Síria. O ministério disse que registrou algumas perdas materiais, mas nenhuma vítima foi relatada.

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As Forças de Defesa de Israel (IDF) disseram que lançaram ataques de drones e artilharia em retaliação ao raro ataque vindo da Síria, e responsabilizaram o governo sírio por tudo o que ocorreu em seu território.

Na primeira leva de ataque da Síria, um foguete caiu em um campo nas Colinas do Golan. Fragmentos de outro míssil destruído caíram em território jordaniano perto da fronteira com a Síria, informaram militares da Jordânia. Na segunda rodada, dois dos foguetes cruzaram a fronteira com Israel, com um sendo interceptado e o segundo caindo em uma área aberta, disseram os militares israelenses.

Mais tarde, militares israelenses disseram que seus caças atacaram locais do exército sírio, incluindo um complexo da 4ª Divisão da Síria e postos de radar e artilharia.

Embora o episódio pareça ter sido contido, foi um lembrete das muitas frentes em que a crescente crise de Israel pode explodir. Desde que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu voltou ao cargo no início do ano, o governo mais direitista e religiosamente conservador da história do país provocou protestos em massa nas cidades israelenses, aumentando a violência na Cisjordânia ocupada e aumentando a raiva no Oriente Médio.

Em um cenário regional já bastante tenso, Ismail Qaani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã, chegou a Damasco, informou a mídia estatal iraniana no domingo.

Alerta máximo em Jerusalém

Este domingo marca a rara coincidência dos períodos da Páscoa judaica (Pessach), do Ramadã islâmico e da Páscoa cristã, e a polícia israelense estava em alerta máximo nos postos de controle e locais sagrados de Jerusalém. Incursões policiais na Mesquita de al-Aqsa na Cidade Velha de Jerusalém nesta semana provocaram disparos de foguetes da Faixa de Gaza ocupada e do vizinho Líbano e ataques aéreos de retaliação de Israel.

Milhares de fiéis judeus se reuniram no Muro das Lamentações da cidade, o lugar mais sagrado onde os judeus podem orar, para uma celebração durante o feriado de Pessach. No complexo da Mesquita Al-Aqsa, uma esplanada murada acima do Muro das Lamentações, centenas de palestinos realizaram orações como parte das observâncias durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã. Centenas de judeus também visitaram o complexo de Al-Aqsa sob forte guarda policial, ao som de assobios e cânticos religiosos de palestinos protestando contra sua presença.

A Esplanada Sagrada é um poderoso símbolo de identidade religiosa e política para israelenses e palestinos.

Para os judeus, é conhecido como o Monte do Templo, onde ficavam o Primeiro e o Segundo Templos da fé; para os muçulmanos, é o Santuário Nobre, onde o profeta Maomé ascendeu aos céus. Regras informais que estabelecem quem pode orar onde - muçulmanos no topo da esplanada, judeus no Muro das Lamentações - foram testadas recentemente por um aumento na oração judaica na esplanada e ameaças de ativistas judeus messiânicos de realizar um sacrifício de animais durante a Páscoa.

As idas de judeus religiosos e nacionalistas aumentaram em tamanho e frequência ao longo dos anos e são vistas com desconfiança por muitos palestinos que temem que Israel planeje um dia assumir o controle do local ou dividi-lo. As autoridades israelenses dizem que não têm intenção de mudar os acordos de longa data que permitem que os judeus visitem, mas não rezem no local administrado pelos muçulmanos. No entanto, o país agora é governado pela coalizão mais direitista de sua história, com ultranacionalistas em cargos importantes.

Diplomatas israelenses pediram à Jordânia, que supervisiona o local desde que Israel ocupou Jerusalém Oriental em 1967, que retirasse alguns fiéis da mesquita novamente neste fim de semana, dizendo que eles estavam "planejando um tumulto". Mas no final da tarde, o ministro de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, retratou a história, informou a mídia israelense. "Felizmente hoje não tivemos que entrar, porque as pessoas que estavam lá dentro não foram, de acordo com nossa inteligência, para perpetrar violência", disse ele.

A Jordânia recusou o pedido, alertando sobre as consequências desastrosas se as forças israelenses invadirem a mesquita novamente. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, discutiu a violência em um telefonema com seu homólogo israelense, Isaac Herzog, no final do sábado, dizendo a Herzog que os muçulmanos não podiam ficar calados sobre as "provocações e ameaças" contra a Mesquita de Al-Aqsa, e disse que as hostilidades que se espalharam para Gaza e o Líbano não devem ser autorizados a escalar ainda mais.

O papa Francisco expressou sua "profunda preocupação com os ataques dos últimos dias" e pediu a criação de um "clima de confiança e respeito recíproco, necessário para a retomada do diálogo entre israelenses e palestinos", em sua tradicional bênção "Urbi et Orbi" após a missa de Páscoa.

Além dos combates na fronteira e as tensões em Jerusalém, três pessoas foram mortas no fim de semana em ataques palestinos em Israel e na Cisjordânia ocupada.

O funeral de duas irmãs anglo-israelenses, Maia e Rina Dee, mortas em um tiroteio, foi marcado para este domingo em um cemitério no assentamento judaico de Kfar Etzion, na Cisjordânia ocupada. Um turista italiano, Alessandro Parini, 35, foi morto na sexta-feira em um atropelamento no calçadão à beira-mar de Tel-Aviv.

Tudo isso em meio aos maiores protestos da história de Israel contra uma polêmica reforma judicial de Netanyahu, que neste sábado completaram 14 semanas. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

Lar de metade dos muçulmanos do mundo, a Ásia espera ansiosa pelo Ramadã, que este ano acontece em meio à pandemia de coronavírus. As autoridades tentam limitar as reuniões para impedir a propagação da Covid-19, mas os imãs exortam os fiéis a irem às mesquitas.

Os imãs de Bangladesh pedem aos fiéis que se reúnam nas mesquitas. Os líderes religiosos paquistaneses convenceram as autoridades a não fecharem os locais de culto durante o mês sagrado muçulmano. Noite após noite, amigos e familiares celebram juntos o "iftar", a quebra do jejum.

As autoridades tentaram limitar os efeitos sanitários do Ramadã, um dos pilares do Islã que começa na quinta-feira. Mas dignitários religiosos rejeitaram as recomendações.

Em Bangladesh, o governo pediu uma redução no número de pessoas nas mesquitas. Uma sugestão que irritou um dos principais grupos de imãs do país.

"A cota de fiéis imposta pelo governo não é aceitável. O Islã não apoia a imposição de nenhuma cota de fiéis", disse Mojibur Rahman Hamidi, membro do grupo extremista Hefazat al-Islam, que representa esses imãs.

Orar na mesquita é "obrigatório" para muçulmanos saudáveis, acrescentou.

Na sexta-feira, dezenas de milhares se reuniram por ocasião da morte de um pregador, desrespeitando o confinamento.

No Paquistão, a fé prevaleceu desde o início da pandemia sobre todas as outras considerações. As autoridades tentaram limitar o comparecimento às mesquitas, ou fechar algumas delas, mas os fiéis rezaram nas ruas adjacentes, lado a lado, desafiando as regras do distanciamento social.

- Pressão religiosa -

Antes do Ramadã, as autoridades já cederam à pressão religiosa, permitindo orações diárias e congregações noturnas nas mesquitas, depois de promessas de que seriam limpas regularmente.

O número de infecções e mortes diárias por coronavírus aumenta no país, que nas próximas horas excederá 10.000 doentes e 200 mortos.

"Vou tomar todas as medidas preventivas, lavar as mãos e usar uma máscara, mas isso não significa que vou parar de assistir às orações, especialmente durante o Ramadã", disse à AFP Zubair Khan, motorista de táxi de Peshawar (noroeste).

Os riscos de espalhar a doença através de reuniões religiosas são um fato. Em março, grandes congregações de missionários muçulmanos resultaram em centenas de contágios na Malásia, Índia, Paquistão e em outros lugares.

Atualmente, a mortalidade por Covid-19 é muito menor nos jovens países asiáticos do que na Europa e nos Estados Unidos, mas está aumentando acentuadamente.

O novo coronavírus causou o fechamento de escolas e comércios em toda Ásia, mas a maioria das mesquitas permanece aberta.

A Malásia debateu se permitiria os bazares do Ramadã, onde os muçulmanos compram os doces que consomem após o iftar.

Depois de impor o confinamento nacional, o governo declarou na semana passada que permitiria apenas "bazares eletrônicos", com entregas em domicílio.

"Temos que festejar sozinhos", disse Hadi Azmi, um editor de vídeo de 31 anos.

Mas o estado de Perlis, no norte do país, anunciou que violará as diretrizes de Kuala Lumpur e que os comerciantes de alimentos poderão vender seus produtos em suas casas e nas estradas.

Na Indonésia, onde milhões de pessoas viajam para suas cidades de origem após o Ramadã, o governo proibiu esses movimentos populacionais por medo de uma explosão nos casos da Covid-19.

Pesquisadores da Universidade da Indonésia estimam que esse fenômeno possa causar um milhão de infectados apenas na ilha de Java, dos quais 200.000 poderão morrer.

Ridwan Kamil, governador da província de Java Ocidental, com uma população de 50 milhões, tenta ser o mais pedagógico possível: "Se você se preocupa com seus entes queridos, fique onde está até que tudo acabe".

Em Xinjiang, um região de população muçulmana do noroeste da China, o final do período do Ramadã foi celebrado sob forte vigilância do governo, em um estacionamento construído onde ficava a mesquita de Heyitkah.

Esta região autônoma da China sofre as tensões entre os Hans (nativos chineses) e sua maioria uigur, muçulmanos cujo idioma é similar ao turco.

Depois de distúrbios e ataques, Pequim implementou fortes medidas de vigilância e começou a "tornar mais chinesa" a religião, em nome da luta contra o islamismo, o "terrorismo" e o separatismo. Dezenas de mesquitas foram destruídas.

Na cidade de Hotan, atrás do local onde ficava a mesquita de Heyitkah, o lema "Educar as massas para o Partido Comunista" aparece em destaque em letras vermelhas pintadas no muro da escola primária, onde os alunos tem que escanear o rosto antes de entrar por uma cerca de arame farpado.

A mesquita "era magnífica", garante um comerciante que trabalha numa loja ao lado. "Havia muita gente", principalmente durante as grandes festas, como a de Eid al-Fitr, celebrada nesta semana pelos muçulmanos do mundo inteiro.

- Portas com detectores de metais -

Segundo imagens de satélite analisadas pela AFP e a associação Earthrise Alliance, desde 2017 desapareceram 30 mesquitas em Xinjiang e outras seis foram desconfiguradas após a retirada de suas cúpulas e minaretes.

Os terrenos onde funcionavam essas mesquitas destruídas agora estão ocupados por locais públicos, como um jardim em Hotan, por exemplo.

Os uigures consideram as mesquitas como "seu patrimônio ancestral", informou Omer Kanat, diretor do Projeto de Direitos Humanos Uigur, um movimento de exilados uigures com sede em Washington.

"O governo chinês quer apagar tudo aquilo que for uigur, tudo o que for diferente dos costumes chineses", acusou.

No governo local, ninguém fala sobre a destruição das mesquitas.

Por outro lado, o acesso a mesquitas autorizadas é feito através de portais de detecção. No interior desses prédios, as câmeras de vigilância estão presentes. "Já não frequento mais a mesquita", declara um uigur que prefere o anonimato por temer sanções.

Segundo organizações defensoras dos direitos humanos, mais de um milhão de muçulmanos foram ou estão detidos em Xinjiang em campos de reeducação política, às vezes por motivos tão superficiais como o uso do véu pelas mulheres ou barbas compridas nos homens.

Na sexta-feira à noite em Hotan, a única mesquita da cidade estava fechada logo após o anoitecer, quando se encerra o jejum.

- Almuadem mudo -

Em Kachgar, a cerca de 100 km da fronteira com o Quirguistão, o grito do almuadem que convoca os fieis não é mais ouvido neste oásis da antiga rota da seda.

Nesta quarta-feira, para o fim do Ramadã, os fiéis faziam uma fila em calma para se aproximar da mesquita de Idkah, uma das maiores do país, atravessando um cordão de policiais uniformizados.

O governo de Xinjiang garante que defende a liberdade de credo religioso e que os habitantes podem celebrar o Ramadã "dentro dos limites da lei".

A cidade conta com mais de 150 mesquitas, segundo o imã de Idkah, Juma Maimaiti.

"Não houve nenhuma demolição de mesquitas aqui. O governo faz a proteção de algumas mesquitas importantes", declarou numa entrevista organizada na presença das autoridades locais.

No sul de Kachgar, um retrato gigante do presidente Xi Jinping está colado no interior de uma mesquita. Em vários locais de culto da região é possível ler frases que estimulam "amar o partido e o país" e "recusar o extremismo".

O presidente sírio Bashar al-Assad compareceu nesta quarta-feira (5) a uma mesquita de Damasco para a oração do Aíd al Fitr, a festa que marca o fim do mês de jejum muçulmano do Ramadã.

O presidente visitou a mesquita Hafez al Asad, que tem o nome de seu pai, na zona oeste de Damasco. Assad rezou ao lado de funcionários importantes do governo e de líderes religiosos, incluindo o mufti da Síria, Ahmad Badredin Hasun.

Desde o início da guerra em 2011, Assad faz poucos deslocamentos fora de um determinado perímetro em Damasco.

Mas nos últimos anos, por ocasião das festas religiosas, Assad saiu de Damasco, aproveitando a reconquista de áreas do território pelas Forças Armadas sírias.

Em junho de 2018, o presidente sírio visitou a cidade costeira de Tartus, oeste do país, para o Aíd al Fitr. Também fez viagens oficiais ao Irã e à Rússia, seus dois principais aliados internacionais.

Envolvida em um conflito sangrento, a Líbia parece mais do que nunca mergulhada no caos no início do mês sagrado do Ramadã após a convocação do marechal Haftar para redobrar os esforços para a conquista de Trípoli, sede do governo de União Nacional (GNA).

Após um avanço surpreendente, as tropas do autoproclamado Exército Nacional da Líbia (ENL) estão paradas às portas de Trípoli, retidas pelas forças leais ao GNA, incluindo grupos armados da cidade de Misrata.

Os combates estão ocorrendo nos subúrbios do sul da capital e mais ao sul da cidade.

Desde 4 de abril, confrontos e bombardeios deixaram pelo menos 432 mortos, 2.069 feridos e mais de 50 mil desabrigados, segundo a ONU, que multiplicou os pedidos pelo fim das hostilidades.

O primeiro-ministro do GNA, Fayez al-Sarraj, iniciará nesta terça-feira uma viagem de dois dias para se reunir com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, com a chanceler alemã Angela Merkel e com o presidente francês Emmanuel Macron. O objetivo é aumentar o apoio contra a agressão "do Marechal Haftar, anunciou nesta segunda-feira o Ministério das Relações Exteriores.

No domingo, a Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (Manul) pediu novamente uma "trégua humanitária de uma semana" por ocasião do início do Ramadã nesta segunda-feira.

O marechal Haftar se opôs a esse pedido e instruiu suas tropas a "infligir uma lição ainda mais dura" às forças que defendem a capital líbia e ao GNA "para arrancá-los de nosso amado país", segundo uma mensagem lida por um porta-voz do ENL, general Ahmed Al Mesmari.

- Presidente do Parlamento "provisório" -

Com o início nesta segunda-feira do "mês abençoado do Ramadã, o mês da jihad", a guerra santa, o marechal Haftar pediu às suas tropas que sejam "corajosas e implacáveis" para erradicar o "terrorismo".

No nível político, o Parlamento da Líbia deu um novo rumo, no domingo, a uma divisão duradoura, depois que 42 deputados dissidentes indicaram um presidente parlamentar "provisório", como alternativa ao atual presidente, Aguila Salah, que apoia o marechal Haftar.

O Parlamento, composto por 188 deputados eleitos em 2014, está baseado no leste, depois de deixar Trípoli após a tomada da cidade por uma coalizão de milícias. Primeiro se estabeleceu em Tobruk, e depois foi em 13 de abril para Benghazi, reduto de Haftar.

Após o lançamento da ofensiva, 42 deputados decidiram boicotar as atividades da câmara, para denunciar a operação militar e a linha seguida pelo presidente Aguila Salah.

Esta guerra é "injustificada", afirmaram em sua primeira reunião em Trípoli.

Em sua segunda sessão no domingo, eles nomearam um presidente "provisório" do Parlamento, Dean Sadeq al-Keheli, "por um período de 45 dias".

Com apenas 42 deputados, essa assembleia não possui a representação exigida pela Declaração Constitucional (ou seja, metade mais um deputado, 95 deputados) para realizar juridicamente uma sessão parlamentar.

A comunidade internacional reconhece o Parlamento baseado no leste, mas não no governo de Abdullah al-Theni, que emergiu daquele Parlamento e também está localizado no leste.

Desde o final de 2015, a comunidade internacional apoia o GAN, criado após um acordo político interlibio, patrocinado pela ONU e baseado em Trípoli.

O alemão Khedira, o francês Pogba, o senegalês Mané, o belga Fellaini e o egípcio Salah têm outra preocupação pelas próximas semanas além da preparação para a Copa do Mundo. O quinteto, assim como outras dezenas de jogadores muçulmanos, precisa conciliar a rotina de treinos para o torneio com as tradições do Ramadã. O mês sagrado para os islâmicos (15 de maio a 15 de junho neste ano) tem como uma das premissas a purificação espiritual pelo jejum do amanhecer ao entardecer. Ou seja: os seguidores da religião não comem e não bebem do amanhecer ao anoitecer.

A importante data do calendário muçulmano desafia atletas e seleções no principal torneio de futebol do planeta. A questão ganha importância, pois a Copa do Mundo na Rússia é a edição da história com a maior presença de países islâmicos. São sete: Egito, Marrocos, Tunísia, Nigéria, Senegal, Irã e Arábia Saudita.

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O maior personagem do tema é Mohamed Salah. O atacante do Liverpool disputou a final da Liga dos Campeões da Europa, neste sábado, durante o mês sagrado e envolvido em mistério. Embora autoridades religiosas tenham liberado o jogador do jejum para não prejudicar o seu rendimento, a imprensa egípcia noticiou que o atacante seguiria a restrição.

A seleção do Egito incorporou à comissão técnica mais profissionais para monitorarem a alimentação e o desgaste dos atletas durante o período. Meses atrás, o técnico da equipe, o argentino Héctor Cúper, manifestou preocupação. "Quando vou dar treino? Às cinco da manhã? Não posso treinar alguém que não ingere líquidos, nem tem calorias no corpo", disse ao jornal La Nación.

A maioria das seleções com islâmicos no elenco deve deixar a cargo dos jogadores a decisão sobre o impasse. "O ideal é conseguir deixar o regime do Ramadã mais maleável. Pode ser um risco à saúde segui-lo e competir. Em uma partida é possível perder até 5 quilos", explicou Joaquim Grava, médico do esporte do hospital São Luiz Morumbi, em São Paulo, e consultor médico do Corinthians. "O combustível do atleta é a alimentação. Sem comida, não é possível nem se movimentar", completou.

JEJUNS E ESFORÇO - As equipes de países muçulmanos estão acostumadas a se desdobrar na época do Ramadã. O técnico brasileiro Marcos Paquetá trabalhou por 15 anos em diferentes países árabes e enfrentou situações inusitadas.

Quando dirigiu a Líbia, ele levou o elenco em pleno Ramadã para uma partida das Eliminatórias em Moçambique, marcada pela seleção local para 15 horas. "Consultamos vários médicos e tentamos amenizar os problemas com o jejum. Chegamos a convencer os atletas a pelo menos bochechar água para ajudar. Usamos toalhas úmidas também", contou.

Treinador da Arábia Saudita na Copa do Mundo de 2006, Marcos Paquetá disse que era necessário compreender as diferentes linhas religiosas dos atletas, como a divisão entre sunitas e xiitas. Em ocasiões mais decisivas, as suas equipes procuraram autoridades religiosas para autorizarem os jogadores a cumprir o jejum em outras datas.

O ex-atacante Victor Simões atuou por quatro anos na Arábia Saudita e disse que no país o Ramadã é cumprido com rigor. "Os treinos do time eram transferidos para o período da noite. Logo depois do entardecer os jogadores faziam fila no refeitório para comer. Alguns até iam treinar depois, mas passavam mal", revelou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu não realizar a tradição de quase 20 anos do jantar de “iftar”, com representantes da comunidade muçulmana, que marca o fim do Ramadã, prática religiosa islâmica na qual os fiéis praticam jejum.

Iftar é o nome dado à refeição ingerida durante a noite com a qual se quebra o jejum diário durante o mês islâmico do Ramadã. O jantar, na Casa Branca, é uma tradução que vinha sendo mantida anualmente pelos presidentes desde 1999, com Bill Clinton.

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Ao invés da comemoração na Casa Branca, este ano o governo dos EUA se limitou a emitir um comunicado no qual Trump expressou sua felicitação pela celebração.

"Os muçulmanos nos Estados Unidos se uniram aos de todo o mundo durante o mês sagrado do ramadã para se concentrar em atos de fé e caridade. Agora, quando festejam a Eid com seus familiares e amigos, continuam a tradição de ajudar os vizinhos e compartilhar o pão com pessoas de todas as classes sociais", ressaltou a nota.

Israel revogou neste domingo as permissões de 200 mil palestinos para entrar em Israel durante o mês sagrado do Ramadã, após dois ataques próximos e simultâneos contra policiais, que deixaram uma jovem oficial morta perto da Cidade Velha de Jerusalém.

O corpo de defesa israelense divulgou a decisão em língua árabe em sua página do Facebook. Anteriormente, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que estavam em andamento os preparativos para destruir as casas dos agressores palestinos. Além disso, ele indicou que haveria um aperto da segurança na entrada da Cidade Velha, onde estão localizados locais sagrados para judeus, muçulmanos e cristãos.

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Três agressores palestinos armados com uma arma automática e facas atacaram oficiais em serviço perto da Cidade Velha em dois diferentes locais, na noite da última sexta-feira. A polícia disse que a sargento da equipe, major Hadas Malka, de 23 anos, estava apressada para responder a um ataque inicial quando um palestino a atacou com uma faca. Malka lutou com o homem por vários segundos enquanto ele a esfaqueava várias vezes antes que outros oficiais vissem o que estava acontecendo e abrissem fogo, matando-o, informou a polícia. Ela morreu mais tarde, no hospital.

O grupo extremista Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelos ataques, mas dois grupos militantes palestinos, o Hamas e a Frente Popular para a Libertação da Palestina, responderam rapidamente que os três agressores eram seus membros e acusaram o Estado Islâmico de tentar minar seus esforços. Na reunião semanal de seu gabinete, Netanyahu atacou o líder palestino Mahmoud Abbas por não condenar o ataque.

Israel já havia anunciado suas medidas anuais de boa vontade para o Ramadã, incluindo as 200 mil permissões de visitas familiares para palestinos da Cisjordânia e acesso para 100 residentes de Gaza para frequentar as orações na mesquita Al-Aqsa, de Jerusalém. O corpo de defesa israelense disse que as permissões de visita foram canceladas, mas as licenças de oração permanecem inalteradas.

Fonte: Associated Press

Dias antes dos ataques deste sábado em Londres, o Estado Islâmico pediu a seus seguidores que promovessem ataques nos Estados Unidos e na Europa durante o período sagrado para os muçulmanos, o Ramadã. O mês mais sagrado do calendário muçulmano começou no último dia 26.

Desde o início do Ramadã, membros e simpatizantes do grupo extremista prometeram em mensagens nas redes sociais promover um mês de "conquistas" e de jihad.

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Nenhum grupo assumiu até o momento a responsabilidade pelos ataques da noite de sábado em Londres, durante os quais uma van foi jogada sobre pedestres e houve ataques com faca. Sete pessoas foram mortas.

Desde sexta-feira, apoiadores do Estado Islâmico estavam disseminando online postagens pedindo que fossem feitos ataques contra civis ocidentais. Uma publicação ligada ao grupo entitulada "ação para o Ramadã" mostra caminhões, facas e revólveres e diz: "matem os civis dos Cruzadistas e usem veículos para atropelá-los".

O Estado Islâmico fez pedidos similares de ação durante o último Ramadã, mas os resultados este ano foram mais sangrentos. Num momento em que os territórios do grupo na Síria e no Iraque continuam encolhendo, os extremistas têm se concentrado em promover ataques terroristas em outras regiões.

Neste domingo, apoiadores do Estado Islâmico comemoraram os ataques em Londres. "Conforme prometemos, atacamos de novo! E o que virá pela frente será ainda mais severo", dizia uma postagem em um chat em grupo na plataforma Telegram.

Muçulmanos em todo o mundo celebram o Ramadã com jejum e orações. Historicamente, o mês coincide com algumas das primeiras vitórias do profeta Maomé e conquistas de territórios. Fonte: Dow Jones Newswires.

O Vaticano fez um apelo a cristãos e muçulmanos para que defendam o meio ambiente e o planeta, a "casa comum" de todos, em mensagem dirigida nesta sexta-feira ao mundo islâmico por ocasião do Ramadã.

"Ninguém, nenhuma nação ou povo, pode impor exclusivamente sua compreensão do planeta", afirma o texto, publicado um dia depois de o presidente americano, Donald Trump, ter anunciado a saída de seu país do Acordo de Paris sobre o clima.

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A mensagem, assinada pelo cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, assegura aos muçulmanos a "solidariedade" do mundo católico durante o mês do Ramadã. Além disso, convida os fiéis das duas religiões e toda a humanidade a iniciar um "novo diálogo para construir o futuro do planeta".

"A crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior", acrescenta o texto, que cita o papa Francisco e sua encíclica sobre a proteção do meio ambiente "Laudato Si".

Desde 1967, o Vaticano envia a cada ano uma mensagem de amizade e solidariedade com o islã por ocasião do Ramadã, o mês de jejum dos muçulmanos.

A Polícia conteve um protesto, neste sábado à noite (18), que reuniu cerca de 500 pessoas no centro de Istambul, organizado após o ataque na véspera a um grupo de fãs do grupo Radiohead.

Os agentes usaram jatos d'água, balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, no bairro de Cihangir, coração da maior cidade da Turquia.

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Os manifestantes se encontraram no início da noite. No protesto, sobressaíram palavras de ordem como "todos juntos contra o fascismo", ou ainda "Erdogan ladrão" e "Erdogan assassino", em referência ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Eles se dispersaram depois de menos de uma hora do início do ato, espalhando-se pelas pequenas ruas do bairro, sufocados pelo gás lacrimogêneo. Não há informações de feridos.

Na sexta-feira à noite (17), vários islamitas atacaram as pessoas reunidas em uma loja de discos em Istambul para ouvir o novo álbum do grupo de rock britânico Radiohead, em pleno Ramadã, informou a imprensa local.

Ao menos duas pessoas ficaram feridas, segundo a agência de notícias Dogan. A Polícia abriu uma investigação sobre o ocorrido.

Aos gritos de "Que fazem aqui durante o Ramadã? Saiam daqui!!", quase 20 pessoas enfurecidas invadiram a loja Velvet IndieGround, situada no bairro boêmio de Tophane, onde os fãs do grupo ouviam o álbum "A Moon Shaped Pool".

Os agressores denunciaram o consumo de álcool durante o mês sagrado do Ramadã. Além de depredaram o local, obrigaram as pessoas a sair do estabelecimento, insultando-as, segundo imagens difundidas nas redes sociais. "Vamos matá-los, seus bastardos", lançou um dos agressores.

Em nota divulgada na Internet, o Radiohead denunciou o ataque e disse esperar que "atos de intolerância violenta" fiquem no passado. O grupo também manifestou seu apoio aos fãs de Istambul.

"Nossos pensamentos estão com aqueles que foram atacados esta noite na Velvet IndieGround, em Istambul. Esperamos que, um dia, tenhamos condições para deixar para trás esses atos de intolerância violenta. No momento, podemos apenas oferecer a nossos fãs em Istambul nosso amor e nosso apoio", postou o grupo.

Desde 2002, a Turquia é dirigida por um governo islamita conservador acusado por seus críticos de adotar posições e medidas autoritárias.

Vários islamitas atacaram na noite dessa sexta-feira (17) as pessoas reunidas em uma loja de discos em Istambul para ouvir o novo álbum do grupo de rock britânico Radiohead, em pleno Ramadã, informou a imprensa local. Ao menos duas pessoas ficaram feridas, segundo a agência de notícias Dogan. A polícia abriu uma investigação sobre o ocorrido.

Aos gritos de "Que fazem aqui durante o Ramadã? Saiam daqui!!", quase vinte pessoas enfurecidas invadiram a loja Velvet IndieGround, situada no bairro boêmio de Tophane, onde os fãs d grupo ouviam o álbum "A Moon Shaped Pool". Os agressores denunciaram o consumo de álcool durante o mês sagrado do Ramadã. Depredaram o local e obrigaram as pessoas a saírem, insultando-as, segundo imagens difundidas nas redes sociais.

O Radiohead denunciou o ataque afirmando esperar que "atos de intolerância violenta" façam parte do passado e expressou seu apoio aos fãs de Istambul. Para a noite deste sábado (18) está prevista uma manifestação diante da loja atacada. A Turquia é dirigida desde 2002 por um governo islamita conservador acusado por seus detratores de posições autoritárias.

O ramadã, mês de jejum sagrado do Islã, começa segunda-feira (6) na França, onde vive a mais importante comunidade muçulmana da Europa, anunciou este domingo (5) o Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM). O período de jejum, quarto pilar do Islã, coincidirá este ano com a realização da Eurocopa-2016 de futebol (10 de junho a 10 de julho).

Reunido no domingo na grande mesquita de Paris, o CFCM fixou 6 de junho como o "primeiro dia do mês sagrado do ramadã no ano 1437 da Hégira" (calendário muçulmano, que tem entre 354 e 355 dias), anunciou o presidente da entidade, Anuar Kbibech, em um comunicado.

Com base na observação lunar para determinar as datas do calendário muçulmano, a grande mesquita de Paris se reuniu para a tradicional "Noite da Dúvida", véspera ou antevéspera do início do ramadã, para seguir o ensinamento do Profeta, que havia prescrito em um hadith (comentário oral), determinando a observação da lua nova para iniciar e terminar o jejum.

O Islã é a segunda religião da França, com cerca de 5 milhões de seguidores em uma população de 65 milhões de pessoas. O ramadã é um rito maciçamente seguido pelos muçulmanos franceses, e, segundo estudos, teria a adesão de mais de 70%, até 80% de fiéis.

Durante este mês sagrado, os muçulmanos são convidados a se abster de beber, comer e manter relações sexuais das primeiras luzes da alvorada até o pôr-do-sol.

O porta-voz do autoproclamado Estado Islâmico, Abou Mohamed Al Adnani, fez um apelo hoje (21) aos seus seguidores para que façam mais atentados no Ocidente, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, durante o mês sagrado do Ramadã, que começa em junho.

Em uma mensagem cuja veracidade não foi confirmada, Al Adnani afirmou que “é melhor e mais útil atacar civis”, acrescentando que no Ocidente “não há inocentes”.

Na mensagem de 31 minutos, divulgada nas redes sociais, o porta-voz do grupo extremista defende que qualquer ataque, por pequeno que seja, em casa do inimigo, é melhor do que um de grande dimensão nos territórios que controlam.

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No texto, o porta-voz do Estado Islâmico ataca os Estados Unidos, a Rússia, a Arábia Saudita e também um dos seus principais inimigos na Síria, a Frente Al Nusra, filial do grupo Al Qaeda nesse país.

Da Agência Lusa

Milhões de muçulmanos comemoram nesta segunda-feira (28) o primeiro dia após o fim do Ramadã. As festas do feriado de Eid al-Fitr, como é chamada a ocasião, duram três dias e são um tempo de celebração após o mês de preces e orações em que os fiéis devem se abster de comida e água do nascer ao pôr do Sol.

Neste ano, no entanto, o clima de festa foi afetado pela guerra civil na Síria, pelo acirramento dos conflitos na Faixa de Gaza e o avanço dos extremistas islâmicos no Iraque. Nas Filipinas, um grupo de insurgentes atacou fies que viajavam para as comemorações com a família matando 21 pessoas, incluindo seis crianças. Na Faixa de Gaza, as ruas estavam desertas, já que os fiéis ficaram em casa em busca de proteção contra o conflito que já matou mais de 1.040 palestinos.

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"Tudo o que queremos é ficar em um lugar seguro", disse a enfermeira Fedaa Abul Atta, que teve o sobrinho morto por um bombardeio israelense. No Líbano, o clima também não era de festa. "Não tem cara de feriado", disse o refugiado Umm Ammar, que deixou a Síria há três ano com o início dos conflitos e hoje vive em um campo no leste do Líbano. "Queríamos celebrar em nosso país", lamenta.

No oeste da África, as preces do feriado foram dirigidas às vítimas da queda do voo da Air Algerie, que matou 118 pessoas no Mali, e às vítimas do vírus Ebola, cujo surto já deixou mais de 670 mortos.

Políticos e chefes de Estado também evitam demonstrar alegria. O primeiro-ministro do Líbano, Tammam Salam, anunciou que não receberá convidados ou felicitações devido à situação da população de Gaza durante o feriado. O presidente da Turquia, Abdullah Gul, lembrou o povo em mensagem que era preciso neste feriado lembrar dos vizinhos, que não poderiam aproveitar o feriado em paz. No Qatar, as celebrações foram canceladas em memória às vítimas de Gaza. Fonte: Associated Press.

Em Guantánamo, onde o Ramadã é vivido tradicionalmente como uma trégua, as autoridades militares esperam com seu fim o retorno das desordens na prisão, povoada por homens detidos há mais de 10 anos sem julgamento.

O sol abrasador ainda não havia tomado conta de Cuba no Eid al-Fitr de sexta-feira, fim do 12º Ramadã em Guantánamo, e 15 detentos do bloco Echo começam no pátio a oração da manhã. O som de suas orações é ouvido fora dos muros do campo 6, onde os presos mais conciliadores estão autorizados a viver em comunidade.

Neste ano, o Fitr, a festa que celebra o fim do jejum e que se estendeu até a noite de domingo em Guantánamo, foi ofuscada por uma greve de fome sem precedentes seguida por 53 prisioneiros.

O "menu especial" servido durante estes três dias incluiu "frango halal, carne bovina halal, cordeiro, tâmaras, mel", enumera Sam Scott, chefe dos cozinheiros, em meio à confusão na cozinha.

Para os grevistas, o cair da noite traz consigo um jantar forçado. No sábado, 38 dos 53 homens que aderem à greve precisaram suportar a medida.

Um número que diminuiu diariamente, talvez graças à anistia acordada tradicionalmente pelas autoridades em favor do mês do Ramadã. Esta "graça do Ramadã" permite apagar os procedimentos disciplinares passados para os 166 detidos, em muitos casos sem nenhuma acusação por seu suposto envolvimento em atividades terroristas.

"Alguns aproveitaram esta oportunidade para se acalmar, mas outros não vão demorar dois dias antes de começar novamente a insultar os guardas", afirma o capitão Robert Durand, diretor de comunicações de Guantánamo.

"Não esperamos um grande motim, mas um aumento das desordens no fim do Ramadã", adverte.

--- Depois da calma, a revolta ---

Lançamento de urina ou às vezes, cuspes ou socos, "se há alguma oportunidade para que um prisioneiro faça das suas, muitos aproveitarão a ocasião", acrescentou o funcionário, que observou, como é habitual, "uma grande calma no centro" e "pouca atividade" dos detidos durante o mês sagrado do calendário muçulmano.

"Durante o Ramadã, os presos tendem a ser mais colaboradores", afirma o comandante da prisão, o coronel John Bogdan.

"As agressões não param completamente, mas caem de maneira significativa", afirma em uma entrevista à AFP no local.

"Temos vários detentos que foram muito conciliadores e obedeceram ao regulamento, e propusemos a eles voltar às zonas nas quais vivem em comunidades, ao invés de em celas individuais", afirma.

Quase todos os prisioneiros foram transferidos a celas individuais no dia 13 de abril, após um forte protesto que terminou com disparos de balas de plástico, destruição das câmeras de vigilância e feridos em estado leve.

"Fizeram antes do Ramadã porque sabiam que depois os contadores voltam a zero", comenta Zak, o conselheiro cultural encarregado pelo Pentágono de servir de ponte entre os presos e seus carcereiros.

Agora "eles são obedientes, que é o que se deseja, que deixem os guardas tranquilos", acrescenta o conselheiro, que considera que os prisioneiros "utilizam a religião como uma arma".

"Cospem na nossa cara", conta, vacilante, Joshua Holmes, um guarda do campo 5. "Tivemos alguns lançamentos (de urina ou fezes), agressões ou coisas do tipo (...), mas nada grave".

Um enfermeiro recebeu um soco quando tentava entubar um homem em greve de fome, relata "Hermione" do serviço médico, que se esconde por trás deste nome fictício na hora de ver os detidos.

Mas mesmo que "lancem (urina) ou cuspam em você, não pode deixar de fazer seu trabalho", acrescenta o guarda James Boudreau no campo 6, "nos treinaram para isso, sabemos que pode acontecer".

Carros-bomba explodiram em uma área de cafés e supermercados em Bagdá (Iraque) ontem, matando cerca de 61 pessoas, enquanto o Iraque era marcado pelo fim das comemorações do Ramadã.

Os ataques marcam uma onda de violência que as autoridades não conseguem conter, com o pior derramamento de sangue dos últimos cinco anos. Os casos levantam preocupações sobre conflitos sectários entre sunitas e xiitas, que mataram milhares de pessoas nos últimos anos.

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As explosões vêm poucas semanas depois de ataques, com autoria reivindicada pela Al-Qaeda, em presídios perto de Bagdá, que libertaram centenas de militantes. Analistas alertaram que o caso poderia impulsionar grupos armados.

O Estados Unidos condenou os ataques do último sábado como pertencentes aos "inimigos do islamismo, dos Estados Unidos, Iraque e da comunidade internacional", em comunicado.

O departamento de Estado dos EUA disse que os "covardes" ataques ocorreram enquanto "famílias celebravam o Eid al-Fitr", feriado que marca o fim do mês de comemorações do Ramadã. Fonte: Dow Jones Newswire.

O papa Francisco saudou neste domingo (11) a partir da Praça de São Pedro os muçulmanos do mundo inteiro, por ocasião da festa do fim do Ramadã, que termina na noite de hoje. "Gostaria de mandar uma saudação aos muçulmanos do mundo inteiro, nossos irmãos, que festejaram recentemente o fim do mês do Ramadã", disse o Papa diante de milhares de fiéis.

Francisco reiterou sua mensagem enviada no início de agosto às comunidades muçulmanas. "Pedi que cristãos e muçulmanos se comprometessem a promover o respeito recíproco, principalmente através da educação das novas gerações", disse após a oração do Ângelus.

No dia 2 de agosto, o papa enviou um texto, escrito por seu próprio punho, para expressar "a estima e a amizade com todos os muçulmanos, especialmente os que são líderes religiosos". Em sua carta, Francisco também pediu que seja evitada "a crítica injustificada ou difamatória" contra ambas as religiões.

O Papa consagrou a maioria de suas declarações deste domingo a uma exortação ao "amor de Deus", que "tem um nome e um rosto, o de Jesus Cristo". "O amor é o que dá valor e beleza a tudo mais: à família, ao trabalho, à escola, à amizade, à arte e a todas as atividades humanas", disse o Papa em meio aos aplausos dos fiéis.

O decreto de um religioso do alto escalão iraniano que afirma que um muçulmano que sofrer de "sede extrema" pode beber água durante o Ramadã provocou polêmica no clero, informou nesta quinta-feira (18) a imprensa iraniana.

"Os que não conseguem suportar a sede podem beber só um pouco para acalmar a sede (...) e o jejum não será invalidado", afirmou em uma fatwa (decreto religioso) o grande aiatolá Asadola Bayat Zanjani, de tendência reformista, em pleno mês sagrado do Ramadã.

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Este decreto foi rapidamente criticado por outro grande aiatolá, Naser Makarem Shirazi, que descartou que seja possível "fazer ao mesmo tempo o jejum e beber", e repetiu que a ruptura do jejum deveria ser compensada mais tarde durante o ano.

A imprensa lembrou os decretos do guia supremo iraniano, Ali Khamenei, e do grande aiatolá iraquiano Ali Sistani, segundo os quais "o estado de debilidade ou a sede não justificam que se rompa o jejum", embora o islã o dispense a certos doentes.

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